Netflix - A Babá: Rainha da Morte (The Babysitter: Killer Queen)

9/13/2020 02:39:00 AM |

Sempre que um filme tem um estilo diferenciado é fácil saber que teremos continuações, e a Netflix já captou que dá para brincar bastante com isso tanto que ao lançar "A Babá" em 2017 já meio que negociaram com o diretor McG a continuação, e eis que agora logo após lançar a trama já estão falando num terceiro filme, ou seja, muito em breve veremos outro terrir bem maluco sendo lançado. Mas vamos nos ater no lançamento dessa semana, "A Babá: Rainha da Morte", que seguiu bem a linha do original, mudando um pouco a fórmula para algo mais próximo de um jogo de videogame, ao ponto que cheguei a lembrar até de "Scott Pilgrim Contra o Mundo", numa versão mais sangrenta, e isso não é algo ruim, pois trouxe um pouco do estilo de HQs, colocou personagens bacanas para serem derrotados, e principalmente seguiu a ideia original do culto satânico e seus adoradores em busca de uma vida melhor. Ou seja, é um filme bem divertido também, levemente inferior ao primeiro, que brincava um pouco mais com a inocência do protagonista e seus atos ocorrendo naturalmente na correria, enquanto aqui já sabendo mais o que fazer o filme fluiu mais para o besteirol, o que também não foi ruim de ver. Sendo assim, o resultado geral foi bacana, mas poderiam ter seguido mais com o lance do terror denso, que agradaria um pouco mais.

O longa acompanha Cole dois anos após derrotar o culto satânico liderado por sua babá Bee. Tentando superar o passado e sobreviver no colégio, tudo parece estar bem. Porém, quando velhos inimigos retornam inesperadamente, ele terá que lutar novamente.

Se no primeiro filme o diretor McG pode ousar, mas ainda era um projeto sem muito chamariz, aqui que já tinha o resultado do primeiro longa, ele pegou a ideia e saiu explodindo e detonando tudo de forma que vemos uma produção muito maior, com mais locações, mostrando um pouco mais da escola, indo para uma grandiosa festa num lago, vemos um ritual maior e tudo mais para o diretor poder brincar. Aliás falando em brincar, ele até usou o estilo de jogo de luta de videogame em determinado momento, saindo completamente do eixo do cinema, ou seja, ele abusou de técnicas, mexeu com estilos diferentes, e ampliou um pouco sua história, afinal se no primeiro filme tudo era mais lúdico pela idade do protagonista, agora que já está numa idade mais sexual, ele pode apimentar um pouco mais as coisas e ter um pouco mais de referências. Ou seja, ele acabou saindo um pouco da ideia fechada do projeto, mas fluiu um pouco mais, mudando um pouco do gore (mesmo que mantendo toda a sanguinolência) para algo mais próximo de uma ação cômica com toques de terror, o que não é ruim, mas que a comparação faz com que o primeiro filme seja bem melhor, principalmente se visto no mesmo dia.

Sobre as atuações, chega a ser até assustador o tanto que Judah Lewis cresceu em relação ao primeiro filme, tanto que a trama se passa 2 anos depois do primeiro, mas ficou parecendo que se passaram pelo menos uns 5, mas o jovem soube manter um pouco seu jeito bobão e ingênuo, encontrou forças para se desenvolver melhor, e mesmo sendo daqueles que ainda tem o estilo mais preso, foi dinâmico e cheio de bons trejeitos para cada um dos momentos de seu Cole, mostrando um certo potencial para bons filmes no futuro. Emily Alyn Lind voltou com uma Melanie ainda mais bonita que no anterior, e ainda mais intensa de estilo, porém seu segundo ato ficou exageradamente forçado de trejeitos, e muito em segundo plano, o que acabou desapontando um pouco pelo que esperávamos dela, mas não foi ruim. Uma ótima surpresa foi ver Jenna Ortega como uma Phoebe diferenciada, cheia de estilo, que trouxe uma certa vitalidade de estilo nas cenas mais intensas, e mesmo ficando claro de cara tudo que ocorreria nas cenas finais, acabou funcionando bastante. Samara Weaving também ficou bem em segundo plano durante o longa todo, e até parecia que não tinha acertado seu cachê para reviver a babá Bee, mas teve alguns bons atos, e até saiu-se bem no final. Novamente o elenco secundário serviu apenas para divertir no besteirol, e Robbie Amell trouxe um Max ainda mais maluco correndo sem camisa e fazendo charme, Andrew Bachelor foi ainda mais cômico nas piadas com seu John, inclusive fazendo a piada clássica de ateus e satanistas em seu último momento, Bella Thorne voltou sensualizando ainda mais com sua Allison, e claro Hana Mae Lee veio ainda mais psicopata com sua Sonya, e por incrível que pareça, os personagens novos foram péssimos ao ponto de nem dar para falar nada deles.

No quesito visual a trama se mostrou bem segura do que queria mostrar, tendo bem mais locações, ousando nas filmagens em um lago belíssimo com um estilo mais rústico de paisagens, afinal o primeiro se passou praticamente inteiro dentro da casa do protagonista, então aqui deram espaço para mortes mais impactantes e fortes em no meio de paredões de rochas e claro um chalé no meio do nada. Ou seja, a equipe precisou preparar melhor o terreno, e aqui sim tivemos muito mais uso da computação gráfica ao invés de efeitos práticos como foi o primeiro longa, e assim o resultado ficou um pouco mais artificial, mas ainda usando uma boa quantidade de sangue falso para a sujeira ficar bem bonita de ver.

Enfim, é um bom filme, divertido, ousado e cheio de bizarrices, mas infelizmente pecou em exagerar mais do que o original, e isso costuma pesar um pouco, principalmente para quem fizer como eu, e engatar os dois quase que seguidos. Ou seja, é daqueles longas que quem gosta do estilo de terror/suspense vai reclamar muito pela falta de tensão, mas quem gosta de um juvenil sujo bem bagunçado com mortes violentas vai vibrar, então fica a dica para esse público. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Babá (The Babysitter)

9/12/2020 07:04:00 PM |

Estou conferindo coisas na Netflix já faz quase 2 anos e por incrível que pareça nem o sistema de algoritmos da plataforma nem ninguém havia me indicado o longa "A Babá", e olha que não é um filme esquecível, muito pelo contrário, é uma trama envolvente, muito bem feita, cheia de ação e tensão, com uma desenvoltura digamos teen, mas que acaba sendo bem interessante de conferir, que lembra um pouco alguns longas de antigamente por toda a sanguinolência espalhada para todos os lados, pela imaginação e envolvimento dos protagonistas, e principalmente por ser uma trama gostosa de curtir, ao ponto que mesmo causando um pouco de desconforto em quem não seja tão vidrado em sangue para todo o lado, certamente irá assistir torcendo pro garoto se safar, e claro para que muita coisa ocorra, e claro deixando aberto para a continuação (que estreou na última sexta-feira e já verei logo em seguida de acabar o texto), o resultado geral (embora maluco pela cena final), é bem divertido e bacana de ver.

O longa acompanha o jovem Cole, que é loucamente apaixonado por sua babá sedutora e popular chamada Bee. Até que o garoto acaba descobrindo que, na verdade, ela é uma assassina adoradora do Diabo. Agora, para evitar que ele revele seu segredo, Cole está na mira da babá e seus amigos assassinos.

O diretor McG é daqueles que gosta de tudo acontecendo com muita imponência, que faz as cenas seja de explosão ou de matança sejam fortes e bem desenvolvidas, empolgando bastante desde o começo até o fim, ao ponto de que tudo funcione bastante. Ou seja, temos aqui uma boa história, simples e bem desenvolvida, que mesmo não fazendo apresentações, acaba se desenrolando de uma maneira tão precisa e certeira, que praticamente acabamos conhecendo um pouco de todos ali, claro que devido às diversas características de cada personagem ser algo bem clichê do gênero, mas mesmo assim não atrapalhando em nada. Ou seja, o diretor acertou muito bem a mão e fez com que tudo funcionasse bem, encaixando o longa num estilo que é clássico e tem um bom funcionamento, que é o terror gore, mas mais do que isso, ele foi preciso em escolher algo mais juvenil e sem apelações fortes para que a trama fosse aberta para algo a mais, e assim o acerto foi iminente para todos.

Sobre as atuações, temos que aplaudir o jovem Judah Lewis pelo desenvolvimento que deu para seu Cole, de modo que ele acaba iniciando de uma maneira simples, mas vai se impondo com boa sagacidade, fazendo bons trejeitos tanto de desespero quanto de esperteza, e ao final já vemos o jovem preparado para tudo, o que certamente na continuação será bem utilizado, pois ele foi bem demais. Samara Weaving também se entregou bem para sua personagem, criando tanto o carisma necessário para convencer em seus atos, como o ar sedutor com sua beleza, ao ponto que de cara ninguém fica preocupado com ela (claro tirando o ponto que pelo nome já sabemos que algo vai rolar com ela!), mas sua Bee vai além e acaba sendo precisa tanto nos trejeitos, quanto no estilo adotado, ao ponto de agradar demais e o resultado ser perfeito. Quanto aos demais, diria que todos foram encaixados dentro de símbolos para que a trama funcionasse bem, e o acerto foi muito bom, tendo desde o jogador galã fortão bem vivido por Robbie Amell, a líder de torcida gata que quer crescer na vida independente do que faça vivida por Bella Thorne, o rapaz maluco que acaba fazendo as cenas malucas, vivido por Andrew Bachelor, e claro a oriental psicopata exagerada que aqui foi interpretada por Hana Mae Lee. Além desses, mesmo que tendo pouca participação no início, mas funcionando bem no rumo final, temos de pontuar a boa desenvoltura da garotinha Emily Alyn Lind, que acabou tendo bons ensejos, olhares, e que também certamente será bem usada na continuação, ou seja, agora é ver o que virou.

