Netflix - Amores Canibais (The Bad Batch)

5/12/2020 01:01:00 AM |


Se você quer deixar esse Coelho que vos digita irritado, indique um filme 100% subjetivo, cheio de ideias jogadas para o ar, e insira bons atores, pois aí caio igual um patinho para conferir e ver no que dá, e claro, fico com mais raiva ainda. Dito isso, se você quiser perder quase duas horas de sua vida vendo um filme abstrato, maluco, com nuances completamente sem sentido, numa viagem que só o roteirista drogado com as drogas do filme, e o diretor conseguiram entender o que desejavam mostrar, veja "Amores Canibais" da Netflix, pois é daqueles longas que você beira a dormir, mas tenta segurar, pois se já não está entendendo nada do que está ocorrendo acordado, imagina se perder alguma parte então, mas nem assim. Claro que o filme tem algumas cenas violentas interessantes no melhor estilo "Jogos Mortais", tem excelentes atores mal aproveitados, e brinca muito com a ideia de sair do conforto, mas também não ficar debaixo da ponte, e se você entender isso até não vai ficar tão desapontado, mas confesso que certamente na plataforma tem muitos outros filmes melhores para perder tempo do que ver essa bagunça non-sense que entregaram aqui.

O longa segue Arlen depois que foi deixada em um terreno baldio no Texas, isolado da civilização. Enquanto tenta navegar na paisagem implacável, Arlen é capturada por um grupo selvagem de canibais liderados pelo misterioso Miami Man. Com sua vida em risco, ela segue para ao lado Sonho, e enquanto ela se ajusta à vida no 'lote estragado', descobre que ser bom ou ruim depende principalmente de quem está ao seu lado.

Não conhecia nenhum trabalho da diretora e roteirista Ana Lily Amirpour, e se depender da primeira impressão que conseguiu passar com esse filme, nem sei se vou querer ver outro longa dela (apesar que se até a plataforma já está sabendo me enganar com indicações, qualquer um consegue!), pois seu filme até pode ter uma ideia interessante pela sinopse, a forma visual entregue pelo trailer é um show de estética, mas praticamente os 2 minutos de trailer são somente os 2 minutos de coisas interessantes da produção, de forma que até grandes atores foram tão mal utilizados na trama que acabamos desanimando com tudo que é passado, ou seja, é daqueles filmes de quase duas horas que se você for daqueles que para o filme a cada momento cansativo, vai passar um mês para conseguir acabar ele, que é praticamente a duração que o longa se passa na nossa mente, pois são tantas abstrações, são tantas ideologias vagas, que nosso cérebro fica pensando: "aonde será que isso vai dar", e quando realmente parece que algo vai andar, a trama se sujeita a cenas curtas fracas (uma tonelada de mulheres com rifles, contra uma sem uma perna e sem um braço com um revólver - quem você acha que vai ganhar se começar a atirar?). Ou seja, um desperdício completo de tudo.

Chega a ser triste falar das atuações, pois temos um elenco de grandes nomes que acredito que nem souberam direito o que estavam fazendo no filme, a não ser recebendo seus grandes cachês, pois Jason Momoa faz seu Miami Man com olhares misturando malvadeza com sedução, incorporando força e claro seu estilo tradicional que já vimos em outros filmes, mas parece não estar muito preocupado com nada, entregando simplicidade até mesmo nos atos mais fortes, ou seja, fraco de ver. Suki Waterhouse entregou ares bem distópicos para sua Arlen, com momentos de desespero, outros de muita garra, alguns exagerados, mas chega a ser risível sua cena de resgate/sequestro, pois enfrentando as mulheres ultra-armadas de um ator conhecido por ser o rei das lutas com armas não tem como acreditar. Dito isso, vamos claro para nosso querido John Wick, ou melhor Keanu Reeves com seu Sonho, que parece estar sonhando em sua eterna Matrix no filme junto de seu harém, aonde até vemos alguns atos seus mais dinâmicos como a chamada em cima do carro de som, mas só sua entrada triunfal, meia dúzia de dizeres, e pronto, já acabou, para depois ter mais meia dúzia junto da protagonista numa jogada chata, e nada mais, ou seja, decepcionante. Agora se você quer um ator gigante mal aproveitado, saiba que Jim Carrey está no filme (sim!!!), e precisei parar os créditos para ver quem era, e olha ele como o eremita que fica vagando pelo deserto, que ajuda ambos os protagonistas nos seus momentos mais fortes, e sequer conseguimos enxergar ele no personagem, pois não fala nada, não tem atitudes, mas ao menos tem atos bonitos, que não serviram para nada, mas ao menos foi um personagem razoável, que poderia ser qualquer ator menor. Ou seja, não dá para acreditar que todos aceitaram se submeter a um filme tão fraco e ruim, que talvez a melhor atuação, seja a garotinha emburrada vivida por Jayda Flink, mas como disse, se usarmos os nomes dos personagens e locais e criar perspectivas, até dá para ser coerente e entender um pouco, mas não tem como ficar feliz com nada.

O visual desértico, com locais destruídos, como a ponte, aonde as pessoas catam coisas no lixão para sobreviver, comem os que são jogados ali, e sobrevivem com uma loucura para malhar seus corpos ao sol quase que numa prisão louca se contrapõe aos loucos e drogados no confortável mundo do sonho, aonde qualquer música/rave vira alegria com os alucinógenos, para depois viver o momento ali, enquanto o grande dono de tudo vive num palacete recheado de comidas, mulheres grávidas armadas, piscinas quentes e quartos limpinhos, ou seja, uma contraposição bem maluca e interessante de ver o trabalho da equipe de arte, e no miolo a terra de ninguém, aonde se matam, e sobrevivem ao sol escaldante, ou seja, quase filosófico tudo que tentaram nos mostrar.

Outro ponto bacana da produção foi a escolha musical, ou seja, algo que até tentaram usar para dar um ritmo para a produção, porém infelizmente mesmo com boas canções o resultado acaba não empolgando em momento algum, mas vale deixar o link para a conferida, pois não é culpa da trilha sonora que o filme tenha ficado chato demais.

Enfim, é daqueles filmes que você irá pensar muito para tentar conectar toda a abstração entregue, que até enxergará uma pequena luz no fim do túnel, mas o túnel é interminável, então fica difícil conseguir chegar nesse final, e com tantas maluquices, tantas cenas estranhas desperdiçando o talento dos artistas, minha recomendação é que você nem em sonho clique para ver a trama, pois são quase duas horas daquelas que você não vê a hora de acabar, e sendo assim, melhor procurar outro filme na plataforma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Andar. Montar. Rodeio. - A Virada de Amberley (Walk. Ride. Rodeo)

5/11/2020 01:48:00 AM |


Se tem um estilo de filme que você pode conferir sabendo 100% o que irá ver é o tal dos longas de esportistas que sofrem algum acidente e tentam voltar ao que faziam após superar o trauma, claro que passando por muitos perrengues, muitos momentos de ódio pela vida, e tudo mais que casualmente colocam, algumas vezes com superações pessoais e familiares, outras indo para o lado da religiosidade, mas sempre entregando alguma mensagem positiva no contexto. E claro que sabendo disso, nesse momento maluco que estamos, muitos estão procurando longas com essas mensagens, e mesmo alguns antigos que já foram lançados na plataforma a algum tempo começam a pipocar como sugestões na Netflix, e eis que um que até tinha colocado na minha lista apareceu hoje para que eu conferisse e resolvi dar a chance para "Andar. Montar. Rodeio. - A Virada de Amberley", que tem uma premissa bacana, mostrando a superação da jovem, que no ápice de suas montarias, ficou paraplégica em um acidente. Ou seja, tem momentos para se emocionar com a força de vontade da garota, tem os tradicionais momentos que dá vontade de socar a personagem pelas atitudes egocêntricas (mas que sabemos que ninguém está na pele e no sofrimento dela, então relevamos), e claro tem os romances, afinal temos uma garota bonita, no começo da vida acadêmica, e claro que sendo uma história real, iriam mostrar seus affairs. Não digo que seja um filme ruim, pois ele tem seus méritos, mas é tudo tão previsível, com atuações forçadas (chego até ouvir as vozes da dublagem que foram colocadas, mesmo assistindo legendado), e que certamente veríamos passar diversas vezes numa sessão da tarde na TV pelas mensagens de superação, porém poderiam ter emocionado mais em alguns atos e não serem tão diretos em outros, que aí o resultado seria melhor.

A sinopse nos conta que mesmo após sofrer um terrível acidente de carro que a deixa paraplégica, a jovem Amberley Snyder não desiste de seu maior sonho: se tornar a maior campeã de rodeio do país. Apesar de já ser a atual campeã, ela se esforça para prosseguir como a número 1 e volta aos treinos pronta para superar qualquer obstáculo.

O diretor Conor Allyn foi bem centrado no que desejava mostrar, criando um filme até com uma pegada emotiva cheia de curvas, que certamente pode pegar alguns, porém ele apenas desenhou seu filme com momentos marcados, não fluindo eles com uma força natural do estilo de longas de superação, e com isso até vemos os momentos duros que a personagem real viveu, vemos seu ego e desespero afrontar tudo e todos quando estava com uma infecção, e temos as situações sendo trabalhadas com uma forma doce e bem colocada, porém faltou ao diretor não quebrar tanto o tempo da trama, ou então usar artifícios mais comuns para que isso ocorresse sem ficar parecendo um aglomerado de cenas filmadas. Ou seja, ainda temos um bom roteiro, uma história real forte e bem contada, mas faltou desenvolver melhor um filme, e esse erro é comumente sentido por falhas na edição quando querem cortar demais um filme que ficou longo demais, ou por o diretor não preparar cenas suficientes para que o filme tenha uma fluidez melhor, e aqui aparentemente foi essa segunda opção, pois mesmo nas lembranças da protagonista de seus atos de glória nos momentos mais difíceis, acabamos vendo as mesmas cenas, ou seja, o resultado foi travado demais. Mesmo com esse defeito, não digo que seja um filme ruim, muito pelo contrário, ele é bonitinho, tem uma atriz que tem bons trejeitos, mas não faz chorar como deveria, e assim sendo faltou muito para chegar no topo do estilo.

