Amazon Prime Video - Noturno (Nocturne)

10/13/2020 10:31:00 PM |

Sempre que um filme de terror monta uma boa atmosfera, vai entregando seus símbolos para os espectadores, faz com que os atores mesmo estranhos acabem indo bem, já ficamos preparado para alguma bomba no final, e com o longa da Amazon, "Noturno", não foi diferente, pois a trama até envolve bastante, porém entrega um final tão excêntrico que ficamos realmente na dúvida do que aconteceu dentre as duas possibilidades, e isso é bizarro demais, pois tudo nos levava a crer no sucesso da garota mesmo diante da loucura, e não o que teoricamente ocorre, ou seja, muitos não irão entender o final, e acredito que isso seja a proposta da trama, tanto que vou deixar a minha opinião do que foi o fechamento: ela realmente fez o sacrifício, e acabou apenas imaginando o sucesso. Sei que isso possa ser considerado um tremendo spoiler, mas como o filme terminou abstrato demais, é melhor opinar com o que achei que ocorreu, do que deixar jogado aqui também a crítica, afinal a nota que darei será em cima disso, e se não colocasse, muitos achariam que eu estava maluco, ou seja, é um bom filme, com um estilo levemente tenso, que não mostra muito o estilo BlumHouse de filmes de terror/suspense, mas ainda assim é um bom filme.

A trama nos conta que dentro dos corredores de uma academia de artes de elite, uma estudante de música tímida começa a ofuscar sua irmã gêmea mais talentosa e extrovertida ao descobrir um caderno misterioso pertencente a uma colega de classe recentemente falecida.

Costumo falar sempre isso, e aqui boto mais uma vez a mão no fogo que Jason Blum deveria ter pego a boa história que Zu Quirke criou e dado para outro diretor mais imponente transformar num longa mais intenso, pois a diretora até soube dominar bem a interação de cada um dos personagens, brincar com os símbolos da negociação diabólica no caderno musical, e deu as dinâmicas de uma forma coesa para que cada atriz se destacasse, porém não deu nem ritmo, nem virtudes maiores para que sua trama ficasse coerente, nem finalizou de uma maneira que surpreendesse positivamente, pois vemos sim um final que faz ficar intrigado, mas não fecha o ciclo como foi modelado, e assim sendo o longa parece que foi feito apenas por encomenda, e não como uma trama deve ser realmente.

Sobre as atuações é fato que deram um ar extremamente tímido para Sydney Sweeney com sua Juliet, ao ponto que chegamos a pensar que a garota fosse daquelas interioranas de nível máximo, e nem em sonho ser gêmea de Madison Iseman com sua Vivian, pois é um disparate imenso de personalidades e até atuações, porém Sweeney conseguiu ir tendo um leve crescimento devido seu interesse no livro, e suas cenas finais até entregam algo mais imponente, ao ponto de até convencer levemente sua influência no pacto, mas merecia um pouco mais de atenção para melhorar o miolo também. Madison Iseman já se jogou na personagem, foi extrovertida em níveis máximos, e fez cenas bem dinâmicas, porém sempre com um ar de superioridade exagerado demais, ao ponto que chega a ser uma birra bem pessoal entre as irmãs. Ivan Shaw trabalhou bem seu professor, fazendo cenas misteriosas e tal, mas não chegou a ter nenhum grande momento de ápice, o que acabamos ficando esperando por algo a mais dele. Jacques Colimon trouxe para seu Max quase que um enfeite de uso das irmãs, fazendo alguns trejeitos marcados, mas também sem muita desenvoltura, ao ponto que o personagem acaba nem fazendo muita diferença na trama.

Visualmente o longa tem um estilo simples e direto, mostrando bem as salas do conservatório com seus vários pianos, os quartos dos alojamentos simples, mas sempre dando um ar amplo para os pensamentos malucos das garotas, e claro o quarto da suicida cheio de elementos gráficos bem interessantes, que brincaram bastante com luzes fortes para dar o visual de um sol ou até mesmo do inferno caso quisessem representar isso de alguma forma, e além disso, trabalharam bem com os desenhos do caderno da jovem, fazendo as animações terem vida com os elementos e rituais do pacto.

Enfim, é um filme bom de proposta, que talvez tivesse um rumo melhor definido em outras mãos, e principalmente com símbolos satanistas mais imponentes, pois tanto o pacto quanto o acontecimento de terror mesmo ficou em linhas bem subliminares, ao ponto de não causar, nem assustar como poderia. Ou seja, é um filme que falhou mais do que acertou, e sendo assim, muitos nem irão entender nada, e outros que entenderem nem irão gostar tanto dele, pois é bem fraco de essência, e sendo assim, não dá para recomendar ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


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Amazon Prime Video - A Fortuna (In Vino)

10/12/2020 07:32:00 PM |

Costumo dizer que sempre rola troca de roteiros nos bastidores do cinema, e que quando algum desses consultores veem uma história interessante, acabam vendendo parte dela para outro roteirista fazer algo bem semelhante e tentar o sucesso, já disse isso com alguns romances/dramas, e hoje venho para a comédia/mistério, "A Fortuna", que estreou na Amazon Prime Video, e traz praticamente a mesma história base de "Entre Facas e Segredos", porém sem muita ousadia e grandes nomes do cinema, pois se na grandiosa história hollywoodiana vimos toda uma investigação para descobrir o assassino do milionário, aqui tivemos algo mais fechado apenas para descobrirmos alguns trambiques da família para ficar com a herança. Claro que são duas histórias bem diferentes, que vão por caminhos bem semelhantes, e assim fica inegável a comparação, mas sabendo pensar, vemos que aqui a ideia era algo mais jogável entre os personagens, enquanto lá o mistério investigativo dominava mais a tela. Ou seja, é um filme bacana também, com uma proposta bem marcada e que até diverte, mas que por conhecermos tanto o estilo, e até outro filme bem parecido tudo ficou muito como carta marcada, não empolgando como deveria, mas até que vale como um passatempo.

A sinopse nos conta que é uma noite especial para a Família Buoitton. Charles e Linda, casal extremamente rico, convidam seus amigos mais próximos e familiares para jantar. Antes de o jantar ser servido, Charles levanta a taça para um brinde à família e cai de cara no prato MORTO. Linda confessa que o envenenou e que envenenou todos os presentes para conseguir o dinheiro. Os convidados têm uma escolha: matar uma pessoa entre eles e assumir a culpa pelos dois assassinatos para conseguir o antídoto ou - MORRER em uma hora. O que se segue é uma troca histérica entre os membros estressados do grupo que, na tentativa de estabelecer quem deveria morrer e quem deveria ser o assassino, revelam todos os esqueletos no armário que eles esconderam uns dos outros durante anos.

O diretor e roteirista estreante em longas, Leonardo Foti, até foi bem com sua trama, trabalhando com os atores meio que jogados em grupos, grandes sacadas pelos diversos crimes que cada um estava fazendo na riqueza da família e soube usar o argumento ao seu favor para que alguns atos soassem divertidos e bem colocados, mas infelizmente o filme famoso com a mesma história acabou saindo antes por aqui (pois pelas datas, sua ideia foi lançada em alguns festivais em 2017, mas como amarraram muito para lançar mundialmente, perderam a oportunidade de ser o original!), e assim sendo já vamos conferir cada momento sabendo bem como tudo vai terminar, e como cada desenvoltura é entregue através de sacadas simples, e efetivas. Ou seja, o diretor fez bem seu serviço, mas acaba sendo algo tão comum de ideias, que não empolga.

Sobre as atuações, chega a ser engraçado que praticamente nenhum dos personagens principais conseguem se destacar, virando uma falação quase que sem direção, com todos entregando situações bizarras para suas defesas de não poder morrer, ou de poder ficar com a herança, ao ponto que acabamos ficando em destaque apenas o mordomo Jean, vivido por Brendan Bradley, que foi sagaz na maior parte dos momentos, sabendo chamar a atenção para si em cada um dos atos pensados. Também focamos bem nos momentos em que Edward Asner aparece com seu Charles para mostrar seus planos, mas nada que seja surpreendente de atuação. E Sean Young sempre bela e imponente mesmo já bem velha, se impondo com sua Linda, em alguns atos também foi algo funcional visualmente, mas sem ser algo brilhante ou que lembraremos muito daqui a alguns dias. Dentre os demais, tivemos personagens de todos os estilos, desde os trambiqueiros, passando pelos ricaços que já dormiram com famosos, o gay não assumido, a bêbada, a chorona, os maridos interesseiros, e por aí vai na festa tradicional, que cada um até tentou se aparecer, mas nada que apresentasse algo chamativo para a câmera focar, e claro nosso olhar seguir.

Visualmente a casa é praticamente um grande labirinto interligando vários cômodos, todos com uma decoração bem rústica, mas imponente, mostrando a riqueza da família tanto pelos elementos cênicos da mansão, como em seus figurinos luxuosos para dar a representação que a equipe de arte desejava. Ou seja, o filme nem tem tantos símbolos para se desenvolver, mas souberam ser bem diretos na montagem completa visual, funcionando por mostrar elementos de época como telefones, armas, pratarias e tudo mais.

