As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você

11/01/2026 10:11:00 PM |

Nao sei o motivo, mas desde quando vi o trailer de "As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você" há um bom tempo atrás tinha duas impressões bem opostas que ou eu amaria o longa ou detestaria ele demais, pois tinha um quê de "P.S. Eu Te Amo" e também tinha tudo para virar uma novelona amarrada e chata, e felizmente minha intuição de que amaria estava certa, pois fiquei completamente encantado dele não ser uma novela em minutos algum, não ter subtramas jogadas, muito menos ter cenas forçadas na tela, sendo daqueles filmes emocionais fortes e leves ao mesmo tempo, que consegue passar para o público tudo na tela, e principalmente sendo uma adaptação de um livro não ficar com capítulos ou paradas na tela, se desenvolvendo com personalidade, tendo personagens emocionais bem trabalhados e atuados, e conquistando nosso coração com um filme que nem parece ser nacional, mas felizmente é, ou seja, sai encantado com o que vi na tela.

O longa acompanha Julia e Gabi que, por mais que sejam amigas desde crianças, são completamente diferentes uma da outra. Gabi é uma menina cautelosa, tímida e tem medo de enfrentar novos desafios. Por outro lado, Julia é totalmente extrovertida, carismática e se joga em tudo o que a atrai. Para a surpresa das meninas, tudo está prestes a mudar quando uma mentirinha espalhada sem pretensão vira uma tragédia, resultando em um acidente de carro com a Julia. A menina precisa fazer uma cirurgia de risco e então resolveu deixar um presente para Gabi: dez cartas com dez desafios diferentes. Julia fez isso caso ela não sobreviva e a amiga precisará cumprir cada desafio, mexendo completamente com a vida de Gabi.

Diria que o diretor e roteirista Diego Freitas, que já vem encantando demais com suas obras anteriores ("Caramelo" e "O Segredo de Davi") é daqueles que sabe marcar território e sai completamente da caixinha, agradando com tudo o que faz, e aqui ele soube trabalhar seu filme com uma proposta tão leve e solta que realmente impressiona, sendo daqueles que usa a tela para valorizar a essência, que consegue capturar o momento sem deixar pontas jogadas, e que principalmente não faz uso do drama como algo apenas para fazer chorar, mas sim para ampliar o feitio do estilo com personalidade e valores marcantes, sendo daqueles diretores que sabem entregar o filme funcionando na tela, e isso acaba encantando demais, com planos simples, montagens diretas e um resultado único, aonde ele soube usar e ousar bem o livro de Fernanda de Castro Lima e não ficar preso somente nele.

Quanto das atuações, inicialmente já sabia que a personagem Julia que Giulia Be interpreta morreria logo de cara na trama, mas também pelo trailer imaginava que ele iria ficar meio como um fantasma conversando com a protagonista, e isso foi bem legal de ver, pois a atriz teve uma personalidade e uma intensidade bem interessante de acompanhar, aonde vemos ela mais como alguém para dar força, e assim foi usada assertivamente com presença e estilo. E falando em estilo, Any Gabriely conseguiu se jogar por demais na tela com sua Gabi, trabalhando meio como alguém mais tímida (o que sabemos que ela não é), mas se jogando literalmente nas ideias das cartas, passando pelos problemas bem encaixados que provavelmente aconteceria, e agradando conforme vai mudando a personificação sem estragar o lado bom dela, ou seja, foi bem demais. Outra que foi muito bem na tela foi Pamela Germano com sua Lorena, dando as devidas conexões para a protagonista realizar os desafios, mas sendo chamativa e encaixando tudo para não ficar jogada apenas. Ainda tivemos as mães que foram vividas por Regiane Alves e Sheron Menezes, sendo bem encaixadas na tela, mas sem tirar o brilho das protagonistas, e claro vale destacar demais a entrega de Leo Jaime e  Arthur Kohl como um belo casal, e também o jovem Daniel Rangel que teve poucos atos, mas mandou bem no que precisava fazer.

Visualmente o longa foi bem completo, tendo algumas cenas mais fechadas como no apartamento da família de Gabi e alguns momentos na escola das garotas, mas entregou cenas na Avenida Paulista pedindo abraços, em livrarias, em salas de cursos de danças, boates, hospitais e até mesmo em um acampamento e em saltos de paraquedas, tendo ainda uma espécie de limbo escuro com água aonde a protagonista vai durante seus sonhos enfrentar seus medos, ou seja, a equipe de arte brincou com figurinos para os vários momentos e muitas locações para amplificar o estilo do livro, ou seja, trabalharam com primor técnico para que o filme não ficasse muito caro, mas ainda assim o resultado aparece bem na tela.

Enfim, não era um filme que estava nos planos de ser conferido hoje, aliás tinha até programado ele para a próxima semana já que os encaixes com o Festival estão bem difíceis, mas como mudei tudo para ver mais filmes hoje acabou dando certo, e para a minha felicidade foi o melhor filme que vi hoje, me envolvendo e emocionando de uma forma que nem sei o motivo, mas isso me deixou extremamente feliz, pois o cinema nacional tem crescido demais com histórias diferenciadas, mas quando volta para o básico costuma derrapar, e aqui me lembrou grandes e bons exemplares de dramas adolescentes bem feitos fora do país, e isso é mostrar que estamos indo no rumo certo do cinema nacional. E é isso meus amigos, agora vou para minha última sessão e volto logo depois com os vários textos, então abraços e até logo mais.


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