Netflix - Paternidade (Fatherhood)

6/19/2021 05:42:00 PM |

Estamos tão acostumados a ver o ator Kevin Hart em comédias, besteiróis e tramas policiais que insiram as duas premissas anteriores, que quando vi que faria um drama sobre um pai solteiro fiquei pensando que iriam zoar ao máximo esse estilo de pessoas e que o resultado seria daqueles que ninguém iria curtir, mas não, o longa da Netflix "Paternidade" tem toda uma boa essência de vida de um jovem que fica viúvo no dia em que sua filha nasce, vemos alguém jovem que está em pleno crescimento da carreira tendo de enfrentar todos os conflitos de uma criança em crescimento, e claro todo o fato de ter de aprender sozinho a se virar em ambos os casos, e mais, o ator encontrou muito envolvimento para passar com seu personagem, que claramente seguiu letra após letra do roteiro e que certamente o escritor do livro, o verdadeiro Matt Logelin, acabou lhe passando de vivências que teve. Ou seja, é algo que sempre falei que faltava para Hollywood, de investir fielmente em dramédias (ou dramas cômicos como muitos preferem chamar) no melhor estilo que a França costuma entregar, pois a qualidade técnica americana é indiscutível, só faltava começar a aparecer bons roteiros, e aqui a homenagem à esses corajosos homens que enfrentam tudo sozinho acaba sendo algo bem bonito de ver, e que certamente fará com que muitos homens e mulheres se emocionem com tudo o que é mostrado na tela, sendo um bom acerto em vários quesitos.

O longa nos mostra que após a esposa morrer no dia seguinte ao parto, Matt imediatamente decide criar sua filha, sendo um pai absolutamente responsável. Mesmo com a tristeza de perder sua esposa, que também era sua namorada desde a época do ensino médio, ele faz um juramento para fornecer apoio completo à filha e assumir todas as responsabilidades que cabem a um pai.

É até engraçado ver o estilo do diretor Paul Weitz voltar à suas origens do estilo que lhe deu indicação a diversos prêmios com "Um Grande Garoto", pois ele tem bem essa característica de conseguir segurar os momentos cômicos e expandir os dramáticos que a trama pede, e aqui todo esse prende e solta funciona para emocionar e divertir com um bom estilo, com uma boa técnica, e claro para passar a mensagem real que Matthew Logelin teve quando escreveu seu livro "Dois Beijos Para Maddy: Uma Memória de Perda e Amor", pois vemos toda a sintonia de um pai com sua filha, todo o crescimento emocional e espiritual de sua parte, além de toda uma vivência real impetrada na síntese da trama, que funciona bem no estilo e encaixa do começo ao fim com bons atos. Claro que o filme tem um público mais marcado que são os pais, mas mesmo quem não tiver filhos conseguirá se envolver com a forma escolhida para passar a mensagem, pois como já disse, esse é o bom estilo de Weitz, e aqui ele bota seu máximo nas escolhas funcionais e agrada bastante sem precisar forçar estilos cômicos exagerados que acabou seguindo.

Sobre as atuações, todos sabemos bem que o estilo de Kevin Hart não é drama, que ele se dá muito melhor quando recai para a comédia, inclusive ganhando muitos prêmios pelo seu estilo irreverente, porém aqui caiu muito bem na personalidade de Matt, se entregando meio como não apenas aprendendo a ser pai no filme, mas também aprendendo a ser um ator de drama, conseguindo expressar bem olhares, tendo firmeza nas atitudes, e claro como todo bom pai, tendo também uma desenvoltura cômica para divertir a criança, ao ponto que entrega boas atitudes, e agrada bastante em tudo. A jovem Melody Hurd também teve uma boa desenvoltura com sua Maddy, trabalhou um bom carisma, e mais do que tudo, deixou fluir todas as cenas para os olhares em cima de Hart, que é o que o filme necessitava, e assim o acerto foi bem coeso também para seu lado. Alfre Woodard sabiamente encaixou estilo em sua Marion, trabalhando aquelas sogras duras, que claro desejam o bem para a família, mas que não iriam faltar um dedo para tirar a criança do pai caso ele errasse em algo, e seus olhares certeiros foram tão bem colocados que nos atos mais emotivos junto com o protagonista pensando na filha foram emocionantes de ver também. DeWanda Wise foi bem usada como um ponto de maturidade na vida do protagonista e claro na concepção maior de uma família com sua Swan, ao ponto que sentimos realmente essa falta de acontecimento rolar bem antes, mas a atriz entrou bem no papel e agradou bem na forma que acabou sendo trabalhada. Além desses tivemos ainda bons momentos cômicos com Lil Rel Howery com seu Jordan, e os atos estranhos bem colocados na personalidade de Anthony Carrigan com seu Oscar, além das imposições do chefe vivido por Paul Reiser, que se deram em bons momentos também de serem vistos.

Visualmente a trama foi bem elaborada por mostrar conceitos, trabalhar o ato de que muitos acabam nem entrando mais em um determinado lugar por algum motivo (no caso do protagonista em nem querer ir mais naquele hospital aonde sua amada morreu), vemos todo o ar de uma escola cristã que tem seus uniformes e regras exigentes demais, e que quando algo muda dá errado, vemos todo o ambiente de trabalho do protagonista bem colocado para mostrar o ar tecnológico de programação, e claro vemos o ambiente familiar diferente entre a casa do pai solteiro com jogos e a casa da avó cheia de detalhes do passado da mãe, ou seja, tudo bem colocado e bonito de ver, além claro de irmos conhecendo todo o crescimento da garotinha, os passeios nos parques, e toda a conexão para se introduzir alguém diferente no meio, que certamente foi algo muito bem pensado pela equipe de arte, que trabalhou ainda junto com a fotografia para termos iluminações mais densas nos momentos mais tensos e a fluidez de sombras ainda se deu para algo bem reflexivo e emocionante de ver.

Enfim, é um filme muito envolvente e cheio de boas propostas, que atinge realmente tudo o que foi proposto no roteiro original, só foram bem diferentes da ideia original no seguinte ato que seria o protagonista originalmente interpretado por Channing Tatum que é um dos produtores e que comprou a história de início sendo bem parecido com o verdadeiro Matt, mas isso não atrapalhou em nada, e o resultado final foi bem colocado, agradando a todos. Sendo assim recomendo o filme, e claro que quem for pai ou mãe veja com lencinhos, pois a chance de lavar a sala é alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Disney+ - Luca

6/19/2021 01:39:00 AM |

Sabe aqueles filmes que você embarca numa aventura tão icônica com os personagens que você até esquece todo o restante? Que daqui há alguns anos vai lembrar com certeza de algum detalhe só de citarem qualquer parte? E o filme que vai lhe proporcionar ambas as coisas hoje se chama "Luca", que estreou na plataforma da Disney Plus e mostra que a Pixar mais uma vez acerta em cheio na criatividade, nas texturas, e principalmente em uma história completamente nova, que numa loucura mais abstrata até podemos falar que é um prelúdio animado do filme ganhador do Oscar de 2018, "A Forma da Água", pelo formato dos monstros marinhos, por toda a simbiose de amizade que vemos com os personagens, mas que independente dessa ideia maluca que me surgiu na mente, é um filme que exalta o estilo italiano de vida, das pequenas vilas aonde as crianças brincam e convivem em competições malucas, do conhecer algo além do seu pequeno mundo, e tudo mais que funciona de bonito, além claro de trabalhar o mote do pré-conceito, de julgar alguém ou algo antes de conhecer a fundo, e que claro de uma maneira muito bem encaixada sem precisar pesar a mão, conseguem nos passar, emocionar, envolver e divertir. Ou seja, é o tradicional estilo Pixar de fazer animações que parecem infantis, mas que no fundo tem toda uma vasta camada de impacto, e que claramente agrada até mais os adultos do que as crianças, mas que certamente aqui vai divertir também os pequeninos, e sendo assim vale muito a conferida.

Situado em uma bela cidade litorânea na Riviera italiana, o longa conta uma história de amadurecimento de um jovem que vive um verão inesquecível repleto de sorvetes, massas e passeios intermináveis de scooter. Luca compartilha essas aventuras com seu novo melhor amigo, mas toda a diversão é ameaçada por um segredo profundamente bem guardado: eles são monstros marinhos de outro mundo, logo abaixo da superfície da água.

Uma coisa que sempre surpreende nas animações do estúdio é que eles sempre dão chance para novos diretores acertarem a mão e explodir depois com suas histórias, e aqui em sua estreia no posto mais alto depois de passar por diversas funções menores em outros grandes filmes do estúdio, o italiano Enrico Casarosa trouxe algo que certamente mostra não como um monstro marinho, mas que provavelmente tenha sido sua infância, conhecendo novos amigos nas férias de verão, arrumando conflitos com adolescentes mais velhos, e claro competindo para ganhar algo, e com toda essa memória afetiva o jovem soube transportar toda uma essência impecável para algo mais fantasioso e com isso envolver também o público com tudo, sendo sábio em encontrar momentos chaves, em colocar bons tons de cores, em cativar as descobertas da infância em mundos novos, objetos novos e com isso incorporar muitas técnicas boas que acabaram emocionando na medida certa, pois não ficou nem um filme que faz você lavar a sala de casa, nem uma animação exagerada desconexa de tudo, sendo daquelas que funcionam dentro da proposta, e que acabará sendo lembrada sempre que pensarmos em algo da trama, seja de uma animação italiana, dos monstros marinhos amigáveis, de competições de triátlon ou qualquer outra coisa, mas será lembrado, e só diria que não é mais perfeito por parecer levemente alongado, parecendo ter bem mais do que apenas 95 minutos, mas isso não é algo ruim, pois felizmente a trama não cansa.