Enfim, é um filme passatempo, que com toda certeza todos vão olhar e ter a certeza que já viu algo igualzinho (no caso quem conferiu o "Entre Facas e Segredos" no ano passado), mas que por conhecer bem o estilo, acabarão se divertindo e esperando acontecer cada um dos atos já bem marcados, ou seja, não posso dizer que não recomendo o longa que é bem feitinho, mas também não posso dizer que é daqueles que você vai se apaixonar pela semelhança com vários outros, então apenas é algo que serve para passar o tempo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Calibre

10/11/2020 07:21:00 PM |

O mais engraçado de alguns filmes do streaming é que eles parecem ser feitos já preparando para um final ruim, pois até entregam boas possibilidades, criam uma história densa, mas raramente conseguem fechar de uma maneira satisfatória ao menos. Digo isso com um pesar até que não muito forte, pois a história do longa da Netflix, "Calibre", até é intrigante, consegue segurar com a situação desesperada do protagonista em cima do que fez, mas não desenrola, as mentiras começam a surgir de todos os lados, e ao invés de sumirem do mapa não, ficam ali rodando para no final rolar algo ainda mais bizarro. Ou seja, qualquer um no lugar deles ou iria para a polícia de vez, ou sumia dali logo, não ficar rodando e errando mais ainda. Claro que isso é uma ideia, mas poderia surgir outras até melhores, mas optaram certamente pela pior, e com um fechamento ainda mais insano, que nem em qualquer pensamento comum sairia, e assim sendo o filme desanda totalmente.

A sinopse nos conta que dois amigos de infância, Vaughn e Marcus decidem curtir o fim de semana e viajam para uma área remota da Escócia. Chegando lá, os dois são surpreendidos por uma situação cuja principal forma de superar é tentar agir normalmente.

O motivo do fechamento ruim pode ser atribuído talvez a inexperiência do diretor e roteirista Matt Palmer, pois aqui estreando em ambas posições (antes apenas tinha feito curtas-metragens), talvez ele não tenha preparado algo mais contundente ao ponto de que todo o ritual da pequena vila encontrasse algo melhor para fazer com os rapazes, ou então algo mais rápido de pensamento para a cabeça deles, pois o filme sim tem a proposta de mostrar que encobrir uma mentira é algo não muito fácil, mas se vai fazer, que a complete, e infelizmente nem os personagens, nem o roteirista acabaram completando ela de maneira imponente suficiente. Ou seja, o filme até tem uma certa atitude, mas não se desenvolve após o conflito de maneira a parecer convincente, ficando rodando sem rumo, até chegar ao bizarro fechamento que nem na história mais impossível do mundo aconteceria.

Sobre as atuações diria que o elenco ficou levemente perdido nos atos, de modo que os protagonistas Jack Lowden e Martin McCann trabalharam seus Vaughn e Marcus com segurança até irem para a floresta atirar, e a partir dali precisariam de uma melhor definição de desespero para que ficasse mais real, pois ambos se desregularam nas atitudes, fizeram caras e bocas, e principalmente não sabiam mais para onde olhar na câmera, ao ponto que o filme parece sofrer o mesmo baque que os personagens e se desliga totalmente, ou seja, vemos um apagão de estilo e de personalidade, de modo que não conseguem mais chamar atenção em nada, até o momento da fuga, aonde novamente se desesperam, e fazem algo mais produtivo ao menos. Tony Curran poderia ter dado um ar mais imponente para seu Logan, sendo meio que o prefeito da cidade, mas ficou com uma personalidade meio vaga, e mesmo nos atos mais fortes do final foi levemente frouxo demais. Já Ian Pirie trabalhou seu Brian como o cachorro louco da cidade, e talvez com mais atitudes dele o filme fluiria para alguns rumos mais fortes, mas não optaram tanto por isso.

Visualmente o longa trabalhou bem com florestas para todos os lados, uma cidadezinha extremamente interiorana que já teve áureos tempos com a caça, mas que hoje vive apenas com os habitantes sem muito rumos, fazendo apenas festas e vivendo bêbados, e com isso a equipe de arte trabalhou poucos elementos cênicos, claro todos próprios dos momentos de ocultação do cadáver, e com isso vemos facas, armas, pás, roupas sujas e símbolos bem jogados na cara do espectador, que os moradores nem veem num primeiro momento, mas mostraram que a equipe ao menos pensou em tudo.

Enfim, é um filme que talvez se melhorado a dinâmica de miolo chamaria até mais atenção, mesmo com o final ruim, mas eles ficaram muito bobos rodando na cidade, e com isso o resultado acaba ficando enrolado demais. Claro que o absurdo maior é o fechamento, que de forma alguma aconteceria em lugar algum, mas como costumo dizer, quando o longa já desanda no miolo, o diretor se for imponente sabe melhorar ou criar algo para chamar a atenção, já os estreantes acabam se perdendo ainda mais, e estragando tudo. Ou seja, é daqueles filmes que você só descobre o motivo de colocar na lista e não ver durante um bom tempo, depois que vê, pois não dá para recomendar de forma alguma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Sobreviva a Noite (Hard Night Falling)

10/10/2020 07:39:00 PM |

Costumo dizer que tem uns estilos de filmes que uns diretores gostam tanto de fazer que sai diversas versões durante o ano que acabamos nem sabendo quando surgem, e o motivo é fácil, pois envolve boas táticas de guerrilha, alguns personagens brucutus, uns sequestros, e algo para ser roubado, e pronto, nem precisa apresentar muita gente, que o filme funciona. Porém da mesma forma que é bem fácil fazer esse estilo, errar a mão com ele também é muito fácil, e foi o que aconteceu com o longa que estreou na Amazon, "Sobreviva a Noite", pois exageraram em tudo, colocaram diversos personagens sem carisma algum, e principalmente tudo ocorre de uma forma tão vaga, que acabou parecendo ser algum episódio extra de alguma série, pois não nos conectamos a ninguém, os personagens surgem do nada e fazem coisas como se conhecessem há tempos, e o resultado final é ainda mais bizarro com os cortes escolhidos. Ou seja, é daqueles filmes que vemos sem entender nada do que acontece, que até entretém pela ação policial em si, mas que desanima demais a cada cena jogada que é mostrada.

A sinopse nos conta que Goro, um gênio do crime, planeja roubar um enorme tesouro de ouro da família Rossini. Sem o conhecimento de Goro e seus soldados da fortuna, um dos convidados de Rossini é um agente da Interpol altamente treinado que luta não apenas para salvar os reféns e o ouro, mas também sua família em perigo.

O estilo do diretor italiano Giorgio Bruno é de filmes de terror violentos segundo seu currículo, e aqui até temos algumas cenas bem fortes de mortes, porém ele pegou um roteiro talvez aberto demais, e ao invés de trabalhar ele, saiu filmando e cortando sem pensar muito, e isso fez com que o filme parecesse meio perdido em todos os momentos da trama. Ou seja, vemos um filme sem começo, com um miolo desesperado, e com um final fraco demais, de modo que quem conferir o longa acabará se perguntando no final se realmente entendeu tudo, ou se tinha realmente algo para entender, pois não vemos algumas dinâmicas acontecer, enquanto outras dinâmicas tão absurdas acabam sendo jogadas de lado sem muita explicação. Sendo assim, fica difícil até atirar em quem foi a falha, pois tanto pode ser um roteiro ruim, quanto uma direção estranha, ou até mesmo um grande erro de montagem que eliminou cenas importantes do fechamento completo, pois não é possível que tenham falhado tanto ao ponto de o filme ficar abstrato e jogado como foi feito.

Sobre as atuações, ou melhor, sobre a tentativa de interpretações dos personagens, vemos o brucutu Dolph Lundgren andando com seu Michael pelo cenário, atirando e interagindo por telefone com outros personagens, de modo que ele não faz a linha de policial de inteligência como o personagem pedia, mas sim aqueles personagens mais imponentes que até tentam chamar atenção pelo nome, e não consegue. Natalie Burn já faz tudo o que o protagonista não consegue com sua Emma, se joga pra cima de todos os vilões, dá cruzado de perna, mata-leão, cambalhotas mil, tiros e facadas pra todos os lados, de forma que até parece ser a protagonista da história, mas é apenas uma policial infiltrada correndo pra todos os lados. Hal Yamanouchi é daqueles vilões que nem sabemos como surgiu, que consegue convencer os outros na conversa (inclusive os policiais italianos), e que faz coisas mais idiotas possíveis nas negociações, ao ponto que seu Goro na sinopse é dito como um gênio do crime, mas a genialidade dele é bem limitada. Quanto aos demais, a maioria apenas faz conexões bizarras a todo momento com algum dos protagonistas, e cada cena é mais jogada que a outra, desde a fuga da filha do protagonista para um hotel no meio da escuridão, saindo da casa tranquilamente sem que o sniper a veja, até a ex-esposa tentando salvar uma vida em cima de uma mesa da cozinha, até chegar no dono da festa que apenas entra e sai de uma salinha de pedras bizarra, ou seja, é melhor nem dar destaque para nenhum ator, pois todos foram bem ruins.

Visualmente a trama também não tem grandes facetas, pois se passa todo em uma casa/vila italiana, que até poderia ter algum charme com os vários corredores e quartos espalhados aonde os vilões encheram de bombas, mas praticamente todo se passa no jardim aonde vemos apenas alguns vasos e árvores com trocas de tiros e tudo mais, além claro da cozinha aonde a ex-esposa fica tentando salvar uma mulher baleada, alguns quartos com reféns, alguns carros da polícia, e claro o início de um luxuoso jantar, que segundos depois já nem lembramos mais de nada que ocorreu ali, sumindo empregados e tudo mais. Ou seja, a equipe de arte ao ver o resultado final certamente se decepcionou com tudo o que fez.

