Garoto dos Céus (Walad Min Al Janna) (ولد من أل جنة) (Boy From Heaven) (Cairo Conspiracy)

1/14/2023 02:17:00 PM |

Sabe quando você tem uma lembrança de muito tempo atrás e não sabe de onde é, hoje conferindo o longa "Garoto dos Céus" aconteceu comigo, e só depois que fui ler o material do filme que consegui entender de onde era, pois a trama trabalha algo que dificilmente vemos em filmes por aqui, que é uma faculdade de religião islâmica, que nos mostra o conflito entre religião e o Estado, usando pessoas pobres como influenciadores para algo maior que desejam, e isso é algo que acontece naturalmente em diversos lugares, mas me vinha toda hora a lembrança de algum filme que tinha toda essa pegada, mas de uma forma bem diferente, e eis que ao conferir o material nos é falado que o diretor tirou as ideias do romance "O Nome da Rosa", que é um filme de 1986 e por incrível que pareça estreou essa semana na HBO Max, ou seja, tudo se conectando no melhor estilo conspiracional. Mas vamos ao que interessa que é falar sobre o longa que está indicado pela Suécia ao Oscar de Melhor Filme Internacional ou Não Falado em Inglês, que ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes e tem uma pegada até que bem intrigante, com algo meio que de espionagem, meio que de intrigas e tudo mais que rola dentro dos bastidores de uma grande faculdade religiosa, e isso sempre consegue causar muito envolvimento para quem vai conferir, esperando saber como alguém vai fazer tal coisa, e funciona muito bem dentro do estilo, porém é algo que é muito diferente da nossa cultura, de forma que em alguns momentos você fica pensando nossa que estranho isso, mas é a vida deles e isso é algo que acho mágico no cinema, você poder conhecer mais culturas, mesmo que seja ficcional em partes.

A sinopse nos conta que Adam, filho de um pescador, recebe o privilégio de estudar na Universidade Al-Azhar do Cairo, o epicentro do poder do islamismo sunita. Pouco após sua chegada na cidade, a maior liderança religiosa da universidade, o Grande Imã, morre repentinamente. Adam logo se torna uma peça nesse jogo brutal pelo poder entre os religiosos egípcios e a elite política.

O diretor e roteirista Tarik Saleh já é figurinha carimbada por aqui, já tendo feito longas mais "normais" para o público do ocidente, como por exemplo o filme "Contrato Perigoso", e aqui ele desenvolveu algo mais fechado que muitos podem ser que nem entendam toda a dinâmica que a trama entrega, afinal é um país com praticamente dois governos: o religioso e o presidencial, então tudo envolve o poder que querem ter, envolve os militares, e claro que como toda briga por poder envolve que os pobres se lasquem, são colocados no meio das conspirações de maneira tão bem colocada que não percebam como estão sendo usados, e o diretor soube muito bem usar isso, soube dimensionar o tamanho de sua obra para que ela não ficasse caríssima nem falsa demais, e tudo é bem convincente dentro do que é passado, então diria que o motivo dele ter ganho o prêmio de roteiro em Cannes foi mais por conseguir passar toda essa mensagem conspiracional bem feita em um lugar que quase ninguém conhece do que pela história em si, pois se olharmos bem a fundo o roteiro é simples e já foi usado diversas vezes em outros filmes, mas essa novidade caiu muito bem no mundo moderno, e ao falar de suas inspirações fica nítido que soube colocar o passado e o futuro em algo que está acontecendo agora.

Sobre as atuações aí já entramos em algo meio complexo, pois tivemos alguns trejeitos, caras e bocas meio que estranhas de ver, e isso não é muito interessante, mas posso dizer que os protagonistas ao menos se esforçaram para chamar atenção, tendo claro o destaque para Tawfeek Barhom que fez de seu Adam um jovem simples e bem colocado, disposto a se entregar em todos os envolvimentos e conseguindo trabalhar bem a síntese da trama para o seu personagem, fazendo algumas caras sofridas demais, mas acertando de certa forma. Outro que foi bem usado foi Fares Fares com seu Ibrahim, entregando boas dinâmicas com o protagonista, sendo investigativo e bem direcionado nos atos mais densos, e conseguindo convencer no quê precisava, só soando estranho como um papel militar não tão rigoroso, mas não tem como saber como é isso por lá. Quanto aos demais, cada um apareceu um pouco dentro das devidas conexões, não indo muito além, mas sendo bem trabalhados ao menos, com leves destaques para Meudi Dehbi com seu Zizo, Ahmed Laissaoui com seu Raed, e Sherwan Haji como Soliman.

Visualmente o longa foi bem marcante ao mostrar uma faculdade islâmica, não sei dizer se gravaram lá dentro da  Al-Azhar que é toda cheia de regras, mas que ficou bem convincente, com as aulas bem imponentes em rodas sentados como se fossem orações mesmo, os diversos ambientes de rezas, uma boate cheia de homens dançando, um café aonde rolam as conversas de investigador e seus infiltrados, além de um quartel da secretaria de Estado meio artificial demais, mas que no contexto completo da trama tudo funciona bem, além de algumas cenas do protagonista pescando com seu pai e a casa simples deles.

Enfim, é um filme bem interessante que chama atenção por ser de uma cultura tão diferente da nossa, mas que tem boas conexões no quesito da briga pelo poder, então fica a dica para todos conferirem a partir do dia 19 em cinemas selecionados, e eu fico por aqui agora deixando meus abraços e até breve.


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Os Fabelmans (The Fabelmans)

1/13/2023 11:31:00 PM |

Sempre falo para todos irem conferir os filmes sem expectativas para não ter influência no que vai ser entregue, e o que acontece, lá foi o Coelho cheio de expectativas emocionais conferir "Os Fabelmans", e mesmo sendo um filme incrível para todo amante da sétima arte, acabei não saindo deslumbrado como imaginava que sairia, e não pôr o filme ter falhas ou não condizer com a toda a história do jovem Steven (ou melhor Sam), mas sim por esperar demais dele, e ser entregue algo correto, que é lindo de ver, que traz tudo o que sempre ouvimos de nossos familiares quando falam que ir conferir um filme é um hobby, fazer um filme mais hobby, e tudo mais que envolva as profissões artísticas que são chamadas de hobby pelos demais. Claro a grande base fica na relação familiar conflituosa, na desenvoltura de um jovem judeu que sofre bullying dos demais, mas vemos o olhar do garoto desde o primeiro dia no cinema até seu primeiro dia num estúdio realmente todo feliz após conhecer um grande nome, e isso é exatamente o que faz valer o filme para todo amante do cinema, ver o seu brilho se tornando realidade, e isso não tem preço. Antes da sessão onde conferi teve um depoimento do diretor Steven Spielberg que não sei se está passando em todas as sessões, mas o que ele diz em suma é um obrigado por ir conferir seu projeto mais pessoal numa sala de cinema, aonde a magia te conquista realmente, e toda a trama se desenvolve bem com isso, com os vários filmes do protagonista, com toda a conexão que tem com a mãe, mesmo descobrindo algo não tão bom de se descobrir, e o fluxo funciona bem, levando a arte e o fazer arte para o horizonte e além.

A sinopse nos conta que o jovem Sammy Fabelman crescendo no Arizona pós-Segunda Guerra Mundial, se apaixona por filmes depois que seus pais o levam para ver "O Maior Espetáculo da Terra". Armado com uma câmera, Sammy começa a fazer seus próprios filmes em casa, para o deleite de sua mãe solidária. Porém, quando o jovem descobre um segredo de família devastador, ele decide explorar como o poder dos filmes nos ajuda a ver a verdade uns sobre os outros - e sobre nós mesmos. Os Fabelmans é uma história vagamente baseada na própria infância do diretor Steven Spielberg, com um jovem aspirante a cineasta no centro da história.

Embora Steven Spielberg não afirme 100% ser sua história na tela do filme, temos muitas coisas em comum com quem já leu sobre ele, e o mais raro que temos é alguém roteirizar e dirigir a sua própria biografia, então a sacada de mudar personagens, colocar outros elementos, e assim fantasiar um pouco tudo para que ficasse mais emocional e conectasse talvez com a história de muitos jovens que fazem realmente o cinema acontecer deu muito certo, pois não tem quem assista ao filme e não se conecte com algo, e ele soube trabalhar elos práticos para mostrar a fantasia para o público, como é encantar e surpreender com algo, como eram feitos os efeitos especiais antigamente, e embasa tudo num relacionamento familiar aparentemente perfeito se ocultado as coisas que fariam mal para a família em si. Ou seja, ele pegou algo que poderia ser considerado até simples demais e deu um ganho tamanho que chega a ser difícil imaginar não levar vários prêmios, pois ele toca exatamente na ferida de todo crítico de arte que é o desejo oprimido de seguir carreira fazendo filmes, o olhar das pessoas em não acreditar que sua profissão dê certo e tudo mais nessa briga temática, mas que felizmente uma parte não sobrepõe a outra, e assim o longa comove, funciona, e mostra o motivo de Spielberg ser sempre o nome que qualquer pessoa pensa quando se fala cite o nome de um diretor, pois ele é perfeito no que faz.

