HBO Max - Vida Privada (Vie Privée) (A Private Life)

9/16/2026 11:42:00 PM |

Costumo gostar muito dos suspenses franceses, mas se tem algo que me incomoda em qualquer filme é jogar com comicidade para que fique bonitinho, pois ou você faz o público rir ou desenvolve a tensão e finaliza a proposta da forma certa, pois são gêneros bem opostos que não se misturam muito bem, e aqui em "Vida Privada", que pode ser conferido na HBO Max, diria que a diretora forçou um pouco demais no conceito conflitivo da protagonista, principalmente nos atos finais, pois é criado algo bem intrigante, vemos alguns desenvolvimentos interessantes com a protagonista dominando demais tudo, mas quando chega os atos finais, acontece meio como se a diretora falasse "pegadinha do Malandro, ié ié" e resolve criar um desfecho jogado, bobinho e quase que sem todas as nuances que ela criou durante o longa inteiro. De forma alguma estou dizendo que o longa é ruim, pelo contrário, até gostei bem dele quase que por inteiro, mas acabei brochando demais com a resolução, e assim até me perdi um pouco com o que esperava dele.

O longa nos mostra que uma renomada psicanalista chamada Lilian Steiner decide investigar por si própria a morte de uma de suas pacientes que, ela está convencida que foi assassinada. Lilian vive em Paris e fica devastada quando descobre que uma de suas pacientes, Paula, tirou a própria vida. Mas será que essa é a verdade? Visitas da família de Paula, como o viúvo furioso Simon e a filha taciturna Valérie, colocam Lilian no caminho de um mistério que sugere que sua paciente foi vítima de um crime. Ao lado de seu ex-marido Gabriel, a psicanalista americana mergulha numa investigação que apenas a traz mais perguntas que respostas. Até que ela vai atrás de uma terapeuta hipnótica que a faz acreditar que, na verdade, seu vínculo com Paula surgiu de vidas passadas.

Diria que a diretora e roteirista Rebecca Zlotowski até conseguiu segurar bem a sua obra, de modo que você passa o filme inteiro vidrado na protagonista e em suas dinâmicas (até meio que paranoicas demais para uma psiquiatra!) e acaba ficando esperando muito mais dela, pois vemos um crescente bem marcado como um bom suspense deve acontecer, de forma que acredito que esse deva ser o maior defeito do longa, que é ir criando sempre mais, pois se talvez ela não tivesse criado tantas neuras no público (e claro na protagonista), talvez o resultado final que foi encontrado chamaria mais atenção, o que não aconteceu. Ou seja, faltou amornar mais o miolo para ter um final também simples na tela, mas como jogou tudo no clímax, quando voltou para a realidade o crime já tinha acontecido.

Quanto das atuações sem dúvida alguma o filme é de Jodie Foster que consegue segurar do começo ao fim o estilo de sua Lilian, trabalhando entre o crer e o agir em suas dinâmicas, fazendo com que a personagem criasse um carisma gigante no público, algo raro em personagens que tem estilos psicológicos meio que quebrados, e assim com entregas duplas o resultado caminha bem na tela e empolga, mostrando o potencial que sabemos que a artista tem. Outro que foi bem encaixado na trama foi Daniel Auteuil com seu Gabriel cheio de curiosidades pelo mistério junto da ex-esposa, criando um vínculo até maior do que o normal para o personagem, sendo gracioso de ver suas dinâmicas. Já os demais personagens foram muito mal desenvolvidos, ou melhor, quase jogados na tela, de modo que Virginie Efira teve uma Paula sem grandes nuances, Mathieu Amalric trabalhou seu Simon apenas com atos explosivos meio que forçados, Luàna Bajrami ainda está se perguntando se sua Valérie realmente participou do filme, Sophie Guillemin entregou uma terapeuta até que intensa, mas com meia cena apenas, e para finalizar Vincent Lacoste ainda não entendeu sua presença no filme, ou seja, um elenco de grandes nomes do cinema francês usados apenas para preencher espaço.

No conceito visual a trama teve momentos simples espalhados entre o consultório/apartamento da protagonista, alguns atos em um velório e um enterro da paciente, algumas dinâmicas na casa de campo de um personagem, e momentos espaçados em restaurantes e no carro da personagem principal, não sendo algo muito chamativo pelas locações, mas tendo muita essência na busca dela pelo seu disquinho de gravação das consultas, ou seja, tudo bem simples e tradicional na direção de arte, como casualmente ocorrem em tramas francesas.

Enfim, é daqueles filmes que chamam a atenção pela entrega em si, que tem uma reviravolta meio que inusitada para o estilo, mas que consegue funcionar sem impactar tanto quanto poderia, valendo a recomendação com ressalvas. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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