Enfim, é daqueles filmes que até passamos um tempo assistindo esperando que algo a mais aconteça, mas o resultado final é tão ruim, que quando chega a acontecer algo nem sabemos o motivo daquilo, ou seja, é melhor pular esse, e ver outra coisa melhor com certeza, pois não dá para recomendar de forma alguma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - The Forty-Year-Old Version

10/09/2020 11:36:00 PM |

Diria que alguns projetos de filmes são tão alternativos, que quando você os confere fica aquela dúvida de será que era pra eu gostar disso mais ou pensar de alguma forma diferente, ou sei lá o que, pois tudo acaba sendo fora de um padrão estético e cultural para chocar às vezes, mas na maioria para mostrar que o diferente também é válido. E com a estreia do longa da Netflix, "The Forty-Year-Old Version", que acabou levando o Festival de Sundance como melhor drama, a proposta é algo como se conhecer com o passar da idade, fazer o que gosta ao invés do que vai lhe dar dinheiro e fama, e se curtir, e com essa ideia em mente acabamos vendo algo ficcional, porém quase que autobiográfico por parte da protagonista, que dirige, interpreta e nos entrega um pouco de sua loucura ao abandonar os palcos para virar uma cantora de rap. Ou seja, é daquelas tramas que acabamos conhecendo mais de um personagem do que até queremos, e que junto disso acabamos pensando um pouco mais em toda abertura que nos é dada, pois não é algo que vemos para entreter, mas sim um algo a mais reflexivo, que costuma funcionar muito em festivais, mas comercialmente não engata tanto.

A sinopse nos conta que Radha é uma dramaturga sem sorte em NY, que está desesperada por uma descoberta antes dos 40. Reinventando-se como a rapper RadhaMUSPrime, ela oscila entre os mundos do Hip Hop e do teatro para encontrar sua verdadeira voz.

Diria que a diretora e roteirista Radha Blank quis ousar com um pouco de tudo, em uma explosão experimental que acabou funcionando tanto como um auto reconhecimento, quanto como uma tentativa de se ver em outros vértices, e fazer um documentário dessa experiência seria cansativo e chato, então ela como uma boa dramaturga, resolveu brincar com a ideia em cima da ideia da ideia, numa grande mistura de estilos, de visuais, e claro de experiências, ao ponto que soasse crítica com si mesmo, e também se abrisse para que outros vissem suas novas situações, ao ponto que acabou dando certo, de modo que o resultado funciona como algo diferente de ser visto, mas que não cansa, e que principalmente fala com aqueles que estão querendo mudar, mas não possuem a coragem para explodir e tentar algo novo, afinal sair da zona de conforto é algo que ninguém quer, mas que é preciso para saber viver melhor, e como é mostrado no longa, sua satisfação foi bem mais gostosa comendo um salgadinho na esquina do que na festa chique que seria sua estreia.

Basicamente tivemos Radha se jogando como protagonista, fazendo bons trejeitos e dominando cada um dos seus atos, e com isso chega a ser difícil dizer que ela estava interpretando a si mesma, mas talvez uma versão que sonhasse ou quisesse ser, e assim o resultado chama atenção por não ser algo que ela ficou extremamente presa, e o acerto funcionou. Oswin Benjamin entregou um D interessante de estilo, bem fechado de possibilidades, e sendo marcante com sua pegada mais desenhada e cheia de virtudes tanto para as batidas, quanto para os trejeitos diretos que passou para a protagonista, é um personagem de essência, mas muito bem feito. E claro que temos de falar de Peter Kim, entregando o agente da protagonista Archie de uma maneira carismática, cheio de cenas marcantes, e principalmente sabendo ser dinâmico para que todos os momentos se encaixassem bem, e mostrasse a relação de ambos como algo a mais do que apenas profissional. Quanto aos demais, tivemos bons jovens nas aulas, e até bons momentos com os atores da peça, mas nada que chamasse realmente muita atenção interpretativa.

Visualmente o longa é simples, porém acaba sendo interessante pela estética escolhida, de modo que acabamos nos envolvendo com o filme praticamente todo em preto e branco, quebrando com coloridos nos momentos reais da história da protagonista, tivemos boas cenas na escola, no apartamento da protagonista, e no estúdio de D, sempre com elementos cênicos clássicos para realçar cada detalhe, que mesmo sem muito contraste acabaram bem realçados e chamativos. Além claro da peça muito bem montada e cheia de detalhes, que valeria até mais tempo de tela, ao menos no conceito visual.

Enfim, é um filme bem diferente do usual, que até agrada se refletirmos em cima de tudo o que deseja passar, mas que não é nada muito brilhante, e que chama a atenção realmente como ele é: um filme de festival, pois quem assistir ele com um âmbito comercial, certamente não irá gostar de nada. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - O Halloween do Hubie (Hubie Halloween)

10/08/2020 10:38:00 PM |

Tem hora que você precisa saber parar, já dissemos isso para grandes jogadores, apresentadores, e precisamos falar urgentemente para alguns atores, pois quando perdem a mão o risco de fazer algo bizarro e cair é algo fácil demais. Claro que muitos já falaram isso para Adam Sandler e acharam que ele já tinha se estragado por completo lá atrás, mas felizmente ele deu a volta por cima e conseguiu dois grandes filmes para a Netflix, e voltou ao ápice de sua carreira, mas agora ele abusou de trejeitos em um filme tão bizarro e ruim, que nem estando junto de todos os seus conhecidos salvou o resultado do filme da Netflix, "O Halloween do Hubie", que chega a ser deplorável, cansativo e que facilmente faz dormir com o que é apresentado, de modo que não tem uma cena só que seja divertida e faça rir, muito pelo contrário, a trama acaba desanimando e mesmo tendo um mistério interessante para descobrirmos, o ritmo não empolga para que isso ocorra. Ou seja, certamente esse entrará para o hall dos piores filmes do ator, de forma que há grandes chances de levar todos os Framboesas de Ouro no ano que vem.

A sinopse nos conta que apesar de sua devoção a Salem, sua cidade natal, Hubie Dubois é uma figura de grande zombaria para as crianças e adultos. Quando ocorre um desaparecimento misterioso no Dia das Bruxas, Hubie assume a responsabilidade de investigar o caso, sendo a esperança para salvação da data.

Sinceramente não sei o que o diretor Steven Brill tentou fazer com a história de Sandler, pois se pararmos para analisar a fundo, a trama não chega a ser ruim, tendo um mistério para ser solucionado, muitas cores vibrantes, e até uma produção bem grandiosa, porém o ritmo colocado foi tão lento, e os trejeitos e vozes do protagonista soaram tão bizarros que acabamos não entrando na vibe em momento algum, ao ponto de chegar a dar sono realmente (e isso é algo raríssimo de acontecer comigo pelo menos!). Ou seja, diria que faltou trabalhar melhor a dinâmica do mistério, e mesmo que o protagonista fosse um personagem bobão, deixar ele mais vivo no filme, pois ficou parecendo uma festa de Halloween dos amigos do Sandler, com o elenco completo de todos os seus filmes, mas que ninguém quis ajudar ele a seguir com um filme decentemente divertido ao menos.

Basicamente se você já viu um filme do Sandler, você já sabe como cada um dos seus amigos aparece, então para falar das atuações é até fácil demais, pois aqui caiu também um dos problemas gigantes do longa, afinal Adam Sandler quis colocar um trejeito estranho para seu Hubie, com uma voz boba e infantil, uma personalidade de 10 anos no corpo de um adulto, e nada batendo com nada, ao ponto que chega a desanimar vê-lo dessa forma, e incomoda demais tudo. Julie Bowen é o par romântico da vez, mas aqui ficou só na torcida, não indo a fundo com sua Violet, e a atriz até tentou um algo a mais chamativo, mas não funcionou. Steve Buscemi fazendo um lobisomem real foi até bem encaixado, mas seu personagem acabou ficando frouxo de atitudes, e nem é tão usado, o que daria um charme bem colocado. Rob Schneider fica o filme inteiro como um misterioso maluco que fugiu do sanatório, mas não se mostra, nem se joga no personagem, ficando bobo demais. June Squibb caiu bem como a mãe do protagonista, entregando uma velhinha bem maluca, cheia de desenvolturas, e até tendo um carisma que merecia mais cenas para aparecer. Agora quanto aos demais, todos foram exagerados visualmente e nas personalidades, não chegando a ponto algum, ou seja, desde Kevin James, passando por Maya Rudolph, Ray Liotta e Tim Meadows, ninguém conseguiu entregar nada, e até mesmo a participação de Shaquille O'Neal foi forçada demais.

Visualmente o longa é daquelas produções bem completas de elementos cênicos, com casas decoradíssimas ao nível máximo, como um grande Halloween pede, com monstros a solta, muitos figurinos interessantes, e principalmente casas do horror com muitos elementos visuais prontos para assustar quem estiver dormindo durante o longa, de modo que tudo é bem usado (tirando o excesso de comida e outras coisas bizarras que tentam tacar no protagonista). Ou seja, a equipe de arte teve um trabalho imenso para tudo, elaborou vários ambientes como uma rádio temática, um drive-in com filmes de terror clássicos, várias casas bem preparadas, mas usaram pouco, o que é uma pena.

