A Conferência (Die Wannseekonferenz) (The Conference)

10/15/2022 11:25:00 PM |

Existem alguns filmes que você quer ver toda a produção, o ambiente, o desenvolvimento dos personagens e tudo mais que faça você entrar de cabeça na trama, mas tem outros que você olha e vê que facilmente caberia num palco sem nada, pois o texto é tão forte e imponente que fala sozinho com o público, e se olharmos o ambiente do longa alemão "A Conferência" é uma mansão lindíssima ao redor de um belo lago, com uma paisagem deslumbrante, mas que lá dentro foram tomadas algumas das decisões mais horrendas e desumanas que o mundo já viu em sua existência, e se vermos a naturalidade dos personagens em pensar como gastariam menos para dar uma solução final para os judeus da Europa toda, se indagando com algumas contas que iriam cansar demais os seus soldados e tudo mais, que chegam a doer na alma inteira, e sim o filme foi baseado em algo que aconteceu, e que brilhantemente foi muito bem representado na tela por atores que se expressaram com olhares fortes e dinâmicas tão bem colocadas em um único ambiente que chega a ser traumático. Ou seja, é um filme denso de uma reunião, que durou menos que 100 minutos expressa muito mais terror nos olhares dos protagonistas que vários filmes de terror mesmo, valendo como uma trama biográfica, mas também como uma reflexão de como a humanidade se perdeu por completo ali.

A sinopse nos conta que em 20 de janeiro de 1942, representantes de alto escalão do regime nazista alemão se reuniram em uma idílica vila no Great Wannsee, no sudoeste de Berlim, para uma reunião que ficou para a história como a Conferência de Wannsee, por causa de seu alcance, fatalidade e consequências, talvez a conferência mais terrível da história humana. Estão presentes 15 líderes da SS, do NSDAP e da burocracia ministerial. Eles foram convidados por Reinhard Heydrich, chefe da polícia de segurança e do SD, para uma "reunião seguida de café da manhã". O tópico exclusivo da discussão de aproximadamente 90 minutos é o que os nacional-socialistas chamaram de "Solução Final para a Questão Judaica", que significa a organização burocraticamente planejada do assassinato em massa sistemático de milhões de judeus de toda a Europa.

Diria que o diretor Matti Geschonneck foi muito preciso no estilo que desejou representar na tela, pois como se sabe a reunião foi bem curta, com pouco mais de 90 minutos, com os líderes chegando para um breve café da manhã, algumas discussões e depois voltarem para seus postos, e ele não quis nada de muito fora da base, tendo algumas conversas paralelas numa varanda, outras alfinetadas de ego durante a boquinha livre, mas todo o processo mesmo concentrado nas três mesas, aonde ele pode passear com sua câmera no meio e pegar as melhores expressões sérias e marcantes em cima do tema, pois como bem se pensava na época enxergavam os judeus como bichos realmente, uma praga que precisava ser destruída como alguns falavam, e toda essa dinâmica de discussões, de apresentações dos projetos das câmaras de gás para economizar balas e até os próprios soldados, afinal os próprios judeus iriam tirar os mortos para terem "algo especial" cedido, ou seja, é um texto fortíssimo que é dito com muita facilidade pelos protagonistas, e isso tornou o filme forte e brilhante para algo simples e digamos até bem fácil de ser produzido.

Quanto das atuações, todos entregaram trejeitos bem fortes e dinâmicas muito bem colocadas nos devidos atos, mas como é uma reunião aonde todos estão sentados discutindo, não tivemos grandes expressividades e momentos chamativos que fizessem nenhum dos 15 se destacar tanto, mas vale claro chamar a atenção para Philipp Hochmair com seu Heydrich bem direto nas colocações, chamando sempre o ato para si, e claro botando todos os pingos nos is das dúvidas dos demais de como seria o processo, mostrando um ar bem fechado mas completamente feliz com os resultados atingidos. E do lado oposto Godehard Giese com seu Dr. Stuckart discordando de algumas ideias, sugerindo outras, e com um ar não tão amplo fazendo meio que um desdém de todo o processo, sendo também bem marcante na mesa. Ainda tivemos Frederic Linkemann com seu Dr. Lange, que trabalhou muito feliz em cena, demonstrando um carisma por conta do que o personagem tem feito no leste do país, e o ator soube entregar carisma e atitude, algo que sabemos que muitos desses generais nunca tiveram.

Visualmente nem tenho muito o que falar, afinal já repeti diversas vezes que o ambiente do longa facilmente poderia ser um palco em qualquer teatro simples, afinal é uma reunião com 3 mesas, várias pastas e papeis, figurinos padrões dos generais nazistas, alguns cafés, comidas e conhaques, tudo dentro de uma mansão incrível ao redor de um belíssimo lago, mas que não usaram nada do ambiente, afinal a reunião foi ali fechada e muito bem representada. 

Enfim, é um filme com um texto interessantíssimo, que envolve e faz você nem piscar durante toda a discussão, que mesmo sendo algo terrível o que gerou na história real ainda vale pelos ótimos diálogos imponentes e que falam sem humanidade alguma, e que funciona demais, então se você não ligar para a força da trama, pode com toda certeza assistir ele assim que estrear nos cinemas no dia 03 de novembro, então fica a dica, e eu fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da A2 Filmes que tem mandado seus longas para apreciarmos, então abraços e até logo mais.

PS: Só não dei nota máxima para o filme por achar que poderiam ter usado mais o ambiente, mas essa não era a proposta, então fica valendo o que foi entregue!


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Caça Implacável (Last Seen Alive)

10/15/2022 01:26:00 AM |

Costumo dizer que filmes de ação são os que mais aceitamos falhas, mas tudo tem o seu limite, e precisam ao menos nos entregar alguma síntese crível para entrarmos no clima completamente, e justamente isso é o que falta para que o longa "Caça Implacável" funcione melhor, pois ele cria todo um clima tenso após o desaparecimento da protagonista, vemos todas as dinâmicas do marido literalmente caçando ela com o que descobre através do vídeo do posto (que por sinal é uma cena bem boba por conta do policial), mas ele praticamente vira um caçador nato, se embrenhando no meio da floresta, fazendo tocaia com os elementos da casa do "vilão", luta como se não houvesse amanhã, para no final o policial apenas dar um "ok, valeu"!!! Garanto que metade da sala do cinema ficou tensa durante todas as cenas do protagonista, torceu por ele, mas esperou alguma explicação maior por parte do sequestro, desejou algo a mais, e não nos entregaram, apenas finalizaram do jeito mais pobre possível, e isso foi broxante como a melhor expressão para definir. Ou seja, é um bom filme, mas pessimamente finalizado, parecendo que não souberam o que fazer no roteiro para ir além, e isso desaponta demais.

No longa vemos um homem investigando o submundo do crime da cidade enquanto escapa das autoridades em uma corrida contra o tempo para encontrar sua ex-mulher, que desapareceu misteriosamente em um posto de gasolina.

Como falei o longa tinha tudo para dar muito certo, afinal o diretor Brian Goodman conseguiu criar uma tensão forte, ficamos o tempo inteiro agoniados com a busca do protagonista, e mesmo achando ele exagerado demais na força, no estilo de guerra e corrida, torcemos por ele, então faltou uma melhor finalização do roteiro, e claro entregar mais para o público nos atos finais, talvez deixando a cena de abertura para realmente no momento que ocorre, criado mais desenvolturas ali nas cenas de busca, e talvez até mais explosão por parte dos traficantes ou então uma explicação melhor para o sequestro, pois soou bobo e sem atitudes, o que não é comum de ver em um filme do estilo. Ou seja, foram erros tão infantis que rasparam a trave de fazer o filme ficar ruim, mas a tensão é tão boa que o resultado mesmo sem grande expressividade convence.

Sobre as atuações, já falei isso, mas volto a repetir, que já vamos conferir um longa de Liam Neeson ou Gerard Butler esperando eles destruírem tudo, socarem os vilões ao máximo, atirarem sem erros, explodir o que tiver na sua frente e tudo mais para salvar sua família, mas aqui a síntese de seu Will é de um homem simples, sem grandes ensejos de lutas, e talvez um outro ator no lugar dele daria um resultado mais convincente para o papel, pois não que ele tenha saído ruim, mas seu personagem não tem a personalidade de um "corretor" de imóveis, e assim ficou meio estranho. Vemos mais cenas de flashbacks com Jaimie Alexander com sua Lisa do que seus atos propriamente ditos, já que some logo na segunda cena, e assim sendo ficou realmente parecendo um sequestro orquestrado por ela, o que daria um tom muito mais marcante para a história, ou seja, a atriz ficou morna demais, e o filme poderia ser outro com poucos ajustes. Russell Hornsby até foi bem persuasivo com seu detetive Paterson, mas entregou algumas nuances de que sabia de tudo o que rolava com os traficantes e ficou pianinho demais, ou seja, faltou um pouco mais de "heroísmo" para que seu personagem explodisse. Quanto aos demais, vale apenas um pouco da desenvoltura de Ethan Embry com seu Knuckles e Michael Irby com seu Oscar pelos trejeitos de apavoro nas cenas mais intensas, mas sem ir muito além, já David Kallaway foi quase um enfeite com seu Frank, aliás o protagonista chega lá sem nem saber quem é realmente Frank e sai empunhando tudo, ou seja, ficou falso.

