A Sapatona Galáctica (Lesbian Space Princess)

2/12/2026 01:24:00 AM |

Costumo falar que as animações são literalmente o estilo que se pode fazer qualquer coisa que der na cabeça do diretor, pois é algo livre e que aceita algumas maluquices sem ficar forçado, e hoje chegou para conferida o longa australiano, "A Sapatona Galáctica", que estreia em alguns cinemas agora dia 12/02, e traz uma proposta muito ousada de animação adulta (ou seja, não vá levar as crianças para a sessão) brincando com boas sacadas do mundo feminino, tendo situações e dinâmicas bem colocadas, e o mais divertido tendo como vilões homens heteros brancos, ou seja, algo bem fora da caixinha, que soube tirar onda e envolver com uma boa pegada de desenho. Fora que tem muitas outras coisas que não vale ficar soltando spoiler, mas que certamente fará muitos rirem dentro de tudo, além claro de canções bem colocadas. Ou seja, é daqueles filmes que você fica se perguntando inicialmente quem foi o maluco que pensou tudo isso, mas depois da conferida fica até querendo mais, e quem sabe role, pois tem espaço para desenvolver mais coisas, e o principal, sem forçar a barra, afinal o contexto aqui é livre para tudo.

O longa nos conta que a princesa lésbica espacial parte em uma missão na gayláxia para resgatar sua ex-namorada das garras dos homeliens héteros brancos. Com uma nave problemática e uma amiga cantora gay pop, ela descobre que o verdadeiro poder vem de dentro.

Diria que para uma estreia em longas de animação, as diretoras e roteiristas Emma Hough Hobbs e Leela Varghese, foram bem ousadas e souberam desde o começo aonde desejavam chegar, ao ponto que seu filme não tem um momento que fosse sutil, tendo tudo bem direcionado, cheio das nuances, e claro não duplos sentidos nas coisas, mas múltiplos sentidos da melhor forma para se discutir o tema: que é na base da brincadeira. E claro que esse ataque direto foi muito sábio, pois podia dar extremamente errado na tela, ainda mais com um desenho mais cru, sem texturas ou profundidades computacionais, usando o bom e velho 2D na tela, e isso não chega a incomodar de forma alguma, pois o que vale mesmo na trama são as histórias e dinâmicas, então poderia ser até com palitinhos que daria muito certo, e assim veremos aonde elas chegarão num próximo trabalho.

No contexto dos personagens posso dizer que ficou muito engraçado ver os homeliens héteros com suas paranoias, a protagonista Saira teve uma boa pegada, mesmo sendo chorona e insegura demais, e forçaram um pouco demais na Kiki, e fiquei um pouco com pena da Willow, que com toda sua cantoria chamou muita atenção na tela, mas como tudo foi muito bem encaixado na tela, o resultado geral acabou sendo satisfatório de ver, só diria que alguns personagens secundários ficaram muito fora do elo, e talvez valeria alguma explicação melhor para tudo, e claro não poderia esquecer de falar da nave, que foi muito bacana também na entrega.

Visualmente o desenho 2D não deixou nada a desejar, tendo os diversos "mundos", com sacadas do ambiente feminino, masculino, das difíceis entradas e saídas, do vazio entre ambos os lugares, todas as sacadas entre membros e usos, e tudo mais que nem dá para ficar detalhando muito sem que o texto fique digamos "quente", então vale reparar em cada detalhe minucioso da história e como tudo foi representado na tela, pois funcionou demais.

Enfim, é uma animação muito diferente do usual, que tem pegada e funciona bastante, que quem curte animações adultas com boas doses irônicas e cheias de intensidade vai se divertir bastante e quem sabe até torcer por uma continuação. E é isso meus amigos, fica a recomendação para quem estiver nas cidades que o longa estrear, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Synapse Distribution e da Atomica Lab Assessoria pela cabine, então abraços e até amanhã com mais dicas.


0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...