A sinopse nos conta que Fred e Adam, um adolescente em crise, não se conhecem. No entanto, graças a uma associação, eles partem juntos para a peregrinação a Santiago de Compostela. Ela busca fazer as pazes com seu passado; ele tenta canalizar sua raiva e seu sentimento de abandono. Ao longo dos quilômetros, entre confrontos e momentos de pausa, um laço frágil vai se formando. Diante das provações do caminho, cada um descobre em si uma força inusitada.
Diria que faltou ousadia e sobrou drones para o diretor e roteirista Yann Samuell trabalhar e desenvolver melhor sua trama, pois com um rapaz tão conflitivo e uma mulher desapegada com tudo o que estava rolando na sua vida, daria para ele ir muito mais além, criar mais problemas e desenvolturas na tela e não focar somente na caminhada como acabou fazendo, de modo que ele estruturou as passagens por algumas cidades com os pensamentos escritos do rapaz, colocou alguns julgamentos e esqueceu de que precisava ir mais além para que o público se envolvesse também na tela, ao ponto que friso que ele não fez um mal trabalho, apenas não acreditou no potencial de uma caminhada de 2000km mostrar algo a mais do que paisagens e paradas, para isso bastava ele ver os vários outros filmes de caminhadas que existem aos montes nos streamings, que aí com algumas reviravoltas e intensidades resultaria em algo chamativo e marcante.
Quanto das atuações, dentro do que o filme teve para apresentar, Julien Le Berre entregou muito, sendo expressivo, conseguindo mudar o temperamento do personagem da mesma forma que se dá um tiro, sendo direto no olhar e chamando bem a responsabilidade (ou a falta dela) para seu papel, e isso mostrou que tem potencial para ir ainda mais além se cair nas mãos de um bom diretor. E Alexandra Lamy fez de sua Fred literalmente uma incógnita gigante, tanto que no jogo da verdade ou desafio que o garoto propõe em determinado momento, se fizessem isso com a atriz ao invés da personagem, ela diria que ainda está procurando inspiração para saber o que fazer na tela, pois o diretor não lhe disse e ela apenas caminhou, desconfiando muito do rapaz em alguns momentos e em outros fazendo cara blasé. Quanto aos demais, a jovem Maëlle Vidou teve algumas dinâmicas com os protagonistas, depois desapareceu, reapareceu e desapareceu de novo, meio que quase como se alguns atos seus não tivessem ficado na montagem final, e Eric Métayer apenas fez um Paul explosivo que não chamou para suas cenas em nada do que fez.
Volto a falar que visualmente o longa é lindíssimo, todo mundo que vai fazer qualquer trecho que seja ou a caminhada completa fala que o caminho é transformador, vemos imagens de ângulos e mais ângulos com o drone do diretor, temos algumas pousadas, alguns mosteiros e paradas regulares em restaurantes e casas durante o caminho, mas nenhuma grande simbologia na tela, sem ser claro a imagem que o rapaz ganha, e assim sendo diria que a equipe de arte foi preguiçosa de certo modo, pois poderiam ter ousado mais sem depender 100% do caminho.
Enfim, é um filme bacana que não traz muita coisa para o público, que é bonitinho de se ver pelas imagens, mas que falha em ser algo maior e mais chamativo, de modo que quem for conferir ele acabará apenas sentindo a presença da caminhada para talvez algum dia ir ou rever se já foi, mas se duvidar nem lembrará dos atores que tiveram no quadro daqui alguns dias. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje ainda tenho uma cabine para conferir, então abraços e até breve com mais dicas.







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