A Maravilhosa Árvore Encantada (The Magic Faraway Tree)

9/13/2026 12:54:00 AM |

Sei que infelizmente a maioria gosta de ver filmes dublados, e principalmente as tramas voltadas para as crianças costumam nem mandarem cópias legendadas para as cidades, mas é triste demais ver que um filme que possui um potencial lúdico virar algo que incomoda demais com trejeitos e dinâmicas que você enxerga claramente que não é aquilo o que está acontecendo na tela. E hoje foi um dia desses, aonde o longa "A Maravilhosa Árvore Encantada" só chegou com cópias dubladas na cidade e cá fui eu conferir numa sala abarrotada de crianças e pais (esses piores que os filhos que foram para lá obrigados e ficam vendo no celular coisas ao invés de prestar atenção na crítica da trama que é justamente disso de tantas pessoas viciadas em telas que esquecem do lúdico de brincar/viver com os filhos), que ao final aplaudiram o que viram, afinal o longa é bonito, tem sua mensagem e envolvimento, porém nenhum personagem teve uma voz que condissesse com seus personagens (e aliás em determinada cena a garotinha faz o pedido de ter a voz mudada que ela não gosta, e sou obrigado a concordar com ela). Ou seja, é um filme com um potencial imenso de funcionar, aonde a garotada até curtiu, mas quem for conferir ele como algo para se emocionar e envolver com as vozes originais dos atores que se prepararam para serem aqueles personagens, acabará vendo algo assustador e estranho.

A sinopse nos conta que percebendo que a hiperconexão tem distanciado sua família, Tim e Polly aproveitam uma súbita mudança de carreira para tomar uma decisão arriscada: deixar a vida na cidade grande para trás em busca de um recomeço no interior da Inglaterra. A princípio, a ideia desagrada seus três filhos, já bastante habituados à velocidade do mundo digital. Contudo, quando a caçula Fran tem um encontro inesperado com uma fada na nova casa, eles começam a entender que há muito mais esperando por eles naquela paisagem rural. Diante da Maravilhosa Árvore Encantada, as crianças vão descobrir portais para novos mundos e embarcar em aventuras inimagináveis, capazes, inclusive, de aproximá-los como nunca.

Esquecendo um pouco minhas reclamações sobre a dublagem, diria que o diretor Ben Gregor se segurou bastante para entregar seu filme na tela, afinal ele é conhecido somente pelas toneladas de séries que já fez, e assim sendo geralmente não tem sensibilidade para saber cortar cenas, e o roteiro sendo baseado em uma série de livros bem lúdicos de Enid Blyton certamente ele gravou muitas cenas extras que acabaram sendo eliminadas na versão final, e isso nesse estilo de trama fantasiosa chega a doer no peito, mas como não deu para ir muito longe ele acabou trabalhando tudo de um modo mais simples, sem grandes desenvolvimentos, e quem quiser saber mais que leia o livro. Ou seja, é o famoso filme que você até vê a presença do diretor na entrega dos personagens e nas dinâmicas, mas principalmente vê o livro acontecendo e sendo foleado rapidamente.

Quanto das atuações eu poderia até falar muito, afinal temos muitos personagens interessantes e até um bom elenco, mas vou resumir apenas ao falar dos papeis em si, pois não ouvi entonação alguma de atores, mas sim dublagens sem nexo algum com qualquer personagem. O casal Tim e Polly mostraram uma química bacana, aonde vemos muito do que acontece no mundo moderno aonde um fica para cuidar dos filhos enquanto o outro trabalha, vemos a mulher extremamente criativa com suas ideias e apetrechos para ajudar o marido nas plantações, e ele como alguém muito sonhador que desejava ir além desde pequeno. As crianças me incomodou um pouco ver um estilo mimado demais para a mais velha, e o lúdico ficando apenas para os mais jovens. E quanto dos seres mágicos mereciam ter mais cenas para se desenvolverem, pois acabamos nem conhecendo direito cada um deles na tela.

Visualmente a trama é belíssima, e mesmo no celeiro simples tudo tem sentido e utilidade artística, sendo algo que chega a dar pena ver tão pouco e rápido, de modo que claro as "terras" voadoras foram mágicas e lindas de acompanhar, principalmente a das guloseimas, usaram pouquíssimo a prisão da Dona Bronca e a terra dos feitiços que daria para explorar um pouco mais, e até mesmo as cenas na árvore em si que tem o nome do filme só apareceu pouco mesmo sendo gigantesca e cheia de nuances. Mas ainda assim com tudo muito corrido, ficou nítido na tela que a equipe de arte trabalhou com muita vontade e envolvimento para encantar como o livro pedia.

Enfim, é um filme extremamente infantil e lúdico que a criançada até vai curtir assistir, principalmente os menorzinhos, mas para os adultos que ligarem para a entrega na tela diria que vai faltar muito, então melhor esperarem sair no streaming para verem com as vozes originais. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...