A sinopse é simples e direta nos contando que após perder o pai em um incêndio trágico, Risa, de 10 anos, descobre um telefone público abandonado que lhe permite falar com os mortos. Cada um deles tem um desejo, um pedido, algo a resolver. Se Risa os ajudar com seus assuntos inacabados no mundo dos vivos, eles permitirão que ela realize seu desejo impossível: falar com o pai uma última vez.
O diretor Juan Cabral soube criar uma trama tão leve e cheia de nuances que o filme tinha daqueles textos que poderia dar muito errado na tela e ficar pesado e até seco demais, mas abrilhantou ele para que ficasse com uma sensibilidade bem encaixada e brincasse com o evento para um lado que não chega a ser uma conexão de amizade em si, mas algo maior e mais humano entre os protagonistas e suas dinâmicas, de modo que sabemos o quanto o povo latino tem uma conexão maior com a morte e seus conflitos, que alegoricamente funciona muito bem em todos os sentidos, e aqui acabou sendo agradável e gostoso de ver. Claro que tivemos alguns momentos que ele até tentou forçar o choro do público, e já disse isso algumas vezes que é o famoso golpe baixo, pois várias tramas conseguem fazer isso sem precisar de apelo, mas como não é algo errado, o resultado acaba funcionando bastante, mostrando que é um diretor que temos de ficar de olho com o que ainda pode entregar.
Quanto das atuações, num primeiro momento não tinha chegado a me conectar com Elena Romero, pois parecia seca demais em relação a tudo o que tinha para vivenciar, porém foi se soltando tão rapidamente que sua Risa acaba nos abraçando dentro de sua síntese, sendo simples e com boas nuances para emocionar e agradar, de modo que talvez precise ainda melhorar algumas intensidades de olhares, mas tem futuro. Agora Diego Peretti entrou com seu Esteban em cena parecendo não dar nada para o filme, porém foi se desenvolvendo dando tantas nuances para seu personagem, que só vai impactando mais, ao ponto que sua cena no chão da casa é algo tão brilhante que marca e mostra que o ator é daqueles que vai voar demais ainda. Ainda tivemos outros personagens como o garotinho Manuel da Silva com seu Milo também bem emocional na dinâmica, entre outros que foram se conectando com a garotinha, valendo um leve destaque para a mãe vivida por Cazzu, mas nada que impactasse realmente para as dinâmicas completas do filme.
Visualmente o longa teve uma formatação bem bonita de acompanhar, mostrando uma cidade quase que abandonada na tela, com poucas casas, algumas destruídas ainda, a casa da protagonista bem simples, a do vizinho ainda mais degradada, e claro o morro com a cabine solitária, sem fios e tudo mais, mas acompanhada de uma árvore sobrevivente com a forma da passagem do vendo empurrando os galhos para um lado só deu todo um charme para que os momentos fossem intensos ali, além claro dos diversos atos aonde a garotinha vai em cada casa ou lugar passar as mensagens das famílias contando com elementos e marcações bem chamativas.
Enfim, é um filme que me surpreendeu na essência, que conseguiu me envolver e até emocionar em alguns momentos, sendo interessante pela ideia e bem desenvolvido na tela, valendo a indicação com certeza para todos que gostam do estilo. Então fica a dica e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.







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