Tá Escrito

12/10/2023 04:43:00 PM |

É interessante observar que sempre que o cinema nacional tenta ir para alguns rumos diferentes vez ou outra se perdem em estilos no miolo e acabam voltando para o tradicional, de tal forma que isso é ruim, pois necessitam forçar com bobeiras simples demais para empolgar ao invés de focar no diferencial. Comecei o texto de "Tá Escrito" dessa forma pelo simples fato que o longa poderia ter explorado muito mais a brincadeira entre personificação das características dos signos, mas optou pela bagunça de conseguir views e se tornar trendings, e com isso faltou um pouco mais de carisma nos personagens para manter o ritmo. Claro que a trama tem alguns atos engraçados, alguns personagens que chamam atenção, mas acabou ficando uma trama teen demais para os fãs da atriz, aonde ela mesmo volta atrás, pois já tinha se mostrado preparada para papéis mais maduros, e aqui ficou simples demais para causar algo na tela. Não digo que seja um filme totalmente ruim, pois tem algumas pegadas bem colocadas dentro da proposta entre ter opinião ou ser influenciável, mas dava para ter explorado muito mais isso que daria um outro resultado.

A trama acompanha a vida de Alice, uma jovem formada em Astronomia que tem o grande sonho de se tornar uma influencer famosa nas redes sociais. Ela trabalha duro todos os dias para alcançar esse objetivo, mas, mesmo assim, Alice parece cada vez mais distante do status que deseja, e as métricas de suas redes nunca crescem. Um dia, porém, ela chega em casa e se depara com seu primeiro "recebido". Ansiosa, ela abre e vê que o presente contém apenas um caderno em branco com instruções que indicam que qualquer previsão astrológica escrita nas páginas vai virar realidade. Agora, contando com previsões que somente ela conhece, Alice finalmente encontra a arma secreta que lhe dá o poder de influenciar a todos - mas o sucesso sempre tem um preço.

Diria que o diretor Matheus Souza é daqueles bem ecléticos de estilos, pois já dirigiu longas de várias formas e sempre mostrou que tem pegada para coisas diferentes na telona, mas aqui ele acabou sendo preguiçoso demais, pois a moda do influenciável é algo tão superficial que mesmo ainda temos muitas pessoas que acreditam em signos e suas "previsões", porém ele fez uma trama tão fechada apenas em duas festas que o longa parece nem sair de dois únicos ambientes, que embora estejam bem cheios de personagens não explodem o quanto poderia com as mágicas do livro da protagonista. Ou seja, vemos uma desenvoltura bem simples de estilo, aonde temos um começo lento, um miolo agitado demais e um fechamento morno que diverte como um passatempo, mas não causa como poderia, mostrando que o diretor não foi além da tela na sua pintura, bem como ocorre nos créditos aonde acaba a tinta da garota pintora e ela para de fazer sua arte.

Quanto das atuações, volto a dizer que Larissa Manoela tem uma personalidade bem forte e que cai bem em muitos estilos de papéis, mas precisa começar a acertar mais nas suas escolhas compatíveis com sua idade, pois embora sua Alice já seja formada, entregou uma garotinha que parecia estar na casa dos 16 anos e isso ficou meio estranho na tela, de modo que até tem uma entrega bem pautada, mas não fluiu como uma protagonista deveria fazer. Já Victor Lamoglia entregou bastante na tela com seu Pedro, tendo toda uma desenvoltura bem colocada, cheio de personalidade e totalmente influenciável pelas mudanças do livro, de forma que se soltou por completo e foi bem divertido com tudo o que fez na tela. Ainda tivemos bons momentos de Caroline Dallarosa com sua Marina bem emocional, mas centrada, Thuany Parente bem explosiva com sua Vanessa e André Luiz Frambach com seu Breno meio bobão demais, de modo que vale mais o destaque para Kevin Vechiatto com seu Inácio ficando com cara quase de psicopata adicionado pela irmã.

Visualmente como disse a trama ficou bem simples, tendo a casa da garota metodicamente arrumada pela mãe, o observatório como lugar leve aonde a protagonista vai para espairecer, a festa da prima na agência fazendo até um clipe inteiro na tela cheio de nuances, e a agência aonde a jovem vai trabalhar com personalidades flopadas simples demais, aonde temos algumas conexões bem montadas de estilo, mas nada que fosse surpreendente.

Enfim, é um filme bem mediano que tinha uma proposta maior e não decolou como deveria, de modo que o resultado acaba sendo simples e até ingênuo demais para um filme juvenil, aonde talvez a garotada ligada em influencers até chegue a curtir, mas os demais não vão ver nada que faça valer a conferida. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas vou conferir mais uma estreia hoje, então abraços e até logo mais.


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O Silêncio da Vingança (Silent Night)

12/10/2023 02:54:00 AM |

Sei que muitos amigos gostam de filmes de tiro, porrada e bomba, e diria que também gosto de alguns exemplares desse meio, porém para que um filme funcione bem ele precisa ter uma história mais convincente ou então maluca na totalidade, pois colocar algumas ideias como possíveis para um homem comum, do estilo que vira um tremendo vingador de elite, dirigindo no meio de um tiroteio gigantesco aonde ninguém acerta sua cabeça, entrando num quartel general recheado de gangsteres sobrevivendo com a maior facilidade, e ainda por cima ter algumas desenvolturas completas sem dizer uma palavra, e os demais também serem tão mudos quanto o protagonista foi apelar um pouco demais, de tal forma que "O Silêncio da Vingança" até tem alguns momentos bem trabalhados de treinamento, temos um começo bem intenso aonde vamos descobrindo como tudo aconteceu, e um fechamento bonito até pela ideologia, mas o miolo é o famoso desligue seu cérebro e aceite, senão você vai odiar. Outra dica que dou para os amigos que assim como eu não são fãs de filmes dublados é que você pode ir tranquilamente ver o longa em qualquer sessão, pois dá para contar nos dedos das mãos a quantidade de diálogos e/ou frases que são ditas no longa, parecendo que o mundo todo ficou mudo junto com o protagonista (que não está surdo, então daria plenamente para ouvir os demais falando). Ou seja, é daqueles famosos filmes que ou você ama ou odeia, e diria que dessa vez fiquei bem propenso ao segundo time, mas conheço muitos que irão amar tudo.

A sinopse nos conta que um pai atormentado testemunha seu filho morrer em meio a um fogo cruzado de uma gangue na véspera de Natal. Enquanto se recupera da ferida que lhe custou a voz, ele faz da vingança a missão principal de sua vida e embarca em um regime de treinamento punitivo para vingar a morte de seu filho.

Diria que ao menos o diretor John Woo voltou a gravar após um período de 6 anos longe das câmeras, e claro trazendo seu estilo ao máximo para os amantes de um bom filme de pancadaria e tiros, mostrando que para quem gosta, não é preciso ficar pensando em falas mirabolantes e desenvolturas, basta armar bem o protagonista e colocar ele para fazer umas ações explosivas que tudo dá muito certo. Ou seja, o roteirista Robert Archer Lynn entregou uma trama aonde apenas criou as dinâmicas de tela e nem se preocupou se alguém falaria algo, ou se precisaria ter alguns dizeres ali, e isso até entrega uma certa personalidade com a imponência do estilo do diretor, mas se nem o protagonista nas gravações aguentou ficar sem falar nada, imagina quase duas horas sem ninguém falar um A que seja, com uma hora já estava incomodado, mas ao menos funciona dentro da proposta, o que acaba sendo interessante.

Quanto das atuações, é fato que Joel Kinnaman entregou tudo e mais um pouco para seu Brian, correndo ensanguentado, treinando horrores para ficar musculoso, lutando de todas as formas, fazendo drift com o carro, preparando armas e tudo mais, e claro fazendo trejeitos fortes com os olhares, já que não tinha como se expressar com a voz, então dominou os ambientes e agradou com o que tinha que fazer. O garotinho Anthony Giulietti trabalhou bem as cenas mais emocionais, entregando bons trejeitos nos atos de flashback e sendo gracioso e envolvente para que o público ficasse com mais raiva ainda dos vilões. Quanto aos demais, Vinny O'Brien trabalhou como o poderoso vilão apenas dando um tiro na garganta do protagonista, e depois fez alguns atos com olhares espalhados, mas nada que chamasse a atenção, Kid Cudi trabalhou um policial com cara blasé que não leva nada a lugar algum, tendo alguns atos de tiros bem colocados no final, e Catalina Sandino Moreno até teve algumas desenvolturas e trejeitos emocionais no hospital, mas depois sumiu.

Visualmente a trama mostrou um bairro bem violento, aonde as gangues praticamente fazem um bang-bang a céu aberto e a polícia nem tem como interferir, vemos uma casa simples, mas que o protagonista transforma num centro completo de treinamento, vemos a transformação do carro para poder virar uma máquina de combate, muitas armas, e um prédio com uma escadaria bem intensa cheia de personagens para levar tiros, até chegar na noite natalina mágica que o vilão está tendo com sua amada drogada, ou seja, o básico do básico em filmes do estilo aonde tudo vira tiroteio, socos e facadas, com uma boa intensidade ao menos e câmeras com ângulos bem dinâmicos.

