A Grande Vitória

5/12/2014 11:41:00 PM |

Para aqueles que falam que o Coelho só fala mal de filme brasileiro, eis que finalmente apareceu uma produção interessante e comovente em circuito comercial chamada "A Grande Vitória" que com por trabalhar tão bem um esporte cheio de lições motivacionais, conseguiu emocionar e transmitir uma segurança bem típica de longas renomados lá fora para um filme nacional, bem interpretado pelos protagonistas e agradável por não ser nada cheio de ideologias como a maioria dos diretores nacionais estreantes costumam fazer. Ou seja, um filme bonito, emocionante e que talvez até ajude você a pensar logo em colocar aquele seu filho briguento num esporte de contato para que ele aprenda boas lições.

O filme nos mostra que Max Trombini teve uma infância humilde e conturbada. Abandonado pelo pai ainda hoje, ele foi criado pela mãe e pelo avô, que morreu quando tinha 11 anos. Revoltado, passou a se envolver em diversas confusões em sua cidade natal, Ubatuba, e depois em Bastos, onde passou a morar. Foi através do aprendizado das artes marciais, em especial o judô, que ele conseguiu se estabelecer emocionalmente e construir uma carreira que fez com que se tornasse um dos principais técnicos do esporte no Brasil.

Antes de mais nada, o pessoal precisa saber vender seu peixe, pois pelo pôster qualquer um mais desavisado irá ao cinema esperando ver algum filme baseado nos livros do Nicholas Sparks, e de romance no filme se tiver 3 cenas que totalizaram uns 8 minutos do total é muito. Então apague essa ideia preconceituosa igual um certo Coelho que já foi com 10 pedras para sair tacando e acabou quase lavando elas em algumas cenas mais emotivas, não que o filme vá fazer você precisar de um lençol para assistir, mas curto e acredito bastante nessa ideologia que o esporte pode dar boas lições nas pessoas, e aqui o filme prezou muito em cima dessa ideia. O diretor Stefano Capuzzi, estreia no cinema de uma forma bem segura, parecendo ser até mais experiente que muitos outros cineastas nacionais que batem cabeça ao fazer filmes restritos à pensadores misteriosos ou à grande massa que quer ver uma novela nos cinemas, e com isso seu acerto foi bem satisfatório na construção do roteiro baseado no livro de Max Trombini que acabou ficando trabalhado acertadamente dentro de ensinamentos que o Judô preza e que acabam valendo não somente para o esporte, mas sim para toda uma vida, e assim sendo agrada bastante com o que é mostrado. Outro fator acertado na estreia do jovem diretor é a escolha de câmeras dinâmicas, optando bem pouco por câmeras estáticas o filme tem ritmo e imagens bem fora do tradicional visto em nossas produções nacionais.

Não posso falar que o longa é uma das mil maravilhas também, já que como tivemos diversas estreias também no elenco que nunca havia feito cinema, o quesito interpretativo em alguns momentos soou um pouco falso. Felipe Falanga nos momentos que necessitou falar poderia ter trabalhado um pouco mais no discurso, pois o garoto até se sai bem quando fala, mas ao agir demais para mostrar um garoto cheio de energia acaba exagerando parecendo mais brigas compradas do que algo que realmente tenha acontecido numa escola. Ao ficar adulto, o jovem Max passa a ser Caio Castro, que até hoje não tinha feito nenhum longa-metragem e até sai bem nos movimentos que treinou bastante, usa de seu diálogo tradicional visto em novelas, mas certos momentos assim como o jovem garoto é afoito nas expressões não convencendo tanto o público do que faz, mas longe de ser algo ruim, sua atuação acabou sendo bem trabalhada e assim como faz bem em novelas, se tivesse mais tempo para trabalhar o personagem acredito que sairia até bem melhor. Suzana Pires tem habilidade para retratar uma mulher humilde e ser daquelas mães que não nega um puxão de orelha, e seus momentos mais comoventes foram tão bem trabalhados que emociona com certeza quem estiver assistindo e teve algum momento humilde na vida, muito bem feito seus atos. Outro que não esperava nada e até tinha assustado ao ver o nome no elenco é Moacyr Franco, que fez um avô muito interessante e que passa muito bem seu papel, pena que sua duração é curta, pois se desse pro longa todo, tudo que deu em poucos minutos de tela, teríamos algo bem bacana mesmo, o cara enfim achou um estilo que pode seguir. Tato Gabus Mendes, ou sem o Mendes como anda preferindo ser chamado, é o responsável por colocar todos os textos pontuados com efeito moral, ou seja, se sua voz fosse parecida com a do Cid Moreira, poderia gravar aulas motivacionais de palestras em CD que venderia horrores, e brincadeiras à parte, isso ficou bacana na sua interpretação, colocando o Sensei como um personagem marcante na vida de Max e que vale bem a pena prestar atenção nos ensinamentos. O próprio Max Trombini faz uma participação inicial como professor de Educação Física e claro mostra um pouco de seus combates na tela, só que sua fala para pedir a mãe que mande o garoto pro Judô ficou muito fraca, demonstrando de cara que era ele ali, mas valeu a participação. Você já deve estar perguntando, mas e a tal Sabrina Sato, não participou do filme? Sim ela faz a esposa de Max e serve de conexão para um momento importante na decisão do rapaz em seguir sua vida, porém sua estreia como atriz dramática é bem limitada com pouquíssimos diálogos, sendo colocada na trama apenas para representar um momento, então nem dá para avaliar ela ainda como uma atriz com expressões dramáticas com uma cena comovente apenas. Domingos Montagner foi algo meio enfeite demais apenas para representar o pai que foge da responsabilidade, então sua atuação foi algo meio rápido demais para valer a pena comentar. Felipe Folgosi e Carlos Massa, vulgo Ratinho, aparecem na produção mais para algo voltado para o merchandising, pois o primeiro mostra o nome da academia onde o jovem vai trabalhar, enquanto o segundo algum mercadinho que foi importante como patrocinador na vida do lutador. Bem falei demais dos atores, então já está bom demais.

O visual do filme foi bem trabalhado para criar tanto a casa humilde, como uma escola bem tradicionalista da época, uma academia simples mas que fez surgir talentos, um centro de treinamento maluco onde formar campeões é mais do que uma obrigação e claro a academia onde o protagonista encontra seu amor. Tudo isso foi bem dinâmico e mostrou uma habilidade interessante da equipe de arte em não se preocupar com nada grandioso, mas que caísse bem na trama, e dessa forma o filme anda sozinho, não precisando nem de grandes atuações, nem de elementos que marquem cada momento. Nem a cena da chuva que serve sempre de tradicional momento de virada em qualquer trama, foi forçada demais e representou algo grandioso, mas agradou acertando na medida. A fotografia do filme contou com cenas bem bonitas visualmente trabalhando algumas ambientações externas que chamaram atenção por algumas imagens do sol em seu esplendor para chamar atenção, e além disso como disse no início o diretor usou muitas imagens em ângulos diferenciados, o que fez a equipe trabalhar com iluminações bem casadas com o momento para não soar falso.

A parte sonora é um show a parte do maestro João Carlos Martins, que se quiser agora virar nosso John Williams nacional pode começar a trabalhar mais na área, pois o longa inteiro possui diversas canções compostas para cada momento específico, ficando algo profissional e bonito demais de ser ouvido. E além disso, quem tiver paciência de aguardar todos os créditos subirem, poderá conferir um clipe de Luan Santana cantando a música tema do longa com imagens do filme.

Enfim, falei muito do filme e claro que recomendo ele para todos, pois mesmo não sendo perfeito, foi feito de forma bem criativa e emociona com cenas agradáveis e com um texto interessante e comovente. Vale para todas as idades e com certeza quem for disposto a ver um longa com boas mensagens vai gostar muito. Bem é isso pessoal fico por aqui hoje, mas amanhã confiro o último dessa semana, então abraços e até breve.


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Mulheres ao Ataque

5/12/2014 01:03:00 AM |

Já falei isso milhares de vezes e não canso de repetir, que se um filme é classificado como comédia, a obrigação máxima é fazer com que os espectadores se divirtam bastante e riam de tudo que for mostrado. E o que posso dizer de “Mulheres ao Ataque” é que em boa parte do longa essa missão foi mais do que cumprida, pois se depender de mim e das demais pessoas na sala em que assisti riram demasiadamente em diversas cenas, claro que mais para o fim, o longa tenta dar uma amenizada das tradicionais linhas de comédias românticas que suaviza dando fechamento para os personagens principais, aí até alguns lances foram monótonos, mas ao mesmo tempo abusaram do excesso de impacto, utilizando da seguinte mensagem que muitos homens conhecem de que trair uma mulher é possível, mas trair duas ao mesmo tempo é procurar a morte.

O filme nos mostra que quando Carly descobre que seu namorado, Mark, é casado com outra mulher, Kate, as duas se unem contra ele em nome da vingança. Uma estranha amizade começa a nascer entre elas, mas a situação fica ainda pior quando elas descobrem que uma terceira mulher está envolvida, a jovem Amber. Logo, a terceira pretendente se une ao grupo, para dar uma lição no marido infiel.

É interessante observar que o diretor se arriscou bastante ao fazer uma comédia mais acelerada, pois normalmente um gênero que não costumamos ver tantos erros de continuísmo é a comédia, e dessa vez são diversos momentos em que as protagonistas saem de um lugar vestindo um acessório e entram em outro lugar com outro diferente, de forma tão escancarada que até o público menos exigente nota. Mas isso não chega a atrapalhar a trama, pois para compensar, utilizou de piadas e sacadas muito bem encaixadas para divertir na medida certa que a trama pede, utilizando todos os atributos das protagonista e com um ritmo interessante soube agradar com uma história dinâmica e possível de ocorrer num mundo que estamos, claro que a parte de um homem trair várias ao mesmo tempo e não de as amantes se unirem contra ele. Mas as gags compensam bastante, então que gosta de histórias atrapalhadas, incluindo um pouco de escatologias, pode ir e se divertir com certeza.

