Telecine - Manas

9/14/2025 06:57:00 PM |

Fico tão bravo quando bons filmes não chegam no interior para conferirmos e depois acabam aparecendo em premiações, sendo possíveis indicados do país para concorrer à prêmios e tudo mais, ainda mais com a onda de voltas de filmes antigos só para dar bilheteria, mas felizmente hoje existem os streamings da vida, e eis que chegou no Telecine o longa "Manas", que está entre nossos possíveis candidatos a ser indicado ao Oscar, saindo amanhã a definição de qual longa iremos mandar para os votantes. E o que falar do filme, ao mesmo tempo que pouco, temos de falar muito, pois é daquelas tramas que você sente tantas coisas com o que acontece na tela, que vê que o mundo cão está cada dia pior, e que infelizmente é a realidade de muitas famílias e jovens do Norte do país, que se não vão para a vida sexual por meio das balsas de trabalhadores, acaba sendo abusada pelos próprios familiares, e contando com uma interpretação minuciosa, a diretora extraiu olhares tão expressivos de todos os protagonistas, que você vai montando tudo na mente, pensa em outras possibilidades, mas só sente nojo e raiva, afinal ninguém quer ajudar a fundo, ou melhor, nem dá para ajudar bem ao certo. Ou seja, é um filme denso, porém singelo de intensidade, que talvez com um olhar mais impactante sai do belíssimo para o crucial, mas que vale a indicação, pois quem sabe com mais pessoas olhando o buraco que é isso, alguém consiga mudar a situação.

O longa apresenta a história de Marcielle, uma jovem de apenas 13 anos inserida em um meio repleto de violências dentro da periferia onde mora. Moradora da Ilha de Marajó, no Pará, junto com o seu pai, Marcílio, sua mãe, Danielle, e três irmãos. A menina sofre com a perda da sua irmã mais velha Claudinha, que partiu para bem longe de onde moravam após arrumar um homem que circulava pela bacia hidrográfica que banha a região. Marcielle, agora mais experiente com a vida, começa a ter uma percepção diferente em relação às suas idealizações. Ela entendeu que as mesmas estão presas em um ambiente marcado por dor e sofrimento. Preocupada com a irmã mais nova e ciente de que o futuro não lhe reserva muitas opções, ela decide confrontar a engrenagem violenta que rege a sua família e as mulheres da sua comunidade.

Diria que o trabalho da diretora e roteirista Marianna Brennand foi muito bem feito para uma documentarista, que é de onde proveio, mas como diretora de ficção ainda precisa um pouco mais de fechamento, pois seu longa evidencia bem tudo, funciona dentro da proposta, tem a pegada bonita e sutil para denunciar o que acontece por lá, mas ficou faltando aquela pimentinha a mais para que o sabor do longa ficasse indigesto realmente como a situação pede, pois alguns vão enxergar todas as ideias subliminares que o longa entrega, mas outros vão apenas assistir e talvez nem vão se indignar com nada, o que é inadmissível. Claro que ainda temos um filmão imponente na tela, dinâmicas fortes e densas, mas tudo é calmo demais, tudo é leve demais, que também para preservar a protagonista a não passar pelas situações em si, mas dava para ter ido um pouquinho além que causaria mais impacto e chamaria ainda mais atenção, como uma boa ficção deve ser, ao menos não deixou que o final ficasse solto, tendo uma cena bem marcante, mas dava para o miolo ser ainda mais cru.

Quanto das atuações, posso dizer que a jovem Jamilli Correa foi muito bem selecionada para seu primeiro trabalho nas telonas, fechando o olhar e sendo densa de tal forma que sua Marcielle parece até emburrada o tempo todo, mas também com tudo o que sofria não dava para querer ser alegre, e a jovem não desapontou em momento algum, chamando para si a responsabilidade cênica de um filme desse porte, e assim mostrou que tem potencial para seguir na profissão, veremos mais para frente se realmente deu liga. Rômulo Braga fez de seu Marcílio, o tradicional homem machista do fim do mundo, que não aceita as coisas, mas faz as coisas, e seu jeito aparentemente dócil é pesado de ver nas atitudes secundárias, ou seja, fez bem também. Já Fátima Macedo fez de sua Danielle uma mãe conivente dos atos, e mais do que isso, daquelas ciumentas com a situação em si, e dessa forma a atriz foi segura demais na difícil entrega e dinâmicas que foram poucas, porém fortes, ou seja, soube amarrar bem o que precisava na tela. Quanto aos demais, a maioria apenas fez as devidas conexões com a família, e principalmente com a garota, valendo um leve destaque para Dira Paes como uma delegada, que é a única a enxergar realmente o problema com a garota.

Visualmente o longa mostra bem o mundinho das famílias ribeirinhas, com casas simples, a família abarrotada de filhos, pouca comida, muito do que colhem tentam vender para comprar outro tipo de insumos, vendinhas pequenas aonde fica a única TV da cidade, a escola rudimentar, crianças sem material precisando aproveitar o que dá, as várias redes para a família dormir com toda a referência de uma quebrada para o pai aproveitar da garota, e muitos barcos andando pelo rio atrás das balsas aonde o clima esquenta, além de uma boate na beira do rio também, ou seja, tudo bem simples e explicativo na medida certa para representar e simbolizar na tela.

Enfim, é um filme-denúncia que funciona bem, que tem seu lado documental bem proposto e chamativo, que como disse vale chegar num público maior para quem sabe algum dia isso seja mudado, e como ficção valeria talvez um pouco mais de densidade dramática para impactar, mas ainda assim é algo muito bem feito e que mostra que nosso cinema tem ido para rumos incríveis, basta manter e ir pra cima. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda vou dar play em mais uma cabine, voltando logo mais com o texto, então abraços e até breve.


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O Último Azul

9/14/2025 02:29:00 AM |

Nada tem me feito tão feliz nesses últimos anos quanto a mudança do cinema brasileiro, que antes só focava em comédias bobas e dramas novelescos, de tal forma que começamos a ver nossa arte aparecendo mais em festivais e premiações famosas, e claro que com isso mais investimentos e o ciclo virando algo que quem sabe um dia até vire uma indústria como em outros países, afinal se temos tanta tecnologia para novelas premiadíssimas, porque não termos também filmes premiadíssimos. Mas claro que isso também seus contras, afinal começamos a ir assistir aos nossos filmes com expectativas maiores do que elas deveriam ser, e isso já disse aqui diversas vezes que é o maior problema de conferir esperando muito, e um filme que certamente seria excelente acabamos achando apenas ok. E cá está o nome da vez, pois tanto se falou de "O Último Azul" desde que levou algumas premiações em Berlim, que praticamente fiquei maluco para ver o longa depois de ver o trailer com uma proposta maluca de que na velhice você deveria ir para uma colônia obrigatoriamente independente se quisesse ou não, com seus filhos assumindo todo o controle sobre você, e até recebendo uma recompensação por entregar os pais lá, ou seja, algo completamente fora da casinha, e hoje tive a oportunidade de finalmente conferir, e o que posso dizer que sim é um ótimo filme, com intensidade e dinâmicas bem colocadas, com atuações marcantes e uma história bem trabalhada, mas que não me fez apaixonar e sentir tudo o que imaginava que sentiria vendo ele. Ou seja, segue ainda sendo um tremendo exemplar de nosso novo cinema, com algo diferenciado e tudo mais, mas que pareceu faltar um brilho maior, principalmente no fechamento, ao menos para mim, mas acredito que quem for conferir com a mente mais aberta e sem estar esperando tanto irá se envolver bastante, então fica a dica.

O longa nos mostra um Brasil distópico possui uma política de exílio forçado contra seus idoso. A ideia é permitir que os jovens possam produzir sem se preocupar com os mais velhos, assim, o governo transfere esse grupo para colônias habitacionais onde eles possam "desfrutar" de seus últimos dias de vida. Entra em cena Tereza, uma mulher de 77 anos que mora numa cidade industrializada na Amazônia. Quando chega sua hora e ela recebe um chamado do governo para abandonar sua casa e residir na colônia, Tereza deseja realizar seu último desejo antes de ser compulsoriamente expulsa de seu lar e enviada para longe. Ela, então, embarca numa viagem pelos rios e afluentes da região, sem imaginar que essa viagem mudará o rumo de sua vida para sempre.

Um diretor que tem trazido longas bem diferenciados nos últimos anos é Gabriel Mascaro, e se o seu último filme foi extremamente polêmico por mexer com a bancada religiosa, aqui ele resolveu polemizar com os idosos e as políticas públicas para esse público, de modo que seu artifício de desenvolvimento foi bem curioso e cheio de nuances, mostrando quase que um road-movie para a protagonista conhecer um pouco mais dela mesma e do mundão escondido no meio da Amazônia, aonde teria jogos diferenciados, pessoas que estão dispostas a dar golpes e denúncias e claro também aproveitadores, mas também tem aqueles que estão dispostos a ajudar e se envolver, aonde o diretor conseguiu ser até bem sensível com toda a proposta da trama, e fez com que seu filme não fosse cansativo nem apelativo, mas sim algo fluido e com uma dinâmica definida aonde o público praticamente viaja com a senhora protagonista, que tenta entender um pouco de tudo o que está vivendo em sua vida, no seu país e com os demais que estão vivendo apenas. Claro que ele poderia ter ousado um pouco mais, mas o resultado funciona e chama atenção, sendo que talvez um final mais marcante colocaria o longa num patamar acima, porém ele preferiu a sutileza, e assim também ficou bonito de ver.