Sobre as atuações tenho de começar pelo garotinho Mateo Zoryan que foi muito gracioso e seu olhar viciante em cima encanta demais, de modo que seu Sam é apaixonado pelo que vê na telona e pelo que consegue fazer depois, mas fica pouco em cena, pois logo assume Gabriel Labelle e esse botou a banca como um jovem cineasta destemido, fazendo diversos tipos de filmagens, sofrendo alguns abalos psicológicos e bullyings com a religião, trabalhando trejeitos e dinâmicas bem colocadas, de forma que agrada demais e chama muita atenção, sendo realmente o protagonista da história e cadenciando o filme como deve acontecer, ou seja, foi preciso e marcou presença. Michelle Williams sempre entrega atos bem marcados nos filmes que faz, e aqui sua Mitzi até acaba sendo um pouco exagerada demais, mas tem uma liberdade cênica muito envolvente e chamativa, de forma que acabamos nos conectando bem com sua personalidade. Agora assustadoramente foi ler nos créditos que o pai do garoto é o Paul Dano, pois aparentava ser um ator bem mais velho, e aqui ele trabalhou tão bem a personalidade de seu Burt que convence no que faz, tem uma paixão gigante pela esposa e dá bons elos para o filme, mas faltou ir além nas conexões com o garoto protagonista, pois teve algumas dinâmicas meio que artificiais ali. Tivemos ainda boas cenas de Seth Rogen com seu Bennie bem piadista e com fluxos mais fechados, tivemos a garota Chloe East divertidíssima com sua Mônica como uma religiosa fervorosa e bem explosiva, e até atos bem impostos pelos garotos da escola, mas sem dúvida valeram bem mais as duas pequenas participações do filme com Judd Hirsch fazendo um tio que fugiu da família para o circo e para o cinema, dando ainda mais vontades para o garoto, e claro o fechamento do filme com o diretor David Lynch interpretando a lenda do cinema John Ford bem rápido, mas brilhantemente feito.

Visualmente o longa é mágico, e entrega muito da magia do cinema com o garotinho indo pela primeira vez num cinema, vemos ele aprendendo a filmar sua cena predileta, depois vários pequenos filmes com as irmãs de protagonista, depois mais jovem fazendo filmes com os amigos escoteiros entre eles alguns bem interessantes de velho-oeste, de guerra com uma imponência monstruosa, e claro vários vídeos caseiros em acampamentos aonde tudo vira a chave, temos uma casa bem trabalhada nos detalhes e uma nova mudança de cidade, aonde temos uma escola bem colocada, um filme de praia com gravações incríveis, a casa da namoradinha e o baile, ou seja, tudo muito simbólico para fechar num estúdio de cinema que se o diretor quiser pode fazer uma continuação mostrando todos seus icônicos trabalhos, filmes e prêmios, mas aí vai ser outro trabalho para a equipe de arte, que aqui foi bem direcionada e conseguiu chamar atenção com o que devia.

Enfim, é um filmaço incrível que consegue emocionar bem, mas como disse fui esperando um algo a mais dele, então para mim acabou pesando um pouco, mas ainda assim é lindíssimo e recomendo sem dúvida para todos que amam o cinema em si, e querem conhecer um pouco mais da história do jovem Spielberg antes de virar diretor de cinema realmente, e só isso já faz valer o ingresso, só não diria ser o melhor filme do ano passado como já começou levando as premiações, que como disse o acerto foi no público alvo, então veremos o que vai rolar nas demais. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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I Wanna Dance With Somebody - A História de Whitney Houston (Whitney Hounston: I Wanna Dance With Somebody)

1/13/2023 01:37:00 AM |

O mais estranho de você ver uma biografia de alguém que você já viu e/ou conheceu bem é ficar tentando lembrar da pessoa, das coisas que aconteceram, observar se a atriz está entregando bem toda a personalidade imponente que a original foi, e por aí vai, mas Whitney Houston só existiu e existirá uma, pois o timbre de voz e o que ela fazia com suas canções é algo que não tem como se comparar, e felizmente a equipe não quis que Naomi Akie cantasse, apenas dublasse as canções e trabalhasse bem os trejeitos, pois seria desumano com a atriz, e claro com o público que se arrepiou com cada uma das canções. Dito isso, o filme "I Wanna Dance With Somebody - A História de Whitney Houston" é daqueles para ficar na memória, pois vemos a personificação da cantora na tela, seus clipes, seus shows, filmes e imponentes posturas na mídia foram tão bem construídos, que os 144 minutos acabam sendo até poucos para tudo o que nos é mostrado, claro que muita coisa foi omitida, muitos atos foram construídos para dar alma ao filme, mas diria que pelo menos uns 70 minutos de projeção meus pelos do braço ficaram arrepiados com tamanho realismo da representação que a atriz deu para tudo o que acontece na tela, e o melhor com uma voz muito semelhante à da cantora, então não vemos quebras e trocas de vozes, o que assusta ainda mais. Ou seja, se você é/foi fã da cantora vai amar cada minuto de tela da trama, e se você não for vai se envolver muito, pois mesmo sendo longo, o resultado completo foi muito bem feito.

Nem era necessária uma sinopse, mas ela nos conta a emocionante história de uma das cantoras de R&B mais famosa do mundo. A história de Whitney Houston desde sua jornada para sair da escuridão até o estrelato mundial.

Diria que a diretora Kasi Lemmons soube ser bem perfeccionista no desenvolvimento da obra roteirizada por Anthony McCarten, pois nos é mostrado toda a vida de Whitney como se estivéssemos a acompanhando lado a lado, vendo suas ambições, seu desenvolvimento, suas paixões e claro suas paranoias também, de modo que a diretora não deu margem para atos complicados e que saíssem da base conhecida da cantora, tanto que muitos fãs é capaz que não enxerguem nenhuma novidade na tela, mas sim tudo o que sempre foi mostrado pela mídia, mas a grande maioria não vai se lembrar de coisas de mais de 10 anos atrás, quanto mais do começo da carreira da cantora, e tudo é cheio de envolvimento e boa desenvoltura da atriz, de modo que nos shows e exibições ficamos até meio que pensando ser exibido o real ao invés da interpretação, pois gestualmente pelos trejeitos e com um lipsync tão perfeito vemos a boca da atriz cantando tudo com a voz original, e assim sendo é algo mágico que arrepia e tem muita personalidade. Ou seja, mesmo mostrando várias coisas ruins do fim da carreira dela, a maior parte do filme faz jus a uma homenagem linda e bem trabalhada, que o roteiro conseguiu captar bem todos os melhores atos, e a direção fez isso ter vida.

Sobre as atuações, posso dizer com todas as letras que Naomi Ackie impressionou demais com o que fez com sua Whitney em todas as épocas, trabalhando cabelos, maquiagens, figurinos e tudo mais que pudesse dar um incremento para que ficasse um clone da cantora, e seu gestual foi muito bem estudado, e claro que provavelmente nos bastidores ou para si a jovem cantou realmente para fazer o movimento da boca, e assim sendo deve ter sido lindo demais para ela ver aquele vozeirão explodindo em todas as canções com ela ali entregando tudo, ou seja, fico bem triste de não ver ela entre os indicados das premiações, pois foi muito bem em tudo, agora se queriam que ela cantasse pra valer já era abusar demais, afinal como disse no começo a Voz com letra maiúscula mesmo só a original Whitney Houston. Outro que impressionou demais pela transformação e pelo desenvolvimento nos atos foi Stanley Tucci, pois sinceramente não tinha reconhecido ele como Clive Davis com toda a maquiagem e o estilo que acabou entregando, sendo realmente um grande amigo da protagonista, e dosando conversas e atos com tanta precisão que acertou em cheio, ou seja, irreconhecível e perfeito demais. Ainda tivemos muitos bons momentos de Nafessa Williams como uma Robyn cheia de personalidade, com trejeitos marcantes e muita desenvoltura para se conectar quase como um elo único da protagonista, tivemos também Tamara Tunie como a mãe Cissy Houston bem marcante e cheia de estilo, outro que foi bem trabalhado nos trejeitos foi Ashton Sanders como um Bobby Brown malandro e imponente nas atitudes que ajudaram a afundar a personagem, e fechando o elenco secundário de forma perfeita Clarke Peters fazendo o pai John Houston que praticamente gastou toda a fortuna dela, fazendo atos bem marcantes e diretos que chamaram bastante atenção.

Visualmente o longa conseguiu representar bem no começo o começo de Whitney na igreja e como backing vocal da mãe nos shows que fazia, vemos muitas cenas na gravadora Arista Records tanto na sala de Clive recheada de referências quanto no estúdio de gravação bem trabalhado, vemos alguns clipes sendo feitos, mas principalmente shows gigantescos como o da abertura do Super Bowl de 1991, o medley no American Music Awards de 1994, o gigantesco show na África, e claro seu retorno na Oprah que não fizeram questão de colocar nenhuma atriz para representar a apresentadora, além claro da gravação do filme "O Guarda-Costas", ou seja, a equipe escolheu bem os melhores momentos, figurinos e tudo mais, sendo representativo claro sem mostrar como acabou acontecendo o seu fim.

A trilha sonora é bem fraquinha, contando apenas com 35 músicas que foram bem colocadas nos vários momentos sejam na íntegra ou em pequenos pedaços, mas totalmente representativa, e que aqui no link estão inteiras, ou seja, mais de duas horas para vocês curtirem, então só dá o play.