Falando mais sobre as protagonistas, temos três divisões bem claras de mulheres, as inteligentes, as bem sucedidas e as de corpão, o que pode fazer com que algumas feministas mais revoltadas fiquem nervosas com o que é apresentado, mas dessa forma puderam trabalhar melhor com cada artista para que seus papéis saíssem interessantes e divertidos ao mesmo tempo. A bem sucedida profissionalmente Cameron Diaz consegue ser também mais inteligente para arquitetar o plano de vingança, mas suas melhores cenas ocorrem antes enquanto está recebendo as visitas da esposa oficial junto de seu pequenino cão, e aí é que entra sua experiência em comédias para segurar na medida trejeitos engraçados para dominar as cenas e divertir. A esposa Leslie Mann poderia ser menos histérica e dramática em algumas cenas, mas agrada em outras fazendo a engraçadinha tradicional. A gostosona Kate Upton caiu também dentro do trejeito loira burra, mas soube tirar proveito disso sendo interessante visualmente para a trama e engraçada para ligar bem com a protagonista. O marido traidor Nikolaj Coster-Waldau trabalhou insistentemente em seu personagem e em certos momentos agrada com o que faz, mas em outros soou bem falso a não desconfiança de que estavam armando tudo para cima dele, além disso suas cenas finais foram abusivas demais até assustando com tudo que acontece, poderiam ter sido mais sutis que agradariam da mesma forma. O irmão Taylor Kinney é quase um objeto encaixado na trama que logo na sua primeira cena já sabemos seu final, então tudo que faz é praticamente inútil e serviu também para tentar agradar as moças que sonham com algum tipo de príncipe encantado. A estreia de Nicki Minaj nos cinemas não posso dizer que foi algo bem feito, mas ao menos se auto intitula como uma artista que muda muito de visual, já que em 4 cenas que aparece no longa, está com 4 cores diferentes de cabelo, assim como em suas aparições reais, e seus diálogos são bem estereotipados, não sendo algo que chame tanto a atenção para seus momentos.

Agora um ponto que chama bastante atenção no filme é o conceito visual, que com muita certeza gastou um bom dinheiro em viagens para lugares paradisíacos e nas escolhas das casas das protagonistas, onde usaram do melhor que podiam para caracterizar cada uma delas, com apartamento super dinâmico para a bem sucedida, juntamente com seu lugar de trabalho chique na medida para representar tudo ali, com cada móvel podendo contar sua história sozinha. Enquanto na casa tradicional da esposa em Conecticut temos a sociedade mais voltada para o angulo familiar que tudo ali encena junto com a artista. Enquanto nos Hamptons as casa de praia são maravilhosas e encaixam tanto com a personalidade da terceira protagonista, quanto com o momento que ali estão vivenciando. Os momentos nas Bahamas também são visualmente representativos e agradam conceitualmente, embora ali a parte cômica já tenha ido embora. Quanto da fotografia, foi usado muito da iluminação natural para criar os momentos, não usando de nenhuma câmera diferenciada em nenhum momento, mas isso é o tradicional das comédias, então nem podemos esperar muito também.

As escolhas musicais caíram bem com cada ato, variando desde canções mais antigas até hits de sucesso no momento, e com isso o longa se torna tradicional para envolver todas as idades que forem ao cinema conferir, dando a dinamicidade que o filme tem de ter e colocando o ritmo até um nível acima do que uma comédia deve ser, mas que acabou como uma opção do diretor.

Enfim, foi até mais agradável do que esperava, e me divertiu bastante com o que foi mostrado. Recomendo ele mais para quem gosta de comédias mais escrachadas do que para quem esteja esperando algo mais romantizado. Claro que algumas besteiras poderiam ter sido eliminadas, mas não daria a mesma precisão nas gagas escolhidas. Vale a pena o ingresso para se divertir com as belas protagonistas e rir do sofrimento causado ao pobre homem que resolveu mexer com as mulheres erradas. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora mas nessa semana ainda temos mais 2 estreias para conferir, então abraços e até mais.


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De Coração Aberto

5/10/2014 12:40:00 AM |

Depois de dois Festivais Varilux mais diversos filmes franceses sendo exibidos no Brasil, já começo a nem mais me assustar com finais diferentes que o cinema francês me proporciona, pois a filosofia deles é se o filme não é uma comédia dramática, e sim somente drama, é se preparar para algo trágico em alguma das fases do filme e apenas aguardar a forma que irão fazer. E com o filme "De Coração Aberto" já estava até pensando que poderiam fazer algo diferente do modelo tradicional, mas bingo, alguns espectadores da sala estranharam, mas foi até mais comum do que esperava. O longa em si é trabalhado mais pelo drama que algo inesperado pode causar e claro que o fator álcool influenciava e muito na profissão do jovem, mas na vida pessoal acabou um pouco forçada a inclusão da bebida como vilã de um relacionamento.

O filme nos mostra que Mila e Javier estão casados há 10 anos e se amam loucamente. Mas Mila fica grávida contra todas as probabilidades e a ideia de uma criança perturba o equilíbrio do relacionamento e faz o casal ver sua relação de perspectivas diferentes.

A história demora um pouco para entrar nos eixos, pois tentam nos apresentar que ambos são cirurgiões renomados dentro do hospital, em seguida mostrar o problema alcoólico de Javier, até que adentra o problema, que já poderia ser considerado um absurdo monstruoso, já que ambos são médicos e falar em aborto nessa situação, é algo que não convence ninguém. Mas até aí tudo bem, já que por ser um filme baseado em um livro, a diretora nem poderia mexer tanto na história e aí é que entra o ponto crucial, que por ser uma mulheracabaria jogando na protagonista feminina a maior carga dramática e mesmo com uma atriz do nível de Binoche, sua Mila é simplória demais, e tirando uma ou duas cenas que mostra a que fez valer toda interpretação que sabe mostrar, a diretora tentou aproveitar mais o fator bebedeira do protagonista e com ângulos mais frouxos não fez do filme francês nem 1/10 de sua capacidade de impressionar o público, mesmo numa cena final bem bonita.

Falando da atuação, nem vou focar tanto nos coadjuvantes que aparecem em momentos espalhados pela trama e alguns até forçam para não mostrar qualquer interpretação boa que seja. Como falei um pouco de Juliette Binoche, qualquer um que já tenha visto o pior de seus filmes sabe que a atriz consegue chamar a atenção pra si com a mais singela das interpretações, e com isso seu potencial é enorme, mas aqui parece estar sempre em segundo plano mesmo sendo a protagonista da trama, não coloca em pauta nenhum momento assim que falamos nossa que show, tendo como disse alguns momentos bacanas, mas ainda assim longe da grande atriz do cinema francês que conhecemos. Édgar Ramirez até agrada nos seus momentos desesperadores quando está embriagado e parte para cima da protagonista com diálogos verborrágicos e bem trabalhados, mas sem procurar solução para o problema, a trama acaba arrastada nos momentos que faz cara de piedade e logo em seguida já está novamente aprontando, além disso, por ser um médico conceituado, suas atitudes frente ao diretor do hospital parecem mais infantis que qualquer um faria diferente, então faltou pra ambos os protagonistas uma centralidade mais interessante nos papéis para que agradassem de forma mais convincente.

Posso estar enganado, principalmente pela França nos passar como um país desenvolvidíssimo a impressão de que tudo é muito bem feito, e em diversos diálogos quando falam que vão para a América do Sul, mais uma vez pejorativamente colocando como tudo aqui sendo selva, e dizendo que a medicina lá está evoluída e tudo mais, que o hospital da trama mesmo sendo público ficou um pouco a desejar, parecendo que nas cenas de cirurgia estão fazendo tudo num quartinho escuro com um único equipamento, e se na casa do casal já não havia quase nada para aparecer com uma mudança de 2 minutos fica mais vazio ainda de elementos cênicos, importando apenas as garrafas de bebida que isso sim a geladeira está repleta. Então cenograficamente valem as cenas no bosque e a cena final que foi mais bem trabalhada artisticamente, pois tirando elas temos algo mais simples ainda que o roteiro. A fotografia também foi simplista em não exagerar na iluminação de quase nenhuma cena, deixando até certos momentos escuros demais, porém como falei antes por ter uma cenografia simplória, é possível que tenha sido usado dessa forma para não revelar muitos defeitos cênicos.

Enfim, um filme que segue uma linha bacana e interessante, mas que foi aproveitado bem pouco para o potencial dos atores e de tudo que poderia ser construído. Não posso dizer que recomendo fielmente o longa, mas também não é nada que seja de jogar fora, valendo conferir em momentos que não tiver tantas outras opções. E pra quem quiser ver ele em Ribeirão Preto, está em cartaz no Cine Belas Artes, então fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda tenho 3 estreias dessa semana para conferir, então abraços e até breve.


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Las Acacias

5/09/2014 01:03:00 AM |

O cinema argentino é um dos poucos que conseguem nos colocar em situações inusitadas, montar um filme totalmente simples e ainda assim nos encantar, não necessitando de um roteiro trabalhado em diálogos, atores fazendo trejeitos para as câmeras e muito menos orçamentos estourados para fazer com que uma história agrade a todos numa sessão única e reconfortante. Com essas palavras praticamente resumo o filme "Las Acacias", onde o diretor nos coloca quase imersos à cabine do caminhão junto dos protagonistas viajando por dois países quase sem diálogos e impressiona pela sensibilidade que sua câmera consegue captar nessa viagem.

