O Diário de Pilar na Amazônia

1/17/2026 10:11:00 PM |

Antes de mais nada, caso você não seja leitor dos livros, nem tenha conferido a série animada, tente descobrir um pouco mais para não ficar tão perdido com os personagens de "O Diário de Pilar na Amazônia", pois mesmo sendo um filme bem infantil, totalmente voltado para a criançada, a pegada ecológica funciona bem e tem até seus gracejos, mas se desconhecer qualquer coisa vai achar vários absurdos como o bolso mágico da garota que sai de tudo, e alguns personagens que aparecem apenas para dar o ar da graça sem nada de útil para o filme. Ou seja, é uma trama que a criançada que já é fã da personagem vai curtir, tanto que os que estavam na sala entraram eufóricos e curtiram cada minuto sem nem ficarem zanzando pela sala, tendo boas nuances explicativas sobre os personagens lendários da floresta, sobre como o açaí original não é o docinho que todo mundo ama, e por aí vai, sendo simples e bem colocado ao menos como um passatempo "educativo".

No longa acompanhamos uma menina curiosa, extrovertida e exploradora chamada Pilar embarca em diferentes aventuras na floresta amazônica para ajudar uma amiga a reencontrar a família. Com sua rede mágica, um presente dado por seu avô, Pilar viaja até a Amazônia junto com o colega Breno e o gato Samba. Lá, eles fazem novos amigos, como a ribeirinha Maiara cuja comunidade foi destruída. Com a ajuda de figuras folclóricos, a jovem e seus amigos embarcam num desafio de encontrar a família de Maiara e impedir o contínuo desmatamento na região.

O interessante é que os diretores Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put possuem diversas comédias em seus currículos, e possuem muito mais experiência nesse molde, mas também já trabalharam com outros filmes e livros infantis e juvenis da escritora Flávia Lins e Silva, ou seja, acharam um modelo para conseguir ganhar muito tendo sempre trabalho com os mesmos personagens. Claro que não é tão fácil assim como estou falando, afinal trabalhar com crianças, animais e locações variadas fora de um "ambiente seguro" é bem complexo, mas tendo a base, o resultado flui muito fácil, ainda mais se gravarem bastante enquanto a protagonista está com mesmo tamanho e idade, e ir depois só desenvolvendo o restante para lançar, então veremos com certeza mais trabalhos da personagem na tela, e talvez com os mesmos diretores. Porém, como esse está sendo o primeiro filme live-action da personagem, valeria ter uma introdução maior para os que antes não a conheciam.

E falando da protagonista, a jovem Lina Flor estreou com uma postura simples, porém bem carismática para sua Pilar, parecendo um pouco tímida demais, mas tendo uma boa segurança para a maioria dos atos, talvez precisando um pouco mais de intimidade para ir mais além, então num segundo filme acredito que vá se soltar mais. Já o jovem Miguel Soares, embora seja seu primeiro papel no cinema, já trabalhou muito em novela, e assim já tinha uma desenvoltura mais pegada com a câmera, fazendo com que seu Breno tivesse carisma e soubesse se posicionar melhor para os devidos momentos, agradando com o que fez, e também com o carinho que teve com os demais personagens. Ainda tivemos bons momentos com os dois jovens, que acredito que sejam da região Norte que foram bem escolhidos para os papeis de lá, Sophia Ataíde e Thúlio Naad com seus Maiara e Bira bem encaixados no sotaque, no estilo e na desenvoltura de seus papeis, além dos demais povos indígenas que aparecem bem na tela, os personagens lendários bem colocados, ou seja, um filme de uma região mesmo. E claro, mesmo que fazendo vilões bobos, afinal esse é o estilo em filmes infantis, tivemos Marcelo Adnet como um empresário do agro querendo colocar mais pastos para gado no meio da Amazônia, e Babu Santana, Emilio Dantas e Rafael Saraiva como seus capangas bem colocados em cena.

Visualmente o longa tem uma boa pegada no meio da floresta, mostrando bem as embarcações de viagens com suas muitas redes, e também as barcas com muitas toras das árvores desmatadas, com tratores e motosserras, além de alguns rituais indígenas e preparações de armas e treinos para tentar pegar os bandidos, tudo com bons símbolos nos rios, contando ainda com botos, sereias, curupiras, entre outros, ou seja, a equipe de arte brincou bastante na tela.

Enfim, é um longa infantil, então não espere desenvolturas mil, nem efeitos mirabolantes, mas tudo bem feitinho, simples e funcional de acordo com o que o livro acredito que pedia, só frisando mesmo que faltou explicar um pouco mais como sendo o primeiro live-action, para entendermos mais dos protagonistas, mas não é nada que com um tempo de tela não se prenda. Então fica a dica para os fãs da série serem levados pelos pais nas sessões, e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos. Então abraços e até logo mais.


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