Enfim, é um filme que tem estilo e proposta bem direcionada para quem gosta de filmes de pancadaria que por vezes reclamam do excesso de falação, mas tudo precisa ser bem ponderado já que sem nada também acabou sendo um pouco chato demais, então fica a recomendação apenas para quem gosta, que vá conferir sem esperar muito também. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Jornada Para Belém (Journey To Bethlehem)

12/09/2023 09:53:00 PM |

Já vi muitos filmes que mostraram o nascimento de Jesus de diferentes formas contadas, inclusive como animação, dramatizada, e até com pegadas mais cômicas, mas nunca imaginei que veria uma versão musical cheia de canções e danças, mostrando desde o casamento arranjado de Maria e José, passando pela anunciação do anjo Gabriel até a busca de Herodes pela criança que seria rei em suas terras, isso claro com os reis magos também nessa busca, e com "Jornada Para Belém" eis que tudo isso acabou parecendo algo meio indiano, mas não, a trama americana foi bem desenvolvida na tela, mas como ocorre com todo longa religioso que chega na cidade, só veio com cópias dubladas, mas ao menos dessa vez dublaram até as canções com uma voz que sigo e conheço já há tempos de outros filmes, o que acabou ficando bem interessante de ver. Não digo que muitos irão se apaixonar pela versão, mas o resultado ficou bem bacana e inusitado!

A sinopse nos conta que uma jovem carregando uma responsabilidade inimaginável. Um jovem dividido entre o amor e a honra. Um rei ciumento que não se deterá diante de nada para manter sua coroa. Esta aventura musical de Natal em live-action para toda a família mescla melodias clássicas de Natal com humor, fé e novas canções pop em uma releitura da maior história já contada, a história de Maria e José e o nascimento de Jesus.

O diretor e roteirista Adam Sanders que é bem conhecido no mundo dos musicais por ter entre "Rock of Ages - O Filme" e "Glee" trouxe para a tela algo bem diferente do usual, afinal tramas religiosas costumam ser mais sérias e dramáticas, e aqui ele trabalhou as dúvidas e dinâmicas com muita festa e alegria, com personagens cheios de vida e muito bem coreografados para que a história tivesse uma interação nova e chamativa. Claro que com isso ele será muito criticado tanto pelo lado dos religiosos que vão falar que não tem cabimento uma blasfêmia desse tipo em cima da história do nascimento de Jesus, quanto das pessoas que gostam de musicais e acharão tudo meio estranho na tela, mas como crítico que sou diria que o resultado funcionou bastante, sendo algo que chama atenção para a época, e dá uma vertente festiva para o nascimento como deve ocorrer, e assim sendo vale a conferida.

Quanto das atuações, vou falar mais sobre os trejeitos e danças, já que não vi o longa nas vozes originais, mas antes de tudo, como a trama veio dublada tenho de dar os parabéns para a equipe que recriou todas as canções no ritmo original, ficando até gostosas de ouvir, embora algumas rimas ficassem estranhas, e claro dou o destaque para Maria Clara Osiris que quando precisam de vozes femininas cantando agrada bastante na tela, de modo que sua Maria ficou muito bem leve e interessante, combinando com a personalidade da atriz Fiona Palomo e também Lucas Godoy que deu voz à José com muita imponência nos atos cantados bem encaixados. Agora acho que Antonio Bandeiras acabou exagerando um pouco no estilo de seu Herodes, pois ficou muito inseguro e maluco, algo que não combinou nem com o ator nem com o personagem, mas ao menos fez atos imponentes bem chamativos. Diria que Milo Manheim entregou um José bem jovial, cheio de trejeitos chamativos, e que trabalhou bem nos atos de dúvida com semblantes marcantes e bem empostados. E claro Fiona Palomo fez sua Maria cheia de personalidade, com olhares intensos bem amplos e uma vontade cênica tão bem colocada que mostrou uma mulher grande na tela. Quanto dos reis magos, vou usar a forma que Herodes os nomeia como personagens de circo, pois Geno Seghers com seu Baltazar, Omid Djalili com seu Melchior e Rizwan Manji com seu Gaspar ficaram excêntricos demais na tela, não sendo algo tão normal de se ver. E por fim Lecrae como Gabriel ficou um pouco forçado demais para um anjo.

Visualmente diria que a equipe de arte arrumou locações bem interessantes, trabalhando bem uma vila aonde acontece o noivado de José e Maria em Nazaré, vemos algumas passagens por Hebron na casa de Isabel, prima de Maria, aonde ocorre uma bela cena de casamento, e temos todo o nascimento num celeiro em Belém, tudo como o figurino mandava nas histórias, além de um trono em formato de leão para o rei Herodes, e claro muita dança com os soldados sendo bem imponentes, mas bem ritmados dentro da ideia.

Enfim, é um longa bem diferente do comum, pois não é sempre que vemos uma trama religiosa musicalizada, e menos ainda um musical religioso, então vale a conferida tanto pela data, já que no Natal comemoramos o nascimento de Jesus, e também para ver algo incomum na telona, que mesmo vindo apenas dublado acabou sendo bacana de ver. Diria que vou tentar depois ver ele legendado em algumas partes quando chegar nos meios digitais, pois no final enquanto subia os créditos gostei do tom de algumas canções, então fica a dica para quem sabe logo mais aparecer a trama na forma que foi concebida. E é isso meus amigos, deixo essa recomendação para todos, mas claro principalmente para os religiosos que gostem de musicais, e fico por aqui agora, indo para mais um filme hoje, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Mundo Depois De Nós (Leave the World Behind)

12/09/2023 05:26:00 PM |

Bem, todo dia ouvimos coisas sobre guerras, sobre o mundo estar se destruindo, que as pessoas cada dia estão piores, que as guerras são apenas o começo do fim, ou seja, que o caos está instaurado e que basta uma fagulha um pouco maior para que todos surtem e saiam se matando! Se você achou meio exagerado esse meu começo do texto, se preparem para todas as nuances insanas que o longa da Netflix, "O Mundo Depois De Nós", trabalha, pois ele se divide em algumas partes capitulares meio como o livro em que é baseado, e vai permeando possibilidades científicas e sociais (graças aos deuses do cinema não é um filme religioso sobre o assunto!) para toda a desgraça mundial que beira uma grandiosa catástrofe, e que brincando com situações de racismo, de desconfiança, de tragédias climáticas, de saúde e cibernéticas vai permeando toda uma discussão bem polemizada entre duas famílias que estão envolvidas numa casa rica e isolada de tudo. Ou seja, é daqueles filmes de fim de mundo com uma pegada tão diferente e ousada que por vezes você vai ficar se perguntando como tudo poderia terminar na trama, e que brilhantemente usando tudo o que vai sendo conversado fecha com algo que você vai ficar na dúvida se ri, se chora ou se soca a televisão, pois foi genial a escolha do roteiro, e mais do que "apenas" um filme sobre o assunto, servirá para muitas discussões e polêmicas mundo afora.

A sinopse nos conta que o casal Amanda e Clay e seus filhos vão passar o final de semana em uma mansão de luxo. Tudo vai bem até que um apagão traz dois desconhecidos com notícias de um grande ataque cibernético transformam as férias em um inferno. G.H. e Ruth chegam à casa desesperados por abrigo, alegando que a casa é deles e precisam entrar para se protegerem da grande ameaça invisível que arrisca a vida de todos. Agora, as duas famílias precisam se unir para se salvarem do desastre que se aproxima e, a cada momento, fica mais assustador e perigoso. 

Diria que o diretor e roteirista Sam Esmail foi bem direto no desejava mostrar do livro premiadíssimo, "Leave The World Behind", do autor Rumaan Alam, pois ele foi tão crítico nas nuances sociais dos personagens, no desenvolvimento de toda a situação caótica e principalmente na desenvoltura dos acontecimentos que acabamos flertando com várias outras possibilidades de aonde o longa deseja chegar, e claro ficamos convencidos de que G.H. sabe muito mais do que demonstra, mas não quer falar para não criar o caos, meio como se fala em não incitar o caos até que ele aconteça para que não haja caos sobre o caos, e dessa forma o longa acaba sendo brilhante de estilo e de pegada, tanto que não contendo em ter uma ótima história para desenvolver, o diretor colocou um elenco de peso para discutir tudo o que ocorre, e assim sendo o filme tem toda uma pegada própria que funciona sem cansar, e não apenas entrega algo fácil para o público, mas sim algo a mais de reflexão e instigação, claro que usando artifícios simples, mas que com o fechamento encontrado sendo tão perfeito, o resultado mostra que devemos nos preocupar com tudo o que anda sendo caótico sim, mas também temos pensar na nossa felicidade.

