Globoplay - Mar Em Chamas (Nordsjøen) (The Burning Sea)

2/15/2023 01:22:00 AM |

Sei que muitos odeiam o estilo suspense de ação com tragédias, mas eu simplesmente adoro, e fica ainda melhor quando o filme consegue me passar o máximo de tensão para que eu entre em desespero também, ou seja, amo ver um daqueles filmes que com certeza vão me acalmar após um dia cheio de trabalho! E a dica de filminho desse estilo de hoje, ou melhor, filmaço do gênero que certamente deveria ter vindo para os cinemas, para que ficasse ainda mais impactante na telona, é o norueguês "Mar Em Chamas" que estreou por esses dias na Globoplay/Telecine, entregando uma dinâmica tão intensa e desesperadora de um resgate numa plataforma petrolífera que consegue nos prender do começo ao fim com uma história insana pelo tamanho de tudo, mas que já ocorreu em proporções menores em vários países, ou seja, é a famosa saga da natureza pegando de volta o que lhe foi tirado, e destruindo quem quer que esteja no seu caminho. E mesmo não sendo daqueles que temos atuações incríveis, a computação gráfica foi tão bem colocada que acabamos envolvidos quase como se estivéssemos na pele da protagonista em busca de salvar seu marido que não foi evacuado antes de tudo.

A sinopse nos conta que em 1969, o governo norueguês anunciou a descoberta de um dos maiores campos de petróleo do mundo no vizinho Mar do Norte, iniciando um próspero período de perfuração offshore. 50 anos depois, as consequências ambientais começam a se manifestar - uma rachadura se abriu no fundo do oceano, causando o colapso de uma plataforma. Uma equipe de pesquisadores, incluindo a operadora de submarinos Sofia, corre para procurar os desaparecidos e avaliar a causa dos danos, mas o que eles descobrem é que este é apenas o começo de uma possível catástrofe apocalíptica. Enquanto as plataformas são evacuadas, o amoroso companheiro de Sofia, Stian, fica preso nas profundezas do mar, e Sofia deve mergulhar para resgatá-lo.

Diria que o diretor John Andreas Andersen é o Roland Emmerich da Noruega, gostando de causar grandes destruições em seus filmes, sempre brincando com temas envolvendo ambientes naturais e com grandes atos bem tensos, e aqui em seu novo filme os roteiristas Harald Rosenløw-Eeg e Lars Gudmestad, que também são especialistas em tramas de tragédias climato-ambientais, acabaram lhe entregando uma proposta bem ousada e intensa que certamente ninguém faria tamanha loucura de ir no meio de algo sendo destruído para salvar o namorado/marido que ficou para trás numa evacuação, já preparando claro o velório sem corpo e pensando na indenização milionária que iria pedir para a companhia, mas como estamos falando de um filme, é claro que a mocinha vai com seu ajudante lá para o meio do caos caçar ele, e claro que tudo piora muito. Ou seja, é daqueles filmes que você certamente assiste já esperando o pior, mas que consegue ser convincente de certa forma para nos causar muita tensão, e sendo isso o que desejávamos ver, agradou em cheio, mostrando que podemos esperar ainda muito do diretor e dos roteiristas.

Sobre as atuações, não diria que tivemos grandes momentos de expressividades, mas todos conseguiram passar sensações com olhares e ao menos não atrapalharam a tensão da trama, claro com o destaque para a protagonista Kristine Kujath Thorp com sua Sofia bem disposta, mostrando que é papel de mulher também salvar o companheiro preso no caos, fazendo cenas e olhares bem desesperados e chamativos, e agradando ao menos no que precisava fazer. Rolf Kristian Larsen fez o que todo assistente faz com seu Arthur, colaborando bem com a protagonista e dando as devidas nuances, mas em alguns atos pareceu apático demais, e isso não é algo que se espere de alguém ao lado da protagonista. Bjørn Floberg trabalhou de uma forma bem direta com seu William, sendo daqueles engenheiros de caos prontos para resolver o problema, não importando que isso não seja a melhor opção para todos, e fez ares duros, deu notícias fortes e sobressaiu muito em cima do ministro vivido por Christoffer Staib. Ainda tivemos atos bem chamativos do namorado da protagonista vivido por Henrik Bjelland, e tivemos tanto o garotinho Nils Elias Olsen quanto uma assistente da empresa vivida por Ane Skumsvoll com olhares tão desanimados que se dependessem deles dormiríamos na sessão, mas como foram bem secundários acabaram não atrapalhando ao menos.

Visualmente o longa foi bem imponente, contando com uma computação bem realista e extremamente explosiva, com muitos elementos desabando e quebrando, plataformas bem trabalhadas nos devidos ambientes que acredito que tenham montado as principais salas que foram bem representativas, e um escritório bem rebuscado cheio de elementos cênicos com muitos computadores, só diria que poderiam ter melhorado um pouco as imagens aquáticas, pois a nitidez de ver o que os protagonistas falavam que estavam vendo no fundo do mar é algo tão abstrato quanto olhar para a terra do fundo e não ver nada ali, mas não atrapalhou, pois falaram tudo e então deu para imaginar. 

Enfim, gostei bastante do que vi na tela, fiquei bem tenso com todos os atos que passaram a apreensão de tudo explodir, de desabar, do resgate, do final no submarino e tudo mais, ou seja, é daqueles que recomendo com toda certeza para quem é fã do estilo, e repito que foi uma pena esse não vir para a tela grande, pois chamaria ainda mais a atenção. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Suplente (El Suplente) (The Substitute)

2/12/2023 11:12:00 PM |

Quando falamos de profissões com crianças e jovens o que menos ouvimos que desejam ser é professores, pois alguns tem traumas com a forma de ensino, outros sabem que ganham bem pouco, e também tem aqueles que sabem o quanto dão de dor de cabeça para o querido mestre e não quer ter um igual a ele para lhe perturbar, mas quando assistimos filmes como o argentino (tinha de ser né!!) da Netflix, "O Suplente", vemos que algumas pessoas possuem mais do que o dom de apenas ensinar algo, mas sim a mística de se integrar aos alunos de diversos grupos, e principalmente em escolas periféricas cheias de problemas, auxiliando em algo a mais do que apenas o ensino, e também mostrando diferentes facetas do que apenas impondo algo na cabeça dos alunos. Ou seja, o filme em si pode não ser dos mais brilhantes, mas traz um tema sempre em pauta das diferentes formas de ensinar, e as cenas finais dizem tudo e mais um pouco, com algo emocionante e muito bem trabalhado para valorizar esses que nos fizeram aprender tanto.

O longa segue a história de Lucio, um professor de letras na prestigiada Universidade de Buenos Aires. A vida acadêmica, porém, não o motiva mais: ele quer levar seus conhecimentos onde possa fazer a diferença, para ensinar literatura em um bairro da periferia de uma área marginal dos subúrbios de Buenos Aires. Lúcio deve usar toda a sua engenhosidade para levar as aulas adiante e, ao mesmo tempo, ultrapassar todos os tipos de limites morais e preconceitos sociais para tentar salvar Dylan, seu aluno favorito, que é perseguido por uma quadrilha de traficantes em busca de vingança.

Diria que o diretor e roteirista Diego Lerman corrigiu aqui tudo o que reclamei dele no filme "Uma Espécie de Família", pois em momento algum vemos a tentativa de trazer o mote para o ar novelesco, e mesmo tendo algumas subtramas, todas elas se vertem completamente para o que faz o protagonista, não saindo de seu eixo, e ele conseguiu dar nuances para esse mundo literário que muitos não dão valor, e que a maioria dos professores não sabe como incorporar na vida de alunos que não leem nada e nem querem ler, mas que sabendo como subverter a forma de ensinar pode fazer com que seu mundo seja aberto, além disso vemos que numa escola periférica, o professor não vai apenas vivenciar o que está ali dentro, mas sim a vida de seus alunos, seus problemas e muito mais, e com isso a trama do diretor não conta apenas uma história, mas sim faz uma homenagem e envolve com símbolos bem trabalhados e uma atuação única do protagonista, sendo um grande acerto em algo simples de ser visto.

E já que comecei a falar das atuações, sem dúvida alguma a entrega de Juan Minujín com seu Lucio foi algo completamente fora de sua base, de modo que vemos ele envolvido com seus alunos, tentando passar a mensagem de estudos para sua filha da mesma forma que tenta fazer com que seus alunos tenham algo a mais, sendo que na sua família ele pode ir além, enquanto ali na escola não dá para mexer muito, se vê na briga de traficantes, e tudo mais, ou seja, o ator trabalhou seus trejeitos de uma maneira tão coerente e bem encaixada que acaba agradando demais. Ainda tivemos atos bem trabalhados com o pai do personagem principal vivido por Alfredo Castro sendo um homem que ajuda muito a comunidade, mesmo com os problemas que tem, vemos muita dificuldade na relação de estudos da filha vivida por Renata Lerman (filha do diretor por acaso!), e claro o foco todo no garoto Lucas Arrúa que trabalhou muito bem seu Dylan com cenas marcantes e intensas que trazem até um envolvimento maior do que o esperado, ou seja, um elenco secundário muito bem colocado em cena.

Visualmente a trama é densa, mostrando desde a preparação do apartamento novo do protagonista, vemos os mundos bem opostos nas escolas da filha e a que trabalha o professor, vemos todo o conflitivo mundo das drogas saindo da escuridão e adentrando completamente nas escolas periféricas, e ainda tivemos todo o ato de enxergar mais a comunidade em si que tanto se desenvolve para onde as pessoas não querem ir, mas não tem como. Além disso tivemos aulas bem trabalhadas dentro da escola e muito simbolismo na forma literária ensinada como arte da vida dos jovens ali ao invés da imposição de poemas e livros clássicos, ou seja, algo que facilmente serviria de base para outros professores.