Sobre os personagens o que tenho de falar é que é um mais carismático que o outro, e todos foram docemente apresentados e colocados para jogo em algo que faz com que o público se conecte demais com eles, ao ponto que Luca é ao mesmo tempo simples e multifacetado, cheio de situações novas para conhecer, para almejar vivenciar e com isso é transparecido pelos olhares que nem piscam, mas que está olhando para todos os lados possíveis, e o mais bacana de ver o filme legendado é que sabemos que Jacob Tremblay agora já um adolescente de 15 anos tem a mesma personalidade instigante do protagonista, e mesmo não sendo mais aquela voz infantil que tanto conhecíamos sentimos sua presença do começo ao fim. Alberto já é aquele garoto mais ousado, que sabe incorporar tudo ao seu favor e que claro ao ganhar um novo amigo passa a ter ciúmes dele também, e que vemos momentos de brilhantismo em sua garra cênica, que Jack Dylan Grazer soube dominar bem e trazer para si vários atos. A garotinha Giulia é uma bomba de ações, se jogando demais em tudo, pegando para fazer o que precisar para ajudar os jovens garotos, e claro se envolvendo bem com o protagonista num olhar de amizade que transparece todas as barreiras, dando nuances e clarezas com cada momento que agrada demais, e a voz de Emma Bernan foi bem marcante para o papel, não sendo daquelas conhecidas, mas tendo personalidade para fazer o papel ser seu. Ainda tivemos outros bons personagens como a mãe do garotinho bem vivida por Maya Rudolph, que traz todo o ar maternal de brigar e se impor, mas também torcer pelo sucesso do filho, tivemos o garotinho mimado que se acha e tem sua própria turma que Saverio Raimondo acabou dando nuances bem interessantes para seu Ercole, e muitos outros que apenas os personagens já chamam atenção como o pai gigante da garotinha que não tem um braço, o gatinho cheio de expressividade, e todos os diversos figurantes marcantes da vila.

Visualmente o longa é um luxo só, trabalhando bem a Riviera italiana, com um ar bem envolvente de época com suas vespas/scooters, todo um trabalho minucioso de figurinos para os jovens brincarem em pleno verão, e claro todas as nuances da vida marinha dos monstros com suas devidas interações de comunidade também como o pastoreio de peixes, as competições agrícolas das famílias, os parentes esquisitos e tudo mais, além de muitos objetos que o jovem Alberto coleciona de achados nos mares, cada um com sua finalidade envolvente e marcante. Além disso temos muitas cores vibrantes para dar o ar do verão realmente, muitas texturas e formatos gostosos de serem vistos pela boa modelagem dos personagens, com cada um tendo as devidas características físicas bem marcantes, e claro tudo muito bem pensado para não ser jogado na tela, ao ponto que muitos até verão diversas nuances tradicionais do estúdio, mas com uma cara praticamente toda repaginada que ainda não tínhamos visto eles trabalharem, ou seja, um acerto maravilhosamente visual e sensorial.

Enfim, é uma animação muito gostosa de ver, que agrada demais em tudo que é mostrado, que não ficou sendo apenas algo jogado pela Pixar para cumprir tabela no contrato de algo a mais para a Disney Plus, e que só não darei nota máxima por dois motivos, o primeiro já disse de parecer levemente alongado tendo apenas 95 minutos mas parecendo ter bem mais, e o segundo é praticamente um derivado desse primeiro, pois mesmo contando com muitas trilhas orquestradas para dar o ritmo de canções italianas com todo um clima de época, faltou algumas canções para que a animação tivesse um que a mais dos clássicos filmes, mas não é nada que atrapalhe, sendo apenas uma opinião pessoal, e assim sendo mais do que recomendo o longa para todos, pois é daqueles para reunir toda a família na sala e curtir demais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Em Um Bairro De Nova York (In The Heights)

6/18/2021 01:23:00 AM |

Antes de qualquer coisa "Em Um Bairro De Nova York" é um filme 100% musical, então se você não gosta de ver as pessoas falando cantando nem passe pela porta do cinema, pois você irá reclamar demais, agora dito isso, eu sou muito suspeito para falar pois sou fã demais de longas musicais, mas o que foi entregue na tela é um dos mais perfeitos, envolventes e maravilhosos longas do estilo, daqueles que mesmo você não gostando de dançar, no meio do filme já está no ritmo das canções, já está balançando o pé e se emocionando com tudo o que ocorre. Ou seja, é realmente perfeito dentro do que o estilo pede, que não dá nem para imaginar como é a peça da Broadway, pois são tantos figurantes dançando e cantando que o volume cênico parece ainda maior, sendo tão bem interpretado, com tantas nuances que o resultado final é daqueles que você sai do cinema com o ritmo latino incorporado na mente, e claro cantando a música do pós-crédito que é a que fica gravada por último. Sendo assim recomendo demais o filme para quem gosta do estilo, pois é muita dança, muitas coreografias, tudo muito bem musicalizado com tudo sendo dito cantado em uma perfeita e surpreendente montagem com o final escolhido.

O longa centra-se em uma variedade de personagens que vivem no bairro de Washington Heights, na ponta norte de Manhattan. No centro do show está Usnavi, dono de uma bodega que cuida da velhinha cubana vizinha, anseia pela linda garota que trabalha no salão de beleza vizinho e sonha em ganhar na loteria e fugir para a costa de sua terra natal, a República Dominicana. Enquanto isso, Nina, uma amiga de infância de Usnavi, voltou ao bairro depois de seu primeiro ano na faculdade com notícias surpreendentes para seus pais, que gastaram suas economias para construir uma vida melhor para sua filha. No final das contas, Usnavi e os residentes do bairro irão aprender o que significa estar em casa.

O longa é baseado na peça da Broadway escrita por Quiara Alegria Hudes com as canções de Lin-Manuel Miranda, e aqui o diretor Jon M. Chu basicamente pegou a ideia completa e amplificou de maneira a tudo ficar ainda mais grandioso, com tantas nuances, tantos momentos bem encaixados de dança que não ficamos mais que um minuto sem entrar uma canção atrás da outra, tudo com muito ritmo latino, hip hop e bolero, ou seja, vemos em cena algo que o diretor não quis colocar uma nova história e trabalhar a música como segundo plano, mas sim colocar a música como alma dos personagens, aonde tudo é cantado com envolvimento, com emoção na pele, e que a cada ato ficamos ainda mais conectados com os personagens principais ao ponto de torcermos por eles e quase que vivermos suas vidas ali naquela periferia. Ou seja, é algo tão encantador, tão com sangue latino incorporado, que vemos um diretor que não é desse meio musical fazendo um filme tão preciso e encantador que não sai de nossa mente, ao ponto que quem amar o estilo musical certamente irá colocar o filme no topo da lista, pois diferente dos longas que temos músicas incorporadas em uma trama, aqui as falas são musicadas, então é algo que nem todos gostam, já que não é usual o falar cantando, mas vemos um ritmo tão bem colocado que não tem como não se envolver.

Sobre as atuações é até difícil falar da expressividade de cada um, pois todos os atores/cantores tiveram a dificuldade num nível máximo já que tinham de dançar muito e cantar mais ainda (claro que sabemos que a maioria grava as canções e depois apenas dubla durante as danças!), e assim o acerto foi muito preciso ao ponto de desejar aplaudir todos no final do longa. E claro que o protagonista Anthony Ramos deu um show de trejeitos com seu Usnavi (aliás a explicação do nome dele quase me matou de tanto rir) e com uma desenvoltura sem tamanho foi um mestre de cerimônias para incorporar todos, mas sem perder a magia no seu protagonismo, o que é algo dificílimo de acontecer, e o acerto foi preciso demais, agradando em tudo. A jovem Leslie Grace teve sua estreia no longa com sua Nina, e o carisma dela foi tão preciso, com uma voz deliciosa e uma leveza tão contagiante que não tem como não se emocionar com seu ato inicial, trabalhando tudo num eixo único além de ter uma ótima química com todos, ou seja, começou bem no cinema. Corey Hawkins foi uma grata surpresa com seu Benny, pois se formos olhar as carreiras é o que mais já fez filmes sem cantorias em papeis de soldados, e aqui se soltou completamente tanto com bons movimentos de dança, quanto na entonação de seus números musicais, agradando bastante e acertando em cheio com a protagonista. Melissa Barrera também trouxe bons momentos de dança com sua Vanessa, e encaixou alguns ares bem românticos no seu fechamento, envolvendo com bom traquejo e sintonia. Outra que foi muito bem em seu papel foi Olga Merediz com sua Abuela Claudia, que além de fazer o ambiente ser mais doce com todo o ar das vozinhas tradicionais, seus últimos momentos foram daqueles que quem não lavar o cinema não tem coração, sendo algo incrível de ver. Ainda tivemos muitos outros que foram muito bem fora do elenco principal, desde o pai de Nina vivido por Jimmy Smits, o jovem Gregory Diaz IV com o ágil Sonny, Daphne Rubin-Vega como a dona do salão Dani, e claro o criador das canções Lin-Manuel Miranda como um Piragüero (ou para nós brasileiros o vendedor de raspadinhas de gelo com caldas de vários sabores), que além de ter seu momento de cantoria no miolo ainda tem uma cena pós-crédito toda sua muito genial.

Como já disse não consigo ver o longa como algo que era encenado dentro de um teatro comum (apesar de que na Broadway nada é comum), pois toda a cenografia é imensa, as ruas estão lotadas de figurantes dançando, a piscina tem uma tonelada de figurantes coreografando com boias e jogando água para cima, o salão está abarrotado de jovens fazendo penteados e cantando, e até mesmo as cenas dentro dos apartamentos estão cheios com todos os protagonistas juntos, além de uma grande dança numa boate, e todos passando pela mercearia/bodega do protagonista no início, ou seja, tudo é muito amplo para caber dentro de um palco, e com muitas desenvolturas cheias de movimentos e cores ficamos até desorientados com a forma que o diretor nos entrega tudo, mostrando uma sintonia precisa de movimentos de câmeras que a fotografia junto da equipe de arte produziu ao máximo para envolver a todos, ou seja, é tudo riquíssimo, muito detalhado e imponente num nível máximo que até cada iluminação passa a ter uma precisão detalhada e perfeita.

