Amazon Prime Video - O Baile das Loucas (Le Bal Des Folles) (The Mad Women's Ball)

11/21/2021 11:33:00 PM |

Se hoje ainda muitas pessoas viram os olhos para o espiritismo, imagine como era antes de ter todo um estudo e muito mais, pois bem não imagine, veja o longa "O Baile das Loucas" na Amazon Prime Video, que usa um pouco dessa base e ainda trabalha os testes que eram feitos com as pessoas nos sanatórios que muitas das vezes só pioravam os pacientes ao invés de curar eles de suas síndromes, ou seja, é um filme forte e interessante, que talvez poderia ser mais direcionado para um rumo melhor, e não ter tantos vértices abertos, mas que de certa forma, se focarmos na história da protagonista e esquecermos do restante que está rolando por lá, conseguimos nos envolver e entrar no clima que a diretora tentou passar.

O longa conta a história de Eugénie, uma jovem luminosa e apaixonada do final do século XIX. Eugénie tem um dom único: ela ouve e vê os mortos. Quando sua família descobre seu segredo, ela é levada por seu pai e irmão para a clínica neurológica em La Salpêtrière sem possibilidade de escapar de seu destino. Esta clínica, dirigida pelo eminente professor Charcot, um dos pioneiros da neurologia e da psiquiatria, acolhe mulheres com diagnóstico de histeria, loucura, epilepsia e todos os outros tipos de doenças físicas e mentais. O caminho de Eugénie irá então encontrar o de Geneviève, uma enfermeira de unidade neurológica cuja vida passa diante de seus olhos sem que ela realmente a viva. O encontro mudará seus destinos para sempre enquanto se preparam para participar do famoso "Bal des Folles" organizado todos os anos pelo Professor Charcot dentro da clínica.

Diria que a atriz Mélanie Laurent é muito superior a diretora Mélanie Laurent, pois trabalha bem trejeitos e dinâmicas há muito tempo em todos os filmes que é colocada, pois se já tinha achado ruim sua direção em "Galveston: Destinos Cruzados", mas achava que era problema do roteiro, aqui não sei se posso culpar novamente a escritora do livro em que a trama foi baseada, pois daria para eliminar muita coisa e fazer talvez um filme mais conciso em cima das ideias do espiritismo na época, e claro de apenas a jovem sofrendo no sanatório, não precisando ir tanto além com as demais pacientes, mas infelizmente ela caiu no famoso golpe de mais tramas, mais possibilidades para errar ou acertar, e aqui o erro foi um pouco grande, já que o longa meio que abre demais com todo o tratamento dado para Louise, e claro os devidos abusos sofridos, mas funciona como algo meio que de denúncia, pois existem diversos relatos sobre abusos em hospitais psiquiátricos desde que existem até o presente, mas não dá para ir além nisso sem muitas provas, afinal vão dizer que as pessoas lá são loucas. Ou seja, há problemas demais para o filme na concepção completa, e isso facilmente seria resolvido com a diretora focando mais na protagonista do que no sanatório.

Sobre as atuações, Lou de Laâge costuma sempre entregar trejeitos bem simpáticos e interessantes de ver para suas personagens, e aqui não foi diferente, pois sua Eugénie tem estilo, tem personalidade e conseguiu segurar bem os momentos que precisava passar as mensagens para os demais, fez cenas sofridas bem impactantes e acabou agradando bastante durante todo o longa, o que volto a frisar que deveriam ter focado mais nela do que numa abertura maior do tema, pois ela daria conta e faria algo ainda mais forte. A diretora Mélanie Laurente agora atuando fez de sua Geneviève uma enfermeira interessante, com um propósito bem colocado e até com trejeitos bem marcantes em seu semblante sério que cai com a conversa da protagonista, e assim volto no que falei acima que ela atuando é muito melhor do que dirigindo, pois sabe segurar a emoção e funcionar muito bem em cena. Dentre as demais mulheres do sanatório vale destacar um pouco da rigidez cênica de Emmanuelle Bercot com sua Jeanne bem impositiva e os sofrimentos de Lomane de Dietrich com sua Louise ingênua demais para tudo o que estão fazendo com ela. E quanto aos homens da produção, tivemos Benjamin Voisin como o irmão da protagonista que até teve um começo e um fechamento bem colocado, mas que não foi muito além, Christophe Montenez como Jules, um médico que abusa da paciente ingênua, e o médico responsável pelo sanatório vivido por Grégoire Bonnet que até faz algumas caras e bocas em suas cenas, mas nada de muito chamativo.

Visualmente o longa tem uma concepção não muito chamativa para a época, pois inicialmente parecia ser algo requintado, com figurinos clássicos, toda a nobreza da França dos anos 1800, mas logo que cai para o sanatório, vemos algo bem sujo, aglomerado, com alguns testes sendo feitos pelos médicos em roupa de gala, mas sem nada que chamasse realmente a atenção, ao ponto que como já disse serve como uma denúncia dos maus tratos, mas mesmo no ato do baile não foram além com algum refino, e isso poderia certamente ser bem melhor.

Enfim, é um filme razoável que até poderia ter ido bem mais além, mas que dá para conferir e entender bem a proposta e com isso acaba sendo ao menos funcional. Ou seja, se não tiver outro bom longa para conferir até vale o play, mas do contrário pode pular facilmente. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Noite Passada em Soho (Last Night in Soho)

11/21/2021 02:27:00 AM |

É muito engraçado ver como alguns filmes de terror nos fazem sentir na sessão, pois geralmente alguns nos fazem assustar, outros ficar tensos, outros arrepiados, mas hoje com "Noite Passada em Soho" a sensação que tive foi de angústia na maior parte do tempo, e olha que é um filme com um ar nostálgico numa mistura de anos 60 com atualidade, de moda clássica e ares rebeldes, de canções da época com um estilo mais moderno e que facilmente não impactaria tanto pela montagem em si, mas a estética foi algo que pegou pesado, as jogadas de câmera e claro toda a intensidade dos atos quase que de loucura extrema para cima da protagonista, num jogo tão marcante e forte que acabamos quase surtando junto com ela, e isso é muito bom, pois mostra que o diretor soube pegar um caminho e ir tão a fundo que acabamos entrando no clima do filme, e diferente da maioria que atualmente gosta de criar longas de sustos gratuitos, aqui a pegada foi completamente diferente, com sacadas e forças muito bem marcadas que funcionam e agradam demais.

O longa acompanha Eloise, uma jovem apaixonada por design de moda que consegue, misteriosamente, voltar à década de 1960. Lá, ela encontra Sandie, uma deslumbrante aspirante a cantora por quem acaba fascinada. O que ela não contava é que a Londres dos anos 1960 pode não ser o que parece, e o tempo passa cada vez mais a desmoronar, levando a consequências sombrias.

O diretor e roteirista Edgar Wright já nos surpreendeu com quase todo tipo de filme, desde ação, comédias, de HQ, assaltos, perseguições e agora terror com grande carga dramática e que brilhantemente ainda usou técnicas de movimentação de câmera para ter as devidas sacadas, teve toda uma sintonia perfeita de visual de época e ainda por cima reviravoltas bem encaixadas com os diálogos e situações, fazendo com que seu filme não ficasse só na simplicidade casual dos longas do gênero, tendo um assassino ou um espírito e coisas do tipo, mas sim todo o envolvimento da loucura, o ar de mediunidade de ver pessoas e claro incorporar tudo isso a uma imaginação fértil de uma jovem adulta, e assim florear todos os anseios com muita dinâmica e precisão. Ou seja, tenho certeza que muitos nem darão a chance para o filme pela classificação de terror, mas se parar para pensar pela carga dramática em si certamente valeria a chance, pois o envolvimento e a beleza técnica é tamanha ao ponto de que certamente o veremos em premiações no começo do ano, já que tem o estilo que tanto gostam, e assim sendo faz valer o algo a mais.

Sobre as atuações, temos literalmente um show de Thomasin McKenzie e Anya Taylor-Joy numa jogada de épocas tão marcante que se no começo já estava complexo com cada uma com uma cor de cabelo, quando a jovem pinta o cabelo e passa a usar as mesmas roupas da moça da década de 60 o filme literalmente bagunça nossa mente, e não apenas por isso, mas sim por ambas se entregarem e ficarem perfeitas em seus devidos atos. Dito isso Thomasin McKenzie vem num crescente tão bom que já começa a figurar entre grandes atrizes, e aqui sua Ellie é completamente cheia de nuances, com olhares impactantes, surtos fortes e bem determinados e muita desenvoltura para que cada momento seu fosse explosivo, mas cheio de síntese, não ficando algo maluco e esquisito, e assim acaba nos conquistando e agradando bastante em cena. Da mesma forma Anya Taylor-Joy vem construindo uma carreira brilhante cheia de acertos e filmes marcantes, e aqui sua Sandie tem toda a desenvoltura clássica das mulheres dos anos 60, recai bem para o ar das jovens que acabavam fazendo de tudo para alcançar sucesso nos clubes, e trabalhando trejeitos e posturas bem fortes conseguiu ser bem direta em tudo, ou seja, foi bem demais e vai muito longe ainda. Matt Smith teve bons atos com seu Jack, trabalhando bem o galanteio num primeiro momento e o ar canastrão numa segunda desenvoltura com muita clareza de estilo e impactando bem nos atos de seu personagem, caindo muito bem para tudo o que precisavam. Michael Ajao trabalhou bem seu John, mas acabou sendo daqueles personagens que até conseguimos ter algum carisma pelo carinho que passa para a protagonista, mas que é facilmente ofuscado e fica demais em segundo plano, e assim não decolou como poderia. Quanto aos demais, tivemos ainda atos marcantes de Terence Stamp como um senhor que passa a seguir muito a protagonista, e que depois que descobrimos mais sobre ele a surpresa é bem forte tanto pra ela quanto para o público e Diana Rigg como Ms. Collins como a dona da casa aonde a protagonista vai morar, que também tem seus segredos e acaba sendo bem marcante nos atos mais fortes do longa, ou seja, são dois personagens que aparentemente soaram como secundários, mas que tem bons fechamentos de cena.