Enfim, é um filme que se olharmos bem a fundo veremos algo simples na tela, mas que analisando tudo nas entrelinhas conseguimos ir muito além da tela, refletindo mais sobre alunos, professores, escolas, comunidades e a própria vida em si, ou seja, um filme que não tem uma amplitude gigantesca, mas que agrada demais quem souber conectar tudo o que é passado na tela. Sendo assim recomendo ele bastante para todos, e fico por aqui hoje, então abraços e até breve com mais textos.


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Morte a Pinochet (Matar a Pinochet)

2/12/2023 01:38:00 AM |

Filmes de guerrilha costuma entregar bons personagens, ações desmedidas e planos bem trabalhados que costumam dar certo e mostrar tudo com muito envolvimento, mas sabemos bem que pela História muitos atos que foram tentados contra Pinochet deram bastante errado por terem infiltrados ou por não se organizarem muito direito, de forma que tudo pode ser bem intenso numa trama e não ir muito longe. E o filme "Morte a Pinochet", que entra em cartaz na próxima quinta 16/02, mostra uma dessas tentativas, desenvolvendo os personagens principais do ato, suas intensões e dinâmicas e tudo o que pensavam nos momentos mais diretos do ataque, de modo que vemos uma trama bem marcada e um estilo bem cheio de desenvolturas, porém é um filme rápido demais, de tal maneira que parece não desenvolver o tanto que precisava os atos, com personagens soltos e entregas não tão imponentes quanto poderia, e assim o resultado é um filme interessante de ver, mas que quando acaba fica parecendo que não nos foi mostrado tudo, e isso é um pouco ruim. Ou seja, é um bom filme e tem bons personagens, mas dava pra ter ido mais além, e como costumo dizer, mesmo uma história sendo baseada em fatos reais, precisam dar aquele algo a mais ficcional para que algo vá além cinematograficamente.

O longa nos situa no Chile. Em setembro de 1986, um grupo de jovens tinha nas mãos a oportunidade de mudar o destino de um país: acabar com a ditadura de Pinochet matando-o. Enquanto o Chile vivia uma das ditaduras mais cruéis de Augusto Pinochet, poucos ousados consideravam o impossível: matar o tirano. O professor de educação física Ramiro, a psicóloga Tamara, e Sasha, nascido na favela, marcam o ataque armado para uma tarde de domingo em 1986. Ramiro, ex-professor de educação física que se dedicou à luta armada, esquecendo-se das relações pessoais; Sacha, um jovem humilde das favelas de Santiago, um entusiasta do futebol, sem formação política, e Tamara, uma psicóloga atraente que deixou uma família de classe alta para viver na clandestinidade e se tornou a única mulher com posto de comandante na Frente Patriótica: todos eles têm um objetivo comum - matar Pinochet. Baseado na história real de um ataque fracassado lançado por um braço armado do Partido Comunista Chileno.

Diria que o diretor e roteirista Juan Ignacio Sabatini estudou bastante todo o ato ocorrido em 86 para desenvolver ele de uma forma que ficasse bem crível e envolvesse com dinâmicas bem contundentes, porém faltou para ele o famoso ir além, que ao contar um pouco as diversas histórias adjacentes até entramos no clima de alguns protagonistas, mas não no clima da revolução em si, pois o uso de algumas imagens de arquivo, e alguns poucos atos de imposição não deram o real clima da revolta chilena, e que mesmo sabendo de toda a tirania do General Pinochet, de todos os fatos históricos e tudo mais, o filme não entrega essa abertura para o público, já caindo de paraquedas no meio de tudo e apenas vendo acontecer. Ou seja, diria que faltou brincar um pouco mais com o antes dos atos para sentirmos mais o envolvimento todo, e aí sim partir para o campo, pois ele soube trabalhar bem o conflito armado, deu algumas nuances de tortura, e passou alguns elos familiares para contextualizar o sentimento deles, mas não explodiu, e isso é o que transforma uma trama simples em algo brilhante.

Sobre as atuações, a grande base fica em cima de Daniela Ramirez com sua Tamara, que traz bons olhares, tem uma determinação forte, sendo uma personagem determinada e forte como uma comandante deve ser, mas que não brilha como poderia, sendo intrigante alguns de seus atos, mas com calma demais, o que sabemos que não são pessoas dessa forma que partem para um conflito, então faltou aquele tino mais explosivo para marcar mesmo. Outro que é bem destacado na produção é Cristián Carvajal com seu Ramiro imponente e reflexivo demais, que desenvolve a personalidade nos sentimentos e chama tudo para si, de modo que talvez pudessem ter dado um foco maior nos seus atos que agradaria bem, mas não ousou como poderia. Agora quem se jogou para cenas bem fortes foi Gastón Salgado com seu Sacha, dando facetas mais fortes e entregando atos diretos e duros com muita sagacidade, sendo torturado e mostrando a que veio do começo até o fim, sem segurar nada para que seu personagem não explodisse, e se mais personagens fossem como o seu certamente teríamos um filme bem melhor. Quanto aos demais, a maioria ficou muito em segundo plano, mas tivemos Gabriel Cañas e Juan Martín Gravina bem colocados como os arquitetos do plano, fazendo boas cenas também junto com os demais protagonistas.

Visualmente a trama mostrou bem o atentado sendo planejado, o treinamento militar que deram para os jovens que entraram para o grupo de rebeldes, vemos a protagonista visitando sua antiga casa bem rica de detalhes, visitando o pai na empresa dele, tivemos atos de assaltos a bancos, de invasão de rádios e como já disse algumas imagens de arquivos reais mostrando um pouco da revolução, contando com muitas armas, e bons trabalhos cênicos, o resultado ao menos visual acaba chamando muita atenção.

Enfim, é daqueles filmes históricos que podem até ser usados em aulas, por conter fatos e trabalhar bem algumas dinâmicas, mas que dava para facilmente ser muito mais chamativo, e isso sim faria dele uma daquelas tramas marcantes que chamaria atenção e valeria todo o tempo de produção e de conferida. Ainda assim digo que é um filme que tem seu valor marcante e dá para recomendar a conferida, então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais pessoal.


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Desapega!

2/11/2023 09:47:00 PM |

Um dos maiores defeitos do cinema nacional é ficar preso em comédias e dramas novelescos enquanto podem brincar com outros gêneros, desenvolver algo mais chamativo e usar menos a necessidade de propagandas para vender algo na tela, pois sabemos bem que temos pouco investimento na cultura, mas dá pra fazer muito milagre com os santos que temos! E comecei o texto do filme "Desapega!" dessa forma pelo simples motivo de que até temos uma trama interessante do desapego material em si, do consumismo desenfreado que domina o mundo atualmente, e até do desapego familiar para quando se tem a necessidade da separação de pais e filhos, mas o diretor optou por brincar com tantos vértices e personagens, que quando viu o tanto de material que gravou resolveu desapegar de alguns momentos, e com isso seu filme além de um ar novelesco de várias subtramas, acabou deixando vários pedaços meio que soltos na produção, ao ponto que vemos um filme aonde acontecem momentos e em seguida alguns desses momentos serviram para nada, não tem fechamento nem dinâmica nenhuma, ou seja, apenas foram colocados ali para nada, e sim, estou me referindo aos atos na contabilidade que os personagens secundários trabalham com um chefe que fala metade em português e metade em inglês sem necessidade nenhuma, aliás todas as cenas ali são completamente inúteis e se fossem cortadas por inteiro fariam mais sentido, temos também algumas na escola e em festas, ou seja, todo o filme daria para ser um média excelente ou até um curta se bem trabalhado, mas como longa pecaram em excessos e não os utilizaram.

No longa vemos que Rita é uma bem-sucedida organizadora pessoal e que controla seu vício de acumuladora há anos. Ela então é convidada para liderar um grupo de apoio para compradores compulsivos. Lá, conhece Otávio, com quem começa um romance. Tudo na vida parece andar bem, até que sua filha Duda consegue uma bolsa de estudos para cursar fotografia em Chicago, EUA, e precisa, então, sair de casa e trilhar seu caminho por três anos sozinha e longe da mãe. Esse gatilho de ser deixada para atrás faz com que Rita comece voltar a ser uma compradora compulsiva.

O diretor Hsu Chien é daqueles que ao mesmo tempo que faz filmes bem trabalhados, também entrega tramas bem ruins, e aqui ele infelizmente pecou muito com o que fez na tela, pois o filme teria tudo para entregar momentos icônicos, poderia ainda brincar com as piadas colocadas, e ainda desenvolver talvez algo que deixou meio subentendido para uma continuação, bastava eliminar os excessos e melhorar um pouco mais todo o ato de desapegar, o ato do grupo ali puxando para mais situações cômicas, e até mesmo desenvolver mais o elo familiar, que aí sim teríamos um filme que trabalhasse todo o ar da ideia, mas posso também não botar toda a culpa nele, afinal muito do cinema nacional é vendido para as empresas patrocinadoras, aí alguns elos acabam acontecendo apenas para mostrar aquilo, e o resultado acaba desandando um pouco, ou muito em alguns casos. Ou seja, aqui ele forçou um pouco a barra com algumas coisas desnecessárias, mas também trabalhou bem o emocional em outros, dando ao filme um bom gracejo, que claro acertou a data com uma das maiores promoções do cinema e assim está enchendo as salas, então acredito que vai ter um bom sucesso, mesmo não sendo um filme digamos "bem dirigido e editado".

