Amazon Prime Video - No Limite do Mundo (Edge of the World)

4/13/2023 01:09:00 AM |

Costumo dizer que quando um diretor quer mostrar serviço sem precisar ousar muito a melhor opção é entregar uma trama histórica, pois dá para seguir uma boa linha e contar algo que chame muita atenção, e algo que muitos gostam de ver é a base das colonizações britânicas, aonde a esquadra seguiu muitas ilhas, e outros exploradores tentaram também a sorte de maneiras individuais que fossem para ganhar dinheiro  encontrando recursos ou apenas pesquisar para vender conhecimento depois, e um bom exemplar que entrou hoje na Amazon Prime Video é o filme "No Limite do Mundo", que traz a história real do desvendar de um explorador britânico na ilha de Bornéu, que tem uma boa pegada, tem envolvimento, mas que abusou de mais de pensamentos em formato de narração e não foi muito além do que poderia, sendo intenso em alguns conflitos, mostrando o costume das tribos de cortar cabeças de outros para oferecer como presentes, porém faltou aquele algo a mais para convencer e agradar mais, não sendo ruim, porém faltando desenvoltura para mostrar um pouco desses conflitos sem precisar de tanta narração. Ou seja, é um bom filme de época, mostrou muito da forma como o explorador conseguiu marcar seu território e ser "querido" pelos nativos da ilha, e seus embates com outras tribos e exploradores dali, mas que dava para ser mais impactante e emocional, sendo algo linear e calmo demais para um filme do estilo.

O longa mostra a história real das aventuras de James Brooke, explorador que desafiou a coroa britânica para governar um reino maior que a Inglaterra em 1840. Ele lutou contra a colonização, piratas e a escravidão para liderar com justiça.

É bem fácil ver o problema do filme que é o excesso de narrações dos pensamentos do protagonista, e isso é a clássica fórmula usada por diretores iniciantes para resolver os problemas de criatividade de alguns roteiristas, afinal colocar tudo daria muito trabalho e deixar sem os áudios deixaria o filme muito estranho, então bora chamar o protagonista e gravar vários momentos e deixar ele apenas filosofando olhando para o vazio por muito tempo, que fica um ar chique e dá nuances. Ou seja, o diretor de clipes musicais Michael Haussman poderia ter ido além e fazer muito mais em cima do roteiro de Rob Allyn, mas não quis, ou o orçamento não deixou, porém trabalhou bem os momentos no meio da floresta, criou cenas bem intensas nos atos de degola e teve o ato de guerra bem trabalhado, de modo que se tivesse seguido essa linha o filme inteiro, o resultado seria muito melhor e chamaria muito mais atenção, mas ainda assim posso dizer que mesmo com toda a narração o longa convence, e não é ruim de ver.

Sobre as atuações, Jonathan Rhys Meyers conseguiu ser bem marcante com seu James Brooke, de modo que sendo bem diferente no meio dos demais conseguiu se destacar sem precisar forçar, e fazendo os trejeitos de bom moço e pensando muito ao seu redor resultou em um personagem que não sabemos se o real foi assim, mas que facilmente teve um carisma grande com a tribo e acertou com estilo. Outro que foi muito bem em cena foi Otto Farrant com seu Charley bem carismático, tendo boa presença cênica, e valeria ter até mais cenas do garoto na trama, mas como seu personagem é meio secundário apenas desenvolveu no que precisava fazer. Tivemos ainda outras boas inserções na trama, valendo dar destaque para Atiqah Hasiholan como uma Fatima misteriosa e bem marcante no envolvimento com o protagonista, Bront Palarae bem encaixado com seu Mahkota imponente e disposto a tudo para ser o novo sultão, e claro Samo Rafael como um Príncipe Badruddin bem doce e com um estilo que quase puxou para outros lados no filme, mas sem soar artificial, o que acaba agradando.

Visualmente posso dizer que a equipe de arte caprichou bastante, tendo muitas cenas no meio da floresta, construindo casas bem simples, porém interessantes de madeira e folhas, vários atos de guerra bem simbólicos com facões e flechas, algumas cenas mais envolventes nos rios, e claro muito figurino de tribos e de exploradores da época, sendo algo que com certeza foi muito bem pesquisado e retratado com envolvimento e sem falhas, o que garantiu boas imagens para a trama.

Enfim, é um filme que agrada de certa forma pelo conteúdo histórico e pelo desenvolvimento de vários atos, principalmente os mais violentos, porém os atos mais intimistas mereciam uma qualidade melhor encaixada e menos narrações, mas nem sempre dá para fazer tudo na tela, então até que resolveram bem deixando esse ar mais filosófico do protagonista, e assim até vale a recomendação para todos. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - 1976 (Chile '76)

4/11/2023 11:46:00 PM |

Ultimamente o Chile e a Argentina andam dando aulas de como fazer bons filmes dramáticos de época, sejam eles biografias ou simplesmente ficções embasadas nos acontecimentos da época da ditadura em seus países, pois não criam apenas tramas simplesmente jogadas, mas acabam desenvolvendo situações que envolvem e causam com muita efetividade e passam para o público que vai assistir exatamente as sensações que as pessoas comuns tinham na época estando ou não a favor do que aconteciam por lá. E com o lançamento da Netflix, "1976", vemos bem essa essência marcada na casa de uma mulher bem rica que passa a sentir tudo o que apenas via e ouvia acontecer na TV e nos jornais, estando no meio de algo escondido aonde poderia estragar sua vida, mas que faz pelo seu interior e consegue passar comoção e muito envolvimento. Ou seja, é daquelas tramas que muitos se perguntariam o motivo de alguém ajudar os outros numa situação assim, mas que quando a pessoa é boa, ela sabe sua recompensa interior, valendo ser visto tanto pelo estilo bem retratado da época quanto pela ótima atuação e entrega da protagonista.

O longa nos situa no Chile, em 1976, um dos mais sangrentos anos da ditadura do general Augusto Pinochet. Carmen é uma dona de casa que vive a placidez da vida burguesa de classe média. Até o dia em que recebe o apelo do padre da família para que esconda, por piedade, um refugiado político em sua casa de praia.

Diria que a diretora e roteirista Manuela Martelli soube conduzir sua obra de uma maneira bem segura do que desejava expressar na tela, pois o filme causa a densidade do afeto da protagonista para com o homem debilitado, e mesmo ela não sendo alguém que tradicionalmente estaria no meio dos protestos, acaba ajudando ele não apenas como uma tratadora, mas também de formas investigativas, participando de conversas e indo em lugares tecnicamente proibidos, e isso facilmente causa muitas sensações para o público, assim como causa sensações na personagem principal, de tal forma que a cena do barco é daquelas icônicas do cinema, mostrando o que muitos deveriam sentir ao falar da ditadura. Ou seja, é um filme que muitos vão ter diversas opiniões e sensações, e que felizmente a diretora demonstrou de cara a sua própria opinião, mostrando que valeu o risco e principalmente soube como não fazer seu filme ficar artificial como algumas vezes ocorrem nesse tipo de trama.

Quanto das atuações, outro ponto certeiro foi focar quase que 100% em cima da protagonista Aline Küppenheim com sua Carmen, de forma que a atriz conseguiu transmitir sentimentos, fazer trejeitos fortes e diretos em cada ato, passando uma verdade sobre o tema, que é ter medo, ter compaixão, ter desespero e tudo mais, ou seja, se entregou por completo sem sair do ar de burguesia, mas sabendo se portar frente à tudo o que ocorre, e isso mostrou técnica e um ótimo preparo para convencer o público do que estava fazendo ali. Quanto aos demais, a maioria apenas dá os devidos encaixes, não indo nem muito além, nem entregando falsos personagens, apenas auxiliando para que a protagonista se destacasse muito no filme, valendo apenas ressaltar Nicolás Sepúlveda com seu Elias, Hugo Medina com seu Padre Sanches, e claro as empregadas Carmen Gloria Martínez e Vilma M. Verdetta pelos devidos atos simples, porém bem feitos.

Visualmente a trama traz alguns bons contrapontos, mostrando uma família bem de vida, que teoricamente passaria toda a ditadura curtindo suas férias na casa de praia, reformando com as cores de livros, fazendo festas, viajando de barcos e tudo mais, mas a protagonista se envolve com a Igreja local, resolve ajudar e vai para praias afastadas, meio que abandonadas, vê pessoas sumindo no meio da comunidade, feridas e tudo mais, ou seja, a equipe de arte quis mostrar muito dessa jogada e foi muito bem nas alegorias, carros e figurinos da época, acertando bastante em tudo.

