O longa acompanha a aparente perfeita e unida família dos Taylor. Durante o aniversário de 25 anos de casamento de Ellen e Paul Taylor, os votos de felicidade e as histórias familiares demonstram uma vida privilegiada e próspera ao lado dos quatro filhos, Josh, Anna, Cynthia e Birdie. Tudo começa a desmoronar, porém, nesse mesmo almoço, quando uma antiga aluna da matriarca reaparece como a elegante namorada do filho Josh. Enquanto Liz começa a se infiltrar cada vez mais no seio doméstico, tensões se iniciam e lealdades até então indestrutíveis são testadas. Liz faz parte de um movimento controverso chamado "A Mudança" que traz à tona conflitos latentes e as rachaduras de um ambiente doméstico, em muito, semelhante ao estado incerto, desafiador e alarmante da nação americana.
O diretor e roteirista Jan Komasa é daqueles que mistura tão bem o real com o ficcional que acabamos ficando com muito medo de suas propostas, ao ponto que ele parece conseguir adentrar nas piores ideias da humanidade (e sim elas são muitas, e mais reais do que sequer imaginamos) e faz isso virar filmes aonde acabamos ficando tementes para que nada disso ocorra um dia, pois é realmente assustador. E digo mais, raramente fico com receios ao ver filmes de terror, mas hoje ao final do filme eu já estava assustado e revoltado com alguns personagens (e aí entra a síndrome antiga do noveleiro, e começo a brigar com eles). Ou seja, o que o diretor polonês fez aqui mostra que ainda segue a linha imponente que lhe garantiu diversos prêmios nos longas anteriores, e que ainda gosta de cutucar as feridas da sociedade, pois aqui com luvas bem seladas ele deixou sua marca aonde deveria.
Quanto das atuações, Diane Lane pegou sua Ellen com um ar forte e cheio de personalidade, aonde ela vê que estava certa desde o princípio contra as ideias da futura nora, e fazendo um misto entre surtos e imposições a atriz conseguiu puxar a trama para si sem deixar os demais apagados, o que é algo dificílimo, mas que mostra técnica e acaba acertando demais. Kyle Chandler também trabalhou muito bem seu Paul, sendo imponente na medida, mas deixando um ar mais sereno durante boa parte da produção, até claro chegar nos seus atos finais mais explosivos, aonde deu toda a nuance e acertou bem também. Por incrível que pareça não tinha reconhecido Dylan O'Brien como Josh na tela, pois o ator sempre fez personagens sutis e calmos, que mesmo em situações mais intensas acabava indo por uma linha mais tênue, e aqui esse estilo foi tão fácil de se ocultar que ele acaba virando literalmente um monstro, que com boas nuances de personalidade acabou marcante e certeiro para o que o filme precisava. Phoebe Dynevor foi tão fina no estilo de sua Liz, que de cara sabemos que vai aprontar, mas a atriz conseguiu ir dosando suas entregas com uma frieza e imposição persuasiva que conforme vai trabalhando as cenas aparenta até ir para alguns outros rumos, mas no final ela entrega. Ainda tivemos bons momentos de Madeline Brewer como uma Anna mais descarada, cheia de imposições e intensidades que acaba sendo um problemão para os demais personagens (e até valeria algumas cenas a mais dela), tivemos Zoey Deutch mais fechada com sua Cynthia dividindo bem as dinâmicas junto do namorado/marido vivido por Daryl McCormack, e uma Mckenna Grace aparentemente simples com sua Birdie, literalmente apenas voando nas dinâmicas da trama, sendo tranquila na essência, mas com uma explosão iminente nos últimos atos que fizeram por valer.
Visualmente o longa também tem muita entrega, sendo praticamente todo dentro da mansão da família, aonde vemos algumas dinâmicas nos quartos, mas a grande essência sempre rolando nas mesas, seja na sala de jantar ou no jardim aonde acontecem algumas festas durante a trama, tendo todo o conteúdo mais na amplitude dos diálogos do que na essência do que estava sendo mostrado, mas ainda assim tendo bons elementos cênicos como o livro e a nova bandeira do país, além de vídeos e dinâmicas aonde a equipe de arte se fez valer também na tela.
Enfim, é um longa tão amplo para se pensar quanto para "curtir" assistindo, pois é aquele elo que mistura tão bem a ficção com a possível realidade, que mesmo sendo algo "politizado" consegue envolver do começo ao fim, então não só vale a indicação como coloco quase como uma recomendação de filosofia sobre mudanças que alguns tanto falam no mundo, então corra agora e dê o play, sendo minha única ressalva talvez a duração dele, pois ao mesmo tempo que com uns 15 minutos a menos impactaria ainda mais, com uns 15 minutos a mais daria para mostrar alguns atos que ficaram apenas subjetivados na tela, então só por esse motivo não darei a nota máxima, mas ainda assim vale demais o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.







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