O longa nos conta que Valentín é um preso político da ditadura argentina nos anos 80 que divide cela com Molina, um ex-decorador de vitrines que foi detido por atentado ao pudor. Reconhecido como um homem gay, Molina passa a narrar para o seu companheiro as histórias de seu musical de Hollywood favorito, um drama colorido e espetacular protagonizado por sua atriz predileta Ingrid Luna. Logo, um forte vínculo se forma entre a dupla, enquanto Molina tenta escapar da realidade política brutal através da imaginação. Logo, inicia-se uma fantástica história de romance.
A principal mudança que o diretor e roteirista Bill Condon fez na trama do original foi mudar de drama psicológico para um musical politizado, e ele como bem sabe fazer em seus longas conseguiu jogar para um vértice tão descontraído e emocional, que seu filme acaba fluindo fácil, não vira algo cansativo de acompanhar, e mesmo com a pegada musical não chega a incomodar, pois muitas vezes alguns atos não precisariam da cantoria toda, mas aqui entraram com nuances tão bem encaixadas que resultaram em algo que quem curte musicais acaba encantando com a história dos personagens, e claro da paixão do protagonista em contar seu filme preferido sem ter um cinema para exibir para o outro, e fazer com que ele enxergasse tudo nas minúcias desenhadas pela encenação de sua mente.
É engraçado que nunca tinha ouvido falar do ator Tonatiuh, mas a personificação, o encantamento e toda a desenvoltura que deu para seu Luis Molina e Kendall Nesbit, foi algo de se aplaudir, pois ele conseguiu representar em palavras o sentimento das imagens, ao ponto que mesmo que o diretor não quisesse criar as cenas do longa fantasioso, somente de escutar tudo o que ele falava, no tom bem colocado, já faria você imaginar tudo da mesma forma que seu parceiro cênico, ou seja, deu show! Já Diego Luna soube brincar bem com as facetas mais sérias de seu Valentín Arregui, e ir dando as devidas nuances de interesse em tudo que o parceiro de cela vai lhe contando, criando uma intimidade bem alocada e dinâmicas cheias de envolvimento na tela, além de boas cenas de dança com seu Armando. Jennifer Lopez sempre entrega bem personagens sensuais na tela, e aqui como uma dançarina ainda por cima pode dar seu show em diversos momentos de sua Ingrid Luna, Aurora e Mulher Aranha, ou seja, três vertentes bem diferentes, mas que a atriz se jogou.
Visualmente a trama teve como boa parte da trama dentro da cela da prisão, tendo poucos elementos cênicos, mas bem usados, como a beliche do protagonista com sua cortina de contas, a cama simples do outro protagonista, alguns pôsteres de filmes, uma pequena mesa com um fogareiro e um banheiro separado com uma cortina, além disso tivemos o outro lado do filme com muitas cores, que a todo momento é frisado ser feito em tecnicolor, tendo vários atos de dança em palcos, boates, restaurantes, vilas e tudo mais, com várias nuances e figurinos esvoaçantes, além de alguns momentos em uma selva bem fictícia, mais puxada para algo teatral. Ou seja, a equipe de arte usou bem as bases do musical da Broadway para desenvolver todo o ambiente do longa.
Enfim, é um longa que não estava botando tanta fé que iria gostar, principalmente pela propaganda vendida de como um dos melhores musicais da atualidade, fazendo comparações e tudo mais, mas o resultado funciona bem na tela, envolve e emociona na medida, e ao final estamos bem conectados com toda a entrega na tela, valendo bem a recomendação, mesmo não sendo algo perfeito. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.







0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...