Netflix - Rosa e Momo (La Vita Davanti a Sé) (The Life Ahead)

11/14/2020 06:34:00 PM |

Alguns filmes conseguem passar tão bem a essência de uma amizade improvável que ficamos tão conectados ao ponto de se emocionar com tudo, sabendo encontrar detalhes nas emoções dos personagens, nas sínteses que tentam nos passar, e claro na formatação que acabam dando para as histórias, de forma que é raro esse estilo falhar em algo, pois trabalhando envolvimento e sabendo dosar todos os atos, o resultado surge e sempre agrada. Dito isso, o longa italiano que estreou na Netflix, "Rosa e Momo", tem certas particularidades que podem chamar atenção até dos eleitores italianos para indicar o filme aos prêmios internacionais, e talvez até algo a mais como canção original por exemplo, afinal ele vem com uma história bonita, entrega atos de segregação no miolo, bota claro os traumas de guerra, e ainda conta com uma grande estrela do cinema atuando com 86 anos no longa de seu filho, ou seja, tem tudo para agradar quem gosta do estilo, emocionando muito e envolvendo do começo ao fim, quando entra nos créditos com a música perfeita de Laura Pausini.

A sinopse nos conta que em uma cidade italiana à beira-mar, Madame Rosa, uma sobrevivente do Holocausto, mantém uma creche em sua casa. Um dia, ela acolhe Momo, um menino de rua que a assaltou. Os dois agora formarão uma família pouco convencional.

O diretor Edoardo Ponti, soube dominar cada momento da trama, pois facilmente ele poderia ir para um lado mais forte mexendo com os problemas das drogas e de quem acaba trabalhando para o tráfico, mas optou em deixar esse problema apenas no subconsciente do garoto, trabalhando mais o ato da doença, da solidão pós-morte, e claro da saudade/separações, de modo que ainda incluiu um pouco de traumas e a falta de um carinho junto de um vínculo de amizade muito bonito de ver. Ou seja, usando de base o livro de Romain Gary conseguiram criar um roteiro com pitadas duras que são aliviadas por ótimas atuações, e junto de uma direção precisa souberam fazer os sentimentos virem à tona com simplicidade e beleza, ao ponto que o filme acaba criando um carisma maior do que até era proposto, fazendo com que o filme fluísse bem, e acertasse na medida cada detalhe, mesmo que ainda assim não fosse uma obra prima emocional, pois certamente o diretor poderia ter dado ainda mais socos no estômago do público para o filme fazer lavar realmente tudo.

Sobre as atuações, o diretor teve a honra de ter sua mãe novamente em uma produção sua, e que mesmo já com uma idade bem avançada, Sophia Loren acaba chamando tanta atenção com sua Rosa, sendo imponente em cada um dos atos, trabalhando expressões fortes e emocionando em tudo o que faz, sendo perfeita em tudo. Da mesma maneira, o garotinho Ibrahima Gueye trouxe uma força expressiva bem marcante para seu Momo, dominando a rebeldia sem ficar apelativo, criando atos diretos para seu protagonismo, e acertando muito cada momento sem ficar parecendo um adulto jogado, criando o carisma infantil, mas soando direto no que precisava. Quanto aos demais, foram colocados para dar conexão aos momentos, mas entregaram tão bem que vale destacar Abril Zamora com sua Lola, e claro Babak Karimi com seu Hamil, que trabalharam o lado mais sentimental da trama junto com os protagonistas, e até mesmo Renato Carpentieri soube trazer uma segurança visual bem bacana como Dr. Cohen, ou seja, todos foram bem no que precisavam para que o filme funcionasse e fosse muito bem atuado.

No conceito visual a trama foi muito bem sacada em todos os atos, mostrando desde uma casa simples aonde a protagonista cuida dos filhos das prostitutas para ganhar um dinheiro e ainda ajudar as moças enquanto estão trabalhando, com algo simples e bem encontrado, cai para seu abrigo no subsolo do prédio como uma segurança pós-traumática do Holocausto com uma síntese belíssima de elementos cênicos bem trabalhados, nos mostra também a variedade cultural de outros países com a lojinha de Hamil com seus tapetes simbólicos e livros, até chegar ao submundo das drogas na orla com seus luxos e tudo mais, ou seja, é um filme amplo visualmente que funciona bastante, e ainda agrada com bons simbolismos de cuidado, no caso os atos com a leoa bonita e interessante de ver e sentir.