No quesito das atuações, a jovem Spencer Locke entregou uma Amberley com muita personalidade, cheia de dinâmicas, mas com poucos trejeitos faciais, tanto que mesmo nos momentos em que está triste ficamos com dúvidas do que está sentindo se é dor ou outra coisa, mas nos momentos dialogados ela foi bem coesa, se colocou bem nos atos próximos dos animais (embora ao final ficamos sabendo que em todos os momentos a dublê de corpo dela nas montarias foi a verdadeira Amberley), e com isso sua atuação ao menos foi coerente com tudo, agradando de certa forma, mas que certamente o diretor poderia ter exigido mais dela. Missi Pyle entregou uma mãe meio estranha com sua Tina, de forma que pareceu mais a treinadora do que a própria personagem, fazendo trejeitos estranhos e forçados, mas que funcionaram no momento em que vê a caminhonete destruída, porém nos outros atos voltou a forçar e soou não muito agradável seu estilo. O pai vivido por Bailey Chase trabalhou bem, mas apareceu pouco, só em momentos espaçados, e isso soou um pouco estranho na trama, e embora mostre que ele é um treinador/competidor de outro esporte, no filme ficou meio que jogado seus sumiços. Max Ehrich foi simples, mas carismático com seu Tate, entregando o tradicional partido que chama a atenção das garotas que conferirem o longa, mas assim como o outro rapaz que poderia ter dado liga, só aparece em momentos chaves, e isso deixou o personagem solto demais na trama, aliás foi usado mais para divulgar a canção tema do filme do que como ator mesmo. Quanto os demais, se os protagonistas evaporaram de aparecer, então o restante podemos dizer o mesmo, com raros momentos bons de Corbin Bleu como o terapeuta Diego e Catharine E. Jones como a enfermeira Jenkins, mas nada de muito surpreendente.

O visual da trama foi todo claro puxado para o country, com uma casa/rancho bem rústica, com detalhes todos puxados claro para a prática de montaria, só caminhonetes imensas, e um hospital bem montado para mostrar os detalhes das operações da moça, além claro das arenas de montaria simples no começo, até chegar na grandiosa do final. Ou seja, a equipe de arte até retratou bem os momentos de luta da jovem com sua cadeira de rodas, os artifícios montados para ela voltar a cavalgar, e tudo com muitos detalhes marcando cada momento, mas nada que mostrasse um trabalho imenso, tirando claro a cena do capotamento que foi feita com uma imponência bem detalhista de tensão, embora seja um clichê bem marcado o que acabou acontecendo.

A parte sonora do filme foi bem ritmada com uma pegada country, e contou com boas canções para dar liga na trama, mas talvez se tivessem usado alguns temas mais melódicos e dramáticos o acerto triste que o filme precisava seria melhor tomado, mas ainda assim vale conferir as canções, então deixo aqui o link para conferirem.

Enfim, é um filme que serve bem de passatempo, que certamente veríamos ele tranquilamente em algum momento numa sessão da tarde na TV caso não fosse exclusivo da plataforma, e que alguns podem até se emocionar mais com a trama, mas como disse acima, faltou mais conexão e uma montagem mais sensitiva para parecer realmente um filme e não uma junção de cenas da vida da moça. Ou seja, ainda vale a conferida sem muitas pretensões, mas poderia ter ido muito além. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Mudo (Mute)

5/10/2020 02:13:00 AM |


É interessante que mesmo passando quase 40 anos, ainda fazem a maioria dos filmes futuristas com o estilo e visual de "Blade Runner", e isso não é ruim, muito pelo contrário, pois o clássico definiu um molde que não aconteceu 100% como as pessoas imaginavam o futuro que seria a época que estamos vivendo, mas quem sabe mais para a frente! Dito isso, o longa da Netflix, "Mudo" tem todo um conceito visual abstrato, cheio de nuances bem trabalhadas num futuro violento na Alemanha, que consegue desenvolver bem os elos românticos do protagonista só se expressando com olhares, até seus atos violentos em busca da amada, e a grande sacada ficou bem para o final, pois o longa acaba trabalhando tantos personagens que achamos desconectados, mas que ao final tudo se encaixa e agrada bastante. Claro que sendo um filme conceitual, a velocidade da trama é meio arrastada, mas de certo modo acaba envolvendo bastante, e o resultado acaba impressionando. Não diria que é um filme incrível, mas a trama consegue ser bem amarrada e interessante de conferir, ao ponto que vamos meio que até ficando confusos com todas as situações, com os diversos temas polêmicos que acabam jogando na tela, e o resultado final funciona muito bem resumindo a ideia toda, ou seja, promete bastante durante todo o desenvolvimento, e finaliza cumprindo com a essência, mas que certamente alguns irão esperar outro final.

O longa nos situa em Berlim, no ano de 2056, aonde Leo é um bartender mudo e completamente apaixonado pela namorada, Naadirah. Quando ela desaparece, Leo parte em uma jornada pelo submundo que o leva a lidar com cafetões, um médico desertor do Exército e seu melhor amigo, que possui uma forte tendência à pedofilia.

O diretor e roteirista Duncan Jones tem um estilo forte e cheio de criatividade que imprime sempre em seus filmes, tanto que mesmo em filmes com potencial baixo, ele acaba fluindo para nuances imponentes, temas para se refletir, e acaba saindo de sua caixinha para ir bem além em tudo o que faz, e aqui não foi diferente, pois só de ler a sinopse você já pode ver todo o ambiente "amigável" que ele nos situa, e que o protagonista irá percorrer. Claro que o filme não é daqueles que você entra sorrindo e continua até o fim, pois com temas fortes, e uma estrutura bem pegada, o diretor acabou desenvolvendo seu filme com uma desenvoltura clara para mostrar o desespero de um homem em saber o paradeiro de sua paixão, através de seus meios pouco comuns, afinal não pode falar, não sabe lidar com tecnologias, mas tem força de vontade e força nas mãos, e vai até o fim das consequências para conseguir. Ou seja, a trama é boa, o estilo de direção é bem bom, a produção é cheia de detalhes tecnológicos, as reviravoltas são bem montadas, porém temos um leve problema, o ritmo é meio devagar, e tem uma formatação meio que seriada, de forma que o filme se fosse capitulado, com mais quebras como é uma série ou minissérie, resultaria em algo bem mais interessante, mas como não foi essa a proposta, ao menos o resultado final funcionou para todo o restante.

Um ponto bem interessante do filme é que o elenco tem atores bem conhecidos, mas que estão tão diferentes do que fazem naturalmente em outros longas, que até acaba sendo estranho ver eles na tela, e claro começamos com Alexander Skarsgård que foi imponente com seu Leo sem falar, só fazendo trejeitos corporais e com olhares precisos, com uma maquiagem de olheiras fortíssima nas cenas que ficou acordado por um bom tempo lendo a lista telefônica (já que o rapaz em pleno 2056 não curte tecnologias), e mesmo ficando sumido em alguns atos para que o filme desse destaque para outros personagens, ele conseguiu chamar a atenção e ser bem correto em tudo. Paul Rudd que acostumamos a ver como Homem-Formiga nos últimos anos, mas que costumeiramente cai sempre bem em comédias, aqui até trabalhou bem o humor negro de seu Cactus Bill, ao ponto de em alguns atos torcermos para ele, em outros querer que soquem sua cara, e que de certo modo foi forte na medida certa para que o personagem não desandasse e ainda chamasse a atenção, ou seja, em diversos momentos ficamos pensando o motivo de mostrar tanto ele e seu amigo, quase sumindo completamente o protagonista da história, mas depois que ele entra pra jogo vemos que foi bem necessário seus atos. Da mesma forma, Justin Theroux trabalhou seu Duck com estilo, fazendo algumas coisas bem loucas no miolo junto de Cactus, que falamos meio que nada a ver, mas quando chega nos atos finais tudo é tão denso para cima de seu personagem, que sequer pensamos naquilo, então vem o ato no quarto, e meus amigos é tenso, mostrando que o ator foi muito bem trabalhado para executar a precisão. Seyneb Saleh foi bem com seu cabelo azul, seus olhares apaixonados, até teve uma dinâmica bem coesa nas cenas que aparece com sua Naadirah, mas depois some, e vira o motivo da caça do protagonista, então nem teve muito tempo para chamar atenção, e assim seu resultado foi simples demais. Já um personagem completamente secundário, que no roteiro certamente ninguém nem notaria ele, mas que o ator acabou dando ótimos trejeitos e ensejos foi Robert Sheehan com seu Luba, que brincou com os vários lados, trabalhou nuances, e agradou bastante. Além desse, o filme tem muitos outros personagens que acabaram tendo boas conexões, mas não vou ficar entrando em detalhes, e apenas digo que a escolha foi bem acertada para todos.

