100 Dias

11/01/2026 07:36:00 PM |

Ja venho elogiando o cinema nacional tem um bom tempo, e não seria hoje que mudaria isso com um dos longas que quase foi o nosso indicado ao Oscar, que sendo a primeira direção 100% de humanos na carreira de Carlos Saldanha, "100 Dias", acaba sendo daquelas tramas que tem pegada, que se desenrola bem na tela, e que mesmo sabendo exatamente o que vai acontecer sem precisar nem ter lido o livro de Amyr Klink funciona bastante. Ou seja, é daqueles filmes que são bem trabalhados dentro do recorte feito na tela, que talvez com algumas pitadas densas na tela empolgariam mais, mas não quiseram inventar moda, e assim o resultado fica bacana sem ter grandes reviravoltas.

O longa retrata a impressionante jornada do navegador brasileiro, que se tornou a primeira pessoa a atravessar o Oceano Atlântico Sul a remo. Em 1984, Klink realizou a travessia solitária em um percurso de quase sete mil quilômetros, partindo de Lüderitz, na Namíbia, até Camaçari, na Bahia, ao longo de 100 dias, entre junho e setembro. Além de narrar a aventura épica, o filme explora camadas mais profundas, como a relação complexa de Amyr com sua família, especialmente com o pai, e como essa travessia pode simbolizar sua busca por autoconhecimento e superação.

Sempre gostei muito do estilo do diretor Carlos Saldanha, mas me incomoda demais a segurança que ele entrega na tela, de modo que seus filmes acabam ficando mornos demais no miolo. Ou seja, acredito que ele tenha focado demais no livro do próprio Amyr e assim não desenvolveu a história como ela poderia, ficando com um filme que não impacta como a jornada em si parecia, e isso para uma história ousada como o filme pedia soa fraco na tela. Não estou dizendo que seja um filme ruim, muito pelo contrário, mas fica parecendo faltar explosão para que no final estivéssemos afobados e empolgados com tudo o que estava acontecendo na tela, é assim talvez o diretor poderia ter ido mais além.

Quanto das atuações, diria que Filipe Bragança entrou por completo no papel de Amyr, remando aos montes, trabalhando trejeitos intensos e marcantes, e principalmente bem seguro do que o papel precisava, aonde suas expressões fluíram bem na tela e tiveram as devidas nuances do começo ao fim. Como é uma jornada bem solitária a do personagem, tivemos outros atores no apoio atrás do rádio, seja no navio grande aonde o verdadeiro Amyr apareceu como comandante Ayres, enquanto sua voz foi feita por Daniel Farias, ou com a mãe e o irmão bem interpretados por Philippine Leroy-Beaulieu e João Vitor Silva, mas o destaque mesmo ficou para o garotinho Enzo Rosetti que fez o personagem jovem, é assim sendo ao menos não operaram o orçamento da trama com tantos atores.

Visualmente o longa teve uma boa entrega com o pequeno barco contando apenas com o dormitório do rapaz, um fogareiro e suas comidas dessalgadas para preparar com a água do mar, sendo representativo ao máximo com as tempestades e animais marinhos que apareceram durante o trajeto no Oceano Atlântico.

Enfim, é um filme bem feito, que talvez pudesse ser muito mais impactante e empolgante na tela com poucas mudanças na estrutura, pois volto sempre a frisar que em adaptações literárias, principalmente as biográficas, precisam ser mais ousados para chamar mais atenção, mas ainda assim é um bom exemplar diferenciado dentro do cinema nacional. E é isso meus amigos, eu fico por aqui agora, mas hoje ainda verei mais dois filmes, então abraços e até daqui a pouco.


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