Tanto no trailer, quanto no fechamento do filme durante os créditos entrou a música original que resume completamente o filme todo pela letra da composição, e que brilhantemente colocada na voz de Laura Pausini resulta num envolvimento incrível que funciona demais para arrematar todas as pontas. Acredito com toda certeza que do jeito que estamos com pouquíssimos filmes para concorrer nessa categoria nas premiações, a Netflix não irá deixar de indicar a canção, então vale a conferida aqui no link, e torcer pela belíssima apresentação que deve fazer para mostrar ela, afinal a cantora gravou a música em 5 idiomas, e mesmo nas versões dubladas do filme acabarão ouvindo sua bela voz.

Enfim, não é um longa perfeito, tendo algumas falhas de determinação, pois certamente poderiam ter feito com que o público chorasse até mais com tudo o que poderiam ter trabalhado, afinal sabemos que quando se envolve drogas, doenças e tudo mais, pode piorar bastante as situações, mas ainda assim é um longa bem bonito, cheio de mensagens, e que vai agradar bastante quem curte o estilo de filme mais leve visualmente, porém forte de essência, pois é exatamente o que irá encontrar durante toda a exibição, e sendo assim, recomendo ele para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Uma Invenção de Natal (Jingle Jangle: A Christmas Journey)

11/14/2020 01:34:00 AM |

A Netflix gosta muito de longas natalinos, isso já virou tanto uma tradição da plataforma de streaming quanto algo que os fãs do gênero já ficam esperando a época para se deleitar, porém agora com "Uma Invenção de Natal", eles entraram também para o famoso mundo dos musicais estilo Broadway com um filme original deles, e ainda nesse ano teremos mais outra obra do estilo já anunciada, ou seja, se preparem para ver muitos atores famosos cantando e dançando na sua TV, pois se der certo já sabemos que pode virar algo bem cotidiano. E ao menos por esse que vi hoje confesso que sabendo escolher bem os atores/cantores, o resultado tem tudo para funcionar, pois nos foi entregue além da magia natalina, um filme cheio de brilho, com uma produção com bons figurinos, muita tecnologia visual com contas sendo feitas no ar, animações computacionais e em stop-motion, além de músicas bem ritmadas cantadas e dançadas com muita vontade por todos do elenco, ou seja, uma obra completa. Claro que o trailer prometeu muito mais do que o que foi mostrado, mas ainda assim é algo bem bonito de ver e que vale a pena o tempo na frente da tela, ao menos para quem gosta de musicais.

O longa nos entrega uma aventura musical e um espetáculo visual, uma verdadeira celebração familiar natalina. Ambientado na cidade de Cobbleton, o filme acompanha o lendário fabricante de brinquedos Jeronicus Jangle, cujas engenhosas invenções deixam todos maravilhados. Mas quando um aprendiz rouba sua mais incrível criação, sua neta igualmente brilhante e criativa une forças com um brinquedo há muito esquecido para curar velhas feridas e despertar a magia.

Não conhecia o trabalho do diretor e roteirista David E. Talbert, mas pela sua filmografia dá para ver que é um amante do Natal, e aqui ele entregou incrivelmente uma história musical completa do zero, ou seja, vindo da sua mente, sem ser uma criação da Broadway adaptada, e que certamente irá para os palcos depois, pois tem uma grandiosa essência, tem bons momentos, muita dança e claro ótimas canções compostas por Philip Lawrence, Davy Nathan e John Legend, que cantadas com muita imponência por todos os atores/cantores durante o filme, e nos créditos por Usher e Kiana Léde, resultaram em algo bem bonito de ver, cheio de grandiosas mensagens, e principalmente com uma desenvoltura que acaba empolgando e emocionando visualmente. Porém diria que a emoção passada no trailer criou uma expectativa levemente maior, ao menos para mim, e fiquei esperando um algo a mais para me encantar, não que não seja algo bonito e encantador, mas parecia ser mais explosiva, e a introspecção do protagonista acabou pesando um pouco demais, ou seja, poderiam ter ido mais além com algo menos dramático.

