Netflix - O Aprendiz do Tigre (The Tiger's Apprentice)

6/25/2024 10:35:00 PM |

Alguma vez você já imaginou como seria "Kung-Fu Panda" trocando o ursão por um garotinho logo que o filme foi lançado lá no saudoso 2008? Se você não pensou nisso, perdeu a oportunidade de vender um roteiro para a Paramount+ fazer sua obra original, "O Aprendiz do Tigre", que foi lançada na Netflix no último dia 16, pois a trama animada brinca com situações bem parecidas com o que vimos lá no começo, tendo uma feiticeira desejando um artefato que um guardião mantém, e todo o conflito com os 12 símbolos do zodíaco ajudando o garoto a recuperar depois que acaba dando mancada e perdendo o artefato. Claro que resumi demais, e o longa aqui tem toda uma pegada original usando bem a base da cultura oriental, mas que lembra muito o filme do urso panda, e um detalhe interessante também é que não quiseram trabalhar tantas texturas, deixando ele mais chapado, porém ainda com boas sombras e uma tridimensionalidade interessante. Ou seja, o longa foi bem rápido e dinâmico na explicação toda, executou boas cenas de ação, e claro deixou muito para uma possível continuação, mas principalmente envolveu bem com toda a simbologia oriental na telinha, e ainda pôs para dublar todo o elenco oriental de Hollywood.

O longa nos conta a história de um garoto, Tom, que é atraído para um estranho mundo, contra sua vontade, quando descobre que sua avó é a guardiã do ovo de uma fênix. Quando sua avó morre, Tom precisa aprender, com um mentor improvável, uma magia antiga e se tornar o novo protetor do ovo. Eles, então, se juntam a um grupo improvável de criaturas exóticas, cada uma representando um signo do zodíaco chinês.

Diria que o grupo de diretores Raman Hui, Yong Duk Jhun e Paul Watling conseguiram trabalhar bem toda a dinâmica na tela, de modo que mesmo não tendo lido o livro de Laurence Yep fica nítido na tela que não quiseram detalhar tanto cada elemento e cada personagem para que o filme fosse mais fluido, e claro com isso perderam também um pouco dos detalhes, ao ponto que se o espectador não se conectar rapidamente com os personagens nem vê a história acontecer. Ou seja, ao mesmo tempo que essa escolha foi boa para criar um filme divertido, cheio de interação e muita ação para capturar rápido a criançada que gosta de lutas, também foi bem arriscada para que os adultos se envolvessem mais com cada ato e personagem, ao ponto que em diversos momentos o filme parece apenas jogar a ideia no ar e você que pegue ela rapidamente antes que ela suma, e isso é perigoso, principalmente se o filme não fizer sucesso para continuações, mas que mesmo tendo um final bem fechado acredito que aconteça, então vamos aguardar.

Gosto muito de ver animações dubladas, mas como o longa tinha uma pegada oriental e vi que o elenco inteiro era de grandes nomes orientais de Hollywood, acabei dando o play na versão original, e claro que sem muitas piadinhas tradicionais da dublagem nacional vi uma trama mais cheia de sacadas, aonde os personagens principais são bem densos, ou seja, Henry Golding entregou bons atos com seu Hu tanto na versão humana quanto na versão felina, sendo imponente e bem direto na pegada escolhida, divertindo em alguns atos, mas passando boas lições morais na tela. Brandon Soo Hoo deu um ar descontraído para seu Tom, mas criando interações bem divertidas e bem sacadas na tela, fazendo com que o garotinho fosse carismático como protagonista. Michelle Yeoh botou toda a sua imponência na voz da vilã Loo, que também foi bem desenhada e chamou atenção nas batalhas contra todos os personagens. Ainda tivemos outros ótimos personagens e atores/atrizes como Sandra Oh e sua Mistral, Lucy Liu trabalhando duas vozes de Nu Kua e Cynthia, entre outros.

Visualmente a trama foi bem colorida, com personagens interessantes e chamativos, e tanto as versões humanas quanto as dos animais deram toques inteligentes na tela, fazendo com que cada um parecesse bem o animal quando transformado em humano, faltando somente trabalhar um pouco mais de destruição na tela, pois vemos pancadaria e efeitos para todos os lados, mas os prédios continuaram no mesmo formato, sem nenhum dano, e isso soou um pouco falso na tela, mas de certo modo todo o resultado consegue cativar a criançada e passar bons elos morais, além claro do misticismo oriental tradicional.

Enfim, é uma trama que até poderia ir mais além na tela, mas para isso precisaria aumentar um pouco a duração, afinal os 86 minutos de tela são bem usados e representativos, funcionando e agradando tanto para os pequenos quanto para os mais velhos, que claro vão ver muitos elos e motes que poderiam ter sido usados. Então fica a dica para conferirem na plataforma de streaming, claro sem esperar muito dele, e dessa forma ainda iremos esperar por uma continuação em breve. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Aquela Sensação Que o Tempo de Fazer Algo Passou (The Feeling That the Time for Doing Something Has Passed)

6/25/2024 12:58:00 AM |

Na maioria das vezes que acabo de conferir qualquer filme já engato uma escrita direta com tudo o que achei do longa para não esquecer e também não esfriar meu sentimento por ele, porém algumas tramas mais estranhas acabam entrando num processo de maturação na minha cabeça por um tempo para tentar pensar como posso falar o que senti por ele, pois muitas dessas vezes acabo sem saber o que realmente senti ao ver. E hoje demorei bastante para começar a digitar qualquer coisa do longa "Aquela Sensação Que o Tempo de Fazer Algo Passou", pois a sinopse em si é simples demais, as cenas são densas, porém sem grandes atos marcados, e o contexto inteiro da trama apenas me fez pensar em quão triste era a vida da moça protagonista para se sujeitar ao que faz, pois chega a ser depressiva toda a duração da trama e essa forma apática é transmitida para a trama, mas nem temos como reclamar da atriz que faz isso na tela, afinal é a própria diretora, ou seja, é um filme com uma proposta de mostrar uma jovem que já não tem mais planos futuros e gosta de ser submissa ao ponto de não gostar do normal e bom, e assim sendo funciona, mas que mesmo tendo apenas 87 minutos parecem uma eternidade na tela.

A sinopse nos conta que Ann enfrenta a estagnação em um relacionamento casual de BDSM, um emprego medíocre e uma família judaica conflituosa. Em meio à alienação crescente, ela luta para encontrar seu caminho nesta comédia autodepreciativa.

Confesso que no meio do longa eu já estava totalmente revoltado com a diretora Joanna Arnow com o que ela estava fazendo com a protagonista para entregar algo tão deprimente de olhares e sensações, mas depois que cheguei nos créditos e vi que era a própria diretora atuando, fiquei com dó dela se auto usar para isso, pois é completamente correto a entrega na tela para com a proposta, afinal depois de anos de relacionamentos de submissão BDSM, quando a pessoa tem um romance "normal" e casual não consegue entrar de cabeça naquilo, e a vida da personagem já é depressiva por si só, não tendo ânimo para nada, e até no serviço e na família ela sabota o que é normal e bom, ou seja, para a proposta de seu filme, a diretora acertou em cheio, fazendo algo brilhante e totalmente bem representado. Porém, não é algo que seja digesto para a maioria do público, sendo realmente um filme totalmente feito apenas para festivais, ou seja, chega a ser até difícil indicar ele para qualquer pessoa que queira ver ele comercialmente, pois a maioria vai odiar o que verá na tela, e corre o risco de quem indicou ser linchado, mas sabendo exatamente quem é o público-alvo que são pessoas que amam filmes alternativos de festivais, é perfeito.

Já que falei que a diretora Joanna Arnow também é a protagonista Ann, posso dizer que ao menos ela não precisou pedir que nenhuma outra atriz fizesse as diversas cenas nua e fazendo outras coisinhas tradicionais do tema, mas o principal ponto de se jogar como protagonista acredito que tenha sido fazer exatamente a expressão de desânimo geral com tudo, não desejando fazer nada além do que lhe mandam fazer, e de forma mínima para não ganhar o máximo, e isso ela entregou muito bem em todos seus atos com um nível de depressão perfeito. Babak Tafti trabalhou bem seu Chris, de um modo fofo e normal até demais para a protagonista, de tal forma que não vemos futuro na relação deles, e isso é pesado na tela. Enquanto isso do outro lado, Scott Cohen entregou para seu Allen todo o exagero clássico do BDSM, fazendo trejeitos intensos e outros com o mesmo desprezo e desânimo para com a protagonista, não chamando atenção, mas também não ficando em segundo plano. Quanto aos demais, a maioria entregou atos mais de participação, sem grandes chamarizes que valesse destacar.

Visualmente a trama oscila entre o pequeno apartamento da protagonista, a casa dos pais dela, as casas dos vários homens que visita, seu emprego bem entediante também com entrevistas e reuniões presenciais e online, o apartamento de Chris e muitas passadas pelo metrô, não tendo grandes atos críticos que talvez chocasse o público pela temática, mas usando a sexualidade de um modo simples e bem colocado.