A equipe de arte certamente arrumou um estoque muito grande de sangue cenográfico, ao ponto de como todo bom gore, vemos espirrando para todo lado, algumas aranhas grandes, uma casa com muitos objetos pontudos para servirem de armas, e que o resultado acaba sendo um banho de cenas violentas muito bem executadas, que nem precisariam praticamente sair de uma única locação, mas foram para uma escola, para a rua com o amigo que provoca o protagonista, e até para a casa da amiga na frente, além claro de usar o carrão do pai dela para uma cena bem imponente. Ou seja, a equipe de arte usou bastante de artifícios prontos e práticos, evitando bastante a computação, e o resultado foi impecável.

Enfim, é um estilo que muitos não curtem, por nem se enquadrar no terrorzão propriamente dito, nem ser uma comédia, muito menos um filme adolescente, mas que na junção dos três estilos o resultado acaba surpreendendo bastante, e vale demais por tudo que foi entregue, ou seja, é uma boa diversão para todos, e que agora é conferir a continuação para ver se conseguiram manter o estilo ou até surpreender mais. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - #Alive (#Saraitda) (#살아있다)

9/11/2020 12:54:00 AM |

Um dos subgêneros que o pessoal mais curte de ver seja nas diversas séries, ou em filmes de terror e ação, é o tal dos longas com zumbis, pois geralmente acaba dando uma adrenalina interessante com todos os mortos-vivos correndo que nem malucos, comendo uns aos outros, e claro os protagonistas que não viraram ainda zumbis correndo ou tentando sobreviver em meio ao caos. E com isso eis que hoje resolvi conferir o tão falado longa sul-coreano "#Alive" da Netflix, e olha é daqueles que tem estilo, que capricharam nas maquiagens dos zumbis, que tem muito sangue pra todo lado, e principalmente que os jovens protagonistas conseguiram trabalhar sua sobrevivência pensando bem, mesmo que fazendo algumas loucuras, e ainda sendo bizarro demais o jovem sair batendo com um taco de golfe. Ou seja, é um filme bem simples, porém efetivo no que foi pensado, que diverte bastante, e que trabalha bem a agonia/desespero de se ficar em casa durante uma pandemia (o que muitos acabaram sentindo nessa quarentena que estamos vivendo), e que com uma boa dose de ação acaba envolvendo e mostrando serviço, valendo bastante a conferida.

O longa nos mostra que um jovem gamer precisa lutar por sua vida diante de um apocalipse zumbi, se encontrando cercado em seu apartamento. Mas a situação complica ainda mais quando a energia é cortada. Assim, ele não pode mais acessar parentes e amigos online, jogar seu game ou se conectar com o mundo exterior.

Um dos pontos do estilo é que sabemos praticamente tudo o que vai rolar, pois não dá para inventar muito, então coube ao diretor e roteirista Il Cho encontrar pontos irreverentes para surpreender, e ele até que conseguiu trabalhar alguns bem colocados. Ou seja, é um filme bem tradicional do gênero, que tem uma boa dinâmica com os protagonistas (felizmente são poucos), que surpreende no ponto de virada com o que ocorre, principalmente pelo motivo, e que acaba tendo uma boa ação sem precisar dar sustos bobos (bem comum também do estilo), e assim o diretor soube orquestrar bem a correria dos infectados, brincar com o desespero do jovem (que só na sinopse e pelo computador vemos que é um gamer, pois logo depois esquece seu jogo - aliás ficar sem servidor foi maldade com o jovem!), e fazer tudo funcionar bem sem precisar de romance e outros clichês do gênero também, e assim acabamos podendo falar que a estreia do jovem diretor foi precisa e certeira.

Sobre as atuações, o jovem Ah-In Yoo conseguiu ser carismático, fazer cenas bem desesperadas e bobas ao ponto de ficarmos com raiva dele, e principalmente não se perdeu em trejeitos, o que é muito comum de ver no estilo, de forma que seu Oh Joon-woo acabou sendo um bom personagem, e boa parte dos acertos se deve ao ator funcionar bem no papel. Da mesma forma Shin-Hye Park trouxe uma Kim Yoo-bin inicialmente séria demais, sem muita desenvoltura, só na dela, mas quando botou pra quebrar ficamos com a mesma cara do protagonista de assustado com a potência da garota, que claro fez uma cena tremendamente exagerada, mas que funcionou para o momento que o longa pedia, então ficou forçado, porém funcional, e tirando o exagero de choro (que não ficou legal de ver!), a jovem mandou muito bem nos seus atos. Quanto aos demais, tivemos muitos atores correndo pra todo lado, fazendo caras e trejeitos fortes debaixo de muita maquiagem, mas só vale destacar Hyun-Wook Lee que apareceu bem no finalzinho, mas teve o ato mais importante e polêmico da trama, que até daria para refletir sobre tudo o que aconteceu, mas aí daria um spoiler, então é melhor deixar apenas que o ator foi imponente nos seus atos, e caiu bem pro personagem.

Posso dizer sem dúvida alguma que a equipe de arte trabalhou muito bem, e que com certeza tiveram um orçamento considerável, pois temos muitos figurantes correndo para todos os lados, muitas cenas de destruição e principalmente muita maquiagem e figurino detonado para compôr todas as cenas, de modo que o filme inteiro acaba se passando mais dentro dos quatro apartamentos, mas quando os personagens saem para os corredores, ou até mesmo para a rua, tudo ali é uma loucura, temos muitos objetos cênicos, temos drones, temos equipamento de escalada, e claro comida como uma necessidade, tendo até a brincadeira com o famoso macarrão instantâneo, e seu modo de fazer, ou seja, a equipe brincou bastante, e funcionou com tudo para que o resultado ficasse bonito de ver.

Enfim, se pararmos para analisar apenas o roteiro da trama veremos que é algo bem simples, sem muitas explicações, que os jornais da TV até tentam explicar, mas não vão muito além, e que o diretor nem se preocupou muito com isso, que até tem alguns atos polêmicos para reflexão, e tudo mais, mas o principal do estilo é ver sangue, mordidas e correria, e isso foi entregue dentro de uma produção bem interessante de ver, e que funciona, ou seja, vale a recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Get Duked!

9/10/2020 01:07:00 AM |

No filme da Amazon, "Get Duked!", os personagens comem fezes alucinógenas de coelhos que comem cogumelos selecionados para ficar bem loucos, e acredito que o diretor/roteirista comeu uma quantidade meio que exagerada desse alucinógeno para escrever/dirigir o longa, pois o que vemos na tela é algo completamente insano, e o pior de tudo, é muito bom! Confesso que ao ver a sinopse da trama imaginava algo meio bobo e estranho, mas conforme a insanidade toda vai rolando, o filme vai ficando melhor e mais divertido por tanta bizarrice, de forma que acabamos nos envolvendo com os garotos e com os policiais atrapalhados, ao ponto de torcer por algo ainda mais louco no final (e sim, ocorre!). Claro que a ideia toda não é algo genial, e acaba sendo um pouco apelativa, mas de certa forma o resultado é tão bacana de ver que acabamos relevando tudo, e curtindo cada momento até um bom final.

O longa nos conta que três adolescentes infratores recebem a última chance de mudar de vida, completando a jornada do Prêmio Duque de Edimburgo pelas terras altas junto de um jovem superestimado que precisa da oportunidade para preencher seu currículo. Sem nada em comum, o quarteto desajeitado caiu no meio do nada, apenas com um mapa, sendo obrigado a trabalhar em equipe para, enfim, conseguirem chegar ao acampamento antes do anoitecer. Porém, tudo muda quando aristocratas começam a caçá-los para matá-los por puro esporte.

Em sua estreia na direção de longas, o jovem Ninian Doff foi bem ousado de estilo, colocou nas mãos de quatro atores desconhecidos a responsabilidade para que sua história funcionasse, e não se conteve em entregar um filme tradicional de elementos casuais, optando por trabalhar bem a ideia de drogas alucinógenas, colocando desenvoltura na correria, e dando claro o ritmo do hip-hop como base para que seu filme ficasse bem sincronizado, ao ponto que acabamos nos divertindo com tudo, e o resultado não fica simples de ver. Ou seja, é daqueles filmes que certamente muitos irão ler a sinopse e correr, outros irão ver o começo e abandonar, mas principalmente quem conferir por inteiro acabará curtindo tanto as bizarrices entregues que ao final já vai estar até pensando numa continuação ainda mais ousada, e assim sendo tudo vale a pena.

