A Única Saída (No Other Choice)

1/20/2026 10:24:00 PM |

Sinceramente ando ficando com muito medo das ideias dos roteiristas sul-coreanos, pois eles não sabem brincar direito não, já vão para um nível de apelação tão contundente que funciona demais, e o melhor, sabem bem o que pensamos nos nossos momentos mais intensos, de modo que seus longas de humor negro andam indo por rumos tão chamativos, que acabamos aplaudindo e ganhando muitos prêmios mundo afora, por também pensarmos dessa forma bizarra no nosso interior. Afinal quem nunca pensou em eliminar a concorrência de uma entrevista de emprego para que você seja o contratado? E com essa pegada, o longa "A Única Saída", que estreia na próxima quinta 22/01 nos cinemas nacionais, traz uma irreverente e bem maluca história de um homem que após trabalhar 25 anos na mesma empresa, tendo que procurar um novo emprego resolve eliminar seus concorrentes mais fortes, ou seja, acaba sendo em alguns momentos até meio que exagerado a forma entregue, mas como o cinema deles permite uma ousadia a mais, o resultado acaba ficando bom dentro dessa maluquice toda. Claro que a trama passa longe do brilhantismo, principalmente por se alongar um pouco demais, mas a entrega do protagonista é tão boa, que se a equipe pensar bem dá até para fazer alguma série com ele tendo de eliminar mais candidatos em uma outra procura de emprego, mas como filme funcionou também, e isso é o que importa.

A sinopse nos conta que Man-su, especialista em fabricação de papel com 25 anos de experiência, leva uma vida tão plena que pode dizer a si mesmo, com convicção: “Tenho tudo o que preciso”. Ao lado da esposa Miri, dos dois filhos e de seus cães, vive dias felizes, até ser surpreendido pela notícia de que foi demitido. O choque é devastador, mas, ainda assim, Man-su promete a si mesmo que encontrará um novo emprego em três meses pelo bem da família. Porém, a realidade se revela bem mais complicada. Apesar da determinação, ele passa mais de um ano pulando de entrevista em entrevista e se sustentando com um trabalho no comércio. Em pouco tempo, começa a correr o risco de perder a casa pela qual tanto lutou. No desespero, aparece de surpresa na Moon Paper para entregar seu currículo, mas acaba humilhado pelo gerente de linha Sun-chul. Convencido de que é mais qualificado do que qualquer candidato para trabalhar na empresa, Man-su toma uma decisão drástica: “Se não existe uma vaga para mim, vou ter que criá-la”. 

Muitos estão perguntando por aí se essa seria uma refilmagem do clássico "O Corte" do diretor Costa-Gravas, mas não é bem isso, o longa é sim uma nova adaptação do livro “O Corte”, de Donald E. Westlake, que Costa-Gravas utilizou e aqui recebe até uma leve homenagem nos créditos, de modo que o diretor e roteirista Park Chan-Wook foi bem coerente em trabalhar o livro de uma forma mais coreana possível, com uma pegada direta e cheia de nuances, usando um humor até mais ácido do que o comum deles, mas sendo um longa envolvente que funciona, diverte, e claro dá algumas ideias meio que malucas pro pessoal que está procurando emprego. Ou seja, é o famoso filme certo de si que não fica com espaços jogados na tela, mas que se afinado um pouco mais poderia impactar como nenhum outro já fez.

Quanto das atuações Lee Byung-hun trabalhou seu Man-su com muita personalidade, pois você não imagina ele como alguém capaz de matar ninguém, muito pelo contrário, acha até fraco demais para algumas situações, mas ele brinca com essas facetas, e faz o filme ficar com a sua cara, sendo bem trabalhado e cheio das nuances. Outra que foi muito bem, mas de uma forma mais fechada foi Son Ye-jin como a esposa do protagonista, Miri, tendo alguns atos bem colocados como uma boa organizadora financeira, e outros mais densos e como apoiadora do marido quando descobre a situação toda, ou seja, soube se sobressair para aparecer bem na tela. Tivemos ainda boas cenas com os demais candidatos que Cha Seung-won e Lee Sung-min fizeram, trabalhando traquejos meio que desesperados ao enfrentarem o protagonista, mas as boas cenas ficaram para Park Hee-soon com seu Sun-chul irreverente e beberrão que confrontando bem o protagonista tiveram atos bem marcantes e com estilo. Quanto das crianças e dos cachorros, só achei irreverente a beça os nomes Si-one e Ri-one com seus cachorros Si-two e Ri-two, mas não foram tão além quanto poderiam nas entregas de suas facetas.

Visualmente o longa teve um bom trabalho da equipe de arte, com casas bem diferentes dos personagens, mostrando o quanto a queda da riqueza pode deixar alguém completamente maluco, tivemos também as casas isoladas dos demais, tendo uma no meio de uma floresta com cobras, outra com um aspecto mais rústico e até a do outro que não chega a ser mostrada, mas saindo de uma loja de sapatos com o mar ao fundo, mostrando que o protagonista viajou muito entre as cidades, e claro a cena do "bonsai humano" foi muito bem trabalhada.

Enfim, é um longa que tem sido bastante indicado nas diversas premiações, mas que curiosamente não tem levado tantos prêmios quanto poderia, muito pelo motivo de que muitos não devem estar entendendo as ironias da trama, mas ainda assim é um tremendo filmaço, divertido na medida, que mesmo sendo um pouco longo demais acaba agradando bastante. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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