Como é um longa 99% cantado não dá nem para colocar a trilha sonora aqui, afinal estaria o filme inteiro colocado, mas vemos tantos ritmos bem colocados, tantas dinâmicas envolventes, que tudo acaba sendo imenso e muito gostoso de curtir sonoramente, e até fiquei pensando como está a versão dublada da trama, pois tiveram de contratar cantores já que não dá para um filme musical ficar mal cantado (ou seja, tentarei conferir depois pra ver como ficou!).

Enfim, já falei tantas vezes a palavra perfeito aqui no texto que não tem como dar outra nota para o longa, pois me emocionei, dancei com meus pezinhos balançando, e me envolvi demais com tudo o que foi entregue na telona, valendo demais a recomendação para todos (frisando que gostem de musicais aonde os personagens falam cantando, pois tem aqueles que gostam apenas de musicais com músicas realmente!). E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Noites de Alface

6/16/2021 10:55:00 PM |

O gênero de suspense dramático no Brasil é um dos que mais carece de ser melhorado, pois geralmente os diretores acabam querendo esconder tantas coisas do público que o longa acaba ficando morno e cansativo na maior parte do tempo, e isso é algo muito ruim de acontecer com um filme, e quando realmente acontece algo o desenrolar já se perdeu e estamos no final da trama. E começo o texto do longa "Noites de Alface" dessa forma por acontecer exatamente isso com o filme, pois vamos nos cansando com o nada acontecer, mas tudo acontecendo de forma bagunçada ao redor do protagonista, que morando numa vila aonde nada parece fluir, mas tendo um mistério de um desaparecimento rolando acabamos envolvidos tentando pensar nisso, e junto disso ainda vemos o protagonista sentindo falta de sua esposa na sua vida com tudo o que faziam. Ou seja, seria um filme para termos uma desenvoltura mais propícia e instigante, afinal o personagem principal é um leitor de casos policiais, as dinâmicas investigativas poderiam brincar mais com cada um, mas não acontece, pois o real acontecimento só rola nos últimos minutos da trama, todo o restante é alongado ao máximo, e o filme que tem apenas 87 minutos parece ter quase três horas, o que é uma pena, pois temos bons atores que não foram tão usados.

A sinopse nos conta que Ada e Otto passaram a vida toda em uma bucólica cidade no interior, onde todos se conhecem. A rotina pacata do casal e de seus vizinhos ganha contornos de mistério com o sumiço repentino do carteiro. Apesar de estar melhorando da insônia graças ao chá de alface preparado por Ada, Otto ainda passa noites em claro lendo um intrigante livro de suspense. O velho ranzinza vê realidade e ficção se embaralharem ao revisitar lembranças e conversas para tentar descobrir o que aconteceu de fato.

Talvez tenha faltado ao diretor Zeca Ferreira um pouco de atitude nos cortes para que o seu primeiro filme tivesse uma fluidez melhor, pois ele desejou trabalhar tanto a solidão do protagonista que seus atos ficam sem nenhuma explosão real, e quando incorpora o ato do desaparecimento do carteiro, o mistério até entra para algo que dá um certo envolvimento, mas não atinge grandes ápices. Claro que talvez no livro de Vanessa Barbara em que o roteiro foi inspirado, essa desenvoltura misteriosa fique bem colocada estando em segundo plano, e com isso o público acabe criando as devidas expectativas para cada momento, mas aqui isso acaba ficando tão preso em algo que nem ficamos sabendo, que quando rola o longa já está no fim, e não dá mais tempo de criar o real envolvimento. Ou seja, é daqueles filmes que se olharmos a fundo dá para remover pelo menos uns 30 minutos facilmente, mas que se aproveitado de outra forma, dando mais nuances para o mistério e para os questionamentos do protagonista o filme poderia ter ido até além. Portanto é um longa que facilmente como média ou curta metragem seria genial e explosivo, mas como longa ficou cansativo.

Sobre as atuações, o filme basicamente é de Everaldo Pontes, que consegue segurar bem a tensão em cima de seu Otto, faz todas as nuances do ambiente e de suas dúvidas e indagações, trabalha o sentimento de solidão e claro ainda se põe a refletir nos devidos tempos para que cada momento seu representasse toda a situação, ou seja, o ator foi muito bem no que fez, e certamente poderia ter ido além. Marieta Severo é sempre perfeita no que faz, e aqui sua Ada tem vários atos subjetivos, mas com uma precisão tão bem envolvente que acabamos nos conectando à sua personagem, porém não diz muito aonde vai, e até suas atitudes acabam não sendo chamativas como poderia. Quanto aos demais é triste ver que quase nenhum ator foi usado para algo expressivo realmente, ao ponto que vemos João Pedro Zappa aparecendo um pouco mais com seu Nico prestando serviços para o protagonista, vemos Inês Peixoto tendo alguns atos suspeitos demais com sua Teresa que no final acabamos sabendo um pouco mais de seus mistérios, e claro a família japonesa que causou todo o problema da trama, e mereciam um pouco mais de destaque, mas nem mesmo os dois carteiros interpretados por Romeu Evaristo e Pedro Monteiro conseguiram ir muito além, e olha que tiveram oportunidade para isso.

Visualmente o longa também não tem muito envolvimento, sendo uma vila quase sem muitas movimentações, que mostra claro as diferenças da casa com e sem a protagonista, principalmente com vários elementos cênicos como a troca de uma lâmpada, o passar de uma roupa, e até mesmo os atos do mistério usaram elementos simples, como a lona da quermesse, todo o ato dos cachorros e por aí vai com momentos claros, mas sem grandes marcações que fizessem sentido para algo a mais no filme.

Enfim, é um filme bem mediano que talvez alguns enxerguem algo a mais, outros se conectem com algum envolvimento extra, e claro que aqueles que já leram ou o livro, ou até mesmo algo a mais da trama irão captar mais momentos, mas aqueles que forem como eu direto sem saber nada da trama é bem capaz que desanimem bem antes da metade. Sendo assim não posso recomendar ele, pois tem mais falhas do que coisas boas para agradar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Selva Trágica (Tragic Jungle)

6/16/2021 01:14:00 AM |

Confesso que já conferi muitos longas ruins desde que comecei a escrever aqui no site, que é a época pelo menos que lembro da maioria, pois antes apenas conferia os filmes sem analisar nada, mas o que vi hoje não sei nem se posso classificar como um filme ou um amarrado de poemas abstratos com algumas cenas de seringueiros tirando a seiva das árvores e se atirando entre grupos rivais, com uma moça fugitiva de um casório no meio do rolo, porém sem falar a língua nativa está ali presa apenas servindo para escape de alguns e nada mais. Ou seja, sem ter um tema bem próprio, sem ter atuações realmente, sem ter alguma expressividade, e ainda contando com um ritmo extremamente lento, o resultado chega a dar muito sono, e não tem nem como defender, pois costumo falar que sempre dá para tirar algum proveito de um filme, mas aqui não consigo enxergar nada de útil realmente para apontar alguma nota razoável pelo menos.

A sinopse nos conta que a jovem Agnes foge para as profundezas da floresta maia para escapar de um casamento arranjado. Na fronteira entre México e Belize, ela encontra um grupo de trabalhadores mexicanos, e eles percebem que não são as únicas criaturas no local. No meio da mata fechada, descobrem um lugar onde o mundo humano e sobrenatural se unem. E um mito lendário toma vida bem no coração da floresta.

O pior de tudo é que o longa foi muito premiado mundo afora, com a diretora Yulene Olaizola sendo extremamente elogiada, ou seja, é daqueles filmes que os festivais amam e o público em geral odeia, principalmente pelo ritmo exageradamente lento e contando uma história que acaba não sendo desenvolvida de uma maneira coerente. E sendo assim vemos um filme que tenta passar ao mesmo tempo uma experiência na selva para a garota, ou até mesmo algo fantasioso de se a jovem é real ali, pois aparentemente nas primeiras cenas pode parecer que ela morreu, mas com toda a fábula do mito que os seringueiros tanto falam podemos focar mais nesse segundo estilo, embora tenhamos alguns homens fazendo sexo com ela, ou seja, é algo tão abstrato que não dá para entender é nada do filme, e assim não tenho como defender nada dele.

Quanto das atuações, é melhor eu nem falar nada, pois aparentemente pegaram seringueiros reais e colocaram no filme, daqueles que eles até tentam fazer algumas caras e bocas, mas não vão além para conseguir dar sequer destaque para ninguém, e quanto da jovem Indira Andrewin ainda estou tentando entender sua Agnes, pois é tão misteriosa no filme que acabamos a trama sem entender seu mistério até de atuação.

Visualmente o longa até tem alguns momentos interessantes ao passar toda a essência da selva, a forma de extração maluca da seiva das árvores com os seringueiros pendurados apenas por cordas e algumas lâminas para escalada, e claro todo o ambiente tenso entre eles e a garota em redes no meio do mato, com algumas armas e alguns elementos alegóricos bem simples, mas nada que vá surpreender muito, mas ao menos servirá de motivo para uma referência ao menos.

Enfim, é daqueles filmes que não consigo nem expressar muitas palavras para tentar achar algo que se aproveite, mas que até disse ter um visual interessante no meio do matagal, mas de resto a história é ruim, o ritmo é péssimo e raspou a trave de dormir durante o longa, inclusive sendo um dos poucos filmes que fiquei com muita vontade de parar na metade, e sendo assim não recomendo ele para ninguém de forma alguma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Quem Vai Ficar Com Mário?