O filme nos mostra que Rubén é um caminhoneiro que transporta madeira entre Asunción, no Paraguai, e Buenos Aires, na Argentina. Ele faz esse mesmo trajeto há anos, sempre solitário e silencioso. Um dia, no entanto, ele aceita dar carona a uma mulher desconhecida até Buenos Aires. Mas Jacinta, sua companheira de viagem, aparece uma hora atrasada, e com um bebê no colo. A primeira impressão de Rubén não é nada positiva: ele imagina passar longas horas ao lado de um bebê chorando e de uma pessoa por quem ele não tem o menor interesse. Aos poucos, no entanto, Rubén e Jacinta começam a trocar as primeiras palavras, e a se conhecer melhor.

A história em si é bem simples, pois ao que tudo indica para dar errado, e ao mesmo tempo também muito certo, a trama foi elaborada para ir num ritmo devagar, mas que não chega a cansar, pois os atores vão se conhecendo bem lentamente e assim como numa viagem normal, com pessoas tímidas ou que tiveram algum problema, as palavras só vão saindo ao acaso e necessitam claro de alguns empurrões para que algo fique interessante, aí é que entra Nayra, ou Anahi com toda graciosidade de um bebê que exigiu demais da produção pelas curiosidades passadas, mas que deu todo um resultado impressionante no longa de estreia de Pablo Giorgelli à frente da direção. Outro fator que incomoda, mas tem todo um contexto interessante é o barulho do motor do caminhão que diferentemente do que muitos fariam para minimizar problemas, aqui tudo é real, e as câmeras bem escolhidas em pontos estratégicos captaram detalhes que nenhum outro modelo poderia fazer a impressão passada.

No quesito atuação, muitos poderiam até falar que faltou química ou até mesmo dinamicidade entre os protagonistas, mas é justamente esse o grande acerto do filme, portanto Germán de Silva foi satisfatório ao incorporar um caminhoneiro tradicionalista que só vive em seu mundo fechado dentro do caminhão, viajando mudo e esquecendo tudo que acontece fora dali, sua expressão fechada recai perfeitamente nos momentos exatos e quando se abre para a mini protagonista é de um deslumbre só. Hebe Duarte era assistente da diretora de elenco, e estreando do outro lado da câmera conseguiu emocionar o público sendo uma mulher comum imigrante a fuga de um lugar melhor para viver com sua filha e as características da atriz nos impressiona por não ser alguém que chame a atenção fisicamente, mas seu jeito e pausa na forma de falar agrada demais a ideia do filme, tanto que acabou abocanhando o prêmio de atriz revelação da Academia Argentina de Cinema. Agora sem dúvida alguma o destaque do filme é Nayra Calle Mamani que fez a produção toda trabalhar horrores e um filme que tecnicamente seria gravado em 3-5 dias no máximo acabou durando 5 semanas por depender das vontades da criança para fazer exatamente as expressões que precisavam para a trama, e isso ficou muito bacana de ver no filme, divertindo a todos sem exceção, até quem não curtir crianças vai se divertir com as expressões da garotinha.

O visual do "road-movie" é bacana e nos lembra um pouco as viagens pelo interior do Brasil, onde só se vê mato, apesar que aqui só se vê cana, ao contrário de pastagens como lá. E todas as paradas mostram lugares pobres, mas que entram para história com detalhes únicos no momento certo que cada item vale ser ressaltado e de forma bem inteligente com elementos cênicos precisos para que não forçasse o espectador a nada, apenas mostra, está ali e entenda como quiser cada ato. Por ser um filme inteiramente em movimento, a fotografia não pode se preocupar muito, então temos reflexos e iluminações precárias em alguns momentos, mas em momento algum isso atrapalha nosso apreço pelo que vemos na tela.

Enfim, é um filme que ou você vai se conectar com ele, por ser tímido, por gostar de criança, ou apenas por ser algo simples e bem feito, ou vai odiar, como vi também algumas pessoas na sala. Então se você se encaixa em algum dos três perfis que citei, assista, senão talvez o filme pode acabar se tornando um martírio visual como costumo definir filmes que parecem não ter dinâmica com poucos diálogos e cenários quase únicos. Como me encaixo em 2 dos 3 quesitos, adorei o que vi e recomendo bastante. Bem é isso pessoal, infelizmente o Festival SESC Melhores Filmes terminou aqui na cidade, em algumas outras continua tendo, mas agora é conferir as estreias normalmente todas as semanas e aguardar o próximo Festival que aparecer por aqui. Abraços e até breve com mais filmes que estrearam por aqui.


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O Abismo Prateado

5/07/2014 11:51:00 PM |

Se existe um estilo de diretor que revolta esse Coelho que mora nos cinemas é aquele que não gosta de deixar sua opinião no seu próprio filme, largando todas as arestas possíveis abertas para que o espectador decida o que acha que ocorreu, e reflita milhares de dias depois sobre o que achou do filme. Karin Aïnouz é um exemplo claro desse estilo, e seu filme "O Abismo Prateado" que é baseado livremente na canção "Olhos nos Olhos" de Chico Buarque pode ser considerado assim como muitas outras obras de sua filmografia, um recorte do cotidiano de alguém, que em um momento específico sofre algum problema, geralmente algo bem usual, e nos mostra suas causas e efeitos do que fazer nesse momento.

O filme nos mostra que Violeta é uma dentista e tem um filho adolescente com Djalma, com quem é casada há 14 anos. Ela acaba de se mudar para um apartamento em Copacabana e, após uma pausa na sua clínica, encontra uma mensagem na caixa postal de seu celular. A mensagem foi gravada por seu marido, que avisa que estava deixando-a e partindo para Porto Alegre. Ele pede para que Violeta não o siga, mas ela não segue o conselho e passa um dia pelo bairro procurando por Djalma. Até que finalmente ela decide viajar para tentar encontrá-lo no Rio Grande do Sul.

O problema desse filme particularmente, é que o drama é algo tão comum da vida moderna que sem a impressão própria do diretor, acaba parecendo é que o filme aconteceu apenas, tendo passado tão rapidamente os 83 minutos do longa que ao acabar você olha para as pessoas ao redor apenas indagando: "Está subindo os créditos mesmo?", pois naquele momento que aparentava o longa começar a tomar um sentido com a protagonista fechando seu momento de euforia pós-caos, é encerrado o filme, ou seja, o que podemos concluir novamente sobre a ideologia do diretor é nos mostrar exatamente as reações de uma mulher, escolhida entre qualquer outra, que poderia ou não ter reações dessa forma, ao descobrir que sua base de 14 anos apenas foi embora deixando o vazio, não vai importar pra ele o que ela vai fazer agora, se vai procurar um outro alguém, se realmente vai esperar o marido voltar, se vai viajar mesmo após o período de surto, nada, o diretor não quer pensar nisso, quer deixar que você tire suas próprias conclusões do que faria nessa situação. E como já falei aqui no site diversas vezes, pra minha pessoa pessoalmente isso não se chama alegoria criativa e sim frouxidão com medo de sua ideia para um fim ser fraca e questionada depois, mas temos vários outros exemplos que preferem essa forma, então fazer o que é ver e falar ok, assisti o filme.

O melhor desse estilo de filme costuma ser ao menos de grandes atuações, e Alessandra Negrini se doa completamente ao personagem, fazendo com que em momento algum víssemos a atriz Alessandra, mas sim a mulher Alessandra agindo, pois poderia ter sido colocado no papel qualquer mulher com presença marcante que recairia sempre na visão do diretor de querer deixar que o público interprete e não a atriz ali em si, e com isso ela nos convence bem. Otto Jr. faz um papel tão aberto que em momento algum chegamos à conclusão do que poderia ter levado à sua desistência após 14 anos de casamento e com cenas desnecessárias de nudez, afinal não servem para nada no longa, acabou entrando de enfeite na história assim como o filho do casal. Agora a jovem Gabi Pereira juntamente com Thiago Martins deram um bom sentido para a trama, transmitindo boas sensações para a protagonista com trejeitos humildes e bem corretos para o momento, claro que num Rio de Janeiro atual não acredito muito em momentos assim, mas agrada bem a forma passada pelos dois.

O visual da trama nem podemos dizer que foi trabalhado em essência, pois ao montar um contexto cotidiano, a atriz vive seus atos com sua casa apenas mostrando que acabou de mudar, sem ter elementos que chamem qualquer outra atenção que não seja pra isso, uma obra sendo construída assim como o que pode acontecer com a personagem, uma praia e uma boate noturna que realçam os momentos felizes e o reencontro da personagem com seu próprio eu, e finalmente um aeroporto vazio que é algo até estranho de ser visto numa capital e assusta com a mensagem simbólica que pode representar, ou seja, embora tenhamos poucos elementos físicos, os locais assumem o trabalho de auxiliar na interpretação dos fatos. A fotografia utilizou bem pouco de elementos figurativos, optando mais pela forma tradicional de iluminação, não tendo nenhum detalhe que merecesse destaque sem ser os focos e desfoques na protagonista.

Enfim, é um longa que vale ser conferido apenas se você quiser pensar muito sobre como agiria frente a situação de abandono, pois nem a canção tradicional de Chico é bem interpretada pelos protagonistas para que saiamos felizes da sessão. Como disse no início, o longa acaba sendo vazio por faltar uma força trabalhada que nos determinasse a não ficarmos apenas no cotidiano e sim saíssemos dele para a opinião do diretor. Bem é isso pessoal, recomendo somente dessa forma o filme e fico por aqui hoje, amanhã estarei conferindo o último filme do Festival SESC Melhores Filmes aqui na cidade e já estaremos nos preparando para acompanhar os próximos que poderão surgir por aqui, então abraços e até breve pessoal.