Quanto das atuações, sabemos bem da qualidade expressiva de Glória Pires, mas acredito que deva estar com problemas nas escolhas das produções que vai encarar, pois tem caído em cada filme que não tem a sua cara ou que não fazem o melhor uso dela, tanto que aqui sua Rita até tem estilo, tem algumas boas facetas, mas não tem a tradicional entrega da grande atriz que é, fazendo trejeitos fáceis e até tentando dar um envolvimento maior para tudo, mas não vai muito além, e com isso apenas se doa para os momentos tradicionais e acerta em não forçar tanto. O mesmo podemos dizer de Marcos Pasquim que ao menos não tentaram usar ele como um garotão na trama como muitos casos ainda tentam, de modo que até teve algumas boas desenvolturas com seu Otávio, sendo um par romântico bem colocado com estilo, mas certamente dava para trabalhar melhor o seu consumismo. Já Maísa até soou mais simpática do que na maioria de suas produções, de forma que até vemos alguns elos bem colocados de sua Duda, alguns trejeitos mais fechados, mas ainda não posso dizer que chegou num estilo que vá mostrar muita coisa. Quanto aos demais, o grupo inteiro de consumistas até tem alguns atos engraçados de ver, trabalharam bem todo o desespero consumista que sabemos o quão difícil é se segurar, ainda mais se tiver um vício nesse estilo, mas não posso dizer que nenhum dos secundários conseguiram chamar tanto o destaque para si.

Visualmente o longa teve momentos interessantes, com uma sede simples do grupo de apoio, uma casa bem ornamentada de classe média alta, uma festinha simples demais e um escritório de contabilidade meio que montado sem saber o motivo também de ter o ambiente ali, ao ponto que vemos um esmero da equipe em montar várias lojinhas pequenas para mostrar as promoções no caminho da protagonista, e daria para apenas usar elas, mas como o patrocínio de uma grande marca veio para o filme fizeram também uma cena meio desesperada lá dentro. Ou seja, foram bem no que fizeram, mas sem grandes atos, valendo o destaque claro para um quarto de revelação fotográfico bem trabalhado, que talvez valesse mais cenas ali.

Enfim, é um filme que foi bem feito, mas que ficou no meio do caminho entre um drama e uma comédia, não sendo nenhum dos dois e nem uma dramédia clássica que envolvesse, pois não causou nenhum grande momento de risadas, nem um abalo emocional no público da sessão, ou seja, é o famoso filme mediano que não vai muito além, mas que como já disse deu sorte de entrar em cartaz numa semana de ingressos promocionais, senão a chance de não ter muito público seria bem alta. E é isso meus amigos, vou ver mais um hoje para tentar salvar o dia, então fico por aqui agora, e volto logo mais com mais textos, então abraços e até breve.  


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Rock Dog - Uma Batida Animal

2/11/2023 03:41:00 PM |

Costumo dizer que ao fazer uma animação a principal determinação está em escolher o público que vai atingir para desenvolver um roteiro que tenha a pegada desse público, pois errar a mão nesse elo acaba não pegando nem a criançada nem os pais que estão no cinema, e comecei falando dessa forma sobre o filme "Rock Dog - Batida Animal" pôr o filme ter personagens bobinhos, ter cores e pegadas infantis, mas com uma história de brigas, de conflitos, de acusações e desafios que até tem a motivação de paz pelo protagonista, mas acaba tão bagunçado com tudo que não vai muito além. Ou seja, o tema em si tem uma boa pegada que daria para ir mais além, mas a franquia em si é bem bobinha e não atinge grandes emoções como poderia, ficando naquele meio termo de ser bonitinho ou ser emocionante, que saímos da sessão até cantando a música principal na mente, mas vamos esquecer dele logo mais.

A trama nos mostra que depois de viajar pelo mundo com sua banda True Blue, Bodi decide tirar uma folga e voltar para sua cidade natal, Snow Mountain. Ele logo descobre que a vida mudou: ovelhas e lobos vivem em harmonia. No entanto, o que para muitos é uma bênção, para a ovelha local Hazel é 'um pesadelo', que desfrutou dos 'bons velhos tempos' quando havia conflitos e batalhas entre os dois grupos. Enquanto isso, Bodi é coagido a ingressar em um programa de música como treinador de música depois que eles admitem que nunca ouviram falar de Angus Scattergood. No entanto, ele é designado para um grupo feminino cujas apresentações são baseadas em luzes chamativas, fantasias chamativas e uma máquina de bolhas. Em contraste, Bodi quer que eles abracem a energia bruta do Rock & Roll bruto e o poder da música.

O longa é segunda continuação da animação de 2016 que teve um filme em 2021 que nem chegou aos cinemas nacionais, mas quem viu o primeiro saberá bem quem são os personagens e assim dá para entender tudo de boa, afinal já mudaram novamente o diretor e roteirista, e o novo colocado Anthony Bell acabou trabalhando mais para algo novo do que para uma sequência mesmo, só faltando entregar talvez uma competição musical mais bem elaborada que agradaria e chamaria muito mais atenção do que algo solto com esquetes bem pontuais. Ou seja, não digo que o que vi tenha sido um filme ruim, mas que não atinge o público-alvo, seja ele qual o diretor desejava pegar.
 
Sobre os personagens posso dizer que são bem desenhados, com boas sombras e profundidades, e o mais gozado é que dá para ligar eles a alguns cantores que participam desses programas de descobertas musicais, mas talvez tenha faltado um pouco mais de carisma para nós pegar. O protagonista Bodi tem todo seu estilão de gostar apenas de Rock e não dar vez para os outros ritmos, a vilã Hazel/Lezah tem uma boa pegada meio descontrolada tendo um final diferente de tudo o que pensamos, e até o grupo teen Canina teve bons momentos musicais, mas um que chama muita atenção é o técnico adversário Neon que lembra Cee Lo Green. E quanto da dublagem nacional diria que todos agradaram bem nos tons, cantando as canções em versões dubladas também o que é satisfatório para não estragar a essência.

Visualmente foram bem sacados os atos em um programa de auditório com muita plateia, um formato tradicional do The Voice com os técnicos se atacando, tivemos a casa de Angus bem imponente com muitas guitarras, e a vila cheia das ovelhas e lobos se disputando, mas agora nas mesas de um bar e nos seus celulares para ver o programa, além de toda a brincadeira do gato Angus tentando lembrar quem ele é fazendo várias profissões, ou seja, o desenho em si é bem bom, mas não atinge grandes alçadas que marcassem a trama.

Enfim, é algo bem simples que até dá para levar a criançada para curtir as cores e os bichinhos, mas alguns vão chorar com o tema meio conflitivo, e outros vão ver por ver sem grandes emoções, e assim o resultado que fica é que quiseram correr para entregar um novo filme e acabou ficando algo meio bagunçado demais, afinal sabemos que demora bastante para fazer uma animação, e três filmes em 7 anos é algo meio fora de base. De qualquer forma recomendo ele com mais ressalvas do que elogios, dizendo que o final é o que tem de melhor. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Oferenda ao Demônio (The Offering)

2/11/2023 02:09:00 AM |

Não diria que hoje vi o melhor filme de terror dos últimos tempos, pois estaria mentindo, mas posso dizer que o longa "Oferenda ao Demônio" entrega atos bem trabalhados que dão alguns arrepios, e principalmente trabalha muito bem com cenas que fazem o público ser pego meio que desprevenido tendo alguns pulos, que muitos críticos odeiam os tais "jump scares", mas que acredito ser algo que funcione em determinados títulos, o que aqui vem bem a calhar. O mais engraçado é pensar que alguém moraria em cima da própria funerária, lotada de uma fiação estranha que pisca com qualquer coisa, além claro de ouvir vozes e tudo mais, ou seja, tem de ser muito corajoso para isso, mas diria que o principal que faltou foi trabalhar um pouco mais o ar explicativo, ou de estudo como alguns prefiram dizer, do demônio em si, seja pelo primeiro morto ou nos atos finais com o judeu cabalístico, pois tudo é muito jogado, então apenas sabemos o tipo de alma que o demônio da trama gosta e vemos a cena de sua aparição, mas não algo a mais dele, tanto que mudaram o nome original que seria seu nome Abyzou. Ou seja, é daqueles filmes até que bem feitos, que criaram um ambiente bem denso e trabalhado, mas que dava para ir um pouco mais além para ficar perfeito.

O longa nos mostra que uma família lutando contra a perda encontra-se à mercê de um antigo demônio tentando destruí-los por dentro, e sendo uma história vagamente baseada em contos populares judaicos, a trama segue a história de Art, um homem que, desesperado para pagar suas dívidas, tenta manipular seu pai para vender o negócio da família, uma funerária. Não parece uma tarefa difícil, mas logo as diferentes crenças e superstições entre ele e seu pai colocarão tudo em que ele acreditava na corda bamba. Uma noite, enquanto cuidava do corpo de um falecido, ele inadvertidamente libera um antigo demônio que se apodera das almas das crianças e agora está de olho em sua esposa grávida. Agora esta família, lutando com um trauma não resolvido, deve lutar contra este antigo demônio dentro de uma comunidade hassídica.