Quanto das atuações, Denise Weinberg segurou sua Tereza com muita personalidade, sabendo pontuar em todos os atos com trejeitos fortes e dinâmicas tão precisas que você acaba se afeiçoando por completo às suas vontades, querendo ver ela voando realmente com seu sonho, e até ficando bravo com tudo o que ocorre ao seu redor, de modo que a artista foi precisa e em momento algum precisou de suporte dos seus parceiros cênicos, fazendo com que o filme fosse praticamente todo seu. Rodrigo Santoro deu nuances interessantes para a "primeira" viagem da protagonista com seu Cadu, mostrando para ela o tal do caracol da baba azul, se mostrando em cena com dinâmicas bem colocadas, mas sem ir a um espectro que pudesse lhe engrandecer na tela, deixando sua presença bem encaixada para todos os demais momentos da personagem, mas sem sobrepor uma vírgula que fosse. Adanilo é um ator que vem sendo bastante usado, e tem mostrado personalidade no que faz, de modo que seu Ludemir até tenta enganar a senhorinha, mas acaba ensinando mais sobre o mundo dos jogos que ela irá usar depois, e o jovem foi simples e bem colocado. E para finalizar o elenco ainda tivemos Miriam Socarras com sua Roberta cheia de traquejos e nuances, sabendo dominar o ambiente com um sorriso amplo, e sendo uma boa parceira para os últimos momentos da protagonista, criando uma sinergia bacana de ver entre elas sem soar forçado nem nada.

Visualmente o longa tem seus momentos estranhos e divertidos com o carrinho da polícia cidadã no melhor estilo das carrocinhas de cachorro, só que com idosos, tivemos todo o lado estranho do embarque para a colônia em algo bem cheio de tradições e claro a crítica social bem colocada nas imagens de um país que valoriza seus idosos, mas a grande base é o passeio pelos rios amazônicos, passando por vários tipos de barcos, vilas e casas, tendo ainda algo que nunca imaginei que veria como uma rinha de peixes, e até bíblias em vidro, ou seja, a equipe de arte trabalhou bastante para que a loucura do diretor e roteirista fluísse e funcionasse na tela.

Enfim, é um filme que funciona no que propõe a entregar, que como disse se eu não tivesse com tantas expectativas em cima dele, acredito que teria gostado até mais do que vi, porém faltou eu me apaixonar pela essência em si, e assim sendo apenas achei ele algo bom e diferenciado dos padrões, que vale recomendar para enaltecer o nosso cinema, mas que talvez pudesse ter um final melhor e mais impactante para aí sim ser perfeito por completo. Então fica a dica para quem puder conferir, afinal é temos de valorizar o nosso cinema para que ele continue tendo tramas diferentes do usual, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Canal Adrenalina Pura - A Perseguição (Six Jours)

9/13/2025 01:35:00 AM |

Quem me acompanha sabe que sou um extremo defensor do cinema francês, de onde provém obras que sempre me impressionam seja dentro de festivais ou de tramas mais comerciais, e que vivo repetindo que quem seguir a escola francesa faz sucesso em qualquer outro país, claro que há exceções que já falei por aqui também de algumas bombas que já apareceram, mas felizmente são raros os casos. E cá hoje estou muito feliz após conferir "A Perseguição", longa que estreia dentro do Canal Adrenalina Pura na próxima quinta (18/09), pois a trama brinca com as facetas de suspense investigativo que curtimos acompanhar, aonde toda a essência brinca com o público, e que só não ficou mais perfeito por faltar tensão nos atos de busca, ficando um pouco frouxo nesse sentido, porém é um tremendo filmaço que não duvido que daqui alguns anos apareça mais versões dele em outras línguas, já que é um estilo universal: o de sequestros de crianças e a busca pelos culpados. Ou seja, é daqueles longas que você tenta interpretar os sinais junto com os investigadores, pensa como agiria se fosse os protagonistas, e até se indigna com o desmonte final, pois não cheguei a pensar na entrega final, mas até que foi uma forma inteligente de fechamento, mesmo que talvez um pouco forçada.

A sinopse nos conta que anos depois de não conseguir resolver o assassinato de uma jovem, um detetive se vê obrigado a reabrir o caso quando um crime semelhante acontece. Faltando apenas 6 dias para o caso ser definitivamente arquivado, ele sente o dever de solucioná-lo e evitar que outra criança sofra o mesmo destino.

Diria que o diretor Juan Carlos Medina soube pegar a trama sul-coreana "Montagem" de 2013 (que já fiquei com muita vontade de achar ela, pois muitos falaram muito bem, e não a vi) e transformar em algo tão bem encaixado de nuances, que seu filme passa num piscar de olhos, aonde ele amarrou bem a essência da trama e fez com que tudo fluísse naturalmente na tela, e o mais engraçado de tudo é que analisando agora o final, fez bem o sentido do fechamento, e também fez muito sentido a forma como tudo ocorreu, pois se eu tivesse aguçado um pouco mais meu ar de detetive teria pensado na possibilidade que não imaginei, e isso é o que falo que é o mais legal nesse estilo, você pensar que não tinha como descobrir o fechamento, mas que ao escrever vou lembrando que as pistas foram dadas, e isso é trabalhar bem o gênero na tela. Ou seja, ainda não vi o longa original, mas talvez até perca um pouco do charme agora sabendo as pistas completas (que é o motivo que sempre falo que não vejo um longa duas vezes, ainda mais tramas investigativas), mas que mostra que o diretor foi bem no que fez, e se tivesse trabalhado um pouco mais a tensão em cima do investigador o resultado teria ficado perfeito.

Quanto das atuações, Sami Bouajila é daqueles atores que conseguem entregar personalidade demais para os seus papeis, de modo que num primeiro momento parece canastrão demais, mas depois se joga e acaba convencendo dentro do estilo policial mais brutão, e talvez seu Malik pudesse ser até mais imponente na tela, mas com isso recairia para um lado menos denso, então esse meio do caminho até foi acertado na escolha dele. Julie Gayet trabalhou sua Anna inicialmente bem cheia das facetas, sendo mais crua de estilo e desesperada, porém faltou criar mais espaço para que suas dinâmicas convencesse o espectador do seu lado mais investigativo e direto, ao ponto que só no final mesmo é explicado sua história e entregas, e assim acabou não indo para o rumo mais acertado. Philippe Résimont trabalhou seu Frank também exagerando demais na gritaria, ao ponto que o avô da garota parece ter um desespero além do normal, porém era esperado algum envolvimento com a pista deixada do telefone, e o resultado acaba sendo interessante dentro da essência que o ator conseguiu em seus atos finais. Ainda tivemos outros bons atores em papeis menores, com Anne Azoulay trabalhando uma Catherine meio que fechada demais para alguém desesperada com o desaparecimento da filha, Marilyne Canto fazendo uma comissária simples, porém decidida, e Yannick Choirat trabalhando bem o amigo do investigador, mas quem deu uma aula de técnica com as comparações vocais foi Pierre Cévaër, que se não trabalhou com isso aprendeu demais para fazer bem suas cenas na frente do computador.

Visualmente a trama até é bem simples, tendo algumas dinâmicas intensas no começo, mostrando o desfecho do caso traumático do protagonista aonde não conseguiu salvar a garotinha, com um grande acidente de carro e tudo mais, depois tivemos muitos atos na delegacia, numa casa antiga da outra família, numa rodoviária cheia de torcedores, e em um galpão, voltando para dentro de um estúdio da polícia e toda a amarração entre os dois casos, tendo como disse várias pistas para você ir montando o quebra-cabeça e descobrir tudo antes mesmo do protagonista, então fica a dica que em filmes desse estilo a equipe de arte sempre capricha nos elementos cênicos para toda a desenvoltura funcionar.

Enfim, foi um filme que me agradou bastante, mas que dava para ter ido ainda mais além na tela, de modo que a tensão fosse mais presente e o resultado fosse mais chamativo, mas ainda assim vale a recomendação para todos conferirem o longa no Canal Adrenalina Pura na quinta-feira. Agora é tentar arrumar o longa de 2013 para fazer a comparação, mas não tão cedo, afinal esse final de semana estou cheio de cabines, então volto logo mais com outras dicas de estreias. E é isso meus amigos, fico por aqui agora agradecendo o pessoal da Atomica Lab Assessoria e do Canal Adrenalina Pura pela cabine, e volto amanhã com mais filmes, então abraços e até logo mais.


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Sonhar Com Leões

9/12/2025 01:54:00 AM |

Se tem algo que gosto quando vou ao cinema é entrar numa sala para conferir algo bom e sair da sessão com o sorriso estampado no rosto de terem me satisfeito com a entrega completa, pois muitas vezes uma trama é boa, mas não satisfaz, deixando pontos em aberto para continuações, ou então não empolgando o suficiente, entre muitas outras situações, e algo que anda fazendo com que isso ocorra demais são as longuíssimas durações dos filmes atuais, pois acabam enrolando e por vezes entregando um clímax que apenas falamos ok. E hoje foi um dia desses, pois com apenas 88 minutos deliciosos, Denise Fraga incorpora os grandes mestres da atuação de quebra da quarta parede, e ao mesmo tempo que sofre com as dores do câncer de sua personagem, as atrofiações motoras que sofreu nas outras tentativas de se matar, ainda sobra tempo para conversar conosco durante a exibição do longa luso-hispano-brasileiro, "Sonhar Com Leões", que mesmo trabalhando um tema duro, mórbido e até denso que é o suicídio e/ou a morte assistida para acabar com o sofrimento de dores, acaba sendo leve, gostoso e divertido pela proposta, sendo daqueles filmes que você quer mais, que entra no clima e sai alegre e satisfeito com tudo o que viu, e isso é lindo e delicioso demais. Ou seja, a formatação até irá virar uma série de vários pequenos capítulos, mas foi feito como cinema mesmo, e a entrega da personagem com um texto bem pautado e uma direção precisa agrada e funciona demais na tela, e assim sendo será muito lembrado.