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Pais e Filhos

5/07/2014 01:58:00 AM |

Quando vamos à Festivais é impressionante o quanto não conhecemos filmes de países que acabam nem entrando em nosso circuito comercial limitado, principalmente no interior, e com isso algumas vezes somos surpreendidos com filmes brilhantes e que mesmo mantendo uma simplicidade acabam nos emocionando por saber principalmente trabalhar bem o roteiro em um tema bonito e interessante. Com "Pais e Filhos", o drama mote da trama já foi bem batido aqui em novelas nacionais e até mexicanas, mas por trabalhar mais com crianças e com uma cultura duríssima que é a japonesa, o filme acaba nos tocando até mais do que imaginávamos.

O filme nos mostra que Ryota é um arquiteto obcecado com o sucesso profissional. Tudo o que tem conseguiu através do seu trabalho e acredita que nada pode impedi-lo de seguir a sua vida como um perfeito vencedor. Até que um dia, ele e sua esposa, Midori, recebem um inesperado telefonema do hospital. Keita, seu filho de seis anos, não é seu filho de verdade – o hospital lhes deu o bebê errado. Ryota será obrigado a tomar uma decisão que poderá mudar sua vida: escolher entre "natureza" e "criação". Vendo a devoção de Midori com Keita, mesmo depois de saber sua origem, e ao entrar em contato com a família rude, porém carinhosa, que cuidou de seu filho natural todos esses anos, Ryota começa a se questionar: será que ele realmente foi um "pai" todos esses anos?

A sensibilidade que o diretor Hirozaku Kore-Eda nos entrega em seu filme é de um primor impressionante, pois todos que conhecem descendentes de japoneses sabe que aqueles que colocam como metas na vida profissional, vão duro em segui-las esquecendo todo o restante familiar, etc., sendo certos até demais com tudo, e aqui o protagonista nos é mostrado exatamente dessa forma. Porém a doçura mostrada nas crianças, que com uma interpretação monstruosa a qual o diretor com certeza orientou bem até demais, derruba o coração de qualquer um, e se a pessoa não tiver se emocionado em qualquer cena, nas cenas finais da câmera um cisco com toda certeza irá trombar em seus olhos. O ponto de discussão sobre pai é quem cria já foi tema de discussão de diversos programas, novelas, filmes e tudo mais que pensarmos, mas pela primeira vez vi um longa trabalhar de forma tão convicta algo em torno de laços sanguíneos, acredito que seja mais pela cultura japonesa ser tão forte nesse estilo, então todo o valor mostrado no filme agrada bastante e bate com força na montagem escolhida pelo diretor por abordar tudo com olhos bem abertos, tirando é claro o motivo da troca que acabou fraco demais.

Embora o filme tenha toda a doçura e agrade bastante, não podemos deixar passar um pequeno erro que até pode ser explicado por alguns como existente normal, mas é notável que ambos os garotos não possuem 6 anos, não digo apenas pelo tamanho deles, mas pelo desenvolvimento criativo de Shôgen Hwang que é dinâmico nas brincadeiras e já entrou na famosa fase dos porquês que tanto irrita muitos pais, com isso o garoto até se sai melhor, mesmo ficando em segundo plano em alguns momentos. Não consegui nenhum dado mais forte sobre a idade real deles, mas precisariam ter trabalhado um pouquinho mais nesse quesito, não que tenha atrapalhado nada, mas quem quiser achar defeito é só começar por esse ponto. A forma de discurso de Keita é muito bonita e nem parecem tão jovem, agradando na medida, mas é risível sua forma robótica de caminhar na última cena do filme, poderia ser mais suave que ficaria mais bonitinho. Quanto dos adultos, Masaharu Fukuyama foi metódico como deveria ser em seu papel, e construiu um semblante focado e sem erros, onde até impõe medo em certos momentos. Ao oposto Lily Franky fez um papel totalmente irreverente, onde o famoso pai bobão entra em ação, brincando com seus filhos como se não houvesse amanhã, e felizmente toda essa vida bagunçada dele agrada sendo verossímil sua interpretação. Machiko Ono até tenta nos emocionar com o sofrimento de mãe, mas quem conhece sentimentos maternos não abriria mão tão fácil como ela, e traria mais sentimento para a personagem. O mesmo podemos dizer de Yôko Maki, mas seus trejeitos afetivos ao menos ficaram mais suaves, agradando em alguns momentos.

O visual da trama trabalha bem as diferenças entre as famílias utilizando de elementos cênicos precisos e em grande número, iniciando pelas casas, e todo o conteúdo, mas o mais importante acaba recaindo sobre os brinquedos e brincadeiras familiares que mostram até mais do que um simples visual, funcionando como parte do roteiro e agradando na medida certa todo o conteúdo que a direção de arte trabalhou junto da direção de forma importantíssima para o filme. Além disso, os passeios sempre regados a brincadeiras e comidas tradicionalmente caras ficaram bem montados. A fotografia mesclou cores para colocar a família mais pobre como mais alegre e tonalidades cinzas para a família mais séria e rica e com isso trabalhou bem a nossa perspectiva em não ficar preso somente no roteiro, mas colocando todo o conteúdo visual para trabalhar a favor do longa.

Enfim, um filme gostoso de ver, que parecia ser bem mais forte, mas suavizou bem o tema, sem perder claro toda a emoção que deve passar. Vale com toda certeza assistir assim que for possível não só pela minha recomendação, mas pela simbologia de vida que o filme pode passar. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas ainda dos 4 filmes que faltam passar no Festival SESC Melhores Filmes, ainda há 2 que não vi, então em breve teremos mais posts por aqui, abraços e até breve.


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São Silvestre

5/06/2014 09:25:00 PM |

Já vi muita coisa ser chamada de filme e passar nos cinemas, mas com o "documentário" "São Silvestre" foi abusar demais da ideologia de documentar um fato ao pé da letra, acompanhando mais de 20 minutos de caminhada, passeio por São Paulo para chegar ao local de largada da prova, mais cerca de 60 minutos de prova num dos anos mais chuvosos da competição. Tudo isso sem dizer ao menos 15 palavras, quanto menos uma frase entendível que seja. Ou seja, por muito pouco minha paciência de cinéfilo viciado não desligou meus olhos frente a somente música clássica tocada acompanhando a corrida por diversos ângulos, sempre em primeira pessoa, o que faz parecer que estamos correndo a prova, porém com um diferencial: não cansamos o corpo por ter corrido os 15km, mas sim a mente por aguentar mais de 80 minutos vendo somente pessoas por todos os seus lados sem acontecer absolutamente nada.

O documentário pretende reproduzir a sensação de participar da maratona de São Silvestre, a maior corrida a céu aberto da América Latina, realizada anualmente em São Paulo, dia 31 de dezembro. Com uma câmera acoplada ao corpo do ator Fernando Alves Pinto, o filme busca captar o cansaço, a velocidade, o suor, a respiração e o movimento dos atletas.

Com essa sinopse, não posso considerar o que vi como um filme, pois seria desonrar com tudo que estudei e sei de todo o trabalho que dá fazer a menor produção que seja, por isso que a ideia de Glauber Rocha de que com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça se faz um filme, que alguns malucos resolvem adotar fielmente, é algo que não dá para aceitar. A ideia da diretora Lina Chamie aqui se era mostrar a competição pelos olhos de um competidos até é válida, mas colocar o longa como algo importante na filmografia nacional, e mais ainda, dentro de um Festival denominado Melhores Filmes, é pretensão e divulgação demais para algo que não compensa ser visto nem na TV aberta quanto mais que alguém pague para ver ele.

Mas se pudermos avaliar ao menos um ponto bom, está no esforço do ator que fica em foco por diversos momentos por estar com a câmera principal presa ao seu corpo, que por sinal é algo de uma excelente qualidade pelas imagens bem detalhadas que conseguiu captar e mais nada, pois como disse não temos algo forte para representar aqui, pois se quisessem poderiam trabalhar depoimentos, mais imagens de arquivos, entre outras coisas, que constituiria algo mais interessante, mas infelizmente a proposta foi outra e não agradou de forma alguma, mesmo contando com trilhas bem escolhidas, que inicialmente se encaixam com os lugares por onde a câmera está passando, mas depois apenas vira, desculpem o palavreado, um barulhão desnecessário para acompanhar as imagens, e somente devido a ele acredito que acabei não dormindo na sessão.

Bem pessoal, como já falei algumas outras vezes, não gosto de falar mal de filmes nacionais, pois nunca se sabe o dia de amanhã e posso até trabalhar com diretores, mas repito que como não irei considerar esse como um filme em si, não recomendo ele de forma alguma, a não ser que esteja precisando de um sonífero composto de obras primas musicais somada a imagens da selva de pedra chamada São Paulo invadida por um formigueiro humano. Fico por aqui agora, mas vamos lá para a sala acompanhar agora um longa japonês. Então abraços e até daqui a pouco.