Enfim, é um filme que funciona dentro da proposta, mostra bem o estilo da protagonista e se encaixa completamente dentro do nome dele, porém como já disse no texto é feito apenas para amantes de festivais que verão o filme com o olhar exato que o longa tem, de modo que se entrar no eixo comercial não vai funcionar, então deixo a recomendação para os amigos amantes de longas de festival conferirem, pois esses saberão olhar e entender o que a trama passa exatamente. E é isso pessoal, fico por aqui agradecendo os amigos da Synapse Distribuidora, e volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Unabomber: Terrorista (Ted K)

6/24/2024 01:14:00 AM |

O mais engraçado de ver filmes que trabalham, ou melhor tentam trabalhar e estudar a mente de assassinos é que tudo parece lindo, vemos as nuances de ideias e ideais, entramos no clima das personalidades, e logo de cara você vê os famosos traços de psicopatia e sociopatia, de modo que alguns são bem inteligentes, fizeram faculdades e tudo mais, mas quando batem a cabeça pra valer em suas loucuras, não tem rumo certo sem ser a prisão perpétua ou a morte. E o longa "Unabomber: Terrorista", que pode ser conferido na Amazon Prime Video, entra bem na síntese maluca de Ted Kaczynski, que ao abandonar a carreira acadêmica de matemático virou um ecologista fissurado em acabar com toda a modernidade, vivendo no meio de uma floresta, e reclamando de qualquer invenção que acabasse com seu sossego, como aviões, helicópteros, mineradores, motoqueiros e tudo mais que passasse perto de sua cabana, surtando com isso, criando um manifesto e enviando bombas para empresas aéreas, entre outros canais pelos correios, ou seja, quis ser tão primitivo que surtou por completo, e acabou sendo descoberto ou melhor denunciado por quem ele menos esperava. O longa poderia ser mais intenso mostrando também a investigação, mas optou por mostrar mais o estilo de vida de Ted e como sua mente funcionava, de forma que o filme ficou um pouco morno demais.

A sinopse nos mostra que Ted K vive uma vida de reclusão quase completa em uma simples cabana de madeira nas montanhas de Montana. Mas então esse ex-professor universitário, que despreza a sociedade moderna e sua fé na tecnologia, se radicaliza. O que começa com atos locais de sabotagem, termina com ataques a bomba mortais. Para o mundo exterior, Ted K fica conhecido como o Unabomber.

O diretor e roteirista Tony Stone tentou ser o mais sucinto possível dentro da ideia da trama, e usando bem as várias anotações encontradas na cabana do personagem conseguiu montar algo que retratasse de forma honesta a vida primitiva escolhida pelo protagonista, e claro suas ideologias para o fim do mundo moderno, porém não focaram tanto na sua descoberta de como fazer bombas, e claro os testes simples e os mais efetivos que teve, sendo algo meio que genérico nesse sentido. Ou seja, o diretor não quis mostrar ele como um coitadinho, nem trabalhou também seu lado mais insano, de forma que ficando nesse meio do caminho a loucura pareceu meio que idiota e sem sentido, e o homem bomba pareceu fraco demais, ao ponto que o resultado dessa forma acabou fluindo corretamente, porém simples demais para empolgar realmente.

Quanto das atuações, a base toda é em cima de Sharlto Cooper fazendo Ted K, de modo que o ator virou quase que um mestre dos disfarces mudando constantemente com barbas em diversos modos, cabelos em diversos penteados, modos corporais e tudo mais, de tal forma que ele realmente entrou no clima de não ser descoberto, e trabalhando olhares e trejeitos fortes, alguns até bem explosivos conseguindo dominar o ambiente e segurar todos os momentos de tela, além de ter ficado bem diferente de qualquer outro papel seu, ou seja, fez o papel de ator realmente e mostrou serviço. Quanto aos demais, vale destacar apenas Amber Rose Mason como a imaginação da mulher ideal do protagonista Becky, mas apenas como uma miragem realmente, já que a atriz fez poucos trejeitos e diálogos, o que quase lhe dá um papel no conceito visual da trama.

E falando de conceito visual, a equipe de arte filmou exatamente no terreno verdadeiro de Ted, ou seja, correndo o risco de ser amaldiçoado pelo espírito dele caso morresse durante as filmagens (o que não ocorreu, já que o filme foi gravado 2021 e ele morreu em 2023), mas conseguiram com isso ambientar bem uma floresta densa, muitos atos na natureza, toda a parte de madeireiros ao redor, e claro muitas cenas de preparações de bombas e entregas e explosões nos correios, ou seja, foram bem simbólicos para a época.

Enfim, é um filme simples, que mostra bem a vida maluca desse homem que se achou no direito de voltar ao mundo primitivo e explodia pessoas e lugares, sendo realmente mais criminoso do que sonhador e/ou idealizador de algo, de tal forma que vale para conhecer um pouco do personagem, já que tudo ocorreu nos anos 60/70 que não tínhamos tanta informação como hoje na internet, então fica a dica para dar play, já que o longa funciona na tela. E é isso meus amigos, eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Salamandra (La Salamandre) (The Salamander)

6/23/2024 06:05:00 PM |

Costumo falar que um diretor precisa ter muita ousadia para que seu filme crie toda uma tensão que prenda o público do começo ao fim, e termine sem um fechamento que marque ou alguma reviravolta que impressione realmente, mas também digo que é algo fácil de se fazer, afinal não estará presente quando a maioria verá o longa para lhe indagar o que realmente desejava passar com um fechamento simples em cima de uma trama toda densa, e dessa forma eu acabo classificando longas desse porte como uma trama que impressiona pela essência mais do que pela história, pois você imagina mil possibilidades, entra por completo no clima da trama, mas quando a história não evolui, você acaba apenas ficando no famoso "e, se?". Dito isso, o longa "Salamandra", que entra em cartaz nos cinemas do país a partir da próxima quinta 27/06, consegue trazer um olhar denso de uma pessoa enlutada que segue se envolvendo de forma errada, que cai nas armadilhas da vida de modo fácil, mas que por dentro gosta dessa autodestruição, de maneira que a barreira da língua até pode significar o mal entendimento das coisas, mas se permitir enganar por vezes é mais fácil do que agir, e assim o longa além de mostrar isso na protagonista, também diz muito do que fazemos no dia a dia.

A sinopse nos conta que depois de passar anos cuidando do pai, Catherine se sente sufocada pelo contraste entre seus sentimentos e a sua realidade. Ela foge para o Brasil esperando se reconectar com sua irmã. Nesse novo cenário, livre de responsabilidades, mas ainda desorientada, ela se vê envolvida num romance inesperado com Gil, um jovem carismático. Catherine é tocada pela fragilidade de Gil, e a atração mútua entre eles surge do desejo compartilhado de aceitação, ambos como estrangeiros nessa nova paisagem. Enquanto seus corpos se encontram, as tensões da cidade ecoam entre eles, intensificando cada contato e tornando a libertação uma miragem distante. Determinada a não olhar para trás, Catherine enfrenta a difícil escolha de seguir adiante com sua transformação, mesmo que isso a leve a um desfecho violento e irreversível.

Diria que a estreia do diretor Alex Carvalho foi ousada pelo lado de colocar o elo da interpretação linguística numa trama densa com possíveis vértices para muitos lados, em cima do texto de Jean-Christophe Rufin, e ainda colocando uma das principais atrizes francesas do momento para se jogar por completo na sua ideia, porém faltou para ele a desenvoltura correta para que seu filme tivesse um pouco mais de fechamento, não apenas fechando as densidades, mas talvez dando mais entrega para todos os vértices da trama. Claro que isso se aprende com o tempo, e também com o uso do tempo para que a trama siga firme, pois aqui dava para cortar fácil pelo menos uns 20 minutos de cenas abertas que não incrementam algo para o longa, mas como a densidade cênica escolhida era assim, o resultado até que funciona. Ou seja, é um filme que lendo um pouco mais sobre ele na sinopse até consegue se captar melhor a essência que desejavam entregar, porém apenas conferindo o filme acaba ficando subliminar demais, e isso dava para arrumar com uma edição um pouco melhor, o que faz dele aquela estreia quase perfeita do diretor, mas que muitos vão se apaixonar e outros odiar, e aí entra o olhar crítico de cada um nas palavras da trama.

Quanto das atuações, já havia elogiado muito o trabalho de Marina Foïs no longa "As Bestas", pois ela sabe segurar um drama tenso como ninguém, e é muito sábia em reviravoltas de estilo para mudar sua própria personalidade, e aqui talvez se o diretor lhe pedisse mais disso, sua Catherine poderia impactar e impressionar na medida mais ampla que ele nem saberia como controlar, então o que vemos na tela é novamente uma ótima entrega da atriz. Maicon Rodrigues foi bem desenvolto nos atos de seu Gil, trabalhando bem o lado emocional e também malandro na tela, criando alguns elos bem encaixados com a protagonista, e não simplificando a entrega para que seu personagem ficasse simples demais na tela, mas também poderia ter um final melhor fechado para que o longa marcasse mais, mas isso é com o roteiro e não com o ator, então fez bem o que precisava. O foco da trama é bem em cima dos dois protagonistas, com poucas cenas saindo do eixo deles, então nem vale destacar mais ninguém, de forma que talvez alguns dos personagens secundários marcassem um pouco mais para chamar mais atenção, mas ficaram abstratos demais em relação a trama completa.

