O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro em 3D

5/01/2014 06:48:00 PM |

Que o nicho de super-heróis é uma das maiores fontes de bilheteria dos cinemas, já sabemos com muita certeza, então agora é só esperar que todo ano pelo menos 2 filmes novos estrearão para conter os ânimos dos aficionados por esse gênero e torcer sempre para que os roteiristas estejam inspirados para escrever algo interessante e com muita história para não depender apenas da equipe de efeitos especiais. Digo isso com muito gosto após assistir "O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro", pois embora tenha uma boa dinâmica com a forma que tudo é mostrado, quiseram enfeitar demais o doce, colocando efeitos especiais demais no longa que pareceu ter sido mais feito no computador que filmado com atores realmente. Não digo que os efeitos estão ruins, muito pelo contrário, pois são de um primor incrível tanto para realçar a tecnologia 3D, quanto para vislumbrar apenas o que é mostrado, mas ficar esperando algo mais promissor do longa é exagero, e quem sabe no próximo consigam continuar o que ficou deixado pra trás nesse e arrumar esses defeitos.

O filme nos mostra que é ótimo ser o Homem-Aranha e Para Peter Parker, não há nada melhor do que se balançar entre arranha-céus, ser um herói e passar o tempo com Gwen. Mas ser o Homem-Aranha tem um preço: apenas ele pode proteger os nova-iorquinos dos inacreditáveis vilões que ameaçam a cidade. Com o surgimento de Electro, Peter precisa confrontar um inimigo muito mais poderoso do que ele. E com o retorno de seu velho amigo Harry Osborn, Peter percebe que todos os seus inimigos têm uma coisa em comum: a OsCorp.

O filme embora possa parecer até uma piada com o vilão, tem uma energia bem interessante de acompanhar, e consegue oscilar diversos estilos de sentimentos nos espectadores, desde a felicidade, passando pela tensão em alguns momentos, colocando tristeza junto de algum drama, e principalmente empolgação com as cenas de ação. Mas o que o filme tem de empolgante falta em criatividade para criar uma história mais envolvente, até mostrando de onde foi criado cada um dos vilões, mas sem muito que fizesse com que cada espectador pensar no que está sendo mostrado para adentrar dentro do universo em que a história se passa, e para isso, o diretor optou pela forma mais fácil de trabalhar que é lotando o longa de efeitos de toda forma possível, vários excelentes por sinal. E se com efeitos se faz um bom filme, o trabalho de direção em escolher ângulos impressionantes é uma façanha e tanto, afinal temos cenas com quase 360° de amplitude, mostrando uma cenografia sensacional da cidade que encaixou perfeitamente com a trama, que aliado à boas piadas e gags divertidas, conseguiu nos mostrar melhor a personalidade desse novo Aranha que o diretor Marc Webb está querendo nos mostrar. Claro que pro próximo filme talvez entre em um novo rumo a vida e as atitudes do personagem, mas por enquanto o modo "viva la vida loca" ainda predomina nele.

Falando em atuação, já havia dito que preferia o Aranha de Andrew Garfield ao de Tobey Maguirre, e após esse filme aumentou ainda mais essa minha preferência, com o ator sendo mais dinâmico ainda, mostrando que sabe fazer expressões de todo estilo com muita garra e determinação para que o filme tenha o valor que merece, e só não podemos falar tanto de esforço físico pois como o personagem é mascarado nas cenas mais complicadas com certeza seu dublê fez tudo, mas nos diálogos empregou entonação correta e adequada para cada momento como se fizesse bem tudo sem a máscara. A química entre o protagonista e Emma Stone é outro fator predominante na história, pois a moça que estava razoável no primeiro longa, agora se encontrou e aparecendo mais vezes fez bem seu papel, tirando alguns fatores bobos no roteiro que poderiam ser evitados, mas no geral tudo que faz é muito bem colocado. Jamie Foxx fez um personagem inicialmente tão complexo no quesito de inferioridade que acabou tornando um vilão bobo demais, porém seus poderes fortes e a forma que desenvolve o personagem conseguem ser bem interessantes. Dane DeHaan trabalha seu personagem de uma forma mais introspectiva pela criação que teve, e sua forma de maldade acaba crescendo meio como uma loucura doentia e obsessiva que acaba justificando seus atos, poderia ter mais tempo de tela, mas acredito que deva voltar para o terceiro filme. É uma pena que Paul Giamatti apareça tão pouco no filme, iniciando e fechando o longa sem dizer mais do que 4 frases, porém como o longa termina com ele, acredito que o terceiro deva começar com ele, agradando bem. Sally Field está perfeita nos momentos bem eloquentes e socando o protagonista apenas com palavras fortes e assim sendo como a boa atriz que sabe dominar as palavras melhor do que ações, que acabaram falhas no primeiro filme. Colm Feore trabalhou de uma forma dura que talvez quase pudesse ser chamado de vilão pelo que acabou fazendo, mas como não interage com o protagonista acabou ficando meio em segundo plano. E o último que vale a pena destacar é o garotinho Jorge Vega que soube comover nos momentos certos e acabou evidenciando a forma que tanto as crianças acabam gostando do personagem principal.