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Um Estranho no Lago

5/06/2014 01:27:00 AM |

Não tenho nada contra filmes com a temática homossexual, porém é preciso saber dosar o que é artístico dentro de um contexto cinematográfico e até onde não vira um pornô explícito gay. Com "Um Estranho no Lago" que devido aos prêmios em Cannes 2013 acabou vindo junto do Festival SESC Melhores Filmes para Ribeirão, a sorte é que uma mãe mais ligada percebeu logo pelas primeiras cenas de nudez que deveria remover seu filho o quão rápido da sala, pois em questão de alguns minutos seguintes o que é mostrado vai muito além da nudez mostrando explicitamente tudo que você possa pensar em um único filme, cujo se tivesse mantido a proposta original de ser um longa sobre um crime ocorrido dentro do meio homossexual, com muita certeza continuaria com a mesma intensidade, e não acabaria virando motivo de risadas dentro da sala de cinema, pois muitos já estavam achando que o que estavam vendo era um filme de assassinato dentro de um filme pornô ao invés do que deveria ser o contrário.

O filme nos mostra que em pleno verão, um lago é usado como praia nudista por vários homens homossexuais. Eles sentem-se à vontade no local e usam o bosque ao lado do lago para ter relações sexuais. Um dos frequentadores mais assíduos é Franck, que um dia faz amizade com Henri, um homem solitário que vai ao lago em busca de paz, sem ter qualquer interesse em outros homens. Com o desenrolar dos dias e as conversas constantes, eles se tornam amigos. Só que Franck se apaixona por Michel, um novato no lago, sem saber que ele é uma pessoa perigosa.

O roteiro em si pode ser resumido totalmente dentro da sinopse sem por nem tirar uma agulha, colocando apenas os exagerados planos explícitos que o diretor optou em filmar. Não sei se estaria falando bem de um longa do mesmo estilo porém heterossexual, mas com certeza ainda reclamaria da falta de determinação do diretor em manter a história dentro de um drama policial, seja ele de qualquer temática, pois parece que o filme até vai seguir um mote, mas ele acaba sendo deixado de lado para mostrar que o lago é apenas um lugar de pegação, onde alguém pode se apaixonar por outro alguém, mesmo que essa pessoa seja um ser completamente com políticas erradas, independente das escolhas sexuais dela. E com isso em mente, quem quiser ver um pornô gay explícito com nuances policial em segundo plano, saiba que existe um filme assim, só recomendo que vá sabendo o que vai ver.

Os protagonistas até possuem alguns bons diálogos incisivos e se dão ao máximo trabalho de protagonizar todas as cenas com a maior verossimilhança possível, claro que não vamos entrar em detalhes sobre cada ato específico, mas analisando o modo interpretativo das cenas mais voltadas para o modo policial da trama, Pierre Deladonchamps consegue manter um olhar de suspense em todas as cenas de interrogatório e se controlar bem frente aos momentos mais tensos da trama, o que faz dele um ator interessante no quesito interpretativo. Patrick d'Assumção faz um personagem estranho frente ao filme e acredito até que o nome do filme recaia mais sobre o seu personagem que do assassino em si, como o estranho, pois num lugar onde acontece certas coisas, a pessoa ir apenas observar um lago não é algo normal, e com diálogos bem pautados com o protagonista, seu final era praticamente certo e convence bem. Agora Christophe Paou é o típico ator que poderia fazer algo completamente diferente que seria culpado de tudo, sua cara não nega ser o vilão de uma trama, e para ajudar ainda é a pessoa com diálogos mais frouxos da história, cabendo ser apenas o que é no filme. Jérôme Chappatte é o policial mais fraco também de qualquer filme que já tenha visto, o que deixa a entender que o diretor não queria mesmo que seu filme fosse um policial, mas sim algo além disso.

Visualmente a locação foi muito bem escolhida, com um lago magnífico em meio a montanhas e um bosque, mas as cenas são tão repetitivas, que já começamos a ficar cheios de ver o estacionamento na terceira vez igual que o carro do protagonista chega, e acho que depois disso ainda aparece a mesma cena mudando apenas a roupa e a quantidade de carros estacionados, umas 10 vezes no mínimo. Além disso, como é um filme naturista onde as pessoas só importam estando nuas ou seminuas, não existe praticamente nenhum objeto que importe para a trama, a não ser uma faca nas cenas finais, ou seja, equipe de arte teve apenas que escolher um local e deixar que o diretor fizesse sua loucura lá. A fotografia trabalhou bastante, que por ser um lugar ermo, com certeza iluminação foi algo difícil de fazer, principalmente nas cenas mais escuras, e acertadamente, os momentos mais tensos são bem feitos com pouca iluminação, mas cabendo o que precisa ser mostrado.

Enfim, esse ano Cannes resolveu ser uma premiação totalmente GLS e não sei até que ponto as escolhas foram as mais acertadas, como disse, a história não vale como filme policial em si, mas a tentativa até que poderia ter sido melhor aproveitada. Quem quiser, assista sabendo o que verá, e talvez procure entender melhor a trama que é bem curta e simples de captar, mas ainda assim não recomendo o filme. Fico por aqui agora, mas nesta terça a noite teremos mais filmes do Festival SESC Melhores Filmes para acompanhar. Abraços e até breve pessoal.


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Corda Bamba - História de uma Menina Equilibrista

5/05/2014 09:18:00 PM |

Some a magia do circo junto da inocência de uma criança mais o equilíbrio que devemos ter frente a algum problema e tenha como resultado o que podemos considerar como o mote do filme "Corda Bamba - História de uma Menina Equilibrista". Porém o que poderia ser algo bem adocicado e infantil, passa a recair sobre a melancolia da garota e com isso somos levados a um mundo imaginário onde suas lembranças não são tão agradáveis fazendo com que esse mundo de magia desabe para a realidade onde algo bom não ocorreu.

O filme nos mostra que Maria é uma menina de dez anos que nasceu no circo, filha de equilibristas, e que precisa lidar com uma difícil passagem em sua vida. Ela vai morar com a avó, na cidade, e não consegue lembrar de seu passado. Da janela do seu quarto, ela atravessa sobre uma corda bamba para a dimensão do imaginário, onde irá recuperar sua memória e encontrar a possibilidade de seguir adiante.

O tema em si é belíssimo e agrada por vivenciar texturas, cenografias e recai com muita vida para a garota em seu momento de lembranças, e o diretor e roteirista estreante Eduardo Goldenstein trabalhou esse imaginário de uma forma bem interessante, colocando ao mesmo tempo a fantasia e a melancolia da garota para criar os elementos de seu drama, e com isso, os planos incorrem para uma vertente mais abrangente que não fica lúdica, mas permeia entre o real e a tentativa da garota para lembrar do seu passado que tentou apagar. Com esse misto diferenciado, ele apaga a magia sem recorrer de clichês cômicos, como a maioria faria, e acaba apelando para o drama do absurdo, que não é fácil de ser interpretado. E assim um filme que aparentava ser infantil, e até alguns pais acabaram levando crianças para a sessão, acaba triste e com alguns até chorando no final.

O trabalho dos atores foi um ponto de interrogação na trama, pois controlar uma criança para que mantenha o semblante sempre apático frente a tudo que ocorre é algo dificílimo, e a jovem Bia Goldenstein estreia no cinema conseguindo fazer isso em alguns momentos, mas nem todos, o que acaba não desmerecendo sua atuação que com certeza agradou em muito o pai diretor que em princípio era contra a filha atuar no longa. O humorista Cláudio Mendes agrada pela ternura que passa para a protagonista e poderia ter sido mais presente na trama, afinal seu personagem é algo icônico nos circos mambembes. As bobeiras de Augusto Madeira mantém demais o tradicional e poderia ter sido mais irreverente para chamar atenção em suas poucas cenas, mas acaba saindo como o tradicional animador de festa infantil ruim. Enquanto Stella Freitas em certos momentos nos remete à bruxa de "João e Maria" e forçou um pouco sua expressão, há certos momentos que sua atuação é interessante para o momento, porém poderia ter soado menos falsa na maioria das cenas, evitando certos trejeitos. Os pais Gustavo Falcão e Georgiana Góes são tradicionais pessoas de circo e aparecem tão pouco que seus diálogos até são importantes para a trama, mas acabam nem valendo destacar nenhum ponto de sua atuação.

A direção de arte optou por elementos bem coloridos nos sonhos, o que acabou diferenciando bem a trama, e agradando bastante em número de alegorias, referenciando cada ato por algo simbólico e nos orientando para que rumo seguirá o filme. A fotografia está baseada em pontos de destaque, para que o foco não destoe de onde o diretor quer que olhemos, e isso ficou bacana de ver, pois acaba ficando no estilo bem circense.

Enfim, um filme nacional bem interessante que agrada pelos simbolismos que nos é mostrado e só é uma pena que seja de tão fácil descoberta do que ocorreu, pois se fosse algo mais surpreendente como aparenta em certo momento do filme, acabaria agradando bem mais. Bem é isso pessoal o que tenho de falar dele, acabo recomendando o primeiro longa do diretor para todos, e quem sabe no próximo corrija alguns detalhes e agrade mais, fico por aqui agora, mas daqui a pouco tem mais uma sessão para conferir do "Festival SESC Melhores Filmes - Circuito 2014", então abraços e até breve.


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Mataram Meu Irmão

5/04/2014 10:54:00 PM |

O olhar documental de um diretor pode ser trabalhado sob vários aspectos, mas temos de ter a cautela em checar antes tanto o que observamos quanto aonde ele desejava chegar. Com "Mataram Meu Irmão", temos uma vertente ao mesmo tempo sensacionalista por apresentar lembranças de uma família de um ocorrido 11 anos atrás, mas também ligamos os fatos à forma de consolar e ao mesmo tempo unir os vértices perdidos pelo próprio diretor ao mexer na sua própria ferida. E com os depoimentos, emotivos claro, ele consegue relembrar de seu irmão cujo agora só tem a ossada ajuntada com diversos outros por um serviço ineficiente dos órgãos que cuidam dos cemitérios, e tenta explicações de o porquê ele ter morrido assim.

