Minha Melhor Amiga

9/05/2026 09:03:00 PM |

É interessante que raramente vejo um filme que funciona muito mais para um tipo de pessoa do que para mim, mas hoje posso afirmar com todas as letras que "Minha Melhor Amiga" foi feito exclusivamente para divertir a mulherada, aonde todas as sacadas fizeram a sala (bem lotada de mulheres) rir horrores do começo ao fim, se conectar com tudo o que estava sendo mostrado, e ao final ainda ouvir que fazia tempo que não tinha um filme bom assim, porém eu ri de algumas entregas e achei bacana o funcionamento bem conectado entre as personagens, mostrando quase um road-movie de mulheres maduras que tentam mudar seus medos de mudar a rotina em alguns dias. Ou seja, é o famoso filme feminino aonde muitas mulheres vão se enxergar ali e vão rir das situações, mostrando que as protagonistas souberam encontrar exatamente aonde dar o tiro, e consequentemente a diretora soube explorar bem isso, fazendo com que cada detalhe funcionasse bem na tela, saindo felizmente do novelesco, mas sem ir muito além também para atacar um público-alvo diferente, e assim fica sendo a melhor recomendação.

O longa mostra que Julia e Clara são melhores amigas, e suas vidas viram de cabeça pra baixo quando suas filhas adolescentes partem para estudar em Lisboa. Vivendo o vazio da casa, as frustrações no trabalho e os relacionamentos em crise, as duas decidem viver novas experiências e viajam para Portugal, onde as filhas vivem a própria liberdade. Mas, ao chegarem em terras lusitanas, nem tudo sai como planejado. O que seria apenas umas férias divertidas se transforma numa jornada que vai ressignificar a vida das duas. Entre encontros, desencontros e revelações, Julia e Clara redescobrem a força da amizade feminina — aquela que apoia, fortalece e nos lembra quem realmente somos.

Diria que a diretora Susana Garcia tem um estilo próprio de cinema e isso ela já mostrou muito em seus filmes que lotavam as salas dos cinemas, e o mais interessante é que ela sempre trabalhou conexões, fazendo com que seus personagens fossem muito mais do que apenas papeis nas vidas dos atores, mas sim tinham química demais, e até conviviam bastante fora das telas juntos, e isso é o que fazia muito sucesso, porém ela teve uma quebra grande nos últimos longas parecendo que tinha esquecido como fazer o público rachar de rir, e agora posso dizer que ela voltou a acertar, principalmente ao escolher em cheio o público-alvo de sua trama, afinal o que vemos aqui não é um filme para todos, mas sim para todas, aonde ela escolheu trabalhar temas que as mulheres vivenciam muito, conexões da vida delas aos 50, e situações bizarras que geralmente acabam se metendo junto quando falam mais do que a boca, ou seja, o roteiro foi perfeito para o encaixe da diretora com as atrizes, e ainda ela fez um ato fofo ao lembrar o filme que a jogou no estrelato com uma homenagem à "Minha Vida em Marte".

Quanto das atuações, diria que as protagonistas se encontraram no verdadeiro encaixe que suas personagens precisavam ter, fazendo atos tão conectados que se não soubéssemos que realmente elas são bem amigas na vida real, iríamos apostar nisso depois de ver o filme, de modo que Ingrid Guimarães trabalhou sua Clara com um jeito mais espalhafatoso de uma mulher cansada do casamento, mas que tem seus medos de separar e viver sozinha, aonde a atriz brincou com trejeitos, sotaques e dinâmicas mais jogadas, e com isso faz rir e se fez rir, sendo assertiva no papel. Já Mônica Martelli trabalhou sua Julia como uma jornalista mais requintada e imponente, mas que pela idade já não tem mais os caminhos abertos na profissão e já se sente mais deixada de lado, mas que se recusa a encontrar novamente o amor, e a atriz brincou com alguns traquejos mais sérios e foi bem nesse sentido, mas ainda assim se atrapalhando bem em determinados momentos para ter o devido gracejo, ou seja, acertou no que precisava. O mais engraçado de tudo é que o filme é das duas, não tendo mais minutos de tela para nenhuma delas, e praticamente não tendo abertura nenhuma para os demais personagens, e isso é muito bom, de modo que Giulia Benite como Manu (filha de Clara) e Gabi Amaral como Isadora (filha de Julia) praticamente só brincam nas cenas com as protagonistas, e os homens que foram colocados em cena (Ricardo Pereira como um médico português, Albano Jerónimo como Nuno um guia português e Alejandro Albarracín como o dono de um hotel espanhol Ramon) apenas participaram.

Visualmente o longa nos levou para passear em alguns bairros de Lisboa e também de Sevilha, mostrando quartos de hotéis, trabalhando alguns passeios de barcos (o do unicórnio se existir realmente é algo inusitado demais de se pensar), tiveram uma festa simples numa calçada e claro momentos dentro de um avião e de uma farmácia, mostrando alguns perrengues tradicionais das viagens internacionais com os preços das coisas, as escadarias e tudo mais, sendo um trabalho mais de locações bem escolhidas do que realmente um trabalho de cenografia da equipe de arte, mas ainda assim funcionou  bem dentro da proposta, e isso é o que importa.

Enfim, é um filme digamos simples de conteúdo, mas que felizmente não recai para o lado novelesco em momento algum, e principalmente como já disse funcionou muito para o público-alvo feminino, então assim sendo diria que o trabalho foi acertado na tela. Claro que eu esperava rir mais, afinal a comédia em si precisa funcionar para todos, mas fiquei feliz de ver que algum diretor nacional começou a olhar para nichos, algo que era raríssimo de acontecer, e que sempre tentando agradar todos os lados acabava não divertindo ninguém, e sendo assim posso recomendar ele com certeza para todas as mulheres que conheço. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas vou encarar mais um longa ainda hoje, então abraços e até logo mais.


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