O Fantasma da Ópera (Le Fantôme de l’Opéra) (The Phantom of the Opera)

11/03/2026 01:17:00 AM |

É interessante que quando mexem em algo que conhecemos tanto ficamos com um certo receio, e já perdi as contas de quantas adaptações ou tramas baseadas no famoso clássico "O Fantasma da Ópera" já teve entre tramas oficiais e paralelas, e nenhuma das vezes puxaram a trama para o mundo atual, aonde vemos muito mais ousadia e um frisson diferenciado aonde as pessoas julgam tudo e brigam por qualquer coisa, quanto mais para um papel principal. E a sacada aqui foi muito interessante, ousada e diferente, tanto que trabalhou o lado do romantismo misturado com algo mais puxado para o terror/suspense, resultando em algo que facilmente a juventude assistiria e gostaria bastante, pois não tem a pegada de algo "velho" como as demais adaptações, e assim sendo com uma produção intensa que lembra um pouco a mistura de "Cisne Negro" com "Ghost" acabei gostando até mais do que imaginaria para um filme de diálogos bem fraquinhos, mas que na tela funcionaram.

O longa nos situa na Paris de hoje, aonde Anastasia, uma jovem bailarina, ingressa na prestigiada Ópera de Paris. Enquanto ensaia Orfeu, uma ópera amaldiçoada que teria sido composta pelo Fantasma da Ópera, ela se apaixona por um misterioso pianista. À medida que a estreia se aproxima, entre acidentes inexplicáveis e revelações perturbadoras, Anastasia se vê envolvida em uma história de amor impossível, na fronteira entre o real e o fantástico.

Diria que o diretor e roteirista Alexandre Castagnetti encontrou uma maneira tão diferenciada para colocar ópera e balé numa linguagem acessível para os mais jovens que certamente não teriam a mínima curiosidade para o estilo que até acabou se perdendo um pouco na construção dos diálogos, pois sabemos que a história original é densa, cheia de termos difíceis e intensos, e assim como o seu filme é uma trama arrastada, e aqui ele conseguiu brincar com dinâmicas e intensidades tão bem colocadas que por vezes você até deseja que o filme se acalme, e ele fez isso no momento mais errado que é o miolo da trama, aonde chega até a cansar um pouco com a entrega dos personagens. Ou seja, é o famoso filme diferentão que até acaba saindo completamente do estilo francês, sendo daqueles que facilmente veríamos como sendo uma produção americana, bastaria mudar dois ou três atores e pronto, o filme estaria feito. Claro que estou julgando ele mais com o olhar crítico nesse sentido, pois pelo meu lado produtor a trama foi perfeita, com uma cara lucrativa e personagens que venderia fácil nos cartazes, então tem gosto para tudo.

Quanto das atuações, diria que Deva Cassel trouxe um ar enigmático demais para sua Anastasia Marescu, de modo que se não fosse entregue da forma que foi feita a pessoa culpada, certamente eu também incriminaria ela, pois é misteriosa demais, e com trejeitos levemente desanimados, faltando impactar mais na tela e mostrar que estava feliz de ser selecionada e estar numa grandiosa companhia de balé, mas isso é exigir demais, então faltou algo a mais para ela se mostrar na tela. Da mesma forma, Julien De Saint Jean fez com que seu Ernest Dupré fosse um fantasma meio estranho demais, tendo alguns momentos de fúria, mas exagerando no ar misterioso, quase sendo um encosto chato que aparecia só quando tinha vontade para a garota, e assim mais incomodou do que surpreendeu. Ainda tivemos Romain Duris totalmente forçado com seu James Figueras, sendo daqueles professores de balé que você tem vontade de bater pelo exagero na tela, não ficando nem para um lado nem para o outro, apenas achando tudo ruim e não mostrando o que quer, e isso ao menos funcionou para o papel, e quanto a Laïka Blanc-Francard com sua Georgina D'Angelo diria que a jovem até teve personalidade para seus momentos mais chamativos, mas se perdeu fácil em não botar mais banca, pois dava para ser algo a mais na trama. Quanto aos demais, apenas participaram da trama, não tendo muito o que elogiar de ninguém.

Visualmente não sei se o prédio inteiro da Ópera Garnier possui todo aquele depósito profundo com água e tudo mais, mas a produção da equipe de arte foi tão boa nas cenas escuras que ali formou algo intenso e cheio de nuances durante toda a preparação, sendo algo impactante na formatação da trama, de modo que ainda no final sendo usado como parte da peça, tendo atos nas escadarias, no salão dos lustres na plateia e tudo mais foi algo realmente para impactar e chamar muita atenção sem ser exatamente tudo rolando no palco, ou seja, a equipe fez mais do que apenas utilizar o teatro, mas sim dar novas utilidades e mostrar para as demais peças que podem ir além do ambiente tradicional usado ali.

Enfim, é uma mistura bem diferenciada de drama com suspense com terror e romance junto, que dar 100% certo seria um milagre do mundo cinematográfico, mas que diria que no quesito de uma produção diferenciada dentro do cinema francês foi algo muito chamativo, o caso é se ele irá realmente impactar o público com uma boa bilheteria, pois também estreou por lá nesse final de semana, então irei torcer, pois tirando o fator diálogos e alongamento do miolo, o resultado na tela foi bem bom de assistir. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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