Não diria que o diretor Oliver Park atingiu algo que atingisse grandes patamares do gênero de terror, mas ao menos fez melhor que muitos outros que ultimamente tem entregue mais do mesmo, e que abusando um pouco dos sustos gratuitos em cenas que na maioria ficamos já esperando algo, ele conseguiu trazer o roteiro que lhe foi entregue para algo que chamasse a atenção, prendesse o público e principalmente tivesse uma boa história de base, afinal a cultura judaica tem muitas mitologias com demônios e elementos que clama por desenvolvimentos e melhores explicações mundo afora, e aqui ele dosou um pouco disso, criou um climão familiar não muito agradável entre os protagonistas, e até correndo um pouco com tudo deu as devidas nuances conflitivas para que tudo ocorresse, ou seja, temos o peso da culpa no protagonista, seu erro em algo que já não fazia há tempos, e claro todo o ar do mal bem encaixado na tela, fazendo os vértices tradicionais do gênero funcionar bastante.

Sobre as atuações, não temos nenhum grande nome chamativo, mas diria que todos entraram bem no clima e fizeram bons trejeitos para que nos convencesse do que estavam vendo acontecer, com Nick Blood trabalhando seu Arthur de uma maneira bem encaixada, fazendo alguns olhares meio que evasivos, desenvolvendo ares de dúvida do que via ou ouvia, ficando meio que enfeitiçado pelo demônio, e chamando bem a responsabilidade cênica para seus atos, de modo que chama até atenção.  Da mesma forma Emily Wiseman também fez bem sua Claire, ousando em alguns momentos que chamamos de "coragem cênica" em filmes de terror, que nada mais é de enfrentar coisas sobrenaturais de modo duvidoso, e até poderia trabalhar um pouco mais de desespero, mas não falhou, e isso que importa. Já o time dos judeus natos foi bem misterioso nos olhares e gestuais, tendo alguns elementos culturais sendo mostrados e desenvolvendo bem tudo, com destaque claro para Allan Corduner com seu Saul e Paul Kaye com seu Heimish, ambos fazendo o que o filme pedia para seus papeis, sem exageros nem positivos nem negativos, e também tenho de destacar os dois mal utilizados Daniel Ben Zedou com seu Chayim e Anton Trendafilov com seu Yosille, pois poderiam ter brincado mais com as explicações e rituais que fizeram, mas morreram rápido demais, com o último aparecendo a todo momento morto na gaveta e em um vídeo interessante, mas sem ir muito além.

Visualmente o longa basicamente ficou só dentro da casa e da funerária dos protagonistas, tendo um elevador estranho separando os dois cenários, tendo vários velórios ocorrendo ali também, tendo alguns cômodos estranhos, fotos e espelhos cobertos para brincarem com movimentos, e claro todo o apartamento do morto cheio de elementos de cultos, aonde vemos um vídeo bem forte do ritual aonde o morto vê o bichão pela primeira vez, e falando no bichão acabou ficando bem estranho, porém assustador, então seus atos na funerária são bem macabros e marcantes. Ou seja, temos muitos elementos cênicos bem usados, e o resultado mesmo sendo rápido funciona.

Enfim, é um filme bem fechado que tem apenas 93 minutos, mas que foi muito bem usado, parecendo ser até maior, e que sendo um estilo que alguns gostam e outros odeiam, o terror de susto acaba sendo intenso e agradando bastante dentro da proposta toda, que só pontuaria mesmo a falta de trabalhar mais os cultos, ir mais a fundo na origem demoníaca, e tudo mais que pudesse dar uma base maior para o espectador, mas como disse, não desaponta e assim sendo é claro que recomendo ele para quem gosta do estilo. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Menino e O Tigre (Ta'igara: An Adventure in the Himalayas) (The Tiger's Nest)

2/09/2023 10:23:00 PM |

A principal sacada do filme "O Menino e O Tigre" foi a produção conseguir um tigre filhote de verdade para as gravações que demoraram acho que um pouco demais e o gatinho foi crescendo até demais para as cenas finais, mas isso não incomodou e soou até que divertido toda a colocação, pois na trama defendem a liberdade do bichinho na floresta, com o garoto fazendo uma tremenda aventura para levar ele até um santuário, e usaram um animal treinado em cativeiro provavelmente, que aliás atuou muito bem (quando teve vontade, pois em muitas cenas está apenas rolando na terra de barriga pra cima!), porém tirando esse detalhe é um filme bonitinho, bem infantil, aonde não se preocuparam tanto com cenas sequenciais bem marcadas, tendo muitas quebras de passagens de formas estranhas, ou seja, é o básico do básico que até funciona bem, mas que quem exigir um pouquinho mais de história vai acabar reclamando, e assim diria que vale mais pelo visual, por mostrar as dinâmicas entre o garoto e o tigrinho, e principalmente por mostrar os povos himalaios, misturando nômades que se espantavam com o bichinho, os caçadores de mel das montanhas (que já vimos em um programa televisivo), e até mesmo os monges do Monastério Ninho do Tigre no meio das montanhas (que também fizeram expressões bem engraçadas ao ver um tigre mesmo dentro do templo).

A sinopse nos conta que quando o menino órfão Balmani testemunha como caçadores sem escrúpulos matam uma mãe tigre uma noite, ele decide sem mais delongas cuidar do filhote de tigre. Em uma área remota do Himalaia, diz a lenda que existe um lugar para tigres órfãos administrado por monges. Balmani quer levar o pequeno tigre, que ele chama de Mutki, para lá. Para chegar lá, eles precisam enfrentar condições climáticas extremas e percorrer longas distâncias por rios e montanhas. Mas esse não é o único perigo, porque os caçadores furtivos estão à procura de Mutki e os seguem pela paisagem árida. Balmani está pronto para proteger seu novo amigo e Mutki também desenvolveu uma forte confiança no menino órfão.

Diria que o diretor e roteirista italiano Brando Quilci conheceu a lenda do mosteiro e quis desenvolver uma história mais universal, tanto que temos uma produção italiana com atores indianos falada em inglês, e que aqui só chegou dublada em português, e ele entregou uma trama culturalmente bem interessante de se ver, porém faltou dar um toque mais emocional para tudo, de forma que ficássemos mais envolvidos com a história toda, e nos conectássemos à jornada do garotinho e do tigrinho, pois tudo é bem cênico, tudo é mostrado bem dentro do mundo ali, usaram imagens de terremotos reais para mostrar a destruição do país (aí temos um errinho grande, que se o jovem volta para a casa, um sobrado e está de pé, com apenas alguns tijolos no chão, de modo que ficou meio estranho) e também mostrou muitos atos dos bichos no meio da natureza, então acabou ficando quase como um daqueles episódios do Discovery Channel colocando alguém bem conectado ao bicho para fazer uma viagem maior, e assim o resultado é interessante, mas não emociona como deveria.

Não vou falar muito das atuações, afinal o longa veio apenas dublado e com vozes que não deram as devidas emoções para as cenas, mas diria que o garotinho Sunny Pawar teve uma grande conexão com o tigrinho, dando leite na mamadeira para ele, brincando e andando em diversos atos, mas temos também alguns momentos que vemos que não é bem a mão do jovem que faz alguns carinhos, então teve também cuidado com o bicho, e fez alguns trejeitos bem colocados e soube ter uma jornada até que interessante com seu Balmani, mas nada que impressionasse muito. Ainda tivemos Claudia Gerini fazendo uma professora/dona do orfanato bem disposta a tudo para reaver o garotinho fugitivo, tendo boas cenas e desenvolturas, mas soando meio falsa em alguns momentos (acredito que tenha sido a dublagem atrapalhando!). Também tivemos um caçador meio estranho de atitudes, claro que não esperava um matador nato dentro de um filme infantil, mas Shi Yang Shi poderia ter feito alguns atos mais imponentes, fora as atitudes mais bobinhas do cozinheiro do orfanato vivido por Amandeep Singh que vivia com sorrisinhos, mas se perdeu no personagem de ajudante de caça.

Agora sem dúvida o ponto alto da trama ficou a cargo do visual que passou por grandes paisagens do Himalaia, mostrando algumas áreas áridas bem trabalhadas, florestas aonde o povo nômade vive passando e tendo suas cabanas e costumes mostrados rapidamente, tivemos cenas no meio de uma tempestade de neve, alguns atos mostrando os caçadores de mel nas montanhas, e claro o mosteiro incrustado na montanha com vários elementos bem colocados, não sendo um filme que necessitou ser criado coisas, mas sim um mini-road-movie-documental bem trabalhado em locações bem escolhidas, e isso ao menos funcionou bem.

Enfim, é um filme que dava para entregar muito mais, aliás o trailer já conta praticamente a história inteira inclusive com o final (quem editou ele não pensou muito bem!!!), mas que algumas crianças vão gostar do tigrinho e outros vão ver apenas pelo bom visual, ao ponto que ficou algo mediano como um passatempo leve e bem colocado ao menos, de modo que recomendo ele com mais ressalvas do que elogios. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Globoplay - O Alfaiate (The Outfit)

2/07/2023 10:32:00 PM |

Costumo dizer que uma produção tem de ser pensada nos mínimos detalhes, e principalmente na data de lançamento se almejar concorrer bem às principais premiações, afinal sabemos que existem alguns longas que são feitos com um maior estilo esperando ganhar prêmios e notoriedade, enquanto outros apenas são comerciais e se vendem sozinho pelas estrelas e dinâmicas, e posso dizer facilmente que o longa "O Alfaiate" é um exemplar que é muito mais artístico do que comercial, e errou feio ao ser lançado nos EUA e na Inglaterra em março do ano passado, pois ficou longe de todas as possíveis premiações, e com isso acabou "esquecido" pelos votantes, mas é daqueles filmes tão incríveis de amarrações, com um roteiro redondinho de estilo, que prende o espectador que fica pensando em como o protagonista irá se safar de tudo, mas ao final a vontade é de aplaudir sua inteligência nata, ou seja, é daqueles perfeitos dentro do estilo, que poderia ser transposto para uma peça teatral incrível também com pouquíssimos ajustes, mas que na tela teve todas as nuances abertas para acompanharmos e vivenciarmos tudo no espaço pequeno, e quem ganha é o pessoal do streaming, afinal agora entrou em cartaz na Globoplay/Telecine, e mais do que dou a dica, digo que é daqueles que muitos irão se apaixonar e pensar em como não viram um outro filme assim.

