Amazon Prime Video - King Ivory: Vício das Ruas

9/27/2026 01:42:00 AM |


Sabemos bem o quanto o mundo do tráfico é gigantesco mundo afora, e embora os EUA passem um ar de certinhos, lá existem gangues e grupos variados que vendem e consomem os produtos de outros países, e essas rixas entre eles acaba sendo até algo complexo que na variedade de preços quem acaba levando a pior são os usuários. A ideia em si do longa "King Ivory - Vício das Ruas", que pode ser conferido na Amazon Prime Video, até tem uma dinâmica interessante em cima dos grupos e dos usuários que por vezes até são filhos de policiais do grupo anti-drogas (como é o caso do protagonista), mas tentaram movimentar e colocar tantas dinâmicas, pessoas e grupos que acabamos nos perdendo na amarração novelesca que acaba acontecendo, levando muito pouco para realmente algum tipo de filosofia maior como a que é colocada nos últimos atos. Ou seja, é o famoso filme que o diretor quer mostrar tanto serviço que se perde no miolo e tenta enfeitar no final para que o lado moral funcione, mas isso é algo meio impossível de funcionar, e assim o resultado acaba sendo mediano demais.

O longa é um thriller sobre a epidemia de fentanil que assola os Estados Unidos. King Ivory é o nome que a substância fentanil ganhou nas ruas. A trama se passa em Tulsa, no estado de Oklahoma, e acompanha o combate policial ao tráfico na figura do agente Layne West. Junto com seu parceiro Ty e o investigador do FBI Beatty, Layne torna seu trabalho a missão de sua vida. Prender os responsáveis pela comercialização não é apenas uma ambição profissional, mas um desejo pessoal, já que, por uma coincidência infortuna, seu filho Jack se torna uma vítima do vício em fentanil. Layne, então, se vê no meio de um lucrativo e internacional negócio que envolve cartéis, gangues, imigrantes e detentos, além de conspirações e complôs dentro de penitenciárias. Nesse drama de ação é revelado os passos de toda uma cadeia de comércio ilegal de droga, demonstrando seus efeitos nefastos para a sociedade.

É interessante que o estilo do diretor e roteirista John Swab é o de fazer filmes de ação policial, então poderia ter ido ainda mais além no combate, sem precisar enfeitar tanto ou ter tantos personagens "principais", pois o filme acaba se dividindo em tantos vértices que você fica pensando se vai torcer para o rapaz que queria ser médico, quase morreu no caminhão e virou motorista de drogas, se vai querer entrar mais na relação complexa do garoto com a família e as drogas mexendo na sua cabeça, se vai conhecer um pouco mais do ex-detento explosivo e sua família após a saída da prisão, ou então na caça do policial ao principal traficante de fentanil, e essas várias subtramas juntas até se complementam, mas não encaixam como um viés funcional que agradasse para uma história maior, fazendo apenas com que o filme ficasse longo e o diretor não pudesse explorar tanto as situações.

E já que o filme tem tantas sub-histórias, se eu ficar falando de personagem por personagem e ator por ator vou passar a noite aqui escrevendo, então vou focar no protagonista James Badge Dale que fez um West imponente e cheio de expressões com suas prisões e dinâmicas, mas nada que empolgasse muito. Também preciso citar Jasper Jones como um Jack interessante, mas que como seu personagem não é tão desenvolvido acaba ficando um zumbi drogado desesperado quando vê o que as drogas causam realmente. E Ben Foster totalmente diferenciado com seu George "Smiley", que tendo um aparelho na garganta para falar, talvez merecesse um desenvolvimento maior para chamar mais atenção, pois sua frieza é imponente e consegue chamar muita atenção na tela, mas apenas acaba sendo jogado nas situações. E para fechar a lista colocaria ainda Graham Greene fazendo sempre bons personagens de nativos, aqui como um líder da facção indígena dentro da cadeia trabalhou bem suas expressões, enquanto Michael Mando fez um traficante explosivo com seu Garza, mas meio que estranho demais com seu cabelo pintado na cabeça.

Visualmente o longa não tem muito o que mostrar na tela com um lado artístico, tendo uma prisão tradicional norte-americana com os detentos usando o tradicional uniforme alaranjado, policiais com suas fardas sem muitos detalhes, caminhões com imigrantes tentando cruzar a fronteira México-EUA, carros com drogas vendendo normalmente como se fossem balas, algumas fábricas caseiras de drogas e nada mais, sendo bem básico aonde a equipe de arte nem gastou muito do orçamento.

Enfim, é um filme mediano que tem uma proposta talvez mais de mostrar os problemas das drogas atuais como um todo dentro da sociedade, mas que ao atacar tantos lados acabou não acertando nenhum direito, e isso acabou resultando em algo novelesco demais e sem grandes chamarizes para conectar como poderia. Sendo assim fica a minha recomendação de play apenas se não tiver nada melhor para conferir, e fico por aqui hoje, voltando em breve com mais textos.


0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...