Caminhos do Crime (Crime 101)

2/15/2026 01:58:00 AM |

Particularmente gosto bastante de tramas criminais com um certo suspense, pois dá uma boa pegada de ação sem precisar de correrias, e também deixa o público ficar pensando se irá dar certo o plano, quais as conexões e tudo mais, porém alguns diretores exageram nas aberturas do tema e acabam transformando seus longas em quase uma novela, tendo diversas quebras e personagens "principais", de tal forma que olhando para o pôster do longa "Caminhos do Crime", já lhe adianto que tirando Barry Keoghan todos os demais tem subtramas para serem desenvolvidas na tela, o que chega a ser um pouco cansativo demais para um filme de 2h19 minutos. Ou seja, é um bom filme, tem pegada e tem uma trama cheia de amarrações, porém não necessitava tanto exagero cênico para desenvolver algumas histórias secundárias, pois dá para entender o sentimento passado de uma maneira bem fácil, só que o diretor quis mostrar tudo na ponta do lápis, e o resultado acabou virando algo novelesco demais, que quem não curtir tanto vai acabar cansando em esperar tudo acontecer, e olha que é um filme da Amazon, que nos cinemas não dá para desistir, mas quando entrar no streaming certamente muitos irão pular partes.

O longa se passa na ensolarada Los Angeles e acompanha um ladrão de joias perspicaz e esquivo cujos roubos arriscados na famosa e icônica rodovia 101 da cidade deixa a polícia perplexa. Um dia, ele planeja o crime mais ambicioso da sua vida, vislumbrando ser o último trabalho. Surge, então, uma corretora de seguros desacreditada no próprio ofício que, enquanto enfrenta seus próprios obstáculos e encruzilhadas, passa a colaborar com o bandido. Nada, porém, é tão simples quanto parece e um detetive obstinado acredita ter encontrado um padrão na série de assaltos, fechando o cerco e elevando ainda mais os riscos. À medida que o grande e multimilionário roubo se aproxima, o trio é forçado a confrontar as ameaças e os custos das escolhas que fizeram.

É até engraçado ver o estilo de filme que o diretor e roteirista Bart Layton gosta de fazer, pois geralmente recaem para o lado criminoso, mas com ações mais controladas, e isso é bacana por mostrar foco, porém na maioria das vezes o exagero em procurar desenvolver demais os personagens é algo que acaba cansando o espectador, pois aqui facilmente dava para eliminar o lance amoroso dele com a garota que foi quase um enfeite cênico, poderia não precisar mostrar a separação do policial, e até mesmo algumas dinâmicas dentro da polícia dava para eliminar, o que reduziria fácil o filme para uns 100 minutos e ficaria redondinho e envolvente, mas isso é o famoso saber cortar antes de gravar, pois depois o apego acaba sendo grande pelas cenas. Claro que não estou falando que o filme não funcionou, pois a entrega é boa e bacana, mas dava para correr mais, impactar mais e aí sim inspirarmos e expirarmos na quantidade certa como o longa fala tantas vezes na narração.

Quanto das atuações, a equipe não economizou com elenco, tendo grandes nomes das mais diversas franquias na telona, de tal forma que o quarteto principal foi muito bem na tela, começando a falar claro pelo protagonista Chris Hemsworth com seu Mike/James bem frio de estilo, sabendo se portar em cada momento da trama, tendo a intensidade e o olhar bem alocado para que seu personagem não tivesse uma situação explosiva em ato algum, pois até mesmo na perseguição ao motoqueiro ele foi calmo e certeiro. Mark Ruffalo trouxe para o seu Lou um jeitão policial que já estamos acostumados demais de ver nas suas interpretações, aliás se não fosse com uma pegada mais "idosa" aqui, poderíamos dizer que ele estava gravando um novo "Truque de Mestre", pois fez exatamente os mesmos trejeitos de seu personagem lá na outra franquia. Halle Berry trabalhou sua Sharon como uma grandiosa mulher de negócios, com aquele faro completo de uma boa seguradora, mas sofrendo algo que vemos muito nos filmes de empresários que tentam subir na carreira e acabam sendo incapacitados por chefes que não valorizam, e seu estilo funcionou na tela sem ir muito a fundo. E por último tivemos Barry Keoghan com seu Ormon (aliás só aqui no texto soube o nome dele, pois não ouvi ele falar uma única vez que fosse na tela), tendo um estilo mais bruto de roubo, com muita violência e explosão, sendo bem colocado nos momentos que teve na tela.

Visualmente o longa teve ares bem imponentes, com um começo mostrando as ruas e rodovias de Los Angeles, trabalhando tudo numa noite bem cheia das luzes, depois vemos uma mansão bem imponente que a protagonista está negociando, vemos o assalto bem organizado e planejado do protagonista a uma joalheria, e vemos depois um assalto explosivo do outro ladrão, também nos é mostrado um pouco da vida do policial e alguns almoços em restaurantes e hotéis, mas tudo bem básico sem grandes adereços, tendo as casas deles algo mais chamativo para o detalhe do sono ruim da moça, a casa sem fotos do outro rapaz, e a mudança do policial, ou seja, tudo clean para economizar no orçamento já que gastaram muito com os protagonistas. 

Enfim, é um longa simples, que no streaming vai conseguir um certo sucesso pelo elenco, mas que no cinema foi apenas mais um que facilmente será esquecido em breve, pois é básico até demais para um filme de crime, e assim o resultado só foi imponente mesmo por ver numa telona gigante. Sendo assim, deixo a recomendação com mais ressalvas do que agrados, e fico por aqui hoje, então abraços e até breve com mais textos.


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