Enfim, é um filme que até talvez tenha lá sua proposta anti-bullying, que dá para ser analisada e florear algo a mais, mas como comédia, ou até mesmo como um filme do Sandler que gostamos de ver para fazer rir, o resultado foi de péssimo pra baixo. Ou seja, não tenho como recomendar de forma alguma, pois o ritmo é ruim, os trejeitos são ruins, e tudo acaba mais cansando do que agradando, então é melhor ir para outro filme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Caixa Preta (Black Box)

10/07/2020 10:41:00 PM |

Alguns filmes fluem por ideias tão abstratas de uma maneira tão imponente que acabamos imaginando as possibilidades de aquilo se tornar realidade, e uma coisa que certamente muitos sempre ficam pensando é "Como é quando morremos?", "O que acontece quando pegamos a parte de um corpo e transplantamos em outro? Será que a parte do corpo lembra dos estímulos do corpo antigo?", "E se existir uma forma de transplantar pensamentos de uma pessoa para outra para que a vida continue seguindo seu fluxo!". Pois bem, certamente os roteiristas do longa "Caixa Preta", que estreou ontem na plataforma da Amazon, como segundo filme de terror encomendado para o projeto Welcome to BlumHouse, pensaram em tudo isso, e ainda entraram no clima do filme sucesso "Corra!", partindo para uma trama densa e bem interessante, que acaba fluindo numa mistura intensa de ideias com um tratamento a base de hipnose, mas com muito mais tecnologia aonde você consegue se projetar dentro do sonho e se encontrar ali. Pois bem, até aí a ideia era boa, mas com o desenrolar da segunda metade é que o terror começou a ficar bem montado, pois aí passamos a conhecer um pouco mais realmente cada personagem, e as situações passam a arrepiar. Ou seja, é um filme bem inteligente, com uma proposta que até dá para se pensar numa realidade alternativa existir, mas que assim como o outro filme do projeto não chega a assustar realmente, sendo mais um suspense psicológico bem feito do que um terrorzão como imaginaríamos vindo da produtora.

A sinopse nos conta que sobre um homem está lutando para recuperar sua memória depois de sobreviver a um trágico acidente de carro. Desesperado para voltar ao que era antes enquanto tenta criar sua filha, ele recebe um tratamento experimental que o ajuda a investigar um passado que de repente parece escuro demais para ser seu.

O diretor e roteirista Emmanuel Osei-Kuffour estreou na direção com uma trama digamos tecnológica em si, mas que brincou bem com nossa psique, ao ponto que vamos nos envolvendo tanto com a possibilidade do protagonista conseguir recuperar sua mente, que nem pensamos no outro vértice, de forma que quando ocorre a sacada até chegamos a pensar em algo pior com o amigo, chegamos a pensar em até algo pior com a ideia dele, mas jamais a ideia original que acaba ocorrendo no ponto de virada. Ou seja, souberam ocultar bem os fatos, e souberam melhor ainda em brincar com os pontos de virada para algo fictício bem marcante, e que mostrou que o diretor estreante tem uma mão bem segura de suas ideias, pois facilmente o longa poderia rumar para algo envolvendo espíritos e tudo mais, e ele ser manteve forte na ideia de ciência com uma boa dose de misticismo e tecnologia, ao ponto que o acerto acaba fluindo bastante, e o resultado final acaba empolgando bastante.

Sobre as atuações, podemos dizer que Mamoudou Athie tem personalidade e domínio cênico, de modo que as cenas de seu Nolan acabam sempre bem dimensionadas, e funcionam com olhares e trejeitos bem colocados, mostrando-se levemente aflito pelo tratamento, mas esperançoso ao menos, e assim acabamos até torcendo para ele, e claro ficando com medo dos seus medos. A jovem Amanda Christine também foi bem com sua Ava cheia de trejeitos imponentes, praticamente mandando em tudo e em todos, de modo que seus resultados acabam chamando bem atenção, mesmo que boa parte do filme acabe não dependendo dela. Phylicia Rashad trouxe um ar diferente para sua Lilian, ao ponto que até acabamos entendendo seus atos, embora seja algo proibido dentro da Medicina, mas a atriz foi imponente, soube dominar cada símbolo, e ao final vemos que pode até conseguir chamar uma continuação para si. Quanto aos demais, tivemos bons momentos tanto de Tosin Morohunfola com seu Gary preocupado com o amigo, cheio de dinâmicas bem colocadas, mas que não foi tão usado como poderia, e claro Donald Elise Watkins com seu Thomas forte e bruto de intensidade, que de cara já imaginávamos o que tinha rolado com ele. E claro tenho de pontuar Troy James (que sabia que conhecia de algum lugar, no caso do America's Got Talent) com suas imponentes movimentações cheias de contorção, que para quem não viu no programa de talentos, de uma caçada na internet, pois é assustador o que ele faz com seu corpo, e aqui no filme ajudou a não precisarem de computação gráfica. 

Visualmente o longa foi bem interessante também, pois ambientado aparentemente dentro de uma sala de hospital cheia de computadores e equipamentos de última geração, o protagonista acaba saindo dali e indo para um apartamento bem detalhado, para um casamento bem simbólico, e para um quarto cheio de elementos cênicos, e que junto de muitos detalhes em cada momento vemos o trabalho da equipe de arte para brincar tanto com a mente do protagonista, quanto com a nossa, e o resultado acaba sendo bem satisfatório, e usando bem pouco de computação para o realismo ficar melhor ainda.

Enfim, é um filme que assim como o de ontem do mesmo projeto, também não dá para falar muito para não estragar as surpresas (aliás aqui falei até demais!), que consegue surpreender bem, e que entrega uma trama inteligente que até podemos pensar na possibilidade de acontecer realmente um dia, só esperamos que de forma mais "amigável", e sendo assim, também recomendo bastante o longa, mesmo com leves defeitos e exageros de uma primeira direção. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Mentira Incondicional (The Lie) (Between Earth And Sky)

10/06/2020 10:47:00 PM |

Pois bem, eis que conferi o primeiro filme que a BlumHouse vendeu para o especial de Halloween da Amazon Prime Video, e posso dizer com toda certeza que estou com muita raiva de não ter pensado nessa possibilidade de final, pois a trama de "Mentira Incondicional" até pode ser classificada como terror, mas antes disso é um drama da melhor qualidade possível, daqueles que acabamos presos, intrigados, e com muita raiva de cada coisa que a garota e seus pais fazem para livrar a cara dela. Ou seja, é um filme que não posso nem falar muita coisa, pois posso até estragar o brilhantismo de diversos momentos, mas certamente muitos ficarão com a mesma cara dos protagonistas no fim, isso eu garanto, pois é daqueles que surpreendem bastante.

A trama nos conta que um pai e uma filha estão a caminho do acampamento de dança quando avistam a melhor amiga da garota na beira da estrada. Quando param para oferecer uma carona a amiga, suas boas intenções logo resultam em consequências terríveis. A família rapidamente fecha as fileiras e decide não contar a ninguém. Mas os segredos raramente permanecem secretos por muito tempo ... e eles logo se deparam com uma escolha impossível que irá alterar o curso de suas vidas para sempre.

A diretora canadense Veena Sud trabalhou muito bem sua história, claro que adaptando o texto original do filme alemão "Wir Monster", ao ponto de conseguir entregar uma trama daquelas que chegando ao final já nos vemos revoltados com tudo, e que acabamos ficando ainda mais revoltados com o final dado, pois é brilhante ao mesmo tempo que é irritante, e isso é um feitio que poucos diretores conseguem, afinal a maioria prefere jogar o ápice no miolo, criar toda a condição e finalizar, enquanto aqui tudo acontece para o ápice ser o fechamento. Ou seja, é a formatação que vimos funcionar muito bem em "Um Contratempo" da Netflix, e em todos os seus derivados de outros países, ao ponto que tudo é simples, direto e certeiro, de modo que certamente iremos querer conhecer mais da diretora, e até talvez ver o filme original (mesmo sabendo que a chance de não se surpreender mais já sabendo tudo é grande).

Sobre as atuações é fácil entender o motivo que Joey King se deu tão bem no streaming, pois a jovem tem estilo, e aqui sem fazer carinhas românticas como vimos em outros filmes, fez de sua Kayla uma personagem digamos mimada demais pelos pais, mas imponente e sabendo bem o que faz, ao ponto que a jovem trabalhou bem olhares e vai irritar mais ainda todos quando ouvirem suas últimas frases. Peter Sarsgaard é daqueles atores que costumam entregar seus sentimentos com olhares, e o que faz aqui com seu Jay é algo brilhante, pois sentimos cada momento seu de uma forma tão intensa, que ao final garanto que todos na sala estarão olhando para a tela da TV com a mesma cara que ele estará (tirem uma foto, que vocês irão rir), pois ele passa muita imponência para o personagem, faz besteiras aos montes, e ainda consegue agradar muito, ou seja, perfeito. Mireille Enos soube criar dinâmicas desesperadas de uma maneira tão forte para sua Rebecca, que ficamos muito envolvidos com tudo o que a atriz acaba passando, ao ponto de da mesma forma que acontece com o ex-marido, a trama acaba fluindo bem, só tivemos um detalhe bem estranho, é que o atual namorado evapora no começo do filme e nem telefonema dá, mas isso é um mero detalhe que esqueceram. Cas Anvar foi bem insistente com seu Sam, de forma que o personagem embora desesperado não deveria ter as atitudes que teve, e o ator soou bem prepotente ao ponto de desconfiarmos realmente dele, mas foi bem ao menos. E para finalizar, tivemos poucas cenas com Devery Jacobs com sua Britney, mas a garota fez boas caras no começo e até soou interessante ao ponto que mereciam ter trabalhado um pouco mais ela, enquanto a detetive vivida por Patti Kim acabou forçada demais de trejeitos.