Enfim, é daqueles filmes que você pode apenas assistir ou refletir sobre tudo o que é mostrado, e que é bem rapidinho, porém intenso de sentir cada situação que a protagonista se envolve para tentar ajudar, ou seja, vale a indicação e com certeza vai fazer quem assistir se ver em um mundo que ocorreu no passado e que alguns ainda desejam ver outras vezes, então fica a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Exorcista Do Papa (The Pope's Exorcist)

4/11/2023 01:03:00 AM |

Um dos estilos que mais tentam fazer e falham dentro do gênero terror é o de exorcismos, pois temos um clássico-mor e a maioria acaba seguindo e exagerando demais para tentar dar sustos ou surpreender, porém o principal erro é querer que o público acredite demais na possessão e na "cura" por alguma religião toda bonitinha numa trama, então qual a solução? E a resposta por incrível que pareça vem com Russell Crowe que nunca imaginaríamos vestindo uma batina, falando italiano, latim, espanhol e inglês contra as forças do mal, e o motivo de "O Exorcista do Papa" ser tão funcional com ele é que o diretor não quis se apoiar em fatos realistas, mas sim nas histórias que o padre escreveu em seu livro, que nem mesmo a própria Igreja Católica assina embaixo como bons embasamentos reais de enfrentamento do mal. Ou seja, a sacada toda foi brincar com o desenvolvimento para que o filme fluísse bem, e criasse quem sabe uma franquia em cima de tudo, já que o verdadeiro Gabriele Amorth trabalhou como exorcista-chefe do Vaticano por quase 30 anos, e escreveu vários livros mostrando sua luta contra o mal em vários países, e como aqui nesse longa vemos um de seus primeiros trabalhos, é muito fácil seguir com tudo em outras tramas e brincar bastante com a ideia, pois estilo tem, e um ator bom também, agora é só conseguir dinheiro e seguir em frente, afinal espaço para o estilo tem e público que gosta também, ou seja, só vem!

A trama é inspirada nos arquivos reais do Padre Gabriele Amorth, Chefe Exorcista do Vaticano. O padre realizou mais de 100.000 exorcismos em sua vida e faleceu em 2016 aos 91 anos. Amorth escreveu duas memórias – An Exorcist Tells His Story e An Exorcist: More Stories – e detalhou suas experiências lutando contra Satanás e demônios que agarraram e possuíram as pessoas com seu mal. O filme, sendo o retrato do personagem da vida real, acompanha Amorth (Russell Crowe) enquanto ele investiga a terrível possessão de um menino e acaba descobrindo uma conspiração secular que o Vaticano tentou desesperadamente proteger e manter no esquecimento.

Diria que o diretor Julius Avery tem me surpreendido bastante, e entrado para o hall dos diretores que posso assistir esperando um bom desenvolvimento de tela, pois tanto "Samaritano" quanto "Operação Overlord" são dois tremendos filmaços, e aqui talvez alguns o julgue por não ter feito um longa com um cunho mais puxado para o terror de exorcismo mesmo, e jogado para algo quase de ação com muitos efeitos e desenvolturas mais intensas, que ainda mantém o estilo de briga com satanás, mas que dá um envolvimento mais pesado nas possibilidades do que no simples assustar ou causar com vômitos e viradas de corpo. Ou seja, os roteiristas florearam bem os livros de Amorth para que ficasse mais vendável e comercial, e o diretor pegou e botou seu estilo de terror com ação característico criando algo que facilmente pode se tornar uma boa franquia, que é desenvolvida por bons personagens, e mesmo com o estilo canastrão do protagonista deve chamar atenção de quem gosta do estilo de terror sem levar sustos, apenas entrando no clima tenso, e assim quem sabe veremos o padre expulsar mais bons demônios na Terra daqui algum tempo.

Sobre as atuações, Russell Crowe está longe de entregar algo próximo dos seus melhores papeis, mas também não desaponta com um Gabriele (ou Gabe para a intimidade com o demônio) Amorth, criando atos bem expressivos, com trejeitos puxando um pouco para o lado cômico, mas desenvolvendo bem a estrutura narrativa para seu personagem, de modo que quase esquecemos que tem mais personagens no filme, ou seja, puxou a responsabilidade para si, e acertando mais do que errando conseguiu agradar bastante no que fez em cena. Daniel Zovatto também teve uma boa entrega para com seu Padre Esquibel, de tal maneira que acaba convencendo em algumas cenas mais intensas, mas também se manteve muito na defensiva até os atos finais, parecendo ser meio incrédulo, e em filmes desse estilo ou você passa a confiança para o público ou falha, e raspou de falhar. Franco Nero teve bons atos com seu Papa, e impactou com algumas cenas meio que desesperadoras, porém em 86/87 era João Paulo II o Papa e em nada ficou parecido, ou seja, meio que temos de desconsiderar isso da trama para nos convencermos de seus atos, mas foi bem no que fez. O garotinho Peter DeSouza-Feighoney fez sua estreia aqui como Henry, e posso dizer que trabalhou muito bem seus trejeitos, principalmente se fizeram sem computação todos os excessos que entrega, e assim sendo ele promete chamar atenção mais para frente, pois teve um olhar bem trabalhado até antes de ser possuído. Quanto dos demais, tivemos alguns bons atos das mulheres Bianca Bardoe e Carrie Munro que os padres tiveram envolvimento, mas as da casa mesmo desapontaram sendo quase que meros enfeites cênicos, tendo Laurel Marsden algumas cenas possuída bem encaixadas, mas a mãe ainda deve estar fugindo das cenas até agora.

Visualmente a equipe arrumou uma abadia bem interessante, com masmorras e tudo mais, trabalhou o quarto do garotinho de forma bem intensa nos atos de possessão, usou alguns bons elementos para referenciar As Cruzadas e até teve um bem criativo ambiente de exorcistas no Vaticano, quase como uma CIA cheia de pessoas preparando os casos, ou seja, a equipe fez tudo para seguir uma franquia diferente, e quem sabe de certo.

Enfim, é um filme que esperava algo pior e acabei gostando do que vi, que claro tem muitos exageros, e principalmente o fato de baseado em fatos reais deveria ser quase que inspirado apenas em pouquíssimos fatos reais, já que muita coisa é completamente impossível de ter acontecido, porém como já disse o resultado funciona dentro de um conceito de franquia que acho que daria muito certo, afinal o gênero de terror dá para ser sequencial também, e aqui seria o típico personagem que daria para vir com muitas outras histórias, afinal como diz na sinopse foram mais de 100mil exorcismos, o que daria fácil pelo menos mais umas três boas histórias, e sendo assim recomendo para quem gosta de um terror com mais ação e abstrações interessantes, então fica a dica. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Fome de Sucesso (Hunger) (ความหิว)

4/09/2023 11:07:00 PM |

Muitos não sabem, mas adoro realities gastronômicos, para passar fome e sempre aprender alguma coisa, mesmo que nunca vá fazer aquilo, afinal não sou o cozinheiro da casa! E gosto também de dar uns plays em filmes com essa temática, então desde que vi que estrearia na Netflix o longa tailandês "Fome de Sucesso", já botei na minha lista e eis que hoje resolvi dar o play nele, e a sacada diferencial nele é dimensionar classes e sabores através da culinária, entregando as comuns de disputa entre chefs, as velhas brigas internas por modos de trabalhos e tudo mais que o gênero pede, mas ainda assim diria que os diálogos são bem contundentes com algumas boas lições de vida, de âmbito empreendedor e de como crescer na vida tendo vontade, claro que algumas vezes passando por cima dos outros, mas o mundo da gastronomia e da vida é dessa forma, e assim sendo o longa acaba sendo cruel em alguns atos. Ou seja, é um filme que se olharmos a fundo é bem simples, com atuações bem ruins de todos os secundários, mas que funciona bem no que propõe, e assim faz valer o tempo de tela.

A sinopse nos conta que uma jovem administra o restaurante de sua família, até que um dia, ela recebe um convite para deixar o negócio familiar e se juntar à equipe 'Hunger', a primeira equipe de chefs de luxo da Tailândia, liderada pelo famoso (e infame) Chef Paul. O desagradável líder do grupo é conhecido por ser tão genial quanto insuportável. Ela sobreviverá dentro da equipe com os melhores chefs de alta gastronomia da Tailândia?

Diria que o diretor Sitisiri Mongkolsiri até teve uma proposta bem interessante para seu longa, de forma que mostra que a ascensão social é algo que é extremamente difícil, e não basta você querer chegar lá em cima, você tem de fazer com que os lá de cima queira você por lá, deseje você lá entre eles, e em alguns países isso é ainda mais cruel, e que mesmo sendo algo ruim é algo cultural e imponente de ser visto, e entrando mais a fundo no tema do filme, a comida gostosa e de família, muitas vezes até vai ser algo que vai emocionar alguém de uma classe mais alta, porém não é algo que ele queira, pois vai preferir um pedacinho de comida simples, muito saboroso (ou não), que tenha sido feito exclusivamente para ele, e isso acaba pesando muito nas decisões e nas dinâmicas da trama. Ou seja, o longa é extremamente crítico com relação à desenvoltura social da trama, mas mostra que o aprendizado e gostar do que faz, e por quais motivos você faz é a melhor solução para tudo. 

Sobre as atuações, diria que o problema acabou sendo bem mais grave do que o esperado, pois os protagonistas até fizeram atos bem intensos, mas se a câmera saísse de perto de qualquer um dos três o resultado desabava de forma gigantesca, então para começar, Chutimon Chuengcharoensukying trabalhou com muita determinação sua Aoy, dominou o estilo, passou muita verdade nos atos de cozinha (não sei se já trabalhou com isso, mas foi muito bem nas dinâmicas com as panelas), teve um carisma convincente para que torcêssemos por ela, e acabou agradando até chorando em alguns momentos, ou seja, foi bem no que precisava fazer. Já Nopachai Chaiyanam fez seu Paul no melhor estilo daqueles chefes de programas de gastronomia que xinga todos, briga, quebra tudo, maltrata os funcionários e tudo mais, de forma que quando ocorre o ato com o funcionário antigo diria que mereceu demais, e até demorou para acontecer, mas tudo foi muito bem encaixado, mostrando o ator com trejeitos fortes e bem intensos de ver. E por último Gunn Svasti Na Ayudhya deu para seu Tone um ar meio que de olheiro, entregando alguns trejeitos simples e tristes, mas caindo bem na proposta, e claro que iria rolar um romance, de forma que deveriam ter dado um seguimento que iria agradar mais do que o fechamento escolhido para ele, mas é assim, e foi bem pelo menos.