Quanto das atuações é fato que a personagem de Julia Roberts, Amanda, nos deixa muito irritados com seu "racismo incubado", mas não tem como ficar bravo com seu jeito perfeito de interpretar um papel, pois consegue transmitir tanta expressividade no olhar, se desenvolver rápido demais com toda a pegada e classe, de tal forma que ela se entrega bastante, coloca em cheque suas desconfianças e marca o território, agradando bastante. Outro que trabalha muito bem todas as nuances de seu personagem é Mahershala Ali com seu G.H. misterioso, sempre parecendo saber bem mais do que fala, e trabalhando todas as personificações do ambiente consegue ir desenvolvendo tudo com impacto no seu personagem e nos demais, e pensar que nem era prele ser o personagem, mas sim Denzel Washington, mas diria que ele foi uma ótima escolha pelo ar mais paciente e misterioso que sabe fazer. O personagem de Ethan Hawke é muito boa praça, de modo que seu Clay parece estar sempre bem disposto a enxergar o melhor em tudo o que faz, e com isso ele se deixa desleixar também um pouco, mas nos atos que precisou se expressar de modo mais forte conseguiu chamar atenção também. Da mesma forma que a personagem de Julia Roberts tem um desdém forte e uma certa desconfiança das pessoas que chegam na casa, a Ruth de Myha'la é totalmente fechada e direta na opinião, de modo que a garota mostra sentir o que está sofrendo e se blinda com muita intensidade, sabendo exatamente aonde quer chegar, e trabalhando seus trejeitos para isso, ou seja, segura o ar fechado e não desaponta. Ainda tivemos atos bem marcados com os jovens Farrah Mackenzie com sua Rose desesperada para ver o último episódio de "Friends", mas o que consegue ver são apenas os muitos cervos passando pela residência, e Charlie Evans bem disposto a curtir seu final de semana vendo garotas de biquíni na praia e claro na casa também, de modo que seu Archie é o adolescente próximo da virada para adulto, mas que ainda não tem tantas preocupações, mas que no filme vai sofrer um bocado. E claro temos de dar um leve destaque para Kevin Bacon com seu Danny rabugento e imponente, disposto a meter bala em quem quer que chegue perto de sua casa, mesmo sendo alguém conhecido, afinal se preparou para aquilo e vai com classe no melhor estilo rigoroso que o ator sempre faz. 

Visualmente a trama mostra uma mansão riquíssima de detalhes, com uma brincadeira bem marcante da câmera mostrando do andar superior até o porão todas as vezes que brinca com as duas famílias, mostrando até o miolo da casa entre os três pisos, dando certas nuances de classes e tudo mais, trabalhou com muitos animais em algumas cenas bem tensas, e ainda tiveram grandiosas cenas de desastres primeiro com um navio petroleiro invadindo uma praia, depois aviões caindo de bico em outra, drones jogando panfletos em línguas desconhecidas, vários carros autônomos se batendo sozinhos, muito barulho visual oscilando entre sirenes, apitos e até mesmo um grandioso silêncio, e claro muita bebida, discos, bunkers e tudo mais que numa trama desse estilo chama sempre atenção para o trabalho da equipe de arte.

Enfim, é um filme com muitas nuances e que consegue trabalhar muito bem toda uma desenvoltura chamativa na tela, de modo que acaba indo até mais além do que parecia, sendo muito mais do que apenas uma trama de catástrofes, mas sim algo reflexivo para o interior das pessoas, e como nos desenvolvemos no meio do caos, sendo bem interessante de ver, e que principalmente não chega a cansar mesmo tendo quase 140 minutos de tela, então veja, reflita e quem sabe quando o caos realmente explodir saberemos como agir da melhor forma possível. E assim sendo recomendo com certeza o longa, e fico por aqui agora, mas ainda devo ver mais alguns filmes hoje, então abraços e até logo mais.


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Wonka em Imax

12/09/2023 02:59:00 AM |

Confesso que fui conferir "Wonka" sem esperar absolutamente nada da trama, mas muito de Timothée Chalamet, pois ele tem entregue muito em todos os filmes que faz, e quanto ao filme nunca fui um fã grandioso de nenhuma das duas versões de "A Fantástica Fábrica de Chocolate", sendo que o original de 1971 tem todo um gracejo e uma beleza natural, enquanto o de 2005 é algo maluco e visualmente interessante, então o que fizeram com a trama anterior às histórias que conhecemos? Algo maluco e visualmente interessantíssimo de ver, contando com uma beleza natural e um gracejo incrível de história, sendo daqueles filmes que sensorialmente você adentra à trama pela forma da condução, da entrega da equipe de arte, das atuações de uma maneira tão bem trabalhada que ao final você sente a vontade de aplaudir o resultado mesmo que quem mereça os aplausos não ouçam suas palmas, ou seja, um filme perfeito, que diria mais, alguns cinemas tem distribuído ingressos colecionáveis com cheiro de chocolate, e isso dá ao filme um sentido ainda mais interessante. Outro medo que estava era do longa sendo um musical não contasse bem a história, e mais do que isso, ficasse cansativo com tanta cantoria, mas souberam dar tão boas dinâmicas para os momentos de cânticos que o resultado acabará agradando até quem odeia o estilo.

O filme mostra as origens da história do jovem Willy Wonka, que apareceu nos cinemas pela primeira vez na produção de 1971 e, mais tarde, ganhou um remake estrelado por Johnny Depp em 2005. Antes de se tornar a mente brilhante por trás da maior fábrica de chocolate do mundo, Willy precisou enfrentar vários obstáculos. Cheio de ideias e determinado a mudar o mundo, o jovem Wonka embarca em uma aventura para espalhar alegria através de seu delecioso chocolate. Nela, ele acabou conhecendo o seu fiel e icônico assistente, Oompa Loompa, que o ajudar a ir contra todas as probabilidades para se tornar o maior chocolatier já visto. Mostrando que as melhores coisas da vida começam com um sonho, o filme mistura magia, música, caos, afeição e muito humor.

Diria que o diretor Paul King soube utilizar tudo o que já fez com seus outros filmes carismáticos para dar nuances aqui com muito envolvimento de personagem e personalidade, de tal forma que tudo acaba funcionando com uma bela dinâmica cênica, tendo atos bem gostosos de ver e se envolver, e mais do que isso, ele prepara um musical que não fica preso a algo estilo de Broadway, mas sim um filme convincente aonde toda a história é bem representativa que faz o público se divertir com toda a essência, isso sem falhar na ambientação que acaba brincando com o ar mágico do protagonista e claro com a classe que a trama pedia. Ou seja, ele brincou com algo muito maior do que muitos esperavam, sendo gracioso de estilo e sabendo aonde poderia chegar, não apelando para traquejos falsos demais, mas deixando com que o protagonista pudesse brincar em cena para envolver o público, o que acaba ficando incrível de ver.

E como já falei a atuação em musicais é algo completamente insano, pois não basta o ator incorporar o personagem, ele tem de cantar, soar musical e envolver com cenas de dança cheias de desenvolturas, e Timothée Chalamet dá show com seu Willy Wonka, trabalhando trejeitos bem encaixados, se jogando por completo no papel (tanto que passou mal real de tanto chocolate que comeu!), sendo parceiro de todos os demais personagens nos atos em conjunto de forma a não tentar se sobressair deixando o outro de lado, e brilhou demais com tudo o que faz em cena, de modo que dá para falar que ele nasceu para o personagem, e facilmente será mencionado em muitas premiações, isso se não levar para casa algumas estatuetas! A jovem Calah Lane também entregou muita personalidade para sua Noodle, sendo direta em alguns atos mais fechados, mas se deixando levar pelo estilo do protagonista, brincando em cena, e se divertindo com atos até mais tensos, mas que funcionam muito bem no estilo que ela encontrou para fazer. Ainda tivemos atos bem marcantes com vários outros personagens, valendo destacar Keegan-Michael Key como um chefe de polícia corrupto que vai engordando com o tanto de chocolate que come via recebido de propina, tivemos o trio do cartel do chocolate bem cheio de nuances com Paterson Joseph, Matt Lucas e Mathew Baynton, e claro os donos da hospedaria muito bem trabalhados por Olivia Colman e Tom Davis, entre muitos outros com suas devidas nuances na trama valendo destacar até os atos meio que rabugentos de Hugh Grant como Oompa-Lumpa.

Visualmente o longa é riquíssimo de detalhes, mostrando atos gigantescos de dança nas ruas, uma hospedaria com uma lavanderia imensa cheia de objetos, que o protagonista transforma depois em algo automatizado incrível, vemos a chocolateria incrível que o protagonista cria com seus amigos num ato triunfal, tivemos todo a galeria dos chocolates bem bonita, um zoológico com animais belíssimos e os atos dentro da igreja também recheada de elementos cênicos, e principalmente muito chocolate e doces em detalhes perfeitos de composição, que para ficar ainda mais realista contrataram uma chefe chocolateira, já que mais de 50% dos ambientes e chocolates mostrados na tela não são cenográficos (o que fez muitos personagens passarem mal de tanto comer!).

Enfim, as canções são graciosas e conectam muito bem com todos os diálogos, o resultado visual é lindo de ver, e toda a simbologia nos passa uma sensibilidade de direção e de história que agradará tanto os mais velhos que curtem filmes musicais, quanto os mais jovens que irão se deslumbrar com todas as cores e nuances da trama, sendo algo até melhor do que se imaginava, e sendo assim até talvez desse para remover um ponto por ser um pouco longo, mas como não chegou a me cansar mesmo depois de um filme mais cansativo, não vou remover nada, deixando ele como algo quase perfeito que vale um 10 (acho que ando muito bonzinho nesse final de ano, quase incorporado pelo espírito natalino!) e a recomendação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com muitas outras dicas, então abraços e até logo mais.


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Uma Carta Para Papai Noel

12/08/2023 09:25:00 PM |

Costumo dizer que um filme tem de determinar seu público-alvo para funcionar perfeitamente, e sem dúvida o longa natalino nacional, "Uma Carta Para Papai Noel", é totalmente voltado para crianças de no máximo uns 8 anos, ou até um pouquinho mais se a criança ainda tiver uma infância bem fechada longe do mundo atual meio explosivo, afinal a trama me lembrou um pouco aqueles programas infantis que tinha na TV Cultura nos anos 80, em uma versão natalina especial com efeitos misturando desenhos e atores adultos e crianças, de uma forma alegórica e lúdica até que bem envolvente, mas que vai funcionar bem apenas para os pequeninos, mas os pais e os mais velhos acabarão cansando demais com tudo, não sendo ruim, muito pelo contrário, sendo bem produzido para uma produção natalina nacional. Ou seja, é daqueles filmes que você vai levar a criançada e acabará tentando entrar no clima, e só assim vai curtir, mas os pequenos com certeza vão se divertir bastante e ficando até o fim dos créditos poderão até tirar selfies com os personagens.

