O longa nos situa no ano de 1575 quando o jovem Miguel de Cervantes é ferido numa batalha naval e capturado como prisioneiro por forças argelinas em seu retorno para a Espanha. Sem saber que seu destino é a morte em território argelino, Cervantes encontra refúgio na arte da ficção e da contação de histórias. Esperando que seu resgate seja pago, as incríveis e fascinantes narrativas do artista estabelecem a esperança dos companheiros de prisão e, eventualmente, atraem a atenção do misterioso e temido Hassam. Em meio aos conflitos que florescem entre seus desesperados parceiros de cela, Cervantes passa a orquestrar um plano ambicioso e arriscado de fuga.
Não conhecia os trabalhos do diretor e roteirista Alejandro Amenábar, mas posso dizer que ele tem presença, sabe desenvolver bem as dinâmicas para que seu filme não ficasse arrastado, porém esqueceu a tesoura em casa, pois dava para cortar facilmente uns 20 a 30 minutos da trama para que ela ficasse mais explosiva e menos "novelesca", pois não precisaria desenvolver outros personagens e nem fantasiar tanto, pois logo na primeira contação de histórias para os seus parceiros de cela, e depois para o paxá, fica claro mais da metade de tudo, e ao ficar repetindo acaba enrolando mais do que envolvendo, o que é um perigo, que por sorte não ficou cansativo, mas dava para ser mais intenso e marcante na tela com poucos ajustes.
Quanto das atuações, Julio Peña foi bem seguro na personalidade de Miguel de Cervantes, fazendo um homem que deseja ir além, tinha seu dom para contar histórias, e que se jogou nas dinâmicas mais densas com cada tipo de personagem ao seu redor, sendo marcante e expressivo para chamar atenção e não ficar forçado na tela. E falando em forçado, Alessandro Borghi acabou tendo as nuances de seu Paxá Hassam num misto de vingativo com presença cênica demais, parecendo não ser suficiente na tela com suas entregas, mas soube ser sensual e forte ao mesmo tempo, o que acabou agradando no resultado final. Ainda tivemos outros bons personagens como Miguel Rellán fazendo o Padre Sosa de onde o escritor tirou muitas ideias de seus textos, Fernando Tejero trabalhando o Padre Blanco com todas suas surtadas explosivas, e claro José Manuel Poga fazendo um Castañeda bem marcante com as ideias do protagonista.
Visualmente o longa teve uma bela presença cênica, mostrando inicialmente como eram vendidos os cristãos presos pelos mouros para as devidas tarefas, e os que tinham alguma linhagem maior ou cargos mais chamativos do governo eram levados para uma prisão ampla aonde ficavam esperando seus resgates serem pagos, sendo algo bem retratado de poucas condições, a céu aberto, com figurinos marcantes, e tendo os momentos que alguns optavam pela redenção mudando a religião e podendo viver na cidade, tivemos o palácio do paxá bem colocado, com seus serviçais de todos os tipos, louças em ouro e claro instrumentos de matança com o famoso empalamento tão conhecido na história, e fora do palácio e da prisão tivemos uma cidade rica de negociações, pessoas e comidas exóticas e tudo mais que acabaram encantando também o personagem principal.
Enfim, é um filme interessante para conhecer o personagem que pouco sabia sobre, que talvez alguns conhecesse mais, sendo uma biografia bacana com uma pegada ficcional bem colocada, então fica a dica para talvez as devidas ressalvas mais exageradas, e que como disse, poderia ser menor de duração para chamar mais atenção, embora não canse, então vale o play. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.







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