6/15/2021 01:22:00 AM |

Se você gosta de uma boa comédia, com boas sacadas, e que não liga para certos exageros cênicos, a boa dica é o longa nacional "Quem Vai Ficar Com Mário?", que usa uma boa base de expressão, e claro envolve toda a trama em cima de homofobia e situações LGBTQIA+, aonde vemos bons momentos entre o contar para a família que é gay, e as mudanças de conceitos dentro de uma empresa quando entra alguém de fora no processo. Claro que quem não se conectar com as ideias irá achar o filme forçado e cheio de traquejos desnecessários, mas o que vemos é um filme tão bem feito e divertido, que as situações se encaixam dentro de uma proposta e seguindo toda a linha acaba tendo desenvolturas clássicas que já vimos em diversas novelas e filmes: de um jovem chegar para anunciar que é gay e não ter como por algum outro motivo, mas que contando com boas ajudas consegue reverter mesmo em uma família tradicionalíssima. Ou seja, se olharmos a fundo é um filme bem simples, mas que sendo bem interpretado e dirigido acaba agradando bastante, pois trabalha bem o ambiente, e não recai tanto para o lado novelesco, o que é sempre um bom sinal.

A sinopse nos conta que Mário Brüderlich, um rapaz de 30 anos resolve finalmente visitar sua família e contar para seu pai, um gaúcho de família tradicional, que é escritor de teatro e que mora junto com seu namorado, Fernando. Mas, uma surpresa adia os planos de Mário, que se envolve com Ana, a coach que seu irmão Vicente contratou para ajudar a modernizar a cervejaria da família.

O roteiro que foi feito a 8 mãos foi adaptado em cima do filme italiano "O Primeiro Que Disse" (Mine Vaganti), e o diretor taiwanês Hsu Chien Hsin ("Ninguém Entra, Ninguém Sai") acabou trabalhando de uma maneira bem consistente sua trama, fazendo com que nos conectássemos bem aos protagonistas, nos emocionássemos com todas as situações, e principalmente ríssemos com os acontecimentos, pois a trama funciona bem como uma comédia, e mesmo tendo alguns temas sérios, a base toda ficou em cima das confusões do protagonista em não saber o que quer de sua vida amorosa, e claro da bagunça que seus amigos do teatro fazem ao entrar na vida da conflituosa família tradicional gaúcha. Ou seja, é daquelas tramas que até vemos as nuances que o diretor desejava imprimir na tela, mas que basicamente quem acaba fazendo a fluidez funcionar são os diversos personagens, e aqui todos procuraram aparecer bem e demonstrar seus sentimentos, desde o pai que não aceita o filho homossexual, nem mulheres dirigindo a empresa, até chegarmos nos casais mais abertos possíveis, e assim toda a trama se encaixa bem com as diversas reviravoltas. Claro que é um filme com uma pegada leve em cima do tema, mas como bem sabemos isso é algo que chega a revoltar, e alguns nem vão aceitar toda a formatação, porém digo que tudo foi bem colocado, e mesmo as nuances mais puxadas para o público-alvo vai divertir os demais também.

Sobre as atuações, Daniel Rocha se entregou completamente para seu Mário, fazendo trejeitos bem colocados, e principalmente não exagerando para estereótipos exagerados, claro tirando a brincadeira que faz no espelho e já aparece no trailer aonde tenta encontrar seu jeito de falar com o pai, e esse ar de dúvida que ele consegue manter durante todo o longa transparecendo o ar apaixonado para ambos os personagens foi algo muito legal que o ator soube fazer e agradar, não sendo nada muito genial, mas foi bem feito, e isso é o que vale. Já Felipe Abib é daqueles atores que tem o domínio de qualquer personagem, e seu Nando foi muito bem encaixado, trabalhando todas as nuances clássicas do estilo, e incorporando tão bem trejeitos "machões" ao encontrar o pai de seu namorado que chega a ser icônica toda a conversa ali. Já Letícia Lima acabou exagerando um pouco no seu ar de imposição no começo, meio que levando algumas bordoadas de frases clichês, mas talvez uma desenvoltura menos engessada agradasse mais, e conforme ela vai se soltando para um personagem mais aberto acaba agradando mais, e finaliza bem pelo menos. José Victor Castiel entregou um Antonio bem homofóbico e com ares machistas de nível máximo, trabalhando claro trejeitos cômicos para tentar aliviar essas nuances mais fortes de seu personagem, que claro muitos veem como algo engraçado, enquanto outros não suportam nem pensar em ouvir, mas que dentro da proposta foi bem usado, e claro com um fechamento paternalista bem bonito e casual, mas sabemos bem que na vida real não é bem assim. Nany People trabalhou bem sua Lana, brincando com as situações, e entregando na lata coisas sérias, ao ponto que vemos ela como um eixo na trama, que mesmo sendo divertida passa o envolvimento e as mensagens que o filme necessitava, ou seja, caiu muito bem no personagem. Já os demais, cada um apareceu da forma que deu para ser representativo, desde a avó com uma mentalidade bem grandiosa vivida por Amélia Bittencourt, o irmão galã que se assume gay antes do protagonista vivido por Romulo Arantes Neto, e claro o cunhado mala chato vivido por Marcos Breda, mas sem grandes destaques por nenhum.

Visualmente a trama entregou uma mansão bem repleta de detalhes, uma cervejaria imponente e um hotel simples, mas bem colocado, além de alguns quartos aonde algumas desenvolturas acabaram acontecendo, não sendo nada muito impressionante de elementos cênicos, mas que acabaram funcionando de formas bem representativas em cada um dos atos, agora certamente economizaram bem na festa de fechamento parecendo ser um evento bem singelo (que é notável que o orçamento não deu para fazer nada grandioso), mas sendo uma festa clássica de uma empresa grande poderiam ter trabalhado ela melhor, principalmente por ter os acontecimentos de união familiar de fechamento, mas nada que tenha atrapalhado muito o filme.

Enfim, é uma trama agradável, que quem gosta de uma comédia simples e de gênero vai se encontrar, vai rir, alguns irão ficar bravos, outros emocionados, e assim sendo é daquelas que causa muito em todos, mas que como já disse no começo do texto tem o foco quase que completo no público LGBTQIA+, então digo que recomendo para todos, mas nem todos fora desse nicho irão se envolver com o que a trama passa, e sendo assim fica essa ressalva, porém é algo divertido de ver, então se não tiver preconceitos é só ir para a sala do cinema. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Awake

6/14/2021 12:50:00 AM |

Antes de mais nada, já deixo você preparado para nem ler o restante do meu texto avisando que 99% das pessoas irão odiar esse filme e nem é por ele ser ruim, mas sim pelo final ser ruim, mas friso que a ideia completa do lançamento da Netflix, "Awake", é até que bem interessante, tendo uma pegada meio que maluca de uma explosão solar que muda o fluxo de tempo em nossa cabeça, o magnetismo da Terra e por aí vai, fazendo com que a maioria das pessoas não consiga mais dormir, entrando em colapso de ideias, surtando e fazendo as maiores loucuras possíveis. E o mais legal da trama, é que viram tudo de ponta cabeça, começam brigas, guerras entre todos, e claro que um grupo de cientistas vai tentar achar a cura rápida antes que pirem, e tendo sua filha como uma das pessoas que conseguem dormir, uma ex-fuzileira tenta salvar ela de virar uma cobaia. A ideia em si é básica, mostra o que as pessoas fazem em momentos de loucura, e também coloca em pauta toda a insanidade que fazem com cobaias para tentar um "bem maior" ou no caso "a cura" para todos, mas falham miseravelmente quando a descoberta parte a partir de algo tão idiota no final que não dá para justificar os amigos que estão odiando tudo. Ou seja, se você é daqueles que gostam de um bom final, esse não é o filme para você, agora se curte o conteúdo todo, mesmo que o final seja broxante, pode dar a chance que a trama é bem louca.

A sinopse nos conta que tendo um passado conturbado, Jill, uma ex-soldada, é a única pessoa na Terra que tem uma chave capaz de consertar um terrível desequilíbrio que ocorreu no planeta: após um súbito aquecimento global, ninguém mais é capaz de dormir. No entanto, a chave está sob a forma de algo muito mais valioso para a ex-soldada - sua filha. Será que ela conseguirá entregar sua própria filha em troca de salvar toda a humanidade?

Diria que o diretor Mark Raso desejava um filme digamos polêmico logo de cara, pois ir direto para uma cena de rebelião dentro de uma igreja, e talvez numa jogada ainda mais insana de um fechamento no estilo de um batismo num rio é algo que pode causar grandes afrontas, porém se esse fosse o problema do filme até poderíamos ficar quietos e não reclamar, mas faltou para o roteiro um dinamismo maior no miolo, e quem sabe a ideia final acontecer antes, pois mesmo sendo algo maluco e completamente sem base científica (ao menos já que estávamos falando disso no filme todo), o ocorrer através da descoberta de uma garotinha, e de uma maneira tão jogada acabou desandando algo que até poderia ser plausível, mas não teve muita solução, e assim sendo o roteiro de Mark e Joseph Raso com base numa história de Gregory Poirier ficou abstrata demais, e acaba nem sendo efetiva como poderia, muito mais polêmica, acabando em algo que até tem toda uma boa desenvoltura de ação, afinal filmes apocalípticos sempre trazem bons momentos de desespero, mas que não soube escolher um bom fechamento para agradar mais.

Sobre as atuações, já disse isso algumas semanas atrás e volto a repetir que estão exagerando colocando Gina Rodriguez para fazer todo tipo de personagem, pois ela tem uma personalidade e trejeitos jovens demais para alguns papeis, e aqui como uma mãe de um adolescente que parece quase seu namorado e uma garotinha foi um pouco forçado demais, ao ponto que sua Jill até tem bons trejeitos, passa um realismo desesperador, mas a todo momento que está falando com o filho vem essa ideia na mente de não parecer mãe, e isso é um pouco pesado, mas a atriz não desaponta em trejeitos, e até agrada bem. Os jovens Ariana Greenblatt e Lucius Hoyos trabalharam bem dentro do que podiam fazem com seus Matilda e Noah, com a primeira sempre trabalhando um semblante bem calmo, cheio de desenvolturas, enquanto o jovem se mostrou exageradamente tímido para o papel, não mostrando muito a que veio, o que pode ser um problema de seu texto não ser muito explosivo ou ele mesmo não chamar muita atenção, mas cumpriram com seus atos, e isso é o que vale. Já Jennifer Jason Leigh tem sido a atriz coringa de quase todos os filmes da Netflix, não explodindo em momento algum com seus personagens, e aqui sua Dra. Murphy inicialmente parecia ser mais imponente, e nos atos mais fortes do final até parecia que iria ter nuances de alguém mais maluca, mas não foi muito além e isso é algo ruim para uma atriz do porte dela. Quanto os demais, todos apareceram bem pouco, não fazendo grandes expressividades, mas também não sendo tão jogados, ao ponto que vale os destaques de Shamier Anderson com seu Dodge inicialmente perigoso, depois amistoso, para depois ficar perigoso novamente, e que não foi muito bem usado também, e no começo a avó das crianças vivida por Frances Fisher que até tenta fazer algumas caras e bocas junto com o pastor vivido por Barry Pepper, mas ambos soaram falsos demais nas atitudes, e assim seus personagens acabaram sendo bem pouco usados também.