Visualmente o longa assim como todo programa de gastronomia acaba dando muita fome com comidas que muitas vezes nem achamos que vamos gostar de comer, mas que acaba sendo tão bonita de ver que chama atenção, além de uma cozinha bem equipada, algumas festas icônicas, e claro todo o lado da comida de rua tailandesa bem colocada nas cenas do restaurante da família da protagonista, e também depois o requinte do restaurante que acabam criando para ela, ou seja, tudo muito imponente e chamativo que envolve e acaba gerando muita atenção na tela, agora quanto da cena da caça o bicho pareceu bem falso, mas a do boi na festa foi muito chamativa e mostrou que a equipe de arte gastronômica não estava para brincadeira.

Enfim, é um filme bem interessante, cheio de nuances e críticas bem encaixadas, que quem gosta do estilo não vai ter do que reclamar, ou melhor, vai ter que no caso foram as atuações bem estranhas, mas no contexto que o filme precisava não atrapalharam tanto, então fica a dica para quem gosta de filmes diferentes, mas com boas sínteses e emoções. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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O Colibri (Il Colibri) (The Hummingbird)

4/07/2023 05:55:00 PM |

Muitas vezes fico me perguntando o motivo de uma novela/série ter tantos capítulos e enrolações sem ser a motivação de dinheiro dos patrocinadores, pois dá tranquilamente para contar uma vida inteira em duas horas, sobrando espaço para vários desembaraços, e um cinema que sabe fazer isso bem é o italiano! No Festival Italiano que tivemos em Novembro do ano passado consegui ver vários filmes, e por incrível que pareça acabei perdendo três longas apenas, e eis que agora na próxima quinta-feira 13/04 irá estrear nos cinemas um deles, que no caso recebi via cabine de imprensa para conferir hoje, e posso dizer que "O Colibri" é uma dessas obras cheias de estilo que nas mãos de qualquer roteirista de novela transformaria fácil em uma trama de uns 80 capítulos, mas que felizmente virou um filme italiano bem feito, emocional e interessante de acompanhar pelas duas horas de projeção, e que quem gosta do estilo romance/drama vai gostar de ver a vida completa de um garoto que não crescia, seu pai lhe deu hormônios, gostava da vizinha que a família não se dava bem, cresceu, casou com outra, teve filha, neta, viveu jogando e dando lições até chegarmos no seu finalmente de despedida, ou seja, em resumo tudo acontece na trama com mortes inesperadas, sofrimentos, amores, ilusões e desilusões, que funciona, e até envolve. Não sou o maior adepto do estilo novelesco de cinema, mas diria que a trama aqui foi tão bem trabalhada que o resultado me convenceu a gostar do que vi, então acredito que para muitos vai agradar também.

O longa nos conta a história de Marco Carrera, conhecido como colibri, em uma vida de coincidências fatídicas, perdas e amores absolutos. A narrativa prossegue de acordo com a força das memórias que nos permitem saltar de um período para outro, de uma época para outra, num tempo que vai do início dos anos 1970 ao futuro próximo. Colibri é sobre a força ancestral da vida, da luta árdua que todos fazemos para resistir ao que às vezes parece insustentável. Mesmo com as poderosas armas da ilusão, da felicidade e da alegria.

Diria que a diretora e roteirista Francesca Archibugi soube conduzir o livro de Sandro Veronesi com uma pegada muito bem trabalhada e entrelaçada de detalhes, não fazendo quase que em nenhum momento algo sequencial, tendo quebras a todo momento para atos do passado que se misturam com presente, meio como se fossem as lembranças do protagonista vindo em sua mente nos seus últimos momentos que ele mesmo decide ter, ela nos permite ter esses encontros e desencontros amorosos e dramáticos que a vida pode nos pregar de uma maneira única e bem colocada que acaba agradando de certa forma, mas que brinca com nossa mente sem deixar que saibamos realmente o que está acontecendo ali. Ou seja, a diretora soube ousar para que seu filme tivesse uma vida maior e não ficasse tão amarrado aos detalhes, o que é bem interessante de ver, pois sem precisar exagerar nos atos conseguiu em duas horas algo que muitos entregariam em meses.

Sobre as atuações, outro fato interessante da trama foi trabalhar com poucos atores em foco, pois a trama dava aberturas gigantescas para tudo, e a equipe de maquiagem também trabalhou bastante para envelhecer os protagonistas nas várias fases que o longa entrega, usando somente alguns atores diferentes nos atos da infância/juventude do protagonista, ou seja, teve muito ganho de personalidade com tudo. E claro o destaque fica para o protagonista Pierfrancesco Favino que costumeiramente o vemos em personagens bem de cara fechada, trouxe aqui para seu Marco um olhar meio que vago, sempre em busca de algo, meio que sofrido, mas doce, meio que clássico de essência, mas se desenvolvendo com todas as intensidades, e assim deu tudo para que o personagem fosse muito além e agrada sem soar falso em nenhuma das épocas, o que é muito válido, pois poderia ir melhor em uma ou outra fase, e conseguiu não precisar mudar de atores. Tivemos também Bérénice Bejo muito bem encaixada com sua Luisa, trabalhando de maneira envolvente uma personagem ampla de ideais, solta e cheia de detalhes, que como sendo a grande paixão do protagonista poderia ir para outros rumos mais tórridos, mas que se desenvolve bem na estrutura, faz trejeitos e olhares marcantes e chama para si os atos sem apagar o protagonista. Já Kasia Smutniak trabalhou sua Marina de forma explosiva, e vi isso nela desde o ato que aparece na TV antes de se casar com o protagonista, sendo uma mulher forte e dinâmica, que não chegaria ao fim tão normal e calma como Marco, e assim desenrola bem todos seus pontos e chama atenção para si em suas cenas, o que é errado de certa forma, mas que não atrapalha. Ainda tivemos em cena vários outros bons atores nos devidos personagens e desenvolvimentos, mas não vou me alongar muito e darei destaque apenas para Benedetta Porcaroli com sua Adele bem direta nos pontos-chaves junto do pai, e também Nanni Moretti que começa como o psicanalista de Marina, mas que depois acaba sendo um grande amigo do personagem principal, e dá os devidos fechamentos que ele precisava.

Visualmente o longa passeia por Roma, Florença, Paris, mostra praias bonitas na beira das casas, e alguns poucos desenvolvimentos internos, trabalhando claro os figurinos e carros das épocas, e até bem poucos símbolos, deixando mais as desenvolturas para os protagonistas entregarem em seus atos, e como disse tudo acontece muito rápido sem grandes floreios, e isso é um grande acerto por parte da equipe, que talvez até acabasse enrolando muito se colocasse detalhes em tudo, e assim o resultado é correto dentro da proposta, mas que não ousa em marcar território, apenas não errando de forma alguma nos detalhes de época e assim funciona.

Enfim, é um filme interessante, bem feito e desenvolvido, que traz um lado emocional bem colocado para quem gosta do estilo, então se você gosta de novelas e romances dramáticos bem encaixados, o resultado vai agradar bastante valendo a recomendação para assistir ele na próxima semana, mas se não for seu estilo é melhor pular para outra sessão, pois mesmo gostando do que vi, sei que muitos acabam cansando com o estilo novelesco, então deixo essa ressalva aqui. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Air - A História Por Trás do Logo (Air)

4/07/2023 02:15:00 AM |

Já disse outras vezes que os roteiristas andam meio que sem criatividade para entregar tramas ficcionais bem interessantes, tanto que tem aparecido tantas histórias de empresas, de jogos, de pessoas e tudo mais que mostra que pegar algo pronto e desenvolver ele na tela é algo muito mais fácil, porém como a maioria das histórias que andam aparecendo nunca parei para pesquisar e acredito que a maioria das pessoas também não, acaba sendo algo legal de ver na telona, conhecer um pouco mais de receitas de sucesso ou de fracasso de alguns empreendedores malucos, e quem sabe até pensar em usar isso para sua carreira, então acaba valendo a conferida. E a história que surgiu hoje em "Air - A História Por Trás Do Logo" é nada menos como a Nike basquetebol passou de 17% de público para quase 100% com uma jogada completamente ousada, no melhor estilo de apostas ao conseguir que Michael Jordan entrasse para o casting de atletas patrocinados pela marca, e mais ainda como essa jogada mudou o mundo dos patrocínios após essa negociação. Ou seja, mesmo sendo um filme simples falando do modo ficcional, pois toda a trama foi bem linear, quase como contada nos vídeos institucionais da empresa, com uma ou outra maluquice por parte dos protagonistas, acabamos vendo um longa bacana de ousadia tanto do lado da empresa quanto da família do atleta para que no meio do caminho tudo virasse o sucesso que conhecemos hoje, e assim sendo, acaba valendo a conferida seja no cinema, ou logo menos na Amazon Prime Video, pois sendo um longa da Amazon Studios, facilmente soltarão na plataforma.

O longa é baseado na incrível história real do chefe da marca esportiva e de calçados Nike, Sonny Vaccaro, e do fundador da Nike, Phil Knight. Ambos estão tentando tornar a marca uma das mais famosas do mundo, e escrever seus nomes na história. A dupla então tenta fazer com que a lenda do basquete Michael Jordan endosse seus produtos, ainda na década de 1980. O filme acompanha os esforços incansáveis dos dois membros da Nike para alcançar seus sonhos. E o que era só uma aposta, revolucionou o mundo dos esportes e da cultura contemporânea.