No longa uma imigrante brasileira chamada Gilda enxerga o fim da linha graças a um diagnóstico de câncer que lhe dá apenas mais um ano de vida. Conformada com a doença, Gilda sonha agora em morrer com dignidade e sem dor, enquanto ainda é si mesma. Após quatro tentativas de suicídio fracassadas, porém, a mulher vai em busca de uma organização clandestina chamada Joy Transition International que diz ensinar aos seus clientes terminais a se suicidarem sem dor ou problemas em países onde a eutanásia é ilegal. Glória embarca nessa jornada de palestras, workshops e aulas ao lado do tímido jovem Amadeu, outro paciente sem perspectiva que ela conhece na corporação e que antes foi funcionário de uma agência funerária. Juntos, os dois acabam tentando desmascarar o esquema caro e absurdo da empresa enquanto tentam tomar o controle de sua própria situação.

Não conhecia o trabalho do diretor e roteirista Paolo Marinou-Blanco, mas posso dizer sem dúvida alguma que ele tem uma pegada técnica tão bem elaborada, tendo um vasto conhecimento de outros diretores e roteiristas, que acabou conseguindo deixar sua trama solta, porém sem ficar vaga, o que acaba sendo lindo de ver na tela, pois em determinados momentos você fica pensando para que uma bobeira dessa, mas logo pensa que pode ser verdade, afinal tem trouxa para tudo, e a dinâmica escolhida para os protagonistas (ela de falar com o público que está vendo o filme, e ele com os mortos) foi tão bem sacada que além de dar um bom ritmo para que o filme ficasse no tamanho exato, e principalmente não ficasse pesado com o tema, afinal sabemos que é um grande tabu falar sobre suicídios, eutanásia, e claro doenças em si. Ou seja, ele trabalhou a base sem precisar apelar, e o resultado falou sozinho de uma maneira muito gostosa de ver.

Quanto das atuações não tem como não aplaudir o trabalho de Denise Fraga, que já há muitos anos segura personagens com tanta desenvoltura, quase sempre que pode quebrando a quarta parede conversando com o público, e aqui sua Gilda usou desse artifício para brincar e contar sua história sem precisar ficar traçando longos caminhos, fora que se permitiu jogar de atacante e defensora, com um texto ácido, porém sutil, e que funciona como uma luva em suas mãos, aonde não deixa que ninguém lhe supere, mas também sem atrapalhar os que precisavam ter seus devidos momentos. E falando em momentos icônicos, num primeiro momento você fica intrigado com o "dom" de Amadeu que João Nunes Monteiro entrega com perfeição, conversando com os mortos, fazendo perguntas enquanto os maquia, e seus trejeitos de cachorro que caiu da mudança são perfeitos para a conexão explosiva com sua parceira cênica, de modo que toda a entrega funciona, e o ator mostrou muita segurança nos seus atos, ou seja, acertou demais. Quanto aos demais, cada um teve sua devida participação, desde Roberto Bomtempo com seu Lúcio desesperado com as loucuras da esposa em tentar se matar, passando por uma Victoria Guerra colocando suas loucuras como a dona da funerária, e Sandra Faleiro com sua coach de mortes, mas sem dúvida a entrega expressiva de Joana Ribeiro com sua Isa cheia de traquejos e desenvolturas acaba chamando demais os olhares para si, e podemos dizer que mesmo forçando a barra agrada demais.

Visualmente o longa é bem cheio de situações diferentes, desde um apartamento bagunçadíssimo, passando por um galpão completamente vazio, até chegarmos em praias belíssimas e um apartamento para a eutanásia em uma paisagem magnífica, tendo ainda muitos detalhes nos elementos cênicos que os coaches usam para demonstrar as formas de suicídio, e até mesmo um abrigo de animais entrou no rumo da equipe de arte, ou seja, um trabalho sutil, porém muito bem feito e ousado.

Enfim, é um longa simples, direto e muito gostoso de conferir, que chama a atenção pela essência, pelo texto e pela desenvoltura dos personagens e da direção, funcionando demais na tela e claro valendo a recomendação de conferida, tanto para rir quanto para refletir sobre como gostaríamos de passar o resto de nossas vidas, quando sabemos que ela será curta. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Opus

9/11/2025 01:59:00 AM |

Ao mesmo tempo que o filme "Opus", que pode ser locado nas plataformas de streaming, entrega uma trama bem interessante se analisada por completo, pensando na manobra das massas, em como um líder consegue atingir a mídia, mesmo indo por caminhos nada ortodoxos, e muito mais, se visto como uma obra solta comercialmente é capaz que a maioria durma na metade do longa, o que quase aconteceu comigo, pois já estava achando tudo muito lento e estranho até vir o ato final e o fechamento explodir na minha cabeça com toda a ligação maior. Ou seja, é o famoso filme que você precisa ver descansado, aonde as situações falarão mais na reflexão completa ao final dele, pois o durante é estranho e pode até desagradar, mas dá para fluir bem nas coisas que andam acontecendo mundo afora, e que talvez mesmo sendo maluco de se pensar, alguns querem que ocorra algo do tipo.

A sinopse nos conta que uma escritora viaja até o complexo de um ícone pop que desapareceu anos atrás. Cercada por seu culto aos bajuladores, bem como por um grupo de colegas jornalistas, ela logo descobre seus planos distorcidos para a reunião.

Diria que a estreia do diretor e roteirista Mark Anthony Green em longas foi até bem chamativa, pois ele se posicionou forte no dimensionamento de como o líder iria se posicionar, como as multidões o seguiriam fortemente, todo o seu vínculo midiático, e do outro lado posicionou a jovem escritora como alguém fora da curva, que não se influenciou nem pelos peixes grandes, nem por tudo o que estava acontecendo ao seu redor, sendo bem direta e explosiva, de modo que o filme até lembra um pouco "Corra" pela pegada em si, mas usando um vértice diferente de estilo, aonde vemos toda a inquietação da protagonista por não se conectar com o que está ocorrendo, e ainda mais vendo todos os rumos que a "seita" vai rolando, o resultado acaba caindo em um gosto interessante, e mesmo sendo um pouco lento de dinâmicas ao final tudo se encaixa bem na tela, mostrando que o diretor tem personalidade e futuro no gênero.

Quanto das atuações, John Malkovich entregou seu Alfredi Moretti cheio de personalidade, com piadas até bobas demais, mas que encaixadas no estilão do protagonista acaba funcionando bem demais, afinal o ator sabe fazer bem papeis esquisitos, e aqui ele convence ainda mais com figurinos exagerados, traquejos abertos, e claro como já disse, um fechamento direto e marcante. Ayo Edebiri trabalhou sua Ariel com muita imponência, pois a jovem logo de cara já vê que algo normal não está acontecendo ali, e usando de um jornalismo investigativo vai enfrentando tudo e todos até seu limite máximo, e consegue dar as devidas nuances expressivas para que tudo fosse intenso e chamativo. Ainda tivemos outros bons personagens, mas diria que a maioria apenas riu enquanto podia, até ver que o molho azedava, mas sem dúvida quem fez trejeitos mais marcantes foi Amber Midthunder com sua Belle perseguindo a protagonista das formas mais insanas possíveis, e isso acabou dando destaque para ela, mesmo não figurando entre os personagens principais da trama.

Visualmente o longa é completamente maluco, pois vemos coisas da época da discoteca, vemos uma redação de uma revista bem tradicional, mas logo em seguida os personagens são levados para uma colônia completamente isolada, com nuances e regras próprias, com dinâmicas meio que surtadas e intensas, misturando algo meio ruralista com algo de seita mesmo, mas com propostas marcantes envolvidas pela mídia em si, ou seja, algo assustador, com cores fortes e figurinos bem chamativos.

Enfim, é um filme com uma proposta diferenciada, que muitos irão comprar a ideia achando ser até outra coisa, e por vezes até pode ser que desistam antes do final, porém vale a dica de ficar até o final e refletir em tudo o que acontece, pensando na proposta maior, e assim sendo o resultado acaba agradando mais do que o imaginado. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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AppleTV+ - Luta de Classes (Highest 2 Lowest)

9/09/2025 01:45:00 AM |

Diria que sou a pessoa que menos me ouço, ou melhor, leio e sigo o que escrevo, pois toda vez falo para não criarem expectativas antes de assistir determinado filme, aí o que eu faço? O contrário! Desde meu último período de assinatura da AppleTV+, afinal cancelo com alta frequência o streaming já que lá saem muito mais séries do que filmes, tinha visto que estrearia o longa "Luta de Classes" que tinha uma proposta bem interessante, afinal a junção de Denzel Washington e Spike Lee é algo que raramente dá errado, e ainda em cima de uma trama de Akira Kurosawa era com toda certeza de empolgar, ou seja, já coloquei na agenda para lembrar da data, e hoje já fui dar play nele esperando algo chamativo, cheio de nuances e tudo mais. E o que recebi? Um bom filme, não vou negar que seja algo ruim de conferir, mas bem longe do que esperava, primeiro com uma duração de 133 minutos (10 minutos a menos que o original japonês, mas dava para cortar ainda pelo menos mais uns 33 pra ficar com 100 redondo), uma trilha sonora exageradamente cansativa e irritante de fundo, que nada se conecta com a ideia da trama, e uma direção de arte e fotografia com uma pegada oitentista, sendo que o longa se passa nos anos atuais, ou seja, muitos erros que numa pegada dava para limpar e deixar muito melhor. Dito isso, o longa brinca bem com a faceta do original que se chama "Céu e Inferno", e oscila o tempo todo entre o topo e o fundo do poço, com nuances familiares e motes que fazem você pensar em alguns elos, como por exemplo ajudar um amigo quando não é mais o seu que está na reta.

