Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (If I Had Legs I'd Kick You)

1/07/2026 01:31:00 AM |

Claro que fui conferir o longa "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria", esperando algo bem maluco com um nome desse, mas não imaginava o tamanho da insanidade, pois certa vez vi na internet algo sobre quem faz a terapia de um terapeuta, e a discussão rolava ao ponto de desacreditar que eles precisariam de algo, já que o estudo por si só conseguiria se tratar, então diria para a pessoa que fez essa teoria assistir ao longa, pois a protagonista tem sua vida desmoronada tanto pessoalmente quanto profissionalmente com tantos problemas para lidar que olha, você quase surta junto com ela, e o mais interessante de tudo é que mesmo dessa forma insana o longa funciona muito bem, principalmente pela ótima atuação da protagonista. Ou seja, se você gosta de tramas diferenciadas essa sem dúvida vai ser uma ótima opção de conferida, mas se você é do time que gosta de tudo muito certinho, vai acabar achando que a diretora comeu alguma ervinha estragada no café da manhã.

O longa nos conta que Linda é uma mãe à beira de um colapso. Praticamente mãe solo de uma menina doente, a psicóloga Linda é obrigada a navegar uma crise atrás da outra quando seu teto cai graças a um vazamento enorme de água em seu apartamento. Com a vida desmoronando (literal e metaforicamente), ela busca socorro de todos os lados, mas ninguém parece estar disposto ou ser capaz de ajudá-la, nem seu ausente marido, nem seu hostil terapeuta. Agora, morando num motel com sua filha, ela precisa encontrar um jeito de resolver o buraco em seu telhado, a doença misteriosa da sua criança e um paciente desaparecido.

Desconhecia o estilo da diretora e roteirista Mary Bronstein, mas posso dizer que certamente ela se baseou em alguém conhecido para criar a história na tela, pois tem muitos detalhes, muitas situações impactantes, e um desenvolvimento claro de quem vivenciou toda a insanidade que a protagonista vive. Claro que temos muitos exageros, mas a essência está bem colocada, o excesso não fica jogado, e o funcionamento da trama pega fogo do começo ao fim, desde a voz irritante da criança, passando pelos pacientes, pelo terapeuta, pelo marido, pelo guarda, pela atendente do hotel, que nem com muita droga na cabeça seria possível aguentar toda a pressão. Ou seja, é daquelas tramas que se você for conferir num dia cheio de problemas é capaz de fazer igual a protagonista faz no final do longa, mas sem dar spoilers, o mundo quer que a gente exploda, então faça como ela faz no miolo, grite com um travesseiro na boca e está tudo certo, pois a diretora soube ir no ponto chave para que seu filme não falhasse, e tinha muitas chances para isso.

Quanto das atuações, o longa é de Rose Byrne com sua Linda, sendo daqueles papeis que a atriz pega e fala para a diretora: posso surtar de verdade, e vai lá e faz da melhor forma possível, sendo algo que você chega a ficar pensando como faria com tudo o que acontece, e não se vê saindo de alguma forma que não fosse a loucura, tendo intensidade do começo ao fim, trejeitos de surto, de drogas, de explosão e tudo mais que fosse possível, impactando na medida certa para que o personagem não saísse da casinha apenas como um louco qualquer, mas sim aquele louco que o público quer ver acontecer, e ela entrega. Ainda tivemos Delaney Quinn aparecendo com seu rosto somente no final como a filha da protagonista, mas tendo tantos atos irritantes que dá vontade de socar, a diretora Mary Bronstein também teve alguns atos cínicos com sua Dra. Spring, A$AP Rocky trabalhou seu James com o melhor do surto de drogas bem encaixado na trama, e Conan O'Brien trabalhou seu terapeuta com uma serenidade ímpar para o papel, sem fluir muito, nem ficar jogado, o que acabou tendo um bom charme na tela. Outros que apareceram menos, mas tiveram bons atos foram Danielle Macdonald com sua Caroline tão surtada quanto a protagonista e Christian Slater com seu Charles irritante também ao telefone, aparecendo só no final com seu corpo para completar tudo.

Visualmente o longa foi bem simples e usou do famoso recurso da câmera bem próxima para não precisar de muitos ambientes, funcionando em um quarto de um hotel simples, a recepção com alguns itens para venda meio como um mercadinho, alguns consultórios de terapia sem muitos adornos, o estacionamento da escola/hospital, e claro o maior gasto mesmo para o grande buraco no teto da casa da protagonista, que junto de algumas drogas acaba tendo um efeito bem grandioso e maluco na tela, além de algumas cenas numa praia a noite, mas tudo bem básico e funcional, tendo a máquina de comida da filha como algo barulhento e estranho junto da babá eletrônica.

Enfim, não é um longa perfeito, pois você precisa abstrair a pouca cenografia para embarcar na loucura da protagonista e acabar "viajando" junto dos problemas, mas como uma grandiosa atuação que funciona bem dentro da proposta, o resultado acaba funcionando demais, e valendo para algo que deu certo na tela, então como disse no começo vale a pena a recomendação para quem curte tramas diferentes do usual, e se você for desse tipo vá conferir que valerá muito a pena. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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