Sobre as atuações, não conhecia nenhum dos jovens atores, e isso foi bom para não criar vínculos, e assim ver eles criando sozinhos seus momentos, de modo que não temos nenhum deles sendo um protagonista isolado, mas sim um conjunto bem escolhido que acaba divertindo pelas loucuras todas. Rian Gordon é o maluco das drogas, daqueles que até chamaria a atenção para ser o líder do grupo com seu Dean, mas foi bem aberto com os parceiros, e assim acabou acertando bastante. Lewis Gribben é o maluco total, que faz as maiores insanidades possíveis com seu Duncan, e ainda acaba acertando tudo, o que faz a trama ficar incrivelmente divertida com seus atos loucos. Viraj Juneja deu o ritmo de hip-hop com seu DJ Beatroot, e conseguiu brincar bastante com sacadas musicais, e junto com os fazendeiros fazer a maior loucura possível. Samuel Bottomley foi o mais certinho do grupo com seu Ian, mas acabou imponente e certeiro nos pontos mais de grupo, o que acabou mostrando que o jovem também é bom de trejeitos. Quanto dos adultos, Eddie Izzard e Georgie Glenn foram meio tresloucados com seus Duque e Duquesa, ao ponto que não se impuseram muito nas cenas necessárias, mostrando algo meio que de terceira idade, ao ponto que era necessário alguém mais dinâmico talvez para o papel, mas ainda assim foram bem no que fizeram, enquanto Jonathan Aris trouxe para seu Carlyle algo bem simbólico com as expressões, mas aparecendo pouco nem pode fazer muito, e claro que a loucura bobinha de Kevin Guthrie e Kate Dickie como policiais de vila, tentando ter um caso realmente foram engraçados, mas sem muita desenvoltura.

Visualmente o longa passeou bastante pelas terras altas da Escócia, aonde temos uma paisagem bem inusitada misturando campos e montanhas, com muita produção rural e claro vilas afastadas, ou seja, todo um grandioso espaço para os personagens correrem muito em meio a lama, pedras, esconderijos, cavernas, celeiros com festas regadas a drogas, e claro toda a insanidade possível que o diretor quis passar, de modo que ele até poderia ter explorado um pouco mais os demais caçadores, que aparecem só no finalzinho, mas ainda assim a equipe de arte trabalhou bem, e acabou agradando na simplicidade cênica bem efetiva, e além disso deixando para que a equipe de efeitos visuais brincasse bastante com a computação nas cenas com os personagens drogados.

Enfim, é um filme bem divertido, rápido e direto ao ponto, mostrando que um diretor estreante também consegue ir bem quando resolve inovar e não seguir padrões, tanto que o que vemos aqui é algo completamente fora do eixo, e o acerto foi tão bem colocado que dá para indicar com certeza para todos que gostem de um filme irreverente, ou seja, uma completa bagunça que deu muito certo. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Looke - Testemunha Invisível (Il Testimone Invisibile) (The Invisible Witness)

9/09/2020 01:22:00 AM |

Hoje após muita briga com as legendas do Looke, resolvi dar mais uma chance para outro filme da 8 1/2 Festa do Cinema Italiano, e quando começou o longa "Testemunha Invisível" vi que conhecia essa trama, daí pausei e fui ver algo mais sobre ele no IMDB antes de dar play novamente e não correr o risco de já ser algum que vi anteriormente, então eis a minha surpresa que era mais um longa baseado na história do filme espanhol, "Um Contratempo", e claro que voltei a conferir, afinal a história é muito boa, e o ator protagonista dessa versão também é dos que sabem fazer bem cinema. Porém se na versão indiana da mesma história, "Badla", inverteram os personagens principais, deram um tom mais intenso e apenas usaram como base a trama, aqui não, e vemos praticamente quase tudo igual ao original espanhol, ou seja, não tivemos nada de novo para nos surpreender ao ponto que parece até que estamos vendo o mesmo filme, só que com atores diferentes, então mesmo sendo uma boa história, quem já viu o espanhol é capaz de ficar meio irritado de saber tudo como vai rolar.

A sinopse nos conta que Adriano acorda em um quarto de hotel ao lado do cadáver de sua amante, Laura. Apesar de se declarar inocente, o homem é acusado de assassinato e escolhe Virginia Ferrara, uma das melhores advogadas criminais, para preparar a estratégia de defesa. Eles só têm duas horas para preparar o caso, desacreditar as principais testemunhas e encontrar as provas chave para confirmar a sua inocência. Entre a cruz e a espada, Adriano é forçado a contar toda a verdade à advogada. Nada é como parece e a mesma história pode ser contada através de perspectivas diferentes, dando forma e imagem a várias versões da verdade.

Sempre digo que a mesma história pode ser contada de diversas maneiras e ainda surpreender quando bem trabalhada, porém sou completamente contra repetirem a história exatamente da mesma forma, e aqui o diretor e roteirista Stefano Mordini apenas pegou o roteiro do longa espanhol e colocou novas cidades e novos atores, mantendo todo o restante da história e até mesmo dos diálogos, ao ponto que nada soa novo, e acabamos já sabendo exatamente o que vai acontecer em cada momento. Ou seja, é claro que o diretor espanhol Oriol Paulo é citado como detentor do roteiro, mas certamente poderiam ter ido bem além para que o filme ficasse com uma roupagem nova, ou colocassem algum novo elemento para surpreender, o que acabou não acontecendo, e assim sendo desanimando um pouco no final, mesmo sendo algo bem sacado que vale ser revisto.

Sobre as atuações, sabemos bem que Riccardo Scamarcio sempre entrega um bom estilo, e aqui seu Adriano é estiloso, temperamental, e passa bem como um protagonista misterioso e mentiroso, afinal esse é o estilo que o papel pedia, e ele conseguiu segurar muito bem seus momentos, e funcionar do começo ao fim, prendendo nas cenas mais intensas e abrangendo tudo o que o filme necessitava. Maria Paiato também conseguiu dominar sua Virginia, porém teve um erro fatídico em seu personagem, principalmente para quem já conhecia a trama, pois a maquiagem não foi tão bem trabalhada para disfarçar, e assim ficou algo quase igual ao Superman que só colocando os óculos que muda, e assim a atriz até dominou muito suas cenas com indagações imponentes, mas poderia ter ido muito além. Fabrizio Bentivoglio foi direto e certeiro com seu Tommaso, trabalhando sem abrir as situações, mas sempre bem colocado para que cada momento tivesse duas ideias como o longa pedia, e ele não oscilou, isso que é bacana de ver. Miriam Leone até teve bons momentos com sua Laura, principalmente na explicação final aonde precisou fazer melhores trejeitos, mas se manteve bem na maioria das cenas e assim agradou bastante. Quanto aos demais, foram simples e diretos, sem chamar muita atenção, mas funcionando bem.

Visualmente a trama não teve nada muito chamativo que mudasse algo que já vimos tanto na versão espanhola quanto na indiana, e com locações simples sem muito chamariz o resultado até agrada e funciona, mas certamente poderiam ter ido além em qualquer um dos pontos ou locações, ficando boa parte da trama dentro do apartamento do protagonista enquanto a história é contada, e claro nos diversos pontos da estrada aonde ocorre o acidente, um lago, um hotel chique bem isolado, alguns restaurantes, uma festa de gala, ou seja, tudo que já vimos nos outros 2 longas, só que ao invés de se passar na Espanha ou na Índia, agora se passa na Itália.

Enfim, volto a frisar que não é um filme ruim, pois quem não viu nenhum dos outros dois longas vai se surpreender com o ponto de virada e ficará bem chocado, porém quem já viu irá apenas assistir uma reprise falada em outra língua e curtirá também, ou seja, mesmo a Itália não sendo um EUA que não gosta de filmes legendados e replicam tudo em sua língua, aqui o que vimos foi exatamente isso, então se você ainda não viu "Um Contratempo" veja o original, pois a dinâmica é bem mais intensa, e se quiser uma versão inversa de personagens vá com o indiano "Badla", mas se quiser algo gratuito, ao menos até o dia 10/9, vá com esse que está no Looke, fazendo parte da Festa do Cinema Italiano. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

PS: A nota seria 8 por tudo que o filme vale, mas como é um plágio bem feito, vou descer para 6.
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Netflix - Estou Pensando Em Acabar Com Tudo (I'm Thinking of Ending Things)

9/07/2020 10:14:00 PM |

Sinceramente não sei nem o que falar do longa da Netflix, "Estou Pensando Em Acabar Com Tudo", pois o que me foi apresentado ainda está na minha cabeça se debatendo se foi algo tão abstrato que não entendi nada, ou se realmente o diretor (que não é nenhum novato e tem grandiosos filmes na carreira) se perdeu no roteiro maluco que criou, e nada acabou batendo com nada. De modo que no miolo cheguei a pensar que ela estava morta, depois cheguei a pensar se ela seria apenas o pensamento do rapaz, depois mais próximo do final já nem sabia se estava pensando ou no que estava pensando, ou seja, é daqueles que até vou pensar mais um pouco para tentar apagar ele da minha mente, pois confesso que foram os 134 minutos mais jogados fora que tive da minha vida, e sei que muitos irão argumentar que o livro é sensacional, que se ler o livro irei entender o filme, mas volto a frisar algo que sempre digo, que um filme bom não depende de lermos a sinopse, não pode depender de livro, e que somente vendo ele por inteiro deve funcionar, e aqui a única palavra que define ele é: bizarro!

A sinopse nos conta que apesar de ter dúvidas sobre seu relacionamento, uma jovem faz uma viagem com seu novo namorado para a fazenda da família dele. Isolados na casa com os pais de Jake durante uma tempestade de neve, a jovem começa a questionar tudo o que imaginava saber sobre seu namorado, o mundo e si mesma.