O longa conta a história de um magnata da música chamado David King, conhecido como os "melhores ouvidos do ramo". O milionário é alvo de um plano de resgate que o deixará preso em um dilema moral de vida ou morte. Ele é forçado a agir e dar tudo de si depois que o filho de seu amigo e motorista Paul Christopher é raptado ao ser confundido com o seu filho Trey. King precisará descer do topo luxuoso e privilegiado que conquistou de volta para o asfalto de Nova York para levar a recompensa em dinheiro para o sequestrador e aspirante a rapper Yung Felon.

Não tenho nada contra alguns diretores defenderem seus ideais na tela, desde que não fique exageradamente forçado, e um que chega a ser insistente em seu estilo é Spike Lee, que por vezes insere a pegada negra com facetas tão bem colocadas e funcionais, mas em outras chega a ser apelativo e incômodo até, como ocorre aqui em duas ou três vezes, começando pelo policial branco querer arrumar confusão a qualquer custo enquanto os demais parecem ultra-calmos, depois a rica esposa querer que o filho seja anunciado em algo de uma lista de negros desaparecidos, entre outros atos, que claro poderiam ser muito bem colocados, mas não sendo impositivos. Ou seja, o diretor brincou até que bem com o longa original que é a famosa gangorra de que quando acha que está por cima desce e vice-versa, porém exagerou em situações não muito fluidas, e com isso dava para ter cortado mais para que seu filme ficasse mais dinâmico, mas esse é o estilão de Lee, e assim seu filme até ficou com a sua cara, não sendo impactante quanto poderia, porém não ficando frouxo em críticas, o que acaba agradando de certa forma.

Quanto das atuações, um fator bem marcante foi deixar que o filme fosse de Denzel Washington, e assim seu David King traz consigo características que já o vimos fazer em diversos outros longas, o que é bacana, mas que não traz novas facetas para um ator que é tão expressivo que poderia ter ido ainda mais longe nos traquejos da trama. Ainda tivemos dinâmicas bem colocadas de Jeffrey Wright com seu Paul, tendo algumas nuances meio que discriminatórias, mas fazendo bem uma parceria dentro da essência do papel com o protagonista, porém como também é um ótimo ator, dava para ter trabalhado melhor alguns atos dele. Quanto aos demais, o rapper A$AP Rocky até teve algumas dinâmicas expressivas bem rimadas com o protagonista, mas seu Yung Felon não tem impacto expressivo, e assim o resultado não foi tão imponente quanto poderia, a esposa do protagonista vivida por Ilfenesh Hadera ficou sutil demais, quase sendo um enfeite na sala, e os policiais foram forçados, ou seja, melhor focar só no protagonista mesmo.

Visualmente já reclamei da fotografia dos anos 80, meio que chapada demais, com um filtro que não é tradicional em longas de cidades, de modo que pareceu uma escolha meio ruim do diretor, porém a cobertura do protagonista foi bem representativa, com várias fotos de lendas da música negra, o escritório também cheio de detalhes, e uma gravadora no subúrbio bem representada pelas pichações e intensidades expressivas, e uma festa porto-riquenha completamente desconexa com tudo, que até agora estou sem entender o que o diretor queria expressar ali.

Enfim, é um filme que tinha um potencial maior para atingir, ou eu que sonhei demais com o que parecia entregar, de modo que até vale uma recomendação de conferida, desde que se não espere muito dele, e também tenha calma pela duração alongada, e agora é esperar as outras duas estreias de filmes do mês da plataforma pra fazer jus a assinatura, pois pago já está. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Retorno (The Return)

9/08/2025 01:23:00 AM |

Um livro que praticamente todo mundo leu na época dos vestibulares da vida é "A Odisseia" de Homero, pois era algo obrigatório, que certamente teriam questões duplas e muito mais, hoje nem sei se ainda os jovens leem ele, mas veremos alguns filmes sobre o tema nos próximos anos, começando por "O Retorno" que basicamente é o final do livro, ou o final da jornada de Odisseu, quando volta para sua ilha dominada por pretendentes à sua esposa, seu filho já adulto e seu pai no final da vida completamente maluco, e o resultado da produção até foi bem fiel no quesito de figurino, de ambiente e da trama da forma colocada, porém faltou atitude e expressividade para os antagonistas, faltou desenvolver melhor eles, e principalmente faltou um ritmo que colocasse a trama para impactar realmente, de modo que ficasse um longa memorável e cheio das nuances, pois a história em si é simples, já foi desenvolvida várias vezes em trechos, mas não coube aos protagonistas aqui convencer na entrega completa. Ou seja, é um filme de um clássico épico, mas que trouxe pouco da época para chamar atenção, e isso pesa na tela, e olha que nem estou falando do excessivo inglês numa Grécia aonde nem se sabiam o que era inglês.

A sinopse nos conta que após 20 anos de ausência, Odisseu volta para Ítaca. Abatido após a Guerra de Tróia e duas décadas guerreando longe de casa, ele encontra um reino em desordem e em uma disputa sangrenta pelo trono. Sua esposa Penélope é feita refém de pretendentes que sonham em tomar o poder e seu filho Telêmaco (Charlie Plummer) enfrenta ameaças de morte dos mesmos gananciosos que buscam tomar conta do reino. Essa é a história da última parte do drama mitológico Odisseia, o clássico da literatura escrita por Homero. O rei Odisseu pode ter finalmente retornado, mas muita coisa mudou desde que ele partiu para lutar. Agora, precisa reconquistar sua família e o que perdeu enquanto redescobre as forças físicas e mentais feridas durante os anos envolvidos em guerras.

Quando em 2015 vi um dos filmes mais belos que já assisti até hoje, "Uma Vida Comum", pelas mãos do diretor italiano Uberto Pasolini, imaginava que veria muito mais obras suas nos anos seguintes, mas praticamente ele desapareceu, tendo mais um longa que nem chegou aos cinemas daqui (mas que já me interessei muito e pus na lista para dar play o mais breve possível), e agora com essa nova obra parece que ele envelheceu não apenas 10 anos, mas sim uns 200, pois é uma trama que falta vida, falta direção, falta desenvolvimento, e isso não é algo comum de um diretor deixar transparecer na tela, que por vezes até pode surgir nos cantos da edição mal feita ou algum traquejo expressivo mal alocado, mas não, seu filme aqui parece um recorte fraco de algo que não desejavam fazer, e isso pesa demais para os ombros de atores tão bons que estão em cena. Ou seja, é a famosa história que até dava para ir mais além, mas que peca em não poder ir além, pois os personagens soltos na tela (quem não os conhecer do livro, não entenderá nada) até podem chamar uma certa atenção, mas nada puxa eles para aquilo, e assim sendo o diretor se faz de omisso, e também não vai além.

Quanto das atuações, Ralph Fiennes é um tremendo ator que ficou muito tempo apagado dentro de uma máscara e que agora voltando a papeis mais densos tem dado um show atrás do outro, ao ponto de que aqui seu Odisseu é intenso e marcante, tem trejeitos bem encaixados, mas parece que foi engolido pelo mar e apanhou de todas as rochas possíveis para vir quase morto para suas cenas, o que não é normal de ver em um ator do nível dele. Da mesma forma Juliette Binoche é daquelas atrizes que você sabe que entregará seu máximo para qualquer papel, e aqui sua Penélope é simples, fechada, sem grandes expressões, e mesmo nos atos mais explosivos não se entregou como poderia, ou seja, faltou algo nesse filme que talvez tenha acontecido de cortes, ou algo que nunca saberemos. Quanto aos demais, o Telêmaco de Charlie Plummer é quase um príncipe fugido que faz caras e bocas, mas leva nada a lugar algum, Claudio Santamaria até trabalhou seu Eumeu de uma forma chamativa, mas o papel é simples e sem impacto na maioria das cenas, e Marwan Kenzari trabalhou seu Antinuo com trejeitos vilanescos, mas sem poder se soltar, ou seja, faltou tudo no elenco da trama.

Visualmente o orçamento da trama também foi bem econômico, o que foi bem ajudado pelos figurinos serem em sua maioria panos apenas cobrindo as partes dos protagonistas, nada muito chamativo, e sem grandes detalhes, tivemos uma Ítaca simples com casebres dos escravos espalhadas pelas florestas, com pedras e poucos elementos cênicos, e até mesmo o palácio ficou bem simples na essência toda, tendo quartos com suas devidas cenas sexuais, e uma arena/pátio bem simples com algumas frutas e alimentos, nada que mostrasse um requinte da Grécia tradicional da época, embora ali a ilha estivesse abandonada. Ou seja, a equipe de arte não brincou com tudo o que poderia da história, e fez apenas o básico para que o orçamento fosse aceitável, sendo uma trama que valeria um trabalho mais imponente, ao menos no sentido artístico.