Visualmente a trama flui por uma Recife não muito comum de ser vista nos longas, tendo alguns atos bem encaixados na praia, um apartamento luxuoso da irmã da protagonista, uma casa mais simples e reclusa, alguns atos em bares e clubes, e até num ateliê de arte sacra bem interessante, mas o grande chamariz do longa ficou para o vento sempre soprando e dando vez nos ambientes meio como algo abstrato para carregar a protagonista por rumos que ela não desejasse, mas que vai para se mudar por completo, e assim sendo diria que a equipe de arte aproveitou de elos simples para que o longa fluísse naturalmente na tela.

Enfim, é um filme que dava para ser entregue de diversas maneiras, mas que funciona dentro da proposta escolhida, que claro não é algo que muitos vão gostar, mas que tem a proposta bem alocada e cria intensidade no ambiente completo. Claro que como disse dava para cortar uns 20 minutos da trama que não fariam falta, e talvez um desfecho mais explosivo com alguma reviravolta marcante agradasse mais na tela, mas isso é algo que cada um que conferir irá tirar suas devidas conclusões, pois o que tenho para dizes apenas é que o longa é interessante e vale a indicação. E é isso meus amigos, fico por aqui agradecendo novamente o pessoal da Sinny e da Pandora pela cabine, e volto logo mais com outros textos, então abraços e até breve.


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Clube dos Vândalos (The Bikeriders)

6/22/2024 02:55:00 AM |

Gosto muito de ir ao cinema sem saber nada ou quase nada de uma produção para me surpreender com o resultado, mas muitas vezes algumas tramas me deixam com o sentimento de não saber se era aquilo que eu desejava ver naquele dia, pois parece faltar com a ideia criativa de desenvolver uma história e criar vínculos com o público que está conferindo. E hoje com "Clube dos Vândalos" fiquei o tempo inteiro esperando alguma desenvoltura que mudasse o fluxo, ou que não fosse uma biografia do famoso grupo de motoqueiros que iniciou como um grupo de amigos e acabou virando uma gangue, só que pelo olhar da esposa de um deles, o que deixou o viés ainda mais fechado, sendo todo desenvolvido através das lembranças que a protagonista vai dando durante algumas entrevistas, e com tudo acontecendo dentro das devidas perspectivas. Ou seja, não é um longa ruim, pois tem a devida pegada, mas foi trabalhado de uma forma tão densa que acaba faltando as viradas e desenvolturas, o que acaba cansando dentro da exibição alongada.

Inspirado no icônico livro de fotografia de Danny Lyon, o longa nos faz mergulhar na estética, na atmosfera e nos sons da subcultura dos motociclistas despojados e cobertos de graxa da década de 1960. Kathy, integrante obstinada dos Vândalos e casada com o ousado e imprudente motociclista Benny, narra a evolução dos Vândalos ao longo de dez anos desde seu início como clube local de rebeldes unidos pelos bons momentos que partilham, pelo ronco de suas motos e pelo respeito que têm pelo seu forte líder Johnny. Com o passar dos anos, Kathy faz o possível para lidar com a natureza selvagem do marido e sua lealdade a Johnny, com quem sente que precisa competir pela atenção de Benny. À medida que a vida dos Vândalos se torna mais perigosa e o clube ameaça se tornar uma gangue mais sinistra, Kathy, Benny e Johnny devem tomar decisões sobre sua lealdade ao clube e entre si.

Diria que o diretor e roteirista Jeff Nichols foi bem pontual na forma que desejava ver seu longa na tela, pois ele não chega a ser uma versão documental/real da história, mas também não entrega uma ficção com desenvolturas e reviravoltas, e isso acabou pesando um pouco no ritmo, pois como falei no começo, o que é passado na tela é uma versão de alguém que não era 100% envolvido com o grupo, tendo claro suas conexões com tudo, mas a forma de enxergar é um dos pontos cruciais de uma trama embasada em alguém, e aqui essa influência acaba mostrando os motoqueiros como marmanjos briguentos e beberrões, o que certamente vai acabar incomodando muitos dos que forem conferir sendo dessa "seita", mas ainda assim ele soube trabalhar de forma intensa toda a sina de querer sair do grupo e ser julgado, o medo que muitos fora do clube sentiam ao ver passar as motos estrondosas e com personagens bem mal-encarados, e claro ainda trabalhou bem todo o processo dos anos desde a fundação para encontros e corridas, até virar algo no miolo com muitos passeios e conversas, até mudar completamente de estilo ao final quando já não seguia mais as regras iniciais nem o estilo de vida mesmo que foi criado, e tudo isso bem fluente através de uma entrevista microfonada que virou livro de fotos e histórias.

Quanto das atuações, se alguém ainda tinha dúvida do potencial de Austin Butler pode esquecer, pois ele além de ter um charme bem específico consegue trabalhar com uma seriedade e densidade tão forte para seu Benny que praticamente traz o filme consigo, a única coisa que não é falada é de onde surge dinheiro para seu personagem, já que parece que nem ele nem a esposa trabalham e só vivem andando de moto e em bares. E falando da esposa, Judie Comer é sem querer a protagonista da trama com sua Kathy, afinal o longa é sua visão do clube dos motoqueiros, já que está narrando a história toda do passado e do presente para o entrevistador, e consegue segurar nuances simbólicas tanto nas entrevistas quanto nas vivências com o grupo, demonstrando diversos sentimentos na tela, o que é bem legal de observar seu estilo. O entrevistador Danny vivido por Mike Faist é interessante de ver tanto por ter vivido um bom tempo com os motoqueiros, tirando fotos e entrevistando eles para conhecer mais o meio de vida deles, e consegue envolver trabalhando na tela como alguém muito interessado em tudo o que lhe é contado, o que acaba sendo gostoso de ver, meio como se nós estivéssemos ali no seu lugar. Já Tom Hardy mostra o quanto sabe criar intensidade cênica com seu Johnny, pois entrega liderança sem precisar ser autoritário e cria impacto cênico em todos os seus momentos de tela, levando o filme debaixo do seu braço com muita entrega e dimensão. Quanto aos demais, vale claro o destaque para o jovem Toby Wallace com seu moleque (Kid) cheio de vontade de entrar no grupo, mas claro voltando revoltado quando consegue, Michael Shannon com nuances bem próprias e densas de seu Zipco e o estranho, porém divertido de ver na tela Norman Reedus com seu Sonny, isso pegando apenas alguns, pois praticamente todos entregam ao menos um momento com os protagonistas e conseguiram desenvolver bem no que fizeram.

Visualmente o longa é bem interessante por mostrar esse mundo que muitos não conhecem dos motoqueiros de grandes motos barulhentas e intensas, com suas tradicionais jaquetas, almoços, bebidas, bares, quebra quebra e tudo mais, aonde deram boas nuances da vivência deles, dos piqueniques diferenciados, e claro da atração que acabam virando quando passam aos montes, isso no passado, já que como o filme mostra depois muitos viraram arruaceiros e membros de gangues próprias, embora sempre tiveram ares vingativos e marcantes, com cenas de incêndios, brigas com facas e até algumas mais intensas que chocam pela expressividade, então de certo modo a equipe soube colocar a época dos anos 60-70 na tela, e funcionou pela representação visual.

Enfim, é um filme que não chega a ser ruim, pois passa bem toda a mensagem na tela, conta sua história quase que completa, e que contando com grandes atores bem expressivos chamou a atenção sem precisar forçar, mas como disse é apenas um lado da história, e dava para ter fluido melhor como algo ficcional completo sem precisar focar em alguém propriamente marcado, que aí ganharia mais nuances e seria mais "agradável" de conferir. Então fica a dica para ver com essas ressalvas em mente, e eu fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Bandida - A Número Um

6/21/2024 09:18:00 PM |

Muito se falou quando Raquel de Oliveira lançou seu livro de como virou a dona do morro da Rocinha depois de muitas guerras por lá, e principalmente depois de quando criança ter sido vendida por sua avó para o bicheiro que comandava tudo por lá no final dos anos 70, mas o que ninguém esperava era que essa história viraria filme com "Bandida - A Número Um" nas mãos de um dos diretores que mais tem acertado nos últimos anos no país, mas eis que saiu, e a ideia de uma trama imponente cheia de atitude, tiros e desenvolturas até acaba sendo interessante de se ver na telona, porém acredito que dava para minimizar a quantidade de filtros na edição final, pois se queriam passar a ideia de alguém drogado filmando tudo, eles conseguiram, mas acaba não sendo marcante como poderia, ficando mais estranho do que bonito na tela. Ou seja, é um filme biográfico feito em vida ainda, que mostra uma mulher forte que não se escondeu, e dominou o tráfico de uma favela na bala realmente, que talvez tenha sido ficcional demais a forma entregue na tela, mas isso só quem viveu lá por perto saberá dizer.