O mais interessante é que fui conferir o longa esperando algo complexo, afinal a maioria dos longas do diretor Charlie Kaufman são para se pensar, não são óbvios de situações, e geralmente poucos acabam entendendo realmente o que ele queria dizer, porém aqui ele errou muito a mão criando algo de memórias tão abstrato, tão confuso, com situações tão bagunçadas, que ao final já nem sabemos realmente o que ele quis passar para nós, e não digo que o conteúdo em si seja ruim, muito pelo contrário, temos cenas lindas, temos bons diálogos e interações, temos conflitos, mas a história como um todo acaba não tendo uma base funcional, e isso é o que mais incomoda, afinal já disse isso aqui inúmeras vezes, que quando paramos para ver um longa queremos refletir, queremos nos entreter, ou queremos pelo menos algo, e aqui não temos nada além de 134 minutos que quase servem como sonífero para quem não anda conseguindo dormir, e só.

Sobre as atuações, diria que Jessie Buckley deu um tom bem trabalhado para sua personagem, criando indagações bem formatadas, olhares e trejeitos diversos, e principalmente sabendo onde se encontrar para cada momento, ao ponto que se o filme fosse bom, a atriz seria daquelas que lembraríamos muito, mas infelizmente seu potencial não foi usado. Jesse Plemons é um ator que sempre faz papeis estranhos, e geralmente não coloca emoção em seus atos ao ponto de chamar atenção, e aqui seu Jake é ainda mais estranho por não causar grandes perspectivas do que esperar, ou seja, foi simples demais, introspectivo demais, e com atitudes até imponentes em alguns atos, mas nada que vá além. Como sempre Toni Collete consegue se destacar mesmo com papeis não muito chamativos, e aqui ela faz uma mãe que chama muita atenção pela risada, pelos trejeitos, e por tudo o que acaba sendo funcional, de modo que poderiam ter usado até mais ela para o filme funcionar, e que junto de David Thewlis, acabaram formando um casal diferente de tudo, e que certamente no livro possuem um simbolismo bem mais imponente que no filme. Quanto aos demais, todos apareceram em atos estranhos demais, e com isso nada chega a ser chamativo ao ponto de funcionar, de modo que Guy Boyd como um zelador de escola e Abby Quinn como uma atendente de uma sorveteria acabaram chamando um pouco mais de atenção, pelos atos em si, mas nada que seja memorável.

Dentro do conceito visual o longa se passa praticamente todo dentro de um carro, em meio a uma tempestade de neve, com os protagonistas dialogando, mas também tivemos várias cenas nos corredores de uma escola imensa, em uma sorveteria bizarra no meio de uma nevasca, e claro na fazenda dos pais do protagonista, mostrando desde o lugar aonde animais morreram no passado, outros estão mortos jogados e congelados, e outros estão apenas trancados, várias passagens de tempo ocorrendo dentro da casa, objetos cênicos importantes, e muita maquiagem de envelhecimento na cena final em diversos atores num teatro, ou seja, a equipe trabalhou bastante para representar tudo, usando claro de muita simbologia para tudo, e resultando em quase nada.

Enfim, é um filme que volto a frisar que ficou muito ruim, que certamente sabendo algo a mais da história (lendo o livro de Iain Reid, ou algum tipo de debate) muitos irão refletir mais, e sairão em defesa de que o longa é maravilhoso e tudo mais, porém como digo que um filme deve funcionar sozinho, o resultado é uma bomba imensa que nem pro meu pior inimigo acabarei recomendando, ou seja, fujam de dar o play nele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com algum filme bom pelo menos, então abraços e até logo mais.


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Bruno Manser - A Voz da Floresta (Bruno Manser - Die Stimme des Regenwaldes) (Paradise War: The Story of Bruno Manser)

9/07/2020 01:59:00 AM |

Biografias geralmente resultam em longa cansativos e sem muita desenvoltura, porém em alguns casos acabamos vendo coisas tão envolventes e necessárias que o resultado acaba indo tão além que emociona pela beleza visual, pela causa e tudo mais que a pessoa pregava, ou seja, assistir ao filme "Bruno Manser - A Voz da Floresta" acaba sendo daquelas sessões que entramos com uma cabeça e saímos com outra completamente diferente, pois consegue nos mostra um ativismo muito mais preciso, sem toda aquela dramaticidade que vemos em grupos conhecidos, e que principalmente traz a experiência real de alguém que está defendendo o que sabe, o que vivenciou, uma vida em cima de uma causa, e não aqueles que as vezes gritam, pulam, fazem shows e tudo mais por algo "simbólico" que nem sabe o que é realmente. Ou seja, conhecemos mais como foi o processo do ativista não como um homem burocrata de classe média que criou um fundo e saiu defendendo aleatoriamente algo sem conhecer, mas sim como foi sua experiência de vida junto dos Penan, como foi sua defesa da floresta tropical junto dos povos daquelas terras, e claro seus momentos mais teóricos também, e com isso o filme acaba sendo bonito tanto visualmente, quanto pela essência passada, indo muito além de um longa simples sobre uma pessoa, acabando envolvendo épocas, dinâmicas e tudo mais que possa agradar do começo ao fim, valendo totalmente a experiência.

O longa nos situa em 1984. Em busca de uma experiência que vá mais além da superficialidade da civilização moderna, Bruno Manser viaja pelas selvas de Bornéu e a encontra com a tribo nômade Penan. É um encontro que muda sua vida para sempre. Quando a existência dos Penan é ameaçada pelo desmatamento implacável, Manser assume a luta contra a exploração madeireira com uma coragem e determinação que o torna um dos ambientalistas mais renomados e confiáveis de sua época.

É interessante observar o trabalho do diretor Niklaus Hilbers aqui, pois diria que o que vemos é quase um documentário formatado como uma biografia, e isso é algo lindo de ver, de modo que a trama embora indo por um outro vértice até nos lembra um pouco nosso longa nacional "Xingu", só que na versão nacional tínhamos algo como desbravar o país desconhecido, mas que ao termos todo o envolvimento com os indígenas, a história acabava fluindo para outros rumos, enquanto aqui no longa suíço, o diretor já mostrou que o jovem explorador quis mudar sua vida e ao viver com a tribo Penan acabou virando um ativista ferrenho contra o desmatamento, e brigou muito pelos direitos de terras da tribo. Ou seja, até vemos muitas semelhanças visuais, mas isso não é o caso, e para apenas na formatação, então aqui o diretor foi certeiro em envolver o espectador, criar toda a situação, e por uma briga interessante que muitas vezes acabamos falando demais sobre ativismo, mas sem saber a real causa como alguém que vivenciou tudo, geralmente acabamos apenas seguindo uma pessoa qualquer, enquanto aqui a causa foi muito bem mostrada e o filme acabou tendo uma simbologia bem construída, sensações bem imponentes, brigas fortes e diretas entre políticos não apenas da Malásia, mas sim do mundo todo, e claro atuações tão convincentes no meio da selva que diria que o diretor realmente levou todo mundo para o meio do mato, e arrumou a tribo inteira para ficar convincente, pois em momento algum chegamos a pensar que são atores.

Como acabei de falar, o elenco deu um show de interpretação tão bem trabalhado que pareceram ser da tribo Penan, e claro o protagonista também teve um ar sereno tão bom para conduzir a trama, que o resultado foi muito além, ou seja, perfeitos. Sven Schelker conseguiu dominar seus atos com muitas virtudes, fazendo com que seu Bruno fosse sereno, direto no ponto, e principalmente conseguisse convencer tanto como uma pessoa que decidiu mudar de vida, quanto um ativista real desesperado por uma causa, além de que suas cenas sempre foram amplas, sem fechamentos jogados, e agradando demais em tudo. Nick Kelesau foi tão coerente como o líder dos Penan Along Sega, que acabamos nos envolvendo demais com ele da mesma forma que o protagonista, ou seja, o ator soube fechar a tribo para si, passar as mensagens emotivas com serenidade, e ainda dar o tom perfeito para cada momento, soando correto demais. Da mesma forma Elizabeth Ballang trouxe para sua Ubung um ar emotivo e charmoso, que até imaginávamos desde o começo que iria acontecer, e a atriz conseguiu sempre jogar o olhar distante bem limpo de trejeitos, agradando e chamando a atenção, ao ponto de seduzir também o espectador, e funcionar demais. Matthew Crowley foi direto demais como o jornalista Carter-Long, tendo cenas fortes e bem coerentes, e principalmente com personalidade, ao ponto que acaba chamando até mais atenção que o protagonista em alguns atos, ou seja, caiu bem para o papel, porém não foi tão desenvolvido, mas agradou bastante. Ainda tivemos muitos outros bons atores, cada um sendo direto no que precisava, e dando funcionamento para a trama, mas não sendo necessário destacar tanto, e mostrando que o diretor soube trabalhar bem tanto com atores de nome no país, quanto com estreantes que acabaram chamando até mais atenção do que ele imaginava.

Como o longa foi bem filmado em Bornéu, é claro que o ambiente em si já era algo para dar um realce lindíssimo que a equipe de arte conseguiu passar, porém o diretor de fotografia fez cenas de tirar o ar, com belas clareiras iluminadas no meio da floresta, valorizou as pequenas cabanas que a tribo fazia, brincou com elementos e ambientes, fazendo a trama ter um luxo que foi muito além do que se imaginava. E mesmo nas cenas na cidade, conseguiram passar o bom tom de época, indo em reuniões no aeroporto, ou na sede da ONU, com uma formatação tão condizente que chega a ser difícil não pensar que documentaram tudo para a equipe saber exatamente como copiar, mas não é tudo bem inventivo, através de materiais colhidos por pessoas que viveram com Bruno, e assim o resultado visual foi algo de aplaudir realmente.

