Arco

2/24/2026 01:02:00 AM |

Uma coisa que vem chamando muita atenção nas premiações das animações é que filmes independentes cada vez mais tem surgido entre os mais cotados, mostrando que não é só textura e sínteses rápidas bonitinhas que andam conquistando o público e também a crítica, de tal forma que o conteúdo vem chamando muita atenção e envolvendo os votantes para que esses estilos cheguem para os demais. E um exemplar bem bonito desse ano é o francês "Arco", que estreia nessa quinta 26/02 em cinemas selecionados pelo país, trazendo um jovem de um futuro bem longínquo, que quando tenta viajar para o passado para ver os dinossauros de perto acaba caindo no ano de 2075 (acho que está perto demais para pensarmos em mudar a ideia do longa) aonde uma garotinha e seu robô tentarão ajudar ele para que consiga voltar para o seu ano, brincando com facetas emocionais, com problemas do clima e tudo mais para que a essência de uma amizade rápida funcionasse e brilhasse dentro de traços simples e bonitos de ver.

A sinopse nos conta que um menino de 10 anos chamado Arco vive no ano de 2932 e acidentalmente viaja de volta no tempo para 2075 através de um arco-íris. Lá, ele conhece Iris que o acolhe e fará de tudo para ajudar Arco a voltar para seu tempo. Nessa realidade na qual arco-íris são portais para o futuro e para o passado, a viagem no tempo não é apenas uma aventura, mas uma forma de desvendar as verdades perdidas sobre nosso planeta. Quando Arco fica impaciente e decide embarcar para o passado, apesar da viagem ser restrita para pessoas maiores de 12 anos, ele precisa ser salvo por Iris. Enquanto o laço entre os dois cresce, Arco descobre mais sobre a era de Iris, um tempo no qual os humanos dependem de androides para viver e precisam morar em redomas que os protegem dos climas extremos.

É interessante que esse é o primeiro trabalho como diretores de longas de animação de Ugo Bienvenu e Gilles Cazaux, e eles ao mesmo tempo que não quiseram ousar com técnicas, foram bem ousados com a história, pois costumo dizer que imaginar o futuro é algo digamos fácil, afinal muitos não estarão aqui para saber nas datas sugeridas, e também dá para se imaginar se a humanidade seguir na bagunça que andamos fazendo por aqui, então foram simbólicos no que precisava ser simbólico e diretos aonde precisavam pontuar, tanto que a sacada de como acontece o final foi muito bem bolada, afinal os estudos do passado dizem muito sobre isso, de conhecer o futuro analisando o passado, e foram bem sucintos na temática, não querendo reinventar a roda, aonde puderam brincar com a amizade dos jovens, o bug das máquinas, e o clima caótico, sendo bem pontuais e bonitos pela ideia em si. Confesso que o miolo me cansou um pouco, mas não foi nada que atrapalhasse o resultado geral, que é bem feito e envolvente.

Uma coisa que senti faltar no longa foi um maior desenvolvimento dos personagens, pois o garotinho já quer viajar logo de cara, não mostrando tantos motivos para isso, sendo algo muito direto na tela, e mesmo quando viaja para o outro ano, Arco fica meio perdido nas situações, pois sendo o protagonista deixaram praticamente tudo para a garotinha e o robô, o que ficou um pouco subjetivo demais. E embora a garotinha Iris também não seja tão desenvolvida na tela, teve uma participação maior em tudo, tendo um trabalho dinâmico do "abandono" dos pais que trabalham mais do que ficam com os filhos, o carinho com a babá robô e toda a essência em si acontecendo na tela, conseguindo puxar o carisma mais para si. O robô Mikki foi bem cheio das facetas para proteção realmente, tendo a sacada da IA não conseguir acessar o futuro e bugar ele, o que acabou sendo interessante de ver pela proposta, mas depois com o seu aprendizado foi bem bacana o que fez na caverna.

Visualmente o longa 2D é bem colorido nas cenas com o arco-íris, mas também foi bem forte nas cenas climáticas, com chuvas imponentes, destruição de coisas penduradas para todos os lados com os robôs arrumando tudo, e o fogo dominando nos atos finais foi algo muito marcante no quesito simbólico da trama, além claro das casas-árvores bem interessantes pela representação em si, sem ter grandes desenvolvimentos na tela. Ou seja, a equipe de arte foi sucinta nas escolhas, funcionou, mas poderia ter ido ainda mais além com seus traços se o roteiro fosse um pouco mais desenvolvido.

Enfim, é um longa bonito e bem representativo, que faltou um pouco mais de desenvolvimento para ficar perfeito na tela, mas que ainda assim comove e envolve com o que apresenta, sendo um bom representante nas premiações, e assim mais do que vale a indicação de conferida dele, também para a reflexão de como as coisas andam rolando para quem sabe mudarmos o futuro também. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, agradecendo o pessoal da Mares Filmes e da Mubi pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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