Visualmente o longa já inicia com o aviso que se você tem problema com cores fortes e piscantes o filme pode causar epilepsia, ou seja, e isso se deve por alguns atos no quarto da protagonista com um bistrô próximo com luzes vermelhas e azuis piscando o tempo todo, que acaba dando até um algo a mais para o ambiente, além de algumas cenas nos clubes e festas, aonde tudo dá as devidas nuances de drogas e muito mais, mas o que faz valer mesmo é o trabalho que a equipe de arte conseguiu fazer de ambientação, retratando bem os clubes dos anos 60, as devidas festas aonde as mulheres do bairro de Soho conhecido por ser um point bem sensual da época pelos cabarés eram oferecidas aos homens mais ricos por agentes, os grandiosos shows e tudo mais, tudo com muita gala e pompa que ainda por cima a jovem na época atual tenta resgatar com os belíssimos figurinos de época em seu curso de moda. Ou seja, é tanto bem montado no conceito de design para recair para prêmios desse estilo, quanto para os âmbitos de cabelo, figurino e maquiagem, pois deram show nesses quesitos.

Outro ponto incrível da trama ficou a cargo da trilha sonora só com grandes clássicos dos anos 60, que além de ter uma escolha perfeita para dar o ritmo e dinâmica da trama, ainda foram criativos o suficiente para que a protagonista cantasse brilhante e deliciosamente em determinado momento, ou seja, ficou sexy e muito funcional, valendo claro a conferida no filme e depois aqui no link

Enfim, tinha gostado do que vi no trailer e imaginava que poderia me decepcionar com o resultado final, mas esse medo ficou só na lembrança, pois é uma trama que beira a perfeição, só faltando talvez um pouco mais de conflito nos atos finais, pois tudo acaba sendo muito fácil depois de tanta coisa, mas isso é algo comum para fechamentos de longas de terror, então está valendo, e assim sendo recomendo demais o longa para todos, e mesmo que você fale que não curte o estilo, dê a chance, pois é mais do que apenas uma trama de sustos gratuitos, que aliás não acontece nesse filme. Bem é isso meus amigos, finalmente fico por aqui hoje depois de três bons filmes, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Galeria Futuro

11/20/2021 08:21:00 PM |

Se tem algo que me deixa feliz é ver uma comédia nacional de qualidade que não entregue nenhum ato novelesco, pois 90% das produções cômicas do país recaem para esse estilo, e desde que vi o trailer de "Galeria Futuro" me pareceu algo que iria ser divertido e bem diferente do usual, e dito e feito, foi entregue uma proposta completamente diferente e ousada, aonde aproveitaram muitas ideias de filmes de sucesso, mas incorporando algo com uma cara própria bem moldada, que diverte bastante e acaba sendo gostoso de conferir, e que ainda entrega situações bem malucas, claro pelo efeito dos entorpecentes da trama, mas que confesso que poderiam ter apelado até mais para fazer rir mais, pois os melhores momentos do longa recaem nós atos de loucura, e isso usaram pouco. Claro que existem momentos que ficamos pensando em qual necessidade de colocar isso, mas felizmente não desandou o longa, e assim sendo o resultado final valeu a pena.

O longa nos conta que Valentim, Kodak e Eddie se conhecem desde de pequenos e são lojistas da Galeria Futuro, um centro comercial em Copacabana que ostentava luxo e pompa em seu passado, e que hoje, não passa de um lugar triste e decadente. Cheios de dívidas e prestes a falir, a administração da galeria é surpreendida por uma proposta milionária de um Pastor, que quer transformar o espaço em uma Igreja Evangélica. Os três amigos ficam destruídos com a possibilidade de perder a tão amada Galeria Futuro mas, a sorte deles muda quando acham um baú cheio de uma substância alucinógena dos anos 70, capaz de realizar os desejos mais insanos de quem a consome. Contando com a ajuda de Paula, uma recém chegada lojista, eles vão criar um plano mirabolante e surreal para tentar salvar a Galeria e impedir sua venda. Galeria Futuro é uma história inusitada sobre amizade, nostalgia e evolução pessoal. Os personagens, presos no passado, terão que confrontar o presente, vencer suas limitações e, por mais amedrontador que pareça, encarar o futuro.

Os diretores Fernando Sanches (do ótimo longa "A Pedra da Serpente") e Afonso Poyart (dos ótimos filmes "2 Coelhos", "Mais Forte Que o Mundo" e "Presságios de um Crime") souberam ser bem criativos no desenvolvimento da trama, criando atos ao mesmo tempo lúdicos e ousados, de forma a impactar bem em todas as situações, pois o filme abre a ideia do saudosismo, de ficar preso no tempo e não evoluir, mas que quando entram de cabeça no mundo das drogas passam a ser mais descolados e dinâmicos, e com isso o resultado do trabalho da direção de ambos é notável, pois vemos as famosas câmeras lentas e malucas de Poyart e a centralidade ousada de Sanches, fazendo com que o filme tivesse realmente uma impressão dupla. Ou seja, é uma comédia bem diferente do que estamos acostumados, que não recai nem para algo mais clássico, nem para algo escrachado, muito menos para os ares novelescos ou típicos do Zorra, sendo algo que pode ainda evoluir mais e ficar marcado como algo próprio dos diretores, e isso é um grande acerto.

Sobre as atuações, diria que fiquei esperando um pouco mais de Marcelo Serrado com seu Valentim, pois o ator costuma entregar personagens icônicos, e aqui aparentou ficar meio que para trás demais, algo que não é comum seu, ainda mais que o filme é quase todo focado nele, ou seja, ele poderia ter ido além. Já Otavio Muller trabalhou bem seu Kodak, sendo um personagem meio estranho, porém bem encaixado na proposta, e que acaba soando engraçado com as maluquices que pensa. Agora sem dúvida alguma os momentos mais engraçados recaem para o Eddie de Ailton Graça, desde os primeiros atos com a droga, até nas ideias que acaba fazendo, sendo bem colocado do começo ao fim, envolvendo na proposta e agradando com o que faz. A pegada de Luciana Paes com sua Paula acaba sendo meio bizarra, mas tem estilo e faz parte da proposta, ao ponto que sua loucura com a droga ficou meio fora de eixo, ao ponto que valeria mais momentos seus no set como maquiadora do que ali num programa de palco. Milhem Cortaz fez seu traficante Mesbla de uma forma meio que surtada, mas encaixou bem seu estilo forte e chamou a responsabilidade de suas cenas para si, o que acaba dando um bom tom, mas precisou forçar um pouco a barra, o que não é tão bom de ver. Quanto os demais valem um pouco de destaque para Taumaturgo Ferreira com seu Dudu mais descolado e cheio de traquejos internacionais, mas desperdiçaram de não usar mais Zezé Motta com sua Sula, pois a atriz é boa demais para duas cenas quase sem falas.

Agora algo que o filme valorizou bastante foi o conceito visual, trabalhando bem a galeria inteira, mostrando empresas clássicas que víamos nesses lugares como revelações de fotos, balcões de mágicas, locadoras de filmes, salões de beleza e lojas de discos, contando com todos os elementos clássicos para ser bem representativo, além da luta final ser bem pensada e sacada de onde veio toda a ideia, sendo um bom fechamento ou não, afinal a cena no meio dos créditos diz que pode haver continuação. Ou seja, um bom trabalho da arte, com bons efeitos e funcionalidades.

Enfim, é um bom filme que será lembrado pelo diferencial como um todo, mas que certamente se fosse ainda mais engraçado acabaria como o trailer pareceu ser, o resultado seria incrível e valeria ainda mais. Mas recomendo ele com certeza por todo o estilo, e ser uma comédia fora do usual que sempre nos é entregue. Bem é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda vou conferir mais um longa, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - Tick, Tick... Boom!

11/20/2021 04:05:00 PM |

Esse ano está sendo realmente das apresentações musicais da Broadway virando longas imponentes nas telonas e telinhas, pois ao trabalharem temas bem envolventes e que continuam atuais, resultam em tramas bonitas e gostosas de ver, e que mesmo quem não seja um grande apreciador do estilo acaba curtindo o que é mostrado. Claro que alguns puxam mais para a cantoria enquanto outros desenvolvem um pouco mais da história tendo alguns atos cantados e outros interpretados, e é nesse segundo estilo que se encaixa  o filme da Netflix, "Tick, Tick... Boom!" que funciona muito bem como uma grandiosa homenagem ao compositor Jonathan Larson que viveu vários anos tentando conseguir lançar seu primeiro musical para alçar ao estrelato, mas que somente com esse exemplar aonde conta sua vida e como foi escrever ele conseguiu decolar. Diria que o filme tem uma essência emotiva bem trabalhada ao desenvolver o tema da paixão seja por uma pessoa, por um amigo ou pela arte, o se descobrir no meio, e principalmente viver com tempo para conseguir fazer tudo o que precisa, e que tem um bom fluxo de ideias conseguindo ser interessante e agradável, mas que ainda assim falta algo mais explosivo realmente para pegar o público, e que mesmo sendo uma belíssima obra ficou seguro demais dentro da proposta, mas isso é entendível, afinal é o primeiro trabalho de Lin-Manuel Miranda dirigindo e assim não foi além, mas já mostra que veremos muito dele com personalidade nas telas.

O filme segue Jon, um jovem compositor de teatro que servia mesas em um restaurante na cidade de Nova York em 1990 enquanto escrevia o que ele espera que seja o próximo grande musical americano. Dias antes de apresentar seu trabalho em uma performance decisiva, Jon está sentindo a pressão de todos os lugares: de sua namorada Susan, que sonha com uma vida artística além de Nova York; de seu amigo Michael, que mudou de seu sonho para uma vida de segurança financeira; em meio a uma comunidade artística sendo devastada pela epidemia de AIDS. Com o tempo passando, Jon está em uma encruzilhada e enfrenta a pergunta que todos devem considerar: o que devemos fazer com o tempo que temos?