Enfim, a pergunta que não quer calar: é um filme perfeito? Não, pois como bem sabemos dublagens as vezes soam falsas, ninguém vai conseguir ser tão representativa como alguém que foi icônica e única, mas tudo é tão bom, tudo arrepia tanto que nem consegui tirar os olhos da tela na maior parte do filme, claro que faltou muita coisa, e também pegaram leve nos diálogos para não forçar tanto a voz da protagonista que certamente subiu bem o tom para se igualar a personagem, então não darei a nota máxima, baixando apenas um pontinho, mas ainda assim amei tudo o que vi na telona e recomendo demais para todos, então vá conferir. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Resistência (Resistance)

1/11/2023 01:43:00 AM |

Quem me acompanha faz algum tempo vê que vejo diversos filmes de guerra, das mais diversas e icônicas formas de mostrar o que rolou lá nos anos 40, e hoje eis que conferi um pouco da história do mímico Marcel Marceau que salvou várias crianças judias de serem mortas pelos nazistas, e que trabalhando em uma trama bem elaborada e forte, o longa "Resistência", que pode ser conferido na Netflix consegue chamar a atenção com boas interpretações, dinâmicas e ambientes bem encaixados cenicamente, e contando com atos rápidos sem muita enrolação ser direto no conteúdo emocional, pois como se bem sabe Klaus Barbie foi um dos maiores assassinos de Hitler, e sua imposição foi severamente direta na caça dos judeus franceses e o longa mostra bem tudo. Ou seja, é um filme representativo das duas pontas, tanto do mímico emocional quanto do soldado insano e todo esse miolo tem o gracejo das crianças e a simplicidade de movimentos bem marcados, e assim faz valer as duas horas de exibição.

A sinopse nos conta que antes de se tornar conhecido como o mundialmente famoso mímico Marcel Marceau, o aspirante a ator judeu Marcel Mangel se junta à Resistência Francesa durante a guerra. Ele concorda em participar de uma missão perigosa para salvar 123 órfãos judeus das garras dos nazistas e do implacável chefe da Gestapo Klaus Barbie e levá-los para um local seguro através da fronteira com a Suíça.

Diria que o diretor e roteirista Jonathan Jakubowicz foi daqueles que não quis trabalhar enrolações em seu longa, de modo que toda a essência da trama é entregue de maneira simples e crua, muito bem ambientado e representativo, de tal maneira que entramos completamente no clima do filme, acabamos nos envolvendo com todos os personagens, suamos frio com todas as cenas do vilão, seja na da piscina, do trem ou das árvores, sorrimos com toda a personalidade do protagonista entregando vivência e muito envolvimento, ou seja, o diretor soube nos cativar com cada detalhe de sua trama, não ficando enrolando, nem criando desenvolturas abertas demais, o que é maravilhoso de ver num filme desse estilo, então sem dúvidas alguma posso dizer que foi um trabalho excepcional do diretor tanto na forma de mostrar quanto na criatividade de montar tudo.

Sobre as atuações vou confessar que fiquei bem surpreso com o trabalho de Jesse Eisenberg, pois o ator sempre faz as mesmas expressões nos seus filmes, e aqui precisando fazer um mímico deu tanta personalidade para seu Marcel que nos envolve por completo com bons trejeitos, boas dinâmicas e principalmente sendo comum, algo que ele não costuma fazer, pois sempre exagera, ou seja, aqui ele foi incrível e deu um show com o que fez. Agora se nos apaixonamos por Matthias Schweighöfer nos dois filmes "Army of the Dead", aqui se prepare para ficar com muita raiva dele, pois o ator entrega tudo e mais um pouco com seu Klaus Barbie, sendo imponente e cheio de dinâmicas, fazendo um papel memorável que facilmente vai credenciá-lo para outros grandes papeis. Ainda tivemos bons atos de Clémence Poesy com sua Emma bem dramatizada e entregando envolvimentos para com o protagonista, Félix Moati incrivelmente fazendo o irmão do protagonista Alain, sem ter grandes nuances (o que é uma pena, pois ele é ótimo), e claro Bella Ramsey dando ótimos atos para sua Elsbeth emocional e muito bem colocada.

Visualmente a trama foi muito bem produzida, com cenas em castelos, em esconderijos, mostrando uma cidade de Lyon ocupada pelos nazistas, vemos toda a intensidade das cenas nos trens, na fuga pelos Alpes, além de cenas imponentes num hotel mostrando tanto uma piscina vazia aonde muitos foram executados, bem como uma sala de tortura preparadíssima para fazer as pessoas falarem, além de outros atos icônicos como pessoas denunciando os demais para serem livres e receberem algum dinheiro, ou seja, o filme foi bem simbólico, mas também bem realista, mostrando que a equipe de arte trabalhou bastante e entregou tudo o que precisava.

Enfim, um ótimo filme que chama muita atenção, e que facilmente entra dentro dos que valem a pena ser conferidos sobre a época da guerra, valendo tanto como um filme biográfico do mímico quanto do período de invasões dos nazistas, então fica a dica para o play, e eu fico por aqui hoje, voltando em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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HBO Max - Tempestade Infinita (Infinite Storm)

1/10/2023 01:11:00 AM |

Já estamos quase achando que vamos virar uma civilização aquática igual ao pessoal de "Avatar - O Caminho da Água" com o tanto que anda chovendo, que resolvi dar play hoje no filme que estreou no começo de dezembro na HBO Max, "Tempestade Infinita", e eis que como não leio nada sobre a trama antes de ver, o nome era apenas uma metáfora bem colocada no final para expressar o sentimento da protagonista com relação ao que aconteceu com ela no passado, mas isso é apenas mero detalhe desse bom filme que entrega algo interessante e bem dramatizado de uma mulher que não mediu esforços para salvar um desconhecido do congelamento, mesmo ele querendo ficar ali para se matar (que vamos saber só no final o motivo), e que trabalhando bem toda a intensidade do frio, do desespero oscilante na mente de alguém quase congelado, e da força de vontade de alguém para salvar, o resultado funciona e causa uma certa tensão, que mesmo não sendo algo perfeito, tem estilo e agrada bastante.

A sinopse nos conta que ao escalar o Monte Washington em New Hampshire, um alpinista experiente decide voltar antes do cume porque uma tempestade se aproxima. Mas na descida, ela conhece um homem solitário, perdido e inexperiente. O progresso é difícil, a noite cai e a tempestade se aproxima perigosamente. Para sobreviver, é uma verdadeira corrida contra o tempo para nossa dupla improvisada.

Diria que a diretora polonesa Małgorzata Szumowska soube segurar a trama com uma mão bem dura, pois os atos não tem qualquer abertura fácil para se desenvolver para o lado, sendo algo que tem envolvimento, mas não tem uma dramaticidade emocional, e isso é bom por um lado para criar a tensão, mas ruim para os atos finais, pois ali poderia dar uma quebrada maior no público, fazer escorrer uma lágrima com tudo o que aconteceu com a verdadeira Pam, e ainda assim sobraria espaço para os lados mais duros da trama. Ou seja, a forma que optaram por mostrar a vida de Pam Bales até ficou interessante de ver, mas dava para manter a tensão com um pouco mais de leveza, o que não aconteceu, então diria que o valor da diretora foi de criar um ambiente bem instável e tenso, que claro a dublê de Naomi Watts sofreu bastante, mas o resultado visual funciona melhor do que o emocional.

Sobre as atuações, sabemos o quanto Naomi Watts se envolve em filmes no meio de tragédias climáticas, e aqui fazendo o papel de Pam Bales soube dosar seus olhares nas cenas mais tensas no meio da montanha, e desenvolver sensações nas cenas de sua casa, para que o conjunto todo desse as respostas para o público, o que é bacana, pois num primeiro momento, logo que vai para casa próximo ao fim ficamos meio confusos com tudo, e depois nas suas falas as sensibilidades atravessam e envolvem bem, ou seja, foi forte e intensa chamando toda a responsabilidade para si e acertando em cheio nos atos que precisava aparecer. Agora quanto de Billy Howle fazendo um John completamente pesado para a protagonista carregar, se sou eu tinha deixado ele lá em menos de 5 minutos de filme, e o ator soube ser um mala sem alça da hora que a protagonista começa a ajudar ele até o final, ou seja, foi perfeito no papel de enrosco. Os demais foram apenas enfeites, então nem vale a pena pontuar.

Visualmente a trama é quase que toda passada no meio das montanhas, com muita neve, floresta, buracos, mais neve, roupas para esquentar, mantas térmicas, e mais neve, ventos, neve de novo , algumas cenas num rio que deveria estar ultragelado, eu falei neve também, ou seja, o longa certamente foi gravado num lugar de bem difícil acesso, que a equipe conseguiu ótimas imagens e até poderia ter ido mais além, mas conseguiu mostrar bem os hematomas e queimaduras da neve, trabalhou bem também as cenas da casa da protagonista, e o resultado agrada bastante.