A sinopse nos conta que Jonas, um menino órfão de 8 anos que vive em uma casa de acolhimento, nunca ganha presente no Natal. Preocupado, ele escreve uma carta para Papai Noel, mesmo que seus amigos Beca, Pri, Alana e Cabeleira debochem da ingenuidade: "Só o Jonas pra acreditar que esse ano ia ser diferente. Papai Noel só vai na casa de quem tem dinheiro, família, essas coisas". Ao receber a carta de Jonas perguntando sobre o que Noel gosta de fazer, de comer e como é sua vida quando não é Natal, Noel se emociona. Jonas conta que nunca recebe presente no Natal e, então, Papai Noel entra em ação para descobrir o motivo. Noel se disfarça de Leon - o Conserta-Tudo e, junto com Maria Noel e com a ajudante Tata, parte para investigar o mistério. Enquanto explora a casa de acolhimento, Noel começa a ser vigiado por Léia, a diretora do lugar. Léia começa a desconfiar de Noel, criando dificuldades para ele e a garotada. Noel e as crianças criam um forte laço de amizade, mas a construção dessa cumplicidade será repleta de obstáculos. Nessa jornada, todos irão redescobrir o verdadeiro significado do Natal.

Diria que o diretor Gustavo Spolidoro junto com o roteirista Gibran Dipp foram bem criativos no desenvolvimento da trama, misturando animações de diversos estilos, invenções mirabolantes, e muito carisma para que os personagens convencessem da desenvoltura lúdica, de tal forma que pensaram como algo realmente para os menorzinhos, usando até canções do estilo e uma pegada até bobinha para não ir para um rumo que precisassem pensar em nada. Ou seja, é um filme bonitinho, aonde até dá para curtir bastante os atos finais mais agitados, mas para chegar até lá você vai precisar ir bem fundo, afinal volto a dizer que até alguns desenhos atuais são menos infantis do que o longa aqui proposto.

Sobre as atuações, diria que José Rubens Chachá realmente entrou no clima com seu Papai Noel bem empolgado em alguns atos, e desanimado com algumas situações que está ocorrendo, de forma que tem um bom carisma e chama a responsabilidade da trama para si. Da mesma forma Totia Meirelles entregou sua Maria Noel bem disposta como uma inventora de tecnologias para o Papai Noel utilizar, e comandando bem a UFA dos ajudantes de Noel, brinca bastante na tela. Outra exageradamente empolgada é Polly Marinho com sua Tata, "A" ajudante do Papai Noel, e até explodiu demais em suas cenas, de modo que acaba forçando um pouco, mas também diverte, então foi bem no que precisava fazer. Ainda tivemos Elisa Volpatto como Léia, a vila do orfanato, que se redime bem no final, mas que ficou mais bobinha do que malvada, e isso poderia ter sido mais intenso para chamar atenção. Quanto das crianças, diria que por serem todos estreantes até entregaram bons atos, mas nada que chamasse muita atenção, tendo claro o destaque para Caetano Rostro Gomes com seu Jonas bem expressivo, mas Mariana Lopes com sua Alana, Lívia Borges Meinhardt com sua Beca, Theo Goulart Up com seu Cabeleira e Cecilia Guedes com sua Pri até foram bem em cena. Já Adriano Basegio com seu Sr. Peabody foi apenas um enfeite cênico que já dava para saber o desfecho com os primeiros segundos que apareceu.

Visualmente diria que a equipe soube brincar bastante com elementos computacionais, colocando o personagem no meio da neve em sua casa no Polo Norte, vemos várias máquinas na fábrica da UFA, e na cena da montanha-russa brincaram com gosto com tudo, diria que poderiam ter trabalhado melhor o trenó, pois ficou muito amador, e na composição cênica dos túneis e do sótão foram bem criativos e marcantes, além claro das cenas utilizando animações e claro as bugigangas tecnológicas da Maria Noel, ou seja, a equipe de arte errou em alguns momentos, mas acertou em muitos outros, então ponto para eles.

Enfim, é um filme que a garotada mais nova vai brincar, vai dançar com as canções da protagonista e algumas de Fernanda Takai, mas que os pais precisarão de um pouco de paciência, pois a trama é bem infantil e forçada, então vá preparado para o cinema na próxima semana, pois é daqueles que são apenas para o público-alvo e mais ninguém. E assim fica minha dica pessoal, agradeço a equipe da Sinny pela cabine de imprensa, e fico por aqui agora, mas ainda vou conferir mais um longa hoje, então abraços e até logo mais.


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O Sequestro do Voo 375

12/08/2023 01:04:00 AM |

Meus amigos, que semana foi essa de vários filmes nacionais incríveis passando por aqui, e começo essa nova com um que certamente irei colocar entre os melhores filmes nacionais que já vi, isso se não entrar no meio dos melhores filmes que já vi baseados em fatos reais, ou seja, "O Sequestro do Voo 375" entrega algo tão perfeito, tão tenso, tão cheio de personalidade, de um caso que sinceramente eu era novo demais e nem via jornal na época, então não lembrava de nada, mas que foi tão imponente com toda a entrega, trabalhando tanto o emocional do piloto quanto do sequestrador, colocando uma negociadora do controle de aeronaves, tendo um mote politizado bem marcante, e ainda nos créditos contando uma curiosidade imponentíssima que na época dos ataques da Al Qaeda foram encontrados material sobre o caso brasileiro junto dos terroristas, ou seja, um caso nosso que serviu como uma péssima influência, ou seja, um filmaço com todas as letras, que vou fazer um apelo aqui: VEJAM!!! Pois ao mesmo tempo que fiquei felizaço com o resultado final do longa, aplaudindo em dois momentos a trama, fiquei muito triste de só ter eu na sala hoje conferindo o filme, e depois vem o povo falar que o Brasil não tem bons filmes, se não forem conferir os bons, como que fazem outros?

A sinopse nos conta que em 1988, o trabalhador Nonato se rebela contra o presidente e as dificuldades de um país em crise e orquestra o sequestro de um voo comercial para um atentado ao Palácio do Planalto. Murilo, o piloto desse avião, se vê responsável pela vida de mais de 100 pessoas a bordo e mesmo com toda tensão criada pelo sequestrador dentro da aeronave, executa a manobra mais impressionante da sua carreira e muda a história da aviação.

O diretor Marcus Baldini tem uma carreira consolidada de bons longas em nosso cinema, começando lá no passado com "Bruna Surfistinha", passando por clássicos da comédia nacional que estouraram as bilheterias com destaque para "Os Homens São de Marte... e É Pra Lá Que Eu Vou" e muitas séries boas bem vistas na TV, e agora diria que chegou no ápice de sua carreira com esse seu novo filme, pois ele pegou uma história incrível que mudou toda a aviação nacional e fez uma produção gigantesca digna de Hollywood, tendo pecado um pouco em algumas imagens computacionais de simuladores de voo, mas que sabemos que seria algo caro demais para fazer filmagens aéreas realmente contando com aviões antigos e até um caça, mas que dentro da aeronave, e na recriação de época dos atos de chão como carros, figurinos, e tudo mais, além claro da movimentação de câmeras, da manobra gigantesca feita (que quero demais o video dos bastidores mostrando como foi feita na tela), tudo condensado em um texto dinâmico e muito bem trabalhado aonde ficamos tensos e sentimos a força que o diretor soube passar. Ou seja, um trabalho de direção tão perfeito que nem sei mais se ele vai ainda ultrapassar com algum outro filme seu, mas que merece aplausos máximos.

Sobre as atuações, não conhecia o trabalho de Danilo Grangheia, mas o que ele fez com o piloto Murilo é digno de premiações sem dúvida alguma, mantendo a seriedade nos atos, trabalhando trejeitos bem marcantes em cada uma das dinâmicas mais inusitadas, e dando nuances tão perfeitas que confesso que foi uma pena o verdadeiro Murilo ter partido em 2020 sem ver essa grande homenagem para um dos heróis nacionais que ganhou medalhas de honra e tudo mais pelo que fez, ou seja, o ator foi perfeito no que fez. Jorge Paz também segurou com força a personalidade do sequestrador Nonato, mostrando ser um homem humilde, sem experiência nenhuma em sequestros, mas que soube dominar bem a aeronave e todos ali no voo, com muita imposição, bons trejeitos, e o melhor, sem forçar a barra com dinâmicas jogadas, ou seja, deu show. Outra que foi muito bem como negociadora e controladora de voo foi Roberta Gualta com sua Silvia, tendo um olhar sereno, mas bem impositivo, sabendo dosar as emoções na voz e na conversa, e indo muito além de uma simples civil num caso desse porte, agradando tanto a personagem como a atriz que conseguiu fazer muito bem seu papel. Ainda tivemos atos marcantes bem colocados com Cesar Mello como o co-piloto Evangelista chocado com algumas situações no começo, Juliana Alves como a comissária-chefe Cláudia, irmã do co-piloto em um ato explosivo incrível nas cenas finais, Adriano Garib como um imponente Brigadeiro Bastos direto de opinião forte, Cláudio Jaborandy bem colocado como Sobral Quintanilha, chefe da Casa Civil do governo Sarney, e até Gabriel Godoy entregou atos bem colocados com seu Delegado Rodrigues da Polícia Federal, mas sem dúvida a frase mais icônica que quase rolei de rir no cinema foi feita por Johnnas Oliva com seu Capitão Andrade oferecendo uma cesta básica para o sequestrador na negociação, eu se sou o sequestrador mandava o piloto mudar o curso pra atropelar esse capitão da FAB que teve essa brilhante ideia. Ou seja, um elenco com muitos nomes pouco conhecidos, mas que brilhou na telona.