Sobre as atuações, embora seja algo bem rápido, o primeiro ato contou com atores com uma desenvoltura mais viva e bacana de acompanhar, de modo que Justin Cornwell, Sharon Rose, Miles Barrow e Diana Babnicova entregaram algo dinâmico e bem colocado que junto com uma música mais viva acabou abrindo bem a trama para logo na sequência virem os reais principais da trama, ou seja, talvez um pouco mais deles daria um gás extra para o longa, mas fizeram bem, e serão lembrados por isso. Logo em seguida claro chega Forest Whitaker que todos sabemos de suas qualidades expressivas, e aqui como um Jeronicus bem desanimado com a vida, sem aquela força de querer fazer seus brinquedos, acaba entregando algo sem muita magia, mas como faz parte da história esse envolvimento negativo, o ator acabou se doando bem e agradando bastante com a proposta, cantando bem, dançando, brincando e chamando atenção no que faz. Agora sem dúvida o destaque do segundo ato ficou a cargo da estreante Madalen Mills, que deu para sua Journey uma personalidade gostosa, um tom de voz incrível, e trabalhando bem suas dinâmicas acaba fazendo com que torçamos para ela, acertando o ritmo adequado, e fazendo principalmente que os demais a seguissem, envolvendo bem e chamando a responsabilidade para si em diversos momentos, tanto que merecia até mais cenas. Da mesma forma, acabaram usando Anika Noni Rose somente nas últimas cenas com sua Jessica, e a atriz com um vozeirão tremendo ficando quase sem importância na trama, ou seja, merecia muito mais, e certamente a história juntamente com a cantoria iria muito além, mas são opções, então não podemos fazer nada. Keegan-Michael Key trouxe para seu Gustafson um bom ritmo musical e corporal nas danças, trabalhou alguns olhares de maldade, e com figurinos exageradamente coloridos acabou chamando a atenção visual, mas certamente poderia ter ido mais além no nível expressivo para agradar mais ainda. Agora não vemos o cantor Ricky Martin aparecendo em sua personalidade tradicional, mas deu um tom de voz e imponência tão perfeito para o boneco Don Juan Diego que acaba nos divertindo demais, mesmo que ele seja praticamente o verdadeiro vilão da trama, ou seja, caiu muito bem em tudo o que fez. Quanto aos demais, tiveram participações bem menores, ao ponto que quase esquecemos deles, mas Lisa Davina Phillip deu uma boa personalidade para sua Ms. Johnston, Hugh Bonneville fez bons trejeitos com seu Mr. Delacroix, e claro Phylicia Rashad trouxe para sua vó a tradição de pessoas lendo livros que contém a história toda, que de cara já matamos quem é a protagonista.

Visualmente a trama tem muitas cores, figurinos imponentes, uma pequena cidadezinha bem charmosa, e claro muitos elementos cênicos que acabam funcionando tanto para as danças coreografadas, quanto para contar a história toda, de modo que o filme acaba não cansando, e agrada bastante com tudo, além claro de bons efeitos especiais para as cenas de voo (embora fique bem claro que os atores estavam morrendo de medo de ficar pendurados por cabos!), e mais do que tudo, o acerto para os atos de contar a história usando a técnica de stop-motion com bonecos não tão bem acabados, parecendo esculpidos em madeira foi algo brilhante e lindo de ver, ou seja, a equipe de arte deu show.

Como todo bom filme musical, as canções encaixaram muito bem em todos os atos, e claro são usadas para contar a história, entrando até no lugar das falas, então até deixo aqui o link com todas, mas tirando a versão do Usher da canção principal, as demais ficam meio destoadas de ouvir sem ver o filme, então fica a dica.

Enfim, é um filme com um conceito e uma história mágica, mas que acabou não usando tanto a magia natalina que poderia melhorar ainda mais a trama, ou seja, é daqueles bem gostosos de ver, mas que somente quem gosta muito de musicais acabará entrando completamente no clima, ao ponto que certamente acabaremos ouvindo muitas reclamações em alguns sites de críticas (afinal a maioria odeia musicais!), e que poderiam ter ido mais além em tudo, afinal o trailer é uma delícia, e o longa acabou um pouco cabisbaixo demais na maior parte, que mesmo não sendo algo ruim, muitos irão reclamar do tempo, das canções, e por aí vai. Ou seja, recomendo ele para todos que gostam de bons musicais, mas não vá esperando ver algo brilhante na tela, que infelizmente não é. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Destruição Final - O Último Refúgio (Greenland)

11/13/2020 12:57:00 AM |

Se tem um estilo de filme que amo é o tal de destruição do mundo, sempre vejo todos, fico tenso, vibro com as situações, me emociono junto com os personagens, e tudo mais que é possível, e sempre fico na torcida para que os diretores do gênero não apelem tanto e destruam os filmes com efeitos toscos ao invés de destruir o planeta realmente na trama, e hoje felizmente depois de um longo período sem filmes do gênero veio para o interior a pré-estreia do longa "Destruição Final - O Último Refúgio", que entra em cartaz na semana que vem e entrega algo muito intenso, cheio de cenas dramáticas fortes, um começo devastador de ideias, pessoas desesperadas, e claro, muita burrice de alguns personagens para que o filme tivesse algo a mais para contar e acontecer, pois seria muito fácil, chegar, entrar no avião e ir para o bunker, e fim de filme. Então se prepare para tudo o que for possível e imaginário de ver, com bons efeitos, uma história abstrata (afinal nada se fala de um cometa aparecer do nada para destruir o planeta com seus fragmentos, então nem dá para crer muito no acontecimento, mas sim nas situações que ocorreriam da mesma forma maluca com toda certeza!), e muita tensão em tudo, afinal não economizaram no envolvimento passado, e o resultado acaba agradando bastante, mesmo que o improvável aconteça demais.