Visualmente o longa foi bem interessante, pois toda trama de caos apocalíptico resulta em destruições, com muitos carros parados no meio do caminho, lojas e casas sendo saqueadas, pessoas mortas pelas ruas, e aqui o filme contempla tudo isso e mais algumas outras situações como pessoas completamente peladas fazendo saudação para o sol, vemos um centro de inteligência simples demais de elementos, mas completamente dominado pelo exército ao redor, e claro toda a confusão acontecendo na igreja no começo da trama, com muitos objetos cênicos sendo usados para cada momento desde armas, desfibriladores, pedaços de canos, e claro carros antigos já que a tecnologia parou, ou seja, se você tem um carro antigão cuide dele, pois pode ser útil algum dia. 

Enfim, é um filme que até tem uma desenvoltura razoável bem explosiva de ação no começo, mostrando toda a loucura em cima de algo desconhecido, mas que acabou faltando tanto um melhor desenvolvimento dos personagens secundários para empolgar e chamar mais atenção, não deixando somente nas mãos da protagonista toda a responsabilidade, quanto uma resolução de fechamento bem melhor, pois até poderia ter sido usado o mesmo ato de ressuscitação, porém no meio da história para que tudo fosse mais desenvolvido, e não no fechamento através da garotinha apenas, pois ficou muito bobo e jogado, meio como se não tivessem com a ideia de como acabar e pronto tacaram isso. Ou seja, como disse no começo recomendo o filme com tantas ressalvas que sei bem que a maioria não irá gostar, então o resultado final é bem mediano e assim recomendo melhor fugirem do longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Veneza

6/13/2021 07:25:00 PM |

Sempre fui acostumado a ver Miguel Falabella como ator me divertindo na TV com seus personagens icônicos, mas sei bem do seu potencial dramático por tudo o que já fez no teatro interpretando grandes personagens ou dirigindo grandiosos atores, e com isso levando vários prêmios importantes. Mas eis que agora finalmente conferi uma direção primorosa sua em um filme realmente, daqueles que nos fazem transparecer memórias, se envolver em sonhos, e adentrar a fantasiosa ideia de uma vida inteira pensando como teria sido diferente se tivesse ido para outros rumos, e seu longa "Veneza" que entra em cartaz nos cinemas na próxima quinta-feira(17/06) é daqueles longas que tudo pode acontecer, aonde vemos as sonhadoras prostitutas em ter uma vida melhor, em sair do fim do mundo e ir para uma grandiosa cidade, ou até mesmo da dona da casa agora já no fim de sua vida apenas desejando ir para a cidade italiana atrás do perdão de seu amado. Ou seja, é daqueles filmes envolventes com uma boa proposta, e que mesmo tendo vários vértices, o que acaba quase puxando para o lado novelesco que muitos longas nacionais acabam seguindo, consegue emocionar e ser bem bonito de ver com todo o lado fantasioso que acabam optando para passar a mensagem e o sentimento completo.

A sinopse nos conta que reencontrar o único homem que amou é o sonho de Gringa, dona de um bordel no interior do Brasil. Mesmo cega e muito doente, ela insiste em realizar seu último desejo: ir até Veneza para pedir perdão ao antigo amante, que abandonou décadas atrás. Para levá-la à cidade italiana, Tonho, Rita, Madalena e as outras moças que trabalham para Gringa idealizam um fantástico plano.

O mais interessante de tudo é saber que o longa é baseado em uma peça do escritor Jorge Accame, na qual Miguel se baseou para adaptar o filme, pois não é possível imaginar algo assim tão criativo visualmente, cheio de elementos e momentos simbólicos ser passado apenas num único palco, e assim acabamos vendo algo tão diferente e bem encaixado que certamente dá para pensar no tanto que o diretor incrementou nas situações para que seu filme tivesse um grandioso volume ao ser filmado no Uruguai e na Itália. Ou seja, vemos sentimento em cada ato que o diretor tenta passar, seja da difícil vida da prostituição, da objetificação da mulher (que aqui o sexo é usado como pagamento de várias coisas como moeda de troca), e que sabendo conhecer de cada momento ele pode ser criativo e muito fantasioso ao jogar com um circo mambembe que tem em seu repertório a exibição dramática de uma peça, ou seja, é o transporte de uma linguagem para vários meios, e que brilhantemente consegue sair de cada elo e funcionar muito bem, claro que através dos olhares reais das pessoas que estão se envolvendo, e indo mais além na mente da cega que passa a imaginar tudo com os mesmos floreios que os que organizaram tudo. Sendo assim, digo que Miguel Falabella agora entrará para um rumo de grandes diretores para serem observados, pois mostrou estilo, precisão e muita clareza no que desejava para seu filme, agradando bem com algo difícil de ser exibido, e que certamente muitos irão reclamar pela grande quantidade de cenas de sexo e prostituição, mas é a ideia do filme, então vale a exibição, não foi nada forçado, e que diria valer até pensar nele como o nosso candidato para as indicações das premiações internacionais, pois tem classe e estilo de grandes diretores, e certamente faria muito sucesso lá fora, mas que dificilmente acontecerá com as cabeças que dominam nossa "academia" de cinema brasileiro.

Sobre as atuações, temos de pontuar claro a expressividade ímpar da espanhola Carmen Maura com sua Gringa já cega e desesperada para ir para Veneza conseguir o seu perdão, de modo que a atriz se jogou em cena, fez imposições fortes e emocionantes, e ainda chamou muita atenção para si, conseguindo mostrar que ainda está em plena forma e agrada com qualquer papel que lhe seja dado, além de falar um bom português em todas suas cenas, além disso tenho de falar da beleza monumental da uruguaia Camila Vives que fez a Gringa quando jovem, quando foi pedida em casamento no meio do prostíbulo e que com muita graciosidade fez suas cenas de uma forma envolvente e bem marcante para ser usada no contexto completo da trama, ou seja, um conjunto de duas ótimas mulheres para um personagem forte e bem colocado. E já que estamos falando de força, temos de colocar a sempre imponente Dira Paes com sua Rita, trabalhando o sentimento da personagem tanto pelo seu serviço duro, quanto pelo amor que tem para com Gringa, conseguindo manter o ar de estar sempre tudo bem mesmo quando não está, e dando nuances expressivas tão marcantes que nem temos como sentir, e isso mostra o quanto a atriz é boa no que faz. Ainda tivemos ótimos momentos de Eduardo Moscovis com seu Tonho, que tendo sido criado no prostíbulo vive de bicos e arrumando tudo por lá a troco de sexo, e o ator mostra boas desenvolturas expressivas, segura a barra junto da personagem de Paes, faz todo o envolvimento funcionar, e ainda entrega toda a fantasia do ato final de uma maneira mágica e bem bonita de se ver, ou seja, se encaixou completamente no papel e foi fundo nele. Outro que apareceu mais nos sonhos do passado de Gringa é Magno Bandarz que fez o italiano Giácomo, a paixão eterna dela, e que mesmo fazendo poucas cenas, trabalhou bem o lado amoroso e claro a famosa essência da época aonde vários gringos desejavam levar as putas brasileiras para seu país, e o ator fez um bom personagem. Além desse lado da trama, também temos de pontuar o envolvimento das personalidades de Carol Castro e Caio Manhente com sua Madalena e Julio, ao ponto de vermos o sonho da jovem em ir para uma cidade grande e do rapaz em se travestir, vamos todas as nuances de emoções, e claro do que isso pode gerar em uma cidade interiorana, e ainda ambos nos últimos atos seus fizeram expressões tão fortes que chega a ser marcante demais, ou seja, é um elo a parte mas que funciona muito bem dentro de tudo. Ainda tivemos bons momentos com Danielle Winits com sua Jerusa analfabeta, Maria Eduarda de Carvalho fazendo uma Janete já bem doente, além claro dos personagens circenses como André Mattos como o Mestre dono do circo, Yuri Ribeiro como o palhaço Ventoinha, entre outros que deram toda a montagem completa com cada um passando suas devidas imposições cênicas mesmo que rápidas para tudo.

Visualmente o longa tem muita técnica, tanto que os diretores de arte Tulé Peak e de fotografia Gustavo Hadba já levaram diversos prêmios pelos festivais que o longa tem passado, vendo nuances incríveis de cores em cada ambiente, criando um puteiro quase que abandonado já caindo aos pedaços no meio do nada de uma cidadezinha interiorana, trabalhando o ar glamoroso de um rico puteiro antigo aonde Gringa começou sua vida amorosa, e claro brincando com o ar circense tanto dos palhaços quanto de um drama todo feito em preto e branco somente com maquiagem e cenografia, aonde vemos todo o redor colorido, mas o sentimento dramático acontecendo sem cores, e claro o grandioso desfecho da ida para Veneza, seja ela através de uma representatividade cênica bem poética que emociona demais. Ou seja, são diversos elementos alegóricos bem presentes em cada momento, com diversas iluminações marcadas para dar foco quase que teatral para tudo que acabam envolvendo e certamente vai agradar muito quem gosta de um filme mais artístico.

