Amazon Prime Video - Corina

5/20/2025 11:47:00 PM |

Não sou contra a junção de gêneros cinematográficos na tela, mas ao diretor/roteirista se propor a fazer isso, ele tem de saber que precisará atingir os dois pontos com qualidade, pois o meio do caminho é frustrante e incomoda tanto quanto errar por completo o que desejava fazer. E quando começo teorizando ideologias quem lê por aqui sabe que vem bomba na sequência, e hoje pensei muitas vezes antes de dar play no longa mexicano da Amazon Prime Video, "Corina", pois tinha algo que não estava me dando vontade, ao mesmo tempo que a nota geral parecia me dar vontade de conferir, então resolvi dar play, e o resultado foi algo que não faz rir, muito menos causa um sentimento dramático, fora que a trilha sonora bem ao estilo "Birdman" mais incomoda do que funciona, e o excesso de narrações dá um tom meio que sem nexo para alguma funcionalidade maior. Ou seja, é o famoso filme que tenta soar inteligente, mas que se perde no miolo, com um resultado que não vai além na tela, e assim falta embasamento para tudo que quiseram colocar na tela sem soar bobo demais.

A sinopse nos conta que Corina, uma mulher de 28 anos com agorafobia devido a um acidente, não sai de casa há 20 anos, exceto para trabalhar em uma editora próxima. Depois de cometer um erro grave com o final da saga mais famosa da empresa, ela precisará superar seus medos. Com a ajuda de Carlos, embarcará em uma jornada para encontrar uma escritora misteriosa e salvar seu trabalho e o de seus colegas.

Vai parecer perseguição, mas é fácil entender o erro do filme, pois com roteiro e direção da estreante em longas, Urzula Barba Hopfner escolher de cara uma trama mista de estilo era querer sonhar voar alto com uma bicicleta, o que não é impossível no cinema (já vimos um filme antigo fazendo isso), mas que você acaba se preocupando em preencher as lacunas funcionais para que o drama fique bem feito, e esquece que precisa rir, por outro lado tenta fazer gracejos com personagens, mas acaba não tendo graça ou recai para algo vexatório, e assim sucessivamente com erros em cima de erros, até o ponto aonde tudo parece fluir, mas você já perdeu tempo demais tentando arrumar tudo e desiste dando um fim sem ligar as principais coisas que tinha para fazer (no caso aqui voltar para a família, para o possível namorado, mostrar sua nova independência, e tudo mais, ficando apenas um legal, imaginem tudo isso!). Ou seja, talvez no próximo longa ela acerte a mão em algum gênero, mas aqui não tem como elogiar nada do que fez, nem suas tentativas de copiar outros sucessos.

Quanto das atuações, a jovem Naian González Norvind até segurou bem a personalidade de sua Corina, como alguém mais fechada com a fobia que tinha, trabalhando boas respirações e dinâmicas, porém se ela fosse muda seria mais aceitável suas falas quase nem serem ouvidas, parecendo sussurrar para entregar seus diálogos, e isso pesou bastante no resultado final, mas ainda assim a jovem salva o filme com seus olhares bem colocados, então não falhou tanto como o roteiro e a direção. O jovem Cristo Fernandéz costuma trabalhar bem seus personagens, mas aqui seu Carlos é secundário demais, não fluindo o tanto que poderia, então fez bons traquejos e teve uma química legal com a protagonista, porém faltou se desenvolver melhor. Os demais personagens foram ainda mais jogados na tela, com Ariana Candela praticamente fugindo de cena com sua Fernanda, a mãe Rene vivida por Carolina Politi mais dura que tudo com seu medo de sair de casa, Laura de Ita forçada demais com sua Lili desesperada para tudo, e Mariana Giménez fazendo uma Regina fechada e até mal-humorada demais para uma escritora criativa.

Visualmente a trama foi bem simbólica para mostrar o motivo da protagonista se prender em casa e ter fobia de ir para qualquer lugar longe do quarteirão que anda, mostrou bem uma editora simples, e também trabalhou o campo de Guadalajara comparando a complicada cidade superpopulosa, tendo algumas dinâmicas numa caminhonete antiga, e algumas sacadas com uma vendedora de pão e a agente da escritora, ou seja, tudo bem básico e bonitinho até de ver, mostrando rascunhos e correções que a jovem faz e guarda para si.

Enfim, é um filme que até tinha uma proposta para ir mais além, mas se perdeu no desenvolvimento e acabou ficando mais bagunçado e sem nuances expressivas que funcionasse realmente para chamar atenção, fora a bateria toda sem propósito na trilha sonora, então é melhor pular ele e encontrar outros longas melhores dentro do streaming. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


2 comentários:

Anônimo disse...

Quem sabe seja uma experiência relevante assistir denovo... Sem esperar isso ou aquilo. Assistir sem preconceitos e espectativas técnicas... Sem "ticar" os itens que considera obrigatórios para enquadramento nos estilos... Talvez se a diretora não conseguiu copiar ninguém é porque não era esse o objetivo... E então, deu certo... Talvez a ideia é inovar... incomodar... Muitas camadas de espectativas podem tornar as novas experiências bem frustrantes ou incômodas ...

Em semelhança a Corina, não seria interessante sair um pouco da zona de conforto, ultrapassar os limites do quarteirão já completamente mapeado, perder os medos, agarras e se abrir ao desconhecido da sétima arte?

Fernando Coelho disse...

Olá amigo... já vi outros filmes do estilo que abriram muito para outras situações, e aqui foi bagunçado e perdido mesmo, nem é questão do incômodo não, é erro técnico de como fazer o público se conectar com a pessoa... mas como sempre digo, cada filme muitas vezes pode ser visto por cada pessoa de uma forma diferente... se ele te conectou, que ótimo!!! Abraços!

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