Visualmente a trama teve algumas cenas bem alocadas no meio de uma floresta, um galpão bem ornamentado de produção de metanfetamina (bem claro que vai explodir e/ou pegar fogo, mostrando a todo momento os escritos de inflamável), uma casa meio que abandonada e estranha, uma delegacia simples, uma casa também simples da família da moça, e uma marina bem rica na casa dos protagonistas, além claro do posto aonde se passa todo o começo do filme, não sendo nada muito expressivo, mas bem colocado todos os elementos que a direção de arte desejava mostrar.

Enfim, é um filme mediano que com bem poucos ajustes seria incrível, pois consegue segurar bem toda a tensão, tem estilo, tem personagens interessantes, mas exagerou na força e não finalizou de maneira coerente tudo o que foi colocado, resultando em algo que serve de passatempo, mas que muitos irão reclamar no final. E assim sendo digo que recomendo ele com tantas ressalvas que até eu mesmo fico em dúvida se veria lendo tudo o que escrevi, mas fica a dica, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até logo mais pessoal.


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Amazon Prime Video - O Homem Ideal (Ich Bin Dein Mensch) (I Am Your Man)

10/13/2022 11:07:00 PM |

Sinceramente não imaginava ver uma comédia reflexiva hoje, mas nada da minha lista apetecia (estou parecendo aquelas pessoas que falam que não tem roupa para sair com o armário cheio), e resolvi dar play na comédia alemã "O Homem Ideal", que pode ser conferida na Amazon Prime Video, e mesmo tendo atos engraçados, com um romance interessante por não ser tão meloso e uma ficção científica bem alocada, acabou indo por um rumo bem diferente para se pensar como seria a vida de uma pessoa com um parceiro ideal, criado num robô humanóide com as qualidades e anseios de sua vida para lhe tornar feliz, aonde o algoritmo se autorreplicaria entendendo suas necessidades e sempre dando amor, como sua vida seria sem precisar se adaptar já que você tem tudo ali, e tudo mais. Ou seja, ao mesmo tempo que acaba sendo gostoso de ver, também acaba sendo bem preocupante, afinal toda a essência da vida mudaria, não teríamos de nos adequar ao mundo para agradar ninguém, e vice versa, algo que é conflituoso de se pensar, mas que dentro da trama faz muito sentido, e sendo leve e bem determinado consegue agradar bastante, valendo a conferida, e claro a reflexão.

A sinopse nos questiona "E se você pudesse criar o seu par perfeito?" Criado para responder qualquer pensamento inconsciente ou consciente? No filme, para a cientista Alma Felser a resposta é ceticismo. Ela fica relutante quando uma empresa pede para ela avaliar uma nova linha de ciborgues humanóides para saber quais direitos eles deveriam ter na sociedade. Ela acredita que levaria mais de mil pontos de pesquisas para avaliar tal situação. Mas quando o financiamento da pesquisa para seus estudos no Museu Pergamon de Berlim está por um fio, então ela decide três semanas teste com Tom, que está disposto a cumprir uma ordem: sua felicidade.

Diria que a diretora e roteirista Maria Schrader foi bem criativa em cima do livro de Emma Braslavsky, pois trabalhou toda a dinâmica de uma comédia romântica sem precisar explicitar um romance normal, sem precisar entregar toda uma melação sem limites, e principalmente sem clichês tradicionais do gênero, pois mesmo o robô tendo em seu algoritmo a ideia de um romance ideal com as vontades e ensejos da protagonista, a inversão de vontades vinha em conflito por ela não querer se entregar, e essa dinâmica acaba fluindo de uma maneira bem leve e com muita simbologia, o que agrada tanto pela reflexão quanto pela história determinada em si, e isso é algo muito bom de ser visto na tela. Claro que o estilo alemão é mais duro e frio por si só, mas ela conseguiu colocar leveza e interiorização de uma maneira tão ampla para ser discutida na trama que não vemos o ar florido em cima de tudo, e assim sendo o resultado acaba indo até mais além.

Sobre as atuações, Maren Eggert segurou bem o estilo de sua Alma, trabalhou bons trejeitos e criou as devidas dinâmicas para que fosse cética num nível bem dramatizado, não ficando artificial nem exagerada, mas condizendo bem com o estilo de uma cientista bem envolvida, e assim o resultado na tela funciona bem e encaixa aonde o filme precisava. Agora quem merece todos os parabéns sem dúvida é Dan Stevens que se entregou por completo com seu Tom, parecendo até não piscar em momento algum, fazendo movimentos de galanteio, mas sempre meio que duro e robótico, mas com nuances tão bem encaixadas e unindo uma personalidade tão marcante que rouba o filme quase que para si, e se a essência da protagonista não fosse tão forte ele conseguiria, mas formaram uma boa dupla de contrapontos, e o resultado foi único. Ainda tivemos bons momentos e diálogos bem encaixados com Sandra Hüller entregando uma terapeuta de casais com uma surpresinha bem encaixada e com um bom envolvimento e Hans Löw fazendo bem seu Julian com olhares e dinâmicas bem de conexão com o tempo da protagonista, agradando num resultado meio que secundário, mas agradável dentro do que precisavam para dar as devidas deixas para que os protagonistas se saíssem ainda melhores.

Visualmente a trama foi simples, tendo o apartamento da protagonista bem bagunçado, já que quase não passa o tempo em casa, tivemos as várias arrumações de café da manhã, banho de espumas com flores e todas tentativas de sedução do robô, tivemos atos numa floresta com animais e desenvolturas ligando o perigo ou não, tivemos a casa do pai da protagonista com a velhice bem difícil de se cuidar, um chá de cozinha/casamento do ex da protagonista, e claro várias cenas no museu aonde ela trabalha, não sendo algo muito impositivo, mas bem detalhado de elementos e símbolos, além das cenas de dança na fábrica de ciborgues, que tem muitas dinâmicas futuristas e interessantes de se pensar.

Enfim, não é um filme perfeito, não é daquelas comédias que você vai rachar de tanto rir, nem é daqueles romances que você vai suspirar aos montes, mas tem boas dinâmicas, tem uma boa reflexão sobre a vida com opostos e com tudo perfeitinho, e claro também a síntese em cima do futuro robótico, então faz valer o play agradando com uma forma simples bem colocada, e assim sendo acredito que muitos irão gostar do que verão, então fica a recomendação. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - O Último Vermeer (The Last Vermeer)

10/12/2022 10:53:00 PM |

São dois estilos de filmes que me agradam mais que tudo: um suspense com reviravoltas de cair o queixo e uma boa trama de julgamento que você vê a defesa acabar com toda a imponência da acusação, se tiver provas contundentes então acabo fazendo até festa assistindo o longa. E felizmente o play de hoje, por mero acaso já que o outro filme que iria ver só tinha versão dublada, é desses que você inicialmente não dá nada para ele, fica intrigado com a crueldade de algumas cenas, e que quando tudo começa a mudar no segundo ato fica na torcida pela entrega dos personagens, ou seja, quando chegou no julgamento mesmo do filme "O Último Vermeer" já estava ansioso para ver como tudo iria mudar, e o resultado foi muito bom mesmo até os últimos segundos. Ou seja, a trama que é baseada na história real de Han Van Meegeren, o maior falsificador de artes de todos os tempos, que enganou os nazistas vendendo obras que eles desejavam, mas que foi julgado por ter sido um apoiador da causa, ou seja, precisou provar que seus quadros eram falsos, mesmo passando pelo crivo de especialistas em arte que julgavam ser tudo real. Um filmaço imponente, cheio de nuances e intensas discussões artísticas, que acaba envolvendo pelo conteúdo completo, e que certamente vai surpreender a todos.

A sinopse nos conta que enquanto Joseph Piller, um judeu holandês, lutava na Resistência durante a Segunda Guerra Mundial, o espirituoso e afável pintor Han van Meegeren dava festas hedonistas e vendia tesouros artísticos holandeses para Hermann Göring e outros nazistas importantes. Após a guerra, Piller torna-se um investigador com a tarefa de identificar e redistribuir arte roubada, resultando no flamboyant van Meegeren sendo acusado de colaboração - um crime punível com a morte. Mas, apesar das evidências crescentes, Piller, com a ajuda de seu assistente, fica cada vez mais convencido da inocência de Han e se vê na improvável posição de lutar para salvar sua vida.

