(Des)controle

2/06/2026 08:47:00 PM |

Um dos melhores feitos que os diretores nacionais tem feito nos últimos anos foi tentar fugir do drama novelesco, que infeliz dominou muito nosso cinema no passado, e que é um estilo fácil de desenvolver na tela. E meu principal medo ao conferir o trailer de "(Des)Controle" era que forçassem tanto a barra na tela ao ponto do filme recair para esse formato, pois tinha todas os possíveis clichês do estilo sendo trabalhado em um único filme, porém como a trama é baseada na história real da produtora Iafa Britz, optaram mais em trabalhar a essência imponente da fraqueza na luta contra o álcool e as facetas que muitas vezes um vício proporciona, do que criar personagens e abrir mais o leque. Ou seja, vemos o famoso só um gole virar uma bomba depois de muitos litros na cabeça, e a perca total do controle que a personagem acaba sofrendo. Claro que o filme é bem amarrado, porém ele se alonga e repete muitas vezes para enfatizar o que desejava mostrar, então mesmo tendo espaços divertidos, por vezes cansa um pouco, mas felizmente não fica ruim de conferir.

O longa nos mostra que Kátia Klein é uma escritora bem-sucedida que enfrenta uma crise criativa às vésperas da entrega do seu novo livro, ao mesmo tempo em que descobre a falência do seu casamento e administra o acúmulo das demandas dos filhos e dos pais. Sobrecarregada e em busca de alívio, ela passa de uma simples taça de vinho ao total descontrole, sendo gradualmente engolida pelos excessos do vício.

Diria que as diretoras Carol Minên e Rosane Svartman souberam usar bem a vida de Iafa Britz, pois como ela é uma das produtoras de maior sucesso no país, a maioria do meio a conhece bem, e claro que sua presença produzindo algo que viveu, deu mais brechas para que tanto a equipe quanto a protagonista conhecesse e se envolvesse mais com a personagem real. Ou seja, vemos na tela o famoso retrato que talvez alguns não gostassem tanto de mostrar, mas que pintado da forma abstrata e correta acaba fluindo e funcionando para que outros sigam o rumo melhor, mostrando que até mesmo uma diretora de novelas consegue fazer algo sem ser novelesco.

Quanto das atuações, fazia tempo que não via Carolina Dieckmmann tão solta na tela, de modo que sua Kátia Klein teve muita personalidade e entrega, principalmente por talvez estar próxima da verdadeira "Kátia", porém valeria ter trabalhado um pouco mais sua versão de outra personalidade, pois ali a explosão ficou bem clara que dava para ir além. Como é um filme aonde a protagonista é mais importante do que a própria história em si, os demais personagens e atores acabaram um pouco apagados, de modo que Caco Ciocler com seu Zeca certinho demais, Irene Ravache com sua Esther simpática e Daniel Filho com seu Levi, acabaram não chamando tanto para si, porém tivemos bons momentos de Júlia Rabello com sua Léo, sendo mais do que uma agente, e sim uma amiga, e também os garotos Stéfano Agostini com seu Eduardo e Rafael Fuchs Müller com seu Bernardo agradando bastante com o que fizeram.

Visualmente a trama teve muitos momento na casa da protagonista, saindo garrafas de vinho de onde você menos esperar, tivemos várias cenas em boates, bares, praias, e até mesmo numa livraria para um lançamento com um robô completamente desnecessário para a trama, mas que resolveram brincar com a ideia, e acabou servindo, além da organização de um bar mitzva bem rapidamente com uma sacada legal dentro da ideia dos encontros.

Enfim, é um filme simples, bem feito e que funciona bem dentro da proposta, porém dava para arriscar mais e chamar ainda mais atenção para os conflitos que o alcoolismo entrega, mas aí certamente a trama iria para um outro rumo. Então é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas como quase toda sexta, lá vou eu para mais uma sessão, então abraços e até mais tarde com outro texto.

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