Era Uma Vez Minha 1ª Vez

9/15/2026 12:28:00 AM |

Sei que já falei bem de algumas tramas baseadas nos livros da Thalita Rebouças, pois funcionaram e foram bem desenvolvidas para um público maior, porém algumas obras são tão fechadas que você não consegue enxergar que alguém fora do mundo único de jovens consiga sequer pensar em assistir ao filme. E comecei dessa forma a falar do longa "Era Uma Vez Minha 1ª Vez" pelo simples fato de que me senti completamente deslocado ao conferir o longa, parecendo até que estava vendo quando um episódio dos últimos momentos de "Malhação", que não encaixavam em nada além das pessoas que vivem neles. Ou seja, não digo que o filme seja ruim, mas é o famoso que tem seu nicho único, e qualquer pessoa fora dele não conseguirá assistir até o final, pois é fraco de nuances e aberturas, e nesse sentido, pesa muito para funcionar.

O longa acompanha Teresa, Clara, Tuca e Patty, quatro amigas inseparáveis que vivem juntas as inseguranças, curiosidades e expectativas típicas dessa fase de transição entre a infância e a vida adulta. À medida que enfrentam as primeiras paixões, as pressões externas e as próprias dúvidas, elas descobrem que o despertar da sexualidade não segue regras nem acontece no mesmo ritmo para todos.

Já tinha dito a mesma coisa no longa de estreia da diretora Claudia Castro, que também foi baseado em um livro de Thalita Rebouças, que ela sabe aonde atingir seu público-alvo e nem pensa em fazer algo diferenciado que supra mais pessoas, de modo que o que vemos na tela tem uma pegada nem tão novelesca, mas com a linguagem e a dinâmica pronta para os adolescentes, pois aqui a trama até coloca quase adultos com seus 17 anos, mas a pegada ainda é mais voltada para a molecada mesmo, não atingindo os jovens adultos como deveria. Ou seja, é um filme que possivelmente vai ter um bom público, afinal o livro tem muitos leitores e eles gostam do estilo, porém já era para a diretora saber fazer algo mais amplo, pois mostrou que tem estilo, e não precisaria fazer algo tão nichado.

Sei que a maioria dos personagens foram selecionados e não são atores com uma longa carreira ainda nas telinhas e telonas, porém ficaram exageradamente soltas na entrega, parecendo até faltar direção de atores para que tudo funcionasse sem ser "jogado", mas acredito que isso tenha sido intencional de forma que o quarteto vivido por Letícia Braga, Castorine, Duda Matte e Letícia Silva trabalharam até que bem suas Teresa, Clara, Patty e Tuca, mas por vezes ficaram parecendo falsas de entrega, exagerando demais em trejeitos e sínteses, o que acaba incomodando quem não for "semelhante" a elas na vida real, ou seja, podem parecer originais de estilo e desenvoltura na tela, mas não nos convencem que alguém realmente faria as coisas da forma como entregaram. Quanto aos demais, todos foram mais conexões do que realmente personagens, então melhor nem entrar em detalhes sobre como se desenvolveram.

Visualmente a trama se desenrola na mansão de Clara, sendo muitos atos nos vários quartos, sala e piscina da casa, tiveram um churrasco aparentemente em uma chácara com brinquedos meio que "infantis" demais para a idade dos personagens, e muitos momentos em uma escola, tendo atos num teatro, nos corredores e na sala de aula, mas tudo bem básico para não precisar criar exatamente nada para a direção de arte, apenas tendo as devidas locações bem encaixadas.

Enfim, é um longa que talvez funcione bem com os mais jovens, que se encaixem nesse mundo moderno de situações mais explosivas, e que tenham lido o livro e gostado, pois os demais talvez não se envolvam tanto com as personagens, já para os adultos não consigo enxergar quem possivelmente goste de algo na produção, mesmo sendo simpático em alguns momentos, mas ainda assim é muito exagerado na tela. Sendo assim diria que ficou mediano demais para envolver um público maior, e não posso dizer que recomendaria ao máximo como gostaria. Fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da AtomicaLab Assessoria e da Na Paralela Filmes pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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