São bem poucos produtores famosos que se arriscam a dirigir uma trama, pois produtor mesmo gosta é de dinheiro no bolso, e vai lá apenas para pagar e falar se o filme está bom ou não, e certamente quando começam as letrinhas de muitos filmes você já viu escrito Dan Friedkin na tela, tanto que achei que não fosse o seu primeiro filme, mas sim, aqui foi sua primeira tentativa na direção de longas e facilmente se nota que é uma trama de um produtor, com cenas cheias de personagens, de quadros, de casas e ambientes em construção, festas, e todo um luxo máximo que certamente um diretor sem um bom orçamento não faria nem a metade, mas falando dele como diretor e não como um produtor, ele conseguiu trabalhar bem a história, recriar alguns momentos bem imponentes e dar uma versão diferente e bem colocada em cima de tudo, afinal já tiveram outras adaptações da vida de Han Van Meegeren, e aqui ele brincou mais com a ousadia do pintor, o conflito de um soldado que busca uma justiça pessoal e que muda de lado quando vê que errou, e tudo mais, ao ponto que o diretor não fez um trabalho perfeito, pois há falhas, mas como um primeiro trabalho ele acertou e muito, criando atos fortes, envolvimentos bem colocados, e só errou um pouco em algumas conexões, pois o filme tem um desenrolar meio que truncado, mas isso é detalhe técnico que passa tranquilamente.

Sobre as atuações, Claes Bang entregou muita personalidade para seu Joseph Piller, trabalhando alguns momentos mais fechados, outros mais retraídos, mas sendo bem direto nas sínteses que precisavam de trejeitos fortes seus, ao ponto que não passa nenhum carisma para que o público se conecte a ele, mas quando faz a virada de lado acerta bem em ser um homem honrado. Agora Guy Pearce está completamente irreconhecível como Han Van Meegeren, com um visual completamente insano, e desenvolturas ainda mais incríveis de ser vistas, trejeitos marcantes e bem encaixados, de tal forma que você chega a se perder com tudo o que ele faz em cena, ou seja, foi mais do que perfeito. Ainda tivemos atos bem cheios de força para Roland Møller com seu Dekker meio que brucutu demais, mas bem encaixado no que precisava fazer, tivemos a doçura de Vicky Krieps com sua Minna, o ar rebuscado e cheio de imposições que August Diehl fez com seu Alex De Klerks, entre outros que trabalharam bem para serem representativos e doarem algum bom tom nos atos do diretor.

Visualmente como já disse o longa é extremamente bem produzido, afinal o diretor é mais conhecido pelas boas produções que já fez, então aqui caprichou, com uma mansão/atelier do protagonista imensa, cheia de bebidas, obras espalhadas e tudo mais, uma galeria também bem chique, um local de execução em praça pública, um tribunal simples, porém bem desenvolvido e claro nas cenas de memórias as festanças e exibições na casa do protagonista, com muitas mulheres, drogas e tudo mais, ou seja, tudo muito bem montado para chamar atenção.

Enfim, é um filme bem representativo, que trabalha de certa forma todo o envolvimento do falsificador que acabou virando um herói holandês após o julgamento, e que funcionou bem dentro da proposta, sendo interessante, porém com um ritmo um pouco lento no início, que só lá para as cenas finais melhora, mas que não cansa e envolve bastante, valendo a recomendação. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Halloween Ends - O Acerto de Contas Final (Halloween Ends)

10/12/2022 01:28:00 AM |

Quem leu as minhas duas críticas dos filmes dessa nova trilogia Halloween sabe que gostei do conteúdo, mas reclamei demais da falta de uma história que causasse realmente terror, que tivesse um desenvolvimento sem ser de apenas matança, e que justificasse um pouco mais tudo o que ocorre, e eis que com o fechamento da franquia (quero ver inventarem um recomeço com tudo o que rola aqui) conseguiram entregar em "Halloween Ends - O Acerto de Contas Final" algo que me fez querer aplaudir dentro da sala Imax, mas que me contive e apenas saí muito feliz da sessão, pois a trama entrega muita violência e muito sangue como os fãs da franquia gostam, mas principalmente entregou uma história forte de perturbação e caos, que funciona, que causa impacto, e que com alguns sustos para dar uma incrementada envolve bastante e agrada demais. Ou seja, no final das contas o resultado foi positivo demais, pois como nunca fui fã da franquia, por achar algo com apenas matanças sem justificativas, acabei indo conferir sem esperar nada dele, mas saí vibrando com toda a entrega e sem dúvida posso dizer que foi o melhor de todos os 13 filmes (e não veio numa sexta-feira hein!) da franquia e que recomendo para todos que gostam de um bom terror.

A sinopse nos conta que quatro anos após os eventos do longa anterior, Laurie agora vive com sua neta Allyson e está terminando seu livro de memórias. Michael Myers nunca mais foi visto. Depois de permitir que a sombra de Michael pairasse ao longo de sua existência por décadas, ela finalmente decidiu se libertar do medo e da raiva e se voltar para a vida. Mas quando um jovem, Corey Cunningham, é acusado de ter assassinado um menino de quem cuidava, uma onda de terror e violência pairam sobre a cidade, forçando Laurie a se juntar com outras pessoas para combater o mal. Mas dessa vez, Laurie terá de lidar com Myers e acabar com ele, de uma vez por todas, para que o mal nunca mais volte para a cidade e ela possa, enfim, ter uma vida normal e sem medo, promovendo a paz para sempre.

Se tem uma coisa que valorizo demais em franquias é quando um diretor pega um projeto e fica com ele até o final, e David Gordon Green assumiu a trilogia lá em 2018, conquistou os fãs, fez uma sequência de mesmo nível, e agora veio para um desfecho tão grandioso e melhorado que não tem como não aplaudir o que fez, pois conseguiu entregar tanto a essência da saga quanto criar algo mais imponente, botar o ódio no olhar de uma pessoa e acrescentar ela na formatação de matanças que o filme se propõe, e assim sendo o longa se desenvolve demais com um texto forte, cenas imponentes, muitas matanças, sangue para todo lado e muito simbolismo, ficando tão interessante que agora estou até curioso para a sequência de "O Exorcista" (sim, o original de 1978) que ele está filmando agora que encerrou essa franquia, e assim sendo colocou bem o seu nome no hall dos grandes diretores de terror. Ou seja, é daqueles filmes que o diretor soube pegar algo que já era bom, deu uma lapidada para chamar ainda mais atenção e botou tudo em jogo para um filme forte e bem trabalhado, que talvez alguns fãs reclamem de Michael Myers aparecer digamos menos que o normal, mas a essência toda do terror está presente, e a força do protagonista também, e assim sendo ele renovou a trama com boas dinâmicas e uma precisão cirúrgica para que os atos causassem bastante, além de sustos gratuitos que é a marca da franquia.

Como muitos vão resmungar e justamente foi pra mim o ponto alto da trama, tivemos menos uso do embate entre Michael Myers e Laurie Strode, apesar claro das últimas cenas bem marcantes, de forma que Nick Castle e James Jude Courtney quase nem foram usados como o imponente assassino, e Jamie Lee Curtis soube entregar suas cenas de mulher fortona com sua Laurie em alguns atos, botou medo no protagonista novo, fez trejeitos bem entregues para sua neta, e brincou bem em cena com o que precisou fazer, não sendo tão marcante, mas não deixando a trama sem seu brilho. E já que era para brilhar, Rohan Campbell botou o nome para jogo com seu Corey, sofrendo pancadas tanto verbais quanto físicas de toda a população, e devolvendo trejeitos tão bem encaixados para cada ato, desde desespero, passando por remorso e até muito ódio, que somente em seu olhar já dava para ver a mudança de personalidade que um dos personagens até cita em determinado momento, ou seja, foi muito bem com um começo meio tímido, mas depois explodindo em todos os atos, e se antes era o rei dos filmes natalinos, já pode começar a preparar as malas para os suspenses/terrores que vai ser certamente bem usado de uma forma melhor o que sabe fazer. E se no primeiro filme da nova trilogia Andi Matichak praticamente foi um enfeite com sua Allyson, e no segundo já lutou bastante com o monstrengo, agora se entregou com envolvimento bem marcante para o protagonista, desejou atos vingativos bem encaixados, e se rebelou bem, de forma que não brilhou o tanto que precisaria ainda, mas foi bem no que fez. Quanto aos demais, tivemos boas aparições de alguns personagens dos demais filmes, algumas participações novas, mas sem grandes envolvimentos, ao ponto que o filme mesmo ficou entre o trio protagonista, e por tudo o que fez, a morte do garoto Billy merecia ser bem pior, mas Marteen fez bem seus atos, e não decepcionou ao menos.

Visualmente a trama foi bem desenvolvida, mudando um pouco a locação tradicional da casa de Myers e de Strode, agora com a mulher indo para outro lugar, e o monstrengo morando num esgoto (em algo meio parecido com "It - A Coisa") bem cheio de nuances e imponências, tivemos a casa aonde o protagonista vai cuidar de um garotinho no começo e acontece o acidente bem impactante visualmente, e que depois ele acaba indo morar, e tivemos uma rádio com sua torre bem interessante de ver, sendo basicamente essas as principais locações, tendo um baile, a mansão chique de um médico com seu encontro noturno, um ferro velho aonde o jovem trabalha e que será bem importante para as cenas mais violentas, e claro muito sangue, muitas facas, e elementos bem marcantes clássicos da franquia, ou seja, um trabalho bem minucioso e interessantíssimo da equipe de arte.