Quanto do visual do filme, já disse no começo e o visual futurista cyberpunk lembrou muito "Blade Runner", mas claro que com devidas proporções orçamentárias, aqui temos elementos menos funcionais dramáticos, e mais condições fechadas, aonde o filme acaba se passando mais dentro dos ambientes, claro que tirando a cena de perseguição de um carro antigão por alguém que nem sabe dirigir direito atrás de uma nave voadora (absurdo monstruoso que nem em sonho aconteceria, quanto mais funcionaria!!), além de objetos sexuais bizarros nas casas de cafetões, muita simbologia nos elementos cenográficos para cada ato importar algo a mais, e com isso vemos casas com ambientes de tortura, clubes/boates com robôs dançarinos e mulheres com visuais exóticos, bairros com classes e pessoas diferentes, e tudo se conectando num macro maior, ou seja, um filme que a equipe de arte teve de pensar muito para criar, e que a equipe de computação gráfica sofreu bastante para executar, mas que funcionou tanto como uma grande produção, como com uma fotografia tecnológica interessante com muitas cores vibrantes, muitos tons escuros para dar dramaticidade, e que resultou em algo marcado pelo tempo certinho de execução.

Enfim, é um filme que tem uma proposta bem interessante, que chama a atenção, que tem atos fortes, mas que peca em diversos momentos, que acabam fazendo até com que o público desista de conferir a trama na metade, ou que não se envolva completamente com tudo o que passa, tanto que como falei no começo, talvez o filme sendo quebrado em três partes e virando uma minissérie teria mais resultado, pois poderiam desenvolver mais os personagens, criar seus momentos marcantes, e o resultado seria bem melhor, mas nem sempre tudo ocorre da melhor forma, e sendo assim, ainda digo que vale a conferida, mais pela produção em si, do que pela história na complexidade que queriam passar, e assim sendo fica a dica. Bem é isso pessoal, paro por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - 18 Presentes (18 Regali) (18 Presents)

5/09/2020 02:53:00 AM |


Sempre digo que se um filme tem um bom produtor e/ou um bom distribuidor, ele sabe a data certa para lançar o estilo do seu filme nos cinemas, ou no caso aqui, nas plataformas digitais, pois tem longas que mesmo bonitos na essência, se acertam no momento do lançamento acaba virando sucesso. E certamente o sucesso da semana das mães na Netflix vai ficar a cargo do longa italiano, "18 Presentes", que tem uma trama bem bonita, com pegada simples, mas efetiva para emocionar e passar sua mensagem de valorizar o que deixaram para você na sua história, e que usando de muito traquejo que já vimos em outros filmes do estilo consegue cativar de uma maneira gostosa e fácil de acompanhar. Ou seja, é daqueles filmes que certamente lembraremos pela mensagem, pelas boas atuações, e que mesmo não sendo nenhuma grande obra de arte, ainda recomendaremos quando alguém pedir um filme bonito para ver.

A sinopse nos conta que Elisa tem apenas quarenta anos quando uma doença incurável a tira do marido e da filha deles. Antes que seu coração pare, Elisa encontra uma maneira de ficar perto dela: um presente para todos os aniversários até a idade adulta, 18 presentes para tentar acompanhar o crescimento de seu filho ano após ano.

Se tem uma coisa que fiquei bem triste foi quando parou de vir o Festival Pirelli de Cinema Italiano para o interior, pois da mesma forma que vinham bombas imensas, vinham filmes belíssimos, pois o cinema italiano não tem meio termo, eles jogam tudo com tanta paixão, com tanta loucura, que ou fica lindo ou você quer sair correndo de tanta raiva, e aqui o diretor e roteirista Francesco Amado se inspirou numa história real, que ao final mostra a homenageada, e ele soube colocar muito envolvimento em cada parte de sua trama, ao ponto de até notarmos de cara o que aconteceu, mas não ao ponto do cruzamento ficar interessante, e assim o filme surpreende aos poucos da mesma forma que acerta por não querer exagerar na trama para emocionar. Ou seja, é um filme que quem for mãe talvez até se emocione mais, mas o diretor não forçou a barra para que o público lavasse a sala de casa, ele apenas soube dosar cada momento de maneira leve, ao ponto de irmos conectando com tudo, e chegar ao final acreditando na mensagem de valorizar os momentos, pois mesmo sendo pensados lá atrás sem qualquer conhecimento, o mundo pode ter preparado algo a mais ali para você.

Sobre as atuações, confesso que ao ver o começo bem promissor de Vittoria Puccini, fiquei triste pensando nossa vai morrer logo e não iremos ver sua desventura de uma forma melhor, mas ao trabalhar toda a trama para conhecermos mais sua Elisa, ver seus atos, sua forma de pessoa, e tudo mais como foram suas escolhas de presentes, acabamos vendo uma atriz tão boa, que queremos ver mais dela, e assim seu resultado foi bem encaixado e correto em cada momento. A jovem belíssima Benedetta Porcaroli também fez uma Anna imponente, cheia de marra, com personalidade forte e marcando seus atos com estilo, ao ponto de pensarmos, nossa até onde ela vai dessa forma, mas seu segundo ato é tão gostoso e cheio de bons momentos, que a virada poderia até ocorrer um pouco antes para tudo se encaixar melhor, mas a atriz tem potencial, e certamente veremos mais dela futuramente. Edoardo Leo trabalhou seu Alessio com um tom abaixo nos atos que fez o personagem já velho, ao ponto de que poderia ser mais chamativo, e nos atos jovem entregou alguém meio sem noção demais, mas que ao somar seus dois momentos, acabamos vendo alguém que sofreu muito com a perda, e precisou se reencontrar, e seu momento no balanço foi bem fluído ao ponto de entendermos um pouco mais disso, e ver que o ator analisou bem o personagem para ter essa liga toda. Quanto aos demais, a maioria fez apenas ligações de personagens, tendo um ou outro ato mais chamativo, mas nada que fosse imponente de se lembrar, claro tendo um leve destaque para Sara Lazzaro com sua fogosa Carla, que num primeiro momento até passa despercebida, mas depois entendemos um pouco mais da personagem, e sua importância.

O visual do longa não entrega nada que você se deslumbre, que tenha cenografias montadas para cada ato, pois foram bem coesos na escolha de um bairro bonito de casas bem parecidas para dar uma formatação nas cenas aéreas e de movimento, tendo claro um luxo de uma cena num muro que dá para a cidade inteira, e alguns atos com elementos cênicos marcantes para envolver e chamar como livros, camisetas, cadernos de anotações, receitas, além de marcas pessoais, e muitos pequenos detalhes para que cada momento fosse representativo, além claro das cenas no hospital, na ala de reuniões de pacientes, e até um bar temático escolhido para se desenvolver rapidamente a cena inicial, ou seja, a equipe de arte teve de trabalhar com cada pinguinho do roteiro para simbolizar tudo, e dar as nuances que o diretor necessitava, e o acerto foi bem bacana de ver.

Enfim, é um filme simples e bonito de ver, que passa sua mensagem, que funciona bem na data, e que quem gosta do estilo acabará se envolvendo com o que é mostrado durante as quase duas horas que passa voando pela boa dinâmica da trama. Claro que possui defeitos, possui clichês do estilo, mas de certa forma o resultado agrada mais do que erra, e assim sendo vale a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Não Estava Morto, Estava na Balada (No Andaba Muerto, Estaba de Parranda)

5/07/2020 02:17:00 AM |


Todos gostamos muito de dramas e suspenses daqueles que ficamos pensando por horas, tensos na cadeira/sofá, mas também temos aquele momento de ver as comédias bobas, as românticas e até mesmo os famosos besteirol/pastelão, afinal servem para passar um tempo, rir do absurdo e até comparar com outros que saem por aí para não criticar o primeiro que já sai falhando. Dito isso hoje resolvi cair em um que nem estava na minha lista da Netflix, mas estava nos lançamentos da semana, então resolvi arriscar, e eis que o colombiano "Não Estava Morto, Estava na Balada" lembra muito os filmes nacionais estrelados por Leandro Hassum, mas com um humor menos forçado ao menos pelo protagonista, mas mais bobo pelos personagens secundários, de modo que o filme até tem bons ensejos, diverte com um belo passeio por locais turísticos famosos na Europa, mas poderia acabar melhor, pois foi o fechamento mais jogado possível que já fizeram em um filme, além das armas serem falsas demais ao ponto de não dar para acreditar de forma alguma. Ou seja, é um bom passatempo, que você não pode esperar nada dele, mas quem gosta de uma comédia besta vai acabar rindo. 

A sinopse nos conta que Juan Pablo, ao saber que ia morrer, pensou em roubar a máfia e gastar cada centavo na Europa com Javier, seu único amigo. Assim, esses humildes funcionários embarcam em uma jornada cara e divertida, com a cumplicidade de Monica, sua colega de trabalho. A rumba, lutas clandestinas e um assassino que as persegue, fará com que vivam todos os tipos de aventuras nessa louca viagem. O que você nunca imagina é que eles teriam que responder pelo dinheiro gasto, já que Juan não estava morto, mas estava festejando!

O mais bacana de comédias no formato besteirol é que elas sempre possuem dinâmicas bem rápidas, não cansam, e geralmente possuem sacadas próprias que você acaba achando até idiota demais alguém fazer aquilo, mas é do estilo, e o diretor Fernando Ayllón soube conduzir sua trama com uma pegada bem pontual, usando de efeitos para mostrar as mudanças de cidades/países, deixou que os protagonistas se divertissem bem com suas peculiaridades, e trabalhou o texto sem muitos exageros, tanto que nos erros de filmagens que mostraram ao final vemos que algumas cenas foram feitas de diferentes maneiras, ou seja, ele criou bem dentro do texto, mas deixou que os protagonistas se desenvolvessem, e assim o resultado ficou leve e divertido, embora forçado dentro do possível, mas sem exagerar tanto como vemos em muitos filmes do estilo.

