Agentes Muito Especiais

1/11/2026 09:10:00 PM |

Um dos grandes problemas das comédias nacionais é que a maioria opta por forçar a barra e em muitos casos acabam virando algo novelesco demais, mas felizmente muitos têm preferido ir por outros caminhos, que mesmo exagerados conseguem ter dinâmicas bem alocadas para divertir e funcionar. Diria que "Agentes Muito Especiais" tinha tudo para dar muito certo, pois é uma história com traquejos tradicionais bem cômicos, loucuras de gênero e trama policial de ação, mas pela formatação da ideia de quase 20 anos entre Paulo Gustavo e Marcus Majella, tendo nuances e indo montando, o resultado ficou até bem elaborado pela equipe de roteiro, mas como uma colcha de retalhos gigante aonde as linhas não se amarraram muito bem, e esse estilo mais solto acabou faltando um pouco em todos os lados. Volto a frisar que não é um filme ruim, pois diverte com a proposta e toda a entrega explosiva, mas faltou fazer rir mais como uma comédia, e impactar mais como algo de espionagem, ficando no meio do caminho de ambas as coisas. Ou seja, é um bom filme, que serve como um passatempo, mas que muitos irão mais se incomodar do que sair da sessão felizes com o que viram.

O longa acompanha a história dos agentes Jeff e Johnny que, para provarem ao chefe da polícia do Rio que são capazes de estar na corporação, se infiltram numa penitenciária para tentar desbancar a quadrilha perigosa "Bando da Onça". Desde o treinamento para entrar na polícia, Jeff e Johnny sofreram com preconceito e chacotas por serem gays. Desejando conquistar o respeito dos colegas, Johnny e Jeff imaginam que apenas será possível solucionando um grande caso. Quando a oportunidade de se infiltrar no bando criminoso comandado pela líder "Onça", a dupla mantém o disfarce e se envolvem com o grupo criminoso. Não sem se meterem numa série de confusões, desde uma fuga atrapalhada que (quase) dá errado, até a construção atrapalhada de uma emboscada.

Diria que o diretor Pedro Antonio vem acertando bem nas formas que escolhe para desenvolver seus longas, de forma que a maioria é bem acertada principalmente por não recair no novelesco tradicional, e aqui partindo da ideia que Marcus Majella e Paulo Gustavo foram elaborando por anos desde que viram "Tropa de Elite", ele acabou juntando tudo e criando algo com uma pegada cômica, mas com um ar sério demais, de tal forma que acabou virando daqueles longas de ação policial meio que perdidos na essência. Ou seja, ele deveria ter optado para um lado mais engraçado com uma pegada meio que quase como "Loucademia de Polícia" ou "Corra Que a Polícia Vem Aí", e aí sim criaria uma trama imponente e cheia de nuances, mas com a ideia meio que recortada demais o resultado ficou apenas como um bom passatempo, que não incomoda, mas também não impressiona como deveria.

Quanto das atuações, a ideia dos protagonistas como gays exagerados até foi boa, e brincou bem com os diversos estilos de homossexuais que sabemos que existem, de modo que Marcus Majella se jogou muito mais como o elétrico com seu Jeff, mas também brincando bem como o inteligente do grupo, sabendo bem o que desejava mostrar e claro mostrar bem diferente de personalidade e de corpo de seu primeiro filme com o diretor lá em 2016/2017, e fez bem o que precisava mostrar, agradando com estilo. Já Pedroca Monteiro teve a difícil missão de substituir Paulo Gustavo no papel que seria dele, de modo que seu Johnny foi aquele gay mais retraído, mas que diverte justamente por essa pegada de não sair do armário de cara, brincando com as facetas do estilo e saindo bem com o que precisava fazer. Quanto aos demais, vale claro dar o destaque para Dira Paes com sua Onça, pois como chefe do crime mostrou a personalidade que conhecemos bem, a imposição cênica e tudo mais que sempre faz tão bem, sendo marcante desde a hora que apareceu, e que valeria aparecer até mais na tela.

Visualmente o longa teve bons momentos no treinamento, em uma academia militar simples, mas bem representada na tela, tivemos uma prisão tradicional sem grandes chamarizes, mas tendo os momentos certos para criar as devidas situações, uma fuga maluca, mas bem orquestrada e depois algumas boas cenas num galpão simples, mas bem espaçoso para vários tipos de situações, tendo um assalto com explosão em um posto e o fechamento em um desfile com cenas bem trabalhadas no porto do RJ, então posso dizer que a equipe gastou bem e soube segurar a essência de tudo o que pretendiam mostrar na tela.

Enfim, é um longa que com poucas modificações poderia ficar incrível, mas que pela ousada proposta até foi bem acertado e divertido, de modo que claro não vá esperando que irá rir de gargalhar com o que é mostrado, pois isso não vai ocorrer, mas como disse, serviu ao menos como um passatempo razoável sem ficar novelesco. Então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, afinal daqui a pouco tem premiação para conferir, então abraços e até amanhã com mais textos.


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