Como falei no começo essa é a estreia de Lin-Manuel Miranda na direção de um filme, mas ele provou que sabe conduzir muito bem seus atores para musicalizar num nível que vai muito além de tudo, afinal Andrew Garfield ainda não tinha encarado esse gênero e foi perfeito em cena, e isso se deve demais à uma boa direção, o único problema é que vemos uma divisão clara dos atos acontecendo no palco e na vida do rapaz, sendo até uma boa representação, que talvez coubesse algo maior para se abrir e acontecer somente fora do palco, mas não chega a incomodar, e dá para entrar de cabeça em tudo o que o roteirista Steven Levenson conseguiu adaptar, afinal o musical de Larson é somente o que está no palco e Levenson foi criativo em abrir o nicho. Ou seja, é uma trama que é necessário o público entrar no clima para conseguir ser levado e se emocionar com os temas, mas que facilmente tem três ou quatro atos que foram bem fundo nisso e conseguiram, com destaque claro para a amizade de Michael tanto na briga quanto na notícia pesada, na apresentação da discussão do casal feita musicalmente pelo protagonista e Vanessa Hudgens no palco, e para o estouro de Hudgens e Alexandra Shipp na canção principal da peça. 

E já que comecei a falar dos atores, se há algum tempo muitos criticavam o jeitão meio estranho de Andrew Garfield atuar, agora podemos dizer que ele encontrou versatilidade e estilo para encarar o que quiser, pois sua representação de Jon é algo quase que clonado ao vermos as cenas gravadas antigas, entregando personalidade, carisma e muita desenvoltura, além claro de cantar muito bem e passar a emoção através do sentimento cantado, o que resulta em algo perfeito de ver. Alexandra Shipp representou também bem sua Susan, enfrentando o tradicional conflito de ter um artista que não tem tempo para ela em casa, fazendo claro que as devidas discussões fossem bem expressivas, e acertando bem o tom e os trejeitos da personagem, que acredito que tenha sido marcante na vida do verdadeiro Larson. Robin de Jesus deu um tom muito emocional para seu Michael, sendo preciso nas nuances, fazendo com que a amizade dele e Jon fossem algo bonito demais de ser visto, e que soube passar sensibilidade sem soar forçado e ser gracioso sem parecer jogado, o que acabou sendo de uma precisão incrível de ver na tela. Agora confesso que não reconheci Vanessa Hudgens com sua Karessa, pois a atriz está muito diferente, não sei se foi maquiagem ou algum procedimento estético, mas não é a mesma que já vimos em vários outros filmes, mas isso é o de menos, pois a atriz e cantora soltou seu vozeirão em diversos atos e na apresentação da música mais difícil de ser composta ficou incrível ao ponto de arrepiar, ou seja, foi bem demais. Ainda tivemos bons atos cantados de Joshua Henry com seu Roger, e claro toda a representatividade do personagem de Bradley Whitford como Stephem Sondheim, um dos maiores produtores de musicais da Broadway.

Visualmente o longa foi bem bacana por mostrar a vida simples e bagunçada de artistas, com apartamentos completamente bagunçados, devendo tudo quanto é conta possível, mas claro fazendo festanças, tivemos ainda a comparação com quem realmente opta por trabalhar fora da arte que consegue ir para um bairro/apartamento mais luxuoso, tivemos os vários atos mostrando a peça "Tick, Tick... Boom!" sendo representada e apresentada pelo protagonista, com um visual simples mas bem marcante, vários atos na piscina para refrescar a mente e toda uma desenvoltura bem clássica nos estúdios de música, aonde tudo vai se desenvolvendo, ou seja, a equipe de arte foi bem segura e acertou no estilo ao menos da época dos anos 90 para funcionar.

Todas as canções são bem marcantes e representativas, o que não poderia ser diferente, afinal estamos falando de um musical, então vou colocar aqui o link para todos escutarem, mas não recomendaria ouvir elas antes de ver o filme, pois lá elas tomam forma, enquanto aqui são apenas cantadas, mas todas são bem interessantes e envolventes.

Enfim, é um filme que poderia facilmente ter ido além, mas que funcionou muito bem como uma homenagem e uma representação fiel da peça musical para algo mais expandido, e assim pessoas como eu que nunca tiveram a oportunidade de ir para a Broadway conferir essa peça, e claro conhecer um pouco mais de Larson sem ser o filme/peça "Rent" puderem entrar de cabeça e se envolver com tudo o que foi mostrado. E sendo assim recomendo ele com toda certeza para todos. Bem é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto mais tarde com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Chernobyl: O FIlme - Os Segredos do Desastre (Чернобыль) (Chernobyl: Abyss)

11/20/2021 02:11:00 AM |

Já vimos tantos filmes envolvendo o desastre radioativo de Chernobyl que até já dá para tirar algumas conclusões sobre o "acidente" em si, mas o que mais impacta sempre é como as pessoas encararam tudo na época e até depois, afinal ainda temos muitas usinas nucleares e erros podem acontecer da mesma forma, mas claro que atualmente os protocolos de segurança são outros e isso é motivo para outro tipo de conversa. Mas voltando ao longa russo que estreou nos cinemas, "Chernobyl: O Filme - Os Segredos do Desastre", não nos é entregue tantos segredos assim, mas sim uma homenagem aos voluntários que encararam o abismo (nome em inglês do longa) que era se jogar nas águas ferventes e claro em toda a radiação do reator para evitar um desastre ainda maior, e que de uma forma bem imponente conseguiram retratar toda essa insanidade heroica juntamente com um romance meio que bagunçado. Ou seja, é um filme que tem uma proposta e florearam ela para dar um sentido, mas que usaram até tempo demais nesse enfeite todo e com isso o filme acaba enrolando demais, de forma que daria para cortar fácil uns 30 minutos dele, mas romance vende, então vamos com o que foi entregue que ficou bacana de ver, e não atrapalhou a síntese ao menos.

O longa é o primeiro grande filme russo sobre as consequências da explosão na usina nuclear de Chernobyl, quando centenas de pessoas sacrificaram suas vidas para limpar o local da catástrofe e para prevenir com sucesso um desastre ainda maior que poderia ter transformado grande parte do continente europeu em uma zona de exclusão inabitável. O improvável herói do filme é Alexey, um bombeiro da usina. Ele está acompanhado por Valery, um engenheiro, e Boris, um mergulhador militar, em uma perigosa missão para drenar a água de um reservatório sob o reator em chamas. Eles não têm tempo para um planejamento adequado; a água nos corredores inundados que eles terão de atravessar está ficando mais quente a cada hora, à medida que o núcleo do reator derretido se aproxima cada vez mais. Preparados para sacrificar suas próprias vidas para evitar uma catástrofe ainda maior, os três homens descem às profundezas do prédio do reator.

Diria que é bem fácil entender o problema do longa, pois o diretor Danila Kozlovskiy quis aparecer demais atuando também, e com isso quis criar um clima romantizado para dar motivação para o herói, quis criar o ambiente antes e após a explosão, e com isso acabou enrolando um pouco demais, pois facilmente a ideia seria bem bonita e com o mesmo impacto criando tudo desde a explosão, mostrando um pouco de uma forma bem rápida quem era o bombeiro, mostrando talvez um pouco quem era o engenheiro e o mergulhador, para dar algumas nuances, e já indo direto na tentativa de escoar a água, e todo o rápido planejamento ali, mas a opção de florear é algo que sempre vende então optaram por montar o roteiro assim, e o diretor sendo também o protagonista do filme apenas aumentou um pouco seu tempo de tela. Claro que não digo que seja algo ruim, afinal o lance do herói dar sua vida pelo filho que ficou doente, ter a emoção da mulher expressada pela volta do amor do passado e tudo mais acaba dando uma nuance maior para que o público se envolva, mas poderia ser menor para dar mais espaço para outras coisas, como por exemplo da vida dos demais, que apenas foram jogados no fogo sem que nem saibamos direito como chegaram ali.

E já que falei do diretor atuando, posso falar que suas expressões corporais foram bem trabalhadas, ao ponto que seu Alexey é bem dinâmico, se entrega bem nas ações e faz uma desenvoltura bem interessante nos atos que precisou colocar trejeitos fortes, só não posso falar muito do seu tom de voz, afinal todo filme russo que chega nos cinemas do Brasil vem dublado em inglês, então é melhor não falar de suas entonações. Filipp Avdeev trouxe uma expressividade inicial de medo bem impactante para seu Valery, ao ponto que demonstrou bem a sensação de uma imposição de ter que estar ali, mas que num segundo mergulho já está pronto para se sacrificar, e o ator fez atos bem marcantes e interessantes de ver, sendo um bom acerto em cena. Da mesma forma Nikolay Kozak trabalhou seu Boris, mas acredito que esse tenha sido o ator mais mal dublado, pois seus atos físicos não condiziam com a forma que falava suas falas, e isso acabou pegando um pouco, mas o militar foi imponente e claro ficou bem maluco com a radiação. Como acabou caindo para o protagonismo, Oksana Akinshina trabalhou até que bem sua Olga, parecendo ter muitas dúvidas do que fazer da vida, e um ar tímido meio que forçado até, mas trabalhou bem nos atos mais marcantes, e com isso até foi bem além na produção toda.

Visualmente sabemos bem que o longa não foi gravado no local do acidente realmente, afinal a contaminação por lá já diminuiu, mas não daria para ficar muito tempo rodando um longa cheio de pessoas, então sendo rodado em Moscou, Kurchatov na Rússia e em Budapeste na Hungria, conseguiram criar bem todo o ambiente caótico dentro do reator, com muitas cenas inundadas com mergulhos desesperados, muita maquiagem para fazer as devidas queimaduras seja pela radiação ou pela água fervente (que claro também sabemos que não fizeram os atores entrar em algo quente demais), e tudo foi bem simbólico da época com ambulâncias, carros e tudo mais, criando bem um ambiente forte e bem retratado, que funciona, mas que ainda poderia ter ido além em tudo.

