A sinopse nos conta que após a morte do marido, Mara viaja com a filha e alguns familiares até à casa de férias da família na floresta, numa tentativa de sarar velhas feridas e preparar a venda da propriedade. Porém, umas férias que deveriam ter sido um adeus ao passado tornam-se num autêntico pesadelo quando Lide, a única filha de Mara, desaparece no exato momento em que deflagra um incêndio florestal naquela área. Isolada, sem ajuda e com o incêndio a avançar descontroladamente, a família arrisca entrar na floresta numa corrida desesperada contra o tempo. A sua única esperança parece ser Santi, o guarda-florestal, mas rapidamente surgem suspeitas e nada é o que parece. Entre o medo, a mágoa e segredos enterrados, Mara apercebe-se de que o incêndio não é a única ameaça… alguém está a mentir.
Já tinha falado muito bem da direção de David Victori no seu longa anterior "Não Matarás", e novamente ele me surpreendeu com um estilo pegado, pois aqui ele combinou bem dois estilos de filmes que se complementam na tela, que é o de desaparecimento com a correria contra forças da natureza, juntamente com o suspense ao redor das relações humanas, ou seja, o famoso conflito para todos os lados, que se sozinhos já causam, imagine juntos, aonde ele pode brincar com várias facetas, e ainda colocar o espectador na personalidade dos protagonistas, afinal duvido que muitos não irão se ver nos papeis principais. A única coisa é que não sei se mostraria o que realmente aconteceu entre o guarda florestal e a garotinha, pois da mesma forma que não é mostrado o como chegou ali, a abertura da mente do público ficaria ainda mais intensa, ou seja, dava para tudo ficar ainda mais forte. Porém, ainda digo que o diretor trabalhou muito bem novamente, e já dois filmes bons seguidos é motivo para ficarmos de olho nele.
Quanto das atuações, gosto dos trejeitos que Belén Cuesta costuma entregar para suas personagens, e aqui sua Mara oscila tanto de humor e personalidade durante toda a duração da trama, que poderia ser até várias pessoas em uma só, mas como qualquer mãe que conhecemos, ela se joga por completo para defender sua cria, e a grande sacada ao final foi a comparação que ela recebeu com uma ursa, o que deu um tom perfeito para tudo que ocorreu. Da mesma forma, Joaquín Furriel parecia ser o mais zen possível com seu Luis, centrado, disposto a ir em busca tranquilamente, mas depois do ponto de virada aonde seu filho também entra na jogada, o cara vira o pitbull defensor máximo da casa, e o ator se entregou por completo nas dinâmicas, tendo um fechamento que merecia um pouco mais, mas seus olhares falaram por si. E ainda tivemos Enric Auquer com seu Santi muito estranho, mas como o personagem pedia, pois é a famosa fala, escondeu no começo, virou suspeito, e o estilão dele chamava atenção demais, de modo que talvez não precisassem explicar tanto sua vida anterior, mas deu ao menos mais chance para mostrar o estilo e as justificativas na tela.
Visualmente diria que a equipe escolheu bem uma floresta interessante para se filmar, porém a forma que deu início ao fogo ficou meio superficial e forçada, com alguns efeitos que poderiam ter sido melhorados, e uma floresta imensa sem casa alguma, e duas casas praticamente juntas acabou parecendo algo meio sem sentido, mas a liberdade de escolha acaba sendo bem colocada quando talvez exista algo realmente assim. Diria também que a equipe soube trabalhar bem as cenas no meio da fumaça, com uma iluminação bem alocada, fazendo parecer realmente que gravaram com muito fogo ao redor, o que deu um bom tom para a trama.
Enfim, é um filme que funcionou bastante, aonde a proposta foi trabalhada e causou o conflito que necessitava para amarrar do começo ao fim o espectador, de tal maneira que alguns elementos poderiam ter sido mais trabalhados e outros menos desenvolvidos, mas que na soma geral agradou muito, então vale a recomendação de play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.







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