Enfim, é um bom filme, com uma pegada emocional simples demais para tudo o que a base pedia, mas que funciona dentro da proposta, então para quem gosta de um filme com algumas metáforas e cenas bem marcantes na neve fica a dica para dar play na HBO Max, mas não espere muito dele, que não é algo tão surpreendente quanto poderia ser, então releve alguns atos meio exagerados, e curta tudo. E é isso pessoal, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Mubi - Aftersun

1/08/2023 11:41:00 PM |

Como ouvi falar muito do longa "Aftersun", logo que saiu no Mubi fiz questão de dar play nele, pois vários conhecidos haviam falado da beleza do longa, de toda a relação emotiva maravilhosa e tudo mais, então claro fui ver com as expectativas bem altas em cima dele (coisa que já falei milhares de vezes que não se deve fazer), porém a trama é algo emocional bem feito em cima da relação de um pai com sua filha, todas as boas sacadas e dinâmicas de alguns dias de férias da dupla, as descobertas da garota, as angústias do pai, e só, sem grandes conflitos ou desenvolturas que deem alguma cadência maior para o longa ou que prenda o público para um algo a mais. Claro que muitos verão o longa com olhares familiares e se enxergarão nele, e isso aumenta e muito a sensação de conexão, mas para pessoas comuns (como me considero) o resultado é apenas uma trama bonitinha que mostra as férias de um pai com sua filha, e nada além disso.

O filme nos mostra que no final da década de 1990, Sophie, de onze anos, e seu pai Calum passavam as férias em um clube na costa turca. Eles tomam banho, jogam bilhar e desfrutam da companhia amigável um do outro. Calum se torna a melhor versão de si mesmo quando está com Sophie. Sophie, enquanto isso, acha que tudo é possível com ele. Quando a jovem está sozinha, ela faz novos amigos e tem novas experiências. Enquanto saboreamos cada momento passado juntos, uma sensação de melancolia e mistério às vezes permeia o comportamento de Calum. Vinte anos depois, as memórias de Sophie ganham um novo significado enquanto ela tenta reconciliar o pai que conheceu com o homem que não conhecia.

Diria que a estreia de Charlotte Wells na direção e no roteiro de longa-metragens é algo até que muito bem feito, pois embora não tenha sido um filme que me atingiu, ele tem todas as funções dramáticas bem encontradas, traz toda a vivência familiar de conexão tão grande que existe entre um pai e uma filha, vemos o crescimento da jovem ao conviver alguns dias com o pai e conhecer mais dele, aprender com as coisas no ambiente, e tudo mais de uma maneira bem bonita de ser trabalhada, mostrando provavelmente todo o carinho que a diretora também teve em algum momento de sua vida, afinal geralmente esse estilo de roteiro vem muito das experiências. Ou seja, é um filme que diria ser correto e direcionado para pessoas com filhos e filhos que tiveram algum ato mais conectivo com seus pais, pois a trama enxerga tudo nesse elo sentimental e passa bem as mensagens da trama, porém os atos dos 20 anos após são muito rápidos e quase nem nos é mostrado em suma, e isso faz falta para quem não tiver essa conexão toda, e é onde poderia ser imensamente melhorado para chamar mais atenção dos demais que forem conferir.

Agora um fato incontestável sobre a trama é a atuação dos dois protagonistas, pois tanto Paul Mescal quanto Frankie Corio se doaram demais em todas as cenas, tiveram um carisma impressionante e desenvolveram todos os seus atos com muito carinho e determinação, parecendo realmente serem da mesma família, ou seja, acertaram em cheio no que precisavam fazer. E falando de Paul Mescal, o jovem ator está cotado para alguns filmes bem imponentes, e mostra o motivo com o que faz aqui com seu Calum, pois é daqueles personagens que trazem envolvimento para a tela e o ator conseguiu passar sentimento nos olhares, nos gestuais e teve uma química muito boa com a sua companheira de cena, de modo que o filme tem uma fluidez muito boa, e muito se deve dele não prender aos excessos que o personagem poderia ter. Essa foi a estreia de Frankie Corio nos cinemas com sua Sophie, e facilmente a atriz vai ganhar muitos papeis em Hollywood, pois a jovem tem um olhar meio que melancólico ao mesmo tempo que tem vitalidade nos atos, e isso funciona demais em todo tipo de personagem que desejarem comover, e assim ela conseguiu dar pontadas fortes nos diálogos, mas ao mesmo tempo ser sutil e isso agrada bem.

Visualmente a trama se passa quase que toda num hotel da Turquia, alguns atos em ônibus, idas à piscina, alguns atos no ambiente de lazer com um jogo de motos e uma mesa de sinuca, vemos também alguns atos em karaokês, shows e uma boate de luzes piscante, além de alguns momentos no aeroporto, mas o que vale o destaque mesmo são os atos filmados pelos protagonistas com uma câmera amadora, que traz alguns elos bem marcados, e acaba sendo até mais do que apenas um elemento cênico do filme, pois ali vemos as desenvolturas dos personagens e tudo o que é refletido pela memória da protagonista adulta, ou seja, a equipe de arte meio que precisou desenvolver bem os atos para cair na época em que se passa o longa, mas não foi tão acionada, então o resultado visual ficou bem trabalhado apenas.

Enfim, é um filme bonito como já disse pelas dinâmicas dos personagens, mas dava para facilmente ser bem mais pesado e emocional, que aí cairia para elos fortes e chamaria a atenção de um público maior, pois da forma entregue ficou algo apenas artístico, e daria para ter sido algo de impacto realmente, mas como é o primeiro trabalho da diretora certamente vai melhorar isso nos próximos filmes, e assim sendo vale a dica mais para quem tem conexões de pai/filha para entrar no clima, que aí vale o play. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Me Chama Que Eu Vou

1/08/2023 03:59:00 PM |

Conferir o documentário "Me Chama Que Eu Vou" sobre a vida de Sidney Magal é praticamente viajar pelos anos 70, 80 e 90, pois mais do que apenas um cantor, ele marcou a época com suas canções, foi adorado pelas mulheres e sempre esteve em pauta nos programas de entrevistas, de modo que o longa conseguiu trabalhar bem seu material e entregar para o público as canções icônicas que marcaram a época, suas roupas extravagantes e suas danças icônicas, bem como todas as desenvolturas e curiosidades que teve durante sua vida. Ou seja, é quase uma sessão de contos de causos pelo protagonista, ao abrir seu armário de memórias guardadas aonde vai criando uma narrativa bem bacana e interessante que prende o espectador, e isso é algo que funcionou bem no documentário quase que 100% narrado pelo protagonista, em algo gráfico bem pautado e que envolve por não ser linear, mas sim por ter estilo como ele, e que brincando nos leva nessa sua saga completa.

O documentário mostra a trajetória dos 50 anos de carreira de Sidney Magal, narrado por Sidney Magalhães. Os momentos mais significativos da vida do cantor, dançarino, ator e dublador que se tornou um ícone da música popular brasileira. O homem por trás do ídolo, sob o ponto de vista dos próprios participantes da história.

Já havia elogiado muito a diretora Joana Mariani em seu primeiro longa "Todas as Canções de Amor", e aqui ela mostrou muita desenvoltura ao capturar bem toda a emoção de Sidney Magalhães contando a sua vida e a de seu personagem Sidney Magal, e sendo uma amiga do cantor desde que dirigiu ele no clipe de "Tenho", ela conseguiu desenvolver todo o símbolo sensual que o cantor tinha na juventude, todas as dinâmicas em cima de materiais de arquivo desde jornais, revistas, até shows em grandes programas, passando no meio pelos musicais, novelas, filmes e tudo mais, ao ponto que vamos nos afeiçoando ao homem Sidney e sua família que entra para alguns depoimentos como a esposa e o filho. E o mais bacana é que tudo tem uma boa síntese, toda história acaba sendo um causo bem contado, e toda a intimidade do cantor é determinante para o bom envolvimento que conseguiram passar, de modo que mesmo sendo um documentário em primeira pessoa, com apenas o protagonista falando sobre tudo, não cansa como acontece na maioria de longas desse estilo, e assim o resultado funciona bem e certamente deve estar sendo usado para o longa ficcional que estão gravando sobre a vida do cantor. Ou seja, a diretora soube extrair tudo com muita paixão e capturar um material rico e muito bem editado para um resultado único e bem feito.

Pode até ser que os fãs mais aficionados pelo cantor já até saibam de metade das coisas que aconteceu, mas o mais bacana de tudo é ir vendo como mostraram a evolução dele, suas vontades e dramas que passou, saber do elo musical com sua mãe, da carreira internacional bem antes da nacional, dos shows em churrascarias e restaurantes, de como conheceu, se apaixonou e conquistou a esposa Magali, seus planos de filhos, a época que mudou de gênero e não conseguiu sucesso, e claro sua volta ao estrelato com a lambada. Ou seja, é um filme completo que foi muito bem dirigido e teve uma edição premiada de Eduardo Gripa que soube dar dinâmica e conteúdo para tudo o que a diretora desejava ver na tela.

Enfim, é um filme bem feito, cheio de grandes nuances e que funciona bem dentro do propósito de mostrar quem foi e quem é Sidney Magal, juntando tudo o que o cantor tem em seu armário das recordações com muito material que a equipe preparou, fazendo um bom documentário que vale a pena ser conferido a partir do dia 12 de Janeiro nos cinemas, e que quem for fã certamente sairá da sessão cantando seus clássicos, então fica a dica, e eu fico por aqui agora deixando meus abraços para todos.