Enfim, é um filme mediano para bom, que quem conferiu a série da HBO vai falar que aqui ficou até fraco demais, mas aí entramos no fato que em uma série dá para trabalhar bem mais coisas, então como um longa de pouco mais de duas horas, se tivessem aproveitado mais as cenas dentro do reator, dos hospitais e do desenvolvimento do plano, ao invés do drama romântico, o resultado certamente seria muito melhor, mas ainda passa longe de muitas bombas russas que já apareceram por aqui, sendo um filme comovente ao menos que até dá para recomendar. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Ghostbusters - Mais Além (Ghostbusters: Afterlife)

11/19/2021 12:58:00 AM |

Quando o diretor Jason Reitman (que tem vários filmaços na carreira, mas até ontem eu não sabia que era filho do diretor do original "Ghostbusters" de 1984 e 1989!) falou que essa sua continuação do clássico seria algo nostálgico e que impactaria todos que viram os longas clássicos de 84 e 89, eu confesso que duvidei, pois eu ri muito e até gostei da reinvenção que fizeram em 2016 com mulheres nos papeis principais que praticamente todo mundo odiou, porém o pessoal esperava ver algo mais clássico e totalmente conectado com a franquia original que acabou não ocorrendo, então não criei muitas expectativas para o filme que veria hoje "Ghostbusters - Mais Além", e fui esperando ver algo bacana que os trailers já haviam mostrados, mas fui entrando no clima a cada coisa que aparecia, cada detalhe colocado, e quando a garotinha faz sua ligação na cadeia já bateu um saudosismo imenso, mas continuei ficando feliz com todo o cuidado que foram colocando até chegar na cena final, aí meus amigos o chão desaba e se fosse uma sessão lotada de tiozões haveria aplausos e gritaria no estilo do que rola nos filmes da Marvel, pois é "A CENA" de 2021, que junto com todo o conteúdo clássico, carro clássico, armas clássicas e toda uma pegada muito bem tradicionalista fez com que o filme ficasse incrível, que até eu que gostei do longa das garotas digo que é melhor eles sumirem com o filme de todo lugar parecendo que nem foi feito, pois aqui a perfeição existiu. Detalhe, esperem na sala que tem duas cenas pós-créditos e a diferente da Marvel, a primeira é uma piadinha, mas a segunda no final é a mais importante de todas e dá ideia de uma continuação.

A sinopse nos conta que uma mãe solteira resolve se mudar para uma pequena cidade do interior com seus filhos. Ao chegar na nova casa, ainda sem saber ao certo o que vai acontecer, ela e seus filhos acabam descobrindo uma conexão com os Caça-Fantasmas originais e o que o seu avô, um dos integrantes dos Caça-Fantasmas, deixou para trás como legado para sua família. Mas nem tudo é brincadeira, com a descoberta de objetos e a chegada na casa, acontecimentos paranormais começam a acontecer e só tem um jeito de acabar com eles: chamando os Caça-Fantasmas!

O mais engraçado de tudo é que o diretor Jason Reitman que é conhecido por filmes mais sérios e dramáticos conseguiu trabalhar tanta personalidade e envolvimento para que seu longa aqui tivesse emoção, comicidade e boa desenvoltura que nem parece ter sua assinatura, mas tenho a certeza absoluta que seu pai ficou muito feliz com tudo o que viu na tela, pois os adolescentes não ficaram chatos de acompanhar (o que geralmente ocorre na maioria de filmes desse estilo), todos possuem dinâmicas bem colocadas e empolgantes, e principalmente os atos são funcionais para com a ideia da trama, parecendo realmente uma continuação direta dos filmes do pai, e ainda claro fazendo todas as devidas homenagens que seriam necessárias, brincando com estilo, colocando diversos tipos de fantasmas, e ousando em colocar uma síntese rápida e gostosa, pois certamente daria para fazer um filme cheio de referências ficando mais dramático como o diretor gosta de trabalhar, mas não seria algo próximo dos originais. Sendo assim, o resultado da direção e do roteiro de Reitman foi algo que acaba sendo nostálgico e bem emocionante para quem viu os originais na infância/juventude, mas também entrega algo bem marcante para a nova geração que talvez até irá querer ver os filmes antigos para se envolver mais, ou seja, um filme perfeito e muito bem trabalhado.

Sobre as atuações basicamente o filme é quase todo de Mckenna Grace com sua Phoebe, aliás a atriz está tão diferente no longa que nem parecia ser ela, e se entregou como uma boa cientista, tendo bem os genes do avô, fez piadas ruins de ciência muito bem encaixadas, e brincou muito em cena, parecendo estar completamente disposta para tudo, sendo uma grata surpresa pela intensidade que se doou, não parecendo estar presa no roteiro, o que é muito legal de ver em cena. Finn Wolfhard conseguiu passar carisma nas cenas que participou, mas pareceu meio deslocado em alguns momentos da trama, não entrando tanto no clima no início, mas aparentemente é algo do papel, já que estava no seu verão, querendo um trabalho, uma namorada e tal, e assim o jovem até trabalhou bem, mas não foi muito além em cena. Foi praticamente a estreia de Logan Kim nos cinemas com seu Podcast, e o jovem ator foi tão gracioso, cheio de desenvoltura para os devidos momentos de seu papel, além de ter uma química bem legal com a protagonista, ao ponto que acabou muito bem encaixado e conseguiu se destacar, e assim com certeza será chamado para muitos outros filmes. Paul Rudd e Carrie Coon até tiveram bons momentos com seu Mr. Grooberson e Callie, ele com suas desenvolturas mais cômicas e ela como uma mãe meio que jogada, mas o filme é dos pequenos, então seus atos foram mais de conexões, com Rudd se destacando um pouco mais por mostrar pros jovens quem foram os Caça-Fantasmas, mas nada que surpreendesse, ao ponto que até poderiam ter usado mais eles. Celeste O'Connor acabou com sua Lucky até que bem usada em alguns atos, mas não é uma personagem chamativa, e assim sendo ficou em segundo plano, não podendo se mostrar muito. Agora já dando um spoiler tremendo, as aparições finais foram incríveis com TODOS os originais, aí você que fique se perguntando, afinal bem sabemos que nem todos poderiam comparecer nas gravações.

Agora no conceito visual a equipe caprichou com gosto, pois são tantos detalhes cênicos usando coisas novas e coisas antigas dos filmes originais, a casa isolada aparentemente bem bagunçada tem tantos elementos cênicos para serem usados, o laboratório embaixo de tudo recheado de objetos do clássico e ainda todo o trabalho para pegar o público com tudo, e se no filme original filmar os fantasmas foi uma trabalheira imensa, já que não tinham tanta tecnologia na época, aqui a computação fez personagens bem desenhados, colocando um fantasma gelatinoso comedor de ferro bem interessante, os vários marshmallows fazendo o caos completo com muita graciosidade, e até os cachorrões demoníacos foram bem trabalhados no design agradando demais nas perseguições, e claro o Ecto-1 dando show nas corridas, voando pra cima e para baixo com a protagonista carregando uma mochila imensa e disparando raios para todos os lados, que ficaram muito bem encaixados na trama.

Enfim, é um tremendo filmaço que realmente fui conferir sem esperar muito dele e saí encantado com cada momento, me vi emocionado em alguns atos e o resultado completo empolga demais, ao ponto que até valeria uma nota máxima para o longa, mas como os adultos da trama mereciam ter mais momentos para chamar a atenção, e até poderiam ter colocado mais fantasmas em cena, vou arrancar um pontinho da nota, porém tudo é incrível de ver, as duas cenas pós-créditos foram muito bem feitas, e enquanto você espera elas dá para ir curtindo a música da protagonista McKenna Grace se lançando como cantora, então vá conferir, levem todos para os cinemas e fiquem na sala até o final dos créditos. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

A Sogra Perfeita

11/16/2021 10:35:00 PM |

Acho que agora posso dizer que a pandemia acaba finalmente nos cinemas, pois começou a voltar oficialmente as comédias clássicas nacionais para as salas! Digo isso, pois quem gosta do estilo comédia mais escrachada tradicional andava com poucas opções de lançamento nos cinemas, e com a trama de "A Sogra Perfeita" vemos desde o exagero em algumas piadas, como boas sacadas em cima do ambiente de filhos que não saem de casa, a velha pegada de tentar fazer dar certo e depois tentar fazer dar tudo errado entre um casal, e claro as devidas reconciliações, que aqui ainda contam claro com o músico mais experiente em casamentos: Fábio Jr. e sua clássica "Alma Gêmea". Claro que não é daqueles filmes que você rola de rir do começo ao fim, mas quem me conhece que é difícil uma comédia me pegar a fundo e aqui pelo menos ri em uma boa quantidade de cenas, e assim sendo posso dizer que vai ter gente que vai gargalhar muito então, ou seja, é um filme que felizmente não tem uma pegada novelesca, sendo mais puxado para algumas dessas séries especiais de um dia, mas que funciona como filme tendo um bom começo, meio e fim que diverte pelo menos.

A sinopse nos conta que Neide está chegando aos 45 anos e é dona do salão de beleza mais badalado do bairro, no subúrbio de São Paulo. Desde que se separou do marido encostado e colocou dois filhos na faculdade, ela sonha em aproveitar a vida de solteira. Paulo Ricardo é advogado e já saiu de casa, mas o outro, Fábio Junior, não dá nenhum sinal de que vai deixar a casa da mãe. Nerd e cheio de manias, ele adora os mimos da casa de Neide. A presença do filho marmanjo é a única coisa que separa Neide da sua tão sonhada liberdade. É aí que Neide cria um ambicioso plano: treinar uma funcionária do salão para se tornar a nora perfeita. A escolhida é Ciléia, moça simples e caipira que se interessa de verdade por Fábio Junior. Neide então faz tudo o que pode para transformar Ciléia e juntar o casal – mas acaba entrando numa confusão maior ainda!

