A Ilha Esquecida (Forgotten Island)

9/24/2026 11:38:00 PM |

O longa "A Ilha Esquecida" ficou em pré-estreia por duas semanas, e incrivelmente eu não consegui conferir ele antes da estreia oficial, e olha se arrependimento matasse, eu estaria mortinho, pois que animação gostosa de ver, com um propósito bem marcado, interações dinâmicas bem encaixadas, personagens interessantes em uma trama completamente diferente do tradicional, de modo que a criançada vai se divertir com as cores e com algumas entregas do começo e do miolo, mas quando a proposta parte para um lado mais denso nos atos finais diria que a trama fica adulta até demais, o que não é ruim de forma alguma, mas nem toda garotada irá pegar as referências, então talvez percam a paciência e não se envolvam mais tanto. Ou seja, é o estilo Dreamworks de trabalhar temas sérios com uma pegada mais explosiva e divertida que funciona demais, aqui usando bem trejeitos que vem chamando a atenção já faz tempo nos mangás e com uma dinâmica mais intensa bem desenvolvida o resultado final brinca com memórias e símbolos, que acaba agradando demais no resultado final.

O longa se passa nas Filipinas na década de 90 e acompanha duas melhores amigas de infância chamadas Jo e Raissa que prometem permanecer juntas para sempre. Recém-formadas no ensino médio, as duas agora, porém, seguirão caminhos distintos, com Raissa prestes a se mudar para os Estados Unidos. Enquanto celebram sua última noite juntas, as duas acabam encontrando um portal misterioso que as transporta para a fantástica ilha de Nakali. De repente, as duas se encontram rodeadas de criaturas mágicas e mitológicas retratadas nas histórias tradicionais contadas por suas famílias filipinas. Mas o fascinante lugar esconde uma pegadinha brutal: suas memórias gradualmente desaparecem quanto mais tempo você permanece lá dentro. Logo, quando descobrem que as lembranças de toda a sua amizade são o preço a pagar para voltarem para casa, as amigas correm contra o tempo para encontrar uma forma de deixar a ilha antes de se esquecerem uma da outra para sempre.

É interessante ver que os diretores e roteiristas Joel Crawford e Januel P. Mercado souberam olhar para um estilo que era visto somente em desenhos orientais, e que ao desenvolverem uma trama alegre e cheia de nuances conseguiram criar aquele algo a mais para que nos envolvêssemos com dinâmicas sobre amizades e sínteses emocionais, pois temos muitas mensagens na trama, claro sem perder a essência explosiva e divertida de cores e personagens diferenciados. Ou seja, vemos um trabalho que tem muita cara de diretor com experiência de anos, mas com uma pegada mais intensa e criatividade de novatos, aonde tudo funciona bem, tudo tem formas (não tantas texturas) e assim com ângulos e traços ousados o resultado expande e agrada demais.

Quanto aos personagens só tenho a dizer que raramente vi protagonistas conduzirem tão bem suas tramas na tela, de modo que tanto Jo com seu ar mais explosivo sem pensar em nada se jogando por completo em tudo, quanto Raissa mais centrada, porém querendo muito arrumar a confusão que entraram, demonstraram em suas dinâmicas personalidade e segurança, sendo daquelas que não conseguimos tirar os olhares, mesmo tendo outros personagens mais bonitinhos e bobinhos para tentarem dar as quebras, ou seja, não vemos na tela personagens carismáticos que nos conectemos facilmente, mas sim entregas tão boas que você acaba assimilando e se envolvendo do começo ao fim. Valeria citar muitos outros personagens bacanas, entre eles a vilã e os amigos que acabam fazendo durante a jornada, mas quem mais me atingiu pela forma de falar e o visual foi a Batiba, sendo daquelas personagens marcantes e intensas nas atitudes que você fica pensando o quanto o roteirista e diretor pensou para criar, pois tem de tudo ali e funciona demais.

Visualmente o longa é bem colorido e cheio de elementos mágicos para pegar bem entre os menores, mas também tendo uma preocupação com não ter apenas coisas jogadas, mas tudo fazendo muito sentido como os tapetes mostrando o que elas fizeram na noite anterior, várias fotos, os berloques das pulseiras para representar os momentos vividos por elas, toda a construção dos seres míticos, e muito mais, mostrando que a equipe de arte trabalhou bem centrada para que cada detalhe fizesse parte de algo muito maior, e assim sendo o acerto em cores mais escuras para os atos mais densos e cores mais vivas para as dinâmicas mais felizes acabou dando muito resultado na tela.

Enfim, não é uma animação fácil de se assimilar, muito menos algo pesado demais para desandar e sair pensando em mil coisas após a conferida, mas tendo traços diferentes do usual, e uma história potente acabou sendo marcante e valendo demais a recomendação para todos. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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