Sabemos que Ben Affleck não brinca em serviço, pegando papeis bons para ir além como ator, e como diretor sempre escolhe histórias que consiga desenvolver de forma engrandecedora e interessante, tanto que conseguiu surpreender muito em "Argo" aonde teve várias indicações, e aqui se a história tivesse um viés talvez um pouco mais ficcional lhe daria novas chances de aparecer nas premiações. E digo isso com um pesar bem grande, pois dava para brincar mais com a história e criar algo que brincasse mais com as apostas dos verdadeiros personagens, mas a trama seguiu retinha demais, e como disse no começo, ficou parecendo quase um video institucional com atores contratados pela marca para mostrar um case de sucesso, e não que isso seja algo ruim de ver, pelo contrário a história é bacana, porém dava para ir além, afinal sabemos do seu potencial, só que aqui pegou um roteiro de um estreante e não deu tão certo quanto poderia.

Agora falando das atuações, diria também que faltou um pouco mais de emoção nas personificações dos verdadeiros gênios empresariais que moldaram o sucesso que é hoje, mas tivemos um Matt Damon bem enfático no sonho de Sonny Vaccaro, mostrando que sendo um jovem guru do basquete jovem não errava muito nas apostas baixas, mas vivia se arriscando e não tendo uma vida gigantesca, claro até antes desse gigante contrato, e o ator brincou com algumas facetas, sendo bem trabalhado. Tivemos o próprio diretor Ben Affleck aparecendo como o fundador da Nike, Phil Knight, de um modo bem excêntrico e divagando bastante lemas e morais, soando por vezes até artificial demais. Tivemos Jason Bateman e Chris Tucker bem colocados como Rob Strasser e Howard White, dois dos grandes marqueteiros que a empresa teve no passado. E claro o destaque todo do filme ficando com a mãe de Michael Jordan brilhantemente interpretada pela sempre incrível Viola Davis, que aliás mostrando depois no final um vídeo da verdadeira Deloris Jordan, ficou muito parecida visualmente, e claro fez seus trejeitos bem colocados e marcantes. Ainda tivemos atos de grande impacto com Chris Messina como o agente de Jordan, David Falk, e Marlon Waians incrivelmente não fazendo comédia boba com um personagem, entregando um bom diálogo de seu George Raveling, porém dentre os "secundários" vale totalmente o destaque para Matthew Maher fazendo um Peter Moore gigantesco com as visões e sonhos de designs de tênis e da marca em si.

Visualmente a trama foi bem bacana, mostrando vários planos da empresa por fora e por dentro (acredito que tenha mudado muito e conseguiram retratar ela bem nos anos 80), vemos televisores e VHS com controle com fio algo que nem sei se chegou a ser lançado no Brasil, vemos algumas imagens de jogos e ações de Jordan mostrando a visão do protagonista de tudo o que iria acontecer com o atleta, carros da época, telefones fixos e móveis bem estranhos, e claro o desenvolvimento do tênis e as negociações, mostrando algo bem intenso e bem colocado nos detalhes.

Enfim, é um longa bem interessante pela história sendo contada em si, que muitos empreendedores irão ver como alguns sonhos saíram do papel na base da aposta, e que aqui deu muito certo, mas que dava para ter ido um pouco além com tudo, sendo algo que chamaria quase de um roteiro encomendado que com bons atores ficou melhor do que o imaginado, mas que se fosse um roteiro melhor mesmo com atores menos conhecidos acabaria indo ainda mais além. Ainda assim digo que recomendo o filme para todos, pois é interessante de forma geral, então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, voltando em breve com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Criaturas do Senhor (God's Creatures)

4/06/2023 09:26:00 PM |

Realmente o pessoal anda bem enfático nas temáticas mais difíceis de dialogar ultimamente nos cinemas, pois nunca foi algo normal aceitar várias coisas que são bem erradas, mas agora resolveram trabalhar de forma bem rígida com dramas pesados e intensos para que o público reflita também. E o longa que estreia no próximo 13/04 nos cinemas, "Criaturas do Senhor", vem de uma maneira bem introspectiva e marcante falar de abusos que alguns filhos fazem, e as mães relevam para defender as crias, mesmo que isso acabe atrapalhando sua vida depois, e contando com um trabalho minucioso bem marcante dos protagonistas, o filme dá a ideia, passa um pano de leve, mas critica bem diretamente tudo, e felizmente dá um final que não seja de impunidade para nenhum dos lados, sendo bem bacana de ver. Claro que já adianto que o estilo é bem de filmes de festivais, então alguns podem achar ele meio carregado e lento, mas felizmente é bem curto e funciona sem cansar, então fica a dica.

O longa é um drama psicológico ambientado em uma vila de pescadores irlandesa varrida por fenômenos naturais. A trama foca em uma mãe que, dividida entre proteger seu filho amado e seu próprio senso de certo e errado, decide mentir para proteger sua família, que é seu bem mais precioso. Mas o impacto devastador que essa escolha tem em sua comunidade, seus pares e em sua própria vida coloca em xeque essa decisão. Pode uma mentira ser capaz de despedaçar de forma irreversível toda uma unidade familiar e comunitária? Ela conseguirá arcar com as consequências de suas ações?

Diria que as diretoras Saela Davis e Anna Rose Holmer foram bem diretas na forma que desejavam mostrar a mente da protagonista em turbilhão, pois primeiro que o filho não dava sinal de vida há tempos depois de mudar de país, aí volta, faz a cagada, ela ajuda, defende, mente, oculta mesmo sabendo, se vê no meio do conflito com a mentira, e o meliante vai e repete a dose depois, a cabeça da pessoa pira mesmo, e o mais interessante de ver na proposta da trama é o sentir tudo ocorrendo, pois ficamos vendo as sensações dela, vemos o ambiente que é uma vila bem simples no meio do nada, vemos as dificuldades das pessoas ali, e tudo em um filme bem curto, que não enrola, mas que sendo bem introspectivo acaba tendo algumas nuances pesadas que parecem não fluir num primeiro momento, além de que tem toda a simbologia do estragar a ostra e tudo mais, ou seja, é daqueles filmes que parecem pequenos, mas que abrem uma discussão imensa na cabeça da protagonista, e claro, do público também, mostrando que mesmo sendo novas na função de diretoras podem ir bem além na carreira, pois começaram acertando.

Sobre as atuações chega a ser incrível as feições que Emily Watson entrega para sua Aileen, de modo que ela passa todas as sensações com seus trejeitos, marcando demais em cada ato mesmo que não fale nada na cena, e é brilhante ao mesmo tempo que nos conectamos com ela e sentimos as mesmas sensações, ou seja, perfeita demais. Já Paul Mescal diria que esse moço vai precisar fazer tratamento psicológico muito em breve, pois anda pegando só personagens pesados e difíceis de jogar na tela, de modo que aqui com Brian acabamos ficando com muita raiva de suas atitudes, e como já disse outras vezes, se um ator está fazendo um personagem duro e consegue trazer sentimentos para o público podemos dizer na lata que ele acertou, e isso mostra ser bom no que faz. Ainda tivemos outros bons atos bem densos com vários atores e personagens, mas sempre focando na dupla, de modo que é claro vale um destaque para a vítima de tudo, no caso Aisling Franciosi que trabalhou bem os trejeitos de sua Sarah, sendo marcante e direta em tudo o que precisava fazer, conseguindo não chamar o foco para si durante todo o filme, mas fechando com chave de ouro com a música subindo e ela andando por vários minutos enquanto o longa terminava.

Visualmente diria que preciso pesquisar como andam os incentivos de filmagem na Irlanda, pois tem aparecido tantos filmes ambientados por lá que tem de haver alguma coisa nas subliminares, mas isso é um mero detalhe, pois a trama foi muito bem composta pela equipe de arte, mostrou um pouco do cultivo de ostras, o dia a dia num galpão de preparação para venda de frutos do mar, alguns atos em um bar e a casa dos protagonistas, além de alguns rituais tradicionais da vila, sem grandes detalhes em alegorias, deixando tudo na responsabilidade da interpretação dos protagonistas.

Enfim, é um filme que consegue envolver bem e servir mais ainda nas interações reflexivas e de discussão que a trama permeia, valendo todo o tempo de tela que é rápido, mesmo aparentando uma certa lentidão no ritmo, então fica a dica tanto para conferida simples como também para grupos de discussão sobre o tema, pois vale muito falar sobre assumir uma culpa que não é sua para defender alguém. E é isso meus amigos, ele estreia dia 13/04 nos cinemas e eu fico por aqui agora deixando meus abraços e até breve para todos.


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Super Mario Bros. - O Filme em Imax 3D (Super Mario Bros. Movie)

4/05/2023 01:23:00 AM |

Costumo dizer que morro de medo de conferir filmes que estou com a expectativa alta demais, e esse ano promete muitas sessões com expectativas nas alturas! E eis que um dos primeiros desse grupo de filmes muito esperados chegou com "Super Mario Bros. - O Filme", pois não sei sobre vocês, mas eu passei boa parte da minha infância jogando Super Nintendo brigando com o Mario para passar fases impossíveis e claro zerando o jogo algumas vezes depois, e eis que agora já bastante tempo depois surge na telona exatamente a animação da forma que merece ser vista, com personagens bem formatados, uma boa história de introdução, uma dublagem de primeiríssima linha e claro muita tecnologia para empolgar do começo ao fim tanto os marmanjos que jogaram no passado, quanto as novas crianças que já estão jogando claro novas versões do game. Ou seja, o resultado supriu todas as expectativas que eu tinha e esperava ver, e agrada do começo ao fim, fora que quem sabe com a explosão da bilheteria (hoje em pré-estreia quase todas as salas estavam bem cheias) venha algumas continuações, afinal temos duas cenas nos créditos que dizem algo que aparentava ter faltado no longa, mas que vem aí!!