O longa nos mostra que Leonard, um alfaiate inglês costumava fazer ternos na mundialmente famosa Savile Row de Londres. Mas depois de uma tragédia pessoal, ele acabou em Chicago, operando uma pequena alfaiataria em uma parte difícil da cidade, onde ele faz roupas bonitas para as únicas pessoas ao redor que podem pagá-las: uma família de gangsteres cruéis. Uma noite, dois assassinos batem em sua porta precisando de um favor - e Leonard é empurrado para o tabuleiro em um jogo mortal de decepção e assassinato.

Esse longa marca a estreia de Graham Moore como diretor de longas, depois de ter roteirizado e ganhado muito dinheiro com o incrível filme "O Jogo da Imitação", e aqui novamente ele brinca com as situações e amarra (ou melhor usando um termo do filme costura) todos os detalhes, todos os envolvimentos em uma brilhante noite de situações conflituosas entre gangsteres da Chicago dos anos 50/60, e com elementos pontuais tão bons ele consegue nos deixar aflitos com tudo o que ocorre, ficamos o tempo inteiro imaginando as possíveis facetas para que o protagonista consiga se safar, quais suas origens e quais anseios ele vê no meio do que acaba se envolvendo que somos também enganados facilmente assim como os gangsteres da trama, e ao final quando tudo nos é revelado pelo protagonista, vemos o quão genial foi o roteiro do diretor, quanto o estilo escolhido por ele, pois se olharmos a fundo é um filme baratíssimo em um único lugar, com três ambientes internos, aonde precisou mais do figurino e da equipe de arte para mostrar o que é tudo ali do que tudo, e apenas empunhou com sábios diálogos a tesoura para que a edição ficasse perfeita e não cansasse. Ou seja, é daqueles filmes que você se vê no mesmo ambiente que tudo está acontecendo e que funciona demais, e se qualquer diretor de teatro for bem esperto usará esse texto aos montes daqui para frente, pois é brilhante.

Sobre as atuações, sabemos o quão bom é Mark Rylance, então ele dispensa todas as apresentações e aqui ele pega o seu Leonard de uma maneira tão bem colocada, que sinceramente penso que ele já foi alfaiate alguma vez na vida, pois tem os trejeitos corretos da profissão, sabe se portar como os verdadeiros lordes ingleses que praticamente cuidavam das roupas da mesma família por anos, sabendo onde estar, fazer as devidas posturas e tudo mais contando com diálogos calmos e bem pontuados, ou seja, você não vê o ator em cena, mas sim o personagem em todos os momentos, e se isso não é ser brilhante eu já não sei mais o que é. Poderia até dizer que os demais foram meros enfeites frente a tudo o que o protagonista entregou, mas não, todos se dão belos encaixes e souberam abrilhantar ainda mais tudo, desde o jovem Dylan O'Brien com seu Ritchie contando com um ego maior que o seu tamanho por ser filho do maior mafioso da região, passando pela jovem Zoey Deutch com sua Mable astuciosa e bem determinada nas cenas principais, chegando em toda a imponência de Johnny Flynn com seu Francis bem prepotente e com impactos certeiros nos devidos trejeitos, ou seja, o quarteto se encaixou nos devidos momentos e agradou bastante com tudo. E claro não poderia deixar de lado as ótimas participações finais de Simon Russell Beale como o mafioso principal Roy e Nikki Amuka-Bird como a elegante dona dos cassinos La Fontaine, que pegaram todos os elos e tiveram postura e determinação para chamar tudo para si nos atos de encerramento.

No conceito visual, como já disse o roteiro foi muito sagaz de não precisar praticamente de cena alguma fora da alfaiataria, então só precisaram criar muito bem todo o ambiente de corte e costura, uma recepção simples, um cofre, um baú e toda a parte de figurino de época bem requintado, todos os elementos cênicos de costura que nos é bem ensinada no começo, e claro muitos tiros, sangue e trapos chiques sendo usados para limpar tudo, ou seja, a equipe brincou com tudo e foi muito bem nos acertos de cada objeto bem usado para representar cada ato.

Enfim, só não darei a nota máxima para o filme mais pelo erro que falei no começo de falharem com a data de lançamento, pois certamente veríamos ele ganhando todos os prêmios possíveis, e também pelo diretor ter economizado no miolo para resolver um pouco rapidamente (apesar que foi bom pela surpresa), então diria que daria um 9,5 para tudo, mas vou manter a euforia e dar 9 recomendando demais para todos que gostam de filmes bem fechadinhos e certamente irei esperar mais longas dirigidos ou roteirizados por Moore, pois ele mostrou qualidade de um nível gigantesco. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Infiesto

2/05/2023 11:17:00 PM |

Fazer um filme de suspense policial é algo que exige extrema determinação do diretor, pois se falhar em qualquer ponto acaba virando algo cômico ou até mesmo um filme de terror barato, então é necessário uma tensão correta e determinante até o final, os suspeitos tem de ter estilo próprio e claro os investigadores tem de ser imponentes, e felizmente o cinema espanhol tem acertado bastante nesse estilo, e a Netflix tem comprado bons exemplares para seu catálogo, digo isso pois esse já é o segundo bom filme do mesmo diretor, e nesse entremeio ainda tivemos uma trilogia sensacional que causou muito, ou seja, se depender dessa parceria ainda veremos muitos outros bons filmes do gênero na tela do streaming. Dito isso, agora tenho de falar claro do lançamento da semana "Infiesto" que tem uma pegada bem interessante misturando a pandemia da Covid-19 (que é chamada pelo "vilão" na última cena como o começo do fim do mundo) com rituais celtas de sacrifício de jovens para os deuses da tempestade, tudo isso bem colocado por uma investigação de dois bons personagens que se colocam prontos para tudo, mesmo com o mundo desabando na sua cabeça. Ou seja, é daqueles filmes que sabem onde acertar, mas que não desejaram ir tão além, pois dava para ficar ainda mais violento, sendo honesto na proposta e bem marcado de atitudes, que acabam agradando e resultando em algo que funciona bem do começo ao fim, sem ser surpreendente, mas sem desapontar também.

O longa começa no primeiro dia do estado de alarme da Covid-19, onde dois detetives são chamados a uma pequena cidade mineira nas montanhas das Astúrias, onde uma jovem que foi dada como morta por meses apareceu, deixando-os se perguntando quais forças das trevas eles estão enfrentando. À medida que o mundo desmorona e tragédias pessoais atingem todos os lugares, não demora muito para os detetives perceberem que o vírus pode não ser a única força negra em ação.

O diretor e roteirista Patxi Amezcua já é um velho conhecido aqui do site, pois já conferi tanto seu longa anterior que dirigiu, "Sétimo", quanto seus últimos roteiros que não dirigiu, "Um Homem de Ação" e "Gun City", e em ambos os casos diria que seu problema principal é o de se fechar nas ideias e ir batendo na tecla do começo ao fim, e aqui essa ideia se perdura de manter o foco sem abrir grandes vieses, mas ele conseguiu corrigir um fator muito grande aqui nesse filme de hoje que foi não guardar brechas e se apegar à personagens, pois temos alguns momentos bem impactantes que outros diretores precisam realmente aprender com ele, isso acontecendo inclusive antes dos atos finais, ou seja, ele soube brincar com toda a ideia, soube causar bem tudo, e principalmente deu a voz para que seus personagens se virassem sozinhos, o que é raro de acontecer em filmes do estilo, e aqui essa intensidade até choca, o que é muito bom para o gênero. Ou seja, acontecem situações bem fechadas no roteiro e elas não são casuais, então a oportunidade de virada se dá por personagens mais destacados que sabem aonde impactar, e isso o diretor conseguiu demonstrar um bom crescimento, funcionando, e agradando com símbolos e boas pegadas.

E já que falei que os atores souberam inverter todo esse fechamento, tenho claro que destacar a química de parceria entre os dois investigadores, pois tanto Isak Férriz com seu Samuel quanto Iria del Rio com sua Castro se dedicaram de forma corporal bem marcante, tiveram atitudes bem diretas em cada um de seus atos, e expressaram olhares e dinâmicas bem cadenciadas que marcaram cada momento deles na trama, fora todo o lance do começo da pandemia que alguns não usavam de forma alguma as máscaras, ou seja, representaram bem todo o momento e impactaram com o que poderiam fazer em cena. Quanto aos demais personagens, diria que fizeram expressões bem marcantes, mas sem grandes chamarizes, com destaques claro para um dos sequestradores vivido por José Manuel Poga com seu Demônio, e claro os atos finais do personagem Profeta, mas não vou dar o nome do ator pois estragaria a surpresa, então diria apenas que é alguém que não deu nenhuma desconfiança durante o filme.

Visualmente a trama tem cenas bem marcantes, com ruas praticamente vazias com a quarentena da Covid-19 rolando (não sei se o filme foi realmente rodado na época ou se conseguiram simbolizar bem com fechamentos de ruas), vemos hospitais movimentados, e locações mais afastadas com símbolos e elementos bem comuns de ver em longas com rituais e sequestros, tendo inclusive o fator mais comum dos filmes policiais espanhóis em destaque que é chuva e lama para todo lado (acho que gostam de dar uma tensão maior com esse estilo), então diria que a equipe de arte fez um bom trabalho.