Enfim, é um longa que vale pela muito tanto pelo visual, quanto pela história, e ainda mais pela reflexão passada, que só não é melhor pela duração gigante de 142 minutos, que daria para o diretor ter cortado alguns momentos, mas que acaba funcionando e não cansando, ou seja, é um filme quase perfeito que valeria um 9,5 fácil se tivesse trabalhando com notas quebradas, mas como não foi dessa vez, e também por não ter me emocionado muito (algo que também poderia ter sido melhor trabalhado com um corte mais incisivo em alguns momentos), vou dar um 9, mas recomendando demais que todos corram para conferir, afinal por ser o longa de fechamento do Panorama Digital do Cinema Suíço, só ficará disponível gratuitamente até as 20hs de hoje (07/09), na plataforma do SESC Digital nesse link, e depois sabe-se lá quando aparecerá por aqui, então aproveite e confira. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Fim do Mundo

9/03/2020 11:42:00 PM |

Um dos gêneros que costumo dizer que tem de ser um apaixonado pelo estilo para gostar do resultado final é o tal do cinema marginal, que praticamente vemos muito no Brasil, mas que também os portugueses costumam trabalhar bastante, e geralmente para que o estilo funcione bem é necessário que a história nos conecte com os personagens, e que tudo funcione dentro de uma proposta maior, ou seja, o contexto precisa ser maior e passar algum tipo de mensagem. Dito isso, o longa do suíço-português Basil da Cunha, "O Fim do Mundo", não entrega motivos para agradar sem ser a premiadíssima fotografia da trama que tem todo um charme, e com isso acabou ganhando diversos festivais, porém a história não diz nada, mesmo lendo a sinopse você não consegue enxergar nada na trama ao ponto de falar que viu realmente um filme, e principalmente os atos em si não empolgam ao ponto de querermos ir além da história dos personagens, de modo que acaba parecendo um episódio de alguma novela que vamos conhecer um pouco da vida dos jovens da favela, que tem seu grupinho, um está interessado na garota que vai ser despejada, o outro quer se tornar o rei do tráfico, e o outro não sabe o que quer da vida, ou seja, quase uma "Malhação" versão favela portuguesa, e assim sendo não tem como dizer que o filme funciona, pois não funciona.

A sinopse nos conta que Spira tem 18 anos e passou os últimos oito anos na prisão preventiva e agora volta para a Reboleira, uma favela de Lisboa. Seus amigos Giovani e Chandi ainda estão lá, assim como os locais, negócios e festas. Mas algumas pessoas, como o chefe da gangue, Kikas, não estão muito satisfeitas por ele ter voltado. Spira percebe que as coisas estão mudando. Conforme as escavadeiras começam a demolir o bairro, todos tentam manter seus sonhos, como Iara, por quem Spira se apaixona, ou Giovani, que fará de tudo para ser um dos maiores traficantes.

O diretor Basil da Cunha até trabalhou bem os atos com jovens da comunidade, sem ter atores reais, e isso é um ponto positivo, pois todos até trabalham caras e bocas, fazem seus textos com dinâmicas e tudo mais, porém o filme não tem um mote principal, não tem nada que você olhe e fale: "nossa, o filme é sobre isso", e nem a sinopse nos diz o que a trama deseja passar, sendo apenas o dia a dia numa comunidade que está sendo demolida, tirando as pessoas que o jovem conheceu ali, a mudança de dono do tráfico e talvez se aprofundarmos muito sobre sonhos, mas nada que seja algo marcado realmente. Ou seja, o maior erro do filme, e por consequência do diretor, foi não definir um tema maior para sua trama, e deixar que tudo fosse acontecendo, e assim ele apenas apresentou técnicas, trabalhou junto com o diretor de fotografia iluminações lindíssimas, mas que nada dizem, e assim sendo, é um filme nulo.

Sobre as atuações, diria que todos fizeram bem seus papeis dentro da comunidade, trabalharam olhares e semblantes precisos, de forma que mesmo não sabendo se todos são moradores dali, diria até que se forem fizeram suas atividades corriqueiras com um pouco mais de empolgação para chamar a atenção, de forma que o diretor soube tirar de todos um algo a mais para cada ato, e funcionar bem todos os secundários, já no caso dos principais, os garotos até que fizeram seus rolês de maneira bem imponente, com a clássica desenvoltura de gangues, deram seus textos sem ficar artificial, e de certa forma mostraram que podem seguir bem no que quisessem que eles fizessem, mas volto no tom que o diretor não tinha uma história para contar, então é melhor nem dar destaque para ninguém.

Visualmente diria que souberam retratar bem a favela, os diversos ambientes num único lugar, mostrando os famosos personagens que podem ser vistos num rápido passeio, desde as pessoas que ficam sentadas na rua fofocando sobre os outros, aqueles que estão arrumando briga por qualquer coisa, os fiscais da prefeitura autuando ou demolindo algo, os traficantes nos seus devidos cantinhos, e claro os esconderijos, as festanças dos líderes e tudo mais, que o diretor soube ser bem representativo, e claro alguns elementos a mais como o cavalo do sonho da garota, as explosões e tudo mais, que até deram uma quebra no estilo da trama, mas funcionaram para algo a mais fora do cotidiano. E claro que falando do ponto alto do filme, que ganhou até diversos prêmios, a fotografia do longa é linda, com cores avermelhadas, ângulos precisos, e toda uma ambientação lúdica para realçar os personagens, mas que não serviu para nada além de dar um tom bonito para a trama, e assim sendo para o público comum, não vai agregar em nada

Enfim, é um filme que não posso recomendar de forma alguma, pois vou ser enfático, não enxerguei nada demais na trama, aliás não vi a trama acontecer, sendo apenas um filme que passa, e que certamente amanhã nem lembrarei de ter visto ele. Ele segue gratuito na plataforma do SESC Digital até o dia 05/09, mas certamente lá estará outros longas bem melhores para todos conferirem. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

PS: A nota foi composta 2 pela fotografia bonita + 1 pelas boas interpretações da comunidade, e mais nada salva.


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Aqueles Que Trabalham (Ceux Qui Travaillent) (Those Who Work)

9/03/2020 12:51:00 AM |

Uma coisa intrigante que não podemos negar é que hoje temos muito luxo devido claro ao capitalismo, que a economia gira, que um produto vem sabe lá de onde para matar nossa fome ou apenas pelo desejo de ter algo, porém nesse caminho todo você imagina tudo o que precisaram fazer para que esse teclado que digito o texto, ou então o produto que foi usado para fazer a batata frita que comi, ou até mesmo as peças para fazer a internet que estou usando para funcionar. Como foram as negociações, quem precisou fazer o que, tudo foi 100% moral ou tiveram percalços no meio do caminho? É com essas e outras perguntas que a trama do filme "Aqueles Que Trabalham", que estreou hoje no Panorama Digital de Cinema Suíço, brinca e tenta passar a mensagem em cima de uma família de um homem que comete um erro por não fazer algo moralmente legal, é demitido, e que passa os próximos dias pensando no que fez, e conhecendo um pouco mais de sua família. Ou seja, não é um filme que vá ter grandes ações, que entregue uma dramaticidade muito envolvente, mas que pela síntese em si do que o filme faz pensar é que acaba valendo tudo, pois hoje nos damos muito luxo, e claro muitas pessoas fazem diversas negociações erradas para que tenhamos esse luxo, mas aí é que entra a ideia de se pensar, vale a pena? E é isso que o diretor propôs, e que muitos irão refletir, enquanto outros vão apenas ver o filme.

A sinopse nos conta que após um ato desonesto, a carreira de Frank em uma companhia de frete marítimo, onde trabalhou por 20 anos, é imediatamente interrompida. Para Frank, que dedicou toda a sua vida à escalada do sucesso, revelar a razão de sua demissão para sua família é impossível. A transição entre consultor de carreira para uma vida solitária, faz com que inicie um período de auto-reflexão que o faz rever todos os seus valores.

Uma coisa que é bem interessante notar no filme é que o diretor Antoine Russbach não fez um filme para pensarmos no que acontece nas cenas, pois o ato do protagonista, a família dele, toda a demissão e sessões de re-encaixe, e até mesmo o ato com o amigo são apenas elos para mostrar o plano maior do consumismo e suas necessidades, tanto que a cena final com os filhos fazendo uso de seus luxos é a métrica perfeita para tudo o que ele ouve no bar, e isso não é algo ruim, pois vemos um filme interessante, mas que poderia estar mostrando qualquer outra coisa com a narração nos contando sobre atos legais e ilegais nos meios de consumo para que um luxo chegue até a sua casa, e quando falamos em luxo, pode ser qualquer coisa até mesmo a luz que te ilumina, uma fruta importada, ou nos países com pouca agricultura, toda a comida da mesa. Ou seja, o diretor e roteirista foi preciso na dramaticidade pensada, mas mais ainda na ideia central para que o filme ficasse inteligentíssimo, e isso faz com que ele seja daqueles longas que muita gente verá, não entenderá nada do que verá na tela, mas ao mesmo tempo irá refletir em tudo o que é passado, e isso é perfeito.