Visualmente o longa é daqueles que gosto demais de ver pela grandiosidade de neve para todos os lados, transformando as cenas em algo não só frio pelo ambiente, mas sim pelas atitudes dos personagens, e entregaram bons momentos tanto na casa da protagonista, como nas ruas aonde as perseguições acabam rolando, ou seja, a equipe de arte nem brincou tanto como poderia com mais elementos cênicos para incriminar os atos, mas dosou cada elo perdido esquecido de forma coerente e bem direta ao ponto de que ficamos a todo momento chamando o pai de burro por ter esquecido algo.

Enfim, é um tremendo filme, daqueles que cada ato consegue surpreender mais que o outro, mas que certamente poderia ter ido além se tivessem aparado algumas arestas e pequenas falhas, de modo que não chega a atrapalhar nada, então vai valer muito a conferida, e certamente todos que gostam de um bom drama/suspense irão curtir bastante, além de ficarem bem bravos com o fechamento. Bem é isso pessoal, a BlumHouse fechou contrato com a Amazon para 8 filmes, hoje estreou os 2 primeiros (vi esse hoje, e o outro amanhã), semana que vem estreia mais 2, e ano que vem virão mais 4, ou seja, os fãs de terror/suspense podem comemorar, afinal eles não costumam nos decepcionar. Eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã, então abraços e até logo mais.


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Não Vamos Pagar Nada

10/06/2020 06:33:00 PM |

Certa vez conversava com um amigo que alguns textos são universais e acabam funcionando tão bem em determinadas datas que acabamos nem acreditando que não tenha sido escrito para a época que o filme é lançado, de modo que baseado em uma peça teatral do italiano Dario Fo de 1974, já interpretada em diversos palcos do mundo todo, eis que saiu agora a comédia nacional, "Não Vamos Pagar Nada", que tem um estilo de humor não tão engraçado (daqueles de rir de se acabar!), mas que retrata tão bem o nosso momento de aumento de preços nos mercados, desemprego indo ao máximo e claro o jeitinho que acabamos dando para não passar fome. Ou seja, muito mais do que uma simples comédia, a trama acaba indo para o lado social com um cunho tão bem formatado, que os humoristas conseguiram passar através de boas sacadas o resultado completo em um texto ágil e que funciona, e sendo assim, quem for conferir nos cinemas ou nas plataformas de streaming no lançamento certamente irá enxergar muito mais do que piadas jogadas, pois o filme ao menos é inteligente nesse ponto.

A sinopse nos conta que a vida não está fácil pra ninguém e a grana é cada dia mais curta para Antônia, que está desempregada. Indignada com os preços dos produtos no único mercado do bairro, a dona de casa arma um escândalo e acaba se metendo numa enorme enrascada. Agora, ela vai precisar de muito jogo de cintura para ficar de boa com o marido e com os policiais.

Talvez a grande sacada do longa tenha sido pegar um diretor estreante de longas para que a história não ficasse tão caricata, pois João Fonseca sempre trabalhou muito com peças de teatro, e tem em seu currículo um programa 100% teatral ("Vai Que Cola"), e aqui por ser uma peça adaptada, ele pode desenvolver bem cada personagem sem precisar de grandiosas apresentações. Ou seja, volto a frisar que não é daqueles filmes que você irá rir aos montes, de modo que até tem cenas cômicas, possui muitos absurdos bizarros que acabam fazendo algumas pessoas rir, mas a ideia completa é algo que funciona mais como uma crítica social bem feita (que talvez até nem tenha sido tanto a proposta original, afinal a adaptação foi escrita bem antes de estarmos nessa afundamento de barco atual do país), e que mesmo não fazendo rir, funcionou bem, mostrou que o diretor sabe bem segurar o estilo, e que quem gostar do estilão que era seus programas, irá gostar também do filme.

Sobre as atuações, a trama basicamente fica nas mãos, ou melhor nos trejeitos, de Samantha Schmütz com sua Antônia, que teve um gingado perfeito para enganar tanto o marido certinho, quanto os policiais que vão investigar o roubo do mercado, e a atriz com seu jeitão exagerado, cheio de jogadas para todos os lados acaba chamando bastante atenção, e claro dominando seus momentos dando boas aberturas para que os seus parceiros de cena fossem lhe seguindo no mesmo rumo, ou seja, age quase como um meio de campo orquestrando todas as jogadas para que o filme funcione, e dá certo. Flávia Reis entrega uma Margarida sofrida, e que vira quase uma boneca gigante nas mãos da protagonista, ajudando ela a esconder os problemas e só aumentando tudo com o rolo todo, ao ponto que a atriz foi bem no papel, mas não se desenvolveu muito. Conhecemos Edmilson Filho como aqueles atores mais exagerados, que não tem tantas papas nas línguas, e que tem astúcia no que faz, de modo que aqui como um marido certinho da protagonista, e fazendo algo mais sério e centrado de atitudes não chamou tanta atenção com seu João, ou seja, o ator até tem bons momentos, principalmente quando entra no caos de esconder coisas também, mas seu início foi meio preso demais. Flávio Caruso tem um estilo muito marcado, e isso é próprio dele, de modo que seu policial civil acaba soando falso e exagerado demais, claro que funciona para a comédia pelos olhares fortes e pelas dinâmicas bobas que acaba acontecendo, mas soou um pouco apelativo. Flávio Bauraqui foi uma surpresa na trama como um policial militar que tem um estilo mais calmo, mas que faz boas cenas, e o ator que é costumeiramente visto em grandes dramas acabou sendo interessante pelo texto social em si que deveria acontecer por parte de alguns policiais verdadeiros, mas o ator não precisou muito e fez bem. Quanto os demais, diria que foi praticamente participações, com Leandro Soares fazendo um Luis (marido de Margarida) simples demais, Paulinho Serra como um gerente de mercado e o músico Criolo como um etiquetador do mercado, ou seja, apenas como complementos cênicos realmente.

Visualmente o longa também é bem simples, tendo duas cenas em um mercado, algumas cenas na rua, uma cena em um posto de saúde improvisado, e praticamente todas as demais dentro do apartamento da protagonista, usando claro como elementos cênicos as compras escondidas como se fossem barrigas de grávidas, e usando a sagacidade dos atores para brincar com tudo ao redor, não tendo nada que fosse chamativo de figurinos ou algo além, sendo bem próximo do que seria exibido em uma peça.

Enfim, é um filme que classificado como comédia talvez desaponte muitos que forem esperando rir horrores, mas que parando para analisar todo o contexto social da trama, o estilo de tudo, e principalmente as boas sacadas do elenco para fazer com que o filme funcione, o resultado final acaba sendo até bacana de conferir. Ou seja, está longe de ser uma bomba total (se não analisado como comédia, pois se for, aí o desapontamento é bem grande), mas que também não é nada surpreendente, mas que vale como um passatempo bem político e interessante de analisar. Bem é isso pessoal, fica a dica então para quem for locar no streaming ou ir conferir nos cinemas, abraços e até logo mais.


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Netflix - Teste de Paternidade (Ahí Te Encargo) (You've Got This)

10/05/2020 10:47:00 PM |

O estilo de dramas cômicos no México costuma fluir para rumos que geralmente nos surpreendem no final, indo por estilos diferentes que acabam causando e até envolvendo bastante, e sendo assim acabamos assistindo sempre esperando que o diretor inverta toda a situação que o longa está seguindo e o resultado acaba agradando bastante. Porém, o novo longa da Netflix, "Teste de Paternidade", acabou seguindo o vértice comum e entregando uma história casual até que bonitinha, com uma pegada boa em cima da ideia de que anda acontecendo com muitos jovens que têm preferido a vida profissional à vida familiar usual (casamento, filhos, netos, etc...), mas que na brincadeira do jovem desejar arrumar um bebê, o fluxo acaba ocasionando brigas e tudo mais. Ou seja, a sacada em si foi bem boa para desenvolver esse mote que os mais antigos têm tanto brigado que os casais atuais não andam querendo ter filhos, mas certamente a trama poderia ter ido além, criado mais vértices dos desafios de famílias e tudo mais, o que acaba não ocorrendo. Claro que temos vários pontos para se discutir com o que é mostrado, mas o filme finaliza de maneira tão simples e casual, que acabou parecendo mais um, o que não é comum nos longas mexicanos.

O longa nos conta que Alex, é um criativo publicitário com um casamento perfeito, que quer ser pai a todo custo, mas sua esposa, Ceci, é uma advogada está no auge de sua carreira e ser mãe não faz parte de seus planos. Certo dia, Ceci tem uma grande surpresa quando seu marido aparece em casa com um convidado especial: um bebê, criando grandes desafios para seu relacionamento.

Diria que o diretor Salvador Espinosa acabou usando a base do roteiro ao pé da letra, não querendo brincar muito com as possibilidades que tinha ao seu alcance, ao ponto que o filme é todo certinho, com as divisões de enquadramento, com as cenas acontecendo fluídas, e que mesmo sendo bastante clichê toda a formatação, acabamos atraídos pela essência que é passada, afinal somos o público alvo da trama: adultos de trinta anos que não pensam em ter filhos e que focam muito mais na carreira do que na criação de um lar. Ou seja, a sacada em cima do público é nítida, e talvez se o diretor se prendesse somente a isso, seu filme teria um encontro surpreendente e chamaria muita atenção por isso, porém ele se verteu facilmente ao romance casual para que seu filme terminasse bonitinho, e sabemos bem que não é assim que o mundo funciona (principalmente com as cenas finais na convenção da empresa!), de modo que tudo é bem dinâmico, as cenas foram diretas e divertidas (claro que sem fazer rir como poderia também), e assim sendo a trama flui e passa seu recado, mostrando que o diretor tem potencial, porém não quis usar para algo mais surpreendente.

