A Voz de Hind Rajab (Sawt Hind Rajab) (The Voice of Hind Rajab)

1/20/2026 01:37:00 AM |

A única palavra que me vem na mente após conferir o longa "A Voz de Hind Rajab" é indignação, pois não tem como não surtar como o atendente da central de emergência que está falando com a garotinha presa num carro cheio de mortos, e seus superiores não conseguem uma "porcaria" (pra não falar um palavrão!) de uma ambulância ou sei lá o que para ir resgatar ela no meio de um ataque de Israel em Gaza. Dito isso, o longa que estreia dia 29/01 nos cinemas nacionais, em homenagem aos 2 anos que ocorreu o caso mostrado na tela, é simples de execução, com uma sala de ligações, uma sala da gerência e a sala da terapeuta, junto das ligações reais do caso que foram divulgadas depois, contando apenas com poucos atores na tela, porém tem uma potência tão grande que faz você surtar com tudo o que acontece, sendo daqueles filmes com um impacto na mente que nem dá para transmitir em palavras, mas que muitos defensores de Israel irão falar que é falso, ou seja, só vejam e depois reflitam!

O longa nos conta que em uma noite de terror em Gaza, uma ligação de emergência se transforma em uma corrida contra o tempo para salvar Hind Rajab, uma criança de 6 anos presa em um carro sob fogo cruzado. Em contato permanente com a menina, voluntários do Crescente Vermelho enfrentam enormes desafios para coordenar uma operação de resgate em meio à violência extrema.

Já tinha dito no filme anterior da diretora e roteirista Kaouther Ben Hania, "As 4 Filhas de Olfa", que ela sabia muito bem como trabalhar temas complexos e desenvolver bem os seus atores para parecerem o mais reais possíveis com os personagens das histórias verdadeiras, e aqui ela voltou a detonar nesse sentido, pois me vi tão desesperado com o protagonista ouvindo as ligações reais, que parecia que era eu ali ouvindo e tentando fazer uma solução, de modo que só faltou ele pensar em ir de carro resolver sozinho a parada (apesar que 80km com o tanto de enrolação das equipes dava prele ter ido e voltado umas 3x), mas sabemos que no meio de uma guerra infelizmente não dá para fazer isso, e com isso fico pensando como a mente do ator, e claro do verdadeiro atendente explodiu com tudo acontecendo, pois não dá para sair imune numa situação dessas. Ou seja, é um trabalho bem simples, como a diretora já mostrou saber fazer bem, mas que vai deixar muita gente indignada com a entrega dos atores, e principalmente com os áudios reais usados, pois é desesperador não conseguir ajudar alguém por ter tanta burocracia, e mais ainda pelo que o país adversário fez na finalização.

Quanto das atuações, já falei muito que não tem como não se identificar com o protagonista vivido por Motaz Malhees, pois seu Omar entra no famoso estado de choque logo após a primeira morte, e depois entra no surto desvairado para ajudar a garota, e sua entrega é primorosa, realista e cheia de expressividade, de modo que certamente conversou com o verdadeiro Omar, e tirou um brilhantismo para ficar real demais na tela. Da mesma forma Saja Kilani trabalhou sua Rana com uma dinâmica emocional tão precisa, pois já estava cansada do trabalho direto, pronta para ir para sua casa e acabou sentindo na pele cada dinâmica ali, de modo que a atriz passou essa emoção nos olhares e na fala, agradando demais do começo ao fim. Sabemos que a função de um chefe de setor é seguir toda a norma da companhia para que não haja erros, mas chega a ser irritante alguns atos que Amer Hlehel fez com seu Mahdi, sendo explosivo na medida, e intenso nas dinâmicas ao telefone, mostrando para todos o que não desejava fazer, e como não podia ir além, mas ninguém tem sangue de barata, e o surto vem. E ainda tivemos a terapeuta/psicóloga do grupo Nisreen que Clara Khoury trabalhou bem as dinâmicas, e segurou um pouco demais seus atos na tela, mas essa era a função dela.

Visualmente o longa foi baratíssimo, tendo apenas uma central telefônica com uma sala de liderança e uma varanda, não precisando de muito mais coisas na tela, além de um telão aonde viam as rotas e os carros andando, ou seja, a equipe de arte nem precisou trabalhar praticamente, tendo um bom resultado apenas pelas nuances dos personagens, além de fones de ouvido e telefones para representar bem os momentos.

Enfim, costumo dizer que gosto de pensar muitas vezes como me sentiria no papel principal, e aqui acredito que surtaria até mais do que o protagonista, ou seja, é um filme completamente válido, que recomendo demais para todos, que me irritou aos montes por ver o quanto esse povo que vive em guerra consegue ser mal com os seres humanos que mais precisam, e que claro recomendo muito a conferida, pois também provavelmente será um dos indicados a filme estrangeiro para brigar conosco, então vá aos cinemas no dia 29/01. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Synapse Distribution e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até breve.

PS: raspei de dar a nota máxima para o longa, pois me incomodou demais com toda a entrega, mas como ele ficou muito próximo do longa dinamarquês "Culpa", acredito que dava para talvez sair um pouco mais do real e ficcionado um pouco mais a situação, embora os áudios funcionaram bem demais. Diria que se tivesse notas quebradas daria um 9,7.


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