Enfim, não digo que tenha sido um longa perfeito, mas conseguiu ser tenso na medida e bem denso na história, criando atos marcantes e chamativos, e principalmente não revelando de cara quem era o principal líder do culto, e assim segurando para os atos finais toda a surpresa, ou seja, um grande acerto de estilo que agradará quem gosta do gênero e estiver disposto a não se incomodar com alguns leves defeitos, então fica a dica para dar play e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Destemida (True Spirit)

2/05/2023 06:48:00 PM |

Não diria que seja um gênero específico, mas sim um formato que consegue me emocionar com uma facilidade, além de ser tão gostoso assistir obras assim, que é o de longas de superação, e nem precisam ser histórias reais, até mesmo os longas esportivos dramáticos ou até mesmo animações aonde o protagonista consegue superar alguma limitação para alcançar algum objetivo de vida, acaba sendo algo que vibro junto, balanço o pé no ritmo musical que está tocando de fundo e embarco por completo no que entregam. Mas claro que as histórias baseadas na vida real de alguém tem sempre um teor um pouco maior, e aqui no lançamento dessa semana da Netflix, "Destemida", conseguiu me impactar com uma trama simples, porém bem forte de uma jovem com dislexia que vivendo com os pais velejadores, vivendo praticamente sempre em barcos ou em praias, resolve ao ler um livro de um jovem velejador, que iria se tornar a mais jovem velejadora a cruzar todos os oceanos, fazendo a circunavegação do planeta passando por todos os cabos famosos, sem parar em nenhum porto ou ter qualquer tipo de ajuda para fazer isso, apenas contando com seu barco, e a jovem pequenina traçou seu plano, fez vários treinos até chegar o grande dia, indo contra tudo e todos que julgavam ser algo arriscado demais para uma garota. Ou seja, vemos alguns de seus dias turbulentos desde o evento teste com problemas passando por tudo o que aconteceu na viagem completa sem ventos, com tempestades e tudo mais que ocorreu, sendo algo simples de produção, com alguns elos computacionais meio fakes, mas com um resultado final bem emocional e que junto de uma trilha sonora incrível faz aquele suor dos olhos se movimentar.

O longa conta a história pessoal de uma garota australiana que é pessoa mais jovem a dar a volta ao mundo sozinha de outubro de 2009 a maio de 2010 - aos 16 anos. Sua viagem terminou em 10 de maio de 2010, depois de 210 dias em alto mar e mais de 22 mil milhas náuticas. Mas foi com muitos anos de preparo que a fizeram concluir o feito. No entanto, apenas oito meses antes, ela colidiu com um cargueiro de 63.000 toneladas. Porém ela não se deixou abalar e continuou seguindo seu sonho. O filme reconta todos esses dias, escritos em seu livro, em que ficou no mar, sozinha e sem ninguém, quase incomunicável. Mesmo assim, a jovem australiana seguiu em frente, rumo ao horizonte.

Diria que a diretora e roteirista Sarah Spillane desenvolveu algo muito semelhante ao que a verdadeira Jessica Watson viveu em sua vida, pois se baseando no livro dela conseguiu retratar uma emoção única na trama, deu as devidas nuances de impacto nos atos certeiros e soube dimensionar cada ato para que ele tivesse todas as conexões possíveis para envolver o público, de tal forma que seu longa tem dinâmica, tem espaço para mostrar o passado e sem precisar desenvolver tanto os personagens, apenas dando as corretas posturas familiares em cada ato acabou acertando em cheio no que o filme precisava. Ou seja, ela não quis correr riscos e fez um longa bem correto, bem cheio de atos marcantes, e mesmo abusando de uma computação facilmente detectada nas cenas de tempestade, ousou apostar no carisma da personagem com uma atriz novata e deu muito certo.

E já que comecei a falar das atuações, vamos direto ao ponto, pois Teagan Croft foi muito bem encaixada como Jessica, não precisou de muita maquiagem para ficar parecida com a verdadeira velejadora, e acredito que treinou bastante para conseguir fazer os devidos movimentos de barco, não soando falso suas amarrações e jogadas de timão e do mastro, colocando o público para bem perto de si, e claro emocionando nos devidos atos de encaixe emocional que o filme permitia, ou seja, deu seu nome para a produção e mostrou que tem futuro, afinal está só com 18 anos, e já mandou bem em séries e outros filmes. O ator neozelandês Cliff Curtis já tem um currículo bem chamativo com vários longas, mas sem fazer grandes sucessos efetivos, até que no ano passado apareceu bem como um dos protagonistas do novo "Avatar - O Caminho da Água", e agora mostrou um lado seu mais fechado como o treinador e velejador Ben Bryant (que aliás poderiam fazer sua história, já que velejou em muitas missões solo perdendo um dedo e também foi responsável pela morte de um velejador numa competição, ou seja, tem história para um filme com certeza) com uma postura séria e bem marcada, sendo na trama o único que treinou a jovem, mas diferenciando um pouco do livro aonde a jovem tinha uma equipe completa, porém esse estilo deu um lado mais sentimental e focado dentro da família da jovem, e o ator fez bem um personagem mais durão. Ainda tivemos bons atos com todos os membros da grande família de Jess, valendo destacar a garotinha Vivien Turner como Hannah a irmã caçula cheia de diálogos marcantes na trama com uma desenvoltura única, Anna Paquim como a mãe e Josh Pawson como o pai bem preocupados com as decisões da garota, mas apoiando bastante, e ainda os irmãos vividos por Bridget Webb e Stacy Clausen, mas todos dentro do âmbito familiar de apoio, então valendo claro o destaque máximo entre os secundários para Alyla Browne como a protagonista em seus atos mais jovens cheios de persistência.

Visualmente o longa foi bem trabalhado com um barco bem rosa e cheio de detalhes que a equipe criou muito semelhante ao original que está num museu náutico da Austrália, e claro depois presenteou a verdadeira Jess com essa réplica, tivemos uma casa familiar bem trabalhada em detalhes, aonde a imprensa ficou plantada no gramado esperando informações diárias nos piores dias da navegadora, e claro mapas e muitos elementos cênicos para serem usados dentro do navio, dando claro símbolo para os vários bichinhos de pelúcia que a jovem levou simbolizando ainda sua idade, ou seja, tudo muito bem colocado que acabou chamando atenção e funcionando bastante, tendo claro o único adendo para o excessivo uso da computação nas cenas de tempestade, que claro eu não queria ver a jovem atriz sofrendo em algo que lhe custasse sua vida, mas dava para fazer algo em um ambiente controlado de forma mais real, mas isso não chega a incomodar tanto felizmente na produção, só sendo algo que quem tiver um olhar mais técnico vai acabar reclamando.

Outro ponto que chamou muita atenção no filme foram as escolhas musicais contando com Sheppard, Dotan, Colbie Cailat, entre outros que deram tanto ritmo quanto envolvimento para as devidas cenas, e valem não só como músicas inspiradoras quanto bem arranjadas para que o filme tivesse uma cadência emocional, ou seja, vale a pena ouvir no filme e depois com o link que deixo aqui.

Enfim, dei o play sem esperar nada do filme, apenas pela história que parecia interessante e fui surpreendido com um filme gostoso, bem encaixado para o momento e que funciona bastante com os motes de superação entregues, ou seja, vale com certeza a recomendação de play nele. E é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto logo mais com mais textos, então abraços e até logo mais.


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As Histórias de Meu Pai (Profession du Père) (My Father's Stories)

2/04/2023 10:54:00 PM |

As comédias dramáticas francesas sempre entregam situações bem colocadas e divertidas dentro de algo que encaixe emoção e envolvimento, e ultimamente eles têm feito muitos longas com crianças, o que acaba mostrando um futuro bem promissor da nova safra de atores, veremos se ao ficarem mais jovens vão decolar ou sumir. A grande sacada do longa "As Histórias De Meu Pai", que entra em cartaz nos cinemas na próxima quinta 09/02, se dá pelo jovem garotinho acreditar demais nas diversas profissões do pai e todo o seu envolvimento com organizações militares que irão tirar o presidente da cadeira após algumas declarações polêmicas do presidente na televisão, e com isso o pai acaba treinando alguns elos com ele e fazendo com que o garoto entre em uma enrascada, já que acredita em tudo o que ouve das loucuras do pai. O filme é bem leve, mas bem trabalhado de conceitos, sendo engraçado sem forçar e tendo até atos bem chamativos, ao ponto que é daqueles que você acaba embarcando na ideia toda e funciona bem o resultado final.

No longa seguimos um garoto e seu pai, em Lyon, década de 1960. Emile é um garoto de 12 anos que passou a vida ouvindo histórias sobre as diversas profissões que seu pai alegava ter. Ele diz ser campeão de judô, paraquedista, jogador de futebol e até conselheiro pessoal do General de Gaulle. Um dia, o pai disse que De Gaulle tinha o traído e pediu ajuda do garoto para matar o general, deixando o jovem orgulhoso e assustado por ter sido escolhido. Agora seu pai quer salvar a Argélia francesa. Para isso ele recruta Luca, um novo colega de classe. Mas e se as façanhas do pai fossem todas falsas e perigosas demais para as crianças?