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Olhos Famintos - Renascimento (Jeepers Creepers: Reborn)

1/08/2023 01:56:00 AM |

Certa vez me perguntaram se mesmo eu sabendo que um filme vai ser muito ruim por tudo que já foi falado lá fora se iria conferir, e a resposta que dei é a que dou quando falo mal de algum filme que todo mundo está amando, a crítica em si é a opinião de quem vê, que claro usa quesitos técnicos para argumentar o motivo que gostou ou não de tal obra, então irei ver mesmo grandiosas bombas como é o caso aqui de "Olhos Famintos: Renascimento", ou o famoso quarto filme da franquia do bichão que até hoje ninguém decidiu o que ele é realmente, e sim, ele é muito ruim, com cenas bizarras, cortes bruscos que parecem faltar pedaços (ainda estou procurando imaginar a cena final em qual momento decidiram fazer tudo o que fizeram, da forma idiota que fizeram!), e com atuações tão esquisitas que fico pensando se o cachê realmente compensou para estar envolvido com o longa. Claro que o colocaria dentro daqueles famosos filmes ruins que divertem de tão toscos que são, e assim sendo me vi gargalhando na sala do cinema algumas vezes, e isso é algo que falha demais, pois um terror tem de causar medo, tensão, arrepios, sustos, e não risadas, mas ao menos saí rindo da sessão enquanto alguns saíram bravos com as cenas finais principalmente, mas ao menos não assisti sozinho, pelo contrário, uma sessão de pré-estreia num horário ruim de sábado bem movimentada, ou seja, a galera gosta de coisas toscas mesmo!

O filme se desenrola quando o festival Horror Hound realiza seu primeiro evento na Louisiana, onde atrai centenas de geeks, malucos e fãs de terror obstinados de toda parte. Entre eles está o fanboy Chase e sua namorada Laine, que é forçada a vir para o passeio. Mas à medida que o evento se aproxima, Laine começa a experimentar premonições inexplicáveis e visões perturbadoras associadas ao passado da cidade e, em particular, à lenda local/mito urbano The Creeper. À medida que o festival chega e o entretenimento encharcado de sangue se torna um frenesi, Laine acredita que algo sobrenatural foi convocado e que ela está no centro disso.

Não sei se foi proposital, afinal alguns diretores gostam de pegar filmes que já vem em decadência e piorar eles, mas o diretor Timo Vuorensola conseguiu um feito raro que foi fazer piada com um filme que já tinha ficado ruim no terceiro longa, e agora no quarto que era para ser algo meio reboot, meio que iniciação de novo do personagem, conseguiu ficar desastroso, e não por ser algo sem muita história, pois isso nenhum deles teve, mas por forçar a barra em cenas estranhas, colocar forças gigantescas em pessoas que não entregam nada, e ainda errar a mão nos elementos computacionais deixando um ar mais falso ainda para tudo, ou seja, é a famosa pá de cal no caixão da saga, aonde agora nem dá para desenterrar e tentar reviver tudo, ou será que dá? Afinal dando um leve spoiler na última cena vemos o bichão vivo novamente, então é aguardar e ver no que vai dar, pois se numa pré paga já tinha um bom público, não duvido de dar movimento quando entrar nos horários normais.

Sobre as atuações é até desesperador falar do que os atores fizeram, pois tentaram fazer expressões de medo em cenas que não tinha nada amedrontador, em outras pareciam contentes com o que viram sendo algo tenso, e por aí vai, mas dá para relevar, afinal aceitar fazer um filme desse naipe é algo que precisa estar muito endividado, então vou dar destaque para Jarreau Benjamin que ficou bem caracterizado de Creeper, trabalhando trejeitos e ações de maneira bem intrigante, e diria que até chamou bem a atenção para si. Outra que foi esforçada ao menos foi Sydney Craven com sua Laine, ao menos se entregando bem para os atos, mas fazendo algumas cenas meio que exageradas demais. E o fanatismo de Imran Adams para que seu Chase fosse considerado um geek exagerado de coisas de terror acabou incomodando mais do que ajudando, ou seja, forçou a barra. E quanto aos demais, a apresentadora torci logo para ser devorada que era boba demais, o produtor se machuca, mas na cena seguinte está correndo que é uma beleza, a mística dona da loja de vudu é bizarra demais para crermos nos seus atos, então vale falar apenas de Peter Brooke como um caipira bem cheio das atitudes com seu Stu, mas nada que fosse chamativo. E o destaque ultra negativo ficou para o papel de Gabriel Freilich com seu Sam pilotando um carrão e resolve parar para mijar, até aí ok, mas qual a necessidade de se embrenhar bem longe do carro, no meio da floresta se a estrada mal cabe o carro dele e está totalmente vazia? 

Visualmente o longa também é bem estranho, com um começo de certa forma bem clássico, com estilo dos senhores sendo quase atropelados pelo caminhão gigante, toda a pegada tensa e tudo mais, depois começa a desandar com a loja mística cheia de elementos estranhos, vamos para uma festa com poucos figurantes meio que espalhados para dar volume em tendas, alguns personagens famosos, um hotel meio que sem ninguém, mas que nem é mostrado ser um hotel mesmo, alguns pássaros computacionais bem toscos, e claro a casa de Creeper, tensa no meio de um cemitério, com vários elementos para serem usados, uma vitrola que toca sem energia, entre outros objetos cortantes que acabam sendo usados. Ou seja, a equipe de arte ao menos trabalhou bastante.

Enfim, se você for fã do primeiro filme e até gostou um pouco do segundo é melhor ficar longe desse e do terceiro, mas do contrário serve para rir e reclamar de coisas bem toscas, afinal é necessário ter um parâmetro para falar depois quais foram realmente os piores filmes do ano, então se você gosta de bizarrices, vá e faça bom proveito, ao menos a bilheteria dos cinemas irá ficar feliz. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto logo mais com mais textos, então abraços e até breve.

PS: Até valeria uma nota menor, mas como já fui esperando o pior, acabei rindo de vários atos e foi um bom passatempo.


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Netflix - O Pálido Olho Azul (The Pale Blue Eye)

1/07/2023 01:37:00 AM |

Se tem algo que gosto bastante é conferir longas de mistérios para tentar adivinhar tudo antes do protagonista, e quando colocam uma boa densidade dramática junto, criando as perspectivas em cima dos personagens o envolvimento fica ainda maior, pois é fácil demais errar por completo toda a ideia. E mesmo sendo baseado em um livro de sucesso, o longa "O Pálido Olho Azul" aparentava no fechamento ter o desfecho simples demais que os longas de mistério da Netflix entregam, porém deram uns poucos minutos de respiro e conseguiram surpreender com uma boa reviravolta interessante que conectou tudo, mas que certamente poderiam ter trabalhado menos personagens na história, pois em determinado momento da trama já parecia que iam usar todos os cadetes possíveis do exército e trabalhar a história de cada um na tela, mas logo que o cerco fecha, a dinâmica fica bem melhor. Ou seja, está longe de ser um filme genial, mas as atuações dos protagonistas funcionam demais e o resultado acaba sendo agradável.

A sinopse nos conta que em 1830, um detetive é contratado para investigar, com muita discrição, o terrível assassinato de um dos cadetes da Academia Militar de West Point. No entanto, o código de silêncio dos cadetes se mostra um obstáculo incontornável para a investigação, fazendo com que o detetive peça a ajuda de um dos alunos da academia: um jovem que entraria para a história como Edgar Allan Poe.

O mais bacana de tudo é a forma que o diretor e roteirista Scott Cooper brincou com a trama do livro de Louis Bayard que já tinha brincado com a história de vida do grande escritor Edgar Allan Poe, pois as tramas misteriosas do escritor que sempre foram recheadas de códigos, de crimes e de trabalhos mais fechados e densos já fluem naturalmente, então usar ele como um protagonista numa trama com olhares amplos é algo que acaba sendo bacana, as investigações não foram tão jogadas, e principalmente nos foi entregue algo que não ficou enrolando, pois mesmo sendo longo tem estilo e boas dinâmicas, só diria que poderiam ter economizado nos personagens, pois alguns foram quase que apenas jogados na tela para nada, o que certamente no livro tem muito mais para ser mostrado, mas num longa daria para fechar em pelo menos uns quatro a menos que daria o mesmo impacto e agradaria bem mais.

Sobre as atuações é fato que grudamos nossos olhares em Christian Bale, e ele não desaponta com seu Augustus Landor, de tal maneira que faz um detetive meio canastrão e até seco demais, mas que o papel pedia e até o fim nos é entregue um pouco mais do motivo dele ser desse jeito, e com nuances práticas e até algumas forçadas de barra o resultado chama atenção e até quem sabe desejamos uma continuação de antecedência mostrando os outros crimes que solucionou e são falados logo no começo pelo coronel da Academia. Claro que fui pesquisar um pouco e realmente Edgar Allan Poe foi cadete da Academia Militar de West Point nos EUA, e aqui Harry Melling deu bons trejeitos para o papel, soube brincar com toda a desenvoltura do personagem, ser sagaz quando precisou e dinâmico com estilo, de forma que acaba indo até por alguns elos de lado, mas funciona demais e é isso o que importa. Ainda tivemos papeis mais fechados como o de Timothy Spall como o superintendente da Academia e Simon McBurney com seu Capitão Hitchcock e claro toda a família estranha Marquis com o pai médico vivido por Toby Jones, a mãe bizarra vivida por Gillian Anderson, a filha doente que Lucy Boynton deu boas nuances e o filho feito por Harry Lawtey, mas sem grandes chamarizes ou impactos durante o longa inteiro, somente nos atos finais sendo mais diretos, e ainda tivemos quase que duas participações rápidas de Robert Duvall como um ocultista bem trabalhado, mas que ficou só de enfeite mesmo para a trama.