Enfim, é um filme que se olharmos a fundo tem mais erros do que acertos, que talvez precisasse de um desenvolvimento maior para realmente impactar como deveria, mas que sendo uma parte de uma história bem maior, acaba tendo seus louros também dentro de um contexto fechado, e assim sendo não é algo que seja 100% jogado fora. Então fica a dica para quem não ligar para os devidos problemas que citei, pois como um filme passatempo até serve se não se incomodar com o ritmo lento. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Dormir de Olhos Abertos (睡覺時眼睛睜開) (Sleep with Your Eyes Open) (Dormir con los ojos abiertos)

9/07/2025 05:45:00 PM |

Se tem um estilo que dificilmente me conquista é o de mostrar a "vida real", pois mesmo em tramas baseadas em fatos reais, os diretores e roteiristas acabam enfeitando o superficial para que a história convença de uma forma maior, que brinque com estilos e tudo mais, porém alguns diretores gostam de quase documentar alguns fatos, dando nuances tristes que não prendem o espectador na tela, e um tema que venho acompanhando muitos longas surgindo é o de imigrantes que chegam em determinados países e acabam explorados, não tendo sua vida dimensionada. E o longa "Dormir de Olhos Abertos", que estreia na próxima quinta nos cinemas dentro da Sessão Vitrine Petrobras, é um exemplo bem claro dos trabalhadores orientais que chegam em Recife, tentam a sorte com determinados produtos nas feiras e praias, mas estão sempre sob olhares tortos, sendo roubados por brasileiros ou até outros dos seus, pensando em voltar para seus países de origem, ou até mesmo outros lugares aonde possam ser mais felizes, mas que não conseguem, pois estão sempre presos por algum motivo a alguém, e isso é uma dificuldade a mais. O longa em si tem uma boa pegada pela formatação de leitura dos postais escritos por outra pessoa, que faz a jovem achar quem ela procura, mas falta aquele algo a mais que emocione, e isso é um defeito não desse filme, mas sim do estilo escolhido que tem essa proposta.

O longa nos conta que numa cidade litorânea do Brasil, Kai chega de Taiwan para passar as férias com o coração partido. Um ar-condicionado quebrado faz com que ela entre por acaso na loja onde Fu Ang vende guarda-chuvas. Eles poderiam se tornar amigos, mas a chuva não vem e ele — e sua loja — somem do mapa. Na procura por Fu Ang, Kai conhece um grupo de trabalhadores chineses num arranha-céu luxuoso e se sente misteriosamente conectada com a história de um deles, Xiaoxin.

Diria que a diretora Nele Wohlatz quis criar uma densidade exageradamente poética em cima da história dos trabalhadores, em cima da jovem turista e da garota rica que vive mais com os pobres do que com a tia que comanda tudo, pois a trama dava para fluir melhor e impactar em qualquer um dos três vértices, dava para enxergar o lado mais cru de tudo, mas ficou floreando, ficou sendo artificial para ser real, e com isso o filme parece não ir a lugar algum, de modo que você fica esperando o conflito, esperando um ponto de virada, mas não, apenas temos a vitrine real de cada uma das situações, e ela apenas se descansa quando está junto de outros dos seus, afinal qualquer outro lugar que durmam de olhos fechados serão roubados ou abusados, e assim é a dinâmica no Brasil ou em qualquer lugar que explore seus imigrantes.

Quanto das atuações, o trio de protagonistas até tem boas expressões, mas sendo até um pouco preconceituoso junto com a forma que o longa foi editado, em determinado momento pensei que Kai e Xiaoxin fossem a mesma garota, e isso é um risco muito grande quando trabalham com personagens orientais, e dito isso, posso afirmar que Liao Kai Ro até teve algumas dinâmicas maiores com sua Kai, brincou com algumas facetas rápidas, porém desapareceu durante boa parte do filme aonde focaram nos demais. Chen Xiao Xin trabalhou sua jovem com pensamentos longos, e falando bem pouco deixou que seus ares expressivos apenas vagassem pelas salas, o que é um pouco estranho de ver, mas dentro da ideia da trama até que funciona. E por fim, Shin-Hong Wang deu ao seu Fu Ang o estilo comercial tradicional bem visível de não saber aonde está vivendo, confiando fácil em funcionários rápidos e acabando sofrendo as consequências, trabalhando semblantes interessantes, mas que não soam seguros na tela, e isso peca um pouco na dinâmica.

Visualmente a trama tem um cerne bem colocado, contando com uma boa presença de ambientes, e sabendo ser sutil nos atos mais abertos, mostrando um pouco do prédio aonde vivem os trabalhadores, sendo quase sem nada de detalhes, mostrando a praia, bares, e claro todo o comércio local com as lojinhas dos orientais bem contrastante com as dos locais, tendo o principal elemento cênico os postais aonde a jovem leva para o hotel e vai lendo sobre a vida de sua compatriota.

Enfim, é um longa que é bem feito, que tem sua proposta, mas que dava para ter ido muito mais além, que aí sim impactaria como deveria, mas aparentemente não era a intensão da diretora, e assim ficou dessa forma. Sendo assim diria que recomendo ele com muitas ressalvas, principalmente para quem curte filmes desse estilo de "vida real", pois do contrário não irão se conectar tanto com a ideia. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda confiro mais um longa, então abraços e até logo mais.


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Desenhos (Sketch)

9/06/2025 09:26:00 PM |

Hoje é daqueles dias que fui ao cinema sem ter visto o trailer do longa, mas que parecia que já tinha visto o filme, pois a síntese de "Desenhos" lembra até um pouco a essência do longa "Harold e o Lápis Mágico" e também "Amigos Imaginários", de modo que a cada dia que ia ao cinema ficava sempre curioso com o que veria olhando apenas para o pôster estranho do longa, porém nessa semana quando descobri que tinha o selo da Angel Filmes fiquei levemente desapontado pensando que veria mais uma trama voltada para o público religioso, e que seria algo até cansativo demais, o que acabou ajudando a baixar as expectativas do que veria na tela. Mas claro que fui conferir, e por incrível que pareça a trama saiu bem da essência religiosa, muito pelo contrário, ficando bem próximo de algo meio que dos filmes de Halloween para as crianças, com monstros saindo de um caderno de desenhos e atacando cidades, tentando matar as pessoas, tudo proveniente de uma mente revolta de uma garotinha órfã de mãe, ou seja, uma alegoria que consegue chamar muita atenção e fluir de forma diferenciada. Claro que as boas sacadas ficaram a cargo dos materiais de desenho da jovem, que acabaram sendo os materiais dos monstros, e assim ficou fácil imaginar as formas que foram destruídos, sendo uma trama juvenil que a criançada na sala curtiu, não ficando nem tão bobinha para ser chata, nem tão assustadora para afastar os pequenos, porém dava para terem ido bem além para surpreender mais.

A sinopse nos conta que quando o caderno de desenhos de uma jovem garota cai em um lago estranho, suas criações ganham vida — imprevisíveis, caóticas e perigosamente reais. À medida que a cidade se torna um caos, ela e o irmão precisam rastrear as criaturas antes que elas deixem danos permanentes.

Depois de muitos curtas, o diretor e roteirista Seth Worley conseguiu transformar um de seus últimos trabalhos em uma trama comercial longa para estrear bem no mundo dos filmes, porém precisou de alguns ajustes tanto no roteiro quanto na edição final, pois ao vender sua trama para a Angel Filmes, o curta que tinha uma pegada mais "dark" precisou dar uma maneirada para encaixar nos princípios da companhia, e claro ser lançado em grande escala, e isso é notável em alguns cortes do longa, pois temos monstros sanguinários, sedentos por mortes, que claro saíram da mente de uma garota perturbada pelo luto, e que num contexto maior ficaria algo bem mais assustador, e assim sendo, o resultado até tem certos engasgos, mas nada que atrapalhe o resultado final e o floreio escolhido para "amenizar" tudo. Ou seja, para um primeiro longa a trama é rápida e funcional, ao ponto que os cortes até funcionaram bem também para não "encher" de situações desnecessárias, agora veremos o que trará na sequência quando optar por algo mais próprio realmente.

O longa só veio em cópias dubladas, porém conseguiram manter bem os trejeitos dos personagens, e dificilmente o tom das vozes mudariam muito o resultado do filme, de modo que os adultos Tony Hale e D'Arcy Carden apenas foram enfeites com seus traquejos meio sem noção de seus Taylor e Liz, de tal forma que poderiam ser mais empáticos nas situações para convencer, e nas cenas com os monstros poderiam ter se espantado mais com o realismo para funcionar na tela. Já as crianças se jogaram por completo, com Bianca Belle trabalhando uma Amber bem séria, totalmente problemática com as situações, e sabendo se controlar pelos desenhos, com uma pegada bem marcante e cheia de imposição. Já Kue Lawrence fez de seu Jack um jovem até com uma personalidade mais adulta, mas com uma desenvoltura bem cheia de traquejos e entregas para as cenas que exigiram dinâmica e entendimento de causa para o rapazinho, e isso foi bacana de ver. Já em contraponto, Kalon Cox trabalhou seu Bowman exatamente como um pestinha deve ser, incomodando ao máximo os demais, sendo surtado de ideias malucas, e se jogando sempre a frente, chegando a irritar, mas sendo exatamente o que o papel pedia.

Visualmente já falei que o mais bacana da trama foi não criar monstros perfeitinhos, transpondo o visual dos desenhos para algo bem cheio de traçados feios e jogados na tela, de modo que parecessem realmente desenhados por crianças, e essa essência foi ainda incrementada pelos materiais (giz, lápis, canetinhas ou o que mais tivesse na composição do desenho), tendo as devidas facetas e formas de serem "apagados", brincando com o ambiente e não ficando algo muito realista, embora a violência visual funcionasse tanto para causar quanto também assustar, e assim agradou bastante todo o trabalho da computação e do misto com os atores. Aliás ao final do longa aparece um QR Code aonde os pais podem baixar o aplicativo para transformar os desenhos dos filhos em "monstrinhos", que é bem legal de usar.