Diria que o diretor Jean-Pierre Améris foi bem seguro na adaptação do livro de Sorj Chalandon, pois sabemos bem que a maioria das crianças tem esse olhar meio que de super-herói para com seus pais, e acreditam em tudo o que lhes é dito, de tal maneira que deixou o jovem inocente demais para tantas situações malucas que seu pai lhe conta, fazendo até tudo soar engraçado, mas ele nos mostrou que o jovem não é tão inocente assim, mas sim esperto, pois faz uso de tudo o que o pai falou para passar a responsabilidade para o novo amigo, que aí sim foi inocente de acreditar em tudo o que o jovem fala, com destaque para a cena da garotinha indo para o carro e a influência toda ali, e assim vemos um filme de influências, de loucuras e até mesmo de conexão entre pessoas e suas atitudes, que tem seu gracejo, tem atos de certa emoção, e claro tem atuações bem encaixadas demais, pois facilmente daria para tudo dar muito errado e ser daqueles extremamente cansativos, mas não, o resultado agrada e mostra o estilo do diretor/roteirista na tela.

E já que falei que as atuações foram muito bem colocadas, é claro que o foco é no trio familiar, com o jovem Jules Lefebvre entregando muita expressividade com seu Émile, demonstrando um interesse sempre gigante nas histórias do pai, fazendo os exercícios e tudo mais que lhe é exigido e desenhando muito bem tudo o que lhe vem na mente conforme ouve as histórias do pai, e é bem gracioso, tem estilo, tem um olhar forte e certamente vai se desenvolver bem futuramente. E claro o pai do garoto é ninguém menos que Benoít Poelvoorde que trouxe para seu André todo um ar meio maluco, meio icônico, cheio de imposições e sabendo muito bem o que entregar, fazendo atos por vezes explosivos e em outros algo meio que divertido e emocional sem recair para o lado frouxo, e isso chamou muita atenção até seus últimos atos. E ainda tivemos Audrey Dana com sua Denise bem tradicional, sendo daquelas mães que trabalham mais do que vivem em casa, mas também passando muito carinho para o garoto e sobrevivendo no meio das loucuras e histórias do marido, ou seja, fez com leveza todos os momentos sendo o oposto cênico no mesmo ambiente. E para finalizar tenho de dar também um leve destaque para o garoto Tom Lévy, que não fez atos muito expressivos, mas deu bons trejeitos de confiança no que seu amigo falava, sendo um bom encaixe e desenvolvendo bem os atos que foi colocado.

No conceito visual o apartamento foi bem representativo dos anos 60, com figurinos marcantes e tendo alguns até como elementos de discussão como o suéter do garoto, toda a discussão maravilhosa do protagonista com a TV, e claro os jantares sendo servidos de acordo com a paranoia do protagonista, ainda tivemos bons momentos numa escola bem tradicional, as andanças mostrando a desconfiança de pessoas serem espiãs ou policiais disfarçados, e como elemento cênico principal o caderno de desenho do jovem, muito bem retratado com caricaturas precisas e incríveis de ver.

Enfim, é daqueles filmes simples de ver, que tem uma história leve e bem trabalhada que não vai impactar ninguém com uma história para se refletir, mas sim algo interessante e divertido dentro do contexto todo e que serve como um bom passatempo do começo ao fim, então fica a dica para conferir nos cinemas que estrear na próxima quinta. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Gemini - O Planeta Sombrio (Звёздный разум) (Zvyozdniy razum) (Project 'Gemini')

2/04/2023 02:41:00 AM |

O mais cômico de conferir os filmes russos que chegam por aqui é que ou foram gravados em inglês para ter uma "universalidade" ou são dublados em inglês antes da distribuição, então curiosamente eu fico observando o movimento da boca para ver se está rolando mesmo todas as falas ou se enganaram bem a gente, e aqui no longa "Gemini - O Planeta Sombrio", por ser um filme para salvar o mundo, montaram uma equipe aparentemente universal, e assim pelo menos na ficha do longa se fala inglês e russo, não ouvi nenhum palavreado assim, mas não incomodou caso tenha sido dublado, pois os personagens e suas vozes combinaram com as personalidades, porém falando do filme em si, é até estranho pensar que fui conferir um filme teoricamente de terror, com uma pegada meio de alien e viagens espaciais, mas esses dois temas rolam tão rapidamente que ficamos mais com uma missão conflituosa entre os tripulantes e tentando entender um pouco da vida do protagonista do que assustados ou tensos com algo, e isso é um grande defeito, mas também não é uma bomba imensa como a maioria dos sites estão colocando por aí, pois a ideia em si é interessante de saltos no espaço-tempo para chegar à planetas extremamente distantes e tentar arrumar uma "nova" Terra para que os humanos possam destruir igual fizeram com essa que vivemos. E assim sendo o filme só não é melhor por exagerar em flashbacks para explicar o que vai acontecer no final, e fazer com que o público acredite na essência bem estudada de Física que os roteiristas pensaram para a trama, ou seja, é daqueles filmes que ou abstraímos toda a ideia e curtimos o que nos é mostrado, ou você sai da sessão xingando tudo o que viu.

A sinopse nos conta que em um futuro próximo... Após séculos de peregrinação ambiental, os dias da Terra estão contados. Com ela, a espécie humana está ameaçada de extinção. Mas a esperança renasce quando um jovem cientista revela um processo revolucionário de terraformação, que abre caminho para a colonização de novos planetas. Um grupo de elite de todos os matizes e de todas as nacionalidades é formado. Sua missão: assumir o comando da nau capitânia da frota internacional e partir em busca de um novo lar para a humanidade. Navegando rumo ao desconhecido, esses novos exploradores estão longe de imaginar os imensos perigos que os aguardam.

Posso dizer de uma forma bem fácil que a principal reclamação é em cima do estilo novelesco que o diretor Serik Beyseu desenvolveu a história, necessitando a todo momento ter paradas em escurecimento de tela (os famosos fades out) para mudar de uma cena para a outra mostrando a equipe em conflito no planeta desconhecido, e por vezes voltando no passado nos diálogos do protagonista com sua namorada/esposa, que em vários atos acabam até enchendo o saco de ver, porém ao final todas essas conversas terão um motivo, e assim o resultado até acaba sendo funcional, mas dava para fazer algo linear menos cheio de enrolações, desenvolver algo mais trabalhado com toda a ideia logo na apresentação, e assim o resultado acabaria chamando ainda mais atenção e não incomodaria tanto o público, além disso talvez um pouco mais de intensidade nos atos do "alien" fizesse o filme ser mais puxado para o terror/suspense e menos aventura/ação, mas isso são gostos particulares, então vale a reflexão em cima de tudo, e quem sabe ver o longa mais como um passatempo mediano. E nem vou entrar no mérito da Física, senão daqui a pouco até eu desisto do filme.

Quanto das atuações, aí sim temos um problema gigante de protagonismo, pois mesmo o foco sendo todo em cima de Egor Koreshkov com seu Steve, a todo momento o filme tenta brincar com os demais da nave, e por vezes nos perguntamos quem é esse que apareceu agora? E assim sendo diria que precisaram mesmo ficar voltando para dar toda a nuance em cima dele, e seus olhares meio galanteadores, seu estilão de atitude até acabou sendo algo bacana de ver, mas nada que surpreenda realmente. Quanto aos demais, vale claro dar um destaque para os ares sem muita atitude de Alyona Konstantinova com sua Amy e Dmitriy Frid com seu David completamente maluco nos atos finais, mas nada que realmente impressione neles, sendo mais personagens de conexões do que algo que vá além mesmo. Agora dando um spoiler, o que aconteceu com o pobre personagem de Viktor Potapeshkin, pois seu Richard acabou ficando na nave sozinho jogado no espaço? Ou seja, triste fim jogado para um personagem.

Visualmente até que fizeram atos bem montados, com uma nave gigantesca na tela, alguns efeitos estranhos, uma roupa espacial até que simples demais para as ondas de calor, mas tudo sendo bem chamativo, tirando claro o alien que pareceu um aglomerado de fios que fica soltando uma gosma sabe-se lá por onde, mas tudo foi bem encaixado e até engraçado, pois a nave tinha tantos compartimentos com lanternas e tomadas que quem fez isso não pensou realmente na realidade, ou seja, a equipe de arte falhou em exageros desnecessários.

Enfim, é um filme mediano, que dá para ver como um passatempo sem esperar nada, e claro rir de alguns absurdos, e quem for fã de novelonas vai gostar do capítulo rápido cheio de conexões, então fica a dica, contando claro com todas as mil ressalvas que fiz não recomendando ele como algo excepcional, aliás diria que esquecerei dele bem breve. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Batem à Porta (Knock at the Cabin)

2/03/2023 01:24:00 AM |

Não sei se posso dizer que saí maravilhado da sessão do novo filme de M. Night Shyamalan, "Batem à Porta", pois conhecendo bem a carreira do diretor acredito que esperava ficar muito mais tenso com a proposta, desesperado com algo e até temendo alguma loucura um pouco maior, e isso não ocorreu, fazendo com que eu visse o filme de uma maneira até que bem calma para alguns atos de matança, diria até que eu estava com o mesmo tom do protagonista em descrédito do que os quatro antagonistas diziam para ele, mas quando vamos vendo os acontecimentos dos últimos atos a trama dá um algo a mais tão interessante para toda a simbologia mostrada que diria que funcionou até que bem toda a essência, ou seja, assim como a maioria das histórias de Shyamalan precisamos ficar atentos aos detalhes, encontrar todos os devidos símbolos do longa, e dessa forma com todo o conteúdo acabamos até gostando do resultado final, porém quem for esperando algo mais forte certamente vai se desapontar bastante, então fica a dica para ir menos sedento ao pote.

