O longa nos conta que Linda é uma mãe à beira de um colapso. Praticamente mãe solo de uma menina doente, a psicóloga Linda é obrigada a navegar uma crise atrás da outra quando seu teto cai graças a um vazamento enorme de água em seu apartamento. Com a vida desmoronando (literal e metaforicamente), ela busca socorro de todos os lados, mas ninguém parece estar disposto ou ser capaz de ajudá-la, nem seu ausente marido, nem seu hostil terapeuta. Agora, morando num motel com sua filha, ela precisa encontrar um jeito de resolver o buraco em seu telhado, a doença misteriosa da sua criança e um paciente desaparecido.
Desconhecia o estilo da diretora e roteirista Mary Bronstein, mas posso dizer que certamente ela se baseou em alguém conhecido para criar a história na tela, pois tem muitos detalhes, muitas situações impactantes, e um desenvolvimento claro de quem vivenciou toda a insanidade que a protagonista vive. Claro que temos muitos exageros, mas a essência está bem colocada, o excesso não fica jogado, e o funcionamento da trama pega fogo do começo ao fim, desde a voz irritante da criança, passando pelos pacientes, pelo terapeuta, pelo marido, pelo guarda, pela atendente do hotel, que nem com muita droga na cabeça seria possível aguentar toda a pressão. Ou seja, é daquelas tramas que se você for conferir num dia cheio de problemas é capaz de fazer igual a protagonista faz no final do longa, mas sem dar spoilers, o mundo quer que a gente exploda, então faça como ela faz no miolo, grite com um travesseiro na boca e está tudo certo, pois a diretora soube ir no ponto chave para que seu filme não falhasse, e tinha muitas chances para isso.
Quanto das atuações, o longa é de Rose Byrne com sua Linda, sendo daqueles papeis que a atriz pega e fala para a diretora: posso surtar de verdade, e vai lá e faz da melhor forma possível, sendo algo que você chega a ficar pensando como faria com tudo o que acontece, e não se vê saindo de alguma forma que não fosse a loucura, tendo intensidade do começo ao fim, trejeitos de surto, de drogas, de explosão e tudo mais que fosse possível, impactando na medida certa para que o personagem não saísse da casinha apenas como um louco qualquer, mas sim aquele louco que o público quer ver acontecer, e ela entrega. Ainda tivemos Delaney Quinn aparecendo com seu rosto somente no final como a filha da protagonista, mas tendo tantos atos irritantes que dá vontade de socar, a diretora Mary Bronstein também teve alguns atos cínicos com sua Dra. Spring, A$AP Rocky trabalhou seu James com o melhor do surto de drogas bem encaixado na trama, e Conan O'Brien trabalhou seu terapeuta com uma serenidade ímpar para o papel, sem fluir muito, nem ficar jogado, o que acabou tendo um bom charme na tela. Outros que apareceram menos, mas tiveram bons atos foram Danielle Macdonald com sua Caroline tão surtada quanto a protagonista e Christian Slater com seu Charles irritante também ao telefone, aparecendo só no final com seu corpo para completar tudo.
Visualmente o longa foi bem simples e usou do famoso recurso da câmera bem próxima para não precisar de muitos ambientes, funcionando em um quarto de um hotel simples, a recepção com alguns itens para venda meio como um mercadinho, alguns consultórios de terapia sem muitos adornos, o estacionamento da escola/hospital, e claro o maior gasto mesmo para o grande buraco no teto da casa da protagonista, que junto de algumas drogas acaba tendo um efeito bem grandioso e maluco na tela, além de algumas cenas numa praia a noite, mas tudo bem básico e funcional, tendo a máquina de comida da filha como algo barulhento e estranho junto da babá eletrônica.
Enfim, não é um longa perfeito, pois você precisa abstrair a pouca cenografia para embarcar na loucura da protagonista e acabar "viajando" junto dos problemas, mas como uma grandiosa atuação que funciona bem dentro da proposta, o resultado acaba funcionando demais, e valendo para algo que deu certo na tela, então como disse no começo vale a pena a recomendação para quem curte tramas diferentes do usual, e se você for desse tipo vá conferir que valerá muito a pena. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.







0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado por comentar em meu site... desde já agradeço por ler minhas críticas...