O longa se passa no Rio de Janeiro da década de 80 e acompanha a história de Rebeca, vendida pela avó aos nove anos de idade para o homem que comandava a comunidade da Rocinha. Anos depois, em meio à incessante disputa de território entre os bicheiros e traficantes, as dinâmicas de poder do local passam por mudanças, e Rebeca - agora viúva do traficante-chefe - deve assumir o comando da Rocinha. Assim, se inicia uma eletrizante trajetória de crime, violência, drogas e amor.

O diretor e roteirista João Wainer tem chamado muita atenção pelo estilo que entrega em suas tramas, tanto que "A Jaula" e "Junho - O Mês Que Abalou o Brasil" foram dois grandes filmes que marcaram seus anos dentro do cinema nacional, e aqui baseado no livro de Raquel de Oliveira, ele fez o possível para que seu filme tivesse o melhor estilo do cinema favela como o gênero ficou conhecido, entregando uma versão de alguém de dentro do morro ao invés de uma versão policial como costumeiramente acontece, e o resultado acaba funcionando, pois é algo que mostra vários anos na tela, mas que não fica corrido, de tal forma que alguns até vão achar que faltou mostrar mais coisas, porém acabaria alongado com excessos, e isso não é bom para o gênero, ou seja, funcionou como deve ser, que certamente não vai agradar determinado grupo, mas apenas basta não conferir.

Quanto das atuações, particularmente gostei do estilo que Maria Bomani trabalhou para fazer sua Rebeca, de forma que não sei se ela se encontrou com a verdadeira personagem para compor tudo na tela ou seguiu apenas as orientações do diretor, mas conseguiu que o foco estivesse quase que na totalidade da trama em si, e assim chamou muita atenção pela personalidade entregue. Milhem Cortaz dispensa elogios, e mesmo que Seu Amoroso aparecesse somente no começo da trama trabalhou trejeitos fortes e chamativos que agrada na tela. Jean Luis Amorim também teve boas nuances com seu Pará, chamando atenção pelo jeito meio que bobão, extremamente chapado, mas que não ficou em segundo plano, o que funciona no estilo. Ainda tivemos alguns momentos soltos bem colocados com o cantor Otto como Del Rey, Natalia Lage com sua Joana, e claro Michely Gabriely como Rebeca jovem, mas nada que colocasse destaque para chamar atenção na tela.

Visualmente acredito que a equipe tenha trabalhado bastante com filtros para tentar maquiar a modernidade atual da Rocinha, afinal a trama se passa nos anos 70-90, então não daria para filmar tudo por lá hoje, mas usando de imagens de arquivo, texturas e claro muitos planos fechados realçando sempre o arsenal militar dos traficantes, conseguiram com muito sangue falso trabalhar bem todo o contexto de guerra que o longa pedia.

Musicalmente o longa contou claro com muitas canções da época, e claro funks e batidas, mas o destaque é claro para a canção "Deslize" de Fagner que deu o tom em sua voz tradicional e também do protagonista.

Enfim, é um filme biografia bem feito, mas que é simples demais, não mostrando todo o potencial que o diretor tem, e também não incrementando muito o que sabemos dos conflitos no morro, então para quem quiser conhecer um pouco mais dessa mulher que foi esposa de um dos maiores traficantes do morro, assumiu o lugar dele após sua morte, e ainda vive por lá, mesmo não sendo mais dona de tudo, mas que virou escritora e agora teve sua trama contada na tela. E é isso meus amigos, fica assim sendo a dica de uma recomendação com ressalvas, pois poderia ser bem melhor, e eu fico por aqui agora, já que vou conferir mais um longa hoje ainda, então abraços e até logo mais.


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Divertida Mente 2 em 3D (Inside Out 2)

6/21/2024 12:58:00 AM |

Se no primeiro filme a única coisa que eu reclamei foi do longa não atingir bem as crianças e ser uma trama apenas para adultos, agora posso dizer que a Disney/Pixar conseguiu fazer a mistura perfeita em "Divertida Mente 2", pois mesmo mostrando muito da mente humana moderna dominada pela Ansiedade, essa dominação maluca vai certamente divertir demais os pequenos que verão a aceleração como algo "legal", e claro os adultos vão surtar vendo a pobre garotinha quase explodindo em uma crise ansiosa de nível quase máximo. Ou seja, souberam pegar o melhor do primeiro filme e trabalhar ainda mais toda a essência da nossa mente, e olha que a trama está no nível 13 anos (e se após o primeiro filme o diretor do original falou que não tinha planos para a continuação, agora a nova diretora já avisou que tem ideias para muitas outras emoções nos próximos!!! E o que nós falamos pra ela? Vai já pra sala de comando e só sai de lá com mais dois filmes pelo menos!). Claro que é um longa muito mais dinâmico que o original de 2015, e novamente apropriadíssimo para se discutir um pouco de tudo desse objeto que a ciência ainda não desmistificou por completo chamado cérebro, e a sacada da formação da personalidade baseada nas experiências que as emoções entregam foi algo simplesmente genial, ou seja, é daqueles longas que você verá algumas toneladas de análises, e quase nenhuma será igual a outra, mas vale muito mais ir ver o filme e sentir realmente na pele do que ir pela ideia de outra pessoa.

O longa marca a sequência da famosa história de Riley. Com um salto temporal, a garota agora se encontra mais velha, com 13 anos de idade, passando pela tão temida pré-adolescência. Junto com o amadurecimento, a sala de controle mental da jovem também está passando por uma demolição para dar lugar a algo totalmente inesperado: novas emoções. As já conhecidas, Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho, que desde quando Riley era bebê, predominam a central de controle da garota em uma operação bem-sucedida, tendo algumas falhas no percurso como foi apresentado no primeiro filme. As antigas emoções não têm certeza de como se sentir e com agir quando novos inquilinos chegam ao local, sendo um deles a tão temida Ansiedade. Inveja, Tédio e Vergonha integrarão juntos com a Ansiedade na mente de Riley, assim como a Nostalgia que aparecerá também.

O nome de Kelsey Mann na direção da continuação pegou muitos de surpresa, pois com 3 Oscars no bolso o nome de Pete Docter era certo para assumir novamente, mas como já tinha falado que não tinha interesse de continuar a trama lá em 2015 mesmo, a Pixar foi atrás de outros nomes, e dentre os que deram melhores histórias para o novo roteiro veio a conhecida roteirista de "O Bom Dinossauro", mas que só tinha dirigido alguns curtas da companhia, então lhe deram o principal projeto para explodir em sua estreia, e não desapontou, pois desenvolveu a história com as facetas criativas do original e brincou demais com algumas das principais emoções que vivem tanto nas cabeças dos jovens atualmente quanto da população completa mundial, afinal quem não tem um pouquinho de ansiedade, vergonha, tédio e inveja? Ou seja, acredito com toda certeza que a diretora e roteirista irá fazer muitos outros longas da companhia, pois conseguiu o principal feito que há muito tempo não acontecia, de uma continuação sair batendo todos os recordes possíveis de bilheteria de uma animação, e isso faz os olhos dos produtores saltarem, além do que falei no começo que se o primeiro era muito adulto, aqui a trama vai divertir a todos.

Quanto dos personagens e das dublagens, já falei muitas vezes que animações tem de serem vistas dubladas, principalmente as que brincam com o ar cômico, e aqui o elenco foi escolhido a dedo, tendo claro a pessoa mais ansiosa da TV brasileira no papel de Ansiedade, e nem precisava de teste, pois Tatá Werneck é a ansiedade em pessoa, e a personagem funciona comandando tudo numa tremenda bagunça, borbulhando ideias, loucuras, insinuações, futuros e tudo mais de uma forma brilhante e o pior, cativante, que na voz da atriz caiu como uma luva. Miá Mello volta muito bem ao protagonismo com sua Alegria, cheia de desenvoltura e agitação, mas com doses mais serenas da realidade, o que acaba envolvendo bastante. Katiuscia Canoro também voltou bem com sua Tristeza, tendo muito mais conexões nos atuais momentos, e que facilmente numa combinação futura vai chamar muita atenção. Leo Jaime é o Raiva mais carismático e explosivo que gostamos de ver, entregando personalidade e intensidade na tela. Dani Calabresa deu as famosas tiradas com sua Nojinho, mas que nessa versão ficou bem mais em segundo plano. Assim como o Medo de Otaviano Costa também ficou mais por trás das emoções, apenas sendo bem desesperado e interessante de ver. Das novas emoções, a Inveja de Gaby Milani teve bons atos para mostrar esse nosso lado de querer tudo ao máximo e acabar se perdendo, e a Vergonha que Fernando Mendonça trabalhou só um pouco, já que fala o mínimo e se comunica mais visualmente retraído, mas com muito carisma também agradando bastante, e claro que tivemos as sacadas mais adolescentes possíveis para os diálogos da Tédio que Eli Ferreira fez com maestria, ou seja, no pacote completo todos funcionaram bem. E ainda tivemos bons momentos de Isabella Guarnieri como a voz de fora da personagem Riley, junto de Erika Menezes bem encaixada com sua Val, mas sem dúvida a reformulação de "Dora Aventureira" com Bloofy e Pochete foram o ápice, com Nizo Neto dando show na voz do acessório falante.