A sinopse nos conta que uma família luta para sobreviver enquanto um cometa segue em direção à Terra. John Garrity, sua esposa Allison e seu jovem filho Nathan fazem uma perigosa jornada à procura de um local seguro para se estabelecerem. Nessa jornada, eles enfrentarão o pior da humanidade em um momento de crescimento do pânico, desbravando um cenário onde a lei não existe mais.

Se tem uma coisa que sabemos sobre o diretor Ric Roman Waugh é que se ele se deu muito bem com Gerard Butler após o filme "Invasão ao Serviço Secreto", pois ao dirigir o terceiro filme da franquia, o diretor já o colocou nessa nova produção e já está acordado dele protagonizar seu próximo filme que ainda está em pré-produção, ou seja, deu química, afinal Ric já foi dublê no passado e após começar a dirigir grandes produções de ação tem acertado bem a mão e cada vez ganhado maiores orçamentos, ao ponto que aqui sua história é completamente explosiva, cheia de cenas com toneladas de carros e figurantes, muita destruição pra todos os lados, e mesmo usando muita computação o resultado acabou não ficando exageradamente apelativo, ou seja, ele nos entregou uma proposta de filme que não tem como não gostar, pois entra drama, ação, explosões, brigas de casais, sequestros, politicagem, e claro, um fim de mundo, que mesmo estando passando por algo que é assustador na vida real, adoramos ver em um filme para ficarmos com medo de algo do estilo realmente acontecer. Ou seja, o diretor pegou um bom roteiro de Chris Sparling, que é mais conhecido por bons roteiros de drama e terror, e deu dinâmica, deu emoção e fez com que funcionasse do começo ao fim, aliás com um começo bem mais dramático que tudo, um miolo emocionante, e um final desesperador que vai certamente agradar muito quem gosta do estilo, mesmo com leves falhas desnecessárias em algumas cenas.

Sobre as atuações é inegável que Gerard Butler sabe segurar uma tensão como ninguém, trabalhando olhares, partindo pra briga, e claro sempre se desesperando atrás de alguém, ao ponto que aqui seu John não é um personagem daqueles que vamos nos conectar muito, mas que soube dosar seus atos, criar um carisma, e que ao final já estamos torcendo para que ele consiga tanto achar a família, quanto salvar todos, e talvez um ator menos brucutu chamasse mais a atenção para o que o personagem pedia, afinal já vimos ele como segurança fazendo coisas mil, então um pai de família tradicional aqui pesaria bem mais a carga dramática, porém ele é um tremendo ator e foi bem em tudo. A brasileira mais americana que temos Morena Baccarin deu um bom tom para sua Allison, ao ponto que o problema que existiu entre ela e o marido e apenas ficamos sabendo por algumas conversas, acabou ficando tão jogado e desnecessário que após a destruição mandar ver, o amor volta a dominar bem, e a atriz trabalhou bem a forma de fazer isso com um olhar de perdão bem colocado, porém nas cenas desesperadoras como a do carro fugindo após ser colocada pra fora é quase de surtar, mas o que fez na cena da barraca militar, quem não chorar é bem forte mesmo, pois foi lindo de ver. O jovem garotinho Roger Dale Floyd trabalhou bem seu Nathan, mas foi chorão demais, ao ponto que pareceu exagerado o que o diretor pediu para ele, porém sua cena no segundo aeroporto foi de uma expressividade muito boa, mostrando que o jovem pode surpreender se quiserem, ou seja, funcionou bem. Quanto aos demais personagens, praticamente todos foram conexões para algum momento dramático do filme, desde os militares, passando pelos vizinhos dos protagonistas, pelos ocupantes do carro que dá carona para a protagonista e os homens do caminhão que dá carona para o protagonista (ambos que sabíamos com certeza o que rolaria pelo desenrolar das conversas!), até chegarmos no pai da protagonista que foi quem entregou algumas cenas mais destacadas, ao ponto que podemos dizer que Scott Glenn foi quem mais se destacou nos secundários, fazendo bem seu Dale.

