Kokuho - O Preço da Perfeição (国宝) (Kokuhô)

2/28/2026 02:53:00 AM |

Quando vi a ideia do longa japonês, "Kokuho - O Preço da Perfeição", que está concorrendo ao Oscar de Melhor Cabelo e Maquiagem, fiquei intrigado de como era esse mundo do Teatro Kabuki, aonde homens na maioria interpretam as heroínas de histórias míticas com muita imposição e desenvoltura, sendo um estilo clássico do país, aonde famílias vão seguindo e passando suas técnicas e treinos de geração em geração virando até lendas no país, e a essência de um jovem criado no meio da Yakuza entrando para esse novo mundo foi bem interessante, pois mesmo tendo as interpretações marcantes com o ar feminino, em momento algum os personagens são femininos, tendo uma entrega, uma personalidade, e principalmente um clima denso para mostrar mesmo o respeito e as facetas. Claro que é um filme que poderia ser menor, pois tem quase três horas densas de tela, mostrando as diferentes peças que os jovens interpretam e as devidas conexões, mas tudo funciona tão bem de forma envolvente que você acaba esquecendo da duração. O longa que estreia na próxima quinta (05/03) nos cinemas nacionais só está indicado em uma categoria na principal premiação do cinema, mas facilmente teria bala para brigar em outras categorias, pois a fotografia é bem marcante, a cenografia impecável e muito bonita na tela, e o som se faz presente até nos atos mais silenciosos, ou seja, vale conferir mesmo.

O longa nos situa em Nagasaki, no ano de 1964. Após a morte de seu pai, líder de uma gangue da yakuza, o jovem Kikuo, de 14 anos, é acolhido por um famoso ator de kabuki. Ao lado de Shunsuke, o único filho do ator, ele decide se dedicar a essa tradicional forma de teatro. Ao longo das décadas, os dois crescem e evoluem juntos, da escola de atuação aos palcos mais grandiosos. Em meio a escândalos e glórias, irmandade e traições, um deles se tornará o maior mestre japonês da arte do kabuki.

O estilo japonês de direção em si já é algo cheio de detalhes e símbolos, mas aqui Sang-il Lee foi muito além, tanto que uma bilheteria de filme original japonês não batia recordes há anos e todo o país foi conferir essa tradição tão bem representada na tela, sendo que mesmo para nós do outro lado do mundo em um primeiro momento parece estranhíssimo ver dois homens fazendo movimentos calmos e cheios de precisão para representar animais transformados em mulheres, mas vamos acostumando com cada detalhe que o diretor priorizou de modo que cada síntese da história fizesse muito sentido. E o melhor é que não é uma história de alguém especificamente, aliás nem sabemos se Kikuo ou Shunsuke existiram realmente, mas ficamos vidrados neles querendo saber mais por onde andou o outro que ficou sumido, e como viveu realmente o verdadeiro nessa história que é contada por anos, e acabou sendo brilhantemente desenhada na tela, pois as pinturas da maquiagem são tão precisas que acabamos encantados pelo trabalho completo, mostrando que a direção fez muito bem em não cortar até mesmo atos "repetidos" dentro das quase três horas, pois é lindo de ver em detalhes.

Quanto das atuações, temos um começo com Soya Kurokawa entregando atos mais abertos para o protagonista jovem, tendo também bons atos de maquiagem e dança além da interpretação perfeita, mas quando Ryô Yoshisawa assume o papel de Kikuo já mostra uma evolução de presença e claro também de rancor no olhar, afinal todos vão contra ele ser bom, mas não ser da família original do teatro, e essa densidade forte deu o tom que o longa precisava para segurar o público, sendo belíssimo e emocional na mesma medida, principalmente pela boa atuação. Do outro lado, Keitatsu Koshiyama na versão jovem e Ryûsei Yokohama na versão adulta trabalharam seu Shunsuke de uma maneira mais fechada, por vezes parecendo incomodado com o amigo sendo melhor que ele, mas tendo também um carisma na dupla, e assim o resultado ficou muito bacana de se envolver na tela. Ainda tivemos Ken Watanabe entregando muito com seu Hanjiro Hanai muito expressivo e cheio de imposições, Min Tanaka fazendo Mangiku Onogawa que até deu seu nome para a personificação, entre muitos outros bons personagens, que deram voz e conexão para cada momento da trama.

Visualmente não consigo aceitar do longa não estar concorrendo aos prêmios principais da categoria, pois vemos desde o Japão com roupas, estilos e casas dos anos 60 até chegar na modernidade ampla, mostrando bases estranhas para a maquiagem daqueles anos feitas pelos próprios artistas até chegar em uma equipe gigante para trocar e fazer tudo pelo ator do teatro, fora as mudanças cênicas de ambientes e contando dentro das peças os vários temas trabalhados, as casas, os ensaios e tudo mais, ou seja, um filme artisticamente falando lindo demais.

Enfim, é um longa que ainda tem muita presença sonora pelo toque dos instrumentos e da batida dos pés dos atores, sendo marcante e cheio de precisão cênica do começo ao fim, ou seja, é daqueles que vale reparar em cada detalhe e que agrada demais. Só pontuaria duas coisas que me fizeram não dar a nota máxima para ele, mas que não atrapalham em nada a experiência em si, que é a duração longa na qual o miolo fica um pouco monótono, e mesmo sendo emocional demais dentro da tela, faltou fazer o público de fora se emocionar mais, pois dava para fazer escorrer algumas lágrimas com poucas mudanças, mas ainda assim é um tremendo filmaço. E é isso meus amigos, agradeço demais a Sato Company, a Imovision e os amigos da Sinny Assessoria pela cabine de imprensa maravilhosa, e deixo vocês com essa dica para conferir a partir de quinta nos melhores cinemas, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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