Visualmente a trama tem muito envolvimento, cores para dar e brilhar na tela, muitos ambientes novos como o Abismo do Sarcasmo, todo o lado conflitivo da famosa Chuva de Ideias (brainstorming em termos de coach), e claro as várias previsões imaginativas de futuros ruins que uma ansiedade é capaz de fazer durante uma noite mal dormida, ou seja, é um filme que facilmente quem ver 10 vezes irá se conectar com algo ainda mais diferente na tela, e assim sendo mostra o brilhantismo que a equipe de arte conseguiu fazer para que tantos personagens bem desenhados com formas e sombras funcionassem, quanto alguns atos em 2D tradicional agradasse também na tela. E falando em 3D, quem gosta de ver tramas com a tecnologia, temos muitas cenas (até mais do que imaginava que teria) brincando com saídas do disco de hockey para fora da tela, muita patinação, bolinhas, e brilhos, ou seja, capricharam na técnica.

Enfim, é uma animação perfeita, que por incrível que pareça não fará você lavar a sala do cinema, pois todas as emoções se encaixam bem e trazem muitos sentimentos que conhecemos bem, mas que não força o choro como alguns casos, mas sim um elo de amizade e de controle emocional, como deve ser uma boa cabeça. Então fica a dica para levar a criançada nas férias, para ir sozinho, acompanhado e só ir mesmo, pois vale o ingresso e a diversão é garantida, então fica a dica, e eu fico por aqui hoje, então abraços e até amanhã com mais textos.

PS: Tem uma cena extra bem no final dos créditos, simples, mas bem bacana, então quem ficar até o final verá o segredo sombrio da Riley!


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Netflix - Uma Herança Inusitada (Spadek) (Inheritance)

6/20/2024 12:51:00 AM |

Hoje foi dia da Netflix virar polonesa praticamente, e se mais cedo conferi uma trama fantasiosa, agora foi a vez de ver uma trama policial cômica chamada "Uma Herança Inusitada" que me lembrou um pouco outro longa da companhia "Glass Onion" pela pegada de um morto com toda a família dentro da casa, tentando descobrir quem matou e principalmente achar aonde está a herança, mas que acaba fluindo por caminhos diferentes já que lá caçam o assassino, e aqui a caçada é pelas patentes do inventor. E até que a trama flui bem, tem uma intensidade interessante, sem ser claro uma grande obra que valesse a pena sair indicando, mas que diverte com toda a interação familiar, afinal sabemos bem que muitos familiares só aparecem quando é para receber algo, e muitos nem se conhecem direito ao ponto de saber um aniversário, ou seja, o longa acaba brincando com toda essa ideia maluca, e usa um grupo de atores bem dispostos para isso, de tal forma que mesmo sendo estranho agrada quem for conferir.

O longa nos mostra que depois que um excêntrico inventor e apresentador de game show morre de repente, os integrantes da família se reúnem para tentar garantir a grande herança. Mas, para a surpresa de todos, o finado preparou um último jogo cheio de tarefas e enigmas para definir quem ficará com a fortuna, forçando-os a deixar as diferenças de lado e se reconciliar para trabalhar em equipe.

Diria que o diretor Sylwester Jakimow trabalhou bem a ideia de uma trama investigativa com pitadas cômicas, de tal forma que os personagens e as histórias se complementam bem, cada um vai descobrindo os elos como devem acontecer e cada dinâmica vai sendo interativa com as demais, ou seja, ele não quis sair do tradicional, nem quis que seu filme ficasse comum demais, ao ponto que tudo flui bem na tela, e o resultado acaba entregando funcionalidades cênicas interessantes. Claro que os personagens poderiam ser menos forçados, alguns momentos mais dinâmicos, mas no final de tudo acabamos curtindo como um bom passatempo, sendo até mais explicativo que muitos outros casos do estilo.

Quanto das atuações tivemos uma base até que interessante, pois praticamente todos jogaram como protagonistas, e isso acaba sendo marcante para que tenham quase todos o mesmo tempo de tela, ou seja, até vemos Maciej Stuhr puxando mais a interação para seu Dawid, pois a trama quase que toda é narrada através de seu pensamento, mas Joanna Trzepiecińska deu bons atos explosivos para sua Natalia e Mateusz Król também colocou seu Karol bastante em pauta com os olhares estranhos dos demais familiares para ele, de tal forma que seguiram como primos distantes, mas que tem boa conexão para chamar para si. Da mesma forma Gabriela Muskala como esposa de Dawid, Piotr Polak como namorado de Karol e Piotr Pacek como namorado de Natalia fizeram as interações normais de familiares que vão junto a divisões de heranças pensando em como ficar rico com o que seu par irá levar, e assim acabaram trabalhando bem. Os mais jovens Józefina Karnkowska e Franek Slominski até tiveram alguns atos chamativos, mas não foram muito além, enquanto o tio vivido por Jan Peszek foi bem interativo como um bom apresentador de programas de perguntas deve ser, mas apenas sendo básico na tela.

Visualmente a trama fica toda em uma casa gigantesca, tendo vários carros na garagem, quartos separados com corredores ocultos e passagens secretas entre eles, tendo ainda um gigante labirinto com muitas interações, além de um jogo de perguntas e respostas bem montado para uma conexão familiar, mostrando que a equipe de arte gastou pouco, mas soube fazer tudo funcionar sem precisar ficar viajando muito.

Enfim, é um filme simples e funcional que diverte como um bom passatempo, mas que talvez pudesse ter algumas surpresas mais interessantes no miolo, afinal logo de cara dá para pegar aonde estava o grande prêmio da competição, e até um pouco de quem era o assassino, só faltando o fechamento motivacional, que acaba sendo bem explicado no final, inclusive com uma cena do passado, ou seja, tudo bem explicadinho detalhe por detalhe para ninguém ter de pensar em nada. Então se você curte esse estilo, fica a dica para conferir na Netflix, e eu fico por aqui hoje, mas volto amanhã com a grande estreia da semana, então abraços e até logo mais.


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Netflix - A Academia do Sr. Kleks (Akademia Pana Kleksa) (Kleks Academy)

6/19/2024 06:12:00 PM |

Um fato que já citei que foi muito bom com a popularização dos streamings é vermos longas de países que praticamente nem chegavam nos cinemas daqui, e muito menos na TV tradicional, e um país que tem produzido muito material é a Polônia, de modo que andam fazendo muitos dramas, policiais e hoje surgiu até uma trama digamos juvenil misturando conto de fadas e uma escola para crianças com muita imaginação chamado "A Academia do Sr. Kleks", que sendo baseado em um livro de sucesso por lá trabalha bem a famosa briga entre bem e mal por algo que aconteceu no passado. Visualmente a trama é bem interessante (tirando alguns figurinos estranhos dos lobos), porém a história é meio corrida demais, com explicações de menos, de modo que o livro é o primeiro de uma trilogia, porém acredito que ficaram com medo de não fazer sucesso e aceleraram demais as coisas para que boa parte fosse mostrada na tela logo no primeiro filme, e assim ficou algo meio que jogado demais na tela. Não digo que tenha ficado ruim, pois é uma trama que prende para sabermos mais sobre esse mundo dos contos de fadas que sempre permeiam boas histórias, mas talvez com um pouco menos de enrolação no começo daria para ficar mais elaborado com os 129 minutos de duração na tela.

No longa vemos que a adolescente Ada vai parar na misteriosa Kleks Academy, comandada por um professor muito excêntrico, onde é possível entrar no mundo dos contos de fadas e alcançar os limites da imaginação. Ela também enxerga uma maneira de desvendar o segredo mais oculto de sua família: encontrar seu pai desaparecido.

O diretor Maciej Kawulski foi bem intenso na entrega de sua trama, pois como disse no começo pegou um texto do primeiro livro de uma trilogia, e adaptou ele de maneira bem sucinta que tudo fosse explicado rapidamente, ou seja, não é daqueles que você não se conecta com os personagens por apenas surgirem na tela, assim é possível até criar um certo carisma com os protagonistas, porém dava para não precisar de algumas cenas meio que aleatórias no miolo para que tudo tivesse uma fluidez mais tranquila e envolvente, e claro ainda mantendo o tempo grandioso de 129 minutos. Ou seja, diria que o diretor foi muito afoito ao ver uma produção grandiosa desse estilo em suas mãos e não aproveitar o máximo todo o ambiente e suas dinâmicas, de tal forma que ele até conseguiu fazer bem um bom começo de apresentação e um fechamento convincente, porém faltou elaborar melhor o meio para que nem ficasse corrido nem alongado e tudo se encaixasse, então veremos o que vai fazer se lhe derem a continuação.