Sobre as atuações, é bacana ver a química dos protagonistas durante a viagem, mas confesso que no escritório não deu muito certo os atos não, de modo que Nelson Polanía foi tão exagerado de trejeitos com seu Javier, que chegamos a ter até raiva de tudo o que faz, numa tentativa de soar engraçado com bobeiras e atos toscos que chegam até a desanimar, mas felizmente esses trejeitos bobos durante a viagem acabam funcionando dentro da proposta, e assim se salva um pouco. Já Ricardo Quevedo é daqueles atores que não possuem muita graça no estilo, mas que acaba se envolvendo em situações engraçadas que chamam atenção para seu Juan Pablo, e ele se entrega bem, fazendo com que o personagem seja bem crível e funcional na trama, ou seja, não desaponta. Liss Pereira até tentou ser chamativa com sua Mônica, sabendo ser um misto de espiã com contadora (acho que essa foi fora do comum na ideia do roteirista), e soube sem exagerar muito se segurar na trama (claro que tirando a cena de invasão da casa, que ali não tem uma que salva). Agora quanto aos demais, é lastimável os exageros de todos, desde o patrão mimado cheio de achismos, da empregada maluca que larga tudo pelo meio do caminho, do velhinho vendedor que morre trabalhando sem ganhar nada, da amante/namorada ninfomaníaca maluca, até chegarmos na mãe traficante bizarra, isso sem contar nos policiais, e principalmente no comandante policial, ou seja, uma bagunça completa de elenco, que faz rir pelo exagero, mas poderiam ter forçado menos, além de um assassino bizarro que perde na luta para os dois malucos.

No conceito visual, o ambiente na Colômbia é bem básico, com um escritório, uma casa mais chique da traficante e uma casa simples e efetiva do contador, com alguns poucos detalhes, e nada de surpreendente, porém ao saírem do país e chegarem na Europa, os protagonistas brincam bastante em Barcelona, mostrando escadarias e igrejas famosas, aonde fizeram seus gracejos com alguns elementos, depois foram para a França passear em Marselha com os navios e também sacanearam os famosos guias que tentam falam demais de coisas desnecessárias em museus, além de bagunçar com elementos históricos, depois indo para uma rinha de cobras, até chegar nas festanças de Ibiza, e voltar para a cena inicial dentro de um caixão, ou seja, tudo simples, mas efetivo para o funcionamento da trama, mostrando que a produção gastou um bom pacote de viagens para brincarem mundo afora.

Enfim, a trama não é, nem nunca será daqueles filmes que você verá esse Coelho elogiando tudo, pois como já disse outras vezes prefiro uma comédia que faça rir sem precisar exagerar em nada, tendo boas piadas, boas situações engraçadas, e que a diversão flua sozinha, porém passa bem longe de ser um filme ruim, dando para curtir tranquilamente sem precisar pensar em nada, para dar um refresco na mente depois de um dia cansativo, então fica a dica. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - O Mistério das Garotas Perdidas (Sabaha) (Svaha: The Sixth Finger)

5/06/2020 01:53:00 AM |

Se tem um país que os filmes dificilmente são comuns é a Coréia do Sul, pois sempre entregam filmes com ideologias tão diferentes, claro que culturais também, mas que se você vai esperando uma coisa, certamente será surpreendido por outra completamente oposta, e não foi diferente com o longa da Netflix, "O Mistério das Garotas Perdidas", que pela sinopse parecia ser um suspense, com uma pegada macabra de seitas, que envolveria tudo de uma forma bem maluca, mas que acabaram indo por um vértice tão estranho que ao misturar diversas religiões, mitologias e demônios numa missão policial, o resultado chega a causar sensações bem bizarras. Claro que se você pensar nesse conceito todo, certamente irá pensar num filme tenso, com grandes reviravoltas e tudo mais, porém aí é que entra o maior defeito da trama: a falta de ritmo, e nisso eles também são campeões, pois geralmente os filmes coreanos tem uma toada rítmica quase parada, daquelas que vamos cansando com tudo, e beiramos até dormir nas cenas mais impactantes, ou seja, não é um filme ruim, mas não causa tanta tensão, e ainda é muito devagar, e dessa forma certamente os amantes de um terror/suspense mais pegado irá desanimar até o final.

A trama nos conta que numa vila rural nasceram duas garotas gêmeas, porém uma delas nasceu com uma perna ruim, enquanto a outra nasceu com uma deformidade grotesca que ninguém esperava que ela vivesse mais do que alguns dias. Elas agora têm 16 anos. Enquanto isso, Pastor Park é chefe de um centro de investigação religiosa que expõe cultos e líderes de cultos. Enquanto estuda uma nova religião suspeita chamada 'Deer Mount', ele lentamente descobre pistas que conectam esse culto a uma série de casos misteriosos de adolescentes desaparecidas quando um corpo é encontrado dentro de um túnel danificado. Ele começa a descobrir segredos sombrios que cercam esse culto e seu executor Na-han.

O estilo escuro, cheio de nuances bem colocadas mostrou bem a técnica do diretor e roteirista Jae-hyun Jang, mas como o cinema sul-coreano é daqueles que só víamos antes por festivais, não posso dizer que seus filmes são todos dessa forma, porém é nato que segue a linha do país de um ritmo mais lento, visto os outros que já conferi, e aqui ele não deixou nada preso de elementos e foi revelando bem cada ato, cada história dos crimes, para que fôssemos descobrindo junto com o protagonista cada elo, aliás chega determinado momento que até pensamos o motivo dele não ir direto ao ponto, mas como bem sabemos, no cinema nada vai direto ao ponto, senão não teríamos a história toda. Porém o longa tem ainda uma carta na manga, que ainda consegue uma inversão ao final, e isso foi algo bacana de ver, pois tudo se vertia para um lado, e o resultado foi outro. Ou seja, se a história tivesse um ritmo americano acelerado, ou até mesmo um europeu mais tenso e dinâmico, certamente seria daqueles filmes que ficaríamos vidrados na trama, e ao final surpresos com tudo, mas como temos algo muito lento, confesso que raspou de meus olhos fecharem em alguns momentos.

Sobre as atuações, chega a ser interessante ver inicialmente o desespero do protagonista Jung-jae Lee com seu Pastor Park para conseguir desmascarar religiões e cultos secretos, claro com uma ambição monetária, mas num segundo momento ele passa a ser um investigador maior do caso, e seus atos malucos acabam funcionando bem junto com os trejeitos feitos, claro que nada que iremos lembrar eternamente dele, mas ao menos não desaponta. E falando em desapontar, Jung-min Park entregou um Na-han mais estranho do que misterioso, de forma que ele deveria ser o antagonista funcional, e seus atos acabam se perdendo, ou ficando escondido atrás de trejeitos fracos, ou seja, poderia ter ido muito além. A jovem Jae-in Lee até tentou se mostrar um pouco com sua Geum-hwa, mas com olhares voando quase sempre seus atos pareciam desconectados de tudo, mas pelo menos não se ocultou, e isso é bom de ver. Quanto aos demais, a maioria apareceu e teve alguma importância para o momento, mas sem grandes destaques, inclusive para o ator que ao final passa a ser personagem importante, ou seja, todos fizeram bem o básico de trejeitos para seus momentos.

Visualmente o longa trabalhou bem algo sujo demais para a personagem demoníaca trancafiada, com vários cães ao redor, quase um cativeiro realmente, e seus atos com bichos que a galera não curte muito como ratos e cobras, de forma que ali a situação fica bem tensa principalmente na cena com os pássaros, que foi bem interessante de ver. Na cidade, os cultos e conversas foram bem recheadas de detalhes, mostrando diversos personagens das religiões, vários ambientes fechados e montados em disposição clara e direta para o público tentar montar o quebra-cabeça da trama. E mais ao final entramos num clima de inverno bem forte com neve, aparelhos tecnológicos de hospitais, e até um elefante meio que sem nexo foi colocado na trama, ou seja, a equipe de arte precisou de três vértices completamente diferentes, sofreu muito, e o resultado ao menos nesse quesito funcionou, só que confundiu tudo bem mais do que ajudou.

Enfim, é um filme com uma história tensa, forte e bem trabalhada, porém faltou colocar ritmo para que as dinâmicas acontecessem e causassem mais no público, pois chega a ser difícil entender aonde desejavam chegar com tudo andando numa velocidade quase parada, e assim, quando o filme realmente pega fogo já acaba a trama. Ou seja, não recomendo ele, mesmo sendo uma trama interessante de suspense, que talvez nas mãos de um diretor mais forte resultasse em algo melhor, porém friso que não é um filme ruim. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Você Nem Imagina (The Half Of It)

5/05/2020 02:00:00 AM |

Os longas românticos teen da Netflix costumam entregar sempre algo formatado pronto para criar um carisma e trabalhar bem as sacadas presentes em algum texto, de forma que vemos o filme já pensando qual outro filme que ele parece, mas mesmo assim sempre são bonitinhos e acabam agradando com o resultado final. Dito isso, "Você Nem Imagina" tem um ar um pouco diferenciado por se apoiar muito em citações de filmes e livros, brincar com a famosa deixa de um fazendo o papel do outro, e principalmente por não ser casual, nem forçado. Porém embora seja bonitinho, faltou aquele elo que fizesse o público se emocionar, que criasse um carisma maior entre os personagens, ao ponto de que no final apenas esboçamos um sorriso legal, e tudo bem, mas que pelo tema em si, pelo desenvolvimento bem esmiuçado da diretora, certamente ela poderia ter ido muito além para discutir mais cada um dos temas que o filme deixa subjetivo como religião versus homossexualismo, ricos achando que podem comprar qualquer pessoa, e até mesmo a imigração que importa grandes graduados e subutilizam eles, a desvalorização da família, ou seja, o filme apenas joga os temas, e esquece deles depois, ou melhor, apenas lança as discussões e as deixa num cantinho para que alguém que queira os discuta.