Reconstituindo os detalhes da morte de seu irmão, Rafael Burlan da Silva, ocorrida há 12 anos, o cineasta Cristiano Burlan lança-se em uma jornada pessoal que conduz ao coração de um círculo de violência em torno dos bairros da periferia paulistana, como o Capão Redondo. É lá que morava a família e onde o irmão, de 22 anos, foi morto com sete tiros em 2001. Explorando as razões do envolvimento do irmão com drogas e roubo de carros, o diretor expõe partes de sua própria história familiar.

O fato é, até que ponto o longa pode ser considerado como algo atrativo para o público, mas se olharmos dessa forma eliminaríamos diversos filmes, então colocando como pauta de ser um filme de Festival, que inclusive ganhou vários prêmios, a análise parte para outra vertente, a forma emocional que fez com que o longa arrebatasse os prêmios, pois o diretor mostrou ser bom em capturar os fatos e acredito que cumpriu bem o que queria, descobrir mais sobre o seu irmão, e a condução dos fatos ao mesmo tempo vão revelando como a periferia é violenta e um dos depoimentos, o mais centrado do documentário do rapaz na praia, afinal não são colocados nomes durante a exibição apenas um coletivo nos créditos, diz tudo sobre a família, como eram as coisas, e faz ele e o público que está assistindo enxergar um horizonte maior além do que somente o diretor queria encontrar, e ao botar os pingos nos is, o filme acaba tendo um cerne muito atrativo e envolvente que foi fechado da forma que deveria com o encontro final do diretor.

O longa agrada bastante com a história mostrada, cumpre com a missão de montar os fatos, faz o público de festivais feliz com o que está vendo, mas agora alguns momentos poderiam ter sido bem limpados que agradariam bem mais, por exemplo os com a câmera nas mãos da prima do diretor em Uberlândia que ficou parecendo aqueles abusos que jornalistas fazem de sair correndo com a câmera na mão para presenciar um fato, e quando o diretor a questiona perguntando se ela que irá dirigir o filme agora, a resposta dela sai como uma voadora em jornalistas que afirmam saber fazer filmes: "Se dirigir é assim fácil, então eu vou".

Enfim, é um recorte interessante da forma que alguns podem fazer filmes, buscando suas origens, retratando algum acontecimento e linkar com fatores da sociedade. Com essa ideia, o longa até é bacana, mas está bem longe de ser o melhor em algum quesito. Não vi os demais candidatos do Festival É Tudo Verdade, cujo o filme sagrou-se ganhador, mas depois de ver ele agora, nem fiquei mais com vontade de saber o que mais foi apresentado. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas amanhã teremos mais filmes do "Festival SESC Melhores Filmes - Circuito 2014", então abraços e até mais.


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Educação Sentimental

5/04/2014 01:21:00 AM |

Olha, sou um defensor nato da produção nacional vingar e serem lançados muitas centenas de filmes em cadeia nacional, e claro que o governo sempre fomente devolvendo nossos impostos para a cultura, mas se for para diretores malucos ficarem fazendo filmes experimentais ridículos, pode ficar tendo apenas 1 ou 2 artístico e o restante as comédias novelescas bobas mesmo, pois é lastimável ver um filme que tenta passar a ideia das diversas artes expurgando seus demônios em algo mal feito de 65 minutos apenas de filme e mais 15 minutos de cenas por trás das câmeras para ser considerado um longa, que gastou sabe lá quanto do dinheiro do governo para nada. Pois bem, disse praticamente tudo de "Educação Sentimental", um longa que começou a sessão do Festival com umas 60 pessoas e terminou com bem menos de 40, e que não tem praticamente nada do que ser dito, pois é uma confluência de textos recitados pela protagonista com um olhar perdido, onde a relação entre os protagonistas é uma incógnita desajeitada da mesma forma que as danças feitas para nada.

O filme narra a relação singular entre Áurea, uma professora solitária de 40 anos, e um jovem que ela acaba de conhecer por acaso – um desses encontros que a mitologia e a literatura estão fartos, uma alma sensível que se vê atraída por uma beleza que a solicita, a perturba, a move. Que a abala toda. Nos dias que se seguem ao primeiro diálogo entre os dois, ela irá mostrar todo o seu sentimento através de aulas em que ele se deixará levar até que uma história inusitada do passado se revela e transforma tudo dali por diante.

O longa poderia ser agradável se não caísse para o lado experimental, se o diretor tivesse poupado loucuras e feito um drama comum com a mesma história teríamos algo estranho ainda, mas ao menos convincente que agradaria a todos que estivessem na sessão, e não criaria uma debandada em massa que fez até um funcionário do cinema entrar na sala para ver o que estava ocorrendo. Bom, só por falar em modo experimental, nem preciso dizer de planos desfocados, com cartolinas fazendo formas geométricas, entre outros tipos de bizarrices que é melhor nem ficar citando, pois a cada 5 minutos eu só me via chacoalhando a cabeça inconformado de estar vendo o que via na tela.

Quanto da atuação, fica a dúvida de o que o diretor quis passar ao pedir para Josi Antello olhar para o nada em diversas cenas e ficar ditando, no melhor estilo da sua profissão de professora, textos e poesias a esmo, e mais para o final ficar dançando no estilo de incorporação de uma pomba-gira, ou seja, se recebeu um cachê pequeno se queimou a toa. Bernardo Marinho é quase um objeto de cena em diversos momentos, e se duvidar uma folha de papel foi mais usada que ele no filme, pois está sempre parado e quando abre a boca para falar algo é quase uma repetição do que a protagonista disse, ou seja, inútil também. Agora as cenas mais absurdas ficaram a cargo de Débora Olivieri, que entra no final para o diálogo mais non-sense do planeta, que talvez explicaria muita coisa se o filme tivesse algum sentido.

Embora o filme seja todo fora da realidade, a cenografia ao menos foi bem trabalhada, e mesmo com uma casa completamente esquisita da protagonista, que aliás inicialmente morava num apartamento que tinha vista da piscina do prédio e depois está numa casa, ????, temos diversos objetos que são usados como referência para tudo que está sendo dito e com isso, muito da cenografia tem até mais sentido que os atos dos protagonistas. A fotografia exagerou em foco/desfoque, principalmente com cenas escuras demais, ficando um pouco estranho a gramatura da imagem.

Enfim, taí mais um filme que não recomendo nem para o meu pior inimigo, de forma que o "Festival SESC Melhores Filmes - Circuito 2014" começou perfeito e logo na sequência já veio com uma bomba, vamos ver se os demais serão melhores filmes mesmo ou se vamos recair a tudo nesse nível. Fico por aqui agora, mas hoje à noite tem mais filmes do Festival por aqui, então abraços e até breve.


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Marina Abramović: Artista Presente

5/03/2014 09:23:00 PM |

É interessante quando paramos para observar uma obra da qual não sabemos o que será mostrado, pois isso nos leva a refletir para chegar a conclusões nítidas dos sentimentos que um filme, um quadro ou uma peça pode nos transmitir. O que o documentário "Marina Abramović: Artista Presente" nos apresenta nada mais é que o último trabalho de uma artista irreverente e que ao montar uma exposição dos seus principais trabalhos, resolveu inovar ao estar presente sentada fronte aos seus espectadores por 15 minutos cada um. E essa janela ou espelhos de sentimentos que ela transmite para aquele momento com o espectador é algo único, que emociona e entretém de uma forma ímpar e que mesmo não sendo uma obra de ficção nos leva a pensar de inúmeras maneiras os sentimentos que nos agrada ao mesmo tempo nos intimida, e porque não dizer que até nos choca com o que é mostrado.

O filme nos mostra que Marina Abramović é um dos nomes mais respeitados na arte da performance, testando os limites de sua resistência física e mental. Em 2010, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) organizou uma grande retrospectiva da sua obra. A artista, não só relembrou obras passadas, como decidir realizar uma nova performance pela qual interagiu intensamente com o público durante três meses.

Poderia dizer muito sobre as obras estranhas e ser polêmico, mas o que prefiro dizer é que o filme vale mais a pena ser assistido e que cada um tire suas conclusões reflexivas, mas a artista é tão boa sozinha que adentra às nossas profundezas mais íntimas colocando cada um que se senta na cadeira a sua frente, isso inclui todos espectadores do cinema, num momento único inimaginável de percepção da vida e do momento como um todo. Ou seja, uma obra perfeitamente única para se experimentar, ficando frente a frente com alguém apenas se observando olhos nos olhos sem mover qualquer outro músculo que não seja da face, e assim conhecer mais quem está ali para ser observado.

O experimento mostrou-se tão forte que formaram filas para ver a artista, e se testar frente a ela, da mesma forma que acontecem em show, cujo o público deseja ficar frente a um ídolo, que sequer nem vai passar um olhar mais forte para a pessoa, mas que também está ali para lhe testar seus sentimentos ao achar que ele está lhe vendo.

Enfim, falei até demais do que senti, e recomendo muito que todos que puder assista ao filme e também faça o teste com alguém, pois vale a pena, na sala onde assisti tiveram inúmeras pessoas chorando, rindo e saindo da sessão bem felizes com o que viram, ou seja vale a pena. E assim iniciamos o "Festival SESC Melhores Filmes - Circuito 2014" com algo sensacionalmente perfeito e espero que todos sejam tão bons quanto esse para ficar bem feliz. É isso pessoal, fico por aqui agora, mas tem mais um para conferir hoje, então abraços e até daqui a pouco.