Como a história mostrada na tela em si não é algo que importe muito, as atuações também não foram tão primorosas, e com isso o rancor e trejeitos exageradamente fortes que o protagonista Olivier Gourmet entrega para seu Frank felizmente não atrapalham tanto o andar do filme, tanto que seus momentos de silêncio até soaram melhores para o resultado, do que as cenas em que acaba fazendo algo a mais, claro tirado a cena do bar que é a amarra completa da trama, então ali o ar do personagem funciona ao ponto para que ele volte e decida o que fazer, e é preciso no que faz. Quanto aos demais, nem vale perder tanto tempo observando eles, pois acabam sendo irrelevantes como atores, mas sim funcionando como encaixes para a proposta, e o resultado flui bem, tanto que os destaques são a garotinha Adèle Bochatay com sua Matilde pela proposta de conhecer o trabalho do pai e assim termos uma aula completa do consumismo/capitalismo, e Dirk Roofthooft com seu Pavel no fechamento bem colocado.

No conceito visual é bem bacana ver a vida luxuosa da família, todas suas regalias, e até mesmo o tratamento familiar, pois todos ali já estão acostumados com tudo, e perder algo da boa vida seria um peso maior, ou seja, vemos diversos elementos luxuosos, vemos o funcionamento da importação alimentícia, e vemos muito do funcionamento da vida de comerciantes de bens, e assim, a equipe de arte foi mais importante ao mostrar o ambiente em que a família está inserida num contexto de não querer perder a boa vida, do que em algo maior para a trama, de forma que tudo está ali para algo a mais, mas nem tudo é usado para esse algo a mais, pois não nos importa se ele tem 5 ou 10 filhos, todos estão ali usufruindo com suas altas contas, e para manter isso, o protagonista precisa passar por cima de qualquer moral.

Enfim, é um filme muito reflexivo, com uma proposta incrível, que talvez até pudesse ser melhor representado na tela, pois só mostrou o consumismo de uma família bem rica, mas o exemplo seria válido para qualquer uma das classes, então sendo assim diria que é daqueles que vale a conferida, e claro a reflexão sobre o quanto estamos dispostos a passar por cima de algo "legal" ou "moral" para manter nossos luxos, e claro, sabendo quantos passaram por cima de tudo para termos esses luxos também. Sendo assim, fica a dica para conferir gratuitamente o longa no link da plataforma do SESC Digital até as 20hs do dia 06/09. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais um texto do Panorama Digital do Cinema Suíço, então abraços e até logo mais.


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Looke - O Segredo de Nápoles (Napoli Velata) (Naples in Veils)

9/02/2020 01:00:00 AM |

Alguns filmes conseguem entregar tanto mistério dentro do conteúdo que no final já nem sabemos se descobrimos o que queriam nos mostrar, ou se acabou ficando algo perdido que nunca saberemos, e isso não é algo que funcione como um elogio para dizer que o longa foi qualitativo, mas sim uma reclamação mesmo, pois mesmo as tramas mais abertas de alguns diretores acabam deixando mensagens, e aqui no segundo filme que conferi da 8 1/2 Festa do Cinema Italiano, "O Segredo de Nápoles", o resultado final acabou sendo daqueles que pareciam ter uma explicação boa, um envolvimento de arte misterioso, uma mulher envolvida em mortes e crimes, mas que ao final acaba ocorrendo algo tão bizarro e estranho, que confesso que não sei o que o diretor quis mostrar ali. Ou seja, vou analisar ele acreditando que o diretor não quisesse expressar sua real ideia, e que o fechamento foi aberto para diversas possibilidades, pois só assim para termos algum resultado satisfatório de algo estranho.

A sinopse nos conta que durante uma cerimônia oculta em uma casa velha, um jovem bonito seduz Adriana. Eles passam a noite juntos e marcam um encontro, mas o jovem não vem. No dia seguinte, Adriana descobre que seu amante foi morto. Os inspetores de polícia também relatam à chocada Adriana que o falecido a fotografou nua durante o sono. Querendo saber o que está acontecendo, Adriana decide conduzir sua investigação.

Diria que o diretor Ferzan Ozpetek quis deixar o público tão confuso quanto a protagonista com o que acabou mostrando em seu longa, pois não a sua trama ia indo bem pela dinâmica, estava fluindo o mistério, porém o fechamento acabou tão aberto, tão diferente do rumo que acabamos sem entender muito a proposta dele, e isso é algo que alguns até acharão bacana, enquanto outros acabarão perdidos, mas ao menos podemos dizer que a condução do diretor em fazer um longa com uma pegada barroca, colocando a cidade como algo misterioso também, abrindo elementos artísticos, e tudo mais funciona, pois acabamos conectados com os ambientes, vamos fluindo nas ideias da protagonista, de sua família e amigos estranhos, e assim sendo o resultado acaba sendo algo interessante de imergir, porém a abertura demais no final acabou fora de eixo, e assim sendo, ao menos na minha opinião, o resultado pode nos levar a pensar em algo mais próximo do significado de velada, e aí a loucura vai muito além, ou então a proposta é outra completamente diferente que precisarei pensar mais no caso.

Sobre as atuações, o tom que Giovanna Mezzogiorno adota para dua Adriana é daqueles bem apáticos, com uma desenvoltura bem melhor na cama do que nas interpretações dos textos, e assim sendo não nos conectamos tanto nela, mesmo que o mistério todo esteja sempre a rondando, ou seja, ela poderia ter tido um pouco mais de atitudes, marcando uma presença cênica maior, e aí o resultado talvez até agradasse mais. Alessandro Borghi fez um estilo bem misterioso com seus Andrea e Luca, trabalhando bem tanto nas cenas mais quentes, quanto nas cenas mais intensas envolvendo força expressiva, e assim sendo agrada bastante com o que faz. Biago Forestieri trabalhou com ares de dúvida com o seu Antônio, sempre colocando uma pitada de olhares apaixonados com ares mais sérios, e acaba chamando atenção pela dinâmica que faz com a protagonista, ao ponto que no final acabamos mudando todo o nosso pensamento para tentar entender sua conexão, mas isso é algo positivo ao menos pelo que acabou fazendo. Quanto aos demais, diria que todos foram bem abertos no conceito de mistério, cada um se destacando de uma forma, mas nenhum indo tão a fundo, valendo reparar claro em Anna Bonaiuto com sua Adele, e Peppe Barra com seu Pasquale.

Visualmente a proposta da trama é bem ousada, pois traz uma cidade misteriosa, com rituais artísticos diferentes, com locações cheias de pessoas diferentes, objetos cênicos incomuns, e claro todo o mistério na casa da protagonista, como um dos personagens diz (não com essas palavras): na sua casa dá para se esconder algo em qualquer lugar. E assim a trama flui bem com o que a equipe de arte quis mostrar, criando o estranhamento a todo momento, e claro cada um enxergará de uma forma, mas o trabalho foi intenso, ao ponto de colocar a cidade toda como um ambiente diferente, com um necrotério diferente, e tudo mais.

Enfim, é um filme que esperava mais pela sinopse e pela ideia toda, que começou muito bem, mas terminou mal demais, ao ponto que já disse algumas vezes aqui no site, que prefiro que um diretor peque dando a opinião dele do que quis mostrar do que deixe aberto para o público decidir, pois a minha opinião de como o filme terminou pode ser fraca demais dentro da ideia original dele, e assim sendo é um filme que não recomendo pelo fechamento em si. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Looke - Desafio de um Campeão (Il Campione) (The Champion)

9/01/2020 12:26:00 AM |

Se temos de ter algo positivo com a pandemia, é que o Festival Italiano que tinha sumido do interior, agora online está disponível para todos conferirem no Looke, e agora com o título de 8 1/2 Festa do Cinema Italiano temos 20 filmes disponíveis por duas semanas gratuitamente, ou seja, aproveitem. Dito isso, escolhi começar com algo que os italianos tanto gostam que é o futebol, e fui com o longa "Desafio de um Campeão", que possui uma proposta fictícia em cima de um jogador problemático do Roma, aonde o presidente resolve contratar um professor para ensinar o jovem para que ele consiga um diploma, e claro fazer com que ele tenha menos problemas extracampo, e embora seja uma ficção, sabemos que muitos jogadores não tem nem escolaridade básica, pois acabam indo para fora jogar ainda novinhos, e adeus aulas, ou seja, a ideia até é bem válida. Porém, faltou um pouco mais de dramaticidade para que o filme envolvesse, tanto que alguns problemas acabam sendo apenas jogados na tela, e nem são usados, ou seja, é um filme bem feito, com ares de super-produção por todo o espaço cedido pelo time do Roma para a equipe utilizar, porém não empolga, nem causa comoção como poderia, sendo apenas um filme que passa.

A sinopse nos conta que Christian é um jogador de futebol muito talentoso e bem-sucedido que, após causar alguns problemas em campo, é aconselhado a procurar ajuda por parte do presidente de seu time. Quando Valerio, um professor tímido e solitário, é designado como tutor pessoal do atleta, encarregado de controlar seu temperamento, os dois precisam encontrar forças um no outro se quiserem que a improvável amizade entre eles floresça.

