HBO Max - Saudades, Te Amo (Miss You, Love You)

9/01/2026 01:09:00 AM |

Muitas vezes vocês vão ver que reclamo a beça quando um filme tem exatamente a essência e a estética que funcionaria por completo em um teatro como uma peça ao invés de se gastar milhões criando um filme completo, mas hoje o que vi em "Saudades, Te Amo", que estreou na HBO Max nesse final de semana, me fez admitir que quando fica bom não tem como não querer um filme com esse estilo, pois funcionou demais na tela. E digo mais, não duvidaria de ver o longa cômico-dramático (ou dramédia como muitos gostam de chamar) indicado a Melhor Comédia em algumas premiações, e torcerei muito para ver Allison Janney indicada à Melhor Atriz até mesmo brigando pelo prêmio principal, pois o que vemos na tela é mais do que apenas uma mera entrega de luto, mas sim algo incrustrado que vinha sendo guardado pela personagem por anos, não só pelo o que o filho faz, mas por tudo em sua vida, e a explosão com doses de patada de cavalo no pobre assistente que é enviado para a casa dela é maravilhosa, e o melhor, é retribuído em doses tão boas quanto, pois Andrew Rannells (que é muito mais conhecido como ator da Broadway, ou seja, de teatro mesmo) responde com altura e faz o filme, que facilmente seria um sonífero imenso, virar algo brilhante e cheio de nuances e ótimos diálogos na tela.

O longa conta a história Diane Patterson, uma viúva vivendo um luto e que, ao ir atrás do filho para pedir ajuda nesse momento de dor, recebe uma recusa, e ele acaba optando por enviar seu assistente pessoal para ajudar com os preparativos. Agora, ela se vê obrigada a planejar o funeral do marido com um completo estranho, Jamie Simms. Enquanto enfrentam o luto e passam por situações estranhas e tragicômicas que envolvem a situação, segredos enterrados e ressentimentos antigos vêm à tona, mas a parceria entre eles se torna um improvável canal de conexão, risos e cura para essa mãe e seu filho adotivo inesperado.

É engraçado que já hesitei de dar play no longa anterior do diretor e roteirista Jim Rash uma tonelada de vezes, pois sempre passo por ele e acho que não vai me agradar, mas depois de conferir o longa de hoje acredito que devo dar uma chance para ele, pois aqui ele não mostrou apenas segurança nas escolhas de câmeras, mas soube trabalhar a personalidade dos atores para que eles se jogassem por completo no longa, afinal é o famoso filme de ator, aonde o diretor por vezes coloca a mão, mas aqui como ambos são muito bons no que fazem, só vemos mesmo a mão do diretor nos ângulos e nas dinâmicas escolhidas, pois tudo flui sozinho como seria numa peça teatral mesmo. Ou seja, o ponto forte do ex-ator é o roteiro, que aqui diria ter linhas brilhantes sobre a vida de muitas pessoas, que nas mãos dos dois excelentes atores virou uma arma apontada para a tela, aonde tudo funciona, tudo flui, e você não fica querendo por mais, pois acaba exatamente aonde deveria, sendo assim perfeito nesse sentido.

E como falei o filme é deles, dos dois atores, então já enalteci as atuações e volto a frisar que Allison Janney deu literalmente um show de interpretação com sua Diane, sabendo pontuar seus momentos fortes, criando as desenvolturas necessárias para cada momento, e principalmente se desenvolvendo na tela em algo que muitas vezes com outras atrizes precisaríamos de algo a mais na tela, e com ela não, pois pegou a personagem andando, deu vida, criou e impactou, e assim merece muito ser indicada com certeza pelo que fez. Não conhecia o ator Andrew Rannells, mesmo já tendo visto outros filmes que participou, de modo que achei ele visualmente muito parecido com Mark Wahlberg, mas com um estilo completamente diferente de atuação, e isso não é ruim, pois ele pegou seu Jamie com muita desenvoltura, foi criativo na entrega, e fez uma parceria com a protagonista com tanta conexão, que se não soubéssemos que é um filme diríamos que realmente aconteceu tudo entre eles ali em cena, e ele mostrou com olhares e dinâmicas tudo e mais um pouco, ou seja, agradou demais também.

Visualmente o longa não precisou de muito, sendo a casa da protagonista com basicamente tudo ocorrendo na sala e na cozinha, alguns momentos do lado de fora indo na igreja, numa loja de flores e no quintal da vizinha, mas a grande base sendo no interior da casa mesmo, com quadros e ambientes bem trabalhados para tudo, tendo claro o desfecho bem encaixado nos atos finais, mas sem precisar elaborar muito de técnicas, nem de elementos cênicos, pois o foco mesmo ficou nos dois, e claro nas mensagens do celular apitando, o que funcionou como alguns pontos de quebra, e o resultado agrada muito dessa forma.

Enfim, estou muito feliz de ter acertado no escuro o longa, pois não tinha visto nada sobre ele, e peguei no susto como algo para ver hoje, e o resultado não apenas me agradou como me encantou pela entrega dos personagens em um texto teoricamente difícil de lidar, mas que encaixou com personalidade e presença pelos dois bons atores, só talvez diminuiria um pouco mais alguns momentos para colocar alguns outros, mas nada que incomode na tela. Sendo assim fica a dica para a conferida, e como disse estarei torcendo pelas premiações. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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