O longa nos mostra que Ellie Chu, é uma estudante tímida e homossexual, que se sente isolada e sem amigos em sua cidade remota de Squahamish, onde ela faz alguns papéis extras necessários para seus colegas do ensino médio. Ellie relutantemente concorda em ajudar o apaixonado jogador da escola Paul Munsky a escrever cartas de amor para Aster Flores, a garota que os dois amam secretamente. Enquanto todos os três embarcam em uma viagem inesperada de descoberta, eles formam um complicado triângulo de amizade à medida que chegam a um acordo com seus próprios sentimentos inesperados sobre o amor e encontram conexão nos lugares mais improváveis.

Ou seja, o filme é sim um acerto por conter diversas discussões, e mostrar que em seu segundo filme a diretora Alice Wu que é uma cientista de formação sabe dominar algo a mais do que programar computadores do MIT, mas sim jogar com simplicidade elos, envolver o público com uma história leve, e principalmente saber condicionar os momentos sem precisar implicar em romances exagerados, ou teorias forçadas. De forma que vemos o filme tão tranquilamente, que tudo passa voando, cada elemento acontece quase que ao acaso, e o resultado funciona. Claro que como disse, tudo poderia ser discutido na trama, tudo poderia ser mais desenvolvido, mas a diretora e roteirista quis brincar com cada elemento, quis dar para o público seu floreio de frases de efeito, e com isso certamente veremos os fãs teen usando vários elementos da trama logo mais, de forma que o filme flui e agrada, ao menos dentro do que se propôs a fazer.

Sobre as atuações, a jovem Leah Lewis depois de muitas séries se entregou completamente em seu primeiro longa, e trouxe para a protagonista Ellie trejeitos fortes, uma segurança bem pautada no que deseja, mas com uma timidez retraída bem marcada, de forma que vemos todas suas nuances transparecer nas conversas via celular, via cartas, e até mesmo nas redações que faz como um ganho na escola, e isso é algo muito comum na garotada hoje em dia, ou seja, a pesquisa dela nem precisou ir muito além, pois certamente conhecia vários assim, e a atriz fez muito bem cada momento seu, agradando bastante, mesmo que escondida através da narração. Também foi a estreia de Daniel Diemer em longas, e seu Paul é engraçado, suave, e tem estilo, fazendo suas cenas meio que desajeitado, mas sempre bem encontrado com cada momento, de forma que acabamos nos envolvendo com seus atos, agora não sei se foi a qualidade da Netflix, ou exageraram na sua maquiagem para tirar olheiras, que o jovem em diversos atos pareceu estar com os olhos marcados de amarelo, e isso ficou estranho de ver em muitas cenas, mas espero que seja um erro da qualidade, pois senão é um erro grotesco da equipe de maquiagem que costuma passar apenas pó nos garotos para não brilhar tanto. Alexxis Lemire também teve seu primeiro longa, e entregou uma Aster bem colocada, mas que ficou bem como referência dos dois protagonistas, e não tanto com desenvolturas chamativas, mas ainda assim se saiu muito bem em todas suas cenas, chamando atenção pelo menos para o resultado da trama. Dentre os demais, tivemos alguns exageros por parte do galãzinho da trama vivido por Wolfgang Novogratz com seu Trig, mas o destaque mesmo foi pela simplicidade, mas excelentes trejeitos de Collin Chou com seu Edwin Chu, que mesmo ficando bem de lado, chamou muita atenção em tudo que fez.

Visualmente, a cidadezinha de Squahamish não foi tão chamativa para a trama, apenas se mostrando como totalmente pacata, tendo cenas em algumas aulas dentro da escola, tendo o tradicional show de talentos como clichê generalizado para todas as tramas do estilo, com os devidos gracejos e sacanagens de alguns, festinhas com bebidas liberadas para os jovens, uma cena numa piscina quente natural bem bacana, que poderia ser até algo a mais, uma lanchonete erma, e claro o principal, com a estação de controle de trens, que é bastante usada para as devidas desenvolturas da trama, com os personagens dentro de trens abandonados, ou em pequenos elos, e tudo funcionando muito bem, ou seja, a equipe desenvolveu bem cada elemento, mas não forçou suas utilizações, deixando que a trama focasse mais nos diálogos e narrações. Como já disse ficou estranho alguns pontos de maquiagem e iluminações, parecendo erros técnicos, mas não sei se foi devido a Netflix ter baixado a qualidade das transmissões durante esse período caótico, então nem vou considerar isso na nota.

Um ponto que sempre costuma ser bem agradável nos romancinhos da Netflix são as trilhas sonoras bem escolhidas, e aqui tivemos vários exemplares, que claro deixo aqui o link para vocês, então curta antes ou depois do filme.

Enfim, é um filme gostoso, leve, que tem um bom mote, e que discute vários temas, então quem estiver de boa e gostar do estilo mais adolescente vai curtir a ideia toda, mesmo que com vários clichês que já vimos em outros longas da plataforma, ou seja, não pode ir com muita sede ao pote, mas também não deixa a desejar. Sendo assim, fica a recomendação, e eu fico por aqui, voltando em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Estranhos Em Casa (Furie) (Get In)

5/04/2020 12:39:00 AM |

Tem filmes que você olha baseado em fatos reais, assiste e ao final fala: impossível. De forma que os acontecimentos do longa da Netflix, "Estranhos em Casa", inicialmente pareciam bizarros só pelos empregados conseguirem algum tipo de autorização para assumir a casa dos donos como se fossem deles, aí tudo bem, íamos ver algum longa em cima do processo jurídico e tudo mais, mas na sequência começamos a ver as paranoias do protagonista em cima de sua virilidade, depois sua associação com um grupo de malucos extremistas, até chegarmos na cena final mais maluca que já vimos, ou seja, se isso realmente aconteceu não temos que ler no começo que os nomes foram alterados para não prejudicar as pessoas reais, mas sim foram mudados por as pessoas terem sumido do mapa, pois é incoerente continuar vivendo na mesma casa com todo mundo sabendo o que aconteceu ali, o garoto até hoje deve estar tomando calmantes e tudo mais. Ou seja, é um filme bizarro, completamente insano, que quem gosta de um gore francês bem violento que demora um pouco para acontecer, mas que estranhamente não é ruim.

A sinopse é bem simples para não revelar a bagunça toda e mostra que ao voltar de férias com a família, um homem encontra sua casa ocupada e se vê em meio a um conflito com terríveis desdobramentos.

O diretor e roteirista Olivier Abbou montou uma história imponente e cheia de situações fortes, de maneira que como disse no começo chega a ser até fora do comum pensar na sequer possibilidade de ser embasado em algo real, mas seu erro foi colocar um protagonista não fraco como personagem, mas fraco de atitudes, de olhares, de modo que não entramos no clima que o personagem necessitava, claro que a história lhe entrega como um fracote sem nuances, mas o ator fez isso e muito mais, sendo daqueles que não conseguimos nos conectar, e ainda atrapalhar o resultado do filme. Claro que após o ponto de virada o longa toma outros rumos e fica bem mais interessante, pelo menos no lado de conflitos de posse da casa realmente, pois o miolo com discussões sobre a virilidade e a fidelidade de seu casamento acabou sendo chato de engolir. Ou seja, o diretor acabou se perdendo um pouco no que desejava mostrar, e com isso seu filme ficou com tantos motes quanto a ideia principal que era a recuperação da casa, porém ainda ele entregou algo convincente de ver com toda a bagunça estrutural.

Sobre as atuações já meti a porrada em Adama Niane no parágrafo anterior, e não vou alisar agora, pois o ator veio com a proposta de entregar um homem fraco demais com seu Paul, mas ele acabou deixando ele tão apático que mesmo sendo o protagonista, ele quase desaparece fronte aos demais personagens, e isso é horrível de ver, ou seja, qualquer outro ator cairia melhor no personagem. Stéphane Caillard trabalhou sua Chlóe com olhares meio jogados também, mas como foi pouco usada, ela acabou se saindo um pouco melhor, principalmente nas cenas fortes, o que resultou numa personagem estranha para o filme, mas bem feita ao menos. Agora quem acertou em cheio nas loucuras, dando estilo e personalidade para seu Mickey foi Paul Hamy, de forma que suas cenas foram todas intensas, fortes e cheias de dinâmicas, conseguindo mudar ele de enfeite cênico no começo para a bomba do final, ou seja, um crescimento incrível de ver. E junto com ele, mesmo que um pouco maluco demais, Eddy Leduc acabou agradando bastante com seu Franck cheio de abstrações e bebedeiras. Quanto ao casal invasor da casa, era melhor ter arrumado alguém mais cheio de estilo, pois qualquer um botaria eles para correr, de forma que tanto Hubert Delattre quanto Marie Bourin só fizeram caras de susto e nada de entonações e olhares, ou seja, fracos também.