Quanto das atuações, acredito que a jovem Antonina Litwiniak ainda vá ter um estilo próprio de interpretação, pois aqui sua Ada em alguns momentos parece deslocada sem saber muito como transpor os sentimentos de sua personagem na tela, porém trabalhou bem a personalidade e conseguiu segurar bem o protagonismo com cenas bem dinâmicas e cheias de atos amplos, ou seja, como a garota já fez muitos filmes pode ser que tenha faltado uma direção de elenco maior para orientar melhor em uma produção quase toda em tela verde, mas isso só o tempo dirá quando virmos outras produções delas. Tomasz Kot conseguiu trabalhar de uma forma bem excêntrica o seu Professor Kleks, fazendo de atos simples entregas inusitadas na tela, meio que quase dançando para chamar muita atenção, de modo que agrada com o simbolismo de cada momento, soando chamativo e agradando com o que precisava fazer, porém ficou meio que em segundo plano em um filme que leva o nome de seu personagem, e isso acaba não sendo o correto de se ver. Agora a equipe do filme foi muito malvada com Sebastian Stankiewicz, pois o rapaz certamente deve ter sofrido bullying quando jovem pelo formato de seu rosto, e colocar ele como um homem-pássaro ficou muito estranho de ver, mas seu Mateusz até traz atos convincentes na tela, principalmente passeando por Nova York. Quanto aos demais, diria que os jovens brincaram bem com seus personagens, alguns mais alegres e vibrantes, outros mais densos e até estranhos, de forma que o jovem Konrad Repinski até teve destaque demais com um semblante exageradamente fechado para com seu Albert, e claro que Danuta Stenka caiu bem na personalidade da Bruxa e Daniel Walasek fez atos com olhares bem densos para seu Príncipe Vincent, mas nada que fizesse o filme ir mais além do que o mostrado.

Embora saibamos que muito da trama seja computação gráfica, o trailer me ganhou ao mostrar uma floresta vermelha maravilhosa, e não só isso a trama tem muita conexão com vários clássicos da literatura de contos de fadas, todo um ambiente lúdico cheio de elementos cênicos, portas que levam para outros locais, muita magia e efeitos interessantes de se ver na tela, porém a equipe de maquiagem e figurino não foi tão beneficiada com o orçamento da produção, pois os lobos ficaram estranhos com  as máscaras e figurinos, além de alguns elementos parecerem estranhos na tela, então diria que ficou um misto entre algo belo e estranho que deve fluir bem melhor no imaginário do livro do que na tela.

Enfim, é um filme bem feito para jovens e crianças, aonde quiseram ousar um pouco mais do que deviam e se perderam um pouco, mas que acaba sendo interessante de ver na tela, e que funciona dentro da proposta, principalmente por ter um fechamento, pois sabemos que muitas franquias de livros gostam de deixar tudo bem aberto para as continuações, e sendo assim até vale a indicação, desde que não se espere muito dele. E é isso pessoal, fico por aqui agora, mas aproveitando o feriado na cidade ainda vou ver mais um outro longa polonês que chegou na Netflix, então abraços e até logo mais.


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A Maldição de Cinderela (Cinderella's Curse)

6/18/2024 10:56:00 PM |

Já virou praxe termos versões de terror das clássicas histórias de contos de fadas, e por incrível que pareça esse ano teremos duas versões diferentes de Cinderela, começando por "A Maldição de Cinderela", que estreia na próxima quinta 20/06, entregando algo tão bizarro e maluco que acaba sendo divertido de ver, aonde vemos a tradicional garota sendo humilhada pela madrasta e pelas meias-irmãs, porém tendo uma fada-madrinha bem medonha, essa lhe dá alguns desejos e poderes imponentes para que ela se vingue e acabe com toda a armação do reino. Ou seja, é daqueles filmes trash que entregam cenas violentas e toscas de matanças, mas que funciona para quem gosta do estilo, mas que inicialmente fiquei meio encanado com o começo do longa parecendo ser continuação de algo, e também meio que reconhecendo a fada madrinha de algum outro lugar, e nas pesquisas sobre a diretora vi que já fez não um, mas cinco filmes de uma fada do dente meio estranha, então acredito que deva ter alguma base para o que é usado aqui, mas isso não vem tanto ao caso, afinal o que precisamos saber é que usando um livro de ritual, a fada e seus criados malucos atacam quem tiver na sua frente devorando a pessoa.

Baseado no mesmo conto popular que a Disney atualizou e popularizou para crianças na década de 1950. Desta vez, uma pequena adaptação da história coloca Cinderela e todos ao seu redor dentro de uma bola sangrenta que eles nunca esquecerão. Depois de sofrer nas mãos de suas meias-irmãs e da madrasta malvada, e sofrer humilhação no baile, Cinderela é levada ao limite. A Fada Madrinha concede a ela o poder para sua vingança final, e, transformada em um monstro com cabeça de abóbora, Cinders vai limpar a casa de uma vez por todas.

A diretora Louisa Warren é daquelas que não liga para críticas ruins e faz praticamente um filme atrás do outro, todos com duração pouco maior que um média-metragem, mas que conta exatamente tudo o que precisa nesse tempo, porém aqui como seu filme já começa meio que corrido em uma cena que parece ser continuação de algo, ficou parecendo faltar um pouco mais de explicação de personagens, de modo que a história de Cinderela, a madrasta, o príncipe e suas irmãs até funcionam dentro do contexto todo, mas o motivo da fada ser daquele jeito e tudo mais acabou ficando jogado na tela. Claro que em filmes do estilo trash nada costuma fazer muito sentido, e dá para seguir a vida apenas torcendo por mais e mais mortes na tela, mas valeria 10 minutinhos a mais no começo explicando melhor a história.

Quanto das atuações, vale a pena destacar apenas a protagonista Kelly Rian Sanson com sua Cinderela cheia de trejeitos, desde tristes e sofridos até alguns bem sádicos quando está se vingando, sabendo aproveitar bem seus momentos, e mesmo que não seja uma trama cheia de diálogos complexos, fazendo o que fosse preciso para que convencesse na matança toda. Já os demais, acabaram forçando um pouco demais os trejeitos, de forma que não convencem em suas cenas exageradas, tendo um leve destaque para a madrasta que Danielle Scott faz bem, mas sem grandes chamarizes.

Visualmente a trama é bem simples, tendo até figurinos rebuscados para a cena do baile, um casarão imponente por fora para o ambiente da família, mas com cenas bem fechadas lá dentro para não precisar mostrar muita coisa além das matanças, e o castelo do príncipe também bem chamativo por fora, mas por dentro apenas uma sala grande aonde acontece o baile e depois alguns cômodos mais fechados. Porém aí entrou a base do slash gore barato demais, aonde vemos maquiagens toscas de cortes, furos e sangue para todo lado, além de cenas com roupa e sem roupa em questão de segundos, ou seja, muitos erros técnicos, que é comum no estilo, mas que dava para amenizar um pouco.

Enfim, é um filme bacana para quem curte o gênero, mas que dava para ser melhor com poucos ajustes, mas quem não gosta do estilo é melhor correr, senão vai ser só reclamação em cima de reclamação. Ou seja, é curto e direto ao ponto, que embora seja bem bizarro, funciona dentro do tema proposto valendo a indicação para quem gosta conferir à partir de quinta nos cinemas. E é isso meus amigos, fico por aqui agradecendo o pessoal da A2 Filmes pela cabine de imprensa, e volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Assassino Por Acaso (Hit Man)

6/16/2024 11:45:00 PM |

Costumo dizer que o cinema de Richard Linklater é algo completamente fora do que você espera ver na tela, pois quando você vai esperando ver um drama ele te joga algum tipo de comicidade, e quando você vai preparado para algo cômico-policial, ele inverte e trabalha toda a aura da análise filosófica da personalidade humana. Ou seja, muitos que forem conferir "Assassino Por Acaso" esperando uma comedinha romântica básica vão acabar se apaixonando ou odiando de vez o diretor, pois ele entrega algo completamente diferente disso, sendo algo que flui na tela como algo cheio de nuances da mente ao brincar com um professor universitário de filosofia que vai permeando tudo e mudando sua própria personalidade com o que passa a fazer para a polícia, e o melhor é que na faculdade os alunos vão vendo essa mudança também em suas aulas, ou seja, seu novo eu acaba sendo mais impulsivo e isso mostra o quanto uma pessoa pode ser várias durante sua vida, e claro fazer a performance ser aquela que mais gosta. Sendo assim, o filme vai até mais além do que uma simples trama policial, mas sim uma brincadeira intensa como um todo, do jeito que o diretor gosta de fazer com seu público.

O longa nos conta que Gary Johnson é o assassino profissional mais procurado de Nova Orleans. No entanto, nem tudo é o que parece: para os seus clientes, Gary passa como um assassino de aluguel comum, mas, na verdade, ele trabalha para a polícia. Como parte do seu trabalho, ele investiga a vida daqueles que o contratam para eliminar outra pessoa. Gary sempre seguiu a risca o protocolo do seu trabalho, até um dia em que ele precisou ajudar uma mulher desesperada tentando fugir do seu marido abusivo e se viu encarnando uma das suas falsas personas apaixonando-se pela mulher e flertando com a possibilidade de se tornar de fato um criminoso.