A sinopse nos conta que Mario é um encanador qualquer no bairro de Brooklyn junto com seu irmão Luigi. Um dia, Mario e Luigi vão para no reino dos cogumelos, governado pela Princesa Peach, que está sendo ameaçado pelo rei dos Koopas, Bowser, que irá fazer de tudo para conseguir reinar todos os lugares. É então quando Luigi é raptado por Bowser e o usa para procurar Mario, o único capaz de deter o Koopa e reestabelecer a paz. Mario terá que aprender como viver nesse novo reino perigoso, passando por vários biomas, aprender a dirigir carros, utilizar itens que o fazem soltar bolas de fogo das mãos, virar um animal e andar em plataformas nada confiáveis. Também estará acompanhado de amigos, como Toad e Donkey Kong.

Outro ponto que estava com muito medo da adaptação do jogo para o cinema é que pegaram dois diretores praticamente estreantes para um universo que tem tantos personagens icônicos, mas Aaron Horvath e Michael Jelenic, que só fizeram "Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas", conseguiram trazer com um carisma único tanto uma boa trama de introdução dos personagens, colocando como o Mario aprendeu a pegar seus poderes e utilizá-los, mostrou boas cenas de corrida com karts, trabalhou muito bem os demais personagens conhecidos em segundo plano com as devidas referências aos jogos do passado e alguns mais modernos da franquia, e ainda juntou com um outro personagem que tinha seu jogo solo de uma maneira muito bem colocada que é a franquia Donkey Kong, aparecendo todos os macacos que tinham no jogo, ou seja, a pesquisa para o filme foi muito intensa, e o melhor, a história ficou muito convincente de ver na tela, agradando do começo ao fim, e mostrando que os diretores "estreantes" jogaram muito para saber como transportar tudo para a tela, claro contando com um roteiro preciso de Matthew Fogel que já deu show nos seus últimos longas ("Minions 2 - A Origem de Gru" e "Uma Aventura Lego 2").

Diria que outro acerto da produção foi contar com dubladores profissionais para as vozes dos personagens, de forma que deram sotaques italianos perfeitos para Mario e Luigi, trejeitos bem dinâmicos para Toad, uma voz de adolescente/jovem para Donkey Kong, e tudo muito próximo das formas que imaginávamos eles falando conosco, afinal nos anos 90 apenas apareciam escritos as falas deles na tela, e com muito carisma entramos no clima de cada um na tela, vemos uma princesa bem independente no estilo das mulheres atuais, um Bowser imponente e com estilo de vilania tradicional de marcar território e querer tudo para si, e claro os protagonistas cheios de desenvoltura e diversão, ou seja, visualmente eles tiveram boas formas tridimensionais, se desenvolveram bem dentro da trama, e agradaram bastante em cada ato, além de sacadas nas piadas puxando para coisas que nós falamos, tudo muito bem dirigido pelo diretor de dublagem Manolo Rey que conhecemos de tantas vozes famosas, e que aqui ainda emprestou sua voz para o Luigi. Ou seja, até mesmo os personagens bem secundários como a estrelinha prisioneira com suas falas ácidas, passando pelos vários koopas, até chegar nos diversos Toads tudo tem muito sentido e funciona bem demais em cena.

Visualmente o longa é um espetáculo à parte, pois vemos os vários biomas que o personagem passa como florestas, o reino dos cogumelos, todo o sistema de treinamento que o protagonista é desafiado pela princesa para ir além, o castelo do Bowser em movimento passando pelos vários mundos, a área dos Kongs, e claro todo o ambiente colorido da corrida de karts, além do mundo sombrio que lembra bem o jogo atual do Luigi, ou seja, vários detalhes, tudo muito colorido, muitos personagens e elementos que você acaba até se perdendo para ver um pouco de tudo, e digo mais, fazia tempo que uma animação 3D não me surpreendia pela imersão de tela, pelos vários elementos saindo para fora também, ou seja, não ficou apenas como um ganha bilheteria, mas sim uma funcionalidade que acaba levando o espectador para junto do jogo.

O longa contou com as várias trilhas sonoras de diversos momentos do jogo que tanto impregnava na nossa mente, com as devidas acelerações quando pegava os poderes/incrementos de personagem, e ainda teve outras ótimas canções dos anos 80/90, ou seja, acertaram em cheio para que o filme tivesse aquele algo a mais que tanto gostamos de ouvir para entrar no clima e no ritmo da proposta.

Enfim, posso dizer que fiquei bem feliz com o resultado entregue, diria que dava para ter ido ainda mais além, pois é um filme rápido com apenas 93 minutos de tela, mas para uma apresentação e desenvolvimento logo de cara foram muito bem com tudo, de modo que passei todos esses minutos com um tremendo sorrisão na cara, e só não digo que darei uma nota máxima para ele, pois queria esse algo a mais acontecendo, mas valeu bastante e recomendo demais para todos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Vagão n° 6 (Hytti nro 6) (Compartment Number 6)

4/04/2023 12:57:00 AM |

Costumo dizer que para assistir um drama romântico introspectivo você precisa estar na mesma sintonia da trama senão a chance de não entrar no clima do que é entregue é bem alta, e o mais engraçado é que as sinopses desses filmes sempre parecem bem mais interessantes do que o que acaba sendo entregue. Comecei o texto do longa finlandês/russo "Vagão n° 6", que pode ser conferido na Amazon Prime Video, pelo simples fato de ser um longa interessante de ver, que passa a mensagem de que nunca se pode julgar nada pela capa ou pelo primeiro contato, pois tudo pode mudar no decorrer de uma longa viagem, e essa sacada funciona muito bem aqui quando uma jovem parte numa viagem estranha para o Polo Ártico e tem um sujeito estranho que logo de cara faz uma abordagem não muito agradável, porém com o tempo tudo passa a soar diferente, e esse mesmo que ela julgou é bem diferente do que ela não fez os mesmos questionamentos. Ou seja, a base é bem morninho para um filme no frio polar, mas que passa bem a mensagem e que quem gosta de longas mais fechados vai gostar bastante, só não espere paixão à primeira vista, pois aí é certeza de não encontrar.

O longa nos conta que quando dois estranhos se encontram, a princípio eles não parecem amigos e são divididos por classe, nacionalidade e língua. Laura, uma estudante finlandesa, acabou de dar adeus a sua namorada russa Irina e embarcou no trem indo para Murmansk, uma cidade remota no círculo ártico a fim de ver desenhos de pedra - supostamente algo poético e romântico para terminar seus estudos da Rússia. O Ioutish Ljoha, que lustra vidros de vodca, trabalha em uma mina regional. Enquanto a viagem continua, rachaduras aparecem nas fachadas que eles apresentam e suas vulnerabilidades os forçam a se reconhecerem como muito mais complexos do que se apresentam para o mundo.

É engraçado que os outros ganhadores do Festival de Cannes de 2021, "Titane" e "Um Herói" fizeram um barulho tremendo nas plataformas aonde foram lançados, enquanto esse que teve a mesma honraria acabou surgindo bem escondido na Amazon, e quase nem soubemos de sua existência, acredito por ser bem diferente de tudo, como um drama romântico bem trabalhado na essência mesmo, e que mais do que o comum do estilo, o diretor Juho Kuosmanen quis dar nuances para seu filme, trabalhando as aparências e insinuando sempre o algo a mais, e claro fazendo um fechamento bem marcante em cima de algo complexo. Ou seja, é daqueles filmes que muitas vezes você vê e não se conecta facilmente, mas que acaba indo além durante a exibição e isso é algo que marca muito. Claro que alguns vão ver e achar estranho e cansativo, mas mais por ser algo tão diferente do usual, mas se você se abrir para a ideia pode ser que até se apaixone por tudo, basta estar no clima que o longa pede e propõe.

Sobre as atuações, diria que Seidi Haarla conseguiu dominar bem o ambiente com sua Laura, de modo que trabalhou seus sentimentos e expressividades de uma maneira bem contida, porém sem ficar falsa, o que é bem interessante de ver em cena, e o grande acerto do filme foi fazer algo que tanto julgamos ruim, que é de ambos não terem uma química bem marcada, ao ponto que parecem mesmo quando estão se dando bem que se afastam, e isso mostrou uma forma diferente de conexão entre eles, que acaba agradando bastante. E falando de Yuriy Borisov vemos um ator muito bem colocado com seu Ljoha, de modo que num primeiro momento parece até exagerado na personalidade que pegou para trabalhar, mas conforme vai se desenvolvendo acabamos bem conectados com seu estilão e com tudo o que faz, acabando interessante e muito marcante no contexto completo. Quanto aos demais praticamente todos servem apenas de conexões, não indo muito além em seus atos, e isso é muito bom para a proposta da trama.

