O longa nos conta que em Littlehampton, uma cidade litorânea inglesa de 1920, moram a profundamente conservadora local Edith Swan e a turbulenta migrante irlandesa Rose Gooding, que são vizinhas. Elas e outros residentes do bairro começam a receber cartas perversas e obscenas que são, além de incomodativas, involuntariamente hilariantes. Sem precedentes, Rose é acusada de tal ato. As cartas anônimas provocam um alvoroço nacional e segue-se um julgamento em cima de Rose que corre o risco de perder a guarda de sua filha caso seja condenada. No entanto, quando as mulheres da cidade, lideradas pela policial Gladys Moss, começam a investigar o crime elas mesmas, elas suspeitam que algo está errado e que Rose pode não ser a culpada, afinal.
É muita verdade que a diretora Thea Sharrock decolou após o seu primeiro longa, "Como Eu Era Antes De Você", mas aqui ela mostrou uma outra faceta sua ao trabalhar um estilo de humor negro com pitadas investigativas e sem colocar traquejos forçados, mas sim uma trama real bizarra que consegue fazer cada detalhe fluir melhor, e que num primeiro momento você já desconfia quem seria a pessoa que está escrevendo realmente, mas que a diretora soube brincar bem sem entregar tanto no começo, e depois fazer o ponto de virada certo com a investigação mais de forma imponente para realçar o machismo do país na época e todas as dinâmicas sem precisar remover os palavrões maravilhosos usados para xingar as pessoas na época. Ou seja, a diretora foi sutil e direta aonde precisava sem enfeitar o doce, o que acaba sendo gostoso de ver na tela.
Quanto das atuações, não existem palavras para definir o quão expressiva e sábia de estilo é Olivia Colman, pois ela sabe transformar uma personagem simples como a sua Edith Swan em algo gigantesco, cheia de traquejos, de minúcias nas entregas, e seu ato final é de um teor que merece todos os aplausos possíveis, pois incorporou todos os anos de prisão da personagem para se soltar com tudo, ou seja, deu show. Já Jessie Buckley entregou uma Rose completamente solta, sem preocupações com estilos ou sínteses pessoais, fazendo uma mulher bem diferente para a época, mas com personalidade e imponência nos seus atos. Ainda tivemos bons momentos com Timothy Spall com seu Edward bem robusto de entrega, Anjana Vasan fazendo uma policial bem cheia das nuances com sua Gladys, e Joanna Scanlan trabalhando sua Ann com um estilão mais brucutu que foi até divertido de ver, ou seja, um elenco de apoio bem encaixado para dar vazão nas cenas das protagonistas.
Visualmente a trama foi bem simples de locações, tendo uma vila de casas bem juntas e simples, aonde de um lado temos a família mais fechada, com tudo organizado, do outro lado temos a casa da protagonista com um estilo mais desleixado, mais simples ainda, sem praticamente nada, vemos também uma prisão sem grandes luxos e um tribunal bem lotado para o caso coberto pela mídia da época, ou seja, um trabalho de época bem estruturado e que consegue chamar atenção.
Enfim, é um longa gostoso de conferir, com boas sacadas e um humor que muitos não são tão fãs, mas que brilha com estilo e consegue divertir na tela junto de um bom mistério, que certamente valeria ter ficado um pouco mais escondido para brincar mais com os espectadores, mas ainda assim é um bom filme que vale o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.







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