Visualmente já falei no começo e volto a dizer que a equipe de arte fez um trabalho memorável de nível hollywoodiano, com figurinos da época, elementos cênicos dentro da aeronave, no aeroporto de Confins-MG, todo um trabalho artístico perfeito com tudo caindo e sendo arremessado na manobra que o piloto faz, ou seja, algo tão minucioso que não tem como reparar em cada detalhe, só tendo pecado um pouco na computação gráfica de algumas cenas exteriores do voo, pois como usaram um simulador de voo bem conhecido, acabou ficando um pouco falso, mas nada que atrapalhasse o resultado final.

Enfim, confesso que me arrepiei em algumas cenas conforme ia vendo os detalhes, me envolvi demais com a história, com a direção, com as atuações, ri demais com a forma de negociação sem base alguma que certamente foi feita por alguém que nunca precisou fazer isso antes, e claro ao final da manobra aplaudi o piloto junto com os personagens, e no final do filme aplaudi novamente, sendo algo que vou indicar sempre que me perguntarem um filme nacional incrível, pois é isso o que vi na telona. Então meus amigos, parem tudo o que estão fazendo e vão para o cinema conferir, pois vai valer demais o seu ingresso, e o filme merece ser conferido na telona, mas que ao sair no streaming daqui um tempo irei recomendar de novo, e claro verei de novo, pois é show demais. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.

PS: Até poderia tirar um coelho da nota pelas imagens computacionais, sendo extremamente crítico, mas não tenho como fazer isso com o resultado perfeito do filme, então vamos de nota máxima!


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Propriedade

12/06/2023 11:57:00 PM |

Quem me conhece sabe que gosto de ver filmes sem saber nada sobre eles, para ser pego de surpresa realmente, e quando fui convidado para a cabine de "Propriedade", o pôster do título da cabine (não é esse acima), era algo tão inusitado que fiquei bem curioso pela ideia, achando até que seria algo meio documental misturado com ficção, mas claro que pedi o ingresso para a sessão, e hoje ao conferir, meus amigos!!!!! Que filmaço foi esse que me entregaram!!! De modo que só tenho digo uma coisa para vocês, confiram o longa nos cinemas a partir do dia 14/12, pois vai valer cada segundo de tela, sendo daqueles suspenses/terrores bem intensos, com atos marcantes bem representativos, usando algo bem real do país, aonde o sentimento tanto dos trabalhadores rurais quanto da protagonista dentro do carro vai fazer cada um refletir e sentir cada detalhe passado. Ou seja, é um filme tão amplo que tem levado muitos prêmios pelo mundo todo, mas que aqui optaram por indicar outro longa (no caso um documentário) para concorrer nas principais premiações, e aqui facilmente a trama dialoga com todo tipo de pessoa, mostrando que quando um grupo se junta não tem propriedade que pare em pé.

A sinopse nos conta que dois universos estão prestes a colidir, quando uma revolta de trabalhadores começa. Traumatizada por um caso de violência urbana, a reclusa estilista Tereza se refugia em uma fazenda da família na tentativa de se recuperar. Mas quando seu marido anuncia aos trabalhadores do local a sua intenção de vênde-lo uma revolta acontece. Para se proteger do levante dos trabalhadores Tereza se enclausura em seu carro blindado e mesmo separados por uma camada impenetrável de vidro, o conflito é inevitável.

Diria que o diretor e roteirista Daniel Bandeira conseguiu um feito bem grandioso com seu longa, pois a ideia em si é bem simples e a trama usa uma pegada que tem leves semelhanças com alguns outros filmes lançados recentemente ("A Jaula" e "4x4") de alguém preso dentro de um carro tentando sobreviver, mas aqui ele foi para um rumo muito mais inusitado e desesperador, juntando uma realidade de muitos trabalhadores rurais versus alguém traumatizado pelo mundo atual, com uma dinâmica muito mais desesperadora e imponente, aonde você não consegue imaginar os rumos que a trama poderia tomar, com o clima caótico só piorando, e ainda com a barra de tempo tendo muito filme pela frente, ou seja, o diretor soube criar uma tensão cheia de nuances marcantes, aonde não vemos um futuro promissor para a protagonista, mas não custa torcer para ela, ou não, afinal os trabalhadores foram enganados também, então é sobre isso, um filme aonde tudo pode acontecer, com uma noção política também bem colocada, mas que não se prende a isso, virando muito mais cinema do que discussão, e é o que acaba encantando.

Sobre as atuações, tivemos muitos personagens com bons trejeitos, a maioria sendo de atores desconhecidos da maioria, alguns vários estreando também nas telonas, mas o foco principal é claro em Malu Galli cheia de traquejos e envolvimentos com sua Tereza, já sofrendo com o trauma que passou na cidade, desesperada com a revolta dos trabalhadores, e presa na sua bolha que é o carro blindado, mas nem por isso se segurou, fazendo atos fortes e bem marcantes ali, com um fechamento que diria ser ainda mais simbólico pela formatação, mostrando o poder do roteiro e claro da atriz que pegou o papel. E claro do outro lado do carro o destaque fica com Zuleika Ferreira e sua Antonia perfeita de imposição, disposta a tudo para conseguir o que é seu, com trejeitos emocionais no começo convertidos para algo mais sério e direto durante os demais momentos, sendo bem determinada e cheia de personalidade, agradando demais. Muitos outros tiveram atos bem interessantes e marcantes, e o roteiro pedia isso sem que houvesse sobreposições, mas claro que dentre todos vale o destaque para Samuel Santos com seu Dimas correndo quase igual um touro feroz atrás da protagonista e sendo bem emblemático em todas as suas cenas, chamando demais a atenção para si, e não decepcionando.

Visualmente o longa se concentra bem nas cenas da casa grande de uma fazenda de criação de gado, mostrando bem os furtos dos trabalhadores desesperados por achar dinheiro e claro seus documentos de propriedade de suas terras, mostrando muitos elementos simbólicos de classe e claro as marcações nas peles das pessoas (colocando elas também como propriedades), e o carro totalmente blindado, imponente, com algumas comidas e bebidas que os patrões compram numa parada, o caderno de desenhos da estilista aonde consegue se expressar bem, entre roupas e tudo mais que consegue usar enquanto está presa ali, e claro todo o simbolismo do final marcante, que chama muita atenção pela inteligência do roteiro e suas nuances que passada na medida para a equipe de arte deu vida para a trama.

Enfim, é daqueles filmes tão fortes de nuances que você fica preso na história junto da protagonista, se envolve com todos os personagens, torce cada hora para algo diferente acontecer, e felizmente o diretor pensa como todos entregando algo que vai muito além, então confira no cinema que vai valer a pena, que só não darei nota máxima por alguns atos no começo serem rápidos demais, faltando um pouco mais de desenvolvimento ali, mas que não atrapalham em nada o resultado final, só sendo algo que particularmente gostaria de ter visto um pouco mais dos tratos na fazenda que são subjetivos, mas valeriam para impactar ainda mais. E é isso pessoal, fico por aqui hoje agradecendo o pessoal da Sinny pela cabine de imprensa, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Eu Sou Maria

12/05/2023 10:37:00 PM |

Costumo dizer que alguns filmes se prendem tanto às técnicas que esquecem que precisam se soltar para que a trama se desenvolva melhor, pois acabam ficando redondinhos de técnicas, sem falhar em nenhuma dinâmica, todo bem pontuado, e quando chegamos ao final a história não passou a emoção que poderia ter passado com algo mais aberto e interessante, porém também não pode descambar por completo senão aí desanima também. Comecei o texto de "Eu Sou Maria" dessa forma, pois acredito que tenha sido o filme mais correto tecnicamente que já vi no cinema nacional, sendo tão redondinho que sem pegar o roteiro nas mãos consigo descrever cada cena com as características de cada personagem, de cada ambiente, da movimentação da câmera e até dos diálogos só pelo que foi exibido na tela, e isso é lindo para um bom trabalho de estudo de cinema, porém a diretora e os roteiristas esqueceram de um pequeno detalhe, emocionar mais e não transformar ele em uma novela, afinal diria que o longa é quase um "Carrossel" modernizado para o ensino médio ao invés do primário e colocado mais ênfase no ambiente periférico, o que não é ruim, mas com poucos recortes de estrutura e um foco mais fechado sem precisar trabalhar tantos outros temas e personagens secundários, o resultado acabaria incrível.

O longa acompanha Maria (Núbia Maurício), de 15 anos, que mora em uma comunidade do Rio de Janeiro com a mãe, Célia, e o irmão mais novo. Por se destacar em uma prova de redação, Maria consegue uma bolsa em um dos melhores colégios particulares da Zona Sul. Porém, agora, ela deve lidar com uma realidade muito diferente daquela com a qual estava acostumada, encarando o desafio de manter suas notas altas e provar que merece estar ali.