Enfim, é um longa que facilmente dava para ir mais além, porém sairia do cunho lúdico que a Guilda Angel gosta de colocar em suas tramas, mas ainda assim não ficou algo chato de ver, e assim sendo a garotada na sessão curtiu o que viu, e os adultos não tiveram seus pensamentos tão poluídos pela essência de uma trama juvenil que poderia ser também bem mais cansativa, e assim sendo vale a recomendação para quem quiser levar os pequenos para um filme misto entre o infantil e o algo a mais, fazendo a transição para quem sabe um terror mais pesado depois. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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A Vida de Chuck (The Life of Chuck)

9/06/2025 03:23:00 AM |

Sabe quando você ama diversas partes de um filme, mas que ao juntar no todo você fica na dúvida se realmente apenas gostou do que viu ou se simplesmente o resultado não foi entregue como esperado? Essa certamente é a minha dúvida hoje ao acabar o longa "A Vida de Chuck", pois já começou de uma forma ao meu ver totalmente errônea de trás para frente para criar um mistério interessante que depois vamos praticamente colocando como algo meio puxado para um Alzheimer ou algo do tipo, pois os personagens desconhecem quem é Chuck, porém conviveram com ele na sua juventude e adolescência, ou seja, apenas estão perdidos com todo o fim iminente, depois o excessivo uso da narração para tudo, que até dá um certo charme para a trama, mas é irritante em alguns momentos como se falasse: "Coelho está digitando agora!" enquanto estou vendo o que está rolando, mas por vezes acaba com um tom bem contado que agrada, e por fim as belas cenas de expressividade do protagonista são tão belas e cheias de nuances que em contraponto com a ideia minimalista e ao mesmo tempo gigante com o calendário de Carl Sagan, e comparando arte com Matemática acaba tudo bagunçado demais dentro de um contexto todo. Ou seja, é daqueles filmes que vamos ver citações aos montes nas redes sociais, veremos as cenas inteligentes e bem alocadas, mas se um dia perguntarem o que achamos do longa é capaz de nem lembrarmos direito o que vimos, pois ao mesmo tempo que é reflexivo, também não agrega muito em nossa vasta caixa separada pelas orelhas, e assim sendo é uma pena, pois dava para ir bem mais além com tudo o que tinham tanto em história quanto em elenco.

O longa apresenta a extraordinária história de um homem comum. A jornada de Charles "Chuck" Krantz é contada de forma única e emocionante, misturando gêneros para explorar os altos e baixos da existência humana. Ao longo de sua vida, Chuck vive o encanto do amor, a dor da perda e descobre as muitas facetas que existem dentro de cada um de nós.

Confesso que é estranho demais ver um diretor tradicional de filmes e séries de terror como Mike Flanagan e um roteirista de tramas densas como Stephen King trabalhando juntos em um drama com pegadas romantizadas, pois é algo quase impossível de se imaginar dando certo, mas de certo modo conseguiu vender muito bem pelo trailer, afinal parecia ser uma história lúdica, emocionante e que nos levaria quase a florear na sala depois de uma alta brisa de cogumelos, porém esqueceram de dizer que quem comeu os cogumelos foi o diretor, e ele nos entrega algo meio que confuso e conflituoso demais para uma trama com filosofias e símbolos, aonde as devidas intensões até chamam atenção, mas que pelos motivos que citei no começo não trazem o sentimento forte para o espectador em si, e assim sendo saímos da sessão esperando aquele algo a mais que não acontece, e por si só já desanima, o que é uma pena, afinal fui esperando sair maravilhado com tudo, e apenas sonhei com as belas cenas que a trama tem (e que não são poucas!).

O mais engraçado é pensar que o longa poderia ter ido muito mais além com o elenco que tinha, afinal contando com o protagonista Chuck sendo interpretado por um Tom Hidlestone dançando como nunca, mostrando um carisma sério, porém cheio de grandes facetas, o jovem Benjamin Pajak dançando melhor ainda, e tendo conversas cheias de nuances na tela com todos os demais personagens, parecendo ser até adulto demais com tudo o que aconteceu, mas tendo um sentido artístico perfeito, e Jacob Tremblay que sabemos o quanto é maravilhoso, porém pegando o momento da juventude do personagem aonde está mudando sua forma de tudo, e assim apenas deu as devidas entregas expressivas para os momentos mais fechados do papel, não tinha como ter falhas, afinal o trio encantou. Ainda tivemos The Pocket Queen como a baterista Taylor numa entrega rítmica tão marcante e chamativa que imprimiu uma cena grandiosa fazendo o que mais sabe fazer. E falando nessa cena, parecia que Annalise Basso entregaria uma Janice totalmente depressiva, mas se jogou por completo na dança com o protagonista e agradou demais com a desenvoltura. Os papeis de Chiwetel Ejiofor com seu Marty Anderson, Karen Gillan com sua Felicia Gordon e Carl Lumbly com seu Sam Yarborough no terceiro ato (que é o primeiro a ser mostrado) tiveram uma pegada de fim do mundo tão intensa, que chegamos a entrar no clima com eles e ao sermos transportados acabamos envolvidos no que desejavam passar, não recaindo para traquejos fáceis, mas também não se doando nos diálogos e sim na forma marcante do desespero pelo fim, fora não reconhecerem o rapaz que conheciam do passado. E por fim claro que temos de falar das poucas, mas belas cenas de Mia Sara com sua Sarah Krantz e Mark Hamill com seu Albie Krantz que trabalharam doçura nelas, sendo bem marcantes tanto para a vida futura do garoto na dança, na contabilidade e na vida.

Visualmente a trama teve uma pegada bem interessante com o terceiro ato mostrando um fim do mundo extremamente depressivo e cheio de nuances, com o apagar das estrelas, da energia, do colapso mundial da natureza, mas ainda assim conectando algumas pessoas e claro com as devidas homenagens estranhas para o tal Chuck, aparecendo nos lugares mais improváveis possíveis até mesmo nas janelas das casas. Já no segundo ato o detalhe ficou para a charmosa rua com a bateria dominando o ambiente e os jovens dançando, depois uma bela fonte, mas tudo sem detalhes minuciosos, apenas um grande público, e o show acontecendo. E no primeiro e último ato, tudo se fecha na escola e na casa vitoriana, com as muitas aulas de dança, o baile tradicional e claro o sótão fechado com toda a história macabra. Ou seja, a equipe de arte teve um trabalho bem mostrado, mas talvez pudesse ter sido mais simbólica nas nuances e acrescentado algo a mais para chamar melhor a atenção do público.

Enfim, é um filme melancólico, que conta com cenas belíssimas, porém que esquece do principal que é fazer o público sentir algo no fechamento, e nem a reflexão completa consegue isso, o que é uma pena, pois o longa valeria ter ido muito mais além. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Rei da Feira

9/05/2025 09:46:00 PM |

Costumo dizer que é raro ser surpreendido por filmes nacionais com pegada cômica, pois ou exageram demais para ficar dentro do pastelão forçado ou então acaba virando uma novela que não faz rir ou o pior estilo possível quando recai para o lado de esquetes, mas pelo trailer, "O Rei da Feira", não parecia se encaixar em nenhum desses tipos, então eis que fui conferir para saber qual era a pegada, e cá estou hoje digitando bem feliz com o que vi na telona, pois tem toda uma boa entrega investigativa de um modo bem sacado, sem forçar a barra para fazer rir, e deixando que o longa flua sozinho, tendo dinâmica e principalmente não sendo parecido com nada que já assistimos, ainda mais no cinema nacional. Ou seja, é um filme diferenciado que soube brincar com as facetas que tinha, sem entregar algo necessariamente caro, com pouquíssimas locações, mas que não falha em ser simples, aonde até mesmo as dinâmicas que pareciam ser forçadas se desenvolvem e agradam na tela. Pena que não caiu no gosto popular, pois na sala só tinha eu, pois acredito que muitos outros vão entrar na onda e curtir a entrega.

A sinopse nos conta que quando um feirante é misteriosamente assassinado, entra em cena Monarca, um detetive nada convencional, que mistura seu faro investigativo com dons paranormais... e um certo talento para se meter em confusão. Ao lado do espírito tagarela da própria vítima, o Bode, ele vai encarar uma investigação cheia de barracos, fofocas e revelações no meio da feira mais agitada do Brasil.

O bacana do diretor Felipe Joffily é que estando no meio cômico já há um bom tempo, ele sabe aonde desenvolver mais ou menos cada situação na tela, e conhecendo bem o protagonista também pode brincar com o básico bem feito, mas o que foi mais interessante aqui foi sair do eixo tradicional, pois a trama de Gustavo Calenzani pedia algo que brincasse com o lúdico/paranormal sem que ficasse bobo demais, mas também sem ser sério, e a escolha pelo traquejo social acabou sendo a melhor opção para que tudo chamasse atenção e divertisse sem causar danos morais também. Ou seja, é o famoso pacote que sai do comum, mas que tendo pegada agrada demais na tela.

Quanto das atuações, volto a frisar que quando Leandro Hassum emagreceu aos montes acabou ficando chato, perdendo sua veia cômica, e agora nessa opção de filmes variados, vem voltando para algo que chamasse atenção e agradasse divertindo com uma boa pegada que seu Monarca acaba tendo na tela, sendo intenso e cheio de boas facetas expressivas. Outro que não conhecia, mas que brincou e agradou demais foi Pedro Vagner com seu Bode cheio de boas sacadas, com personalidade nos trejeitos, e que principalmente não deixou que ficasse artificiais os seus momentos, parecendo realmente conhecer desse meio mais interiorano cheio de sotaques, e que sendo um belo incômodo para o protagonista acaba se desenvolvendo na tela e chamando o filme para si a todos momentos. Ainda tivemos outros bons personagens feitos com intensidade por cada um dos atores da trama, mas não tendo algo chamativo em si por suas atuações, e sim mais pela personalidade entregue aos devidos papéis, com destaque para a jovem maluca do necrotério que faz suas lives abrindo os cadáveres e explicando de forma inusitada como aconteceram as mortes.

