Diria que o diretor Todd Haynes soube conduzir sua obra de um modo tão fechado que por muitos momentos ficamos pensando aonde iriam conseguir chegar, se a protagonista iria arrumar alguma briga, se teria muitas influências negativas do casal pelos demais ali entrevistados por ela, e tudo mais, e isso é algo brilhante de conseguir passar para o público, pois ao mesmo tempo que temos um filme bem difícil de ser interpretado pelos atores, o roteiro de Samy Burch e Alex Mechanik teve de ser montado com minúcias, senão certamente cada ato poderia ser duplo, triplo ou tudo uma bagunça completa, afinal são tantas facetas na tela que é necessário todo um desenvolvimento maior. Ou seja, o estilo do diretor já é de filmes mais pegados, e ele encontrou um roteiro desafiador para trabalhar e colocou tudo na tela com presença e forma que sentimos sua mão em cada momento, mas mais do que isso sentimos o brilho das atuações, e isso faz o filme ter rumos que daria para seguir por muitas horas, mesmo sendo denso.
E já que comecei a falar das atuações, diria que Natalie Portman sabe ser incrível em qualquer tipo de papel que lhe entregue, de tal forma que sua Elizabeth é daquelas que você tenta ter um carisma por ela, fica na dúvida de suas desenvolturas, e vai virando tudo de uma forma tão incrível que nem sua amiga Julianne Moore percebeu nas filmagens que desde o início estava imitando seus maneirismos e trejeitos, ou seja, foi pegando tudo com sutilezas e deu show. E falando em Julianne Moore, ela trouxe para sua Gracie uma personalidade meio que dupla, aonde não vê problemas em muitas coisas, mas tem muitos problemas para entregar, de tal forma que ela soube ir amarrando a personagem e o público junto dela com ares próprios e incômodos, o que deu uma bela pegada cênica para tudo. E claro que Charles Melton conseguiu passar para seu Joe tanto envolvimento cênico, quanto insegurança de personagem, algo que difere muito de insegurança do ator, pois ele fez todas as nuances que o jovem poderia estar sentindo com a intimidação da personagem principal, revendo como foi sua vida nesses muitos anos, e suas duas cenas principais, tanto a com o filho no telhado, quanto a com a atriz na casa dela, mostraram uma personalidade ímpar que está chamando atenção em muitas premiações lhe garantindo indicações e prêmios. Quanto aos demais diria que todos deram as devidas conexões sem ir muito além, valendo dar claro destaque para as cenas de Cory Michael Smith como o filho do casamento anterior de Gracie, pelo jeito irônico e bem encaixado que colocou na tela.
Visualmente o longa tem uma boa pegada, mostrando uma casa até que bem trabalhada aonde os protagonistas moram, mostrando seus muitos bolos que faz para distrair, começa logo de cara mostrando as encomendas que a personagem recebe pelos correios, mostrando que não é bem vista por ali, tivemos alguns atos na escola, alguns atos em bares, e claro no petshop aonde tudo aconteceu no passado, ainda tivemos alguns recortes de revistas, cartas e tudo mais para dar bons elementos para o conteúdo da trama, mas sem dúvida como é um filme de atores, o que vale mesmo são as interpretações.
Enfim, é um filme que eu não sabia nem do que se tratava, não passou o trailer em nenhuma sessão anterior na cidade, fiquei conhecendo ele apenas nas premiações do começo do ano, e fui sem esperar nada, então acabei gostando bastante de tudo, mesmo parecendo um pouco cansativo pela duração de certo modo, mas que vemos que tudo foi muito bem trabalhado e necessário de estar na tela, então faz todo o sentido e funciona bastante, sendo daqueles filmes que muitos vão até achar um pouco chato, mas que quem gosta do estilo não irá desgrudar o olho da tela um segundo, e assim sendo vale muito a indicação. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.
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