A diretora Clara Linhart tem um currículo invejável dentro do cinema nacional tendo trabalhado inclusive no meu longa nacional preferido de todos os tempos "Olhos Azuis" como assistente de direção, e talvez por isso já tendo passado por tantas boas experiências trouxe aqui algo mais fechado de técnica para que seu filme não tivesse falhas, mas costumo dizer que quando um diretor pega um roteiro que não é seu para desenvolver, ele precisa quebrar algumas amarras para conseguir ir além, e ela optou por algo mais certinho e bem direcionado, e volto a afirmar que isso não é ruim, porém ela pegou um roteiro com um formato novelesco demais, que merecia uma lapidada melhor antes de filmar, e assim o resultado vai até agradar o pessoal que curte séries e novelas, dando para se apegar aos personagens, torcer pelo romancinho, e tudo mais, mas quem curte um filme mais fechado e direto vai reclamar um pouco, ou seja, faltou bem pouco para entregar uma obra prima completa.

Quanto das atuações, posso dizer que Núbia Maurício tem muita personalidade, conseguiu segurar bem toda a desenvoltura que a protagonista tinha de ter, de tal forma que sua Maria entrega tudo com olhares e dinâmicas bem encaixadas, se joga completamente nas cenas que precisava fazer, e só não diria que chorou muito bem na cena que precisava, mas isso não atrapalhou, e assim sendo foi muito bem com o que fez. Tivemos ainda bons atos de Daniel Dantas como o diretor da escola, meio bobão, mas fazendo o que muitos fazem em escolas de ricos, Pablo Sanábio bem colocado como um professor de Matemática, e claro Drico Alves bem direto com seu Henrique, que mostra um aluno diferente do usual da escola que vai ajudar a protagonista, e claro ter um romancezinho, mas sem grandes expressividades que valessem destaques.

Visualmente a trama trabalhou bem a comunidade aonde a garota vive, mostrando os tradicionais tiroteios, as crianças que viram "vapor" e "aviõezinhos" com sequelas claro de entrar para o crime, vemos também uma escola de ricos aonde o bullying com bolsistas sempre acaba virando algo difícil de lidar, vemos uma festa de 15 anos tradicional de riquinhos, e claro alguns outros bairros mais tradicionais da cidade, tudo bem ambientado dentro do encaixe novelesco comum que vemos normalmente.

Enfim, é um filme que se olharmos a fundo vemos uma trama simples bem colocada, mas que tudo é tão bem feito tecnicamente que agrada bastante, sendo até alongado na medida certa para não incomodar, ou seja, vale como um bom exemplar de como fazer um filme técnico, mas não espere se emocionar ou se enxergar muito nos personagens, pois não vai acontecer, então fica a dica. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Ninguém Precisa Acreditar Em Mim (No Voy a Pedirle a Nadie Que Me Crea) ( I Don't Expect Anyone to Believe Me)

12/05/2023 12:36:00 AM |

Olha, confesso que demorei para escolher um filme para ver no streaming hoje, já que perdi a hora da sessão que veria no cinema, mas não imaginava que o filme mexicano "Ninguém Precisa Acreditar Em Mim" da Netflix fosse ser algo tão sem futuro como me foi entregue, pois a trama até tenta ser bem sacada misturando cartel mexicano em conflito com cartel espanhol, investigações meio sem nexo, conflitos entre personagens e estudos de estilos humorísticos sem graça, de tal forma que a classificação como suspense cômico acaba sendo tão desleixada que no final tudo é literalmente jogado no lixo como se nada tivesse ocorrido. Ou seja, é daqueles filmes que pareciam ter algo para entregar, que talvez com uma direção mais eficaz até vire algo mais interessante, mas que não funcionou, sendo algo que certamente quem começar a ver pode ser que espere que termine melhor do que o começo, o miolo vai fazer parecer algo conflituoso, mas o fechamento desaponta tanto que não vai ter como não xingar, então é melhor nem perder tempo e procurar outra coisa.

A sinopse nos conta que Juan Pablo viaja com sua namorada Valentina para fazer doutorado em literatura em Barcelona. Antes de viajar, ele se vê enredado em uma rede criminosa que o inspira a escrever o romance que sempre quis, enquanto sua vida toma rumos cada vez mais absurdos e sinistros.

Diria que o diretor e roteirista Fernando Frias até teve uma história bem trabalhada para desenvolver, só que faltou dar mais impacto para que seus personagens fossem interessantes, afinal é uma história contando a história deles, e essa dinâmica só funciona quando os personagens são interessantes o suficiente para que tudo flua bem, ou seja, faltou personalidade nos atores para que a trama vivesse na tela, de tal maneira que no final quando a policial tá lendo o livro, nem ela sente uma vontade forte de ir além, e isso é o que acabou acontecendo com o filme por inteiro. Claro que não posso culpar 100% os atores jovens, mas eles entregaram seus personagens sem vida, sem força, parecendo estar se arrastando pela tela sem vontade alguma de seus atos, e isso pesou muito no resultado, de tal forma que aposto que a trama com um elenco explosivo, cheio de personalidade com um diretor que instigue o público usando o mesmo roteiro certamente veríamos um filme genial aonde tudo fluiria bem e mesmo tendo o final igualzinho como se o livro não fosse importante, os atos surpreenderiam e o resultado seria bem diferente.

Falando diretamente das atuações, Dario Yazbek Bernal trabalhou seu Juan Pablo de uma maneira até que interessante, cheio de perebas e feridas de uma dermatite nervosa gigantesca, mas não trabalhou tanto seus olhares, de modo que ao ver algumas mortes não expressa nenhum sentimento, em outros atos parece um morto vivo caminhando, em algumas festas se entrega mas sem aparecer realmente, de modo que não assume o protagonismo em quase nenhum ato, com o chinês que lhe acompanha  se destacando até mais do que ele, e isso é algo bem ruim, pois não era para isso ocorrer. Da mesma forma Natalia Solián até tenta expressar alguns momentos mais chamativos nos atos finais de sua Valentina, mas também entrega desânimo demais do começo ao fim, sendo que em alguns momentos até eram bem válidos, e sua ironia nas falas até soaram engraçadas se olhando os seus trejeitos, mas dava para ter ido mais além. Alexis Ayala apareceu pouco com seu Doutor, mas teve imposição e chamou para si alguns momentos, então ao menos não desapontou, enquanto Anna Castillo que talvez fosse uma co-protagonista com sua Laia, acabou ficando bem de escanteio em quase todas as suas cenas. Ou seja, quase ninguém se entregou para os papeis, de modo que Juan Minujín que era o secundário do secundário com seu Facundo acabou tendo mais expressão em suas cenas que todos os demais.

Visualmente a trama entrega uma Barcelona como diz um dos personagens sedutora, mas sem muita graça, com cenas numa universidade, em alguns apartamentos, bares e ruas com ocupações, algumas cenas em depósitos com mortes sem grandes nuances, e até exageraram em cenas aparecendo o protagonista escrevendo seu texto com a tela do "word" aparecendo os escritos enquanto ia falando, o que era bem desnecessário, de modo que a equipe de arte trabalhou mais nos casacos de frio e na maquiagem para mostrar a dermatite do protagonista.

Enfim, é um filme que até tinha um potencial para surpreender, mas que resultou em alto tão fraco que até a energia da minha casa acabou várias vezes me pedindo para que eu parasse de ver, mas como sou persistente fui até o final para não recomendar ele para ninguém. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Pedágio

12/03/2023 11:34:00 PM |

Costumo dizer que o cinema nacional sabe brincar com seus próprios problemas de uma forma tão bem colocada que rimos de situações que nos causariam medo naturalmente, nos emocionamos com a simplicidade e até sentimos nojo de coisas que tentam impor nas pessoas, como se houvesse cura gay, e religiosos santos entre muitos outros detalhes. E usando desse permeio o longa "Pedágio" consegue brilhar com uma locação estranha como é Cubatão, com ares meio que de abandono e principalmente mexendo com grupos que usam da fé de alguns para se enriquecer, e claro os espertos que usam de meios mais sacanas para pegar sua parcela desse enriquecimento também. O longa fala abertamente de dicas de roubos, de cura gay nas igrejas, e principalmente do relacionamento difícil entre uma mãe que não aceita o filho do jeito que é, sempre buscando meios de mudar isso nem que seja através do crime, de tal maneira que o filme tem um fluxo pesado de ideia, mas que trabalhado de uma forma até que engraçada de ver, acaba fluindo bastante com a sacada completa. Claro que talvez pudesse ser mais dinâmico para ter uma pegada melhor, mas é bem trabalhado e funciona como algo tão diferente de colocação que mostra que de algo simples pode sair algo brilhante para discussões.

A sinopse é bem simples e nos conta que Suellen, cobradora de pedágio, percebe que pode usar seu trabalho para fazer uma renda extra ilegalmente. Mas tudo por uma causa nobre: financiar a ida de seu filho à caríssima cura gay ministrada por um famoso pastor estrangeiro.

Diria que a diretora e roteirista Caroline Markowicz mostrou seu estilo de uma forma bem crua na tela com as escolhas entregues, pois ela cria um ambiente instável bem marcante, colocando em cheque o homossexualismo como uma doença enxergada pela mãe e pela amiga religiosa, mas ao mesmo tempo a mãe não vê problemas em cometer um crime para pagar um pastor fajuto, e mais do que isso ela satiriza com todas as letras a forma que muitas igrejas entregam possíveis curas para o homossexualismo, ou seja, de uma forma irônica, mas muito bem colocada, ela consegue incorporar situações tensas com uma pegada cômica bem trabalhada, que muitos vão rir e outros ficarão indignados, mas uma coisa é certa, ela aponta o dedo na ferida e entrega muita personalidade, pois poucos tem essa coragem de mexer com temas pesados sem dramatizar tanto. O único aquém é que ela praticamente quis enfatizar muito, e com isso seu filme ficou um pouco sem ritmo, mas não chega a ser algo que incomode, e assim o resultado funciona bem na tela.