No conceito visual a equipe de arte teve grandes momentos, desde os atos mais simples com um motorhome bem equipado aonde até festa de aniversário teve, um camping bem simples mas preparado para tudo, uma grandiosa casa cheia de elementos representativos da família, e até mesmo os atos burocráticos no tribunal e nos órgãos da prefeitura foram bem feitinhos, mas os atos com as festas cheias de personagens estranhos, objetos para mergulho, bebidas para todos os lados, e muita cenografia e luzes piscando para todos os lados foi algo que certamente deu trabalho, além claro do momento destruição no final, que aí a equipe de efeitos com muito fogo, sangue, quebradeira de vidros e tudo mais deu um show. Ou seja, tecnicamente a produção foi incrível no segundo ato.

Enfim, é um filme bem maluco, que muitos não irão gostar do que verão, mas que até funciona dentro do que se propôs, tirando claro o diretor que se perdeu no miolo querendo criar atos de discussão de casal, elementos sobre a virilidade do protagonista e tudo mais, além claro do erro na escolha do protagonista, pois tirando esses elementos, o filme decola muito. Ou seja, é daqueles que só quem gosta de um gore bem feito ficará feliz com o final, mas que para chegar até lá irá reclamar muito do miolo, então é melhor nem recomendar para ninguém, mesmo que não seja dos piores filmes que já vi, colocando ele como algo mediano na soma de tudo. Então é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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Netflix - Love Is War

5/03/2020 02:38:00 AM |

Acho que já falei isso, mas uma coisa boa que tem servido de estar vendo muitos filmes na Netflix é conhecer produções de países que dificilmente chegariam ao interior, isso é fato, tanto que hoje descobri que além de Hollywood e Bollywood, também existe Nollywood na Nigéria que tem produzido tantos filmes que hoje só está atrás da indústria indiana de cinema, à frente inclusive dos americanos (no quesito quantidade é claro!), mas dito isso, não posso dizer que o filme que estreou nessa semana na plataforma "Love is War" seja daqueles que iremos ficar felizes em lembrar da produção nigeriana, pois a proposta temática até é bem interessante, de ver como é a organização de eleições governamentais no país, a bagunça que seria um casal ser concorrentes diretos em uma campanha, e todo o desenrolar das politicagens, porém o filme é morno demais, mal produzido, com situações tão amadoras que acho que nem no primeiro semestre da faculdade eu vi isso nos trabalhos, com cortes bruscos sem necessidade, com um jornal bobo no meio do caminho, e brigas tão mal coreografadas que parecia que o cara com um pedaço de garrafa estava dançando ao invés de querer bater na cara do outro. Ou seja, é daqueles filmes que até entregam alguma coisa, mas tem falhas a rodo para poder reclamar de tudo, além claro do clima novelesco dominando cada cena, que só quem gosta muito do estilo vai gostar do resultado final (que não é ruim!).

A sinopse nos indaga que quando um marido e sua esposa ganham nomeações como candidatos dos dois principais partidos em uma próxima eleição governamental, o casamento deles sobreviverá a esse evento sem precedentes?

A diretora e protagonista Omoni Oboli tem segurança no que faz, e isso é claro com seu estilo, com a demonstração de carinho com a cultura do país, e desenvolveu seu filme de uma boa forma, claro que temos de levar em conta o baixíssimo orçamento também, e com isso o filme tem sua desenvoltura de uma forma coerente e interessante de ser vista, porém como disse no primeiro parágrafo, faltou algo que estamos acostumados a ver em grandes produções, que é a dinâmica de personagens, as coreografias mais fortes, e claro, a diminuição da necessidade de diversos personagens cercar uma trama, e isso é algo que é da nossa cultura. Claro que estou opinando sobre algo que é novo para o meu conhecimento, pois é o primeiro filme da Nigéria que vejo, e pelo que li na quantidade que estão produzindo certamente verei muitos em breve. Agora quanto das falhas de exagerar na montagem, da necessidade de um programa jornalístico interceder com propagandas, de ter cortes estranhos, isso é algo que poderia ser evitado, ou seja, como falei também é um filme de proposta interessante de ser pensada, mas talvez, como sempre costumo falar, fazer direção e protagonismo raramente funciona, então um diretor assumindo o comando e ela apenas atuando o resultado seria bem melhor.

Agora falando das atuações, a mesma Omoni Oboli fez de sua Hankuri uma mulher forte, determinada e cheia de trejeitos para todos os estilos de situações, dançando para parecer bem disposta, desafiando os grandes nomes políticos da trama, e dando muito certo no seu ato de debate, de forma que é o que eu disse, se ela tivesse focado apenas em atuar, o acerto talvez seria melhor. Richard Mofe-Damijo trabalhou seu Dimeji com muita calma, com olhares vagos na maior parte do tempo, e soou até tímido demais para as câmeras, de forma que talvez um ator mais imponente daria um ar melhor para o marido/concorrente da protagonista. Quanto os demais, chega a ser até triste falar, mas é erro em cima de erro, desde a filha do casal que parece mero enfeite da trama, do dono de um dos partidos que grita mais que tudo como um verdadeiro mafioso, tivemos um padre/pastor estranho pelos modos políticos, e até mesmo os assessores acabaram fazendo caras e bocas desconexas, além da âncora do jornal que soou bizarra nos seus discursos, ou seja, melhor não dar destaque para ninguém.

No conceito visual, o filme entregou bem pouco, afinal é uma trama de baixíssimo orçamento, então vemos praticamente as mesmas cenas ocorrendo em diferentes ângulos, personagens na mesa da casa em diversas discussões, um hospital sem cara nenhuma de hospital, um gabinete simples, mas com detalhes para funcionar como algo eleitoral, e claro muitas campanhas nas ruas, duas feitas uma por cada partido num campinho com uns 100 figurantes, cada hora com uma camiseta e bandeiras diferentes, mas o mesmo ângulo de câmera (chega a ser engraçado de ver até), e em outras na rua com camisetas do partido e vários adesivos colados nos carros (inclusive nas camisetas - que devem ter usado para os dois partidos), ou seja, tudo muito simples, que até funciona, mas não para uma produção ser distribuída mundialmente.

Enfim, volto a frisar que a ideia do longa é boa, que até funciona pela história em si, mas são tantas falhas de direção, de produção, de técnicas, que chega a ser broxante tudo da forma que ocorre, e sendo assim não posso recomendar ele para ninguém, de forma que quem se arriscar mesmo não conhecendo técnicas irá rir de muitas situações, ou seja, escolha outro filme que é melhor. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.

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Netflix - Dias Sem Fim (All Day And a Night)

5/01/2020 09:53:00 PM |

Diria que o filme "Dias Sem Fim" da Netflix segue a linha de quase um filme sem fim, daqueles que você cansa na metade, dá uma pausa para tomar uma água e descobre que não passou nem 1/3 do filme, daí mais uma parada mais para frente, ainda não chegou na metade, e quando você segue a linha inteira depois até o fim acha que já é até outro dia. Ou seja, é daqueles que você lê a sinopse, se interessa pelo tema, mas é o tempo todo tentando achar alguma justificativa para o meio em que o protagonista viveu, para tudo o que fez, para ser algo que não chega a lugar algum, de forma a classificar a trama como chata para pior. Sei que alguns vão se identificar, se emocionar com a essência violenta que um meio violento pode levar, mas usar isso como justificativa, ou ficar de enrolação de memória para achar algo não tem como, e dessa forma não consegui enxergar nada que valesse a pena indicar o longa.

A sinopse é bem simples e nos mostra que condenado à pena perpétua, um jovem negro recorda as pessoas, as circunstâncias e o sistema que o levaram a cometer um crime.

O diretor e roteirista Joe Robert Cole ganhou muito prestígio após a indicação do roteiro de "Pantera Negra" disputar diversos prêmios, e com isso era fato que ele conseguiria facilmente dinheiro para fazer outros projetos, e eis que surgiu aqui com essa trama reflexiva de um prisioneiro do meio, daqueles que se veem como coitados de nascer numa sociedade ruim, com amigos ruins e que só deve ficar por ali e virar algo ruim. Claro que já vimos muitas histórias do estilo, alguns defendem com unhas e dentes essa formatação, mas não tem como defender um filme ruim, que cansa por ter imensas idas e vindas de tempo, daquelas que estamos de repente na juventude, daí vai para a prisão, volta para a infância, vai para a prisão de novo, e numa bagunça imensa de ideias cansativas o resultado acaba não fluindo, nem mostrando o que desejavam. Ou seja, podemos dizer que é um roteiro imponente ao ponto de mostrar bem a vida do rapaz em seu gueto e sua tradicional desenvoltura de como acabou sendo preso por fazer o que os demais faziam também, mas não dá para dizer que o resultado final é algo que você assiste, se emociona e agrada com o que vê, pois é extremamente cansativo e arrastado.