Visualmente o longa foi bem intenso com pouquíssimos ambientes dentro do trem, em uma cabine minúscula aonde vemos o protagonista inicialmente comendo de tudo e bebendo sem limites, vemos alguns atos no vagão restaurante e muitas cenas no pequeno espaço para fumar e respirar fora da cabine, várias paradas em cidades praticamente abandonadas no meio da neve, até chegarmos em Murmansk e a protagonista ter a decepção de que nada funciona direito no inverno em um lugar que mesmo no verão é frio (deveria ter pensado isso vindo de um lugar frio também né?), mas a boa sacada de fechamento e de envolvimento que desenrola depois é muito bacana e cheia de ousadas cenas no meio da neve, de navios encalhados e tudo mais, mostrando que a equipe conhecia muito bem tudo por ali para os melhores ângulos e desenvolturas inclusive dentro do pequeno carro.

Enfim, é um filme que diria bacana de essência, mas que poucos conseguirão captar tudo o que ele entrega, sendo até um pouco difícil de se conectar com tudo, seja pela estética ou pelos atos mais secos em si, mas o resultado final é bem gracioso e mostra a mensagem praticamente estampada na cara da protagonista, valendo a conferida. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Mistério Em Paris (Murder Mystery 2)

4/03/2023 01:32:00 AM |

A Netflix sabe que seu público ama comédias, mistérios e filmes de ação, basta ver a quantidade de tramas desses três gêneros que eles lançam anualmente, e juntar as três coisas é algo que pode dar muito certo ou virar uma mistura absurda sem tamanho, então já que vai arriscar, que arrisquem direito e coloquem o queridinho da plataforma junto, no caso Adam Sandler que sempre entrega filmes com bons resultados para a companhia e que gosta dos três estilos juntos. Pois bem, esse casamento perfeito de estilos deu muito resultado com "Mistério No Mediterrâneo" e até que gostei bastante do que vi lá, porém aqui no novo "Mistério Em Paris" diria que exageraram demais em tudo, ficando daquelas tramas bagunçadas que Sandler tem mania de entregar, pois diferente do primeiro que era bacana tentar descobrir quem era o assassino, aqui meio que já dá para pegar de cara, e a cada ato mais grandioso que o outro (inclusive batendo recorde que entrou para o Guinness Book) a trama mais confunde do que se desenvolve. Ou seja, não digo que tenham entregue um filme ruim, pois é um passatempo dos bons com uma produção imensa, cara e muito bem desenvolvida, mas que desaponta um pouco quem esperava ver algo mais misterioso sendo trabalhado na tela.

A sinopse nos conta que quatro anos após solucionarem o primeiro assassinato, Nick e Audrey Spitz são detetives em tempo integral e precisam fazer sua agência dar certo. Convidados para o casamento de um amigo conhecido como Marajá em sua ilha particular, o casal Spitz se vê novamente no meio de uma grande confusão logo no início da festa. O noivo foi sequestrado e todos são suspeitos: os convidados mais glamorosos, os familiares e até a noiva!

Costumo dizer que se você quer afundar uma franquia troque o diretor que deu muito certo no primeiro filme, e isso não falha nunca, pois parte do sucesso do primeiro longa ficou a cargo Kyle Newacheck que soube usar os pontos positivos dos atores para que o filme fluísse bem, e aqui Jeremy Garelick optou mais por algo grandioso de estilo do que na história realmente criada pelo roteirista James Vanderbilt. Ou seja, se em 2019 a brincadeira toda foi bem trabalhada numa história e nas nuances que os personagens podiam alcançar, agora tivemos um filme grandioso de produção, mas pequeno de essência, que praticamente só corre para todos os lados, mas com a entrega feita no último momento apenas, sendo que ela já estava fácil logo que ocorre. Dessa forma, volto a frisar que não é um filme ruim, seguindo bem o estilão Sandler de bobeiras, mas que dava para ter trabalhado melhor o roteiro para não ser apenas uma super produção ostentando valores, explosões, destruições e saltos, que aí sim seria um bom filme completo do gênero, pois as sacadas cômicas até que funcionam, mas se apagam rapidamente no meio do caos.

Sobre as atuações, um fato sempre fica bem claro desde "Esposa de Mentirinha" que Adam Sandler e Jennifer Aniston possuem uma química incrível para tramas que precisam de conexões, e aqui eles entregam tudo e mais um pouco, fazendo piadas prontas, piadas com eles mesmo e se jogando em cenas tão bizarras com seus Nick e Audrey Spitz que acabam sendo convincentes, ou seja, os personagens tiveram tantas conexões com seus atores que nem vemos mais eles ali, mas sim a cumplicidade entre eles, o que é bacana demais de ver na tela, pois ambos divertem e se divertem, o que é muito bom. Mark Strong entregou um Miller bem trabalhado em olhares e desenvolturas, mas também bem forçado como vilão num segundo momento, de modo que acabamos nem torcendo tanto por sua derrota, e acaba faltando estilo para marcar suas cenas, ou seja, ele poderia ter sido mais vilanesco para causar, e isso não ocorre. Tivemos ainda bons atos com as voltas de John Kani com seu Coronel Ulenga, Adeel Akhtar com seu Marajá e Dany Boon com seu Inspetor Delacroix, todos bem encaixados nos papeis e dando conexões para os protagonistas, além das inserções bizarras com Jodie Turner-Smith como uma condessa, Kuhoo Verma como a irmã do Marajá, Saira, e Zurin Villanueva como a repetidora Imani, mas sem dúvida as participações mais estranhas ficaram a cargo de Carlos Ponce como um piloto de helicóptero que fez piadas com raças de cachorros no começo e no final volta a aparecer, e Mélanie Laurent como a noiva do Marajá que praticamente foi um enfeite em todas as cenas, não chamando nada para si, e olha que ela é uma tremenda atriz de vários filmes franceses.

No conceito visual volto a falar que o que nos foi entregue é uma daquelas superproduções que impactam demais com o visual, com os efeitos, elementos cênicos e tudo mais que se possa pensar em ver num filme do estilo, pois geralmente as comédias costumam ser de orçamentos bem limitados, e aqui temos uma ilha imponente com uma festa de casamento indiana no melhor estilo possível, com elefantes, danças, presentes inusitados, quartos riquíssimos, depois vamos para uma Paris cheia de perseguições e destruições (inclusive construíram um café cenográfico que até enganou os vizinhos do local somente para a van do filme trombar com maior realismo!), fora as diversas cenas no topo da Torre Eiffel com direito a entrar no Guinness com um dos saltos, e depois recriar todo o ambiente de três andares do topo para as cenas mais perigosas, ou seja, é o famoso filme que entregam um cheque em branco para a equipe de arte e fala para eles se divertirem à vontade.

Enfim, volto a frisar que não é um filme ruim, mas passa bem longe de ser excelente, e acabou ficando em termos de história e desenvolvimento bem abaixo do primeiro longa, então é aguardar o que farão com um terceiro filme, afinal Sandler é amado ao máximo pela plataforma e certamente já estão bolando o que virá pela frente, aparentando que vão para a Grécia agora pela última cena do filme, então é aguardar, e minha recomendação é que vejam sem esperar nada dele, que assim vão se divertir ao menos, pois rir mesmo de rolar não vai acontecer. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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AppleTV+ - Tetris

4/02/2023 06:47:00 PM |

Costumo dizer que existem gênios que você nunca vai imaginar o que fizeram pela humanidade com tão pouco, e um desses gênios foi o russo Alexey Pajitnov que criou um dos jogos mais viciantes que já existiu no mundo todo, porém a história de como esse jogo saiu de apenas uma diversão entre amigos na empresa nacional de jogos do país e explodiu mundo afora com uma conflituosa negociação entre várias empresas e o comunismo da União Soviética para o famoso GameBoy foi algo monstruoso de se ver, e claro que a AppleTV+ que não é boba nem nada conseguiu os direitos do longa e estreou "Tetris" na mesma semana que virá para os cinemas um dos maiores jogos que já tivemos, ou seja, a briga continua. E para quem quiser ver um tremendo filmaço de negociações, a dica para o play é certo, pois são ótimas atuações dentro de uma trama complexa que chama atenção do começo ao fim e impacta bastante como tudo se desenrolou, sendo algo marcante visualmente e que feito com vários gracejos ficcionais conseguiu chamar ainda mais atenção.

A sinopse nos conta que antes de Tetris se tornar um dos jogos de computador mais famosos do mundo, ele passou por uma jornada extraordinária: quando o desenvolvedor de jogos de computador nascido na Holanda, Henk Rogers, descobriu o jogo do programador russo Alexey Pajitnov no final da década de 1980, a Cortina de Ferro da URSS estava prestes a cair. Com o objetivo de comercializá-lo mundialmente em consoles de videogame, Rogers adquire a licença do Tetris e se envolve em um turbilhão de mentiras e corrupção, de modo que precisa negociar até com o serviço secreto russo KGB. Enquanto várias partes fazem reivindicações legais sobre o jogo, Rogers logo se vê envolvido em uma enorme batalha legal.

Não conhecia o diretor Jon S. Baird, mas já fiquei bem curioso de ver seus outros trabalhos, pois o que entregou aqui foi algo simplesmente genial, contando com uma pegada mista com o formato do jogo, ou seja os famosos 8 bits, trabalhou a essência de sub-valorização que muitos programadores de jogos recebem (ainda mais na época da URSS comunista que tudo o que você fazia pertencia ao Estado), e ainda brincou com as famosas jogadas legais de contratos, colocando as várias empresas jogando contra si mesmas, analisando as pequeninas linhas e encabeçando muito todo o ambiente, para que o apocalipse de vendas fosse algo marcante entre os vários grandes chefões das companhias, ou seja, ele soube dar um ritmo tão frenético para a produção, que se realmente as negociações para venda do jogo mundo afora foi dessa maneira os caras suaram bastante, e claro muito dessa ótima história se deve Noah Pink que criou um roteiro muito bem embasado, cheio das nuances mais incríveis de se ver, de tal forma que o diretor apenas orquestrou o ritmo, e isso sem dúvida é o que fez o filme ganhar minhas palmas ao final, pois suei junto com os personagens, e passar a emoção em uma trama vista em casa é algo muito difícil de acontecer, comigo ao menos.