Quem conhece os filmes da diretora Cris D'Amato sabe que ela uma das que mais oscila no mercado nacional, trazendo de filmes que você rola de rir ("S.O.S. Mulheres ao Mar" e "Linda de Morrer") até aqueles que você não sabe se o que viu era pra rir ou para chorar ("É Fada" e "Os Parças 2"), mas isso sabemos que rola bem com vários diretores mundo afora e nem sempre dá para acertar a mão, mas uma coisa é bem nítida no seu estilo é que não faz filmes lentos, tendo sempre uma boa dinâmica que consegue segurar a onda pelo menos do começo ao fim, e outro ponto é não ficar tanto no eixo novelesco que muitos diretores de comédia nacional optam para não errar a mão (e aí é que ela se arrisca), fazendo claro um filme propriamente dito, e aqui ela ficou bem mais próxima dos primeiros filmes, trazendo algo gostoso de ver, divertido, que tem toda uma pegada levemente forçada, mas que é casual, pois já vimos muitos casos desse estilo de famílias de encostados e que desejam por pra correr para ter a liberdade, e com dois bons vértices como falei no começo, primeiro vemos a sogra alegre que quer ajudar em tudo para a moça se conectar com o filho, e depois todo o desespero para quebrar o encanto já que acha que está sendo traída pela confiança que deu para moça, e nesse segundo ato que a risada é garantida, pois a protagonista detona literalmente nas coisas que faz, e o resultado agrada muito. Ou seja, é um filme com muitos altos e baixos, mas que no final das contas funciona bem e diverte, que é a proposta de uma boa comédia, e assim vai agradar bem quem gosta do estilo.

Sobre as atuações, o filme é claro de Cacau Protásio com sua Neide irreverente, desboca e cheia de atitude, ao ponto que nem deveriam tirar a câmera dela, pois a atriz tem muito estilo e sabe segurar o filme do começo ao fim, e quando sai dela a trama tem leves desabamentos, o que não é legal, mas voltando para a atriz sua desenvoltura no filme é tão bem colocada que já é uma das atrizes de comédia mais chamadas nos filmes nacionais, mas deve ir muito além, pois é boa no que faz, mesmo que para isso precise gritar ao máximo. Luis Navarro e Poliana Alleixo até que entregaram bons momentos como um casal, com Navarro dando nuances até infantis e bobas demais com seu Fabio Jr, mas sendo parte do personagem e Alleixo sendo ingênua demais em alguns momentos para tentar passar um ar de interiorana, mas certamente poderia ter explodido um pouco mais. Já Evellyn Castro trabalhou até que bem sua Sheila, mas ficando muito em segundo plano e dando um pouco mais de abertura para os exageros de Rodrigo Sant'anna com seu Eddy, ao ponto que ambos juntos funcionam, mas separados acabaram ficando exagerados demais. Quanto aos demais foram usados mais para piadas espaçadas, desde o ex-marido vivido por André Mattos, até o português da padaria que é apaixonado pela protagonista vivido por Marcelo Laham, tendo espaço até para um anão de atendente, o que não precisaria de certo apelo.

Visualmente o longa é bem representativo, tendo a casa simples porém bem detalhada da protagonista, com cômodos bem pequenos, mas valorizados em detalhes, como o quarto do jovem cheio de apetrechos nerds para representar sua profissão de testador de jogos, temos o salão da protagonista que é dividido com a oficina mecânica do ex-marido, brincando que ambos fazem recuperações de visuais, ela de pessoas e ele de carros, mas que poderiam até ter ficado mais por ali, brincado com as transformações que faz nas pessoas, pois é mostrado no começo uma e depois praticamente só vai ali para bater papo, o que não é muito empolgante de ver, temos um parque de diversões aonde o casal comemora seus mêsversários, e claro toda a conexão da vizinhança bem característica dos subúrbios aonde todo mundo opina na vida de todo mundo, o que de certa forma acaba sendo um bom acerto da produção visual do longa, que não vai muito além, mas é bem feitinha.

Enfim, é um longa divertido que até vai agradar bem quem gosta de uma comédia mais escrachada, mas poderia ter mais piadas bem colocadas e poderia ter uma exploração melhor dos personagens, mas ainda assim do jeito que foi entregue funciona bem e faz rir, o que é de praxe em uma comédia, sendo uma boa opção para quem gosta do estilo na próxima semana, já que entra em cartaz em todos os cinemas no dia 25 de novembro. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

TeleCine Play - Loucos Por Justiça (Retfærdighedens Ryttere) (Riders of Justice)

11/15/2021 11:59:00 PM |

Já vi muitos filmes malucos, mas acho que o longa dinamarquês "Loucos Por Justiça", que estreou no Telecine Play, vai entrar pro topo deles, pois é daqueles filmes que você acaba dando o play pela história, pelo ator imponente que conhece, mas as situações vão ficando tão bizarras e sem noção que no final já nem sabemos mais se vamos aceitar ou se curtimos tudo o que foi entregue, pois é muita loucura para menos de duas horas de filme. Diria que a ideia de misturar estatísticas e coincidências com vingança até foi bem elaborada na mente do roteirista, mas jogar com comédia acho que acabou saindo demais do eixo resultando em um filme mais bizarro do que criativo, que não é ruim de ver, mas esteja preparado para algumas situações totalmente sem noção.

A sinopse nos conta que Markus é um soldado veterano no Afeganistão, volta para casa para cuidar de sua filha, Mathilde, após um terrível acidente de trem. No entanto, ao retornar, Markus tem um encontro inesperado com o analista estatístico Otto, um dos poucos sobreviventes do acidente, que está convencido de que essa tragédia é mais do que aparenta. Na verdade, parece que muitos segredos estão escondidos à vista de todos. Agora, Markus dolorido e letalmente perigoso não tem outra escolha a não ser mergulhar fundo no mundo incompreensível de possibilidades para obter respostas para suas perguntas não formuladas. Mas, ele pode entender a morte?

Por ser uma ideia bem maluca na formatação composta, não diria que o diretor e roteirista Anders Thomas Jensen tenha errado em qualquer um dos pontos, pois tudo é bem intrigante e bem feito, porém o ar cômico acabou indo um pouco além do que o necessário para a produção funcionar, e dessa forma diria que ele perdeu um pouco do controle da trama, optando por absurdos e exageros que acabaram ficando estranhos. Claro que é uma proposta do descontrole do luto, é uma proposta de pessoas obcecadas por estatísticas, mas o momento em que o estatístico fala com a garota vendo que fez a cagada e nada pode mudar as mil linhas de possibilidades, o filme ali poderia acabar que ficaria mais focado, mas ainda teve mais algumas bizarrices depois, e o resultado ao menos é engraçado de ver.

Sobre as atuações, confesso que fiquei olhando umas três vezes no começo do filme para ver que era o Mads Mikkelsen no papel de Markus, tipo fiquei esperando ser outro personagem e tudo mais, pois o ator está totalmente diferente de qualquer outro papel seu, e não é algo ruim de ver essa sua transformação, mas foi algo completamente inesperado, e ele ainda deu um tom violentíssimo para o papel, fazendo suas interações familiares serem até extremas, ou seja, foi uma surpresa estranha vê-lo tão imponente de atitudes, mas acertou a base que o papel pedia. Nikolaj Lie Kaas entregou um Otto bem exagerado de ideias, mas com trejeitos meio que receosos demais, ao ponto que suas cenas ficaram meio amarradas, mesmo sendo um personagem bacana, só precisava de um pouco mais de atitude. Já Lars Brygmann trabalhou seu Lennart com personalidade e reclamação na veia, sendo daqueles que resmunga para tudo, e o ator deu estilo para isso, e claro se mostrou bem traumatizado com seu passado, ao ponto da sua cena no canavial bater até pena, e o ator conseguir segurar bem a barra ao tentar contar a trama. Nicolas Bro já foi colocado como o gordo maluco e nerd que surta fácil, mas não tem coragem nem atitude com seu Emmenthaler, mas fez bons atos e até caiu bem para o papel. Quanto dos demais, a garotinha acabou soando forçada em seu estilo de luto, ao ponto que Andrea Heick Gadeberg entregou sua Mathilde com trejeitos meio que jogados que não vai muito além disso, enquanto os demais apenas foram conexões com os personagens, alguns aparecendo um pouco mais, mas quanto dos membros da gangue foram meros enfeites cênicos.

Visualmente o longa é um pouco bagunçado, com a casa do protagonista no meio do nada, com um celeiro imensamente maior que a casa, aonde os demais acabam levando computadores e monitores para hackear a gangue, um acidente de trem bem imponente com uma desenvoltura até chocante de ver (sendo sem dúvida a melhor cena do filme!), e muitos atos de ataques com armas sem que ninguém veja acontecer, mostrando que os protagonistas são quase ninjas, e com isso temos boas armas cenográficas, e toda uma desenvoltura cênica bem colocada para representar os momentos dentro da casa, como jantares e jogos, mas meio que sem nexo também.

Enfim, confesso que esperava outra coisa do longa, até dando para entrar no clima com as mensagens passadas de luto, de abuso sexual, de abusos no geral e de violência, mas como disse acabou misturando excessos demais na comicidade, e com isso o filme ficou meio que perdido sem ter aonde acertar direito, e assim sendo não vale tanto a recomendação, mesmo sendo bem maluco em todos os sentidos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Netflix - 7 Prisioneiros (7 Prisioners)

11/15/2021 05:54:00 PM |

Bem sabemos que o Brasil foi um grande país escravocrata no passado, e que atualmente ainda existem muitos lugares escondidos com funcionários vivendo em uma situação análoga à escravidão, e usando dessa base o longa da Netflix, "7 Prisioneiros", nos mostra todo esse envolvimento de pessoas que são contratadas para sair do interior e ir para a capital achando que vão ganhar rios de dinheiro para voltar depois para suas famílias, mas quando veem estão presos à dívidas que nem imaginavam de ter feito e sofrendo para sobreviver. Então entra a grande sacada do longa, e que mostra algo que muitos já ouviram falar, que no passado quem comandava, vendia e intimidava os escravos eram propriamente alguém dos seus, que quando via a chance de subir na vida, ou melhor sobreviver melhor esquecia as amizades, acordos e tudo mais, afinal nessa vida vale a lei do mais forte, e a trama aqui permeia essa mesma intensidade, chamando muita atenção para tudo, além claro de ótimas atuações. Diria que é daqueles filmes que ficamos com raiva dos personagens, da situação e até tristes por ver algumas coisas, mas é o reflexo de como chegamos até os dias de hoje, e com muita força o roteiro choca e comove em cada fala seja ela dentro do ferro-velho, na festa do deputado ou até mesmo na padaria da mãe do protagonista, pois tudo faz valer o pensamento reflexivo.