Diria que o maior problema do filme é a falta de um desenvolvimento melhor em cima dos temas secundários, pois até que entendemos a proposta de mostrar o ensino e tudo mais, mas então não jogasse com elementos na tela para serem inúteis, e isso mostrou um pouco o despreparo do diretor Leonardo D'Agostini em sua estreia na função, pois sabiamente ele já fez vários roteiros para séries, e lá puderam desenvolver mais seus temas, enquanto aqui ele precisou apelar para cortes para que seu filme ficasse dentro do tamanho exigido pelos produtores, então precisaria de um pouco mais de concisão para o resultado funcionar melhor. Claro que o filme tem uma boa dinâmica, conseguimos enxergar o personagem em muitos jogadores conhecidos, vemos a história bonita que acaba sendo desenvolvida com o professor, e claro mostrar que educação muda uma pessoa, porém faltou um pouco de tudo, faltou explorar mais os problemas do pai, o porco acaba sendo um mero enfeite cênico, o casamento do professor é meio que jogado, e tudo não vai além, mesmo com o fechamento bem encontrado. Ou seja, é um filme que vemos, gostamos do que vimos (afinal não é nenhum pouco ruim), mas não vai ficar marcado, e poderia, pois tem estilo.

Sobre as atuações, o jovem Andrea Carpenzano trabalhou muito bem como Christian, inicialmente fazendo malabares com sua bola, trabalhando olhares bem usuais de boleiros, criando dinâmicas infantis tradicionais, e principalmente se deixando fluir nos momentos necessários, claro que em momento algum ele fez algo que olhássemos para ele e víssemos um novo astro das telonas, mas o jovem ao menos foi bem usado, e não errou. Stefano Acorsi foi bem carismático com seu Valerio, passou uma boa imagem do educador, e foi usado dentro do que a proposta pedia, porém ficou meio jogado em alguns atos, não indo muito além, e isso fez com que seu personagem não fosse aproveitado suficientemente, e com isso acabamos vendo bem pouco do ator com algo a mais em seus olhares para a esposa, e claro para com as dinâmicas fora de aulas. Quanto aos demais personagens, a maioria foi usada de enfeite e de conexão com a trama, desde a RH do time vivida por Camilla Semino Favro, passando pelo agente do jogador que Mario Sgueglia tentou fazer bem, até chegarmos na garota que tenta fazer o jovem mudar o estilo, e que chama a atenção vivida por Ludovica Martino, mas nada que destacasse de forma interpretativa ao ponto de ficarmos impressionados.

Visualmente o longa é um luxo só, com mansões, festas riquíssimas, carrões, e claro toda a estrutura do centro de treinamentos do Roma, além de seu gigantesco estádio para as filmagens, de modo que o filme ficou com cara de blockbuster, mas basicamente os elementos mais importantes foram a lousa e os livros, ao ponto que mostrou que para se aprender não tem importância do estilo, mas sim a adequação que pode ser feita para o aluno entender o mestre.

Enfim, é um filme com uma mensagem bacana em cima da valorização da educação, mas que poderia ter ido muito além, pois estrutura, atores, e até dinâmicas já estavam prontas dentro do roteiro, era só melhorar o aproveitamento do tempo e encaixar tudo, mas isso já dependeria de um diretor mais experiente. Ou seja, é um filme bacana, que quem conferir até vai se divertir, mas logo mais esquecerá até de ter visto ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


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Tempo de Caça (Jagdzeit) (Open Season)

8/31/2020 12:32:00 AM |

Bom se você vivencia o mundo corporativo das grandes empresas, sabe bem a loucura que é de ter prazos curtíssimos, relatórios insanos, cobrança fora do comum, e uma pressão que são poucos que não saem doentes de lá, e houve uma época na Suíça que muitos diretores começaram a cometer suicídios, e ninguém explicava isso, então a diretora Sabine Boss resolveu pesquisar, e entregou o longa "Tempo de Caça", que certamente indicarei para os amigos que dão aulas em cursos de administração, pois é um filme forte, intenso, e que praticamente mostra bem o clima de cobrança que deixou um diretor maluco, e que só não é mais indicado para o público comum por mostrar algo quase que documental de intenso, sem firulas, sem conceitos de cinema artístico, mas sim algo duro e direto que quem for da área entenderá bastante, e ficará sem dormir depois com toda a ideia passada. Ou seja, a diretora fez um trabalho de pesquisa incrível, e criou um filme mais incrível ainda, que parece ser até mais longo do que realmente é, mas não cansa e agrada bastante.

A trama nos conta que como diretor financeiro, Alexander Maier luta pela sobrevivência da empresa onde trabalha. Quando Hans-Werner Brockmann, o novo CEO, é nomeado, Alexander se envolve numa luta de poder que cada vez mais o desequilibra. Diante da ruína de sua existência, ele vê apenas uma possibilidade de vingança.

Já disse isso, mas volto a falar que o trabalho da diretora Sabine Boss foi algo quase documental, transportado para o lado ficcional apenas para ter personagens e não precisar dar nome de empresas e funcionários, mas quem vive nesse meio certamente verá muitos rostos conhecidos, conectará detalhes e enxergará alguém próximo de si, pois foi algo muito bem feito, rico em detalhes de pressões, de reuniões, de ambientes tóxicos, de situações enfrentadas por funcionários menores que riem em momentos de descontração, mas acabam desesperados por gritos de números e mais números. Ou seja, a diretora junto com os demais roteiristas (e até um consultor de roteiro para os termos mais técnicos) foram bem demais em tudo, criando algo de um valor tremendo para o público que o filme foi direcionado, pois volto a frisar, a maioria verá o longa com olhos esperando uma ficção mais insana sobre o ambiente corporativo, e acabará decepcionada e cansada, pois não verão nada disso, e assim sendo, é um filme de nicho, que é curto e direto no ponto, e que funciona.

Quanto das atuações, basicamente Stefan Kurt deu um show com seu Alexander Maier, sendo preciso nos olhares desesperados, no temperamento controlado para não dar um tiro na cabeça do chefe, imponente nas decisões, e claro como todo empresário, deixando a família de lado, ao ponto que vemos o ator de uma maneira tão concisa de estilos, preciso nos atos para ser representativo que até sentimos suas dores de cabeça, suas insônias e tudo mais, ou seja, perfeito. Da mesma forma Ulrich Tukur foi direto como Brockmann, sabendo os momentos certeiros como todo grande CEO costuma fazer, indo direto nos pontos chave, e com olhares sempre dinâmicos para parecer o perseguido, ou seja, um trabalho de estudo muito bem feito, que também chama muita atenção. Quanto aos demais, como disse acima conseguimos enxergar cada amigo da área corporativo, vemos que todos os atores se dedicaram bastante nas personalidades encontradas, e certamente pesquisaram com amigos e parentes que vivem desse meio, afinal é impossível uma diretora ter conseguido passar tudo para eles, e assim sendo o resultado tanto dos familiares, quanto dos demais membros da empresa foi bem utilizado, mas sem grandes destaques.

Visualmente a trama teve uma proposta bem encaixada, mostrando uma empresa cheio de salas de diretoria, com salas de reuniões simples, porém bem feitas, alguns ambientes com vários operadores, mas o destaque ficou para as casas dos diretores, com direito a stand de tiro virtual e tudo mais, lareiras, e tudo de muito requinte, além de uma caçada em uma floresta, ou seja, tudo bem ornamentado para dar um certo "alívio" das tensões dentro do ambiente pesado da corporação, mas que ainda assim mantiveram bem intenso e com propostas de competitividade bem ousadas, marcando cada elemento como algo bem trabalhado.

Enfim, é um filme que tenho certeza que nas mãos de outros amigos da crítica irão odiar e dar notas baixíssimas, afinal como cinema mesmo o longa acaba sendo cansativo e não passa uma mensagem para o espectador comum, porém como o Coelho fora do mundo da crítica trabalha também nessa área mostrada no longa, o resultado foi perfeito, muito realista, e como disse várias vezes, quase documental, ao ponto que vou indicar para diversos professores da área, e claro para alguns amigos da área também, pois vale muito a conferida, então se você também tem amigos da área administrativa de grandes empresas, confira o longa, mas do contrário, até recomendo, mas certamente você irá mais se cansar do que gostar do que verá. Deixo aqui o link para quem quiser conferir, mas lembrando que só estará online até as 20hs do dia 01/09 então corra. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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O Vento Muda (Le Vent Tourne) (The Wind Turns)

8/30/2020 06:09:00 PM |

Já vimos muitos filmes que trabalham a mudança de conceitos, e geralmente quando você opta por viver de uma maneira diferente do usual acaba estando apta a se manter dessa forma ou não se misturar com mais ninguém, pois a chance de entrar em conflito com o que pensa é bem grande. Usando essa base, o que o filme do Panorama Digital do Cinema Suíço, "O Vento Muda" nos mostra é a cabeça da protagonista entrando em conflito de ideias após 15 anos vivendo com o marido no meio do nada, comendo apenas vegetais e animais da fazenda que não recebem nem medicamentos para nada, numa cultura 100% natural, mas que ao surgir um engenheiro para instalar uma turbina de energia eólica, e também uma garota com muito mais vida que a sua, suas ideias começam a conflitar, e assim ela pensará se é ou não possível continuar nessa vida. Ou seja, mais um longa de quebra familiar, que passa a mensagem de uma maneira até que bem coerente, mas que faltou conflitar mais para o drama ser mais intenso, pois acabou parecendo que a moça estava presa nessa vida há 15 anos por outras situações, afinal não é apenas um estalo que dá a vontade de mudar completamente de vida. Claro que a diretora não quis fazer um filme tenso, mas tudo soou leve demais, ao ponto que apenas um vento diferente mudou tudo.

O longa nos mostra que em uma fazenda isolada em uma região remota do Cantão do Jura, onde Pauline e Alex estão transformando em realidade seu sonho de viver de modo completamente autossuficiente e em harmonia com a natureza. Seus projetos de vida estão selados pelo amor e pelo trabalho comum. Finalmente, estão prontos para alcançar sua total independência, mas a chegada de Samuel, que vem instalar um aerogerador, transtorna profundamente Pauline, abalando o casal e seus valores.