Enfim, o longa tem a trilha tradicional, tem os embates tradicionais, tem muita violência, traz tudo o que os fãs gostam, mas principalmente traz muita coisa nova e história, que é algo que sempre faltou para a franquia, então sei que muitos irão odiar por terem feito essas mudanças bruscas de estilo, mas para esse Coelho que vos escreve o filme ficou incrível, com um final bem marcante e simbólico para fechar a franquia (ou essa trilogia pelo menos), e que só não falo que foi 100% perfeito pela matança demorar um pouco demais para começar, mas de resto vale cada minuto na tela, assisti na Imax que foi maior ainda todos os sustos e barulhos, então recomendo para todos, e agora é esperar o que virá de um novo reboot da franquia, novos filmes do diretor, e tudo mais. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto logo mais com mais textos, então abraços e até breve.


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Mubi - Vortex

10/11/2022 12:51:00 AM |

Quem já assistiu qualquer filme do diretor Gaspar Noé, sem ser fã dele, certamente vai ficar com medo de dar play na sua nova obra, mas esse sem dúvida foi o longa mais "leve" dele, trabalhando um tema duro para quem tem ou teve parentes com demência ou Alzheimer, pois aí a trama pesa no emocional de uma forma tão marcante que você nem passa mais a ver os atores, e sim quem você conhece, e isso só é possível pela ótima interpretação dos atores, e claro pelo estilo diferenciado do diretor, fazendo com que seu "Vortex" trabalhasse uma síntese bem marcante em cima do tema da doença, mas usando a base também do luto, do esquecer, da memória, e tudo mais que o tema permite, ousando ainda em dificultar a vida do espectador com duas telas aonde acompanhamos os protagonistas ao mesmo tempo, e isso ficou muito interessante, pois num primeiro momento você acaba achando que vai perder algo, mas logo se vê conectado em ambas as telas, se emocionando com as virtudes de cada um, sendo algo incrível e muito bem chamativo. Ou seja, é um filme ousado, denso, forte, mas também bem simples, e esse conjunto de adjetivos mostra que a irreverência do diretor mesmo em uma trama, digamos mais pessoal e intimista, funciona sem precisar apelar como costuma fazer.

A sinopse nos conta que enquanto a mãe enfrenta uma demência avançada, o pai (Dario Argento) tenta cuidar dela enquanto lida com sua própria saúde em declínio, e seu filho faz o melhor que pode, apesar de seus próprios problemas pessoais significativos.

Por ser um filme bem simples, mas muito desenvolvido e que pegou muito da história real dele, diria que o diretor e roteirista Gaspar Noé soube controlar sua ansiedade e explosão para que o filme tivesse todas as devidas nuances emocionais bem retratadas, toda a sensibilidade por mostrar a casa de um diretor de filmes completamente bagunçada de livros, roteiros e textos, e ainda dar as devidas colocações da doença, pois embora não fique claramente mostrado que o pai também tem um pouco de demência, vemos que ambos estão muito velhos, e que oscilam bem entre dias bons e dias ruins na sua vida e desenvoltura, ao ponto que não tem como não se conectar com eles, e a sacada de dividir a tela (coisa que só em filmes cômicos costumam trabalhar, em pequenas cenas, não num filme inteiro) foi muito bem trabalhada para que não perdêssemos nenhum de vista, e que mesmo que o olhar recaísse mais para um lado em determinado momento, ao que o outro se movimentava você já pegava a ideia ali. Ou seja, é um filme aonde a direção e a história fazem o milagre, mas que os protagonistas colaboraram para que ficasse ainda melhor, e assim sendo a obra pode até parecer cansativa com seus 142 minutos, mas o resultado completo é lindo e muito bem feito.

E falando das atuações, muitos vão estranhar o nome do primeiro ator, mas sim é o famoso diretor italiano Dario Argento fazendo o papel do pai, e com seus 82 anos segurou muito bem toda a expressividade necessária para o papel, transmitiu sentimentos com olhares e falas mais dosadas, e sendo diretor há tantos anos soube entregar para o diretor da trama aqui muitas nuances bem encaixadas, envolvendo bem e sendo marcante, o que faz valer cada momento seu. Agora sem dúvidas todos os aplausos recaem para Françoise Lebrun como a mãe com demência avançada, andando sem rumo, indo para um lugar e chegando em outro fazendo trejeitos fortes e emotivos, e passando um envolvimento para o público tão emocional, tão marcante e sentimental que não tem como não se conectar a ela, dando literalmente um show do começo ao fim. E por fim, mas não menos importante Alex Lutz também entregou muita personalidade para seu Stéphane que deu as nuances certas para um filho que não pode falar muito por seu passado/presente no meio das drogas, mas que soube ser bem expressivo e marcar cada um dos seus atos junto dos pais com olhares e envolvimento na medida.

Visualmente a trama mostra um apartamento bem bagunçado, com muitos livros e coisas espalhadas, remédios aos montes tanto pelos que os velhinhos tomam, quanto pôr a protagonista ser uma ex-médica ficar fazendo suas receitas e indo até a farmácia pegar mais produtos, e vemos ela mexendo com roupas, indo para os vários cômodos, saindo perdida de seu apartamento pelas ruas, revirando os papeis do marido, e até mesmo tentando se matar, e da mesma forma vemos o marido escrevendo seu livro, conversando com amigos no telefone, participando de reuniões, e tudo mais além claro de seus ambientes preferidos no apartamento. Ou seja, uma representação visual bem imponente pelo ambiente bagunçado, mas que bate uma certa depressão ao vê-lo vazio no final, e aí entra tudo o que ouvimos no rádio no começo pela representação da morte, e do vazio que fica nos familiares.

Enfim, é um filme bem diferente tanto pelo desenvolvimento da história, quanto pelo formato de tela com duas janelas menores, mas que passa bem a mensagem e funciona demais dentro da síntese completa da doença, do luto, e da família conturbada em si, e assim sendo vale demais a recomendação para todos, que certamente irão se emocionar com vários atos mesmo que não tenham ninguém na família assim, mas quem tiver o baque será um pouco maior. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Uma Garota de Muita Sorte (Luckiest Girl Alive)

10/09/2022 08:06:00 PM |

O mais bacana de filmes com polêmicas é que elas já se apresentam até mesmo antes do filme ser lançado, mas sempre procuro fugir de spoilers e até mesmo de alguns temas, e confesso que demorei um pouco para entrar completamente no clima de "Uma Garota de Muita Sorte" por nem ter visto o trailer e nem lido nada, então o play foi bem no escuro, e cada ato foi muito marcante por isso, pois vamos sentindo ao mesmo tempo todo o ar retraído da protagonista, de que seus momentos explosivos saiam e não fique naturais, e toda inverdade que ela adotou para se bloquear do que aconteceu no passado, e conforme vamos acompanhando tudo, a força dos atos só vão tendendo a aparecer mais na vida dela. Ou seja, é o famoso caso de que a vítima de algo precisa se esconder por ela ser mais culpada do que as pessoas que fizeram algo com ela, e isso a trama entrega perfeitamente com muita imposição nos atos finais, acertando tanto na dinâmica mais fechada, quanto no estilo proposto para tudo, valendo o play tanto para a reflexão, quanto para um filme bem trabalhado.

O longa acompanha Ani FaNelli, uma nova-iorquina bem-sucedida, segura de si e que parece ter tudo: uma posição de prestígio em uma revista, um estilo que causa inveja por onde passa e um casamento dos sonhos no horizonte. Mas quando o diretor de um documentário policial a convida para contar sua versão sobre um chocante acidente que aconteceu quando ela ainda era só adolescente, estudante da prestigiada Brentley School, Ani é forçada a enfrentar uma verdade sombria que ameaça desestruturar sua vida meticulosamente trabalhada.

Diria que o diretor Mike Barker foi bem direto no que desejava apresentar em cima do roteiro e do livro da escritora Jessica Knoll, pois não sentimos a explosão acontecer como não deve ocorrer em um filme do estilo, mas sim vamos sentindo o pavio andando e toda a preparação com olhares, com desenvolturas e propensões para que a curiosidade flua bem, e com muitos recortes e entregas ele nos leva a sentir tudo o que a jovem passou, todos os detalhes de seus atos pensados e não pensados, de suas reflexões e abstrações, e principalmente brinca com o tema da melhor forma possível para que não ficasse pesado mesmo sendo bem pesado. Ou seja, ele foi muito bem na representação do livro, porém sua experiência maior é de séries e isso é bem notável já que ele deu um floreio muito grande nos primeiros atos e precisou correr nos atos finais, não sabendo encurtar o tema e os devidos enfeites cênicos, mas não atrapalha tanto, afinal resoluções rápidas são sempre bem vindas quando não entram em motes reflexivos, e aqui isso aconteceu de uma forma bem feita.