Enfim, é um filme extremamente artístico, com nuances que certamente muitos cinemas comerciais nem irão querer exibir, mas que é tão bonito, tão cheio de essências visuais fantasiosas e bem cadenciadas que certamente quem não ligar para o lado sexual irá vivenciar uma experiência bela, bem encaixada e que mostra que mesmo no nosso mais íntimo e final sonho desejamos estar perdoados de atos errados que fizemos no passado, e que claro nossos amigos estarão prontos para nos ajudar a realizar isso de alguma forma mesmo que simbólica. Ou seja, recomendo o longa com certeza, e friso, que mesmo tendo alguns atos exagerados, algumas nuances e quebras novelescas, o resultado final é bem bonito e agrada bastante. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Din e o Dragão Genial (Wish Dragon) (许愿神龙)

6/13/2021 03:26:00 PM |

Cada dia a Netflix se supera com as compras dela, pois de antes víamos aparecer os candidatos às premiações lá para Setembro ou Outubro, eis que em Junho já tenho a certeza absoluta de ver "Din e o Dragão Genial" presente em todas as premiações do ano que vem, pois além de trazer um longa tecnicamente perfeito, o resultado visual acaba agradando bastante, e a história além de conter uma trama bem bonita e envolvente consegue passar uma mensagem de amizade, de deixar de lado riquezas para ter uma boa vida com os amigos, e o resultado acaba agradando na medida certa entre o bom tom cômico e a emoção bem colocada, além claro de cores fortes e chamativas para pegar desde os pequeninos até os mais velhos com tudo o que nos é entregue. Ou seja, mais uma vez os estúdios chineses conseguiram agradar, envolver e funcionar muito bem do começo ao fim, com uma animação precisa e cheia de bons elementos gostosos para todos, que junto da Sony Animation apenas aprimoraram os elementos e fizeram toda a mitologia dos dragões fluírem bem e agradarem na medida certa.

O longa acompanha Din, um estudante universitário de origem humilde que possui grandes sonhos. Em um belo dia, o jovem conhece Long, um dragão com grandes poderes e capaz de atender desejos. Juntos, partem em uma aventura muito engraçada em Xangai em busca da amiga de infância de Din e de respostas para seus questionamentos da vida.

O diretor Chis Appelhans estreia no posto, porém já passou por tantas animações no setor artístico que veio para seu primeiro filme com todas as ideias visuais que desejava apresentar, e o acerto foi iminente, pois vemos uma trama praticamente perfeita de técnicas, com boas desenvolturas, com uma história bem bonita envolvendo amizade, e com dinâmicas bem precisas ele acabou nos entregando um filme que dá para curtir tranquilamente com toda a família, tendo vários momentos bem engraçados (a cena do engarrafamento é daqueles que choramos de tanto rir por pensar da mesma forma que o dragão) e que sabendo exatamente pontuar cada elo da trama com serenidade e bons conceitos faz refletir e empolgar do começo ao fim. Ou seja, se ele seguir esse estilo certamente o veremos ainda em muitas premiações, pois é o famoso estilo clássico bem colocado dentro de uma animação que não se alonga muito, e que funciona.

Sobre os personagens, é até bonitinho demais ver a amizade dos dois jovens na infância, e claro saber que isso não iria perdurar e que em algum momento iria ter algum tipo de conflito, mas vemos depois o jovem Din bem determinado em sua juventude a buscar o famoso reencontro, vemos um jovem de personalidade, e que agrada bastante pelo famoso mérito de trabalhar muito para alcançar seu objetivo, e Jimmy Wong deu uma boa voz para o papel agradando bem no que fez. Agora John Cho praticamente se divertiu horrores com o dragão Long (aliás poderiam entregar o vídeo de sua dublagem que deve ser tão hilária quanto as do The Rock nos filmes que dublou), pois o personagem é icônico, cheio de situações malucas, bem colorido e com boas texturas, e além de ser engraçado tem toda uma boa história que acaba agradando desde os menores até os maiores, ou seja, algo muito bem colocado num único personagem. A jovem Li Na tem estilo, e mostra bem as moças que acabam fazendo tudo o que os pais lhe colocam, algo que vemos em muitas atrizes que despontam no mundo da moda e da mídia, mas que se olharmos a fundo não são felizes, e ao voltar para suas brincadeiras e desenvolturas como era quando pequenina junto do protagonista vemos até seu olhar mudar, o que foi muito bem pensado pela equipe de desenho, e assim sendo a atriz Natasha Liu Bordizzo deu um bom tom agradável para a voz da personagem caindo muito bem. Quanto dos vilões, vemos dinâmicas imponentes, boas atitudes de luta, e claro um com ar maior de vilania, e os demais mais bobos, que acabam divertindo pelos atos, ou seja, tudo muito bem encaixado para não assustar as crianças, mas ainda ter um tom forte na trama.

Visualmente o longa é daqueles tão coloridos, puxando bem para o tom destacado de rosa do dragão, mas vemos muitas referências com as casas de comunidades em contraponto da gigantesca mansão de Lin, vemos muitos bons elementos cênicos dentro das construções e demolições, vemos o crescimento da China tanto pelo visual quanto pelo que o dragão se lembra de sua época como imperador, vemos boas lutas e muitos elementos casuais representativos como comidas e claro os famosos congestionamentos intermináveis das cidades, com motos se embrenhando nas entregas e tudo mais muito bem conectado que acaba envolvendo e simbolizando cada momento da trama.

Enfim, é uma animação bem bonita e gostosa de curtir, que envolve a todos e funciona muito bem, só diria não ser perfeita por faltar algo que costumo dizer ser preciso nas animações, que são boas canções, e aqui acabaram deixando isso bem de lado, o que é uma pena, porém tirando esse detalhe é daqueles filmes que certamente nos lembraremos mais para frente, e quem sabe não empolguem com algum tipo de continuação, pois o acerto foi bem grandioso, e certamente a criançada vai curtir bastante a conferida junto com a família toda. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Alice e Peter - Onde Nascem os Sonhos (Come Away)

6/12/2021 06:40:00 PM |

O que acontece quando misturam as ideias de dois clássicos malucos em um único filme? Se você sempre se perguntou isso, veio a roteirista de "Alice e Peter - Onde Nascem os Sonhos" e respondeu sua pergunta, pois temos uma mistura tão bem encaixada das ideias de "Alice no País das Maravilhas" com "Peter Pan" trabalhando as nuances que tanto conhecemos de ambos os clássicos como sendo sonhos, imaginações e devaneios de duas crianças, mas ao mesmo tempo também ficamos pensando na forma fantasiosa que pensaram de ser uma realidade deles, ou seja, é daqueles filmes que jogam com tantas ideias e abstrações que o resultado até agrada pelo estilo comovente passado, mas talvez um pouco mais realismo em alguns atos chamaria mais atenção, além claro de não precisar ir tanto com o politicamente correto para usar reflexões que não são tão convenientes. Ou seja, é um bom filme, que talvez nem seja muito lembrado daqui algum tempo, mas o resultado é envolvente e conseguimos conectar tudo dentro dos diversos floreios, o que acaba agradando de certa forma.

O longa nos conta que antes do País das Maravilhas e da viagem à Terra do Nunca, os irmãos Peter e Alice deixaram a imaginação correr solta durante um verão repleto de brincadeiras com espadas, chás da tarde e navios piratas. Quando uma tragédia toma conta da família e muda completamente a vida de seus pais, Jack e Rose, Peter e Alice embarcam numa aventura fantástica e entendem que crescer pode não ser o maior dos seus problemas.

Após muitos anos trabalhando para a Disney, escrevendo e dirigindo grandes clássicos de nossas infâncias, a diretora Brenda Chapman resolveu mudar completamente de ares e incorporar agora todo seu conhecimento fantasioso em uma obra com pessoas, mas usando ainda como base muitos sonhos, e ao pegar o roteiro maluco da estreante Marissa Kate Goodhill, conseguiu trabalhar toda a situação, posicionar o filme numa época clássica da tumultuada Londres, e que sabendo misturar bem sonhos, fantasias e delírios incorporou o luto junto das responsabilidades intensas e agradando bem em cada um dos momentos mais idílicos acabamos entrando completamente no clima da trama e fantasiando junto com as ideias das crianças e claro tudo o que acabaram passando. Ou seja, a diretora brincou bastante com sua trama, soube segurar bem nos momentos mais tensos, e claro viajou bastante em toda a ideia, ao ponto que ficamos pensando até onde chegariam com tudo, mas é bem bacana toda a ideia de vermos os personagens clássicos como pessoas ruins da sociedade e ir remetendo eles com o que conhecemos da história original, fazendo algo complexo e fantasioso.

Sobre as atuações tenho de pontuar a boa química entre os jovens Jordan Nash e Keira Chansa em suas aventuras, ao ponto que ambos trabalharam bem olhares, dinâmicas e criaram boas desenvolturas com seus Peter e Alice, tanto que ele já com sua experiência em vários filmes fluiu rapidamente, se jogando em todas as cenas puxou a jovem em seu primeiro longa para algo criativo e bem expressivo que acabam agradando bastante e claro refletindo bastante nas situações. David Oyelowo trabalhou seu Jack de uma forma mais fechada, ao ponto que descobrimos o seu passado através de momentos mais jogados, com pontuações fortes e duras que claro refletidas para a imaginação das crianças sai ainda mais forte, ou seja, poderia ter amenizado um pouco as expressões, mas foi bem. Angelina Jolie sempre entrega boas cenas, mas aqui sua Rose ficou tão abatida após a morte do filho que alguns ângulos acabaram ainda desvalorizando ainda mais a atriz, parecendo estar cadavérica de magra e com roupas grandes apenas para dar algum enchimento, ou seja, ficou estranhamente apagada demais sua personagem, o que não é usual de ver dela. Quanto aos demais, todos apareceram bem pouco, criando nuances cênicas para alguns personagens mais conhecidos, e outros que acabaram ficando diferentes, como é o caso de Clarke Peters com seu Chapeleiro (que vamos conhecer como sendo o avô das crianças), David Gyasi com seu CJ ou Capitão Gancho na fantasia, Anna Chancellor com sua Eleanor ou Dama de Copas, e por aí vai, sem grandes destaques, mas bem encaixados pelo menos.