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Getúlio

5/03/2014 01:32:00 AM |

Quando eu falo que o cinema nacional está evoluindo, sou obrigado a ouvir de alguns amigos que estou maluco, que só tem comédia boba, e por aí vai. Mas daí lançam um filme histórico muito bem produzido e cadê o público na sala com 20 gatos pingados? Isso que deixa esse Coelho super irritado e chateado com o público que frequenta os cinemas em nossa terrinha amada. Mas vamos falar do filme que é melhor e dá menos raiva, afinal que produção impecável, que fotografia impressionante, que direção de arte minimalista, que atuações marcantes de atores escolhidos a dedo para parecerem ao máximo cada um dos personagens reais, ou seja, "Getúlio" tem tudo que necessita para ser colocado dentro de uma história até que intrigante, mas que muitos até já conhecem, pautando seus últimos dias na melhor forma expositiva possível num filme totalmente fora dos padrões novelescos que tanto estragam nosso cinema. Ou seja, quem reclama que não temos bons filmes, está na hora de levantar da cadeira e ir pro cinema ver algo que não seja comédias novelescas.

O filme nos situa em Agosto de 1954, onde o jornalista e dono de jornal Carlos Lacerda sofre um atentado na porta de casa, mas o ato dá errado e o tiro mata o Major Rubens Vaz, que fazia a segurança de Lacerda. O presidente Getúlio Vargas, é acusado de mandar matar o jornalista e passa a ser pressionado por militares e pela oposição. As investigações mostram que a ordem para o atentado saiu do Palácio do Catete. O tenente Gregório Fortunado, chefe da guarda do presidente, é acusado. Ao lado da filha Alzira Vargas, seu braço direito na presidência, e colaboradores fiéis como Tancredo Neves e o general Zenóbio da Costa, Getúlio tenta provar sua inocência.

Para quem nunca foi fã da História do nosso país, o filme pode parecer confuso, mas basta manter os olhos presos à tela do cinema para que tudo acabe sendo agradável e entendível, bastando pensar estar vendo algo do estilo do filme "A Queda: As Últimas Horas de Hitler" e um pouco de "O Espião que Sabia Demais", apenas para citar dois filmes intrigantes, porém aqui baseado em fatos reais de nosso país, onde o diretor João Jardim trabalhou sob uma perspectiva bem interessante do roteiro de George Moura para contar com uma dramaticidade que poucas vezes vimos em filmes nacionais essa história que mostra que nossos amigos jornalistas quando querem conseguem derrubar qualquer um, colocando na mídia fantasiosa algo que poderia ser simples, mas que com jeito vira uma bola de neve imensa. Porém mesmo a história sendo boa para criar uma trama, o que faz mais valer no filme é a produção grandiosa que trabalhou com minúcias para recriar o tumultuado ano de 1954, onde a sede do governo mais parecia um sambódromo pelas algazarras e confusões que ocorriam ali, aliás até hoje temos essa bagunça dentro das sedes de governo não é mesmo? E aliado a isso, contou também com as atuações precisas de grandes nomes que deram seu máximo para incorporar os personagens reais.

E já que comecei a falar das atuações, vamos ao principal nome de Tony Ramos que incorporou o personagem tão bem, aliás todo papel que pega ele detona, fazendo trejeitos dramáticos precisos que mostra em sua face todo a pressão que o governante estava sofrendo, e assim acabamos torcendo tanto para ele que até seus problemas políticos acabam sendo minimizados. Outro grande nome escolhido a dedo para caracterizar o personagem foi Alexandre Borges, que chega assustar tão semelhante que ficou com o original, e fazendo o que sabe melhor que é pontuar em nível sua força de expressão, fez com que o Datena de hoje fosse um gatinho manso com todas as acusações que fazia no seu programa de TV. Drica Moraes faz um papel gostoso de acompanhar, mas ao mesmo tempo também um pouco chatinha em alguns momentos, mostrando o lado forte da mulher já naquela época poderia ter sido mais enfática em algumas cenas que agradaria mais. Agora um ator que não acreditava que poderia fazer algo mais sério é Adriano Garib, que surpreendeu como Ministro da Guerra, sendo eloquente e com postura de um general mesmo definiu suas falas encaixadas num tom perfeito. Thiago Justino se colocou frente ao risco de o preconceito acabar forte demais com o modo que atua, mas agrada de tamanha maneira nas cenas de depoimento com sua tremedeira que apaga praticamente tudo de ruim que fez em outras cenas. Poderia ficar falando horas de cada um aqui, mas o que vale ressaltar mesmo de todos atores além das boas atuações é o trabalho de maquiagem, cabelo e figurino que transformou todos sem exceção em quase pessoas ressuscitadas, pois ao final quando é mostrado fotos originais dos personagens vemos que a maioria está idêntica.

Outro ponto fortíssimo do longa está no visual cenográfico criado para retratar a época, com carros, figurinos e até mesmo o palácio que hoje é um museu foram ajustados para retratar com verossimilhança tudo que ocorreu naquele ano. E com objetos minimalistas souberam colocar cada detalhe numa ótica palpável para sabermos o rumo que vai tomar a história somente observando os closes que o diretor optou em fazer. Filmes de época usam um modelo padrão de fotografia que é jogar um tom de sépia e azular um pouco nas cenas mais escuras que fica perfeito, e aqui aliado a isso, optaram por muita iluminação de lâmpadas amarelas em cena, nos abajures e lustres, com isso deu um ar bem bacana para a trama.

Enfim, é um filme obrigatório para quem quer saber um pouco mais da História do nosso país e agrada na medida por tudo que é apresentado, claro que possui alguns defeitinhos, como placas de carros do Distrito Federal, que ainda não existia, e outros detalhes técnicos, mas não chegou a atrapalhar o andamento da trama. E como disse no começo, para quem reclama que só fazemos comédias bobas, é o momento certo para ver um bom drama nacional na telona. Bem é isso, fico por aqui com a última estreia da semana no interior, mas hoje mesmo (Sábado 03/05), começa o Festival do SESC que será exibido no Cinépolis Santa Úrsula, com filmes alternativos que pra quem gosta de fugir do tradicional vale a pena dar uma conferida, pretendo ver todos e comentar por aqui, então abraços e até breve pessoal.


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O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro em 3D

5/01/2014 06:48:00 PM |

Que o nicho de super-heróis é uma das maiores fontes de bilheteria dos cinemas, já sabemos com muita certeza, então agora é só esperar que todo ano pelo menos 2 filmes novos estrearão para conter os ânimos dos aficionados por esse gênero e torcer sempre para que os roteiristas estejam inspirados para escrever algo interessante e com muita história para não depender apenas da equipe de efeitos especiais. Digo isso com muito gosto após assistir "O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro", pois embora tenha uma boa dinâmica com a forma que tudo é mostrado, quiseram enfeitar demais o doce, colocando efeitos especiais demais no longa que pareceu ter sido mais feito no computador que filmado com atores realmente. Não digo que os efeitos estão ruins, muito pelo contrário, pois são de um primor incrível tanto para realçar a tecnologia 3D, quanto para vislumbrar apenas o que é mostrado, mas ficar esperando algo mais promissor do longa é exagero, e quem sabe no próximo consigam continuar o que ficou deixado pra trás nesse e arrumar esses defeitos.

O filme nos mostra que é ótimo ser o Homem-Aranha e Para Peter Parker, não há nada melhor do que se balançar entre arranha-céus, ser um herói e passar o tempo com Gwen. Mas ser o Homem-Aranha tem um preço: apenas ele pode proteger os nova-iorquinos dos inacreditáveis vilões que ameaçam a cidade. Com o surgimento de Electro, Peter precisa confrontar um inimigo muito mais poderoso do que ele. E com o retorno de seu velho amigo Harry Osborn, Peter percebe que todos os seus inimigos têm uma coisa em comum: a OsCorp.

O filme embora possa parecer até uma piada com o vilão, tem uma energia bem interessante de acompanhar, e consegue oscilar diversos estilos de sentimentos nos espectadores, desde a felicidade, passando pela tensão em alguns momentos, colocando tristeza junto de algum drama, e principalmente empolgação com as cenas de ação. Mas o que o filme tem de empolgante falta em criatividade para criar uma história mais envolvente, até mostrando de onde foi criado cada um dos vilões, mas sem muito que fizesse com que cada espectador pensar no que está sendo mostrado para adentrar dentro do universo em que a história se passa, e para isso, o diretor optou pela forma mais fácil de trabalhar que é lotando o longa de efeitos de toda forma possível, vários excelentes por sinal. E se com efeitos se faz um bom filme, o trabalho de direção em escolher ângulos impressionantes é uma façanha e tanto, afinal temos cenas com quase 360° de amplitude, mostrando uma cenografia sensacional da cidade que encaixou perfeitamente com a trama, que aliado à boas piadas e gags divertidas, conseguiu nos mostrar melhor a personalidade desse novo Aranha que o diretor Marc Webb está querendo nos mostrar. Claro que pro próximo filme talvez entre em um novo rumo a vida e as atitudes do personagem, mas por enquanto o modo "viva la vida loca" ainda predomina nele.