Quanto das atuações, Maeve Jinkings trouxe também muita personalidade para os trejeitos e intenções fortes de sua Suellen, de tal forma que se olhássemos a fundo veríamos tradicionalmente uma cobradora de pedágio normal, sem estereótipos, mas com dinâmicas e personificações tão bem colocadas que mostram o quanto a atriz trabalhou para capturar muito da forma de agir das moças dos pedágios, e mais do que isso, também deu nuances bem colocadas como uma mãe que não aceita o filho como ele é, e tem um final perfeito com a reviravolta escolhida pela diretora, ou seja, soube ir muito bem no papel. Outro que incorporou com muita desenvoltura o seu primeiro papel em longas foi Kauan Alvarenga com seu Tiquinho, trabalhando dança e trejeitos marcantes nas cenas de performance, mas também sendo apenas um jovem que quer ser reconhecido como é por dentro, com suas paixões e claro ganhar seu dinheiro de forma honesta, de modo que o jovem conseguiu trabalhar bem todos seus momentos e agradar bastante. Ainda tivemos Thomas Aquino em alguns momentos intensos com seu Arauto e Aline Marta Maia como Telma uma religiosa que faz muitas coisas fora do casamento e acha normal, sendo bem a cara do tradicional cidadão de bem, mas sem dúvida quem entrega um personagem caricato demais e que não tem como não rir é Isac Graça com seu Pastor Isac com um português arrastado falando as coisas mais absurdas possíveis num culto para jovens, ou seja, bizarro demais no papel.

Visualmente confesso que sempre passei por fora de Cubatão indo visitar algumas praias, e só via as fábricas com suas chaminés gigantes pegando fogo e soltando fumaça, tanto que nem imaginava como seria a cidade, e só nesse ano fiz uma pesquisa com a dúvida se tinha praia na cidade, já que beira o mar (a resposta é que não tem!) e a diretora soube dar nuances de um lugar bem simples, com uma casa de família periférica, uma igreja que nem chega a parecer realmente uma igreja, tendo apenas uma sala aonde acontece o culto, um bar aonde a protagonista vai com o namorado, uma lanchonete aonde o jovem trabalha, um teleférico aparentemente abandonado aonde vão para fumar narguilé, e claro os vídeos do garoto vendendo seus produtos, todo produzido com luzes, e a cabine de pedágio aonde a protagonista trabalha, além de uma rua isolada da rodovia aonde rolam os assaltos, ou seja, tudo bem marcado em detalhes para funcionar bem na representação que a diretora desejava.

Enfim, é um filme interessante, simples, com uma ideia forte, mas que não chega a ser pesado, pelo contrário, sendo até cômico de certa forma, que claro muitos acabarão olhando torto pelo estilo mais cru da diretora, mas que vale a reflexão e a discussão de tudo o que é mostrado na tela, então fica a dica para conferirem nos cinemas, e claro ampliar bem toda essa ideia de cura para algo que nem doença é, e claro dos valores morais que muitos acabam se metendo aonde não devem para algo que nem é tão necessário assim. E é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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O Jogo da Invocação (All Fun And Games)

12/02/2023 11:20:00 PM |

Confesso que hoje fiquei pensando umas três vezes se já não tinha visto "O Jogo da Invocação", ou algum filme muito parecido com a ideia toda, mas acredito que tenha sido o motivo de ter visto tantas vezes o trailer em outras sessões, mas isso foi o de menos, pois o filme é tão simples e curto que nem quiseram aproveitar os bons atores que tinham no elenco, sendo daqueles que você fica esperando um algo a mais e não acontece, resultando em algo tão básico que ao menos é rápido, tendo pouco mais de uma hora apenas. Ou seja, é o famoso filme que começa já terminando, aonde apenas algumas cenas de sustos gratuitos, os famosos jump scares, entregam algo a mais, mas sem fazer ninguém realmente ficar com medo de nada, o que desaponta bastante.

No longa vemos que um grupo de adolescentes de Salem descobre uma faca amaldiçoada que libera um demônio, que os força a jogar versões horríveis e mortais de jogos infantis onde não pode haver vencedores, apenas sobreviventes. Na trama aterrorizante, Billie e Marcus são irmãos que se envolvem no jogo demoníaco e perigoso que acaba indo longe demais. A família acaba destruída após os filhos participarem da brincadeira demoníaca. A história do longa então acompanha a família de Salem e seus personagens que se envolvem com a entidade maligna, cujo objetivo é brincar com suas vítimas até a morte.

Diria que após muitos curtas-metragens, os diretores Ari Costa e Eren Celeboglu acabaram ainda bem receosos de entrar de vez no mundo dos longas-metragens, pois com apenas 70 minutos é quase um média um pouco mais elaborado, e se olharmos a fundo dava para desenvolver mais a história do passado da faca, mostrar um pouco mais da família e até mais brincadeiras talvez com o garotinho assombrado, pois tudo acontece muito rápido, e nada vai muito além do básico, fora todos os clichês possíveis do gênero que como disse no começo pode até parecer que você já tenha visto o filme anteriormente. Ou seja, vão precisar ainda estudar mais o gênero para fazer um longa que possam mostrar suas técnicas realmente.

Sobre as atuações, confesso que ando começando a ficar desapontado com Asa Butterfield, ou com seu empresário, pois anda arrumando cada papel ruim para fazer que não mostra nem 10% do garoto que apostei todas as fichas no passado, e ele é muito bom ator, tem expressividade e tudo mais, mas tem caído numas furadas, de forma que aqui seu Marcus é meio bobão, meio sem jeito, e até sem personalidade, tanto que suas mortes são secas e estranhas, o que acaba não convencendo em nada, sendo bem fraco para falar a verdade. Natália Dyer que também entrega sempre muita personalidade em seus papeis fez uma Billie meio que jogada, sem muita vontade de tudo, tendo um pouco mais de expressão nos atos finais, mas nada que surpreendesse realmente. Ao menos o jovem Benjamin Evan Ainsworth mostrou que não é apenas uma voz boa como falei no filme "Pinóquio" e entregou um Jonah com trejeitos fortes e boas desenvolturas, de modo que talvez a faca deveria ter ficado com ele para criar momentos mais tensos na trama, pois ele literalmente suou em cena nos seus atos e agradou com o que fez. Quanto aos demais, estava torcendo para morrerem mais rápido, pois só enfeitaram as cenas.

Visualmente a trama até foi bem colocada, mas nada original para variar um filme de maldição que se passa em Salem, crianças invadindo uma casa abandonada no meio de uma floresta, um diário abandonado, levam para casa uma faca feita de ossos, alguém imaginaria que iria acontecer algo ruim? Mas a equipe conseguiu criar uma boa atmosfera, algumas paredes manchadas de mãos e pés, e tudo bem trabalhado para ao menos assustar quem não estava prestando atenção na tela, sendo um básico bem feito ao menos nesse quesito.

Enfim, é um filme que até talvez tinha um certo potencial, mas que eu ainda não estou conformado com a duração que não foi aproveitada, com os atores bons mal utilizados, e principalmente por ainda achar que já tinha visto ele, ou talvez uma outra versão dele, se eu descobrir eu volto aqui para comentar, mas não recomendo o longa para ninguém, pois é fraco demais. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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As Aventuras de Poliana - O Filme

12/02/2023 04:06:00 PM |

Costumo dizer que o estilo de filme que menos gosto de conferir são os que são baseados em séries, novelas ou desenhos que já possuem muita coisa existente, pois os diretores e roteiristas acabam fazendo algo apenas para os fãs, sem as preocupar com qualquer outra pessoa que queira assistir ele sozinho apenas como um filme, e como já falei isso diversas vezes, um filme deve funcionar sozinho com um começo, meio e fim que entregue a proposta e se desenvolva bem. Dito isso, eu já sabia que ao conferir hoje "As Aventuras de Poliana - O Filme" iria ver uma extensão da novela do SBT que já tem anos passando, mas mesmo sem conhecer nada dos personagens, diria que o filme não me obrigou a saber quem é quem, pois funcionou bem dentro dessa proposta de mostrar uma garota que quer se provar responsável para o pai para poder ir estudar fora do país, e trabalha bem o foco de mostrar duas situações que muitos não enxergam que são os empregos de férias para jovens, mostrando que não estão ali para se divertir e tirar férias, e também mostrar o conceito de que as construções de hotéis e resorts "eco-sustentáveis" andam destruindo as comunidades ao redor com poluição e interferências na natureza que atrapalham o conjunto natural da vida. Ou seja, mesmo sendo algo que segue os personagens já conhecidos, acaba funcionando como deveria. Claro que tem muitas falhinhas bobas, mas até serve como um passatempo simples.

A sinopse nos conta que Poliana está determinada a conquistar sua tão sonhada independência para estudar nos Estados Unidos, mas realizar esse sonho não vai ser fácil: ela terá que provar ao pai que está pronta! Ao conseguir o seu primeiro emprego, ela descobrirá que a vida não é o jogo do contente e precisará contar com a ajuda dos amigos para superar os desafios da vida adulta! Além desse dilema, o que parecia ser o emprego de verão dos sonhos se transforma numa aventura perigosa e cheia de mistérios. Será que a união de Poli e seus amigos será o suficiente para ajudar uma comunidade que está sendo ameaçada pelos planos ambiciosos do Resort Maya?