Visualmente o longa teve um ar bem lúdico com momentos bem trabalhados e com ambientes marcantes, como a casa dos jovens bem rústica com a oficina de barcos em miniaturas do pai, o barco abandonado que se torna um barco pirata, toda a Londres suja, rústica e lotada de pessoas de muitas classes misturadas em luxuosos jogos e nuances tensas nos ambientes, vemos também ainda todo o mundo fantasioso na mente dos jovens com coisas voando, moedas sumindo, o famoso chá com os animais em contraponto com uma grandiosa e luxuosa casa de chá real, ao ponto que é mostrado que a equipe de arte teve de viajar também na ideia completa do roteiro para que tudo ficasse bem agraciado e gostoso de ver.

Enfim, é um filme bacana, com uma boa proposta, e que mesmo sendo completamente maluco trabalha bem o ar fantasioso versus o realista, e cria ambientes visuais e na nossa mente, o que agrada bastante, só acredito que talvez pudessem ter trabalhado melhor os personagens dos adultos, pois tudo acaba acontecendo em lances tão rápidos que muitos é capaz de nem pegarem todas as nuances, e assim sendo temos algumas quebras. Ou seja, até vale a conferida e agrada quem entrar de cabeça na viagem toda, mas muitos vão se cansar um pouco, então fica a dica maior para quem ama o lúdico. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Spirit - O Indomável (Spirit Untamed)

6/12/2021 12:48:00 AM |

Pois bem meus amigos, a galera dos roteiros realmente está com falta de ideias e cada dia é uma refilmagem aparecendo por aqui, mas confesso que dessa vez fiquei sabendo somente quando apareceu na programação da semana "Spirit - O Indomável", e claro que foi inegável lembrar do desenho antigo, do filme antigo e de tudo mais que já tivemos com o cavalo selvagem, mas posso dizer que nem lembrava muito a fundo tudo o que se passava, e o resultado aqui pelo menos foi bem agradável, pois temos uma boa textura dos personagens, temos uma história bonitinha, e até canções bem gostosas, porém é algo tão rápido que parece até ser algum derivado de algum desenho da TV, não trazendo para si uma síntese própria, aonde somos rapidamente apresentados o acidente da mãe, logo em seguida já estamos com a garotinha crescida, o lance com o avô, a volta pro interior, o envolvimento rápido com os animais selvagens, os bandidos, e o desfecho, ou seja, tem sim um começo, meio e fim bem determinados, e funciona bem, só não dá para esperar nada demais, o que não é legal. mas acho que a criançada vai conseguir se conectar com o cavalo e quem sabe gere frutos futuros.

No longa acompanhamos a vida da pequena Lucky Prescott. Quando ela se muda para uma pequena cidade fronteiriça, junto com o seu pai, Lucky acaba fazendo amizade com um cavalo selvagem chamado Spirit. Com o objetivo de levá-lo até a sua família, ela embarca em altas aventuras.

Alguns materiais estão colocando esse longa como uma continuação do filme de 2002 e sendo baseado na série da Dreamworks, o que faz um pouco de sentido no que falei de ser parte de algo maior, mas posso dizer que ele funciona bem sozinho, afinal algo de 19 anos atrás muitos nem lembram nada, e quanto da série não posso opinar já que não sabia nem da existência dela. Mas sendo algo simples e funcional dá para acompanhar tranquilamente, dá para se envolver com a personagem, se emocionar com alguns atos, ou seja, o trabalho dos diretores Elaine Bogan e Enio Torresan foi bem feito, tem uma boa técnica, e principalmente passa a mensagem de confiança que é o que muitos dizem ser necessário para domar um cavalo e não força, e assim sendo o filme entrega algo bonitinho que tem um certo carisma, mas que facilmente poderia ter ido mais além como um filme só.

Sobre os personagens, a jovem Lucky é bem graciosa e imponente, cheia de atitudes e desenvolturas, e que deram uma voz bacana para ela, o que é raro em animações com crianças sendo interpretadas, e o estilo de seus momentos funcionam bem e agradam bastante, mesmo sendo tudo bem rápido de ver. O cavalo Spirit é bem arisco, selvagem e ao mesmo tempo inteligente, mostrando momentos fortes e bem colocados, que junto com os demais animais parece até se sobressair bastante. As demais garotinhas foram bem colocadas na trama, e embora surjam meio que jogadas, Abigail e Pru conseguem formar com a protagonista um trio bem legal de curtir. Agora o pai da garota ficou exageradamente deslocado, parecendo que não desejavam desenvolver ele, o que é algo meio estranho de observar, sendo que até a tia Cora dela é bem mais usada. Os vilões entregaram atos de maldades bem imponentes, mas soaram bobos demais, o que acaba sempre ocorrendo em filmes mais infantis, e talvez um pouco mais de força causasse um temor maior nos atos, e chamaria mais atenção. Ou seja, é uma animação de bastante personalidade por parte dos personagens, e que com certeza na série foram mais desenvolvidos, mas não desapontam no longa, e a graciosidade chama atenção.

O visual da trama também é bem bonito, com uma textura tridimensional bem encorpada aonde vemos bem os detalhes da cidadezinha, sua cultura de rodeios (mas com uma modelagem de carinho e dança nos cavalos, sendo contra os maus tratos, ao menos tentam mostrar isso!), e trabalhando bem detalhes na descida da montanha (um pouco exagerada, já que não dá para crer que um cavalo enfrentasse situações tão íngremes), e que teve uma boa nuance de cores para criar carisma e que junto de bons elementos cênicos fazem cada ato ser bem marcado.

O filme traz boas canções, que não temos a versão nacional para compartilhar, mas que envolveram bem durante todo o filme, e que ao ouvir as canções originais cantadas durante os créditos mostraram o mesmo envolvimento passado por Isabela Mercedez (Fearless) e Becky G (You Belong), e se alguém encontrar as versões nacionais, pode mandar que atualizo o texto. Aqui está o link da versão americana.

Enfim, é uma animação bacana e gostosa de conferir, que passa bem longe de ser perfeita, mas que tem estilo, e que certamente a criançada mais nova irá curtir, então recomendo talvez passar os dois filmes juntos, colocar a série e juntar tudo que aí o clima ficará completo, mas quem curtir algo calminho com boas canções pode conferir sozinho que vai ser agradável pelo menos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Espiral - O Legado de Jogos Mortais (Spiral: From The Book of Saw)

6/11/2021 12:46:00 AM |

Quem me conhece sabe que uma das franquias que mais amo no mundo do cinema, mesmo tendo diversos problemas técnicos, é "Jogos Mortais", e com certeza torcia para ir até o número 200 que não iria reclamar, então desde que foi anunciado o longa "Espiral - O Legado de Jogos Mortais" já comecei a ficar empolgado com as possibilidades que iriam criar, quais tipos de armadilhas iriam fazer, o nível de violência, e claro o que iriam usar para justificar os crimes e mortes, afinal como todo longa da série tínhamos um mote bem armado que ao final surpreendia completamente. Dito isso, o novo longa até tem armadilhas fortes e imponentes, o maldito porco continua assustando na captura das vítimas, temos um motivo até que compreensível para as mortes, mas ficou parecendo que faltou um envolvimento maior na investigação, aquele algo a mais para criar tensão e tudo mais, não sendo algo ruim, mas não sendo algo chocante como era o fechamento. Porém deixaram a saga aberta para uma possível continuação, o caso é se irá rolar ou não, pois não foi tão bem nas bilheterias, nem ganhou tanto os críticos mundiais, então veremos, e claro, estarei lá conferindo caso tenha mais um.

O longa nos conta que o detetive Ezekiel "Zeke" Banks se une ao seu parceiro novato William para desvendar uma série de assassinatos terríveis que estão acontecendo na cidade. Durante as investigações, Zeke acaba se envolvendo no mórbido jogo do assassino. Ele percebe que o serial killer é um imitador determinado a seguir os passos do assassino Jigsaw.

O diretor Darren Lynn Bousman dirigiu os capítulos 2, 3 e 4 da franquia, e volta agora após 14 anos a pegar no legado da trama que o deixou famoso, mas diferente do que fez lá em 2005, 2006 e 2007, aqui ele pareceu levemente afobado em querer mostrar as traquitanas criadas para o filme, não desenvolvendo realmente uma história que trabalhasse os momentos, que criássemos algum vínculo maior com o protagonista, ou até mesmo que começássemos a levantar suspeitas sobre muitos personagens, pois como sabemos que originalmente Jigsaw já morreu, então ficamos opinando sobre quem desaparece, ou quem mais poderia estar envolvido já que tudo rola ao redor do protagonista, mas não atinge nenhum grande ápice nesse sentido, ao ponto que o resultado acontece sem grandes sustos. Ou seja, não é um filme ruim, pois levamos vários sustos, as armadilhas e mortes chegam a ser chocantes, e até o medo que estávamos de um humorista estragar tudo não acabou acontecendo, mas acredito que fui muito sedento esperando algo realmente intrigante como eram os filmes da saga, e isso não aconteceu, mas pode ser que role numa continuação, afinal agora já sabemos o que o novo assassino deseja, e pode ser que colham frutos dessa nova temática.

Já que falei do maior medo que muitos estavam, vamos seguir falando das atuações, pois realmente muitos se chocaram ao ver Chris Rock, que usualmente só faz piadas com seus personagens, aparecer como o detetive protagonista da trama Zeke Banks, e ele até faz algumas boas expressões, se impõe dentro do que o filme pedia para o personagem, mas certamente um ator mais denso daria outras proporções para o personagem, e até talvez alguém novo no mercado, afinal já dando um spoiler, o personagem será usado caso haja continuação. Max Minghella trabalhou até que bem seu William Schenk, dando as nuances clássicas de um novato, e fazendo algumas boas caras e bocas, mas não diria que sua finalização foi tão impressionante como se esperaria, ao ponto que talvez um ator mais marcante caísse melhor para o papel. Outro que esperava bem mais era Samuel L. Jackson com seu Marcus Banks, pois conhecemos o ator e sabemos que seus papeis são sempre imponentes, mas aqui sumiu tão rapidamente de cena que mesmo em suas cenas do passado não consegue chamar tanta atenção. Quanto aos demais, diria que o que valeu de ver foram as armadilhas que cada personagem acabou caindo, então nem vou soltar spoilers de cada ator, dizendo que todos pelo menos se desesperaram bem nos momentos imponentes, enquanto na delegacia ou na investigação todos ficaram meio que apáticos e sem muita desenvoltura, ou seja, poderiam ter mostrado um pouco mais de expressões para mostrar seus atos.