Visualmente a trama foi bem simples na tela, tendo a base na feira com poucas barracas, mostrando mais a de carnes do protagonista bem rodeadas de moscas, o bar aonde ele come seu almoço deixando a buchada para ser feita, e um velório festivo no melhor estilo do churrascão aonde o investigador interroga os suspeitos da feita, além claro do necrotério, mas tudo sem grandes detalhes ou chamarizes para funcionar mais pelo roteiro em si do que pelos elementos usados, sendo tudo bem moldado para as dicas, e o resultado acabando aparecendo fácil.

Enfim, é algo que realmente não esperava gostar tanto do que vi, que até tem seus leves defeitos, mas que se encaixa tão bem na tela, com uma trilha sonora bem pegada e interessante para dar o clima, que ao final já estamos até bem íntimos dos personagens curtindo a entrega na tela. Então fica a dica para a conferida, e que venham mais filmes diferenciados dentro do nosso cinema nacional, pois já cansamos das mesmices. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas ainda vou conferir mais um longa hoje, então abraços e até logo mais.




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Invocação do Mal 4: O Último Ritual (The Conjuring: Last Rites)

9/05/2025 01:29:00 AM |

Quem me conhece sabe que gosto daqueles terrores que fazem você sair da sessão do cinema arrepiado na última sessão com medo de ir pegar seu carro no estacionamento, olhando para todos os lados antes de seguir, mas também sou fã daqueles com conteúdo histórico ou o famoso baseado em fatos reais, como é o caso da franquia "Invocação do Mal", porém com o detalhe de que gosto bem mais dos dois primeiros dirigidos por James Wan, do que o último e esse que ficaram nas mãos de Michael Chaves, não por serem ruins, muito pelo contrário, ambos são bem interessantes, com o anterior sendo bem tenso, e esse novo algo mais histórico e cheio de facetas para dar uma visão da vida dos demonologistas conectando eles de um dos seus primeiros casos até o "último" que é mostrado na tela, porém o motivo de ser apaixonado pelos primeiros é o acontecer, os sustos, as dinâmicas em si, o que para o novo diretor não é tão primordial. Ou seja, se você morre de medo dos espíritos, demônios e tudo mais que casualmente lhe faça fugir do estilo, esse seria um bom exemplar para conferir sem causar tanto em sua vida, mas do contrário, apenas vá para ver o "encerramento" ao menos das histórias com os protagonistas, afinal já foram bem gastos, e tiveram seus principais casos mostrados, com os demais sendo menos explosivos.

Neste último capítulo, os Warren enfrentam mais um caso aterrorizante, desta vez envolvendo entidades misteriosas que desafiam sua experiência. Ed e Lorraine se veem obrigados a encarar seus maiores medos, colocando suas vidas em risco em uma batalha final contra forças malignas.

Diria que o diretor Michael Chaves até foi bem moldado e conseguiu seguir os passos de James Wan, porém aqui ele precisava ter trabalhado mais os sustos e as dinâmicas para causar, afinal o público fã da franquia quer ter medo, quer sair impactado da sala, e aqui ele contou história demais, ao ponto que seu filme tem praticamente dois filmes, com o primeiro desenvolvendo toda a história da filha, do casal e tudo mais, e da casa em si, para depois tudo se conectar e o milho começar a explodir da pipoca, o que não é ruim, afinal já falamos tantas vezes reclamando da falta de história em terrores, mas como esse caso foi colocado como sendo o último da franquia, faltou não ser apenas uma homenagem aos demonologistas, e sim algo que ficasse memorável na mente dos fãs, e esse não é o estilo do diretor, tanto que até comentei com um amigo, que a mesma história nas mãos de Wan ou qualquer outro bom diretor de terror, faria o público sair tremendo da sala do cinema, enquanto o que ocorreu foi apenas um bacana, vamos pra casa. 

Quanto das atuações, o estilo e a química de Vera Farmiga e Patrick Wilson é perfeito demais para seus Lorraine e Ed Warren, de tal forma que eles não querem mais tanto focar nos personagens em suas carreiras, mas facilmente se os diretores e produtores vierem com carinho arrumariam mais alguns casos tensos para mostrar nas telonas, pois ambos entregam personalidade, força expressiva e olhares como nenhum outro consegue fazer tão facilmente, e assim sendo será até triste nos despedirmos deles nos papeis. As versões jovens dos protagonistas feitas por Orion Smith e Madison Lawlor também foram bem chamativos, conseguindo dominar o ambiente e dosar expressões, com o rapaz sendo incrivelmente parecido com Patrick, mesmo sem ter nenhum parentesco. A jovem Mia Tomlinson nos cansou um pouco com seu diálogo repetitivo para fugir dos demônios, mas expressivamente ela soube se entregar bem nos atos de sua Judy, sendo doce de estilo e surtada quando precisou, conseguindo chamar bastante atenção em sua estreia nas telonas. Ainda tivemos Ben Hardy trabalhando seu Tony com uma leve insegurança que o papel pedia, mas sabendo ser coeso e cheio de traquejos quando precisou, Steve Coulter voltou com seu Padre Gordon de tantos outros filmes da franquia para um ato bem marcante e intenso, e claro temos de falar da família Smurl muito bem representada por Elliot Cowan, Rebecca Calder, Beau Gadsdon e Kila Lord Cassidy nos papeis do pai, mãe e as duas filhas mais velhas que vão sofrer com o demônio e fizeram boas caras de espanto nos devidos atos.

Visualmente a trama foi muito bem elaborada, de modo que chegamos a sentir os anos 80 na tela de um modo bem interessante, e que claro usando efeitos práticos, os movimentos chegam a ser ainda mais assustadores conforme vão acontecendo na tela, mostrando bem uma festa na casa dos Warren, seu museu de objetos endemoniados, e do outro lado a casa dos Smurl (ou melhor sua primeira casa, pois segundo o caso real, eles mudaram várias vezes até conseguir ter o exorcismo liberado pela Igreja, o que não é mostrado no longa!). O bacana que a equipe de arte do filme fez foi dar um ar envelhecido para tudo, além claro de muitos objetos e roupas da época, brincando com os tons e que sem precisar puxar para um lado mais escuro causar na tela. Ou seja, a dinâmica entre arte e fotografia funcionou bastante, e representou com seus devidos símbolos e mensagens.

Enfim, é o famoso filme de homenagem e fechamento que muitas franquias dramáticas e/ou românticas gostam de entregar, ao ponto que tudo tem seu desfecho bem encaixado, todo o lance do casamento, do novo dono do museu e tudo mais, mas que para uma franquia de terror talvez um algo mais marcante chamaria muito mais atenção e causaria como deveria. Volto a frisar que não ficou ruim, muito pelo contrário, é algo bonito de se ver na telona, mas que passa longe de ser uma trama que indicaria quando alguém me pedisse um terrorzão. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Missão Resgate: Vingança (Ice Road: Vengeance)

9/04/2025 01:47:00 AM |

É interessante ver que continuações podem fluir de forma tão aleatória quanto o imaginário dos diretores, pois a origem do longa "Missão Resgate" era dos caminhoneiros tentando chegar em uma mina para levar canos pelo gelo de forma complexa para salvar os mineiros, até aí beleza, aconteceu, mas teve outras confusões no meio do caminho, e originalmente o longa chamava Ice Road, ou seja, Estrada de Gelo. Pois bem, vamos a continuação que surgiu do além na Amazon Prime Video, sem nenhuma propaganda, chamariz ou coisa do tipo, vindo como "Missão Resgate: Vingança", e você fica pensando aonde está o resgate, é vingança de que, afinal o protagonista está indo para o Everest levar as cinzas dum irmão morto em combate, que nada tem a ver com o primeiro filme, a confusão se dá com um mercenário que está caçando a família de um dono de terras de lá, e não estão resgatando ninguém, nem vingando ninguém, ou seja, o pessoal se perdeu nos nomes de filmes, apenas colocando o personagem Mike McCann e não sabiam como chamar, e jogaram isso na tela. Pronto, feito meu desabafo sobre o nome do filme, vamos ao que é entregue na tela, afinal é um bom passatempo para quem curte as tramas corridas contendo Liam Neeson, cheio de presepadas malucas (aqui os mecânicos de ônibus/caminhão irão ter um surto coletivo, já adiantando que o protagonista troca um eixo inteiro em menos de duas horas, detalhe não de filme, mas sim de tempo que o cara fala que durou o espaço-cênico, com um rapel tirando o eixo de outro veículo que caiu em um precipício), mas que no final acaba sendo bacana de conferir, então não é nada impressionante, porém bem trabalhado se não for conferir esperando uma continuação do original.

No longa vemos que Mike McCann é um caminhoneiro de carga pesada que, ainda sofrendo com um trauma, viaja até o Nepal para cumprir o último desejo do irmão mais novo: espalhar suas cinzas no Monte Everest. A bordo de um ônibus comandado por Dhani, uma habilidosa guia turística, Mike pretende realizar a travessia perigosa da Estrada para o Céu, que leva ao alto da montanha. O que, porém, deveria ser uma despedida familiar se transforma num pesadelo quando o caminhoneiro esbarra nos planos de um grupo de mercenários inescrupulosos. Agora, junto com sua guia, Mike precisa lutar para sobreviver e proteger os passageiros, impedindo uma ameaça maior do que imagina envolvendo as terras de um povoado local.