Sobre as atuações, novamente tenho de dizer que Taron Egerton é sem dúvida um dos grandes nomes na sua faixa de idade, de tal modo que ainda vai explodir mais do que já fez em vários filmes, e aqui seu Henk Rogers é cheio de expressividade e dinâmicas, e um completo maluco que se realmente o verdadeiro Rogers fez isso ele era um surtado, e o ator conseguiu puxar o carisma do personagem para si, foi criativo de trejeitos e segurou o filme inteiro com ele, o que é maravilhoso de ver, ou seja, deu show na tela. Nikita Efrenov trabalhou de um modo mais sério seu Alexey Pajitnov, dando as completas nuances da época aonde ninguém podia dar brechas para qualquer estrangeiro no país, e demonstrou um carinho próprio bem encaixado em suas cenas, sendo seguro e bem colocado. Outro russo bem encaixado na trama foi Igor Grabuzov como um agente corrupto bem encaixado e cheio de explosões expressivas, de modo que seu Valentin Trifonov foi marcante e imponente de se ver. Ainda tivemos Anthony Boyle cheio de estilo para com seu Kevin Maxwell no melhor estilo de filho de dono de empresa gigante que acha que manda em tudo e quer aparecer sem saber negociar realmente, fazendo praticamente birra de criança mimada em várias cenas, e acertando muito com isso; outro que entrou com tudo foi Roger Allam fazendo o grande Robert Maxwell que teve direitos de muitos jogos em sua vida e o ator trabalhou seu personagem como alguém que dá seus jeitinhos bem trabalhados; e claro tivemos o pequenino grandioso Toby Jones muito explosivo e impactante com seu Robert Stein cheio de dinâmicas que marcaram bem tudo; e para não me estender muito ainda vale um destaque para Sofya Lebedeva com sua Sasha imponente e dupla no que precisava fazer.

Visualmente o longa foi uma grande brincadeira cênica, pois foi filmado apenas no Reino Unido, mas conseguiu representar na tela várias locações entre Japão, EUA e claro URSS (Rússia), de forma que vemos muito do ambiente secreto e misterioso da União Soviética, os carros dos anos 80 bem encaixados, as várias pessoas fazendo bicos de intérpretes nos hotéis, as roupas pesadas para aguentar o frio do país, e claro muitos computadores e videogames gigantes que tinham naquele ano, além da grande novidade sendo mostrada à sete chaves para o protagonista, o primeiro console móvel para jogos, ou seja, tivemos um longa muito representativo para a equipe de arte conseguir conceber tudo, e além disso a equipe gráfica brincou bastante com o visual de 8 bits dos jogos, transformando os cenários, os personagens e tudo do ambiente nesse estilo como se fosse realmente um jogo de várias fases, ou seja, simplesmente genial.

Outro ponto muito positivo na trama sem dúvida alguma foi a trilha sonora incrível contando com grandes clássicos da época, que além de dar uma emoção e um saudosismo para esse que vos escreve e nasceu nessa época, deu um ritmo marcante e impactante demais para toda a trama, ou seja, é claro que compartilho aqui o link para todos ouvirem antes e depois do filme, pois vale demais!

Enfim, sei que muito do que foi colocado na tela foi ficcional, afinal negociações nem sempre rolam dessa forma maluca, mas é isso que venho falando já faz muito tempo que precisa acontecer no cinema biográfico, que tem de manter sim a base da história para acreditarmos e conhecermos os personagens e o que ocorreu, mas se bem temperado até uma pedra fica gostosa, então a criatividade deu o ritmo que o filme precisava e o resultado ficou incrível de tal maneira que pesei muito para dar a nota máxima, e que só não darei pelo simples fato de trabalhar alguns elos familiares que não seriam tão necessários para o longa, mas ainda assim é um tremendo filmaço que vale o play com toda certeza. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Sombras de um Crime (Marlowe)

4/02/2023 02:17:00 AM |

Um dos vértices do cinema investigativo é o que trabalha com detetives particulares em tramas com clima noir, tendo base na maioria nos anos 20/30 envolvendo crimes passionais e outras desenvolturas próprias com muito estilo, e o longa "Sombras de um Crime" trabalha bem essas facetas na Los Angeles dessa época, misturando tráfico com a indústria cinematográfica, e ainda embasando as máfias e as estrelas com seus devidos amantes, sendo daqueles filmes que tem pegada, tem estilo e consegue segurar bem o público durante toda a exibição, e que contando com bons atores em personagens marcantes acabam entregando carisma e desenvoltura para que o clima funcione bem e seja intenso. Diria que o gracejo do longa é trabalhar a síntese toda com algo forte, porém sem causar com explosões, ditando um ritmo quase que bem ditado, aonde vemos policiais de todos os tipos, criminosos da mesma forma e muitas pessoas querendo um algo a mais, e isso acaba sendo de um charme único bem encaixado que agrada bem do começo ao fim, e que quem gostar do estilo vai lembrar bem de outros grandes clássicos do gênero na pegada que o diretor quis implementar aqui. Ou seja, é daqueles filmes que você parece que já viu outras vezes, mas que sempre vale a conferida por outros olhares.

A sinopse nos conta que os negócios do investigador particular Philip Marlowe vão mal quando a bela Clare Cavendish ilumina seu escritório decadente com o rosto. Ela tem uma missão: seu amante Nico Peterson desapareceu sem deixar vestígios e Marlowe deve encontrá-lo. Um trabalho vem a calhar para o detetive e ele nunca foi capaz de recusar um desejo de uma beleza misteriosa. Ele também se apaixonou pela loira de olhos negros imediatamente. Então ele se joga no meio da busca e, assim, mais uma vez bem no meio de grandes problemas. Porque ele desvenda um mistério e logo assume uma família poderosa e riquíssima que não se esquiva de nada.

O longa que é baseado no livro de John Banville, e no personagem criado por Raymond Chandler foi bem adaptado para a telona pelo diretor e roteirista Neil Jordan, que soube usar o clima para cadenciar uma boa investigação, encheu a trama de personagens e histórias secundárias, e facilmente transformaria o longa em uma série de uns quatro a cinco capítulos, pois usou o clima denso de uma história bem amarrada por outras histórias e foi tecendo uma boa colcha de retalhos que não cansa, e que se abrir cada detalhe dá um bom caimento. Ou seja, para não ir muito a fundo com nenhum dos personagens secundários, o diretor escolheu bem seus vértices e focou bastante no protagonista para que ele se entregasse ao máximo e criasse a sua própria trama dentro de tudo o que está ocorrendo, e felizmente não forçou as cenas para que caíssem no estilo do ator, que sabemos bem que só funciona no estilo tiro, porrada e bomba, e que aqui deu o ar mais charmoso na investigação, que também lhe deu permissão para dar alguns tiros e socos.

E já que comecei a falar dos atores, vou falar um pouco dos principais, pois como disse antes tem muitas subtramas no longa e o texto ficaria imenso, e claro que tenho de começar por Liam Neeson em seu 100º filme, entregando algo até mais calmo do que seus últimos trabalhos, e por incrível que pareça esse estilo cai bem melhor para ele que já está na casa dos 70 anos, pois tem o estilão brucutu, mas trabalha mais com investigações e nuances do que com a pancadaria saindo correndo para todos os lados, então se quiser ir mais além em outros longas como Philip Marlowe acredito que daria um bom resultado. Diane Kruger entregou uma mulher misteriosa com uma pegada meio que sensual e marcante com sua Clare Cavendish, sendo envolvente e com trejeitos bem intensos que acabaram fluindo com bons momentos, e mesmo que apareça e desapareça de cena muitas vezes, acabou chamando a atenção e isso é bom de ver. Da mesma forma Jessica Lange brincou com sua Dorothy Quincannon, mostrando o poder das atrizes na época que influenciavam tudo e todos, e tendo muita riqueza acaba chamando todos para perto de si. Ainda tivemos bons atos de Ian Hart como o delegado da polícia Joe Green, Danny Houston como o gerente do clube, Floyd, e Alan Cumming com seu Lou bem trabalhado, isso sem esquecer de Adewale Akinnuoye-Agbaje como o motorista Cédric e claro o desaparecido Nico bem feito por François Arnauld, entre muitos outros bons pequenos papeis que chamaram a atenção.

Visualmente a trama tem muito estilo, trabalhou bem os anos 30 de uma Los Angeles mista entre artistas do cinema, mafiosos e traficantes contando com seus clubes restritos, boates misteriosas, carrões luxuosos e tudo mais que desse um bom tom investigativo, além de armas bem trabalhadas e claro o clima chuvoso para dar um ar mais rebuscado para tudo, ou seja, é daqueles filmes que contam com um estilo mais clássico, e que a equipe de arte acaba trabalhando bastante e aparece seu serviço.