Visualmente o que gostamos de ver realmente no franquia são as armadilhas, e todas tirando a da cera quente foram violentamente imponentes, desde a do trem com a língua, passando pela dos dedos presos na banheira, até chegarmos na arremessadora de vidros e na do fechamento com a sacada da metralhadora cada uma na sua forma de crueldade e montagem certamente foi pensada por mentes completamente insanas, e o acerto com muito sangue e bons elementos criativos funcionaram bem para o resultado completo, não sendo algo que vamos lembrar para sempre, mas que foram muito bem feitos pela equipe de arte, pois como bem sabemos mesmo tendo ainda muita computação, a montagem visual ainda é prática, e certamente faz com que os atores ficassem com muito medo em cena.

Enfim, muitos estavam na dúvida se seria uma continuação ou reinício da franquia, e eu diria que não é nenhum dos dois casos, pois usa as bases da franquia que é de torturas e armadilhas, coloca um tema de vingança como base, e transforma numa ideia de outro estilo, que seria um intermeio de tudo, ao ponto que quem for fã e for conferir esperando algo muito bom vai se decepcionar um pouco, mas que não é ruim de tudo e acerta em alguns pontos pelo menos, de forma que dá para recomendar com algumas ressalvas, pois assusta com o porco sequestrador clássico, e causa asco como a franquia fez no passado, então fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Missão Cupido

6/10/2021 12:59:00 AM |

Sei que é raro vocês verem eu falando bem de longas nacionais, ainda mais de uma comédia romântica, então se preparem para o dilúvio do fim dos tempos, pois "Missão Cupido" entregou um filme completamente fora dos padrões que vemos nos filmes brasileiros, brincando praticamente com o estilo das histórias em quadrinhos, usando e ousando com técnicas de animação e de fotografia também, e que sabendo trabalhar bem a comicidade sem ficar abusivo nos atos acaba divertindo de uma forma gostosa de ver. Ou seja, é daqueles filmes que você não vai sair rolando da sessão de tanto rir, mas que vai ficar feliz com todas as cenas, além de se divertir com uma história até que boba, mas que já ouvimos muitas vezes falar que rogaram praga pra gente já no nascimento por tudo o que acaba rolando em nossa vida, e que não bastasse ser uma trama diferente de história, de técnicas, ainda por cima não usou galãs para chamar a atenção do público feminino aos cinemas, que é outra tendência do estilo, e assim muitos até podem virar a cara para a trama, e confesso que até eu estava, mas tudo foi tão gostoso de ver que recomendo darem a chance, pois tirando um leve exagero na disputa final que ficou repetitiva, os demais momentos fazem valer por completo o resultado.

A sinopse nos conta que Miguel é um anjo da guarda hilário e rebelde que é designado a cuidar de Rita, que acabou de nascer. Sem ligar pro poder das palavras dos anjos, acaba profetizando um monte de loucuras para a vida da menina. Tempos depois, o anjo recebe uma ordem vinda diretamente d’Ele, o todo-poderoso Presidente da agência de seguros de vida Miracle: Miguel deve descer à Terra e resolver os problemas que causou na vida de sua assegurada. Além de detestar voltar à Terra, Miguel terá que aprender a lidar com emoções tipicamente humanas que surgirão durante sua missão. E salvar Rita das mãos da Morte, uma linda cantora de rock que atrai as vítimas para seu bar e as seduz com sua voz.

O diretor, roteirista e também compositor da trilha sonora do filme, Rodrigo Bittencourt, conseguiu em seu terceiro longa metragem alçar um voo completo em cima de uma trama, pois ao trabalhar de uma forma irreverente, ousando em misturar quadrinhos desenhados, aplicando texturas e até criando animações realmente dos personagens para misturar tudo num grandioso efeito que saísse completamente do eixo novelesco que tanto predomina o estilo da comédia romântica nacional, ele fez com que seu filme fosse algo novo e interessante de conferir, pois sempre bato na tecla de que as novelas ainda dominam o país, e muitos filmes usam sempre o suporte do estilo para chamar a atenção, e precisamos sair desse eixo para mostrar algo nosso, que já vimos sim em outros filmes, mas colocando boas pontuações, enxergando que dá para mudar e ser criativo, o resultado acaba funcionando bem. E aqui seu roteiro é diferenciado, pois temos um Deus, criador irreverente de tudo (ou da porra toda como é dito no filme), e que brinca com as sacadas não apenas da criação dos humanos, mas sim da criação cinematográfica, usando referências de grandes clássicos hollywoodianos, e envolvendo com as sacadas bem pautadas em cada momento. Ou seja, é um filme aonde temos uma história até que simples se formos analisar a fundo, mas que tem tanta técnica que surpreende e agrada demais, e que quem gosta de um filme irreverente vai curtir bastante, que mesmo tendo algumas falhas expressivas, passa batido e faz valer o tempo de exibição.

Sobre as atuações, o humorista Lucas Salles caiu muito bem na personalidade de Miguel, sendo irônico aonde precisava, trabalhando as piadas de uma maneira solta, e principalmente cativando tudo com um carisma bem propício de se envolver, ao ponto que acabamos não cansando dele, algo que geralmente acontece com alguns personagens cômicos, ou seja foi bem na síntese que lhe foi dada, e só não diria que o ar "romântico" tenha caído tão bem para os momentos finais, servindo mais como um ar secundário que talvez não precisasse ser colocado, mas como costumamos dizer, quando muito se briga e implica com alguém, o romance vem, e aqui funcionou dessa forma. Isabella Santoni estreia seu primeiro filme após muitas novelas, e sua Rita tem uma boa desenvoltura e a atriz usou um tom ácido gostoso de ver numa garota, não deixando ela nem forçada e rebelde, nem exageradamente desacreditada, o que flui bem e acaba chamando atenção, ou seja, foi um bom começo e ela tem um bom perfil, que certamente lhe garantirá mais bons papeis, pois foi bem aqui. Já do lado oposto a amiga da protagonista, Carol, ficou levemente forçada por Thais Belchior, ao ponto que vemos isso mais pelo papel do que pela atriz, mas poderiam ter amenizado seu exagero amoroso que acaba sendo cansativo de ver. Também é a estreia de Agatha Moreira nos cinemas, e a escolha da atriz foi perfeita para o papel de Morte, pois se queriam um tom sedutor a jovem já fez muito bem em outros papeis em séries e novelas e com estilo e personalidade vemos um envolvimento forte e muito bem colocado, dando show nas suas cenas. Rafael Infante forçou sim em seu Presidente, mas sabemos que o humorista é dessa forma, e seu personagem acabou chamando a atenção justamente por esse exagero ambientado, mas ao menos lhe deram bons textos que fizeram esse exagero todo funcionar, ou seja, um bom acerto na escolha também. Victor Lamoglia já ousou chamar a atenção com um personagem mais sério, o que é curioso de ver num humorista, ao ponto que seu Rafael foi bem intrigante e interessante pelas atitudes bem colocadas, o que acabou chamando atenção e funcionando dentro de uma personalidade mais elegante. Dentre os demais, a maioria foi de conexão com um ou outro ponto a mais para chamar atenção, tendo um leve destaque pelo exagero de gritos de Daniel Curi como Querubim, mas até que alguns pontos foram engraçados dentro dos trejeitos mafiosos usados por ele, mas poderia ter sido menos exagerado.

Agora sem dúvida alguma o ponto alto do longa é toda a produção visual, pois mesmo vendo que não criaram grandiosos ambientes cênicos, conseguiram brincar muito com técnicas visuais, usando contrastes de cores passando a maioria das cenas da Morte em preto e branco como se tudo ao redor dela realmente morresse, já em contraponto a sala do Presidente com toda sua criatividade cheia de cores, com vários quadrinhos começados e sendo desenvolvidos como uma vida sendo manipulada, todos os diversos elementos cênicos e as coincidências de seus jogos de dardos com coisas boas e ruins sendo arremessadas no mapa, na Terra a protagonista e sua amiga cuidando de uma loja de doces para adoçar a vida das pessoas dando sabor em tudo, e claro ainda muitas referências à outros filmes clássicos como "Poderoso Chefão", "Kill Bill", entre outros, ou seja, toda uma dinâmica muito bem criada pela equipe de arte, além claro de toda a computação gráfica para a criação das animações sejam elas em cima de cenas atuadas ou realmente desenhadas que deram um luxuoso resultado para a trama com os quadrinhos em movimento e tudo mais, ou seja, perfeito.

E milagrosamente temos um filme nacional com sua trilha sonora compartilhada para que todos possam escutar depois, que o diretor compôs e cantou praticamente todas as canções junto de Daniel Lopes, e claro que deixo aqui o link, pois além de darem todo o bom ritmo na produção, são bem gostosas de conferir.

Enfim, é um filme que está longe de ser perfeito, que tem várias pequenas falhas pontuais no miolo como alguns leves exageros, e uma cena final de desafio numa máquina que ficou forçada e repetitiva demais com todos "brincando" ali, e que até faz um certo sentido com a combinação usada no início do filme, mas que poderiam ter amenizado para ficar melhor, mas que todo o restante é tão bom, que certamente acabamos bem envolvidos e vale muito a recomendação para que todos confiram, pois sabemos como as produções nacionais não são tão valorizadas, principalmente as que fogem de um padrão, e aqui é algo criativo e muito bem funcional. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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