A sinopse nos conta que o jovem Mateus aceita trabalhar em um ferro-velho em São Paulo com o novo chefe Luca para ganha uma oportunidade de dar uma vida melhor à família. Porém, ele acaba entrando no perigoso mundo da escravidão contemporânea com diversos outros garotos, sendo forçado a decidir entre continuar nessa situação ou arriscar o futuro de sua família.

É bem interessante de observar a formatação da proposta do diretor Alexandre Moratto, pois embora seja um filme que se olharmos a fundo é bem simples, ele conseguiu trabalhar tão bem as dinâmicas interiores, o desenvolvimento dos dois protagonistas, e mesmo os demais atores acabam passando uma certa sinceridade nos olhares para com a mudança do estilo do amigo, que num primeiro momento nem deseja tanto aquilo para com seus pares, mas a cena anterior a final define muito bem todas as possibilidades dele e o que deve seguir, mostrando coragem e claro atitude. E isso tudo mostrou a mesma coisa para com o trabalho do diretor/roteirista, pois mesmo seu filme podendo escolher outros vértices como talvez algo até mais forte, ele teve coragem de apontar o dedo e atitude de com a simplicidade da situação forte mostrar tudo o que a situação de escravidão reflete, ao ponto que todo o sentimento flui, toda a desenvoltura vive, e no final mesmo que não tenhamos nos emocionado ou chocado com algo (o que é bem difícil vista toda a situação dos garotos), ou ficado nervoso e impactado com o "empregador", ao final paramos e pensamos é bem assim que tem de ser, e que ele seja feliz.

É até engraçado falar sobre as atuações, pois embora todos estejam representando bem, não vemos uma explosão interpretativa, não vemos um ato que você queira aplaudir a expressão deles, ao ponto que todos soaram tão leves e diretos que pareceram realmente fazer isso todos os dias, no caso os rapazes serem escravos, o patrão ser um escravizador e o jovem um aprendiz das coisas ruins, e como sabemos que nenhum deles é isso, o que posso falar é que foram perfeitos demais, acertando em cheio o tom que precisavam, fazendo o ofício de ator ir num nível incrível e marcante de expressividade. E já disse isso no parágrafo anterior, mas Rodrigo Santoro acaba sendo tão ruim, tão sacana para com os garotos, e claro com todo o processo, que seu Luca retrata em perfeição o explorador, sendo daqueles que dá corda para a pessoa se enforcar, que cria o problema, mas mais do que isso, repassa seu ensinamento para o outro, e com isso pegamos um ódio do personagem, que acaba se estendendo para o ator, sendo uma grata atuação simples, forte e muito bem feita. Christian Malheiros deu um bom desenvolvimento para seu Mateus, que mesmo mudando de lado acaba mantendo seus olhares desapontados com tudo, e entregando cada nuance sua ao mesmo tempo com dor de estar fazendo, mas sabendo que se não for ele virá outro e ele acabará do outro lado sofrendo, então o jovem manteve sempre esse ar de o que fazer da vida, e foi bem em tudo. Quanto aos demais, o destaque ficou para Bruno Rocha como o grande amigo do protagonista Samuel, que acaba mudando completamente de trejeitos quando o amigo vai para o outro lado, e Lucas Oranmian com seu Izaque já mais revoltado e disposto a lutar com as armas que tiver para tentar mudar de vida, mas como bem sabemos na escravidão a força contra os maiores voltam ainda mais fortes.

Visualmente o longa trabalha praticamente todo dentro do ferro-velho, mostrando o serviço dos jovens de separação de cobre e alumínio em peças que chegam lá, despachando na sequência, vemos o ambiente aonde eles dormem trancados como uma prisão realmente, apenas com beliches e colchões fininhos sem espuma quase nenhuma, que inicialmente é até melhor que as casas dos jovens, mas depois passa a ser algo horrível, sem banho, e sem qualidade de vida alguma, tendo o escritório também não muito luxo, mas cheio de papeis, e claro as armas dos capatazes, um sofá aonde o jovem passa a dormir depois, as vans e caminhões entrando e saindo, e saindo daquele ambiente passam por outras instalações de escravos, alguns estrangeiros, vamos para uma festa de aniversário da filha de um deputado que organiza todo o processo, mostrando que são peixes grandes que cuidam de tudo, temos ainda uma balada bem imponente para mostrar outra vida para o jovem, e além disso temos lá no começo a casa simples da família do protagonista, com toda a lida da roça, que depois ainda é feita toda a analogia com a padaria da mãe do empregador que dá a letra para o rapaz, ou seja, a equipe de arte foi bem direta em tudo e agradou bem demais.

Enfim, é daqueles filmaços que mostram que o cinema nacional está cada vez melhor, e que basta ter boas ideias funcionais para que não precise apelar para cativar o público, sendo uma grata surpresa que não é arrastado, nem acaba sendo daqueles filmes que só cabem em festivais. Ou seja, sei que a Academia Brasileira de Cinema já escolheu outro longa para nos representar no Oscar e no Globo de Ouro, mas facilmente colocaria esse tanto pelo tema ser forte, pelo filme ser imponente, e claro por ter toda a divulgação da Netflix que o outro não terá, mas nossos votantes são meio estranhos, então fica a dica apenas para o público conferir e se envolver, pois vale a pena. Bem é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda vou ver mais um filminho para aproveitar o feriado, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Deus Não Está Morto - O Próximo Capítulo (God's Not Dead - We The People)

11/14/2021 10:06:00 PM |

São raras as franquias que funcionam bem para seguir com vários filmes, e geralmente o que se necessita para isso é manter a base e desenvolver coisas novas, pois senão acaba ficando monótono demais e o público some, mas aí entra o risco de querer inventar demais e a discussão tomar outros vértices menos empolgantes assim por dizer. Comecei falando dessa forma do quarto filme da franquia "Deus Não Está Morto - O Próximo Capítulo" por simplesmente meio que sumir a base da igreja, do fluxo de envolvimento em cima do tema, e cair agora em cima de um tema que até está em voga do ensino em casa, mas não ficaram apenas nisso, jogaram a separação familiar por divergências religiosas, mais um tema de religião versus ciência, entre outros, isso tudo com um julgamento que inicialmente tinha um fluxo, e acabou depois virando uma palestra. Ou seja, o filme que não tem nem duas horas de duração acabou ficando arrastado e cheio de enrolações parecendo ter quase umas quatro horas, mas se ainda tivesse dado algum fruto no conceito religioso seria bacana, mas não, caiu para vértices que se perderam no miolo, as atuações foram bem ruins, além de alegações tão metódicas no tema que não dá nem para defender a forma de pensamento, e assim sendo se os dois primeiros filmes foram incríveis de ideia (o segundo ainda melhor que o primeiro), o terceiro foi mediano e esse quarto acabou sendo bem abaixo disso, acredito que não devam seguir com a ideia (ou vão, afinal o público alvo é capaz de curtir!).

A sinopse nos conta que o reverendo Dave, se encontra na defesa de um grupo de famílias que educam seus filhos em casa após receberem uma inspeção inesperada de uma funcionária do governo local. Ela acredita que as crianças estão recebendo uma educação inferior em relação à escola tradicional e estão sendo doutrinadas por suas famílias a crerem na Bíblia. As famílias, então, são obrigadas a colocar seus filhos na rede pública de ensino, ou então, enfrentarão as consequências da lei. Surpreso com a interferência do governo, e acreditando que o direito de educar seus próprios filhos é um direito pelo qual vale a pena lutar, o reverendo Dave e as famílias, vão juntos a Washington para uma audiência histórica na Corte que determinará o futuro da educação nos próximos anos.

Estava na dúvida do motivo de não ter gostado tanto da proposta do filme, já que os demais embora tenham defeitos conseguiram me emocionar, e a resposta é bem fácil agora que fui pegar os dados técnicos, pois só não foi trocado o protagonista dos filmes, no caso o reverendo Dave, entrando agora outro roteirista e outro diretor, e ambos apenas trabalharam na franquia antes como atores e editores, ou seja, tanto o diretor Vance Null quanto o roteirista Tommy Blaze pegaram algo que já estava bem consolidado e quiseram inventar em cima, colocando agora um tema mais politizado do que religioso, e com isso saindo completamente do vértice interessante que era a franquia. Ou seja, não digo que o tema é ruim, muito pelo contrário já que o ensino em casa tem sido visto com bons olhos seguindo alguns problemas de escolas mundo afora, mas aqui nem entraram tanto nesse mérito, mas sim numa briga meio boba, com situações jogadas, e vários momentos e argumentos que você bota a mão na cabeça e pensa que não estão falando isso (todo o vértice da NASA eu raspei a trave de gargalhar dentro do cinema!), porém voltando a falar do conceito técnico, bagunçaram demais um estilo que tem dado muito certo (os filmes religiosos comoventes), e assim o resultado desandou completamente.