Diria que o diretor Claudio Boeckel usou bem o roteiro de Íris Abravanel para que o filme tivesse um estilo próprio bem colocado, de modo que não é algo que impressione realmente no sentido que um filme poderia ir além, parecendo talvez um pouco como um especial ou algo do estilo, mas que tem uma boa entrega dos personagens e também uma história convincente como deve ocorrer, e assim sendo mesmo sendo bobinho de interpretações e com vários momentos meio que desnecessários, o resultado acaba sendo interessante pela proposta em si, o que não incomoda tanto, e mostra que dá para ser criativo no conceito de filmes desse estilo.

Mas se a história fugiu um pouco do ar novelesco, não posso dizer o mesmo das atuações, pois os personagens pareceram realmente num filme de férias da novela, com cenas meio que brincando, fazendo trejeitos meio que soltos demais, e não aprofundando tanto quanto poderiam ir além na tela, mas ao menos não desapontaram com o que fizeram, tendo claro a liderança de Sophia valverde com sua Poliana, entregando bons trejeitos, mas sendo ingênua demais em alguns momentos, coisa que aparentemente já vem da novela, e contando com um estilo mais fechado não foi além na tela, se prendendo demais em tudo. Os demais jovens até entregaram atos espaçados bem conectados com a protagonista, dando mais nuances emocionais e tentando fluir na tela, mas sem grandes destaques para Igor Jansen com seu João, Duda Pimenta com sua Kessya, e Enzo Krieger com seu Luigi, sabendo bem desenvolver suas cenas, mas também sendo básicos para o funcionamento da trama. Já quanto dos personagens fora da novela, diria que Barbara Franca forçou um pouco para que sua Germana tivesse a pegada clássica de uma vilã que parece boazinha pela frente, mas destrutiva como uma empresária sem escrúpulos, mas que poderia ter fluido melhor sem que precisasse parecer boba, o mesmo posso dizer de Pablo Morais com seu Léo, então quem acaba salvando um pouco mais dentre os personagens secundários é Larissa Bocchino com sua Cíntia, mas também sem grandes atos explosivos, apenas sendo bem consciente do projeto que estava defendendo.

Visualmente a equipe de arte aproveitou bastante a locação paradisíaca, mostrando até demais a frente do hotel com suas cadeiras relaxantes, usaram bons momentos em uma vila nativa bem colocada com uma festa regada a música e comidas de praia bem bonitas de se ver, mostraram bem os desastres das chuvas com o desmatamento do ambiente, e claro os perrengues que muitos adolescentes acham que vão se divertir entre hóspedes dos hotéis dos trabalhos de férias, mas acabam limpando banheiros, cozinhas, comendo comidas mais simples e ficando alocados em depósitos, o que é bem realista e bacana de ser mostrado.

Enfim, não é um longa genial, que você vai sair da sessão comemorando com uma história incrível, mas ao menos tem uma boa entrega e funciona sem focar tanto na novela, e assim não incomodou alguém como eu que nunca nem vi um capítulo, mas que certamente quem acompanhou irá gostar bem mais. E é isso pessoal, fico por aqui agora, mas volto logo mais com outro texto de hoje, então abraços e até breve.


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Godzilla: Minus One (Gojira -1.0)

12/02/2023 02:22:00 AM |

Costumo dizer que filmes de monstros gigantes que destroem tudo não tem meio termo, ou você é fã de carteirinha e assisti torcendo pelo bichão para que destrua o máximo possível, ou você nem vai conferir, pois vai reclamar de tudo na tela, e eu diria que sou uma pessoa do meio termo, mesmo falando que não existe, pois até gosto das histórias trabalhadas, todo o lado "mitológico", mas eu dou muita risada das coisas absurdas, pois são bichões muito feios, e raramente são explicados muitas coisas, de forma que eles apenas destroem tudo o que veem pela frente, entrando em conflito com tudo, e claro a história acaba sendo de alguém que está no meio do caminho. E com "Godzilla: Minus One" voltamos bem para as origens do lagartão radioativo dos filmes japoneses, bem longe de todo o mundo criado pelos americanos, que anda em conflito com o macacão gigante e seus outros bichos estranhos, sendo algo mais intenso de essência, afinal vemos todo o trauma de um jovem que era um piloto kamikaze que fugiu de seu mergulho da morte e toda a desenvoltura de sua volta para um Japão destruído pela guerra, a culpa de não ter sido um herói de guerra, e mais ainda quando fica com a culpa de mecânicos morrerem pelo bichão sem que ele atirasse quando podia, e ainda vemos sua sina com o lagarto atacando sua cidade, praticamente matando a sua companheira, ou seja, quase um carma completo entre o jovem e o bicho, que funciona emocionalmente e entrega bastante envolvimento, mas convenhamos que dava para ter dado um realismo maior com toda a tecnologia que temos hoje, pois ficou parecendo os bichos da época que eu era garoto e via "Power Rangers" e outros desenhos de luta, aonde os efeitos eram bem toscos, e aqui a pegada recai um pouco para esse lado mais "manual", que alguns amam, mas que em pleno ano da inteligência artificial dava para ter feito algo muito melhor (friso no conceito visual, que na parta da história, é anos-luz melhor que qualquer outro já feito!).

A sinopse nos conta que sentindo-se como se tivesse enganado a morte injustamente muitas vezes, Shikishima, um piloto Kamikaze sobrevivente, é atacado na Ilha Odo junto com muitos engenheiros de aviões de guerra por um monstro gigantesco. Depois que os engenheiros morrem devido a Shikishima não ter conseguido distrair o monstro, uma enorme culpa pesa sobre ele, especialmente depois que uma mulher sem-teto e um bebê se mudam para sua casa quando ele retorna. Shikishima, agora em missão pessoal, se une a um grande grupo de veteranos para finalmente derrotar o monstro conhecido como Godzilla.

Antes de mais nada, hoje foi apenas uma pré-exibição comemorativa do aniversário de 70 anos do Godzilla que é comemorado até no Japão com seu dia em especial, e aqui temos o verdadeiro lagartão radioativo que muitos amam ver as destruições que causa, sem ser o amiguinho que temos visto nos outros filmes americanos, então dia 14/12 quando estrear efetivamente, todos poderão conferir a imponência que o diretor, roteirista e editor Takashi Yamazaki fez em sua versão, pois ele usou muito bem toda a sacada de um pós-guerra, as paranoias que soldados ficam em sua mente, a devastação já iminente de um lugar arrasado, sendo atacado por algo que nem sabem o que é direito, fora outras boas pegadas e sacadas críticas que pontuou sobre a guerra e sobre a política do país, de tal forma que o diretor soube fazer um filme quase que sem o bichão, e outro com ele destruindo tudo nos mesmos 125 minutos, aonde dá para se discutir muita coisa para aqueles que não curtirem tanto as coisas engraçadas de ver um bicho estranho destruindo uma cidade aleatoriamente, quanto dá para torcer que ele coma logo até um narrador de ataque no estilo de uma competição esportiva. Ou seja, é um filme amplo aonde tudo é abstrato e ao mesmo tempo é recheado de efeitos, alguns bem intensos, outros meio toscos, mas que funcionam bem dentro da proposta, então vale o resultado por completo.

Quanto das atuações, diria que o jovem Ryunosuke Kamiki conseguiu chamar a responsabilidade completa do filme para seu Koichi Shikishima, trabalhando bons trejeitos, desenvolvendo emoções e criando atos tão completos que como já disse supera até a presença do bichão, e que se o filme fosse separado veríamos uma história dramática com uma personificação única bem colocada do ator, ou seja, foi muito bem no que se propôs e entregou tudo. Minami Hamabe trabalhou sua Noriko com uma doçura bem encaixada, desenvolvendo seus atos com simplicidade e criando as devidas nuances para que ela não recaísse como casal, mas também tivesse seus envolvimentos, e soube trabalhar bem para que o filme não focasse tanto nela, mas estando sempre presente o que agrada bastante também. Outro que conseguiu chamar muita atenção foi Hidetaka Yoshioka com seu Noda, que trabalhou bem a personalidade dentro de seu navio, mas no ato que assume a responsabilidade de criar a força tarefa se mostra como um bom gênio de armas e chama para si tudo ali, o que acaba agradando bastante. E por fim, diria que Munetaka Aoki tem uma boa presença forte em cena com seu Tachibana, de modo que na ilha ficou apenas como alguém meio rancoroso, mas nos atos finais participou bem e deu o ensejo para o gran finalle da trama.

O mais bacana do visual do longa é ver a destruição das cidades, coisas voando pela tela, pedaços de tudo o que se possa imaginar, e claro também a cidade já devastada pelos bombardeios, de modo que a equipe de arte foi bem simbólica no estilo de cada cena, mostrando barcos e aviões desativados sem as armas, o navio de remoção de minas todo em madeira bem explicado, mas principalmente os efeitos e claro o lagartão cheio de apetrechos radioativos que vão formando uma gigantesca explosão na tela do cinema que chama bastante atenção, mostrando que pensaram bem em tudo, então dava para deixar o bichão feio, mas menos artificial.

Enfim, é um filmão bem interessante, que até acaba sendo engraçado pelo sentido que muitos foram para ver uma trama de devastação pelo lagarto gigante, mas que teve uma história muito mais bem desenvolvida que muitos filmes de monstros, e que acaba funcionando bem demais na tela, e assim valendo a recomendação. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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