A sinopse nos conta que Eric e Andrew estão de férias com sua filha Wen em uma cabana isolada no campo. Enquanto brincava na floresta, a pequena Wen conhece o educado Leonard. A tranquilidade da família então chega a um fim abrupto quando ele, acompanhado por três outros estranhos armados, conseguem entrar à força na cabana e fazem a família como refém. Os invasores contam a seus reféns sobre uma visão misteriosa e os forçam a tomar uma decisão inimaginável, um sacrifício para evitar o apocalipse iminente. Com acesso limitado ao mundo exterior, a família deve decidir em que acredita antes que tudo se perca: eles realmente pretendem salvar o mundo ou Leonard e seus companheiros fazem parte de um culto insano?

É difícil conhecer alguém que nunca tenha visto um filme qualquer do mestre do terror M. Night Shyamalan, pois suas obras sempre entregaram elementos fortes e interessantes que acabam sempre nas rodas de discussão, além de ter grandes clássicos que viraram obras obrigatórias para qualquer um que goste de ver um bom filme, porém nos últimos anos seus longas tem sido bem contraditórios e agradando bem pouco os críticos em geral, e até os próprios fãs não têm mais se empolgado tanto com o que ele vem apresentando, ou seja, teria ele perdido a mão ou apenas entrou no modo econômico de ideias? Não sei qual resposta dar para essa pergunta que coloquei, mas com o filme de hoje posso dizer que a trama em si é leve demais pelo tema forte em segundo plano e poderiam ter feito algo mais intenso que causasse algo a mais no público, não sendo algo ruim de ver, mas que facilmente dava para impactar muito mais, afinal a classificação é de suspense/terror, e diria que vi o filme com muita tranquilidade do começo ao fim, e só agora enquanto estou escrevendo senti um pouco de tudo ao pensar na ideia em si.

Sobre as atuações, diria que todos entregaram exatamente o que precisavam para os seus papeis, não colocando nem um suspiro a mais de expressividade além do que estava no roteiro, e infelizmente isso é algo um pouco ruim, pois como já falei a trama pedia um algo a mais, de forma que no trailer abaixo você vai sentir muito mais emoção nos olhares de cada um do que no filme por inteiro. Dito isso, Ben Aldrige e Jonathan Groff foram bem diretos nas suas cenas, trabalhando os olhares emotivos de seus personagens Eric e Andrew estarem presos sem poder fazer muita coisa, com o segundo totalmente sem acreditar em nada do que o antagonista mostrava para eles, desenvolvendo até mesmo uma incredulidade forçada nos demais ali e até no público, até chegar nos atos finais aonde a emoção familiar vai além, e dessa forma diria que foram bem no que tinham de fazer, mas dava para passarem uma tensão maior para que o público não tivesse o mesmo desdém deles, e sim algo impactante por estarem na casa presos com alguns "malucos". E falando dos malucos, Dave Bautista é daqueles brucutus que estamos acostumados a ver descendo a porrada em todo mundo, cheio de imposição e aqui seu Leonard é quase um cavalheiro de tanta educação na forma de contar tudo para os demais dentro da cabana, e sempre ficamos esperando algum ato mais explosivo dele que não ocorre, ou seja, não sei qual a intenção real do diretor em colocar ele nesse papel, mas mesmo fazendo expressões bem colocadas não me convenceu de ser a melhor opção, já os demais cada um deu bons elos para seus personagens, com Rupert Grint mais afoito nas cenas mais densas de seu Redmond, Nikki Amuka-Bird mais desesperada para ajudar com todo o âmbito de uma enfermeira com sua Sabrina, mas também preocupada com sua missão, e Abby Quinn bem estranha de sensações com sua Adriane meio que jogada de lado, mas que ao final tudo se encaixa bem e o resultado acaba chamando atenção para o que seriam todos eles. E por último, mas sem esquecer dela, tivemos a garotinha Kristen Cui com trejeitos e sentimentos bem mais marcantes que todo o elenco com sua Wen, de modo que traz o envolvimento para ambos os lados e traz também algumas boas reflexões, ou seja, foi a que mais deu entrega para a trama toda.

Visualmente o longa se olharmos a fundo é bem simples com uma cabana isolada no meio de uma floresta, tendo poucos elementos cênicos para serem usados como cordas para amarrar os protagonistas, algumas armas estranhas, mas bem imponentes, alguns atiçadores de fogo e claro o pote de gafanhotos, de modo que tudo pode ter dupla função sendo simbólico como todo filme do diretor, mas aí o orçamento seria muito barato, então tivemos todas as tragédias, na maioria feitas na tela com muita computação gráfica, mas chamando bem a atenção para coisas possíveis de acontecer nos próximos anos, ou seja, tudo foi bem colocado pela equipe de arte seguindo claro a ideia completa do roteiro e funcionou bastante.

Enfim, é um longa que se assistido sem reflexão nenhuma é até simples demais, mas se juntar todos os pontinhos e pensar bem em tudo acaba tendo até um impacto de certa forma interessante, ou seja, vai ser o famoso filme ame ou odeie, que diria que até gostei bastante, mas que com toda certeza do mundo esperava muito mais, então fica a dica para ir aberto para pensar em tudo. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Perlimps

2/01/2023 01:05:00 AM |

O mais bacana de um filme de animação é que ele pode ser bonito visualmente para cativar os menorzinhos, e ter um conteúdo complexo para se refletir sobre guerras, sobre separações de grupos, vida e morte e muito mais, e se tem um diretor que tem acertado nesse estilo brincando bastante com coisas sérias de uma forma abstrata e completamente bem desenhada é o brasileiro Alê Abreu, que em 2016 conseguiu levar nosso país para o Oscar com "O Menino e O Mundo", e agora traz seu novo filme "Perlimps" estreando nos cinemas no dia 09/02, que brinca de uma forma lúdica com esses temas complexos, e que usando e abusando do visual recheado de cores, retrata o sentimento dos jovens quando são colocados nesse mundo de separações e guerras, pensando mais ainda em como tentar consertar algo que não tem conserto. Ou seja, é um filme bem abstrato, mas que funciona e passa a mensagem forte de uma maneira que alguns vão pegar e outros vão acabar deixando passar, mas que se bem refletido vai emocionar e convencer por completo junto da essência entregue.

O longa é uma aventura mítica e mágica em uma floresta densa, habitada por criaturas mágicas que se unirão para combater o mal. Em uma floresta mágica, Claé e Bruô são de reinos animais rivais, um do Sol e um da Lua. Mas, quando a floresta é ameaçada por máquinas mortíferas, os dois são enviados para achar os Perlimps, que podem ajudar a deter a força maligna que poderá destruir o local. De reinos diferentes e personalidades muito opostas, Claé e Bruô terão que se entender para prosseguir em suas missões, descobrindo que não é apenas a floresta que os une.

Diria que o diretor Alê Abreu soube usar tão bem as cores que acabou dando uma leveza para um tema pesado na tela de sua obra, pois usou cores tão vibrantes, quentes, e com um estilo que por vezes parece estar pintando uma aquarela na tela com tons marcantes em pinceladas aleatórias para um fundo e apenas trabalhando alguns traços mais corretos para representar os personagens, e junto disso tudo ele deu o tom conflitivo dos gigantes destruindo tudo na floresta, destruindo as pessoas e só fazendo guerra, colocou o ar infantil tentando buscar meios de entender como mudar isso e salvar seus lados, e ainda sendo de reinos opostos podendo se ajudar para conseguir tudo, ou seja, o diretor e roteirista trabalhou tudo de uma maneira tão intensa, mas sem pesar a mão para que todos se envolvessem bem, e esse acerto fez com que o longa não cansasse e ainda tivesse uma boa vivência, agradando quem estiver disposto a entrar no clima, e também cativar os mais jovens com as cores e mensagens simples que talvez pudessem pegar.

Não diria que os personagens Claé, Bruô e João de Barro foram tão bem desenvolvidos, pois são graciosos e passam até que bem suas mensagens, mas meio que foram um pouco jogados na trama, e não temos grandes sínteses para eles, claro que ao final muito é mostrado e dá para se entender o motivo de não ter uma apresentação mais próxima, mas diria que o estilo animado precisa de um pouco mais disso, senão o público não se conecta com os personagens. Sobre as vozes, diria que o acerto foi muito bom, pois Lorenzo Tarantelli como Claé, Giulia Benite como Bruô e Stênio Garcia como João de Barro deram tons bem diferentes de suas vozes originais e conseguiram trazer personagens próprios para o filme, o que acabou sendo bem interessante de ver.

Visualmente já falei e repito que é um longa belíssimo, cheio de cores e vida, parecendo até ser pintado à aquarela (o que espero que não tenha sido, senão imagino o trabalho imenso que foi feito), e tendo até alguns efeitos com as cores se alternando na tela que dão uma certa vertigem em alguns momentos, mas tudo é bem desenhado, tem estilo próprio e chama a atenção conforme vai se desenvolvendo, então o resultado são florestas cortadas, muros e tudo de forma bem limitada para apenas ir pontuando para o final marcante, então vale prestar atenção no trabalho dos artistas.

Enfim, não é um filme fácil, mas é bem interessante, tem todo o lado crítico bem acentuado e determinado na tela, e que vale a dica principalmente para a reflexão, mas também dá para levar a criançada, afinal as cores vão chamar a atenção, só o adendo de ir preparado para tentar explicar depois para eles, ou eles para os pais, pois vai ser necessário, e assim sendo fica a dica para a estreia no dia 09/02 nos cinemas. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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