Sobre as atuações, Mila Kunis trabalhou muito bem sua Ani, com olhares diretos e uma expressividade imponente de nível máximo, sabendo dosar sensações com muita precisão, não titubeando com nuances mais leves, e agradando bastante nos ares mais reflexivos da personagem, de modo que acabamos sentindo suas sensações, o que é um luxo, e sua versão jovem feita por Chiara Aurelia foi tão boa quanto, fazendo olhares marcantes e passando muito sentimento em tudo o que sofreu, tanto com a mãe quanto com os garotos, ousando em aberturas e dinâmicas o que fez dela uma ótima protagonista também nas cenas mais tensas. O foco do longa é basicamente as duas atrizes, mas tivemos atos bem trabalhados de Finn Wittrock como o noivo da protagonista bem marcante nos atos com ela, Connie Britton como a mãe da jovem, trabalhando em situações meio que exageradas, mas passando bem todo o ar que a jovem detesta, e claro Alex Barone e Carson MacCormac fazendo Dean na versão atual e na jovem, ambos bem encontrados nas situações duras da jovem. Ainda tivemos momentos bem colocados do diretor do documentário vivido por Dalmar Abuzeid, Jenifer Beals fazendo uma editora bem imponente e Scott McNairy como Mr. Larson, mas sem dúvida entre os secundários vale destacar Thomas Barbusca e David Webster, pois apareceram pouco, mas foram bem imponentes no ato de ataque com seus Arthur e Ben.

Visualmente o longa tem um bom estilo, com cenas numa editora de revistas, vários ambientes de escolha de roupas e presentes de casamento, uma mansão bem chique da família do noivo, a escola da garota nos tempos de aula e também depois para o documentário, e claro a festa aonde todo o problema ocorre, com cenas fortes e de gatilhos para algumas garotas, além de cenas em trens, e muitas dinâmicas bem espaçadas e com as devidas explicações diretas de sentimentos. Ou seja, é um filme que mistura no visual atos ricos e atos bem sujos, que conseguem se contrapor tanto em cena, quanto na mente de quem pegar toda a síntese, valendo bem o trabalho da equipe de arte.

Enfim, é um bom filme, que tem um tema bem forte e um desenvolvimento bem interessante e inteligente, que talvez até pudesse ser melhor e mais direto, mas que agradou bastante com estilo e boas atuações, então quem curte uma pegada mais travada vai curtir com certeza, valendo a recomendação. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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As Aventuras de Tadeo e a Tábua de Esmeralda (Tad the Lost Explorer and the Emerald Tablet)

10/08/2022 11:44:00 PM |

O mais bacana da franquia do personagem Tadeo Stones é que você não precisa ter visto nenhum dos filmes anteriores para se conectar ao personagem, pois sempre é uma nova aventura, cheia de boas sacadas, e que contando com uma equipe maluca que cada vez se mete com novos personagens, mas que não pode sair divulgando como um grande arqueólogo, pois sempre se mete em confusões, e seus achados tem de ficar ocultos. Ou seja, é sempre um novo filme, com boas sacadas, muita ação e personagens deliciosos de curtir, e aqui no terceiro filme da franquia, chamado "As Aventuras de Tadeo e a Tábua de Esmeralda" eles nos entregaram exatamente o que esperava: ótimas perspectivas e formatos dos personagens, muita ação e diversão, piadas na medida certa, e um envolvimento de certa forma não tão infantilizado, que é uma marca do filme, que por mais que tenha personagens bobinhos e infantis, o filme em si tem uma pegada tensa bem desenvolvida, que agrada e funciona demais. Sendo assim, vale completamente para quem gosta de animações, e também do estilo aventureiro de algumas produções.

A trama nos conta que o maior sonho de Tadeo é ser aceito por seus colegas arqueólogos, mas sua natureza propensa a acidentes o atrapalha. Quando ele destrói um sarcófago raro inadvertidamente, um feitiço é lançado, colocando a vida de seus amigos em perigo. Salvar Múmia, Jeff e Belzoni desencadeará uma aventura repleta de ação que fará com que Tadeo e Sara viajem para os cantos mais distantes do mundo para encontrar uma forma de impedir a maldição da Tábua de Esmeralda.

Diria que a grande sacada da franquia é manter o diretor e roteirista Enrique Gato pois ele já tem a técnica, já conhece bem os personagens, e praticamente deu vida para Tadeo, e assim a cada ovo filme melhora os traços de seu desenho, cria mais aventuras e maluquices, vai para novos lugares, e o resultado é um filme divertido, leve e gostoso de curtir, ao ponto que mesmo sendo bem simples tem técnica, tem estilo e embora não faça tanto a cabeça das crianças brasileiras, que preferem texturas e personagens mais marcantes, para os adultos que gostam de animação com história bem trabalhada, ele faz a festa. Ou seja, é um filme que tem envolvimento e funciona bem do começo ao fim, que mesmo quem não viu nenhum dos outros vai curtir, e quem ja segue a franquia vai gostar ainda mais, agora é ver se irão parar aqui, ou se vão encontrar mais múmias ainda.

Quanto dos personagens, a base é bem entregue pelo protagonista Tadeo, seu cachorro Jeff, sua namorada Sara, a Múmia, e agora introduzido uma faraó Rá-Amon-Na, alguns policiais e investigadores bem malucos, e uma arqueóloga meio mística chamada Victória, além dos arqueólogos jovens da faculdade, todos com bons carismas e personalidades, além de dublagens bem trabalhadas, com sacadas e piadas nacionais, e todo um processo bem envolvente para cativar o público, ou seja, bem funcional do começo ao fim, com formatos tridimensionais bem marcantes, muitas cores e chamarizes, e que acaba agradando mesmo sendo bem maluco por completo.

Visualmente o longa brinca com cenas em pirâmides no México, dá uma passeada pelo Louvre em busca de lugares ocultos, com corridas de barcos e banheiras e finaliza no Delta do Nilo no meio das principais grandes pirâmides, tendo envolvimentos de ambientes, cores, personagens bem colocados, e brincando com sacadas de bolas correndo atrás dos personagens, maldições e todos os elementos clássicos do gênero, com muitas dinâmicas em primeira pessoa, que mesmo não sendo um filme entregue em 3D, tem perspectiva e funcionaria bem com coisas saindo da tela.

Enfim, é uma boa animação que vai divertir a todos, dá para ser recomendada tanto para levar os menorzinhos e até para os mais grandinhos, além de dar para ver sozinho quem gosta do estilo, não soando apelativo nem jogado demais, o que acaba agradando bastante e vale a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Os Suburbanos - O Filme

10/08/2022 05:31:00 PM |

Na lista de piores do ano de alguns críticos acabam surgindo filmes que foram até bem feitos, possuindo uma boa entrega e tudo mais, pois eles não vêem tudo que é lançado, e como vejo tudo o que chega nos cinemas tem vezes que nem acredito no que acabei entrando na sessão, e hoje foi um dia desses, pois a série de 2015 fez muito sucesso pela forma expressiva do protagonista, seus trejeitos e imposições, mas "Os Suburbanos - O Filme" recai para algo novelesco com cortes exagerados para dar tempo de tela, com uma proposta boba e forçada, que desde os primeiros atos você já sabe os rumos que tudo vai tomar, e eles são bem ruins. Ou seja, já diria o Chaves, era melhor ter ido ver o filme do Pelé!

A sinopse nos conta que Jefinho sonha em se tornar um cantor de pagode bem famoso e, para tanto, se dispõe a tudo - até mesmo limpar a piscina do dono da gravadora, de olho em uma possível oportunidade. O problema é que ele acaba se envolvendo com a esposa de seu patrão, ao mesmo tempo em que descobre que será pai pela primeira vez.

Como o diretor Luciano Sabino fez várias novelas e também comandou a série em 2015 era de se esperar um algo a mais para seu primeiro filme, ainda mais usando a sua série de base, mas quis forçar em todos os atos, quis correr com uma história digamos meio boba, e não impôs nem ritmo nem personalidade para que seus personagens fixassem no público, ao ponto que tudo parece jogado, tudo parece não ter entrega, e o pior que não faz rir em momento algum, o que é uma falha imensa para uma comédia, pois mesmo o protagonista sendo engraçado, seus atos não são e isso pesa demais. Ou seja, a falha sobressai e aparece quase que em todos os momentos do filme, e no final ficou parecendo que o diretor não soube aproveitar tudo o que tinha em mãos, apenas criando uma esquete maior e mais incômoda.

Sobre as atuações, como o roteiro é do próprio Rodrigo Sant'anna, ele conseguiu fazer com que seu Jefinho aparecesse o tempo todo, e mesmo esse não sendo o seu melhor personagem, ele como um bom humorista sabe segurar a onda e manter até o fim a imposição, o que é bom, e ao menos não desaponta quem for conferir o filme por ele, e assim mesmo forçando o riso, se sai menos ruim que os demais. E falando nos demais, cada um tentou atacar da forma que deu, desde Cristiana Oliveira com a sedução de sua Lorena, Babu Santana com o improviso de seu Welington, Carla Cristina Cardoso com os gritos de sua Gislene e Mariah da Penha com sua Avóia bem colocada como um elo para os demais, mas sem grandes chamarizes por parte de ninguém, o que acaba desapontando.

Visualmente a trama até entregou alguns atos bem colocados dentro da mansão do produtor musical, retratou bem rapidamente o subúrbio dos protagonistas, teve alguns atos em boates e shows, e alguns momentos na cadeia lotada, mas sem muita representação gráfica para marcar como poderia, sendo válido apenas a transformação da banda de fundo de quintal em uma banda de shows mesmo com o banho de loja, mas nada muito elaborado também.

Enfim, é um filme bem fraco que não vai além em momento algum, que infelizmente não chamou o público da série para conferir (sala apenas comigo dentro na sessão), e que não dá para recomendar de forma alguma para ninguém, então vou para outra sessão para ver se salvo o dia, então abraços e até logo mais.


