O longa nos conta que Gugu é um menino de quase 12 anos, sonhador e apaixonado por futebol, que vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa, sem se preocupar com os julgamentos dos moradores da cidade. A relação do garoto com o pai Batista é difícil, feita de ausências, expectativas e afetos não ditos. Avó e neto moram sozinhos ao lado da barragem de Araújo Lima que, após anos de seca, começa a revelar as ruínas de uma antiga cidade submersa, trazendo à tona lembranças que mudaram a vida da família.
Diria que o diretor Allan Deberton é o mais ousado do cinema nacional, de modo que já fez uma trama sobre empregada que explodiu mundo afora, fez um musical nacional homossexual, e agora botou em pauta os temas de Alzheimer, política de terras e questões de sexualidade e bullying na infância, ou seja, nem sei mais o que esperar de seus filmes, pois pode surgir daqui alguns anos com qualquer coisa nas telonas, e seu estilo é muito diferenciado do padrão, de modo que para se apaixonar por seus filmes tem de estar muito preparado, pois não é o longa tradicional que quem vai ao cinema apenas para ver algo na tela grande sem sentir tudo o que a mensagem maior passa, então ainda não sou o maior fã dele, pois volto a dizer que a trama aqui tem muitos momentos sem dinâmica, com reflexões tentando serem ditas no vazio, mas ainda assim o resultado agrada e funciona na tela.
Quanto das atuações, o garotinho Yuri Gomes mostrou tanta desenvoltura para o seu Gugu que quem for assistir certamente ficará na dúvida se realmente é sua estreia, pois ele soube segurar as emoções nos olhares e na entrega de personalidade para que cada momento seu fosse além, e isso é bem raro de acontecer na primeira vez que está diante das câmeras, e isso também é um ponto bem positivo do diretor que soube trabalhar isso e tirar o máximo do garoto, então torcerei para ver ainda mais trabalhos dele, pois tem futuro. Outra que deu um show a parte foi Teca Pereira que trouxe para a tela sua Dilma imponente e cheia de traquejos, passando muita emoção nos seus atos mais densos de perca de memória, trabalhando bem a emoção de se perder, e isso foi algo muito forte de ver na tela, mostrando o quão boa é como atriz. E ainda tivemos alguns atos fortes de Lázaro Ramos, que sempre entrega bons personagens, e aqui mesmo seu Batista não tendo tanto tempo de tela, nos atos mais fortes passou imposição e soube trabalhar algo que já disse ser completamente contra na vida real, que deve ter lhe doído por dentro, e assim segurou a onda para marcar na tela.
Visualmente o longa é simples demais, tendo uma casa bem rural, sem grandes luxos, aonde vemos muitas fotos da filha da protagonista e mãe do garoto, vemos o lado rural e até singelo da população do sertão, vemos a barragem fictícia da trama, mas com detalhes que já vimos existir em outros lugares do país, a escola simples e o campo de futebol de terra, e claro o asilo aonde a velha vai, e o ponto mais marcante que enquanto tendo a vida simples junto da avó vemos uma tremenda festa do pai para o novo bebê apenas para a revelação do sexo, e claro a casa com mais luxos para a outra filha, ou seja, uma trama cheia de detalhes que marcam e funcionam muito bem na tela.
Enfim, volto a frisar que não acredito que seja o nosso melhor longa nesse ano, pois já tivemos outros bons e ainda teremos outros que talvez sejam até melhores, mas o impacto junto dos temas certamente vai reverberar muito mundo afora e na cabeça de quem for conferir, e assim sendo funcionou bem dentro da proposta. E é isso meus amigos, volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.







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