Sobre as atuações, literalmente todos tirando o reverendo Dave pareceram estar lendo seus textos, de forma bem robótica e sem grandes perspectivas, mas como o filme só veio dublado vou acreditar que isso tenha sido um problema dos dubladores encontrados, e não dos atores, apesar de todos estarem bem sem muita expressão em cena. Sendo assim vou apenas falar rapidamente de dois personagens, o primeiro é claro David A.R. White com seu Reverendo Dave já até cansado de tantos filmes nesse personagem e como só faz filmes nesse estilo já virou acho que até pastor realmente, mas aqui sua desenvoltura ficou quase que 100% longe da pregação, o que foi algo ruim de ver, e mesmo com seu grandioso discurso de fechamento no tribunal, acabou faltando um pouco mais de uma sintonia religiosa realmente falando de Deus e não tanto de algo politizado. E Amanda Jaros acabou aparecendo mais como uma mãe que trabalha muito e vê pouco o filho após a morte do pai com sua Taylor, mas seu destaque foi ir revelando camadas que os demais não sabiam, de ser viúva, de já ter trabalhado na NASA, e tudo mais, e assim a atriz que estava quieta no cantinho acabou aparecendo até mais do que o previsto. Quanto aos demais, garanto que não foi problema da dublagem, mas todos estavam parecendo robozinhos duros e sem trejeitos, salvando um pouco os congressistas, mas nada de muito surpreendente.

Visualmente o longa foi bacana apenas por mostrar várias esculturas e monumentos da capital dos EUA, e explicar algumas delas (ao menos usando a base da liberdade e um pouco de crença religiosa), mas tirando esse detalhe nem a igreja do reverendo foi muito usada, aparecendo apenas em uma cena, o resto só escritório, a casa dos protagonistas com um grupo de crianças que parecem entrar várias dezenas na casa, mas na sala tendo apenas uma meia dúzia em aula, e o tribunal de debate ficou como algo muito simbólico apenas, sem grandes chamarizes, ao ponto que o filme parece não fluir tanto cenicamente, e ainda teve o lance da compra do carro com o garoto meio bobo com alguém diferente do seu meio, e ainda um acidente para dar um choque no público, mas que nem é muito usado na trama.

Enfim, é um longa que tinha potencial tanto pelo tema, quanto pela franquia sem si, mas que acabou não sendo nem uma coisa nem outra, e desandou completamente, sendo fraco demais e arrastado demais, ao ponto de que talvez alguns adeptos da ideia até comprem a síntese do filme, mas de um modo geral não vale o tempo na sala do cinema ou em casa quando sair. Bem é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Amazon Prime Video - Coquetel Explosivo (Gunpowder Milkshake)

11/14/2021 03:59:00 PM |

Estou começando a acreditar em duas coisas, a primeira é que a Amazon Prime Video curte muito ações com pancadarias e tiros para todos os lados, investindo pesado nesse estilo que tem um público cativo e sedento por sangue cenográfico, e a segunda é que a mulherada anda muito revoltada e resolveu sair dando tiros, facadas e socos para todos os lados como uma rebeldia de nível máximo, pois vi tantos filmes desse estilo envolvendo mulheres nos últimos tempos que daqui a pouco vão colocar como um gênero próprio, o que não é ruim, pois têm sido bons exemplares em sua maioria, e aqui com "Coquetel Explosivo" não foi diferente. Sendo daquelas tramas que tem toda uma motivação organizacional de empresas criminosas, de vinganças familiares, de tudo muito bem orquestrado, que juntando ainda sacadas com nomes de livros com o que as armas podem fazer por você acabou ficando ainda mais engraçado, juntando ainda uma trilha sonora bem pesada de clássicos do rock o resultado ficou ainda mais perfeito e funcional. Ou seja, se você curte o estilo pode dar play tranquilamente que não sairá desapontado.

A sinopse nos conta que em sua vida turbulenta como assassina profissional, Scarlet foi cruelmente forçada a abandonar sua filha Sam e fugir. Anos depois, apesar do afastamento, Sam também se tornou uma assassina de aluguel de sangue frio. Depois que uma missão de alto risco fica fora de controle, colocando uma menina inocente de 8 anos no meio da guerra de gangues que ela desencadeou, Sam não tem escolha a não ser se rebelar. Isso, em última análise, a leva de volta para sua mãe e suas ex-ajudantes hitwomen, que unem forças em uma guerra de vingança contra aqueles que roubaram tudo deles.

Não conhecia o estilo do diretor e roteirista Navot Papushado, mas pela sua filmografia é um amante de um terror bem sanguinolento, ao ponto de que caindo aqui para algo mais cheio de desenvoltura de ação com tiros, optou em fazer praticamente todos os personagens sangrarem muito das formas mais brutais pensadas, ao ponto que se em uma cena você acha que vai ser mais leve que a anterior, ledo engano seu, pois logo vem outra mais forte, e mais forte, até chegarmos na biblioteca aonde o pau come solto, e aí você acha, agora acabou vamos acalmar, mas não, uma ligação chama para algo que parecia apenas um acordo tranquilo, então aguarde e depois seque embaixo de sua TV, pois vai escorrer sangue pela tela, e isso não é ruim, pois o estilo pede essa violência que muitos longas de máfia e organizações criminosas acabaram deixando para trás, e aqui o diretor soube colocar isso numa trama bem armada, com uma história funcional sobre o tema, e que claro vingança gera vingança, matar uma pessoa errada gera retaliação, e retaliação gera mais tiroteio, então ficou o prato perfeito completo, e certamente vão lhe encomendar uma sequência, pois embora tenha sido bem fechado, ainda dá para brincar com o tema.

Falando sobre as atuações, sabemos bem o potencial de Karen Gillan em cenas de ação, e aqui sua Sam tem muita imponência e desenvoltura na medida para sair distribuindo socos e tiros de todas as formas possíveis, brincando com as sacadas e se envolvendo bem com cada elemento da trama, ao ponto que nem parece cansar no meio de tudo, o que é bacana de ver. Da mesma forma sua mãe na trama, Lena Headey entregou uma Scarlet bem colocada, cheia de trejeitos explosivos, e que empunha uma arma como ninguém, sacando tiros e fazendo bons trejeitos em cena ainda por cima. O trio de "bibliotecárias" vivido por Michelle Yeoh com sua Florence, Carla Gugino com sua Madeleine e Angela Basset com sua Anna May foi muito bem trabalhado, com nuances fortes e diálogos tão bem trabalhados nos olhares, gestuais e envolvimentos que mereceriam até um filme solo para chamar de seu, explicando mais suas escolhas para esconder armas nos livros de autoras famosas, pois quando botaram pra quebrar abusaram um pouco de artes marciais com correntes, martelos e metralhadoras, não ficando algo tão singelo de ver. Do lado masculino da trama, tivemos Ralph Ineson com uma voz medonha para seu Jim McAlester, fazendo atos chamativos, mas não indo muito além, deixando com que os seus capangas resolvessem tudo (ou melhor, tentassem!), ao ponto que o destaque dos capangas ficou com os olhares meio insanos de Adam Nagaitis com seu Virgil, mas nada que fosse muito além. Ainda tivemos bons atos com Paul Giamatti com seu Nathan, coordenador da organização "A Firma", mas que não tão usado, tivemos o médico maluco que mais usa gás do riso que tudo, vivido por Michael Smiley, e claro o grande destaque pelas boas sacadas interpretativas da garotinha Chloe Coleman vivendo Emily, que aliás essa já anda aparecendo em tantos filmes que daqui a pouco sobe para a cabeça, mas é boa de trejeitos e tem futuro.

Visualmente a trama é bem imponente, cheia de desenvolturas em cenários clássicos como uma lanchonete das antigas que serve seus milkshakes de maneira bem bonitinha, mas que não se pode entrar armado tendo de entregar para a garçonete antes de ir pra discussão, temos uma clínica médica meio que vazia, mas cheia de detalhes também aonde tem de deixar as armas, porém em ambos os casos quando ninguém quer, o tiroteio rola, ainda tivemos a ótima biblioteca bem recheada de ambientes com muita desenvoltura cênica dos livros usados e claro muitas armas, a casa da protagonista com várias saídas secretas passando por túneis, e ainda tendo toda uma belíssima perseguição de carros em um estacionamento com a garotinha pilotando o carro, numa sacada genial da direção, e muito bem montada pela equipe de arte, ou seja, um luxo completo.

Como já disse no começo, a trilha sonora é de primeiríssima linha, e além de dar o ritmo da trama, conseguiu fazer um envolvimento cênico quase que perfeito com os tiros, quase fazendo com que os tiros fossem parte da percussão das canções, ou seja, uma jogada tão boa que faz valer demais a conferida delas dentro do filme e claro depois também, então deixo aqui o link para isso.

Enfim, no dia que vi o trailer imaginei que gostaria do que veria com o longa, mas foram além e conseguiram impressionar com um bom visual, um bom roteiro, e claro muita briga da boa, fazendo valer completamente a conferida e a recomendação desse longa que foi produzido pela Netflix lá fora, mas que foi vendido os direitos de exibição na América Latina para a Amazon Prime Video, então dê o play e curta bastante. Bem é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto mais tarde com outros textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

A Profissional (The Protégé)

11/13/2021 11:18:00 PM |

Quando falamos de filmes de matadores de aluguel, de vinganças entre mafiosos ou coisas do estilo aonde temos tiros, pancadarias, explosões e alguns entremeios investigativos o que mais pedimos é que os vilões sejam malvados para ter algum tipo de motivação do mocinho em ir pra cima, mas ultimamente muitos estão apenas batendo por bater, e isso acaba deixando os filmes um pouco frouxos demais. Diria que a ação e as cenas de impacto do longa "A Profissional" foram até bem boas, toda a jogada entre a protagonista e um dos capangas do vilão foram intensas e bem trabalhadas, mas até agora estou me perguntando qual a bobeira que rolou entre o dono de tudo e o mentor da profissional, pois na conversa entre eles foi algo tão jogado, meio que tipo: "você tinha de estar morto, você também, você não vai sair vivo daqui, mas esse não era o plano mesmo" e pronto. Ou seja, basicamente temos de esquecer toda a linha de história e apenas curtir a pancadaria, pois essa meus amigos, essa vale bastante, pois quebram de tudo um pouco, tem tiros desde baixíssimo calibre até armas de grande ricocheteio, e toda uma boa sagacidade nos diálogos montados, que funcionam e fazem o filme soar interessante, mas certamente poderiam ter ido bem além em tudo.