O mais interessante é que em 2021 já tinha falado que o diretor Jonathan Hensleigh não era muito conhecido pelas suas direções, mas tinha seu nome assinado em produções incríveis do passado, mas aí ele me vem e faz uma continuação de sua obra, sem ser uma continuação efetivamente e nos dá uma mancada dessa? Claro que a ideologia do cara ser um caminhoneiro de nível máximo lhe dá o gabarito de pilotar bem um ônibus, saber alguns elementos de mecânica e tudo mais, mas o que ele põe aqui em suma apaga completamente tudo o que vimos quatro anos atrás, e simplesmente vemos algo novo, que volto a frisar de não ser ruim, mas mudasse o nome, isso é tão fácil, já vimos outras histórias que o personagem principal reaparece, já vimos ideias aonde tudo se encaixa em multiversos, mas trazer algo sem conexão com o mesmo nome, apenas por envolver o personagem e seu jeito de pilotar caminhões e ônibus foi forçar a barra. Dito isso, nem vou falar que espero um desfecho de trilogia que ele deixou ponta, pois é capaz de agora se rolar um casório vai pegar e consertar um navio em movimento.

Sinceramente já nem sei mais quando Liam Neeson está atuando ou está brincando em cena, pois depois que acabou funcionando em uma comédia, aqui seu Mike McCann até soa leve, e até destoa no sentido de um filme ter o subtítulo vingança, pois poderia ter demonstrado mais seu lado revolto que já vimos em outros filmes, de forma que sua nova versão bom moço, meio calmo demais para a idade não é tão imponente, mas claro que ele atirou bastante, deu uns bons socos e fez o que precisava pro filme ter ao menos sua assinatura. A atriz Bingbing Fan já mostrou em outros filmes que luta demais, e aqui sua Dhani tem também uma pegada meio calma, que quando os bandidos vem pra cima não desaponta, e assim sendo consegue chamar a atenção para o que deveria, mas claro que sem trabalhar muitos diálogos, o que é uma pena. Ainda tivemos Saksham Sharma com seu Vijay sendo a famosa vítima que apanha bem, mas não morre, e Grace O'Sullivan que acostumou tão rápido com a morte de seu pai em cena, que não sei se a personagem ainda não descobriu, ou simplesmente estava ali esperando acontecer, pois logo em seguida já está aprendendo a lutar, mas sem dúvida o vilão vivido por Mahesh Jadu é o famoso fala muito e faz pouco, não empolgando e nem sendo imponente em tela, ou seja, o elenco de apoio não apoia o filme.

Visualmente a trama fica bem dentro do ônibus, que é bem chamativo para aparecer bem nas cenas intensas do Everest, com suas estradas minúsculas na beira do precipício, tivemos muitas coisas improváveis de se ver acontecendo como a troca de eixo rápida, a desmontagem quase que inteira, as explosões e tiros sem pegar em quase ninguém, alguns casebres, e claro toda a rampa enorme que o ônibus e o carro descem com cabos, sendo tudo interessante de se pensar, mas difícil de acreditar.

Enfim, é o famoso passatempo que talvez funcionasse melhor na telona, pois em casa você não entra tanto no clima como aconteceu com o primeiro filme, fora toda essa loucura de uma continuação que não usa praticamente nada do seu antecessor, e assim sendo tem de conferir relevando muita coisa para não reclamar de tudo, e assim sendo fica uma dica meio que em cima do muro. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Clube do Crime das Quintas-Feiras (The Thursday Murder Club)

8/31/2025 11:59:00 PM |

Alguns filmes da Netflix ficam meses aparecendo no em breve, porém outros surgem simplesmente do nada, de modo que certamente "O Clube do Crime das Quintas-Feiras" estaria na minha lista de desesperadamente serem conferidos, afinal com um elenco básico de lendas do cinema não teria a menor chance de dar errado na tela, e felizmente não deu, pois eles conseguiram mesmo trabalhando um estilo batido, aonde as nuances precisam encaixar muito bem para amarrar a história e o espectador, ousar em algo bem passatempo de domingo, mas também com nuances criminais e investigativas que tanto agrada o povo do streaming. Ou seja, é um filme que deu um jeito meio que safado de fechamento, mas que agrada dentro da dinâmica toda, e facilmente uma continuação chamaria o público para as telas novamente, afinal o elenco é bom, a ideia em si funciona para muitos casos, e sendo um livro que foi muito vendido, já tem sua leva de fãs, então veremos como a Netflix irá se posicionar, afinal estreou em primeiro lugar em muitos países e se manteve o final de semana inteiro na posição, algo que é raro na companhia ultimamente, tirando séries e coisas orientais.

No longa vemos que um grupo de amigos aposentados se reúnem toda quinta-feira para resolver casos de assassinatos arquivados por diversão. O que não esperavam era que o passatempo tomaria um rumo inesperado, envolvendo-os, agora, na investigação de um verdadeiro mistério. Uma morte acontece bem debaixo do nariz dos quatro amigos, transformando o que antes eram apenas casuais reuniões em uma jornada criminal emocionante e cheia de reviravoltas. Liderados pela ex-espiã Elizabeth, o ex-sindicalista Ron, o ex-psiquiatra Ibrahim e a ex-enfermeira Joyce confrontam as pistas e colocam suas expertises em jogo para encontrar o culpado pela morte do empreiteiro imobiliário da região.

O estilo do diretor Chris Columbus já é muito conhecido, pois esteve a frente de grandes produções nas telonas, e mesmo em tramas simples ele gosta de imprimir um ritmo mais acelerado quase no batimento de uma aventura, e isso é bem bacana, pois não deixa o espectador cansado e muito menos desinteressado no que vai estar sendo mostrado, porém em filmes de mistério com mortes e tudo mais, a entrega de pistas precisa ter um caimento mais pegado, dando espaços para os personagens se desenvolverem, pensarem e também o público criar suas ideias e caminhos, o que acabou não acontecendo aqui, principalmente por talvez ter a necessidade de mais do que um crime na trama, porém, ainda assim o resultado felizmente não desanda, mas dava para ser algo ainda mais chamativo e imponente, pois certamente os atores saberiam segurar a densidade, e o resultado impactaria muito mais. Ou seja, a história do livro de Richard Osman teve um bom exemplar desenvolvido na tela, ao ponto de nem ter a necessidade capitular, nem precisar ser uma trama cheia de amarrações confusas, aonde os personagens foram bem rapidamente colocados na tela, e o resultado final acontece fácil.

Quanto das atuações, chega até ser engraçado o momento em que Jonathan Pryce fala que Helen Mirren está parecendo a rainha Elizabeth, seu nome também no longa, pois a atriz já fez tantas rainhas na telona que está acostumada com esses floreios, e também já fez outras pegadas de agente, de senhorinha, e tudo mais, aliás nem sei o que ela ainda não fez na tela, e aqui sua protagonista tem boas dinâmicas e chama para si quase todos os atos que está presente, o que até pode ser um pouco exagerado, mas funciona bem, e assim acaba valendo a entrega. Estava com um pouco de receio da parceira cênica de Celia Imrie com sua Joyce para com a protagonista, pois ela sim tem o costume de fazer papeis mais fechadinhos, sem grandes explosões cênicas, mas a pegada escolhida para a personagem funcionou tão bem que até mesmo aonde ela precisou se jogar a frente de Mirren, ela fez bem, e isso acabou dando uma nuance diferente para o ambiente em si. Pierce Brosnan é sempre o mesmo em tudo o que faz, mas aqui com seu Ron ele foi ator demais no ato que o policial vai até o seu quarto e depois quando se veem na cena seguinte sem toda a maquiagem preparada para a cena, sendo cômico sem precisar forçar na maioria dos momentos e chamando a dinâmica com a cautela necessária para agradar. Confesso que gosto dos papeis mais ágeis de Ben Kingsley, mas seu Ibrahim tocará muito no coração dos psiquiatras de plantão que querem tudo acelerado, principalmente o modo de seu estudo do tempo, e o ator soube brincar com as facetas expressivas sem precisar sair do papel, o que é bacana de ver. Ainda tivemos bons atos com Naomie Ackie com sua Donna de Freitas como uma policial que cai nas graças do grupo e Daniel Mays que entrega um investigador mais bobão com seu Hudson, além de Tom Ellis fazendo um Jason com performance demais e Henry Lloyd-Hughes trabalhando seu Bogdan com trejeitos clássicos demais para um personagem "não-europeu", entre muitos outros que tiveram rápidas participações.

Visualmente vou dizer um negócio pra vocês, com um lar de idosos desse porte, eu desejaria ficar velhinho bem rápido, pois tem de tudo praticamente como uma grandiosa cidade, fora os quartos parecendo casas luxuosas do estilo que o idoso necessita, ou seja, a equipe de arte gastou bastante para representar tudo na tela, brincou com os momentos cênicos dos crimes, só faltou trabalhar um pouco mais com as pistas, pois faltou essa alegoria tão clássica em filmes de mistérios, deixando mais para as alegações verbais do que para as visuais. Ou seja, acabou toda a grana fazendo o lar dos idosos, e não sobrou nada para os crimes.

Enfim, é daqueles longas que você se afeiçoa tanto aos personagens, que sem precisar de longas apresentações ou dinâmicas tudo o que vê na tela acaba funcionando facilmente, que você não vai desejar que vire uma série ou franquia de milhares de capítulos, mas que ao menos uma continuação com um novo crime para eles desvendarem vai acabar torcendo. Ou seja, é um ótimo passatempo bem feito, que funciona e agrada na tela, que dava para ir mais longe com o que tinham em mãos, mas talvez não ficasse tão fácil, leve e gostoso de ver, que com certeza era a proposta do diretor, então vale a recomendação dessa forma. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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