Terror em Silent Hill - Regresso Para o Inferno (Return to Silent Hill)

1/25/2026 02:44:00 AM |

Costumo dizer que adaptar jogos de videogame para as telonas é um risco gigantesco, pois os fãs são criteriosos num ponto que até se tudo estiver bem direitinho na tela irão reclamar, mas como joguei muito pouco e há um bom tempo, não posso dizer que lembro de tanta coisa para reclamar do que vi hoje, então vou falar mais como cinema mesmo, pois o novo "Terror em Silent Hill - Regresso Para o Inferno" tinha tudo para ser chamativo e funcionar bem na tela, pois tem pegada, tem personagens interessantes, e tem alguns bons desfechos na tela, mas é tão bagunçado, que muitos que não conhecem o jogo talvez saiam da sessão pensando se entenderam algo do que foi mostrado, pois por momentos pensamos ser apenas coisas da mente do protagonista, em outros achamos que está rolando mesmo tudo ali, de modo que a essência em si rola bem, dá alguns sustos repentinos e embora bem confuso funciona como uma entrega interessante. Porém quando tudo parecia ter um final interessante e funcional para toda a ideia entregue, resolveram colocar uma reviravolta tão fora da casinha que nada mais fez sentido, ou seja, bagunçou ainda mais tudo, o que acabou desapontando um pouco.

O longa acompanha a terrível estadia de James (Jeremy Irvine) numa cidade aterrorizante. Quando ele recebe uma carta misteriosa de seu amor perdido após ter se separado dela, James é intimado a voltar para uma cidade esquisita chamada Silent Hill. Na carta, está a promessa de que irá encontrar sua preciosa alma gêmea novamente. No entanto, com o passar dos dias nessa comunidade antes reconhecível, eventos bizarros causados por uma força malévola desconhecida começam a acontecer. Conforme ele se aprofunda na cidade, James vai dando de cara com figuras sombrias, familiares e monstruosas. Sem entender o que está acontecendo e que força é essa que tem tanta influência na cidade, o rapaz começa a questionar a sua sanidade mental enquanto desvenda uma verdade apavorante com a esperança de permanecer forte o suficiente para resgatar a sua amada.

Como já vi outro longa do diretor e roteirista Christophe Gans, posso dizer que ele tem uma pegada dupla bem interessante de desenvolver o lado fantasioso com um estilo mais sombrio, de modo que aqui ele pode brincar ainda mais com a computação gráfica, e soube criar um clima tenso interessante, porém sua ideia original ficou muito bagunçada na tela, ao ponto que a confusão toda parece ser fluida, mas logo em seguida se perde, precisando de muitos flashbacks, muitas memórias, ao ponto que se ele confirmasse em algum momento que tudo faz parte de um lapso da memória do protagonista até seria aceitável, mas como isso ficou muito jogado na tela, o resultado agrada bem pouco, principalmente quem não conhece a franquia de jogos. Mas o principal detalhe do diretor, é que ele também fez o longa de 2006, então já sabia como desenvolver e melhorar, sendo bacana o resultado nesse sentido na tela.

Quanto das atuações, a base da trama fica a cargo de Jeremy Irvine com seu James, tendo alguns trejeitos bem colocados, dinâmicas bem resolvidas, mas por vezes parecendo meio perdido em cena, o que pode ser motivo da famosa atuação sem grandes referências no ambiente, mas ao menos teve  uma presença cênica bem chamativa para segurar o filme. Das garotas, tivemos Hannah Emily Anderson bem cheia de charme com sua Mary, passando um simbolismo maior para com o protagonista, mas não fluindo tanto nas cenas que necessitava, deixando um mistério maior do que algo funcional para a trama; também tivemos Evie Templeton bem colocada com sua Laura quase como um fantasma misterioso, mas ao menos causando nas suas cenas; e também tivemos Eve Macklin com sua Angela bem estranha, com um ar cheio de simbolismo, mas não indo tão além quanto poderia.

Visualmente o longa ficou bem interessante, tendo vários personagens característicos do jogo, como as enfermeiras ou bichos brancos estranhos sem braços que soltam um tipo de ácido, várias formas menores disso que parecem aranhas, e claro o monstro com a cabeça de pirâmide, tendo ambientes escuros e um visual com tons avermelhados bem marcantes, mudando bem os momentos na tela, além de alguns atos mais bonitos nos flashbacks dos protagonistas, além de alguns cultos estranhos, ou seja, a equipe de arte procurou ser bem fiel ao jogo, e o resultado ao menos nesse sentido não ficou falho.

Enfim, mais uma vez tentaram ser fieis ao videogame e se perderam na concepção para a telona, fazendo com que não agradasse nenhum dos dois lados, virando uma confusão tremenda, e o resultado sendo apenas interessante, mas felizmente está levando um bom público de fãs para as sessões, então pode ser que eles gostem mais do que eu. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos e dicas, então abraços e até logo mais.


2 comentários:

Anônimo disse...

Esse filme tem algum a relação com o antecessor de anos e anos trás? Ou é apenas uma nova história na cidade de névoa?

Fernando Coelho disse...

Olá amigo... foi feito inclusive pelo mesmo diretor de 2006, teoricamente segue o capítulo 2 do jogo, mas dá para conferir sem ter visto o anterior, é a mesma bagunça... rsss... abraços!!

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