Falando em atuação, já havia dito que preferia o Aranha de Andrew Garfield ao de Tobey Maguirre, e após esse filme aumentou ainda mais essa minha preferência, com o ator sendo mais dinâmico ainda, mostrando que sabe fazer expressões de todo estilo com muita garra e determinação para que o filme tenha o valor que merece, e só não podemos falar tanto de esforço físico pois como o personagem é mascarado nas cenas mais complicadas com certeza seu dublê fez tudo, mas nos diálogos empregou entonação correta e adequada para cada momento como se fizesse bem tudo sem a máscara. A química entre o protagonista e Emma Stone é outro fator predominante na história, pois a moça que estava razoável no primeiro longa, agora se encontrou e aparecendo mais vezes fez bem seu papel, tirando alguns fatores bobos no roteiro que poderiam ser evitados, mas no geral tudo que faz é muito bem colocado. Jamie Foxx fez um personagem inicialmente tão complexo no quesito de inferioridade que acabou tornando um vilão bobo demais, porém seus poderes fortes e a forma que desenvolve o personagem conseguem ser bem interessantes. Dane DeHaan trabalha seu personagem de uma forma mais introspectiva pela criação que teve, e sua forma de maldade acaba crescendo meio como uma loucura doentia e obsessiva que acaba justificando seus atos, poderia ter mais tempo de tela, mas acredito que deva voltar para o terceiro filme. É uma pena que Paul Giamatti apareça tão pouco no filme, iniciando e fechando o longa sem dizer mais do que 4 frases, porém como o longa termina com ele, acredito que o terceiro deva começar com ele, agradando bem. Sally Field está perfeita nos momentos bem eloquentes e socando o protagonista apenas com palavras fortes e assim sendo como a boa atriz que sabe dominar as palavras melhor do que ações, que acabaram falhas no primeiro filme. Colm Feore trabalhou de uma forma dura que talvez quase pudesse ser chamado de vilão pelo que acabou fazendo, mas como não interage com o protagonista acabou ficando meio em segundo plano. E o último que vale a pena destacar é o garotinho Jorge Vega que soube comover nos momentos certos e acabou evidenciando a forma que tanto as crianças acabam gostando do personagem principal.

Visualmente, nas cenas que não são tão digitais, a equipe de arte soube trabalhar com muitos elementos cenográficos para representar a cidade movimentada, o quarto de um jovem sem tempo para muitas questões, e claro que as locações externas ajudaram bem para dar o ar dinâmico da trama. E quando entra em cena a equipe de arte digital, essa sim usou de elementos como choque e raios em escala gigantesca para dar vida ao vilão e junto disso, criaram diversos elementos digitais tecnológicos que impressionam pelo realismo e agradam bastante para quem gostar de um filme mais computadorizado. A fotografia usou muitos recursos para auxiliar a equipe de efeitos, e com isso temos cenas bem iluminadas condizentes e vivas para realçar cada detalhe nos momentos de ação, e em segundo plano colocando um tom mais escuro e intimista nas cenas dramáticas para pesar a emoção.

Falar dos efeitos especiais aqui é quase ficar sendo redundante, pois o longa é praticamente todo voltado em cima de raios, e saltos do protagonista, juntamente com coisas voando e objetos sendo desmontado, ou seja, um trabalho digital feito com minúcias para não ficarem falsos demais e também não perderem a magia do cinema, e com isso o filme tem bons acertos. E pra quem gosta de filmes 3D, esse é aquele que não pode ficar sem ver com a tecnologia empregada para saltar objetos voando em direção a plateia em quase todo o filme, muitas cenas feitas em perspectiva para realçar a profundidade de campo, então tirar o óculos da cara é algo que praticamente não ocorre, fazendo valer o ingresso mais caro.

No quesito musical, Pharrell Williams, Johnny Marr e Hans Zimmer estavam com pouca criatividade, não colocando quase nada que ficasse em evidência e nos fizessem remeter ao filme, e claro que tirando a trilha original do Homem Aranha que é mantida há anos, o restante acaba servindo apenas para dar dinâmica e sonoridade para a trama, de forma que poderiam ter abusado um pouco mais. Vale apenas a cena "musical" com os raios na usina, pois tirando isso nenhum outro momento acabará sendo lembrado por uma música legal, diferente do que ocorreu no primeiro filme.

Enfim, é o tradicional blockbuster que vai fazer horrores de bilheteria e vender muitos souvenires depois com tudo de marketing dele, vale pagar uma boa pipoca e conferir, mas não espere sair deslumbrado como foi o caso com os últimos filmes de heróis que assistimos. Como disse recomendo ver com a máxima tecnologia que puder, indo nas salas MacroXE ou onde tiver Imax, pois é um filme bem mais visual do que para acompanhar a história em si. Fico por aqui hoje, mas ainda temos mais uma estreia para conferir e também o Festival do SESC para ver longas mais diferenciados, então abraços e até breve pessoal.

PS: Vale lembrar que como todo filme da Marvel, existe uma pequena cena entre os créditos, dessa vez não sendo algo que ligue o filme em si, mas sim uma campanha de marketing com uma cena do próximo longa da empresa, no caso "X-Men".


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Inatividade Paranormal 2

4/27/2014 01:03:00 AM |

Aquela velha dica sempre é válida em paródias, se você não curte o estilo passe longe, mas se você gosta de piadas colocadas propositalmente forçadas, pode ir agora assistir "Inatividade Paranormal 2" que a escolha dos filmes para serem sacaneados foi perfeita e sem exagerar no nível de apelo para escatologias, claro que ainda existem algumas, Marlon Wayans escreveu uma nova história bem mais bacana de acompanhar, divertindo na medida para quem curtir o estilo, e fazendo rir muito, cumprindo o dever de uma boa comédia, mesmo que pra isso necessite algumas apelações.

O filme nos mostra que depois de perder sua namorada possuída Kisha em um acidente de carro, Malcolm conhece e se apaixona por Megan, uma branca mãe solteira de dois filhos. Enquanto ele se muda para uma nova casa com a família, Malcolm descobre que eventos paranormais bizarros cercam as crianças e a propriedade. Para complicar as coisas, Kisha está de volta do mundo dos mortos e se muda para uma casa do outro lado da rua, e não há nada pior do que o desprezo de uma ex-namorada demoníaca.

Como 2013 foi um ano bom de longas de terror com câmera na mão, a escolha dos filmes a serem parodiados foi moleza e ajudou muito em colocar no filme situações interessantes para divertir. São esses, alguns longas escolhidos: "Invocação do Mal", "A Morte do Demônio", "Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal", "Sobrenatural: Capítulo 2", "A Entidade" e "A Possessão". Dessa forma acabou trabalhando melhor com os filmes e situações para que a história da paródia tivesse um sentido bacana de existir e não ficasse apenas com piadas soltas. Montada a história, coube ao diretor do primeiro longa, Michael Tiddes que havia feito sua estreia em longas gastando apenas US$2,5 milhões para fazer o filme e que acabou rendendo US$50 milhões, voltar para tentar novamente o sucesso, e agora trabalhando com uma mão mais ágil com planos mais dinâmicos e apelando menos para escatologias, mas colocando mais sexo ainda no filme, é capaz que consiga novamente o feito, pois particularmente prefiro o que vi hoje do que toda a apelação vista no ano passado.

Quanto da atuação Wayans aparenta querer voltar para os trejeitos que o consagrou em "As Branquelas", fazendo mais piadas preconceituosas e tirando sarro de si mesmo, e com isso acaba divertindo mais, ainda está bem longe do que fez, mas pelo menos pegou mais leve nas besteiras. Jaime Pressly não tem o mesmo carisma que Essence Atkins teve no primeiro longa para papel feminino, tanto que sua atuação acaba até sumindo de cena em diversos momentos, e acredito que optaram por fazer voltar a primeira mulher para boa parte das cenas. E com Essence trabalhando mesmo que em poucas cenas, chama atenção novamente para as coisas que fez no primeiro filme e são reprisadas, mostrando que a jovem é divertidamente assustadora. Gabriel Iglesias serviu para fazer as piadas mexicanas sem nexo que já foram ruins em "Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal", serem repetidas agora com mais preconceito envolvido ainda, pelo menos foi um gordinho carismático bem colocado. Ashley Rickwards poderia ter trabalhado mais como adolescente revoltada no filme, que ficaria até mais engraçado, mas trabalhou bem nos diálogos que foram lhe dados para que todas as piadas tivessem com ela tivessem duplo sentido, de forma que tenho até medo de ver como dublaram, pois a conotação sexual é evidente nelas, mas sem forçar. Steele Stebbins não decola como um garoto promissor para comédia, servindo apenas de enfeite para as cenas que necessitavam de crianças, fraco demais e precisa melhorar o olhar para câmera. As cenas que envolveram Rick Overton são as mais pesadas e não divertem tanto, mas valem como ligação pela sacanagem com algumas séries também além de filmes.

Como falei em "Copa de Elite", se existe uma coisa bem feita nas paródias americanas é a produção artística que a direção de arte faz, colocando muitos elementos cênicos bem feitos, trabalhando as cenografias para que se encaixem no mais parecido possível com os filmes originais e não tendo medo de errar com coisas fortes em cena, o que acaba divertindo o público só por já reconhecer facilmente o filme original em cada momento e visualmente bem trabalhado. O grande elemento cômico ficou claro e deve ser destacado que é a cena da galinha. A fotografia não exagerou em cenas escuras como no primeiro filme, optando mais por divertir e menos assustar, assim a iluminação foi mais tradicionalista e como também não usaram tantos filmes que exigissem efeitos especiais, os erros foram minimizados.

Enfim, ainda continua sendo um filme tosco e apelativo para o riso, mas diverte bastante com as piadas e as escolhas feitas dos filmes, claro que estou falando da versão legendada, talvez até crie coragem para ver depois a dublada para saber o que aprontaram, mas para quem curti o estilo de paródias, esse é um nome certo para ir conferir sem arrependimento algum, pois é garantido o riso e recomendo ele. Encerro essa semana bem curta por aqui, mas como quinta é feriado quem sabe encararemos uma pré da meia noite na quarta, então abraços e até mais pessoal.


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