Sobre as atuações, é fácil dizer que o carisma de Mauricio Ochmann é daqueles que qualquer um pediria qualquer coisa para seu Alex, ao ponto que o ator convence com simplicidade, passa confiança nos atos, se entrega como um bom colo para bebês, e principalmente tem química suficiente para se envolver com todos os demais personagens, ou seja, escolheram na medida certa o ator para que o filme ficasse carismático e bem dosado, ao ponto que talvez qualquer outro ator não chamasse tanta atenção. Esmeralda Pimentel trouxe para sua Ceci uma mulher moderna, cheia de virtudes e dinâmicas, ao ponto de se jogar bem em tudo o que faz, porém comete muitos exageros expressivos em quase todas suas cenas, o que é estranho de ver, além de não condizer para o cargo que almeja tanto, mas não chega a ser ruim de ver, afinal a trama também é cômica, então acaba funcionando. Juan Martín Jauregui trabalhou bem seu Rafa, fazendo as cenas mais cômicas junto com o protagonista, e dessa forma a conexão/dinâmica entre os dois foi bem trabalhada, e o ator soube ser coerente nos momentos mais toscos. Quanto os demais, a maioria serviu de base de conexão para a trama, tendo claro destaque para o bebê bem expressivo vivido por Matteo Giannini e Regina Reynoso com sua Alicia meio falsa de problemas, ao ponto que não ficamos bem convencido com o que é falado na sua volta, parecendo soar mais fake do que real.

Visualmente o longa tem estilo, afinal tanto o apartamento do casal, como a agência e o escritório que os protagonistas trabalham são modernos, cheios de elementos cênicos mais tecnológicos, com cores vibrantes e muita dinâmica para mostrar que são sim dessa nova geração mais atual de jovens, ao ponto que tudo soa amplo e bem novo. E mesmo na casa da jovem mãe, quanto na casa da mãe do protagonista, que tem um ar mais antiquado, tudo é simples e sem muitas amplitudes, o que acaba mostrando que a equipe de arte quis o filme mais limpo possível, e agradou com elementos clássicos mais formatados para o mundo atual.

Enfim, é um filme gostoso até de ver, simples de atitudes, e que brinca com uma ideia formatada, que muitos vão se ver no casal, outros vão achar apelativo, mas de modo geral o resultado soa empolgante e agrada com o que é mostrado. Claro que esperava algo mais inovador, e talvez até algo mais realista ao ponto de uma quebra final, mas aí a proposta seria outra. Sendo assim, até recomendo o filme, principalmente para aqueles que gostem de algo até quase novelesco, bobinho, com um misto de comédia dramática bem leve. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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Netflix - Vampiros x The Bronx (Vampires vs The Bronx)

10/04/2020 07:25:00 PM |

Na época dos filmes de terror, é claro que tem de aparecer opções também para os mais jovens, e o estilo sempre costuma colocar jovens aventureiros em busca de algo, ou lutando contra monstros, que é o que ocorre no lançamento da Netflix, "Vampiros x The Bronx", que tem uma pegada totalmente de passatempo, brincando com a ideia de "Blade", e claro de todos os símbolos casuais de personagens vampirescos. Ou seja, é um filme simples, bem leve e divertido, que mostra jovens entrando em confusão por se meterem aonde não deve (a base de todo terror), e que usando de vários clichês partem para a briga com um grupo de vampiros ricos que estão comprando o bairro todo para montar algo seu. Não diria que é um filme que vamos lembrar durante muito tempo, afinal ele não tem nada de muito surpreendente, mas a essência é bem funcional, e o resultado serve para passar o tempo, de modo que vale ao menos os 85 minutos de sessão.

O longa nos mostra que quando estranhos seres vampirescos, novos no Bronx, começam a vagar pelo local, três amigos adolescentes se reúnem para salvar seu querido bairro, lutando contra as forças sobrenaturais e contra a gentrificação planejada.

Após muitos curtas metragens, séries e programas de sucesso, o diretor Oz Rodriguez resolveu estrear em longas com um algo simples, direto e sem muitas firulas, o que é muito bom, pois geralmente quando enfeitam muito o doce no primeiro longa, geralmente costuma dar muito errado, e é o oposto do que vimos aqui, pois ele soube dimensionar cada momento dos garotos, não deu muita abertura para explicações (só ficamos sabendo do motivo dos vampiros desejarem o Bronx nos últimos momentos da trama), e claro que usando dos artifícios mais conhecidos de séries e filmes sobre vampiros tudo foi bem usado e mostrado numa corrida rápida e direta em cima da caça aos monstrengos. Claro que o filme ficou muito fácil, e os pequeninos conseguiram destruir esses que são considerados seres fortes e imortais, em minutos, mas a ideia não era algo muito complexa, nem fazer uma guerra imensa, e assim sendo o roteiro soube dimensionar o que era necessário, e o filme funcionou, mas que certamente poderia ter aberto um pouco mais tudo, isso poderia, mas já valeu pelo menos o passatempo da tarde de domingo, então está valendo.

Sobre as atuações, ao mesmo tempo que correram o risco de não pegar nenhum garoto conhecido para protagonizar a trama, também foram certeiros de colocar jovens com boas dinâmicas nos papeis principais, de modo que acabamos curtindo o que os jovens fazem, porém poderiam ter trabalhado um pouco mais para que suas expressões fossem mais convincentes. Jaden Michael deu um tom bem colocado para seu Miguel, de forma a segurar bem os momentos mais diretos, e sendo considerado por muitos o jovem prefeito do bairro, ele trabalhou seguro de atitudes, fez caras imponentes, e não se desesperou como casualmente ocorreria, ou seja, deram uma personalidade um pouco adulta demais para o jovem, e assim ele até chamou a responsabilidade, mas poderia ser mais carismático para que o filme fluísse melhor com ele. Gerald Jones III trouxe para seu Bobby o tradicional que ocorre com jovens negros de periferia, e isso não é legal, mostrar que só tem essa solução, e talvez algumas dinâmicas diferentes mostrariam o jovem mais chamativo para as cenas. Gregory Diaz IV (aliás esses garotos têm algum parentesco com reis, pra ter numeral romano nos nomes?) trouxe para seu Luis uma dinâmica nerd interessante para compartilhar bem as ideias de vampiros e funcionar, mas o jovem ficou muito em segundo plano, então acabou não decolando como poderia. Do lado do mal, os destaques claro ficaram para Sarah Gadon com sua simpática Vivian, que de cara não passou a impressão, mas depois foi bem imponente, embora pudessem ter melhorado um pouco a maquiagem, mas como a jovem já trabalhou em outros filmes de vampiros, foi bem nos trejeitos, e Shea Whigham trouxe para seu Frank um chamariz imponente para suas cenas, parecendo mais um mafioso do que um capacho de vampiros, mas foi bem no que fez.

Visualmente a trama trouxe boas cenas e brincou bastante com tudo, desde a mostrar um bairro que não é muito visto pela cidade, com diversos problemas de segurança, imigrantes e tudo mais, aonde souberam dosar bons elementos cênicos para que desde a bodega do amigo deles que os jovens tanto querem manter aberta, quanto a sala imponente do corretor cheia de elementos cênicos bem úteis para serem usadas foi algo bem feito, mas quando entraram no lance dos vampiros, economizaram bem, com caixões simples, cenas com efeitos sem grandiosos elementos, mas tudo bem feitinho, ao ponto que funciona dentro da proposta.

Enfim, é um filme passatempo, daqueles que não vamos nem ficar recomendando aos sete cantos, mas que também não podemos falar que é ruim ao ponto de não assistir, apenas poderiam ter trabalhado um pouco mais os vampiros para que tudo ficasse mais condizente, e assim ter algo a mais, e também mais um pouco dos garotos para que o resultado ficasse mais completo, pois tempo de projeção tinham, afinal ficou bem curto a trama, mas pelo menos não cansa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Vestido Maldito (In Fabric)

10/03/2020 07:01:00 PM |

Teve uma época no passado que era bacana conferir terrores alternativos bizarros, aonde aconteciam mortes estranhas, objetos comuns viravam assassinos, e tudo mais era motivo de risada mesmo durante uma morte fortíssima, porém caiu em desuso o estilo, de modo que raramente ouvíamos falar de algum lançamento recente contento tal estilo bizarro. Como não costumo ver trailers ou ler muito sobre um filme antes de conferir ele, hoje dei play no "In Fabric" da Amazon Prime Video, que depois surgiu legendado como "Vestido Maldito", ou seja, já vi que era algo estranho, mas durante todo o longa me vi pensando em parar pelo menos umas seis vezes, pois é daqueles longas que nada chama a atenção, e mesmo as mortes e acidentes são tão sem sentido que acaba mais incomodando do que agradando, e sendo assim teria sido melhor ver qualquer outra coisa, pois certamente seria melhor.

O longa nos conta que durante as promoções de inverno de uma loja de departamento, um vestido amaldiçoado passa de pessoa para pessoa, causando todo tipo de infortúnio para a vida de quem quer que entre em contato com ele.