Quem já assistiu qualquer filme do diretor e roteirista Richard Linklater sabe que ele é um dos poucos que procuram sempre fugir do básico, e que por mais básico e comum que algum longa seu pareça, você irá se surpreender com algo entrando por completo na ideia, e aqui usando como base um artigo de Skip Hollandsworth sobre a história do verdadeiro Gary Johnson que infelizmente não sobreviveu para ver sua história contada na tela (morreu em 2022 aos 75 anos) o diretor conseguiu juntar ideias de Jung, Freud, id, ego, superego, e tudo mais intrigante que a psicologia e filosofia moderna nos permite analisar, colocando em pauta um tema complexo de se estudar e por vezes que muitos nem iriam entender numa aula da faculdade, mas em um bom exemplar policial o resultado acaba superando bem toda a ideia, e funcionando como algo inteligente de ser visto.

Quanto das atuações, o mais bacana de tudo é que o ator Glen Powell colaborou também nos diálogos do roteiro, e assim acabou creditado também como roteirista, mostrando uma personalidade bem cheia de nuances para com seu Gary, de tal forma que num primeiro momento parece apenas um professor simples e fechado, que trabalha como um simples operador de áudio da polícia, mas quando se verte para assassino de encomendas, vai mudando trejeitos, e virando praticamente um ator completo cheio de personalidades, o que acaba envolvendo e funcionando bastante na tela, mostrando também que o ator que esse ano já está aparecendo em tantos filmes por aqui tem estilo e ainda pode surpreender bastante. Adria Arjona também entrou com tudo para que sua Madison tivesse personalidade em cena e não ficasse apenas em segundo plano, de forma que criou um bom envolvimento com o seu par, tendo química e agradando com trejeitos interessantes e bem encaixados (aliás todas as moças que fazem par com o ator conseguem ter boa química com ele, será que é ele?). Ainda tivemos bons atos com Austin Amelio fazendo um Jasper bem sagaz e cheio de inveja na entrega, criando atos bem diretos com os protagonistas e agradando com estilo, e Retta e Sanjay Rao mais secundários com seus Claudette e Phil, mas que divertem bem dentro da proposta.

Visualmente a trama brincou bastante com os disfarces do protagonista, sendo bem diferente para cada tipo de captura, o que acabou sendo bem engraçado de ver, tivemos algumas cenas na delegacia, muitas cenas em cafeterias, e claro muitos atos na faculdade aonde o protagonista lecionava, com aulas bem trabalhadas e cheias de nuances, além de atos na casa da protagonista e alguns em bares e boates nas saídas dos dois, de modo que a equipe não forçou a barra para que o filme se prendesse no ambiente, mas sim nas personificações, o que acaba sendo bem completo para o resultado da trama.

Enfim, sabia que não iria me decepcionar com o filme, porém não achava que gostaria tanto dele, pois alguns filmes do Linklater costumam me irritar mais do que agradar, então posso dizer que com esse ele me ganhou bastante, e claro que vou recomendar para muita gente, porém como falei no começo quem for esperando ver uma comédia básica policial vai se decepcionar um pouquinho, então vá preparado. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais dicas, então abraços e até logo mais.


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Mallandro - O Errado Que Deu Certo

6/16/2024 04:48:00 PM |

Muitos acharam que eu fugiria de conferir "Mallandro, o Errado Que Deu Certo", porém não tenho motivos para isso, afinal é um filme como qualquer outro, e vivi bem minha infância nos anos 90 vendo porta dos desesperados, pegadinhas, e claro os muitos filmes que Sérgio Mallandro participou, só não fui comprador de seu disco, o que já seria um abuso. Mas voltando ao que interessa que é seu novo filme, o que posso dizer é que o resultado final até foi interessante de se pensar pelo lado mais dramático da vida de um comediante, e mesmo que não tenha sido real tudo o que aconteceu com Sérgio mostrado na tela, é de se pensar como as pessoas vão interpretar de forma séria alguém que sempre fez piadas e pegadinhas com tudo, ou seja, a trama tem um cunho bem mais denso nesse sentido de alguém que sempre ganhou e viveu bem usando de comicidade, mas que quando está ruim das pernas e não consegue mais ser engraçado ou fazer uso de seus bordões, não é visto pelas pessoas para lhe entender.  Ou seja, diria que a tentativa de um drama cômico até funcionou dentro da proposta entregue, porém alguns irão ao cinema esperando rir dele como se fosse uma comédia extremamente engraçada, e aí vão se dar mal, pois o longa tem pouquíssimos atos que soaram divertidos, sem ser forçando a barra, mas como arco dramático o acerto, principalmente no final, vem e funciona bastante. 

O longa é um filme satírico sobre o comediante brasileiro Sérgio Mallandro. Mallandro está em uma fase ruim da vida. A grana fica cada vez mais curta e ele até tenta trabalhar como motorista de aplicativo, mas não consegue porque, mesmo disfarçado, sempre acaba sendo reconhecido pelos passageiros, que se recusam a embarcar achando que estão numa pegadinha. Quando surge uma oportunidade de voltar à televisão, apresentando um programa de auditório numa emissora pequena, o humorista se mete numa enrascada e acaba perdendo seus “poderes”: não consegue mais dizer nenhum dos famosos bordões. Agora, vai precisar se reinventar para conseguir uma última chance na carreira artística.

Costumo dizer que fazer comédia numa estreia é quase um suicídio para diretores, pois como já falei outras vezes, o que faz uma pessoa rir geralmente é bem diferente do que faz outra rir também, e aqui Marco Antonio de Carvalho pegou um roteiro de Pedro Antônio, Sylvio Gonçalves e Sérgio Mallandro para fazer algo ainda mais difícil que é uma comédia dramática, que precisa além de fazer rir, emocionar o público com algo, mas não se intimidou e acabou conseguindo ser bem coerente nas atitudes, mostrando situações do Mallandro de antigamente, sofrendo com o que fazia outros sofrer, e como diz em certo ato "já esteve no topo da roda gigante cuspindo no debaixo, só que agora o outro está em cima e vai lhe tacar um coco, nascendo uma cocada", e também dando sacadas de como é o stand-up atuar de Sérgio, o que acaba criando um algo a mais para ser visto na tela, e principalmente mostrando que o diretor não foi incrível, mas tem muito potencial para o estilo.

Quanto das atuações, Sérgio Mallandro já fez muitos filmes e sabe fazer bem demais tanto o seu Mallandro quanto o Sérgio, e assim não desaponta em momentos algum fazendo suas miquices e desenvoltura expressivas, de tal forma que o filme é inteiro seu e dos atores que fizeram seus filhos, se tal forma que qualquer outro ator foi mero figurante de luxo com algumas fala, e isso não é ruim, pois ele soube segurar e ser seguro, então o resultado aparece e acaba agradando bastante com o que faz , mesmo que seja forçando a barra, mas que aqui é por um motivo, então vale. Claro que foram mudados os nomes verdadeiros dos filhos do Mallandro, mas as personalidades entregues por Marianna Alexandre com sua Mila e Guilherme Garcia com seu Luca, foram bem tradicionais de filhos mesmo, buscando modos de ajudar o pai a se reerguer, vivenciando seus momentos e dando boas entregas na tela, de forma que funcionaram como atitude e bons trejeitos expressivos. Quanto as demais participações, vale claro o destaque para Xuxa Meneghel como um anjo apresentando o que ele fez de bom e de ruim na vida, afinal como amiga pessoal dele há mais de 40 anos sabe tudo dele como ninguém, e também fazendo a porta dos desesperados com ele; e o garotinho vivido por Theo Peres bem dinâmico e emotivo para os dois atos que entrega na tela.

Visualmente o longa teve cenas numa mansão luxuosa a beira mar que não sei se é realmente a casa de Sérgio, trabalhou de forma bacana numa venda de seus figurinos e apetrechos tradicionais dos anos 90, fizeram bem um programa de esquetes e entrevistas nos moldes atuais, e ainda reverteram esse mesmo programa para algo em tons brancos para algo como se fosse o céu, brincando com a tradicional porta dos desesperados que Mallandro tinha em seu programa, ou seja, a equipe pesquisou bastante e fez boas entregas, simples e funcionais na tela.

Enfim, é um filme que foi até melhor do que esperava, mas que força a barra no estilo tradicional do protagonista, e assim sendo sei que muitos não irão nem curtir e outros muitos nem irão conferir, sendo algo dramático interessante e comicamente sem grandes rumos, que quem permitir a ideia pode até gostar do resultado final. E é isso meus amigos, fico por aqui agora, mas ainda vou conferir mais um hoje, então abraços e até logo mais.


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O Estranho

6/16/2024 02:33:00 AM |

Já disse outras vezes que um dos estilos que mais sinto dificuldade de falar é a trama abstrata, que acaba trabalhando vértices até que interessantes, mas que você precisa ser praticamente do mesmo meio que os diretores querem entregar para conseguir se conectar, senão acaba sendo algo jogado demais como um grande amontoado de ideias e ideais que até podem funcionar bem para algumas pessoas, mas que muitos outros vão apenas assistir e não sentir nada pela entrega completa. E o que posso dizer do longa "O Estranho", que entra em cartaz à partir do dia 20/06 em cinemas selecionados, é que o longa possui tantas ideias interessantes, de uma cultura indígena que viveu por diversas época na região aonde hoje está instalado o Aeroporto Internacional de Guarulhos, toda a desenvoltura das pessoas que moravam por lá e acabaram saindo quando o terreno foi adquirido pela concessionária, e até aldeias indígenas e cultos que ainda existem ao redor, mas que foram diminuídos pelo tempo, mas tudo junto na tela de forma meio que documental ficou assim como o nome diz, estranho de ver, que talvez alguns até irão se conectar mais, mas que para o estilo pegar realmente precisaria ter ido por outros rumos.