A sinopse nos conta que Anna é uma matadora de aluguel extremamente habilidosa treinada pelo lendário assassino Moody, que a ensinou tudo que sabe e era a única figura paterna que ela já teve. Quando Moody é brutalmente assassinado por inimigos, Anna jura se vingar e acaba caindo em um jogo de gato e rato com um maníaco homicida cuja obsessão por ela que vai além de suas habilidades como matadora.

O mais engraçado de tudo é que o longa tem tanto um tremendo roteirista quanto um excelente diretor, e acabaram deixando o fechamento meio que jogado demais, ao ponto que Martin Campbell até soube entregar cenas de grande imponência, desenvolver toda uma perseguição bem montada por vários ambientes, e ser criativo nas jogadas entre os protagonistas, porém o texto de Richard Wenk acabou parecendo ser mais um episódio de algum outro filme/série que não tem uma grande fluência nem uma desenvoltura bem impactante, sendo daqueles que onde quer que olhássemos acharíamos um furo, aliás a personagem principal é tão bem furada que no final está andando tão bem que é estranho de ver, mas como isso é algo de praxe nos filmes de ação o resultado acaba valendo acima de tudo. Ou seja, é um filme com um texto problemático, mas que tem uma boa desenvoltura, e assim acabamos nos divertindo com toda a interação passada, e quem sabe apareçam daqui algum tempo com uma continuação.

Sobre as atuações, confesso que num primeiro momento achei que Maggie Q não iria ser impactante o suficiente para o papel, mas acabou entregando tanta desenvoltura para sua Anna seja lutando ou até trabalhando os momentos mais minuciosos com olhares intensos e marcantes, acabou fazendo um resultado até maior, e assim já fica como um nome para ser lembrado quando quiserem mais filmes com mulheres imponentes, pois a atriz fez bem o que precisava. Já estamos acostumados com Samuel L. Jackson xingando e metendo bala em quem passar na sua frente, ao ponto que aqui seu Moody ainda foi bem surpreendente pelas cenas que se meteu, e claro pelo que acaba fazendo, pois com ele ninguém tem vez. Michael Keaton caiu como uma luva no papel de Rembrandt, pois soube dosar ironia nas frases, trejeitos de impacto e ainda ter classe como um segurança do principal vilão, ao ponto que ele acabou tendo muito mais visibilidade e interação que o real vilão, e assim fez muito bem em cena todos seus atos. Quanto aos demais, David Rintoul apareceu um pouco com seu Reyes, meio que obstinado demais, meio que comandando tudo às escuras, mas sem grandes chamarizes na interpretação, e Robert Patrick teve suas cenas de motoqueiros meio que jogadas também na trama, parecendo ser alguém conhecido dos demais protagonistas, mas ficando meio que sem ir muito além, e Ray Fearon acabou sendo bem trabalhado nas cenas de seu Duquet, mas nada que fosse memorável.

Visualmente o longa tem bons atos em Londres na mansão gigantesca de Moody em seu aniversário, temos a belíssima livraria da protagonista, aonde a destruição por tiros chega a ser assustadora (esperamos que não tenham colocado livros reais para tudo o que aconteceu!!), depois voltamos para o Vietnã aonde o filme começou com a protagonista ainda garotinha, inclusive indo aonde começou sua vida de matanças, passando por lugares bem bonitos visualmente, tendo muitas lutas e tiroteios nas ruas e no prédio dos vilões, até chegarmos na gigantesca casa do grande vilão, com uma festa de gala recheada de segurança por todos os lados, mas que como já imaginávamos falha consideravelmente. Como objetos cênicos temos muitas armas, figurinos marcantes, muitas explosões e tudo o que um bom longa de ação deve ter, desde motos gigantes e muita desenvoltura de drones e equipamentos de segurança.

Enfim, é um filme bacana, que não tem nenhum grande envolvimento para ser lembrado daqui há alguns anos, mas que tem boas lutas, bons tiroteios e uma desenvoltura interessante para servir de passatempo de ação, sendo daqueles que quem curte o estilo irá ficar feliz com as boas cenas de ação, mas quem for esperando uma história realmente vai acabar bem desapontado, pois como já disse tem mais furos que quantidades de tiros. Sendo assim, fica a dica pessoal, e eu claro, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


Leia Mais

Pixinguinha - Um Homem Carinhoso

11/13/2021 05:20:00 PM |

Diria que o longa "Pixinguinha - Um Homem Carinhoso" funciona bem mais como uma homenagem bem trabalhada de tudo o que o músico viveu do que realmente um longa sobre sua vida, pois acabaram criando diversos momentos espalhados com cada vivência, com cada criação, com as situações que viveu, enquanto vão nos presenteando com suas icônicas canções e composições, mostrando suas participações nas diversas composições de grandes cantores da MPB, e claro sua paixão pela sua esposa. E assim cada síntese é até bem amarrada, mas sem uma grandiosa fluidez, o que emociona de certa forma pela essência completa, porém poderiam ter ido além em determinar uma época e ir a fundo nela ao invés da obra toda de sua vida. Não digo que tenha sido algo ruim, muito pelo contrário, pois dá para se envolver e conhecer mais dele, além de ser bem bonito tudo o que é entregue, mas funcionou quase como algo documental representado, o que não é tão marcante assim.

O longa conta a vida e obra de Alfredo da Rocha Vianna Junior (1897-1973), o Pixinguinha, pai da MPB. Gênio incompreendido e muito à frente de seu tempo, só teve sua importância reconhecida muitos anos depois. A vida do famoso músico, menino negro de classe média baixa é contada desde suas primeiras performances antológicas na flauta; a composição de suas muitas obras primas, dentre as quais “Carinhoso” o verdadeiro hino popular brasileiro, que fez 100 anos em 2017; sua temporada de 6 meses em Paris em 1922 com o retumbante êxito de seu conjunto “Oito Batutas”; seus arranjos como primeiro diretor musical para a Victor americana nos anos 30, sua decadência e ressurgimento nos anos 40; sua consagração nos anos 60 pelas mãos das novas gerações da bossa nova e do jazz; e sua morte na igreja N. S. da Paz no Rio de Janeiro em pleno carnaval de 1973 durante a passagem da Banda de Ipanema.

Talvez o problema do filme tenha sido na escolha da direção de Denise Saraceni e Allan Fiterman, que mais fizeram novelas e séries do que longas realmente, e assim optaram por pegar o roteiro de Manuela Dias, que também é bem mais conhecida como novelista, ao ponto de não irem além de tudo o que tinham em mãos para funcionar como um filme realmente, e assim resolveram trabalhar algo mais documental, aonde alguns atos foram dramatizados e o resultado até acaba sendo algo bonito de ver, mas que poderia ter ido bem além. Claro que isso pode ser uma reclamação pessoal de alguém que curte mais ficções, mas a obra biográfica até foi bem representativa, mostrando bem as nuances dos jovens iniciando suas carreiras, vendo explodirem em Paris, e voltando para o Brasil e mudando a música nacional, juntando a isso suas vivências familiares carinhosas e bem dosadas, que acabam sendo emotivas pelas boas atuações.

E já que comecei a falar das atuações, já estamos acostumando a ver Seu Jorge nas telas do cinema, pois como ambos filmes em cartaz agora atrasaram bem, ficou com 2 longas rodando nos cinemas ao mesmo tempo, e aqui ele foi bem expressivo agora com ares mais leves com seu Pixinguinha, fazendo bons trejeitos, dando as nuances emotivas, e claro bebendo bastante como o homenageado gostava, sendo sutil sem entregar simplicidade, mas comovendo na medida certa de seus atos. Ainda tivemos bons momentos expressivos dos jovens Danilo Ferreira como Pixinguinha aos 25 anos, Luan Bonitinho como Pixinguinha aos 13 anos e Thawan Lucas como Pixinguinha aos 8 anos, apenas tocando muito e fazendo boas representações, com Danilo tendo ainda algumas cenas mais quentes junto de Agatha Moreira com sua Gabi, e trabalhando algumas interações bem marcadas com Klebber Toledo fazendo Arnaldo Guinle. Na sua banda ainda tivemos bons momentos junto de Pretinho da Serrinha como China e Jhonga como Donga, Thiago da Serrinha como Raul e Ângelo Flávio como João da Bahiana, mas sem grandes ares chamativos. E aí entra quem apareceu muito bem que foi Taís Araujo com sua Beti, totalmente amorosa e vivendo um lindo período de casamento, tendo seus sonhos realizados e servindo de inspiração para algumas canções, ao ponto que a atriz teve boas nuances desde a jovem Beti corista e dançarina, até a velhice da personagem muito bem caracterizada. Ainda tivemos Milton Gonçalves como pai de Pixinguinha, Tadeu Melo como um assaltante que acaba convidado para jantar na casa do cantor e Tuca Andrada como Almirante, mas todos apenas dando boas conexões para tudo sem chamar muita atenção.

Visualmente a equipe de arte trabalhou bem, criando todas as representações dos estúdios de gravação da época, mostrou alguns shows com vários instrumentos, desenvolveu bem os atos da boêmia na época, criou uma boa interação numa grandiosa casa simples, e claro as festanças e shows em Paris para as pessoas da época de lá que gostavam de remexer o esqueleto com as boas levadas do choro brasileiro. Sendo tudo bem conectado com algumas imagens documentadas do músico, que acabam juntando tudo de uma forma representativa bem feita e interessante de ver.

Enfim, é um filme gostoso, que funcionou bem como homenagem, e que certamente poderia ter ido mais além num desenvolvimento mais cênico de uma época, mas que de certa forma agrada quem gosta de uma boa música, e que não conhecia tanto sobre o músico, assim sendo uma boa representação ao menos que vale ser recomendada. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto logo mais com outros textos, então abraços e até breve.


Leia Mais