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Morte, Morte, Morte (Bodies, Bodies, Bodies)

10/08/2022 01:58:00 AM |

Costumo dizer que um bom terror só é efetivo se causar alguma coisa no público, seja um susto, um calafrio, um arrepio, uma tensão ou até mesmo algum tipo de choque por algo mostrado em cena, mas quando não ocorre nenhuma dessas opções saio da sessão tão desapontado que nem sei se o que vi era realmente um filme do gênero. Comecei o texto de "Morte, Morte, Morte" dessa forma, pois fui conferir a trama acho que esperando demais, afinal ficamos acostumados com a qualidade das tramas da A24 Filmes e com isso esperamos uma tensão sempre bem impactante nas obras deles, o que acabou não acontecendo aqui, mas claro que fui com dois pés atrás, já que terrores de festas adolescentes costumam ter uma pegada mais boba, e pelo trailer já dava para imaginar um filme com pouco impacto, só não imaginava que não teria nenhum. Claro que estou sendo exagerado na exigência, mas até mesmo as mortes que ocorreram foram de certa forma pouco intensas, a caça ao assassino foi meio que feita aos gritos em demasia, e o fechamento foi meio que bobo demais, então o resultado que poderia ser muito mais forte apenas finalizou com a mensagem: se beber demais ou usar drogas fique no seu canto e não tente resolver um crime.

A sinopse nos conta que Bee e sua amiga, ambas de família muito bem sucedidas e ricas da Europa, decidem viajar juntas para uma festança em uma mansão remota. Junto com elas, outros convidados da mesma faixa etária de vinte anos, e também muito ricos. Depois de beber, usar drogas e dançar, o grupo decide jogar "Morte Morte Morte", uma brincadeira aonde alguém é assassinado e todos precisam adivinhar quem foi o assassino. Mas antes de terminar o jogo, alguns integrantes decidem dormir e o jogo fica inacabado. No meio da noite, após a energia acabar na casa no meio de uma tempestade, Bee vai investigar o local e acaba achando um dos convidados com a garganta cortada. Agora, sem sinal, carro, eletricidade ou qualquer ajuda externa, o grupo precisa se unir para achar o real assassino dentre o grupo antes que seja tarde demais. Relacionamentos terminarão e ninguém conseguirá acreditar no outro. Que o jogo comece.

Diria que a diretora Halina Reijn não quis causar realmente com sua obra, pois o filme tinha aberturas para cenas bem mais intensas do que discussões, tiros, arremessos, socos e algumas pancadas fortes, afinal no momento da loucura com drogas tudo pode rolar, e usando desse artifício como base e um furacão rolando do lado de fora, acabaram criando um filme frouxo de intensidade, aonde a gritaria toma as vezes, e nem foram gritos de apavoramento, o que é uma decepção em um filme de terror. Ou seja, tivemos um filme de ideia boa, mas que faltou disposição para explodir realmente, resultando em algo comum demais, com cenas previsíveis e intenções faltando serem melhor sacadas, o que resulta em uma produção que não chega a ser ruim, mas que para o gênero acabou faltando demais, e se tenho de culpar alguém, colocaria tudo em cima da diretora, pois motes não faltaram para que o filme fluísse melhor.

Sobre as atuações, diria que todos fizeram estilos próprios de jovens riquinhos que soltam verdades quando bêbados ou sob efeito de entorpecentes, e as atrizes souberam dominar bem esses estilos e entregar personalidade ao menos, mesmo que gritando demais para isso, de forma que Amandla Stenberg trabalhou sua Sophie com ares bem expressivos, soou desesperada em alguns momentos e ficou estática com alguns atos fortes, o que mostra que ao menos entendeu a proposta, mas poderia ter sido mais explosiva nos atos finais. Não sei se acostumei tanto com a expressividade "real" de Maria Bakalova no "Borat 2", que aqui sua Bee ficou tão insossa e deslocada que acabamos não entrando na sua onda, sendo morna demais para o que o papel precisava, e no final quis tentar tirar o atraso e não conseguiu, o que é uma pena. Os homens da produção fizeram alguns trejeitos mais chamativos, tentaram explodir e ser expressivos, mas nem Pete Davidson com seu Dave, nem Lee Pace com seu Greg conseguiram ir além no meio dos conflitos, de modo que ficamos meio que sem entender suas atitudes, e ficaram faltando com o resultado completo. E quanto as demais garotas Rachel Sennott pareceu uma luminária ambulante com os colares de festa no escuro com sua Alice, apenas andando e fazendo escândalos, Chase Sui Wonders nem teve muitas chances de aparecer com sua Emma, e Myha'la Herrold até tentou se impor em algumas cenas com sua Jordan, mas sem grandes atos.

 Visualmente a trama usou de uma mansão bem ampla, mas não ousou tanto em espaços dela, concentrando a maioria dos atos nas escadas e numa sala, com alguns poucos momentos nos quartos e o começo na piscina, e nem mesmo o furacão foi usado tanto, apenas mostrando muita chuva do lado de fora e árvores quebrando, mas entregaram bons usos dos celulares com suas lanternas, algumas lanternas de cabeça e aqueles colares de festas que tem luzes fortes para ter iluminação no meio de tudo apagado dentro da casa, mas forçaram um pouco pois teve ato que parecia estar até com mais luz do que quando aceso as lâmpadas, ou seja, poderiam ter trabalhado um pouco melhor, e as cenas com sangue economizaram demais, não impactando como poderia (talvez pela escuridão não dar tantas nuances).

Enfim, é um filme que até tinha uma proposta ousada e interessante de ver, mas que foi executado sem grandes atos, e finalizado com algo ainda mais idiota, ao ponto que se olharmos bem a fundo, os idiotas em cena foram quem conferiu a trama esperando algo a mais, pois a trama é bem básica dos "terrores" adolescentes, e sendo assim não recomendo o filme para ninguém. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Mais Que Amigos, Friends (Bros)

10/07/2022 09:34:00 PM |

Quem for conferir o longa "Mais Que Amigos, Friends" esperando algo diferente do que uma comédia romântica certamente irá se decepcionar, e não digo isso com qualquer pesar, pois se podemos ver centenas de comédias românticas heterossexuais super clichês no cinema, porque não podemos ver homossexuais também? Afinal, cada um gosta de uma coisa e não devemos nos importar com isso, pelo contrário todos tem de se ver na tela do cinema e não ser apenas algo normativo. Ou seja, o filme é cheio de romance, de flerte, de bobagens amorosas, e muito carinho e relacionamento como todo filme do gênero, o que acaba soando divertido e gostoso de ver, tendo uma boa entrega e um roteiro b inteligente envolvendo tudo sem precisar parecer estranho, e é sobre isso que temos de falar, não como mostram na trama de uma produtora de cinema que resolve fazer todos os filmes héteros em versões gays, mas sim algo normal de ser visto, de casais que briga pelo jeito diferente, de romances, de encontros e conflitos, ou seja, é um filme sobre tudo que já vimos, e funciona justamente por ser assim, com musiquinha e tudo mais, então se você faz parte do grupo ou apenas não tem preconceitos, a dica é boa, divertida e envolvente, agradando pelas boas sacadas e desenvolturas, mesmo sendo simples.

O longa segue uma amizade improvável entre dois homens que lentamente se apaixonam pelo outro. Em um clube gay em uma noite qualquer, Bobby Leiber esbarra em Aaron - que está sem uma camisa. Os dois começam a conversar e acabam construindo um relacionamento sobre sua superioridade sarcástica sobre a insipidez dos gays do clube que os cercam. Aaron é um advogado corporativo, mas fora de contato com a cultura queer e política - fazendo com que Bobby duvide seriamente se Aaron é realmente gay. Inicialmente, não há exatamente muita química ou conexão entre os dois, exceto em seu desconforto compartilhado com a vulnerabilidade. Mas com o tempo passando, os dois acabam se abrindo para si mesmos, contando sobre suas vidas, aspirações e vulnerabilidades. O longa também retrata suas famílias, a dinâmica familiar de uma família queer bagunçada, onde pessoas discutem visões sobre política de identidade.

Diria que o diretor Nicholas Stoller escreveu junto com o protagonista Billy Eichner uma trama tão bem alocada que muitas vezes poderíamos até pensar que um dia esse estilo de filme não funcionaria, mas que convenhamos que vai sofrer muitas críticas negativas por parte de um público extremamente conservador, mas que souberam trabalhar um romance leve e do jeito deles de se amar, de querer confiança, de se expor, e tudo mais, tendo estilo e dinâmicas que podem incomodar por não ser o normal que muitos estão acostumados a ver, mas que existe, que se olharmos a fundo é amor da mesma forma, é bobo como qualquer pessoa apaixonada, e que assim como dizem se completam nas diferenças entre si, e assim as sacadas do roteiro fluem tentando ser forçadas para não se prender, e agradam aonde soam simples, o que é ótimo de ver. 