A sinopse nos conta que o Aeroporto Internacional de Guarulhos foi construído sob um antigo território indígena. Nesse espaço onde 35 mil trabalhadores garantem o funcionamento diário, Alê tem sua vida atravessada pelas origens do aeroporto e por rastros de um passado em constante transformação. Seguindo personagens cujas vidas se cruzam no dia a dia, o olhar se fixa não sobre aqueles que passam, mas sobre o que permanece num local impregnado pelas feridas originárias de um país.

Diria que a direção e o roteiro de Flora Dias e Juruna Mallon até foi bem consistente das ideias que desejavam mostrar, porém faltou desenvolverem melhor elas para que tudo se encaixasse dentro do formato sem que ficasse apenas como ideais de filmagem, pois saber o que quer ver na tela é interessante, mas se não chegar a sua ideia até o público da mesma forma que pensou acaba sendo apenas algo feito para o próprio ego, e infelizmente esse é o maior problema da maioria das produções alternativas e abstratas de alguns diretores do país. Ou seja, posso dizer que talvez esperasse ver algo mais próximo da cultura indígena que deixou resquícios para as famílias e para o aeroporto em si, mas pisquei e já estava rolando toda uma situação de entrevistas, alguns ensejos do candomblé, e conversas aleatórias sobre pedras e geologia, quando tudo transparece de um grande pensamento e se fecha apenas sem ir para um rumo maior.

Nem vou entrar em detalhes sobre as atuações, pois a mistura de realidade com ficção na trama acaba sendo algo meio que confuso de se entregar, e Larissa Siqueira num primeiro momento faz com que sua Alê seja bem densa e ficcional, mas de repente está dando entrevistas como se fosse realmente moradora do espaço, em um estilo quase documental e expressivo, ou seja, não trouxe uma verdade na tela como deveria, enquanto os demais fazem cenas meio que soltas, com diálogos abertos que não fluem para algo maior, e isso acabou deixando o resultado estranho também por parte das atuações.

Visualmente a trama começa mostrando várias datas, que inclusive fui anotando por achar que fariam alguma diferença no longa (1590, 1932, 1893, 1677, 1492, para depois se situar provavelmente em algum ano da pandemia, já que a maioria das pessoas está usando máscaras na cara), mas não chega a ir para algum rumo essa ideia, tendo alguns atos com pedras e símbolos, outros atos nos arredores do aeroporto, algumas explorações numa floresta, e alguns momentos de entrevista em uma tribo, um ritual do candomblé, e algumas sínteses mais abertas mostrando um rio, mas tudo aberto demais que não vai além.

Enfim, diria que foi tudo abstrato demais para o meu gosto pessoal, que friso não ser algo ruim, apenas não me convenceu em nenhuma das ideias que passaram em minha mente sobre o longa, mas que certamente alguns vão entender mais das nuances e acabará gostando, então digo que quem gostar de tramas abstratas dê a chance ao longa, e que se apaixonar pela ideia e quiser vir comentar, o campo abaixo é 100% aberto, então fica a dica, e eu fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Sinny Assessoria pela cabine, e também a Embaúba Filmes, então abraços e até logo mais.


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Atrevida: A Paixão Não Tem Regras (Непослушная) (Neposlushnaya) (Naughty)

6/15/2024 02:19:00 AM |

Bem vamos lá, quem der uma leve caçada nos meus textos verá que tirando "50 Tons de Cinza" e suas sequências, praticamente fugi de quase todos os longas exageradamente eróticos, conferindo alguns por mera questão de ter aparecido no cinema, e pulando todos os demais que apenas saíram nos streamings, e qual o motivo disso? Simplesmente por achar que não tentam fazer cinema, ou melhor, uma história que convença sem ser apenas sexo e algumas interações dialogadas bem ruins. Mas mesmo sabendo que a pauta de "Atrevida: A Paixão Não Tem Regras" seria em cima dessa temática, resolvi dar uma chance para ele, mesmo a distribuidora querendo me expulsar mandando o filme apenas dublado para todas as sessões, mas como sou teimoso, eis que fui, e agora venho trazer minhas impressões sobre o longa russo. A primeira vou ainda brigar com a dublagem, afinal se os nomes russos já são difíceis de falar, os sobrenomes então é algo que quebra qualquer dublador, e aqui em diversos atos chega a dar dó dos coitados tendo de falar nomes que são quase um xingamento. A segunda impressão é que o longa copiou e muito o filme americano, tendo cenas que você olha e fala mentalmente que já viu aquilo acontecendo quase que da mesma forma. E a terceira é que mesmo sendo uma cópia quase do longa americano, aqui a trama brinca com a temática ecológica, e a síntese em si não fica quase toda em cima do sexo, tendo sim algumas cenas bem tórridas, mas na maior parte acaba sendo um romance bobo entre dois jovens que estão se confrontando, tendo seus gostos mistos entre diferenças e combinações bem alocadas. Ou seja, é um filme que não chega a ser nem perto de algo ruim, mas que tem tantas falhas jogadas que acaba passando muito longe de ser algo bom, então nesse meio do caminho diria que dá para recomendar, mas com muitas ressalvas.

O longa acompanha a jovem Elsa, de vinte anos, que estuda para se tornar ecologista. Um dia, Mateus, presidente de uma grande construtora, vai à universidade de Elsa para falar sobre um projeto para construir um empreendimento em um antigo parque florestal. A garota confronta o plano de Mateus, que fica impressionado pela confiança de Elsa e, para seguir com seu projeto, tenta suborná-la. Porém, ela não está disposta a vender sua integridade, mas acaba surpreendida por uma nova proposta do empresário: passar sete dias românticos seguindo as regras de Mateus.

Claro que o diretor e roteirista Dmitriy Suvorov vai falar que não copiou nem teve referências com o longa americano, porém como seu texto até usa o filme no trailer já fica bem clara sua inspiração, porém ele acabou abusando um pouco na ideia, afinal um cara bilionário não pararia uma construção só porque uma ecologista falou que suas partes eram pequenas, ou seja, falando do argumento em si, é algo que chega a ser risível, mas que acaba sendo meio que deixado de lado depois que tudo começa, e aí diria que com um bom orçamento o diretor conseguiu ir bem além e fazer com que o romancezinho funcionasse para as garotas sonhadoras por um homem rico que ousasse com ela. Ou seja, é um filme com uma produção grandiosa, aonde uma história que é simples e boba ganha uma temática quente que se desenvolve bem na tela, mas que quem for ligar para a arte em si acabará querendo matar todo mundo na metade do filme.

Vou falar das atuações de um modo bem simbólico, afinal sou contra dublagem de filmes com pessoas (mas defendo com unhas e dentes muitas animações!), e claro que se eu falar das vozes e das coisas ditas é capaz de exorcizar o longa por completo aqui, mas confesso que preferi ver em português do que a dublagem em inglês que ficou tensa só de ver o trailer, então quem sabe um dia eu dê o play nele em russo e melhore a trama. Diria que para um longa apimentado, Anastasiya Reznik aparentou ser nova demais, não tendo uma pegada que parecesse com a personagem Elsa, de tal forma que até tem seu charme nas cenas sexuais, mas nos atos de sedução mesmo ficou bobinha demais. Já Alexander Petrov entregou um ar bem imponente para seu Mateus, claro nos atos normais (a cena dele bêbado no final com o pai é algo que se o ator ver como a dublagem destruiu ainda mais sua cena é capaz de processar o país inteiro!), pois em alguns momentos também entregou um estilo meio garoto riquinho pode fazer tudo que o dinheiro puder pagar, e assim faltou presença dele para mudar essa interação. Quanto aos demais, tentaram fazer os pais de ambos os lados serem interessantes na tela, mas não foram muito além, porém o garoto que tem uma leve paixonite por sua amiga da faculdade, esse o longa conseguiu humilhar demais ele, então é melhor nem citar seu nome.

Visualmente como já disse o orçamento foi bem recheado, então tivemos uma mansão toda de vidro, muitos elementos cênicos sexuais bem marcantes, que poderiam ter sido mais usados, outras casas bem trabalhadas, alguns quartos de universidade bem bagunçados, e claro um parque ecológico que foi visto pelos ares e num barquinho romântico, isso sem falar do carrão mostrado em detalhes de vários ângulos, ou seja, a equipe de arte tinha o dinheiro para queimar como quisesse.

Enfim, é um filme que poderia ser bem pior, pois apenas a ideia em si é meio que jogada, agora com certeza irão fazer alguma continuação para desenvolver mais rixas, então veremos como vai rolar, e a dica que eu dou é que quem for conferir não esperar nada demais, que aí acaba sendo razoável, e claro quem entender o motivo de ter a cena de sadomasoquismo após subir o nome do filme no final me diga, pois não entendi a ideia ali. E é isso meus amigos, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais. 


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