Sobre as atuações, Ashton Sanders é bem expressivo, mas faz seu Jahkor tão sem nuances que chega a dar raiva dele não se direcionar, não se impôr ao meio, não criar como algo a mais, de forma que acabamos ficando cansados dele, e quando cansamos do protagonista não tem como o filme fluir bem. Jeffrey Wright é um tremendo ator, e seus atos como JD são simples e direcionados, ao ponto de que seu personagem até poderia ir bem além, mas como já estávamos cansados do protagonista, e todo o restante se amarra nele, o filme não flui para ninguém. Da mesma forma Isaiah John trabalhou seu TQ com personalidade, mostrando o ar marrento de que tudo pode dar certo, e ele até tenta chamar o filme para si, mas não era a abertura correta a ser vista, então o filme não entra nele. Quanto das mulheres da trama, Shakira Ja'nai Paye tentou dar algumas nuances com sua Shantaye, mas quem dá a vez é a grande Regina Taylor com sua Tommeta, ou seja, se mostraram bem em cena, mas o filme não pediu tanto delas. Uns que deram um bom tom, e talvez se o filme focasse mais neles foram as crianças da trama, com destaque claro para a expressividade de Jalyn Hall como o jovem Jahkor, e dessa forma se o filme ficasse nesse ar, talvez o resultado fosse outro.

Sobre o visual da trama, o longa mostrou bem a situação do crime, as festas imensas que traficantes fazem, mostrou um pouco do dia na prisão (meio forçado por ficar só no pátio), ambientou bem as desenvolturas das casas com armas, com bebidas, e embora não chame muita atenção para os detalhes todo o trabalho da direção de arte foi efetivo com muitas armas, figurinos pesados, muitos aparelhos dentários e tudo mais para representar ao máximo a comunidade aonde o protagonista viveu, e claro, passar sua ideia de não decolar na vida.

Enfim, volto a frisar que é daqueles filmes que até pode ser que alguns se enxerguem, que se emocionem com a situação dura que é mostrada, mas é tão cansativo, tão bagunçado de ideias que não tenho como recomendar de forma alguma, parecendo que o filme foi feito e esqueceram de dar dinâmica para algum resultado, ou seja, fujam dele que na plataforma certamente terá outro filme do estilo bem melhor para conferir. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Mentiras Perigosas (Dangerous Lies)

5/01/2020 02:32:00 AM |

É até engraçado falar de filmes de suspense com confusões de enredos, de forma que você de repente está achando que a trama vai para um lado e do nada tudo muda, e com o lançamento da Netflix dessa semana, "Mentiras Perigosas", a investigadora consegue deixar a protagonista tão confusa com tudo que nem que a moça fosse a mais segura das mulheres, ela ficaria com uma tremenda pulga em cima de tudo o que está ocorrendo, ou seja, se você gosta daqueles filmes que não entregam quase nada, mas que se você for observador enxerga tudo, esse certamente lhe agradará e deixará bem intrigado com tudo. Claro que como todo filme desse estilo, a trama está com mais furos que queijo suíço, e a cada cena nova você já vai pegando uma peça do quebra-cabeça para tentar tampar todos os furos, e isso é até legal de brincar, porém o filme dá muita bandeira de alguns elementos, e talvez poderiam ter ido por caminhos mais intrigantes. Ou seja, é um filme bem trabalhado no suspense, você se prepara várias vezes para tomar algum susto que não acontece, e cada elemento do jogo pode mudar toda sua opinião, o que é bacana de fazer, mas é um filme simples e bem feito, que poderia sim ir muito além e ser daquelas obras memoráveis, mas como disse, tem erros demais, e então não explode, mesmo com um final bem louco.

O longa nos conta que Katie e Adam são um jovem casal que batalham há anos para conquistar uma vida de sucesso para si. Quando Katie abandona seus sonhos de uma carreira médica para apoiar as ambições de seu marido, os dois enfim parecem se encontrar na hora certa e no lugar certo para sua vida funcionar. Porém, tudo se complica quando eles se encontram no meio de uma investigação criminal.

O diretor Michael Scott possui um estilo bem clássico de TV e séries, e isso é bem notável se pararmos uns minutinhos para ver sua filmografia, e aprofundarmos com o que vemos na tela, pois ele a todo momento procura uma reviravolta para causar, a todo momento quer uma quebra cênica, e muitas vezes isso não é necessário na história, claro que funciona na maioria das vezes, mas fica parecendo que a todo momento no filme fica parecendo que vai surgir uma tela dizendo "nos próximos capítulos" ou "veja amanhã isso", o que cansa em alguns atos, mas de certa forma essas diversas reviravoltas do roteiro de David Golden soaram interessantes para que o filme não ficasse tão monótono, afinal a química do casal de protagonistas foi bem fraca para conseguir manter o longa todo. Ou seja, o diretor soube usar algo que conhece bem para que seu filme tivesse dinâmica, só que ao mesmo tempo ele esqueceu que um filme é algo mais sequencial, sem intervalos, e com isso muitos é capaz de até ficar perdidos com tantas dúvidas que o longa permeia, o que não é ruim de ver em um filme de mistério, e sendo assim, nem tudo é perdido.

Quanto das atuações, já disse que faltou muita química para o casal, de forma que nem parecem casados, e talvez nem dê para dizer namorados, mas o roteiro disse assim, então vamos seguir, dito isso, Camila Mendes tem uma boa dinâmica de olhares, sabe segurar a tensão, e criou bons momentos para sua Katie, fazendo com que suas dúvidas fossem passadas na mesma velocidade que surgiam para o público, o que é legal de acompanhar, mas faltou um pouco mais de firmeza para a personagem dominar a tela, ou seja, foi simples, mas efetiva. Já Jessie T. Usher tem estilo e fez seu Adam bem conectado com o momento ao ponto de passarmos a duvidar de tudo o que fazia, claro que dentro da proposta da trama, mas chega a ser estranho certas atitudes dele, ao ponto de olharmos para o ator e pensar nos motivos que ele poderia ir mais forte, ou até mesmo sem fazer tantas caras de mistério em cenas comuns, ou seja, ele foi bem, mas também soou bem estranho. A investigadora Chesler vivida por Sarah Alexander é daquelas que você fica com raiva pela quantidade de dúvidas que ela acaba colocando nas nossas mentes, e na da protagonista, de forma que se tivesse mais tempo de tela seria daquelas que acabaríamos enjoando ou amando, mas como só apareceu nos momentos de encaixe, seu resultado acabou bem interessante para a trama, mostrando um acerto da atriz no que fez. Elliott Gould entregou um Leonard bem coeso, cheio de estilos e com olhares simbólicos bonitos de acompanhar, tanto que o que ocorre na trama é totalmente passível de acontecer, embora maluco, e o ator veterano deu um ar mais sério para a produção pelo menos, agradando nos seus poucos momentos. Quanto aos demais, diria que o maior erro do diretor foi não ter tempo para seus desenvolvimentos, pois tanto Cam Gigandet com seu Hayden quanto Jamie Chung com sua Julia acabaram entrando nos momentos chaves, fazendo o que tinham para fazer, mas quase sendo desconexos de todos os atos, e seus momentos finais acabaram tão rápidos que chega a desanimar, falar então de Michael P. Northey então com seu Calvern é algo então indefensável.

No conceito visual da trama tivemos locações bem interessantes desenvolvidas com muitos detalhes, desde uma lanchonete sendo assaltada, passando por uma delegacia bem movimentada, um apartamento simples, e claro uma mansão gigantesca com jardins bem preparados, sótão cheio de elementos para serem usados, uma garagem com muitos elos também, e claro um banco, de forma que todos os atos poderiam ocorrer em tantos ambientes, usando tantos elementos cênicos, mas não, preferiram muitas vezes as escadarias da mansão, ou seja, um gasto imenso para a equipe de arte nem ser tanto usada, mas ainda assim tudo tem seu funcionamento pelo menos, o que agrada bastante.

Enfim, é um filme denso, com bons momentos e desenvolturas, que poderia ser muito mais do que acabou entregando, mas que ainda assim vale o tempo de tela, pois é curto e tem boas dinâmicas, de forma que vemos ele voando e funcionando. Claro que muitos irão ver mais defeitos e furos do que o normal, mas ainda assim não é de se jogar fora, ou seja, recomendo ele com muitas ressalvas. E é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - O Silêncio do Pântano (El Silencio Del Pantano) (The Silence of the Marsh)

4/30/2020 01:46:00 AM |

Acho que daqui a alguns anos os alunos de cinema da Espanha vão estudar essa época como o estouro dos filmes de suspense no país, pois praticamente a cada 15-20 dias surge um novo exemplar do estilo, e o melhor, todos bem bons, com temáticas tensas, cheias de desenvolturas, e até os mais fracos em alguns quesitos entregam situações que acabam empolgando em algum momento ao ponto de ficarmos esperando o desenrolar. E hoje resolvi conferir um dos lançamentos da semana da Netflix, "O Silêncio do Pântano", que pode até ter alguns defeitos, não ter o melhor fechamento possível, mas consegue envolver bastante na brincadeira de quem é o personagem e quem é o escritor, e até onde vai toda a loucura da mente em pensar nas situações todas - além que mesmo o final sendo estranho, quem lembrar do que a jovem que pede autógrafo no começo pergunta, fará muito sentido com o que ocorre. Ou seja, é daqueles filmes intensos, que tem um ritmo meio que calmo, mas que aguça bem a percepção de assassinos, juntamente com as ideias malucas da mente de um escritor, e o resultado acaba agradando bastante.

O longa nos conta que Q é um ex-jornalista reconvertido em um escritor de livros de romances policiais. Ele é um homem de sucesso respeitado por seus fãs, mas na vida real, Q é um psicopata de sangue frio. O escritor vive em uma compulsão por matar que, eventualmente, ele traduz a seus romances, escrevendo sobre isso como se fosse ficção.