E se elogiei Billy Eichner pelo ótimo texto desenvolvido, falar de sua atuação é ainda mais fácil, pois seu Bobby Leiber é completamente explosivo, e da mesma forma que é seguro para passar suas idéias, também é muito inseguro consigo mesmo, e o ator soube passar toda essa síntese de uma maneira ampla e bem desenvolvida, que agrada e funciona. Já Luke MacFarlane é completamente o oposto com seu Aaron, sendo daqueles que muitos jamais colocariam como um personagem gay, tendo sínteses e essências de tradicionais machões, mas que funcionou bastante como contraposto na trama, passando bem o personagem e fluindo com olhares e intensidades que agradam bastante. Poderia falar de muitos outros personagens do filme que entregaram fluidez e passaram as devidas mensagens, mas o filme é sobre os dois, e ir para quaisquer outros lados é se distanciar do protagonismo perfeito de ambos que acertaram nos trejeitos, e todos os demais apenas deram os passes para que chutassem quase sem goleiros pro gol, e assim o placar foi bem grandioso sem precisar citar qualquer outro personagem ou ator.

Visualmente o longa é cheio de impactos, como um museu LGBTQ sendo criado, ligações com podcasts, paradas de orgulho gay, boates, encontros, festas, reuniões tradicionais e tudo mais que um filme do gênero, com boas locações, personagens representativos, e até mesmo situações casuais diferenciadas, além claro das sacadas dos filmes invertidos, que soam bacanas e forçados. Ou seja, a equipe soube brincar bem, e isso funciona na trama sem soar exagerada, mas bem encaixada.

Enfim, já tivemos outros filmes com a temática, mas não tão representativos dentro da comédia romântica com essa pegada leve e direta, que funciona. Claro que muitos vai olhar torto, outros nem vão passar perto, e ainda terá aqueles que vão criticar sem nem ver, mas quem der a chance vai se divertir bem, e isso já faz valer a representatividade, que mesmo não sendo um filme perfeito, tem estilo, graciosidade e envolve bastante. E sendo assim digo para os amigos LGBTQ lotarem as salas, e também para os amigos héteros conferirem sem preconceitos, afinal tantos gays já viram filmes "normais", agora também vamos ver os deles. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amsterdam em Imax 2D

10/07/2022 01:01:00 AM |

Sempre digo que alguns diretores se prendem tanto ao estilo de filmes feitos para festivais, mais precisamente para o Oscar, que acabam nem curtindo tanto seus filmes, e um diretor que tem essa faceta já bem colocada é David O. Russell, que já entregou bons filmes que foram aclamados pelos críticos e pelas premiações, mas que também já teve muitas reclamações por exagerar tanto nesse sentido, e aqui basicamente ele convidou todos os principais atores que são seus parceiros e colocou em um filme só, pois a cada piscada de olhos surgiu alguém conhecido na telona. Ou seja, é impossível falar que "Amsterdam" é um filme simples, pois tem muitas desenvolturas, tem personagens conectados aos montes, e principalmente tem uma base histórica entremeada que chama muita atenção nos atos finais, ao ponto que colocaram até o discurso original e o do filme nos créditos para comparações, mas também acaba soando exagerado demais de personalidade, o que incomoda em um filme com tantos personagens e atores bons, ao ponto que o trio protagonista quase que não decola com tantas conexões, mas que acaba agradando bem no resultado final, pois conseguiram chamar a atenção e envolver por completo depois de enrolar um pouco com tudo.

O longa é ambientado na década de 1930 e conta a história de uma grande amizade e um assassinato que pode ameaçar a vida dos protagonistas e abalar toda uma sociedade. A trama policial segue três amigos íntimos: dois soldados e uma enfermeira, que fizeram um pacto no passado, de sempre se protegerem enquanto trio, não importa o que aconteça. Mas, eles se perdem no centro do caso de um assassinato, do qual se tornam os principais suspeitos. Para provar que não estão envolvidos na morte, o grupo contará com a ajuda de aliados para tentar investigar o crime, e assim se proteger e enfrentar o verdadeiro assassino. Mas, novamente por acaso, os três amigos descobrem uma das tramas mais surpreendentes da história norte-americana, que em parte, é baseada em uma história real.

Diria que o roteirista e diretor David O. Russell foi bem esperto na forma que escolheu trabalhar seu longa, pois ele criou a base do trio bem disposta a se entregar em cenas cheias de conflitos simples, e amarrando todas as demais pontas com bons desenvolvimentos acabou envolvendo o público que nem percebe possíveis pequenos erros de percurso, tanto que se olharmos a fundo é um filme bem alongado, mas que tem vários atos corridos no miolo, ou seja, mesmo com tantos diálogos a trama flui bem e faz com que entremos por completo na ideia toda, e a sacada final, que é a base real da trama é muito boa misturando a tentativa de um grupo americano querer mudar o mundo de uma forma não muito boa. Sendo assim é daqueles filmes que funcionam demais se você acreditar nele, seguir o ritmo dos protagonistas, filosofar com algumas essências passadas, mas que um olhar para o lado faz você perder completamente o nexo todo e não entender mais nada, e consequentemente odiar a trama toda, então veja num dia mais calmo e a diversão vai ser completa, afinal o elenco não tinha como decepcionar mesmo que fosse a pior história do mundo.

Sobre as atuações vou falar apenas dos principais, senão o texto vai ficar parecendo um livro, então é fato que Christian Bale chama a responsabilidade quase que inteira da trama para o seu Burt, trabalhando trejeitos cômicos e meio que malucos, e dinamizando bem seus ares de médico e meio que de pessoa com muitas conexões, de forma que se entregou tão bem com tudo que passou até demais a segurança do papel em alguns atos, e assim poderia ter não ficado tão bobo as vezes, além do exagero narrativo, que cansa um pouco e poderia ter sido minimizado. Margot Robbie é daquelas atrizes que caem muito bem em personalidades malucas, e sua Valerie tem estilo, tem atos marcantes, e também entrega dinâmicas singelas em alguns atos, o que convence e agrada demais. Agora o papel de John David Washington, Harold, ficou um pouco abaixo do que precisaria para chamar atenção, ao ponto que em alguns momentos até esquecemos que ele é um dos protagonistas, e assim sendo ficou meio que em segundo plano demais. Quanto aos demais, os destaques ficaram para Robert De Niro nos atos finais bem imponentes com seu Dillenbeck, Chris Rock com seu Milton (aliás a apresentação dele no palco do baile com algumas sacadas me veio na hora a ideia do tapão no Oscar), Rami Malek com seu Tom Voze bem persuasivo, Michael Shannon e Mike Myers como os ornitólogos policiais federais bem encaixados, e até mesmo Zoe Saldana com sua doce e intrigante Irma, Anya Taylor-Joy com sua forçada Libby e por incrível que pareça a cantora Taylor Swift com sua Liz Melkins conseguiram  chamar atenção nos seus atos espaçados bem colocados, ou seja, um tremendo elenco.

Visualmente a trama brincou com a época da guerra em 1918, com as sacadas de racismo entre soldados de patentes diferentes, o uso de uniformes franceses nos soldados americanos, toda a bagunça nas tendas médicas, mas principalmente abusou muito do charme dos anos 30 com figurinos imponentes, clínicas médicas milagrosas com remédios e curas de todos os tipos, todo o ar militar rebuscado e festivo entre alguns veteranos das primeiras guerras, e ficando bem próximo dos ares da burguesia da época, com nuances bem trabalhadas numa festa gigante, em alguns laboratórios ocultos e tudo mais, mostrando bons elementos cênicos e desenvolvimentos de época bem encaixados. Um detalhe que como o filme foi filmado em Imax tivemos cenas bem coloridas e fortes, mesmo sendo uma trama de época, então funcionou para termos um campo de visão mais amplo, mas não fez tanta diferença como um longa de ação faz na maior tela dos cinemas.

Enfim, é um filme bem interessante com um elenco incrível e uma direção meio que maluca demais, que oscila bastante o ritmo entre atos calmos, e até um pouco cansativos, com acelerações de dinâmicas tão cheias de diálogos que quase nos perdemos com o que é entregue, sendo algo bem trabalhado, que juntou alguns atos reais com muita maluquice, resultando em uma trama que alguns vão amar e outros vão odiar com toda a força, mas que recomendo bastante, afinal deve surgir bastante nas premiações e como bem sabemos isso é um sinal positivo, então fica a dica. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Telefone do Sr. Harrigan (Mr. Harrigan's Phone)

10/05/2022 11:23:00 PM |

Costumo dizer que essa é a época que os amantes de filmes de terror ficam mais felizes e também mais revoltados, afinal aparecem tantos longas do gênero que nem sabemos por qual começar, e claro que surgem muitas porcarias, então precisa peneirar bem para encontrar os valem dar o play ou ir conferir nos cinemas. Então já dei uma boa dica de cinema que vi na segunda, e agora vai uma boa dica que surgiu na Netflix, "O Telefone do Sr. Harrigan", que não é daqueles assustadores, não é algo traumático, nem que fará você se arrepiar inteiro com a trama, mas sim um longa digamos juvenil do estilo, que baseado em um conto de Stephen King brinca com a conexão tecnológica de um telefone e o senhor morto que o possuía antes com o jovem que lia para ele várias vezes na semana. Ou seja, é simples de tudo, mas tem intensidade, tem o carisma dos atores, tem personalidade e entrega o horror de uma forma bem singela, de que as vezes desejar a morte/mal de alguém pode ser realizado, basta saber a quem pedir, e sendo assim o filme se desenrola bem, tem um clima bem trabalhado e agrada sem ser surpreendente, o que faz com que o público se conecte a ele.