Visualmente o longa é bem escuro, mas cheio de sombras e nuances para dar o ar misterioso, figurinos bem densos e rebuscados para dar a época, e claro ambientes bem próprios para filmes de mistério como florestas, mansões imponentes com muitas velas, cabanas, e claro todo o contexto da Academia Militar, com os diversos treinamentos e casernas aonde os jovens vão para afogar o dia na bebida, ou seja, tudo bem trabalhado e sem grandes requintes, valendo reparar bem em todas as pistas entregues desde a primeira cena para tentar acertar o mistério por completo, afinal a equipe de arte nesse estilo de filme sempre trabalha a favor do espectador.

Enfim, é um filme digamos interessante e bem feito, que acredito que poderia ter ido mais além ou eu fui conferir ele com expectativas demais, mas agradou ao menos, só temos de pontuar o que já falei várias vezes de fechar mais a quantidade de personagens, senão acaba virando uma série/novela e o diretor mais se perde do que entrega algo funcional. E assim sendo recomendo ele para quem gosta do estilo, mas deixo a dica de ir sem esperar muito, que aí talvez o resultado seja melhor, e fico por aqui hoje, voltando o quanto mais breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Emily

1/06/2023 01:12:00 AM |

Gosto quando diretores trabalham um ar ficcional em cima de uma biografia para que ela flua para outros rumos e ganhe emoções mais interessantes do que apenas uma vida pacata familiar, mas geralmente esse ato frutífero da imaginação de alguns roteiristas acabam funcionando para dar dinamicidade e desenvoltura para que a trama crie novas ideias, que brinque com o público e que ousando de certa forma não bagunce tanto com tudo. Pois bem, o que a ex-atriz e agora diretora e roteirista de primeira viagem Frances O'Connor fez foi brincar com a ideia de uma família de escritoras e trabalhar de onde a mente de Emily Bronthë tirou tudo para conseguir escrever o clássico literário "O Morro dos Ventos Uivantes", que já conta com mais de 50 adaptações para o cinema, dando algumas dinâmicas do livro na vida própria da garota, mostrando sua timidez e os diversos atos conflitivos. Porém, fazer esse estilo de brincadeira é algo para pessoas bem experientes, o que não é o caso de O'Connor, então a trama ficou além de bagunçada, presa em dinâmicas que não fluíram bem, ao ponto que me vi olhando para a hora duas vezes durante a sessão de 130 minutos, ou seja, ficou algo alongado que cansa um pouco o espectador. Sendo assim, não diria que é algo ruim de ver, mas que acabou faltando um peso maior na mão dela para que o filme tivesse mais vida, e impactasse tanto quanto na cena da máscara, pois aí sim tendo algo desse estilo seria perfeito.

A sinopse nos conta que o mundo quer que ela seja quieta e obediente, mas Emily Brontë tem uma imaginação forte e uma voz que anseia por ser ouvida. Enquanto se recusa a fazer o que esperam dela, Emily vive um amor doloroso e proibido com Weightman e mostra que pode até ser estranha e rebelde, mas é também genial.

Já disse aqui que não sou contra atores virarem diretores e roteiristas, apenas tem de saber pegar algo mais simples para começar e não inventar muita coisa, e aqui Frances O'Connor até tinha grandes chances de ir além, bastava entregar a história real da vida de Emily Bronthë que já seria algo bem gigantesco e cheio de reviravoltas, mas quis enfeitar, quis colocar um pároco no meio de tudo, trabalhar drogas e rebeldias, criar conflitos entre familiares e tudo mais, o que acabou virando mais algo novelesco do que um filme com uma proposta mais marcada. Claro volto a frisar que não é algo ruim, e nem que a diretora/roteirista falhou, pois a ideia em si foi bem elaborada, o que acabou faltando foi dinamizar tudo para que o resultado convencesse mais, e isso é algo que com experiência ela irá pegar mais para frente.

Sobre as atuações, diria que Emma Mackey deu uma pegada bem interessante para sua Emily, de forma que a jovem tem olhares contundentes, tem dinâmicas bem trabalhadas, soube dosar o envolvimento com cada personagem ao seu redor, e fluiu muito bem com tudo o que o papel pedia, porém faltou o principal que não é culpa dela, a escritora é famosa por seu livro, então isso deveria ter sido usado ao máximo, e não apenas em três ou quatro ceninhas jogadas, e isso pesou bastante, mas no que dependia da atriz, foi bem feito. Oliver Jackson-Cohen trabalhou bem seu Weightman criando boas desenvolturas e sendo bem direto nos atos junto da protagonista, não deixando o ar ficar nebuloso e chamando a responsabilidade para si, de modo que embora seja um personagem que aparentemente não existiu na biografia real da protagonista, conseguiu chamar muita atenção e envolver com o que fez. O estilão de Fionn Whitehead caiu muito bem no papel de Branwell, pois conseguiu dar ares de bêbado que o irmão da protagonista tinha sem recair para algo fora de si, e assim mostrou muito envolvimento para o papel, fez olhares bem ciumentos e até apaixonados, agradando e fluindo bem. Quanto os demais, acredito que a diretora viu que viraria uma novela realmente se trabalhasse mais eles, então ficaram bem em segundo plano tanto o pai vivido por Adrian Dunbar, quanto as irmãs vividas por Alexandra Dowling e Amelia Gething, mas não decepcionaram nos atos que precisaram dar um algo a mais, então ficaram como figurantes de luxo para a trama.

Visualmente o longa que trabalha o começo dos anos 1800 na Inglaterra, mais precisamente em Thornton, tem um ar rural clássico, tem figurinos pesados (chega a ser até engraçado o tanto de roupa que os personagens precisam tirar numa cena mais quente!), e muitos ambientes bem trabalhados nesse meio, desde as bisbilhotadas dos jovens nas casas alheias, a escola para onde as garotas vão para estudar a licenciatura e lecionar, muitos atos na igreja, em cabanas e tudo mais do estilo de vilas, que chama a atenção com bons elementos cênicos, mas que como já disse faltou trabalhar mais o feitio do livro em si, as doenças da família e assim o resultado cairia melhor, mas a equipe de arte trabalhou bem para um filme digamos simples.

Enfim, é um filme interessante e bem atuado, mas que se alongou mais do que deveria em alguns atos e correu demais aonde deveria ter trabalhado mais, o que acabou cansando um pouco, mas ainda assim vale a recomendação para imaginarmos um pouco a mente das mulheres mais rebeldes dos anos 1800, aonde sempre vemos algo mais fechado e tradicional, então fica a dica. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Os Reis do Mundo (Los Reyes Del Mundo) (The Kings of The World)

1/05/2023 01:03:00 AM |

Não costumo gostar de filmes introspectivos que não entreguem dinâmicas bem posicionadas, mas o colombiano "Os Reis do Mundo" conseguiu me prender bastante até o final, sem causar sono, e ainda assim ser daqueles que não dão grandes nuances para se envolver, porém a trama que tem base no cinema marginal, mostrando jovens de rua em busca de algo seu por direito, fazendo praticamente um road-movie até a terra prometida, enfrentando tudo, todos e até eles mesmos com as ânsias e intensidades, de tal forma que mesmo não sendo algo que nos ligássemos pela gênesis em si, entramos no mesmo mundinho deles, sentimos seus medos e forças, e vivenciamos o que tentam passar, mostrando que a diretora deu voz para os jovens, mas também imprimiu sua voz na tela, e isso acabou sendo tão brilhante que o filme arrebatou vários prêmios e foi o indicado da Colômbia ao Oscar 2023, mas assim como o Brasil já ficou fora no primeiro corte, o que é uma pena, pois tem estilo e funciona, e que mesmo sendo exageradamente artístico, sem cunho algum comercial chama a atenção e envolve no que se propõe.

O longa acompanha cinco jovens e a humanidade marginalizada e excluída que busca um lugar no mundo. Este é um filme sobre desobediência, amizade e a dignidade que existe na resistência. Rá, Culebro, Sere, Winny e Nano são cinco meninos das ruas de Medellín. Cinco reis sem reino, sem lei, sem família, deixam a cidade e se aventuram nas profundezas do interior colombiano em busca da terra prometida: terra que Rá herdou de sua falecida avó. Os cinco formam uma espécie de clã fraterno no qual devem seguir seu caminho em um mundo paralelo sem leis. Ao fazer isso, eles defendem ideais como amizade e dignidade, mas também mostram desobediência e resistência.