Enfim, a trama raspa bem perto de ficar meio que novelesca com a grande quantidade de personagens e histórias secundárias, e em determinados momentos até parece uma continuação de algum outro filme, mas que o diretor soube conduzir tudo de uma forma bem marcante que funciona e entrega o que o público gosta de ver no estilo, então vale a recomendação para todos que curtem um policial investigativo bem sofisticado e sem grandes impactos. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Kill Boksoon (Kill Bok-soon) (길복순)

4/01/2023 08:50:00 PM |

Existe a seguinte divisão em cima dos filmes de assassinos profissionais e suas devidas rixas, antes e depois de "John Wick", pois qualquer trama que venha a acontecer pelos próximos anos iremos comparar com a saga perfeita que tivemos nos últimos anos, e se quiserem entregar algo condizente com o estilo agora vão precisar muito já que a barra foi colocada lá no alto. Comecei o texto do longa sul-coreano da Netflix, "Kill Boksoon", dessa maneira pôr a trama lembrar muito a essência dos filmes com Keanu Reeves, pois pela sinopse a trama focaria bem mais no processo da protagonista como mãe ser mais difícil do que como assassina, porém tirando leves conversas que tem com a garota, o restante é suas missões e conflitos com outros grupos de assassinos, ou seja, apenas para não falar que é uma cópia feminina do longa que já conhecemos tentaram colocar algo diferenciado no meio, o que não foi tão além. Claro que o filme aqui tem boas cenas de lutas, tem todo um ensejo bacana da protagonista disfarçar para a filha o seu verdadeiro serviço, mas não vai muito além, e para piorar é uma trama muito cansativa e alongada, que não empolga ninguém, o que é uma pena, pois o estilo pedia uma versão bem trabalhada do gênero com mulheres, e o começo do longa até parecia algo mais bem sacado, o que não continuou ocorrendo.

A sinopse nos conta que Gil Boksoon parece uma mulher normal, mas ela esconde um segredo: vive uma vida dupla. Uma hora ela é a mãe de uma adolescente, mas depois ela vira uma da assassina de aluguel lendária na agência MK. Tentando equilibrar a maternidade do trabalho letal, ela acaba se recusando a fazer um trabalho e compra uma briga inevitável.

O diretor e roteirista Sung-hyun Byun criou algo até que bem montado na tela, aonde vemos ações fortes e dinâmicas bem colocadas nas diversas lutas da trama, mas nos atos que precisou trabalhar a história e os diálogos o resultado acabou ficando monótono demais, sendo daqueles que você torce logo para que a protagonista se envolva em mais alguma confusão para que não precisem conversar coisas sem nexo algum. Ou seja, é daqueles filmes que até parecem ser primeiros longas de um diretor, que pegou retalhos de outros filmes e fez o seu, mas não, pois já tendo uma boa experiência anterior dava para brincar mais com tudo.

Sobre as atuações diria que Do-yeon Jeon se entregou bastante nas cenas de luta, soube fazer carões e trejeitos bem de impacto, e transmitiu um bom carisma para sua Gil Bok-soon, de modo que nos conectamos com ela, e torcemos para ela nas principais lutas, porém dava para desenvolver um pouco mais seus atos como mãe para que o filme saísse um pouco mais da base, mas é 2 minutos em casa e 50 minutos em lutas, e isso acabou sendo uma falha grande do roteiro que lhe foi dado. Kyung-Gu Sol entregou alguns atos bem densos com seu Cha Min-Kyu e deixou algumas nuances possíveis de que seria o pai da garota, mas como não foi desenvolvido isso, o resultado mostrou apenas como um bom líder de assassinos que bota a mão na massa também. E ao contrário do irmão que saiu para a luta, Esom fez as cenas de sua Cha Min-Hee com mais ironia e falsetes, criando atos bem colocados e chamando atenção pela expressividade, porém não utilizaram tanto isso, o que é uma pena. Quanto aos demais vale destacar apenas a jovem Kim Si-A como a filha da protagonista e a estagiária com grande futuro na empresa de assassinos vivida por Lee Yeon, mas nada que fosse extremamente chamativo.

No conceito visual o longa também lembra muito "John Wick", com reuniões das cúpulas de assassinos em um lugar neutro, cenas em ambientes escuros com muitas lutas e imagens sendo quebradas em slow-motion, muitas armas brancas e elementos cênicos sendo usados como armas, como hashis, machados e tudo mais que tivesse na frente dos protagonistas, e um figurino também bem dark, além de alguns atos na escola da filha da protagonista e também na Rússia junto de uma máfia local, ou seja, se apropriaram de alguns elementos e não ficou ruim de ver, mas dava para melhorar.

Enfim, é um filme até que bem interessante de proposta, mas que acabou se perdendo no miolo, não deu resoluções para a maioria das questões da trama, e cansou demais com uma história que nem é quase usada, afinal o conceito de mãe mesmo ficou bem subliminar. Então para quem curte filmes asiáticos de luta e não liga para histórias, até deve curtir a boa ação entregue, mas do contrário é melhor dar play em outro filme, pois o resultado ao menos para o meu gosto foi bem mediano, não sendo algo que recomendaria facilmente. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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A Primeira Comunhão (La Niña De La Comunión) (The Communion Girl)

4/01/2023 02:32:00 AM |

A maioria costuma reclamar que os longas de terror entregam clichês demais em suas tramas, mas diria que o gênero pede isso, sendo algo bem próprio e quase uma marca clássica, só que como tem tantas vertentes dentro do estilo, algumas entregam algumas inovações mais chamativas enquanto outros ficam mais repetitivos dentro da base. E o maior princípio característico que sempre vemos é espíritos ou assombrações demoníacas que causam um certo mal nas pessoas, as perseguindo para que descubram um jeito de sobreviver antes de surtarem efetivamente, e com a trama do longa espanhol "A Primeira Comunhão" vemos bem essa base sendo usada de forma interessante, causando claro vários sustos gratuitos, e também alguns atos bem tensos que se encaixam com a densidade da trama, e claro que muitos vão ficar mais precavidos e não vão pular tanto, porém o resultado é bem marcante, e se não quisessem deixar aberto para uma continuação/prequel colocando um fechamento melhor, diria que teriam cumprido todas as metas com muito sucesso, mas como quiseram brincar com possibilidades acabou ficando um pouco exagerado demais.

O longa nos situa nos anos oitenta numa cidade como qualquer outra em Espanha, mais precisamente 1987 no povoado de Tarragona. Sara teve que se mudar para este lugar e simplesmente não se sente confortável na cidade. Lá ela tem uma melhor amiga chamada Rebe que também vive no lugar. Um dia, elas se divertem em uma boate, bebem, se drogam e vivem uma noite inesquecível. Ao voltarem para casa, encontram uma estranha boneca vestida com um vestido de comunhão. Mal elas sabem que essa descoberta mudará completamente suas vidas e os transformará em um pesadelo.

O diretor Victor Garcia já experimentou várias faces de tramas de terror, mexendo com alguns clássicos e continuações, e embora não seja daqueles que trazem muitas novidades em suas obras, ele sabe brincar com as facetas tradicionais do estilo e causar tensão, de modo que dá pra ficar pensativo em alguns momentos com o que fez aqui, se assustar com algumas aparições repentinas, e causar com a violência de algumas mortes, não sendo algo que você vá sair do cinema passando mal ou ficar sem dormir, mas acaba sendo um bom nome para se pensar quando falar de diretores de terror, pois ele usou o artifício do orçamento barato e de muitos efeitos práticos, que acaba impactando mais do que muita computação gráfica, e chama o público para perto de si. Ou seja, aqui não temos nenhum filme grandioso que será lembrado por anos, mas que sendo honesto com o que o público do gênero gosta de ver acaba funcionando.

Sobre as atuações, o mais bacana em filmes de terror é quando as atrizes entram no clima e demonstram estar com temor do ser, pois quando não passam a ideia para o público o filme acaba ficando morno demais, e aqui Carla Campra teve alguns atos interessantes de espanto, mas logo sua Sara se vê quase como uma detetive, e isso acabou pesando um pouco no estilo, não que ela tenha se saído mal, mas poderia se impactar mais. Embora Aina Quiñones tenha um estilão punk, sua personagem Rebe tem tantos problemas em casa com o pai que o monstro acaba sendo até meio que light para ela, mas quando o bicho pega, a atriz acabou fazendo atos bem desesperados e marcantes. Ainda tivemos Marc Soler bem feliz com a moça lhe dando bola, e sendo corajoso em alguns atos de seu Pedro, mas sorriu bem mais do que ficou com medo, e isso não é algo comum com um bicho daqueles lhe perseguindo, e claro ainda tivemos Carlos Oviedo como o traficante Chivo, bem direto e explosivo, tendo sua cena de impacto bem marcante, e diria que poderiam ter feito outras dessa forma, quanto os demais alguns saíram meio que jogados em cena, outros tiveram nitidamente suas cenas cortadas, mas não damos tanta falta deles.

Visualmente a trama teve uma boa contextualização de época, com figurinos e carros, mas também deu todas as nuances das vilas aonde todos se conhecem, com suas lendas e tendo claro a Igreja como base de tudo, ousando brincar com uma loja de jogos da época, catacumbas, rolos de filmes antigos, revistas de galãs juvenis e tudo mais que pudesse chamar atenção, funcionando bem, mas sem grandes chamarizes, ou seja, sem ter muito para gastar.

Enfim, é um bom filme do gênero que dava para ter ido um pouco mais além, mas que causa alguns sustos e funciona como deveria, valendo a recomendação para quem gosta do estilo e quer ver algo bacana sem ser o tradicional americano. E é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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