O longa apresenta a história de um menino que vive em uma cidade pequena e faz uma amizade improvável com um bilionário mais velho e recluso, após realizar alguns trabalhos pontuais para ele. Os dois constroem um vínculo por meio de livros e um celular, mas quando o homem morre, o menino descobre que nem tudo some completamente. Ao deixar seu telefone no bolso do morto antes do enterro, o jovem solitário deixa uma mensagem para seu amigo saudoso. O que o deixa chocado, é receber uma mensagem de volta. Nessa trama, o garoto se vê capaz de se comunicar com o senhor mesmo do túmulo, através do celular que foi enterrado com ele.

O diretor e roteirista John Lee Hancock sabe brincar demais com adaptações literárias, e já provou isso com tramas de todos os estilos possíveis, e aqui ele ousou bem em uma trama com a assinatura de Stephen King, ou seja, o mestre do terror, no livro de contos "Com Sangue" e que sem precisar soar criativo demais, nem explicar tanto, conseguiu que seu filme fosse tenso de atitudes aterrorizantes, mas singelo no envolvimento completo, de forma que você não vai tomar sustos gratuitos nem ficar sem dormir após a conferida, mas sim pensando um pouco nas conexões que um celular pode transmitir, nos simbolismos ocultos em alguns atos, e claro também na força de expressão, afinal um desejo pode ir além. E assim sendo o filme tem intensidade e boas dinâmicas, causando leves pensamentos no público, fazendo com que pensássemos se realmente o fantasma está matando as pessoas, se é algo estilo uma dark web, ou apenas coincidências, mas que felizmente não nos é entregue essa resposta, deixando que o público faça isso mentalmente, e funciona demais.

Sobre as atuações, Jaeden Martell tem crescido bastante tanto em estatura quanto nas suas interpretações, ao ponto que aqui o filme sendo quase todo narrado e atuado por seu Craig pareceu um pouco exagerado, mas suas dinâmicas não foram estragadas de forma alguma, seus trejeitos foram bem colocados em todos os momentos desde os mais simples até os mais tensos, e conseguiu brilhar bastante com toda a essência que passou na tela, ao ponto que seu carisma faz o público torcer pelo garoto e entender muito bem seus pensamentos, e com isso o acerto foi bem nítido. Claro que o jovem também contou muito com toda expressividade de Donald Sutherland para criar um ótimo vínculo entre o garoto desde pequeno (muito bem interpretado também por Colin O'Brien) até sua juventude, e o ator sênior brincou muito com o ar esnobe por vezes, mas conectado com quem lhe ajuda, de forma que seu Harrigan é fechado, porém bem amplo e com ótimas nuances de se conectar. Ainda tivemos boas participações de Joe Tippett como o pai do garoto, Kirby Howell-Baptiste como a professora favorita do jovem, e Cyrus Arnold como um jovem briguento e rival do protagonista na escola, mas sem dúvida vale ver a conexão bacana dos demais empregados da mansão, com destaque para Peggy J. Scott com sua Edna, que vai deixar o jovem com uma boa pulga atrás da orelha.

Visualmente o longa foi bem simbólico com uma mansão grandiosa isolada com vários ambientes, mas tendo o destaque claro para a biblioteca aonde o jovem passa o tempo lendo para o ancião, a premiação do garoto sempre com as raspadinhas diabólicas, sua casa simples, e claro a escola com os jovens extremamente grudados nos celulares (o filme não se passa nos anos atuais, sendo lá no comecinho dos primeiros Iphones, e já mostra o quão viciada a galera era, então nem se fale como é hoje), temos claro a igreja aonde ocorrem os cultos e velórios, e claro todo o detalhamento das mensagens, além da faculdade que o jovem vai cursar e a clínica de reabilitação bem chique, ou seja, são poucos, mas bem detalhados e sempre tendo muito a conexão como detalhe, e isso funciona bem para toda a dinâmica da trama.

Enfim, não é um longa brilhante, mas tem estilo, e sendo simples com boas nuances de terror/horror funciona para agradar desde o iniciante no gênero até quem curte algo mais elaborado e apenas quer relaxar, valendo com certeza o play para começar bem o mês do terror nas plataformas de streaming. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal essa semana veio recheada para o interior, então abraços e até logo mais.


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AppleTV+ - Operação Cerveja (The Greatest Beer Run Ever)

10/04/2022 10:45:00 PM |

Costumo dizer que já vi filmes baseados na vida de pessoas bem malucas que fizeram loucuras das mais variadas possíveis, mas ir visitar os amigos na Guerra do Vietnã para levar cervejas como incentivo por estarem lutando, acreditando em tudo o que o governo americano estava falando, só pode ser coisa de alguém insano de nível para internação, e essa história maluca foi retratada no longa da AppleTV+, "Operação Cerveja", e relata alguns dos atos que o maluco viveu e depois escreveu em seu livro, com direito a fotos comparativas, ou seja, foram bem criativos nos atos, colocaram um ator bem trabalhado para representar tudo, e o resultado é um filme com ares cômicos, mas também com grandes inclinações críticas para tudo o que representou a Guerra do Vietnã, e algumas outras depois. Ou seja, é um filme até mais interessante do que parecia, que talvez falte um pouco mais de ação e/ou comicidade para se encaixar melhor, mas que agrada bastante, e quem curtir o estilo de filmes baseados em fatos reais vai curtir bastante.

A sinopse é bem simples e nos mostra a história de John "Chickie" Donohue, um homem que sai Nova York em 1967 para levar cerveja para seus amigos de infância no exército estadounidense enquanto eles lutavam no Vietnã.

O diretor e roteirista Peter Farrelly já fez muitos bons filmes cômicos, mas estourou mesmo com suas premiações mundo afora com "Green Book: O Guia", e aqui se baseando no livro de John Donohue, ele brincou bem com a ideia de um maluco andando normalmente no meio da guerra, se passando por vezes como repórter, outras vezes dizendo que era apenas um cara comum, mas que achavam se tratar de um agente da CIA, pois esses usavam esse "disfarce" por lá, e que trabalhando uma produção até que bem grandiosa com explosões, muitos figurinos e figurantes, todo o aparato de guerra com armas, soldados, tiros, e tudo mais, acabando que a ideia soou até pequena no meio de tudo, mas como foi bem executada deve chamar atenção, já que tem boas sacadas, boas atuações, e um desenvolvimento interessante tanto como filme biográfico como algo inusitado de ser mostrado, e assim sendo o resultada acaba agradando bastante e não cansa mesmo sendo um pouco longo.

Sobre as atuações, é claro que o foco todo da trama se deve ao que Zac Efron fez com seu Chickie, pois praticamente todo o longa é em cima das suas desenvolturas por todo o Vietnã, e o ator fez bons trejeitos, dosou o envolvimento de cada ato com ares inicialmente bem empolgados para cima de algo que não questionava, achando que eram heróis de guerra, depois ao vivenciar no campo de batalha, passar por vilarejos e até ver um grandioso atentado vai mudando seu estilo até chegar completamente diferente de volta aos EUA, ou seja, conseguiu mostrar muitos vértices da guerra com expressões, e isso é algo que poucos acertam. Ainda tivemos Russell Crowe bem encaixado como o repórter de guerra Arthur Coates, não aparecendo tanto, mas nos atos finais mostrando bem a vida insana desse tipo de profissional. E também vale destacar Matt Cook com uma ingenuidade máxima com seu Habershaw acreditando completamente no protagonista, e Kevin K. Tran com seu Oklahoma, um policial de trânsito bem gracioso que faz amizade com o protagonista, além dos amigos que acha lá e colocam ele no meio de tudo como Jake Piking com seu Duggan, Archie Renaux com seu Collins, Kyle Allen com seu Pappas e Will Ropp com McLoone, mas sem dúvida vale pontuar o dono do bar vivido por Bill Murray numa versão patriótica de um ex-combatente que acredita que todos devem servir o exército.

Visualmente o longa foi muito intenso, com boas cenas no meio da guerra, com tiros, explosões, mostrando acampamentos de guerra, barracas, depósitos, cenas em helicópteros, aviões de cargas e de mortos, um trânsito já caótico, invasões, e claro muitos figurantes bem trajados da época, sendo bem representativo, além de termos o protagonista com sua mochila carregada de cervejas, ou seja, a equipe pesquisou bem e usou bastante o que o personagem real detalhou em seu livro, sendo algo muito marcante de ser visto do começo ao fim.

Enfim, é um filme que tem momentos marcantes e bem trabalhados, que envolvem bem o espectador e conta bem toda a história do personagem, sendo que alguns podem reclamar da falta de dinâmica, outros não acreditarem em tudo o que é mostrado, e até mesmo aqueles que vão falar da falta de um senso crítico maior, mas de certa forma é um bom passatempo, tem estilo e agrada com o que é entregue, e sendo assim vale o play. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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