A diretora Bettina Oberli trabalhou até que bem a ideia do conceito natural autossuficiente, deu ares de família bem feliz entre os protagonistas no começo que mesmo após uma caçada noturna no meio de um dilúvio ainda teve disposição para uma boa noitada, e soube dar o ar de quebra bem trabalhado de olhares, de toques e de tudo mais na virada do filme, e isso tudo com muita sutileza para não pesar a beleza de seu filme, que mesmo nos atos mais intensos tinha uma abertura meio poética para tudo, e assim o resultado ficou sempre parecendo faltar com um algo a mais. Claro que está bem longe de ser algum tipo de filme ruim, mas faltou intensidade nos momentos de raiva, pois mesmo quando o marido descobre a traição ele fica com a voz mansa, e no ato que parecia que iria ter alguma grande explosão, a doçura é tomada e revirada, ou seja, a diretora passou a mão leve demais no roteiro, e deixou tudo muito sereno, mesmo com tudo o que tinha nas mãos para dar intensidade.

Sobre as atuações, Mélanie Thierry trabalhou bem os ares de sua Pauline, sempre serena, sem explosões (claro tirando seu ato rebelde), com dinâmicas bem pautadas e intrigantes, ao ponto que não vemos sua mudança forte de estilo, e até chegamos a duvidar igual ela fala no final para o outro protagonista de sua coragem, mas ainda assim a atriz fez bem seu papel. Pierre Deladonchamps trouxe para seu Alex algo quase que utópico, daqueles que acreditam até em bruxos e tudo mais para manter a essência natural ao máximo, e chega a ser absurdo o estilo do personagem, mas o ator soube conduzir tudo com uma naturalidade que acaba agradando e convencendo ao menos. Já estamos acostumando a ver Nuno Lopes em longas, pois se na semana passada estreou filme na Netflix, agora o vemos novamente como um amante destruidor de rotinas, e aqui seu Samuel é simples de atitudes, mas que com uma bebida a mais já ficou imponente e cheio de aberturas, ou seja, foi bem como sempre. A jovem Anastasia Shevtsova até teve bons olhares com sua Galina, mas é a típica personagem que acaba jogada na trama sem muita função, e assim sendo não vemos muita desenvoltura nem na personagem, nem na atriz, ao ponto que participou apenas de tudo. Quanto aos demais, temos um leve destaque para imponente Audrey Cavelius com sua Mara, mas sem muito o que explodir, afinal não lhe foi dado espaço.

Visualmente a locação é belíssima, no meio do nada, apenas com a plantação e os animais da fazenda, uma casa simples, sem uso praticamente da energia até chegar a energia eólica da própria locação, com uma bela turbina eólica montada no jardim com todo o barulho das pás ao vento, ainda tivemos muita fumaça para representar a neblina na beira de um penhasco, e ali talvez fazer a virada de emoções, uma discoteca para a bebida florescer ainda mais o turbilhão, e animais morrendo sem remédios, ou seja, uma produção básica, barata e bonita, que até funciona, mas não surpreende.

Enfim, é um filme simples e bonito, que até traz ares diferentes dentro do roteiro, mas que não chega a ser nada surpreendente, ao ponto que conferimos, gostamos da ideia, mas logo mais nem lembraremos muito do que foi mostrado, e assim o resultado nem vale muito a indicação. Bem é isso pessoal, o filme fica em cartaz na plataforma SESC Digital até as 20hs do dia 01/09, então quem quiser conferir corra, pois depois não sei quando aparecerá novamente por aqui. Então abraços e até logo mais, pois volto em breve com mais filmes do Panorama Digital de Cinema Suíço.


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Netflix - Quase Uma Rockstar (All Together Now)

8/30/2020 02:04:00 AM |

É interessante observar que muitos irão conferir a trama da Netflix, "Quase Uma Rockstar", pensando uma coisa pelo nome nacional (que não tem nada a ver com o original "Todos Juntos Agora"), e juntamente com a protagonista que é conhecida por ser a voz de Moana, ou seja, também um filme musical, e sairão lavando a sala pelo ambiente emocionante que a trama traz com a reviravolta da trama. Pois o filme em si tem uma essência leve e até alguns momentos que você acaba reclamando das atitudes da garota, pensa nas possibilidades inconstantes que falham na vida da personagem, mas ao final tudo se faz valer e chama a atenção que é até fácil a descoberta do algo a mais, que será mostrado depois. Então o que quem conferir na verdade verá é uma trama com uma mensagem bonita, mas com uma estrutura juvenil demais, que ficou parecendo ser parte de algo maior que acabou cortado e jogado na tela, pois não temos uma apresentação coerente de nenhum personagem, não sabemos quase nada da origem da protagonista, e tudo não é tão bem finalizado como poderia, e mesmo emocionando bastante pelas atitudes finais, poderiam ter ido muito além.

O longa nos conta que Amber Appleton é, por natureza, uma otimista incorrigível, embora sua vida seja mais complicada do que aparenta. Aluna do ensino médio com grande talento para a música, Amber tenta conciliar o trabalho, a vida e alguns difíceis segredos sempre com um sorriso no rosto, na esperança de conseguir estudar na Carnegie Mellon. Mas quando novos obstáculos ameaçam seus sonhos, Amber precisa aprender a contar com a família que ela escolheu e seguir em frente.

O diretor Brett Haley conseguiu entregar bem a trama do livro de Matthew Quick ao ponto de passar bem a mensagem e desenvolver tudo com uma percepção gostosa e emocionante para o espectador, porém como disse no começo talvez tenha faltado um pouco mais de um começo para a trama, com apresentações e tal, pois tudo nos é jogado logo num miolo até que bem trabalhado, aonde conhecemos um pouco as ações otimistas da garota, seus bons atos e tudo mais, mas não de onde vem, seus problemas e tudo mais, e dessa maneira é capaz que quem tenha lido o livro até entre melhor no clima, porém tirando esse detalhe, é inegável a capacidade de virada que conseguiram fazer, tanto que o trailer embora pareça passar toda a história, não entrega nada do que vai ocorrer (e se preparem para o lencinho, pois é bem emocionante cada momento). Ou seja, é um filme de imediato, que talvez tenha falhado em pensar que só o público que leu o livro veria a trama, não preparando o espectador comum, mas que ainda assim funciona e passa a mensagem de superação, de voluntariado, de ajudas e tudo mais.

Sobre as atuações, Auli'i Cravalho fez uma Amber bem trabalhada nas emoções, cheia de dinâmicas expressivas, como era de se esperar cantou a música tema brilhantemente, mas teve alguns momentos que chegamos a ficar com raiva do egoismo que sua personagem teve, que claro a atriz não tem culpa, então ela fez o certo passando essa ideia inclusive para amplificar o estilo da personagem, e agradou bastante. Rhenzy Feliz trabalhou bem seu Ty para parecer um jovem rico, porém popular, que claro poderia ter sido colocado melhor na trama, mas o jovem ator conseguiu ser coeso de estilo, e teve um bom gingado para com seus atos para funcionar bem e não recair no famoso par romântico bobinho. Justina Machado trouxe um ar forte para sua Becky, travando boas discussões emocionadas com a protagonista, de forma que sentimos sua essência, e também seu estilo, mas volto a bater na tecla que precisávamos saber um pouco mais da origem delas, pois pareceram imigrantes jogadas no país, e não acredito que seja esse o grande problema delas, mas tirando esse detalhe, a atriz fez bem o seu papel. Carol Burnett trouxe muita personalidade para sua Joan, colocando ela como uma nobre senhora que vive no asilo vivendo bem os seus dias, mas reclamando muito da vida, e ela tem poucos atos, mas muito bem colocados. Judy Reyes acabou entregando uma Donna bem interessante pelos momentos intensos que tem com a protagonista e sua mãe, mas talvez tenha faltado também um pouco mais de sua história para envolver, de forma que acabamos gostando dela, mas não indo a fundo como poderia. Quanto aos demais, todos os jovens acabam sendo simples de dinâmicas, mas bem colocados nos devidos atos, e que acabam emocionando bem no ato final.

Visualmente o longa tem bons momentos em diversas locações, passando desde uma loja de donnuts, um estacionamento de ônibus, um asilo, uma igreja coreana, a casa de um amigo, uma casa de férias chique, e claro a escola da protagonista, cada um com elementos clássicos para funcionar e representar a vida da jovem, além claro do cãozinho que arrumaram bem velhinho para ter motivos e encaixes no tom da trama, ou seja, é um filme que a equipe de arte não quis detalhar tanto nenhum ato maior no começo, mas no miolo temos toda a beleza da casa de férias com um piano chique e todo o ambiente muda em si, e claro ao final temos todo o show de variedades bem envolvente, feito com muito brilho e dinâmica, mostrando um grande acerto da equipe toda.

Enfim, é um filme bonito, que emociona e que mesmo sendo semi-adolescente consegue passar uma boa mensagem, e claro agradando bastante com a música tema que funciona dentro da proposta e acaba envolvendo bem. Porém mesmo sendo bem bacana, faltou muita coisa para a perfeição, e assim sendo recomendo ele com mais ressalvas do que deveria, pois muita coisa fica aberta para quem não leu o livro, e assim sendo, veja sem esperar algo com um começo/meio/fim. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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