Visualmente, nas cenas que não são tão digitais, a equipe de arte soube trabalhar com muitos elementos cenográficos para representar a cidade movimentada, o quarto de um jovem sem tempo para muitas questões, e claro que as locações externas ajudaram bem para dar o ar dinâmico da trama. E quando entra em cena a equipe de arte digital, essa sim usou de elementos como choque e raios em escala gigantesca para dar vida ao vilão e junto disso, criaram diversos elementos digitais tecnológicos que impressionam pelo realismo e agradam bastante para quem gostar de um filme mais computadorizado. A fotografia usou muitos recursos para auxiliar a equipe de efeitos, e com isso temos cenas bem iluminadas condizentes e vivas para realçar cada detalhe nos momentos de ação, e em segundo plano colocando um tom mais escuro e intimista nas cenas dramáticas para pesar a emoção.

Falar dos efeitos especiais aqui é quase ficar sendo redundante, pois o longa é praticamente todo voltado em cima de raios, e saltos do protagonista, juntamente com coisas voando e objetos sendo desmontado, ou seja, um trabalho digital feito com minúcias para não ficarem falsos demais e também não perderem a magia do cinema, e com isso o filme tem bons acertos. E pra quem gosta de filmes 3D, esse é aquele que não pode ficar sem ver com a tecnologia empregada para saltar objetos voando em direção a plateia em quase todo o filme, muitas cenas feitas em perspectiva para realçar a profundidade de campo, então tirar o óculos da cara é algo que praticamente não ocorre, fazendo valer o ingresso mais caro.

No quesito musical, Pharrell Williams, Johnny Marr e Hans Zimmer estavam com pouca criatividade, não colocando quase nada que ficasse em evidência e nos fizessem remeter ao filme, e claro que tirando a trilha original do Homem Aranha que é mantida há anos, o restante acaba servindo apenas para dar dinâmica e sonoridade para a trama, de forma que poderiam ter abusado um pouco mais. Vale apenas a cena "musical" com os raios na usina, pois tirando isso nenhum outro momento acabará sendo lembrado por uma música legal, diferente do que ocorreu no primeiro filme.

Enfim, é o tradicional blockbuster que vai fazer horrores de bilheteria e vender muitos souvenires depois com tudo de marketing dele, vale pagar uma boa pipoca e conferir, mas não espere sair deslumbrado como foi o caso com os últimos filmes de heróis que assistimos. Como disse recomendo ver com a máxima tecnologia que puder, indo nas salas MacroXE ou onde tiver Imax, pois é um filme bem mais visual do que para acompanhar a história em si. Fico por aqui hoje, mas ainda temos mais uma estreia para conferir e também o Festival do SESC para ver longas mais diferenciados, então abraços e até breve pessoal.

PS: Vale lembrar que como todo filme da Marvel, existe uma pequena cena entre os créditos, dessa vez não sendo algo que ligue o filme em si, mas sim uma campanha de marketing com uma cena do próximo longa da empresa, no caso "X-Men".


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