Vi muita gente reclamando do longa logo que saiu na Netflix, e até por esse motivo acabei deixando ele como o último filme da semana, mas talvez o que muitos tenham se irritado é com o final meio jogado que o diretor Marc Vigil acabou colocando, e é fácil entender sua proposta, pois como sempre fez séries durante toda sua carreira, ele quis fechar com algo aberto para quem sabe ter uma continuação, porém mesmo que isso não ocorra, afinal é baseado no livro homônimo de Juanjo Braulio, como disse acima se lembrarem de alguns momentos faz todo o sentido o que ocorre, ou seja, o diretor brincou com ideias amplas, e fez várias jogadas para confundir o espectador se o protagonista era realmente o assassino na vida real ou se era apenas um personagem do escritor, e em momento algum ele deixou algo aberto para conseguirmos identificar isso, o que é bom, pois a confusão acaba dando nuances. Porém dando a versão desse Coelho, o escritor apenas se veste como o protagonista, mas o personagem que também é escritor está na história e tudo ocorre por lá, ou seja, ambiguidades para todos os lados, que junto de um bom suspense policial, com ideias fixas sobre a podridão da alta sociedade valenciana junto com a podridão do tráfico e da polícia da cidade acaba se desenvolvendo e se misturando em algo bacana de ver pelo estilo escolhido do diretor, e principalmente pelos acontecimentos bem moldados que agradam, mas que vai deixar muitos confusos e bravos com tudo.

Sobre as atuações temos que ponderar que o protagonista Pedro Alonso soube brincar demais com os trejeitos de seu Q, deixando realmente uma interrogação no público, fazendo olhares certeiros, se movimentando igualmente com o personagem do livro e o escritor, e principalmente sendo violento na medida nos atos fortes, de forma que praticamente ele quase não dialoga, mas encaixa tudo no momento certo com a ferramenta correta de interpretação, ou seja, não é à toa que o povo ama tanto ele na série "La Casa de Papel". Nacho Fresneda deu um tom forte para seu Falconetti, encontrando estilo para cada ato, e principalmente para suas cenas violentas com seu pé de cabra, mas seu personagem é meio que jogado na trama, e isso não o ajuda muito, o que é uma pena. Da mesma forma Carmina Barrios traz para sua La Puri uma personalidade intrigante, tem um grande momento de falas, mas sua chefe de tráfico não se encaixa muito nem na atriz, nem no estilo que o filme tem, ficando estranho de ver. José Angél Egido fez seu Carretero tradicional como político, cheio de nuances que poderiam ter sido melhor usadas, mas não estraga o andamento, pois seus atos seriam melhores usados caso o filme fosse mais longo, porém aqui ele fez bem o que precisava. Quanto aos demais, todos foram usados para as cenas necessárias, e não fluíram em nada para a história, e desde a delegada vivida por Maite Sandoval, quanto o irmão do personagem principal vivido por Raúl Prieto apenas fizeram seus atos, mas nem lembraremos deles por nada.

Visualmente a trama tem atos bem marcados, com casas sujas para mostrar a degradação que o filme tanto chama, como a casa no meio do nada no pântano que acaba servindo de cativeiro, o apartamento do capanga, a casa simples (porém recheada) da traficante, temos também as cenas no gabinete da delegada e na procissão como símbolos interessantes para as reflexões de justiça cega, e claro temos os momentos malucos e violentos com o protagonista, aonde tudo é bem forte e imponente, cheio de detalhes também, ou seja, a equipe de arte sofreu um pouco para retratar tudo que certamente está bem detalhado no livro, mas o resultado flui ao menos.

Enfim, talvez o maior problema do filme seja alguns pulos de tempo, alguns atos cortados, e claro que o fechamento duplo que dá para tirar mais do que uma conclusão, mas isso sozinho não mata todo o bom trabalho do restante, e quem gosta de um bom suspense certamente se envolverá com a trama, e talvez até goste mais do que muitos outros, mas como disse, terá de relevar alguns problemas de continuidade (principalmente no final que o diretor resolveu acabar rápido demais), e assim sendo recomendo o filme com ressalvas, mesmo gostando dele. Bem é isso pessoal, eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Netflix - Alelí

4/29/2020 12:28:00 AM |

É interessante observar que o pessoal anda gostando muito de fazer comédias com pitadas dramáticas para dar ênfase em alguns temas, e geralmente as relações familiares após a morte de algum ente próximo sempre rendem situações delicadas tanto cômicas quanto dramáticas, e se tem um país que gosta bastante do estilo e do tema é o Uruguai. Dito isso, quem for conferir o longa da Netflix, "Alelí" irá ver contextos corriqueiros do dia a dia de brigas entre irmãos, verá brigas de vizinhos, e claro todo aquele drama familiar que já vemos quase que diariamente em nossas famílias, de ciúmes por um ter uma chave de um lugar que o outro não tem, de um namorado/marido da irmã que você não gosta por ser um inútil na vida, aquele almoço de família que um leva uma comida que nem precisava levar, e acaba que ninguém come, entre muitas outras coisas, porém se pararmos e voltarmos no começo da trama, a situação toda era uma venda de casa de praia para uma construtora, e isso quase que some do longa, pois a interação com a venda e os sentimentos da casa até ficam, mas bem em segundo plano, ou seja, o filme roda demais e não entrega nada além das emoções, o que não é ruim, mas passa bem longe de algo bom. Ou seja, mesmo sendo uma coprodução uruguaia e argentina, vemos bem mais a mão uruguaia que não sai de pontos fixos, do que algo argentino que instigaria muito cada momento.

A sinopse nos conta que após a morte do pai, os irmãos Ernesto, Lilián e Silvana passam a disputar entre si a propriedade da antiga casa de praia. Dispostos a tudo para conseguir o que querem, eles colocam as lembranças da infância e a união da família à prova.

A diretora e roteirista Leticia Jorge foi simples e direta na trama familiar, brincando praticamente com os atos comuns que vemos em quase todas as famílias, como discussões nos almoços, debates de quem fica com o que nas heranças, e claro o famoso saudosismo da época em que eram mais novos, além dos cuidados com a matriarca da família que ninguém quer assumir. Ou seja, ela tinha sua base na mente, e acrescentou a ideia cômica da venda da casa de praia para ter um algo a mais com um engenheiro maluco e tudo mais, porém logo se vê que a ideia da venda serviu apenas para dois atos e evaporou, ficando mesmo o lado familiar bagunçado, e isso funcionaria bem se ela tivesse fechado mais o cerne da trama, pois acabou virando uma novela com tantos personagens, tantos dilemas e situações, de forma que seu filme é curto, rápido, mas sem nada para se discutir, e isso cansa de tal maneira que certamente esqueceremos o filme tão rápido quanto leio esse texto que escrevi, e isso não é algo que gostamos de ver, mas ao menos sua direção foi sincera, e isso vemos de cara o que ela desejava mostrar.

Quanto das atuações, é até bacana ver a desenvoltura de alguns personagens, que mesmo sendo pessoas mais velhas acabam parecendo crianças mimadas brigando pelo único toddynho da geladeira, mas acredito que isso tenha sido a opção da diretora mesmo em cima do texto, então foi um acerto ao menos. Néstor Guzzini trouxe para seu Ernesto o lado do filho que deu certo financeiramente, mas não aceita nada que não seja de sua opinião, além claro de estar aborrecido com tudo e todos na família, e isso é notável em todos os trejeitos do personagem do começo ao fim da produção. Mirela Pascual já foi para o outro lado com sua Lílian, mostrando aqueles que casaram bem cedo já são avós e vivem sob terapia, já não aguenta mais o marido e os filhos, e quer se ver livre dos problemas da família, e a atriz entregou bem um semblante cansado, e foi direta em todos os seus diálogos, acertando também, embora seja ranzinza demais para alguém que está exercendo hobbies para desestressar. Já Romina Peluffo jogou com sua Silvana aquela caçula da família que ficou jogada, só arranja namorados enroscados, vive casando e separando por acreditar num amor inexistente, e seu estilão largado caiu bem para a personagem, mesmo que soasse forçado tudo o que faz, mas acabou funcionando ao menos. E a matriarca Alba vivida por Cristina Morán fez até algumas cenas bem ligadas a cada um, mas não chamou atenção como deveria, deixando muito nas mãos dos filhos, e com isso a atriz acabou sendo quase carregada por todos, o que é ruim, visto que ela tem personalidade e saberia dominar melhor suas cenas. Quanto aos demais foram apenas enfeites, então melhor nem entrar em detalhes.

No conceito visual, a casa de praia é simples, está abandonada por fora, mas ainda arrumadinha por dentro, com detalhes casuais de uma casa abandonada como umidade no teto, muitas folhas e grama alta, mas nada que mostrasse um real abandono, tem elementos simples de detalhes, mas todos passando bem o que o filme desejava mostrar: os elos de cada um. Na casa da irmã ou nos carros, o filme também tinha detalhes de sobra para mostrar o lado nostálgico dos personagens, com CDs e fitas antigas de música, cadeiras de praias velhas guardadas, e tudo mais que remetesse um passado, inclusive nas roupas, ou seja, funcional.

Enfim, falei bem de tudo praticamente, ou seja, você deve estar achando então que darei uma nota ótima para o filme, mas não, a trama não nos cativa ao ponto de emocionar por algo, ou rir dele, de modo que é algo comum demais, que hoje vemos e amanhã esquecemos, e como costumo falar em filmes assim, é preferível nem ver, pois tem técnica, mas não tem estrutura suficiente para chamar atenção em nada. Ou seja, não recomendo ele, mas se não tiver mais nada para ver, até dá para perder um tempo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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