Diria que a diretora e roteirista Laura Mora Ortega soube ser bem direta no que desejava entregar para sua trama, pois mesmo indo por uma linha de jovens rebeldes, sem muito rumo, que apenas querem a curtição e a base familiar deles são o que conhecem entre o que fazem, mas todos em busca de algo que fixe seu território, e com um tendo uma herança de terreno, o jovem leva esses amigos/irmãos consigo, e essa densidade fica bem clara no que a diretora acaba passando, que por mais introspectivo e reflexivo que sejam alguns dos momentos da trama, o resultado acaba sendo bem encaixado e traz boas nuances dinâmicas. Ou seja, é daqueles filmes que como disse no começo não nos leva para algo que imaginamos como seja, e assim por não termos essa vivência acreditamos no ar ficcional que o longa entrega, mas se pararmos para refletir vemos que muitos jovens de rua têm essa vontade e essa essência, e assim o resultado abre a mente e faz valer os minutos de tela.

Sobre as atuações, diria que o quinteto de jovens foi muito bem selecionado, tendo apenas o mais velho do grupo (Culebro) atuado em outras produções, então fizeram uma boa estreia com olhares e nuances bem desenvolvidas, passando emoção nas dinâmicas soltas e nos envolvimentos entre eles, de forma que certamente irão seguir carreira e chamar atenção mais para frente. Mas vou destacar dois que foram além, com claro o principal Carlos Andrés Castañeda com seu Rá cheio de imaginação, disposição e atitude, mas com nuances calmas e tranquilas, disposto a ir até o fim para conseguir algo que é seu, e o jovem soube dosar bem cada momento para que não ficasse forçado, claro sendo muito bem dirigido para isso. E o outro que me chamou até mais atenção do que o personagem principal foi Cristian Campaña com seu Winny pequenino e imponente, cheio de marra e disposição para os conflitos, mas também bem pronto para segurar os atos mais marcantes, ao ponto que certamente vai ser muito chamado para mais filmes, pois tem estilo. Ainda tivemos Brahian Acevedo com seu Nano bem discriminado pela cor da pele, mas que não teve tanto trabalho dialogal, e Davison Florez como um emocionado Sere que acabou sendo mais usado nos atos finais, mas também focou mais nos olhares do que nos diálogos, e claro como já falei o mais experiente dos cinco, Cristian David Duque com seu Culebro, que já fez muitos filmes e séries e soube dar mais força em alguns atos, mas nem por isso ficou desconexo do grupo.

Visualmente a equipe de arte conseguiu trabalhar meio que de segundo plano, não travando os ambientes nem conduzindo tudo como um road-movie tradicional, ao ponto que vamos andando com eles seja nas bicicletas, nos caminhões ou andando, passando por bordeis, por casas de criminosos, de mendigos e até de esquecidos pela sociedade no meio do nada, mostrando claro muitos dos perigos das ruas e claro dos mineiros no final do longa, usando muitos artifícios de vivência mesmo e simbolizando tudo o que fosse possível, o que deu um bom charme para a produção toda, mesmo tudo sendo bem sujo.

Enfim, é um filme que não vai chamar a atenção de muitas pessoas, e que é bem diferente do costumeiro comercial que muitos dão play na Netflix, mas dê uma oportunidade para a trama, se envolva e viva com os garotos, e o resultado certamente vai surpreender, pois como já disse, mesmo sendo extremamente artístico, não cansa e funciona bem, então fica a dica. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Segredos de Guerra (Firebird) (Tulilind)

1/04/2023 12:59:00 AM |

Sabemos bem que relacionamentos são complicados, e que nem sempre tudo rola bem quando temos algo conflitivo às escondidas, e numa época aonde ter qualquer tipo de relação homossexual era considerado um crime monstruoso, um piloto e um jovem soldado acabaram tendo um convívio intenso, e sendo uma história real diria que souberam dosar até que bem todas as dinâmicas de "Segredos de Guerra", trabalhando os envolvimentos de um modo mais sutil, mostrando bem todas as dinâmicas das tropas e as devidas conexões, para que a trama não ficasse só nos protagonistas, e embora isso tenha sido um artifício tanto para contextualizar o público, quanto para que o filme não ficasse tão forte no conteúdo sensual/sexual, o resultado acaba sendo algo envolvente, mas também simples. Ou seja, é uma trama interessante e bem intrigante, que parece faltar com algo a mais, mas que agrada e incomoda mais por ter tantos personagens falando inglês na antiga União Soviética do que realmente a sexualidade dos protagonistas, e isso dava para ter sido mudado, e principalmente daria chances para a Estônia ter um filme forte na concorrência de prêmios por filme internacional.

O longa é baseado na história real que deu origem ao livro “A Tale About Roman”, retratando um triângulo amoroso proibido entre o jovem soldado Sergey, o ousado piloto de caça Roman e sua companheira Luisa, em meio ao ambiente perigoso de uma Base Aérea Soviética, no auge da Guerra Fria. À medida em que a amizade entre os dois homens se transforma em amor, eles arriscam suas vidas e sua liberdade ao confrontarem um regime rígido e conservador.

Diria que o diretor Peeter Rebane foi bem conciso na história que tinha em mãos, afinal vindo a base de um livro conseguiu junto do ator Tom Prior determinar um bom envolvimento e um desenvolvimento bem criativo e dinâmico para que o personagem tivesse um algo a mais a mostrar, e a grande dinâmica do filme está no carisma que vemos na relação, não apenas como algo emocional, mas sim pelas conexões artísticas, pelo conteúdo dramático bem encaixado, e principalmente pela posição em si, que já de cara dá para pegar todo o problema do jovem com o amigo no passado, e assim vamos seguindo para tudo o que acaba rolando nos vários anos mostrados. Ou seja, a direção foi eficiente em não ficar presa em clichês e conseguiu fazer com que o filme tivesse um ar bem diferente dos tradicionais, mas para isso precisou abrir o leque e gastou certamente mais do que um drama romântico simples gastaria, com muitos elos de época, e principalmente sem usar grandes efeitos computacionais. Sendo assim, não colocaria o longa como algo romantizado, mas sim um drama bem alocado com elos sentimentais e sensuais, que agrada pelas escolhas feitas, porém que poderiam ter sido mais usadas, e nisso o diretor economizou.

Sobre as atuações, diria que Tom Prior tem muito estilo e conseguiu fazer muito bem o personagem nas várias épocas em que o longa se passa, trabalhando seu Sergey com muito envolvimento e desenvolvendo trejeitos bem marcados, que claro foram bem orientados pelo verdadeiro Sergey antes de morrer em 2017, ou seja, foi criativo e emocional, e soube não ficar preso a um estereótipo, de modo que seu carisma marca presença e agrada bastante. Já Oleg Zagorodnii desenvolveu algo mais fechado, porém bem colocado com seu Roman, de modo que traçou elos emocionais simples, mas diretos em olhares e desenvolturas, o que acaba chamando muita atenção nas suas cenas, e também agrada bastante. Ainda tivemos bons atos de Diana Pozharskaya com sua Luisa, meio que sempre em segundo plano, mas importante demais na história toda pelas dinâmicas em si, e claro Margus Prangel sempre olhando torto para os protagonistas com seu major, além de alguns atos soltos de Jake Henderson como Volodja que foram bem direcionados, ou seja, o elenco trabalhou bem para que os protagonistas tivessem o foco total, e assim funcionou bem.

Como já disse a equipe poderia facilmente abusar de cenas mais baratas, mas optou por mostrar todo o treinamento e desenvolvimento das tropas na Guerra Fria, e com isso temos atos com aviões, armas, alojamentos, figurinos bem trabalhados, mas tudo condizendo perfeitamente com a época e com os momentos, que claro deram um tom a mais para o filme, mostrando que a equipe de arte soube usar tudo em seu benefício e agradar, além de cenas depois numa Moscou bem trabalhada no inverno, com mais roupas ainda de época e boas montagens teatrais.

Enfim, é um filme bem denso e que consegue passar bem a representatividade e o carinho dos personagens representados, que sendo uma história real nem daria para enfeitar muita coisa, mas que conseguiram simbolizar bem e envolver com tudo o que é entregue, só diria que faltou um pouco mais de emoção nos atos, que aí sim resultaria em algo mais perfeito, mas vale bem a dica para a conferida a partir do dia 05 em cinemas de várias cidades. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Globoplay - Guerra Oculta (Black Site)

1/02/2023 01:08:00 AM |

Costumo falar que alguns diretores estreantes desejavam mostrar tanta coisa em suas obras iniciais que acabam se perdendo e forçando a barra, pois se olharmos a fundo a história do longa "Guerra Oculta", que estreou por esses dias na Globoplay/Telecine, veremos que a base até que é boa, tem uma pegada tecnológica de espionagem, toda uma revolta em cima de agentes duplos e boas dinâmicas num esconderijo que é praticamente um labirinto de vários andares, mas tudo foi construído de uma forma tão cheia de computação gráfica que ficou um pouco artificial demais, e muito do que ocorre acaba soando falso pelas atitudes dos personagens. Ou seja, é daqueles filmes que você até tenta torcer pela protagonista, se diverte com alguns atos violentos bem feitos, e até acredita na possibilidade de terem criado uma prisão tão bem elaborada para ser filmada, aí começam a ter só cenas fechadas, e você já ignora tudo e apenas curte o passatempo entregue, e para melhorar, ainda dão a deixa de uma continuação, ou seja, vamos ver o que acontece, e se algum dia surge, mas não tenho tanta crença assim.