Não posso dizer que é um filme de todo ruim, pois ele possui o estilo próprio dos filmes trash de antigamente, e aqueles mais saudosistas irão se apaixonar por tudo o que o diretor Peter Strikland acabou entregando ao ponto que parecemos voltar no tempo. Porém é um longa feito somente para isso, de modo que quem nunca viu um filme do estilo "filme B" acabará assustando com tanta bizarrice e sequer conseguirá se manter até o final da trama, que aliás é estranha também, afinal vemos uma loja de departamentos que é totalmente fora de padrão, uma atendente estranhíssima, e claro o vestido com vida própria, de modo que se me perguntarem amanhã qual era realmente a história do longa não vou lembrar, pois praticamente temos duas histórias, uma de uma mulher que se separou e vai a encontros casuais marcados pelo jornal, e a segunda de um consertador de máquinas de lavar que vai se casar e é demitido por arrumar a própria máquina, ou seja, o vestido é praticamente jogado em duas tramas nada a ver com nada, e o resultado é algo que o diretor quis mostrar: o descontrole total de tudo.

Sobre as atuações, como as duas histórias passam principalmente pela loja de departamentos, diria que o destaque fica para o estilo estranho de Fatma Mohamed como Miss Luckmoore, que entrega uma forma de atendimento que chega a ser até assustadora de tão polida, sendo que metade dos clientes nem devem entender nada do que a atendente passa, mas o resultado visual é bem interessante de ver. Na primeira história, Marianne Jean-Baptiste até foi bem interessante com sua Sheila, buscando um parceiro no jornal, com recortes e tudo mais, a atriz fez expressões marcantes para cada um dos momentos, e se mostrou bem conectada com o desespero, só seus patrões no banco que soaram bem bizarros também pelas frases que indagaram, mas como voltam no segundo ato também falando bizarrices, o problema é outro. Na segunda história também temos de pontuar bem a eloquência de Leo Bill com seu Reg, ao ponto de que até parece deixar as pessoas em transe falando dos problemas das máquinas de lavar, de uma forma bem assustadora, e assim o ator acabou se entregando bem para o filme, e novamente os gerentes do banco vieram com indagações absurdas para o jovem, ou seja, Julian Barratt e Steve Oram chamaram atenção não por suas atuações, mas sim pelos textos malucos que falaram, e assim o filme se fluiu.

Visualmente o longa traz uma estética bem antiquada, com propagandas bizarras piscando em cores fortes, figurinos excêntricos para os atendentes da loja de departamentos, e claro casas tradicionais da época com jogos, aquecedores e tudo mais que remetesse bem os anos mais antigos, de forma que a equipe mostrou conhecer bem o que lhe foi encomendado, e o resultado visual acaba agradando bastante, mesmo sendo uma loucura total, além das cenas de cortes e sangue serem explosivas demais, também do jeito que eram os filmes B.

Enfim, é daqueles filmes que nem tenho muito o que falar, que terão aqueles que vão adorar por mostrar algo antigo bem feito, que remete completamente a um estilo próprio, e aqueles que irão odiar por estarem esperando qualquer outra coisa diferente, e infelizmente estou nesse segundo grupo, pois mesmo sabendo que o estilo é assim, fui conferir esperando um filme mais atual, que mesmo tendo algo bizarro como um vestido assassino, não dependesse de bizarrices de baixo orçamento para se manter. Então se você é daqueles saudosistas que curtiam os filmes B, até pode ser que goste do que verá, do contrário, prefira ver qualquer outra coisa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, que nem vontade de ver nada tenho mais hoje, mas volto em breve com mais textos.


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Netflix - O Fascínio (Il Legame) (The Binding)

10/03/2020 12:32:00 AM |

Chega a ser até engraçado quando conferimos longas envolvendo maldições e ficamos pensando se já não tínhamos visto o longa em algum outro lugar, pois todos possuem praticamente a mesma essência e estilo que soam iguais em quase tudo, ou seja, está na hora do pessoal do gênero começar a dar uma inovada nos atos para pelo menos não precisar de espelhos, de maquiagens fortes e de velhinhas curandeiras para realizar rituais. Digo isso, pois o longa italiano da Netflix, "O Fascínio", até tem uma pegada interessante de vermos, algo meio que diferenciado (ao menos em questão de locações), mas que tudo acaba fluindo para os mesmos rumos tradicionais do estilo, que ficamos esperando acontecer algo que já até sabíamos, e acaba não decolando em momento algum. Ou seja, não chega a ser uma bomba imensa, de forma que quem gosta do estilo de terror com maldições até pode gostar do que vai ver, mas é algo que não empolga, não cria tensão, e mesmo nas cenas de sustos já sabemos quando é que vão tentar nos assustar, de modo que num cinema, com uma tela maior, e com tudo escuro, até pode ser que de um pouco de medo, mas na TV o resultado é fraco demais para ser lembrado mais para frente.

A sinopse é bem simples e nos conta que ao visitar a mãe de seu noivo no sul da Itália, uma mulher deve lutar contra uma maldição misteriosa e malévola com a intenção de reivindicar sua filha.

Aí você vai puxar as informações do filme, e pronto, você descobre rapidamente o problema do longa, que é um diretor estreante, e como já disse isso inúmeras vezes, terror não é um gênero que se acerta na primeira tentativa, tendo somente raras exceções, e aqui Domenico de Feudis não foi dessas exceções, pois em sua estreia ele usou artifícios casuais demais, que mesmo sendo bem feitos acabam não causando como poderia, de forma que seu filme fica preso demais, não entrega atitudes, e mesmo com boas desenvolturas por parte dos atores, acabamos não nos conectando com a história mostrada. Claro que ele soube escolher alguns elementos bem intensos, como picadas de aranhas, rituais imponentes, e até alguns atos com florestas e grutas, mas não explorou tudo como poderia, e o resultado acabou levemente frouxo.

Sobre as atuações, o filme vai se vender mais por Riccardo Scamarcio ser bem conhecido, mas seu Francesco aqui é quase um enfeite cênico, de modo que o ator não entrega nem trejeitos, nem nada, sendo daqueles personagens que estão na história apenas para interligar as coisas, e o resultado é que acabamos torcendo pra que o espírito/maldição o mate logo para pelo menos nos alegrar. Mia Maestro teve alguns atos exagerados com sua proteção materna forçada, de modo que vemos sua Emma fazendo caras e bocas para mostrar afeição e desespero com tudo o que está rolando com a filha, de modo que a atriz até se sai bem em alguns atos, mas acaba soando um pouco forçada nas atitudes. A jovem Giulia Patrignani fez boas expressões de possessão, se movimentou bem, e fez bons atos com sua Sofia, ao ponto que acabamos torcendo por seus momentos, e a jovem não desaponta. Mariella Lo Sardo trouxe para sua Teresa a tradição de velhinhas curandeiras, que fazem rituais e tudo mais, de modo que a atriz trabalhou trejeitos fortes e imponentes, chamando muito a responsabilidade em diversos atos, e que junto de Raffaella D'Avella, com sua Sabrina, entregaram cenas misteriosas bem intrigantes que merecia até um pouco mais de desenvolvimento, pois ambas chamaram muita atenção.

Visualmente a equipe escolheu bem uma locação diferenciada no meio de um campo de árvores milenares tombadas, com uma casa antiga cheia de barulhos estranhos, mofos e tudo mais que um bom longa de terror deve ter, e claro muita maquiagem estranha para tentar assustar e causar, de forma que vemos algo meio antigo, mas também dentro de uma proposta atual, apesar que não falam, mas por um convite de casamento que é mostrado, o longa se passa lá pelos finais dos anos 90, e souberam dar coerência para tudo, sem precisar engrandecer muito as coisas. Porém o diretor poderia ter usado mais alguns elementos cênicos que agradaria mais.

Enfim, é um filme que vai assustar quem costuma assustar com filmes de terror, que vai causar pela estética e pelo tema de maldições, que vai deixar desesperado pais pelo que ocorre com a menininha, mas que não atinge nenhum ponto alto, pois usa de todos os clichês possíveis, e falha em quase todos eles, ficando mediano demais, e que volto a frisar, talvez numa sala grande escura funcionasse mais, mas em casa a chance de alguns nem irem até o final é alto, aliás, mesmo com a definição inicial do que é a expressão fascínio, não consegui ver acontecer no longa, então isso também acaba sendo um problema. Sendo assim, não digo que recomendo ele, mas também não falo que é algo ruim demais de ver. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Vigiados (The Rental)

10/01/2020 11:59:00 PM |

Logo que começou a febre dos drive-in nos EUA durante a pandemia, um filme que acabou fazendo um sucesso bem razoável de bilheteria foi "Vigiados", que agora estreou na Amazon Prime Video no mundo todo, e assim podemos ver a primeira investida do ator Dave Franco como diretor e roteirista de longa-metragem, e olha que é um bom filme de terror, tem uma atmosfera tensa bem trabalhada, e só a ideia de estar sendo vigiado por alguém já deixa tudo muito bizarro, e se rola algo que não podia ser visto então, a loucura fica pior ainda. Ou seja, os primeiros 2/3 do longa são bem complexos e interessantes pelos conflitos de ideias bizarras e loucuras que acabam acontecendo por muitas mentiras irem só piorando tudo, porém nos atos finais entra em cena o assassino que estava assistindo tudo, e então ficamos nos perguntando qual a motivação do cara para matar, por quais motivos ele gosta de assistir as pessoas nas casas, e isso não é explicado, apenas mostrando sua rotina, o que acaba sendo ainda mais bizarro, ou seja, é daqueles filmes que o assassino apenas mata por gostar de matar, como já vimos diversos outros serial-killers. E assim sendo, somente quem gostar desse vértice do terror acabará gostando do fechamento, pois de resto acabou ficando como um longa com um tremendo potencial, que não souberam finalizar.

