O longa nos situa em 1651, Luís (ainda não XIV) é um jovem adolescente. Enquanto a Fronda ameaça o reino, sua mãe, Ana da Áustria, decide retirar o filho às escondidas para colocá-lo em segurança e o substitui por um sósia. Luís é confiado por D’Artagnan a Cyrano de Bergerac, que o esconde no seio da companhia teatral de Madeleine Béjart e Molière. Enquanto Madeleine e Cyrano descobrem uma paixão em comum pelo jovem Molière, Luís descobre a vida e seus prazeres, a arte e o trabalho, a coragem e a estratégia — tudo aquilo que fará dele o Rei Sol.
Diria que diretor e roteirista Michel Leclerc foi muito criativo ao construir sua trama de uma forma mais ampla, pois seu filme poderia ter ficado tão bobo e também tão chato, mas ele floreou na medida certa para que o filme soasse interessante e bem encaixado, com uma produção de época bem trabalhada, cheia de intensidade e com personagens que conversaram bem para o que a pegada da trama pedia, ou seja deu muito certo na tela, mesmo tendo a duração um pouco exagerada, porém foi preciso para desenvolver todos os personagens, então diria que funcionou bastante.
Quanto das atuações, se o garoto Niels Hamel-Brochen seguir atuando com a qualidade e a personalidade que deu para seu Louis XIV e também para o seu sósia, podem se preparar para ver ele abocanhando ótimas premiações futuramente, pois ele literalmente dá show tanto com a entrega quanto com o seu carisma, sendo perfeito demais em cena. Também tivemos bons momentos de Artus com seu Cyrano de Bergerac, sendo alguém imponente, com traquejos meio que emocionais demais e até um pouco confuso de atitudes, mas fez bem o que precisava. Julia Piaton também teve boas cenas marcantes com sua Madeleine Béjart, sendo meio que sucinta demais na tela, mas não incomodando com o que fez, de modo que poderia até ser um pouco mais imponente, porém mudaria o estilo. Agora Némo Schiffman trouxe para seu Molière literalmente um ator galanteador, cheio de traquejos e disposição para atacar quem tiver na sua frente. Ainda tivemos alguns atos bem colocados de Franck Dubosc com seu D'Artagnan meio que falso demais e Doria Tillier com sua Anne da Áustria sem tantas explosões como sabemos que foi, mas fizeram bem seus papeis.
Visualmente sabemos bem o quanto trabalho dá para se fazer longas de época, e ainda mais quando tudo precisa ser meio que bagunçado como o longa pedia, brincando com peças, barcos, palcos e salas reais aonde tudo tem significado e imposição, porém foram muito espertos em mostrar apenas uma ceninha com a revolução ocorrendo do lado de fora do palácio, pois gastariam muito com uma produção de batalhas, e o mais engraçado é que praticamente fora de onde está o caos que é o palácio não estava rolando mais nada, ou seja, esqueceram de trabalhar isso, mas o resultado dos figurinos e da essência em si funcionou bem na tela.
Enfim, foi um filme bem bacana de conferir, divertido e cheio de boas sacadas, aonde a mistura completa funciona bastante, mas que dava para ser menos alongado para empolgar mais, e assim sendo o diretor pesou a mão em não cortar espaços sem muitas desenvolturas. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas hoje tem mais um filme do Festival de Cinema Francês, então abraços e até daqui a pouco.







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