O longa nos mostra um grupo de oficiais baseado em um labirinto secreto deve lutar por suas vidas contra Hatchet, um brilhante e infame prisioneiro. Quando ele escapa, sua agenda misteriosa e mortal tem consequências terríveis e de longo alcance.

Diria que temos um erro duplo de exagero aqui, pois tanto a diretora Sophia Banks quanto o roteirista Jinder Ho são estreantes em longa metragens, então provavelmente Ho sonhou com coisas mirabolantes e Banks foi e comprou a ideia, fazendo algo que não precisaria de tanta tecnologia e desenvolvimento, nem imagens computacionais tão forçadas, mas entregaram assim e ficou parecendo até uma novela de emissora ruim com tanta coisa desenhada num filme digamos "realista". Ou seja, volto a frisar que a ideia de um criminoso misterioso é bem interessante, o desenvolvimento de mudança de lado de alguns também, e toda a desenvoltura criada chama a atenção, mas dava para fazer sem precisar ficar tão "fictício" para agradar mais. 

O mais engraçado de tudo é que temos bons atores para uma história assim digamos bagunçada, e Michelle Monaghan entregou boas dinâmicas como uma analista da CIA disposta a brigar muito para saber quem matou seu marido e sua filha num atentado, ao ponto que sua Abby até chama a responsabilidade muitas vezes, e soa até forçado ganhar algumas lutas e imposições, mas fez bem o que precisava, e agradou de certa forma. Jai Courtney foi bem brucutu como costuma ser nas tramas com seu Miller, e até chega a soar irritante alguns de seus atos, mas o ator dá o tino certo que deveria fazer para o papel, e o resultado funciona. Já Jason Clarke é praticamente uma máquina violenta desenfreada com seu Hatchet, ao ponto que vemos lutas, sabotagens e tudo mais que fosse possível com uma desenvoltura rápida e imponente que chega a chamar até atenção, só faltando uns diálogos melhores para que o personagem tivesse conteúdo, mas isso não foi culpa dele, e assim fez bem o que foi mandado fazer. Quanto aos demais, tivemos bons momentos de Phoenix Raei com seu Uri e alguns atos bons de luta de Pallavi Sharda com sua Tessa, mas sem darem grandes nuances para o filme, apenas sendo quase protagonistas e indo bem no que precisavam fazer.

Agora visualmente a instalação é incrível com várias celas e ambientes bem trabalhados, computadores tecnológicos, uma sala de servidor bem marcada, um ambiente recreacional amplo e com muitos detalhes, muitas armas, facas e elementos prontos para servirem para as brigas e matanças, uma escada gigantesca que leva às antenas, e muita areia num deserto computacional bem estranho, e aí é que fica a deixa, pois com a qualidade das imagens se nota que tudo é falso, e assim o filme ficou sem muita base, o que não agrada, mas ao menos a equipe de arte tentou bastante acertar, e fez grandes explosões em muitas cenas.

Enfim, é um filme que volto a dizer que dá para passar um bom tempo assistindo, pois é curto com apenas 93 minutos, mas que merecia um trabalho melhorado para ficar mais realista e intenso, então quem estiver com tempo sobrando pode dar um play descompromissado se não for esperar muita coisa. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Gato de Botas 2 - O Último Pedido em 3D (Puss in Boots: The Last Wish)

1/02/2023 01:06:00 AM |

Se o primeiro filme do gato lendário me surpreendeu demais com histórias, desenvolturas e muitos elos divertidos, nessa sua nova jornada diria que faltou um pouco de vontade dos diretores e roteiristas para entregar algo que cativasse mais o público, de modo que "Gato de Botas 2 - O Último Pedido" acaba sendo uma trama com muito movimento, lutas, corridas, bagunças e vários personagens, alguns até bem fofos e outros meio que jogados na tela, mas seu miolo não se desenvolve tanto como deveria, e ao ponto que ficou parecendo algum preparativo para um terceiro filme ou mais uma trama de Shrek, já que o final do longa dá ensejo para esse último momento. Ou seja, não digo que seja algo ruim, pelo contrário tem momentos icônicos bem divertidos que fazem o público gargalhar na sala, mas faltou um algo a mais na história para que ela não ficasse tão simples de contexto, o que acaba cansando quem for esperando algo dele.

No longa o Gato de Botas descobre que sua paixão pela aventura cobrou seu preço: por conta de seu gosto pelo perigo e pelo desrespeito à segurança pessoal, ele queimou oito de suas nove vidas. Com apenas uma vida restante, o Gato precisa pedir ajuda para uma antiga parceira - que atualmente é sua rival e inimiga mortal, Kitty Pata Mansa - para continuar vivo. Então, o destemido bichano parte em uma jornada épica pela Floresta Negra para encontrar a mítica Estrela dos Desejos, capaz de proporcionar o legendário Último Desejo e restaurar suas nove vidas.

Se passaram 11 anos desde que vimos o filme solo do Gato de Botas, e lá o diretor Chris Miller vinha com a bagagem do último Shrek sabendo bem o que desejava fazer com o gatinho famoso, e aqui ficou parecendo que Joel Crawford recebeu uma encomenda e sem conhecer muito a base da trama fez algo corrido, sem praticamente apresentar os personagens, jogando tudo na tela de forma que digeríssemos tudo de uma forma mais fechada e sem grandes atos marcantes, ou seja, vemos um filme que tem boas sacadas, tem músicas e personagens viciantes, mas que provavelmente amanhã já nem lembraremos do que a história desenvolveu, o que não aconteceu no passado, pois até hoje lembramos de tudo seja de qualquer um dos filmes do Shrek ou até mesmo das cenas do Gato com o ovo dourado no filme dele, e isso é algo que poucos diretores sabem como criar que é a representação de uma boa história que fixe no público. Volto a falar que o filme aqui entregue não é ruim, apenas demoraram demais para fazer uma continuação, e não se preocuparam em segurar o carisma para outros filmes, sendo algo simples demais para um personagem que é complexo.

Quanto dos personagens, é bem bacana ver todo o ego lá em cima do Gato de Botas e sua decadência quando vai para a casa cheia de gatos, ao ponto que a voz de Alexandre Moreno combinou demais com toda a personalidade, foi cheia de nuances e certamente não desapontou em nada do que Antonio Banderas fez na versão original, ao ponto que diverte bem, cria bons tons, e o personagem tem as devidas oscilações que o filme pede, passando desde atos memoráveis, toda uma decadência bem trabalhada, atos de medo e tudo mais, ou seja, o personagem faz o filme dele, e agrada com as vozes escolhidas. Embora tenha sido colocado como alívio cômico, Perrito ficou bem colocado nos atos, teve um bom envolvimento e chamou várias cenas para si, ao ponto que poderiam ter usado mais os elos emocionais dele, pois o personagem tinha carisma para isso, e foi muito bem dublado na versão nacional por Marcos Veras que deu um tom meio maluco para o personagem, e que acabou funcionando. Já tínhamos visto muitos aos de Kitty Pata Mansa no primeiro filme, e aqui a personagem teve alguns bons atos também, mas usada meio como personagem secundário, o que não chama tanta atenção, mas Miriam Ficher deu bons tons de vozes para ela, agradando com estilo. O personagem do lobo da morte foi dublado na versão original pelo brasileiro Wagner Moura, que tem uma voz rouca bem puxada e certamente deve ter dado um tom a mais para o papel, mas na versão nacional veio com a voz de Sérgio Moreno, que também foi bem, mas era esperado que Wagner fizesse seu papel nas duas versões, pois funcionaria mais, e quanto do personagem, pode ser que ele assuste os menorzinhos na sessão, já que é bem intenso de atitudes. Ainda tivemos bons momentos com a família de ursos e a Cachinhos Dourados que é dublada por Giovanna Ewbank, e um gigante maluco colecionador de objetos mágicos que deu um bom vilão para a trama, mas nada que surpreenda muito.

Quanto do visual, tivemos atos com bons desenhos, paisagens interessantes e muitas cores para fazer com que os pequenos entrem no clima da trama, além de muitas cenas com atos dinâmicos e todo um contexto funcional para o resultado, porém tivemos alguns atos estranhos, aonde tudo pareceu meio que com desenhos rabiscados, com elementos cênicos não tão chamativos, e isso pesou um pouco a mão, mas não atrapalhou, apenas diria que o ritmo foi muito oscilante, com atos rápidos demais e outros lentos em excesso, o que não fez o clima funcionar tanto. Quanto do 3D, posso dizer fácil que quem ficou sem os óculos não se incomodou com nada borrado na tela, pois dá para contar nos dedos de uma mão a quantidade de cenas com efeitos funcionais na tecnologia, ou seja, quem não quiser gastar a mais pode ir tranquilamente nas sessões 2D que vai ver o mesmo filme.

Enfim, é um bom filme, mas bem simples e bobinho, que tem alguns motes emocionais, mas que não são tão aprofundados, usando algumas bases familiares e também todo o elo do ego/lenda que o gato tem, então levem os pequenos e se divirtam, só não vá esperando ver algo melhor que o longa de 2012, pois lá sim foi algo muito bacana e divertido de ver. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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