O longa nos conta que dois casais em um retiro à beira-mar começam a suspeitar de que o dono da casa alugada, aparentemente perfeita, pode estar espionando-os. Em pouco tempo, o que deveria ser uma viagem comemorativa de fim de semana se transforma em algo muito mais sinistro, à medida que segredos bem guardados são expostos e os quatro velhos amigos passam a se ver sob uma luz totalmente nova.

Diria que a estreia de Dave Franco em uma nova posição no cinema foi até que muito bem feita, pois o longa tem um clima tenso do começo ao fim, e mesmo com a ideologia estranha de matar por matar (sei que existem malucos assim, mas não é o melhor do terror!) acaba entregando cenas que ficamos esperando por qualquer coisa que possa nos assustar ou chocar, e como costumo dizer, essa é a essência de um terror tradicional. Ou seja, a história criada por Franco é boa, tem uma pegada intensa, porém faltou aquele extra para que ao final nos impressionássemos com tudo, ficássemos com medo de um maluco desse solto por aí, e até quisesse quem sabe uma continuação (que praticamente já foi mostrada inteira nos créditos), e assim sendo ele estrearia com chave de ouro. Mas uma grande sacada dele foi não apelar tanto para as diversas câmeras da casa, que até daria um clima mais diferenciado para o longa, porém cansaria e não impactaria, de forma que o que vemos até que foi funcional, e só não foi bem finalizado.

Sobre as atuações, o elenco conseguiu se entregar bem em cada um dos momentos, fazendo trejeitos de todos os estilos, e sabendo dosar as intensidades cênicas para que o filme ficasse mais aberto, e isso foi bom para a proposta, de modo que chegamos a desconfiar bem do principal elemento, e claro ficamos indignados com as besteiras que acabam fazendo para ocultar suas mentiras, e assim sendo diria que todos foram muito bem escalados e dirigidos. Dan Stevens deu seu tradicional ar canastrão de galã, que logo de cara já sabemos aonde vai dar com seu Charlie, e a cada nova cena tudo é preparado para os demais momentos, ao ponto que o ator colocou até um pouco de raiva para chamar atenção, mas nem precisaria, funcionando bem até o fim. Alison Brie exagerou um pouco em trejeitos desesperados, e seus atos nervosos ficaram bem artificiais, mas de certa forma sua personagem Michele pedia isso, e assim sendo acertou também, mas poderia ser menos surtada. Sheila Vand deu o tradicional ar critico em cima de mulheres estrangeiras, brincando com xenofobia, e entregando momentos bem intensos com sua Mina, agradando desde o ar sedutor até os momentos mais desesperados dela. Jeremy Allen White veio com seu Josh com ares que já sabíamos o rumo que tomaria, mostrando alguém sem controle tanto na língua, quanto na força física, de modo que ficamos só esperando rolar tudo, mas foi bem feito seus atos surtados, e claro suas loucuras. Já Toby Huss trouxe um Taylor misterioso, racista e com muitas palavras e frases duplas, de modo que acabamos ficando com raiva dele, e isso foi um acerto para a trama, de modo que seu resultado acaba chamando atenção ao menos.

Visualmente a equipe encontrou uma locação de tirar o fôlego, com uma casa imponente, cheia de detalhes cênicos incríveis, com um penhasco imponente de fundo, uma floresta densa que debaixo de muita névoa deu o tom para as cenas de perseguição, e que de modo geral mostrou todo o trabalho intenso que tiveram para tudo, ao ponto que cada detalhe conta, e que acaba envolvendo bastante com tudo. 

Enfim, volto a dizer que o resultado foi um filme interessante, mas que foi mal finalizado, de forma que quem gosta de um terror mais violento vai reclamar bastante, e que quem gosta de tomar mais sustos também irá reclamar, sendo para aqueles que curtem o meio termo funcional e bem planejado, e sendo assim só recomendo para esses. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, afinal esse mês está recheado de boas estreias do gênero, então abraços e até logo mais.


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Netflix - The Boys In The Band

10/01/2020 12:23:00 AM |

Diria que conferir o longa da Netflix, "The Boys In The Band", seja conhecer um pouco mais de um mundo que sabemos pouco, mas que vemos muito acontecer seja tanto como algo discriminatório, quanto como algo forçado as vezes, e isso é algo completamente válido da trama, e que funcionou exemplarmente na peça teatral ao ponto de ganhar um Tony Award que é o prêmio máximo do teatro, porém para um filme acabou ficando teatral demais, forçando os diálogos, criando um ambiente digamos até que insalubre de dinâmicas, de forma que tudo ali soa até artificial demais, não condizendo a realidade de muitos homossexuais. Claro que é um filme importante pela essência passada, muitos irão se identificar com um ou mais personagens, mas poderiam certamente ter feito algo mais cinematográfico e menos teatral, para que o filme tivesse uma desenvoltura melhor, e assim sendo, como costumo dizer, levar uma peça para o cinema só funciona se souberem ampliar, pois manter no mesmo tom, é falhar demais.

O longa nos situa em 1968, na cidade de Nova York - quando ser gay ainda era considerado melhor manter a portas fechadas - aonde um grupo de amigos se reúne para uma festa de aniversário barulhenta hospedada por Michael, um roteirista que gasta e bebe muito, em homenagem a Harold de língua afiada. Outros participantes da festa incluem Donald, ex-paixão de Michael, agora atolado em auto-análise; Larry, um atrevido artista comercial que mora com Hank, um professor que acaba de deixar sua esposa; Bernard, um bibliotecário que anda na ponta dos pés em torno de códigos de amizade repletos de Emory , um decorador que nunca se detém; e um traficante ingênuo contratado para ser o presente de Harold pela noite. O que começa como uma noite de drinques e risos é interrompido quando Alan, o companheiro de quarto de faculdade de Michael, aparece inesperadamente e cada homem é desafiado a confrontar verdades enterradas há muito tempo que ameaçam os alicerces do forte vínculo do grupo.

Sei que o diretor Joe Mantello quis manter ao máximo o roteiro e a dinâmica de Mart Crowley, e claro ao filme dos anos 70, porém com toda a tecnologia e amplitude que o tema tem hoje bem mais aberto, talvez a ideia de explorar um algo a mais funcionaria melhor, pois todos os personagens são bem interessantes, possuem estilo e vértices completamente prontos para uma boa execução, porém em uma festa mais impactante, uma brincadeira mais funcional, e até mesmo uma gritaria mais centrada daria um impacto mais coerente e envolvente para que o público conhecesse os diversos tipos presentes ali, e claro, suas versões de amor. Porém, como a proposta foi ser mais seguro mesmo, alguns até podem gostar, mas acredito que a maioria irá mais se cansar de tudo, pois todo o chamariz dinâmico do começo morre ao chegar no apartamento.

Sobre as atuações, já que temos um filme praticamente 100% dialogado, o destaque é claro não podia ser outro, e Jim Parsons entrega um Michael imponente, cheio de cenas explosivas bem colocadas, e principalmente dominando toda a conexão com todos ao seu redor, sendo mais que o anfitrião da festa, mas sim um maestro das situações. Zachary Quinto trouxe para seu Harold a versatilidade cênica, com uma língua afiadíssima e direta em cada momento, mas calmo demais para tudo o que está rolando, ao ponto que seus respiros chegam a ser fortes e funcionais, mas cansam um pouco. Matt Bomer trouxe para seu Donald quase que um espectador em cena de tudo, e acerta por não soar forçado com tudo o que rola, chamando atenção e agradando bem. Robin de Jesús fez de seu Emory aqueles personagens escandalosos no máximo, que divertem, mas que acabam até irritando em certo momento. O casal vivido por Tuc Watkins e Andrew Rannells até chega a ser bem interessante de ver pelos opostos, de forma que a história de ambos entrega bons atos e faz com que seus Hank e Larry até valeriam um algo a mais no desenvolvimento da trama. A história fora do apartamento do Bernard de Michael Benjamin Washington é até melhor que seus atos ali dentro, mas o ator foi coerente nas emoções e acabou chamando atenção. Agora sem dúvida os pontos mais risíveis da trama ficaram a cargo dos atos bobos e ingênuos de Charlie Carver com seu Tex, mas certamente poderia ter ido mais além. E finalizando o elenco, Brian Hutchison deu um tom forte para seu Alan, com comentários e atitudes extremistas bem imponentes, e cenas que achávamos que até iriam para outro rumo, mas de certa forma o ator foi bem no que fez.

Visualmente o apartamento de Michael é cheio de elementos cênicos marcantes da época, com discos clássicos, quadros, roupas, objetos pequenos, abajures, luzes e tudo mais para dar o tom dos artistas dos anos 70 com suas casas com tudo e muito mais, de forma que a equipe compôs bem os elementos, fez tudo se enquadrar de forma bonita, mas é um palco quadrado sem muita profundidade e que tudo rola num único ambiente, e mesmo nas cenas fora dali, tudo é muito rápido, mostrando que a equipe nem quis ir muito além, valendo claro pelas cenas de Emory em seu baile cheio de brilho e Bernard com sua cena na piscina a noite, mas nada que impressione muito.

Enfim, é um filme que é bem feito dentro da temática, mas que merecia uma exploração muito maior, afinal elenco de ponta tinha, roteiro tinha, só ficou faltando o diretor ter um pouco mais de coragem para ir além, que aí sim seria um filme para recomendar de olhos fechados, porém da forma entregue, se fechar o olho dorme. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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