No conceito visual, o diretor soube honrar bem o orçamento grandioso que lhe foi dado, pois usou poucos protagonistas (ou seja, economizou no cachê), mas soube aproveitar muitas cenas de destruição via computação gráfica, tacou muito fogo em tudo para lembrar suas épocas de dublê, e conseguiu criar o desespero gigantesco com muitos figurantes em diversas cenas, lotando de carros parados em diversas locações, e não precisando focar em um ambiente só, meio como um road-movie de fuga, que funciona pela proposta completa, além claro de não precisar muito mostrar as cenas finais (o que foi um pouco desanimador), mas ao menos mostrando como ficou várias cidades conhecidas destruídas, e assim o resultado valeu muito a pena.

Enfim, sei que vou parecer um pouco exagerado na nota que irei dar, que certamente mais pra frente vou rever o filme e baixar bem a nota, mas estava tão sedento por um longa catástrofe bem feito, que o resultado geral acabou me agradando bastante, me fazendo emocionar em algumas cenas, e ficar nervoso com outras, ou seja, tudo o que um bom filme do gênero precisa fazer, e sendo assim, valendo a recomendação para todos, mesmo com alguns erros, alguns exageros, e até algumas cenas de computação levemente forçadas, ou seja, veja, se divirta, e ignore muita coisa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Quando a Vida Acontece (Was wir wollten) (What We Wanted)

11/12/2020 01:10:00 AM |

Toda vez que vejo um filme de casal que não conseguem ter filhos e entram em discussões reflexivas sobre isso acabo pensando: "Será que isso rola mesmo? Rola com toda essa dramaticidade e brigas, ou é apenas charme da ficção?". E o mais engraçado desse pensamento, é que geralmente esse estilo de filme aparece em todos festivais, então vejo sempre um ou outro bem semelhante, e hoje com o lançamento do longa austríaco da Netflix, "Quando a Vida Acontece", tive a mesma formatação, o mesmo envolvimento, e até a forma bonita de tudo amplo, várias discussões sobre o tema engravidar ou não, os motivos de não estar dando certo, a família com crianças ao lado trazendo vários questionamentos, e por aí vai, ou seja, é um estilo de filme reflexivo, que acaba sendo bonito dentro do que é proposto, que envolve bem, e que certamente agrada quem gosta da forma mostrada, de modo que mesmo tendo uma quebra meio que assustadora no final, a reflexão geral acaba bem válida e soa interessante, valendo a conferida.

A sinopse nos conta que Alice e Niklas são um jovem casal cujo maior desejo é ter um filho. Depois de várias tentativas frustradas, eles decidem ir de férias na Sardenha para clarear suas mentes. Lá eles conhecem uma família austríaca que parece ter tudo o que sempre desejaram. Mas as aparências podem enganar...

Diria que a diretora Ulrike Kofler trabalhou bem o lado sentimental da trama, e incrivelmente sem pesar nem o lado masculino ou feminino, deu abertura para todas discussões possíveis, e ainda envolveu pela história em si, ou seja, ela soube desenvolver cada momento, cada situação, cada problematização fazendo com que seu filme tivesse um conteúdo forte, e não ficasse enrolando com algo pronto. Claro que cada um verá o filme de uma forma, pois terão aqueles que já possuem filhos e vão pensar de uma maneira, terão aqueles que não querem ter filhos mesmo e verão de outra maneira, e claro aqueles que estão tentando sem conseguir como é o caso dos protagonistas, e que talvez até se identificarão com o que irão ver, ou seja, é um longa com muita amplitude, e que a diretora não quis se posicionar tanto, e que felizmente isso funcionou, pois poderia ser algo mais imponente, mas dessa maneira mais leve, pesando apenas nas discussões do casal e claro no momento mais forte e rápido próximo do fechamento que vai causar um pouco mais, o resultado agrada bastante.

Sobre as atuações, basicamente todos se doaram bastante para que seus papeis tivessem expressões fortes e marcantes, e cada um da sua maneira, com a personalidade direta que necessitava deram seus bons atos, começando claro por Lavinia Wilson com sua Alice determinada a ter um filho seu, sonhando com isso, e vivenciando um pouco ali com a garotinha vizinha, ao ponto que até sentimos bem seu drama pessoal, e torcemos por ela, mas também tem a dinâmica de pensar no outro, e aí é que entra todo o fio da meada da trama, e ela soube dominar muito bem também, emocionando e acertando a mão. Elyas M'Barek trouxe para seu Niklas vários sentimentos e emoções, de forma que em alguns atos até pensamos que ele não tem compreensão pelo sentimento de sua parceira, e que faz algumas atitudes de forma errada, mas se pararmos para pensar nele também um pouco, o resultado mostra que o ator foi muito bem no que fez. Quanto dos vizinhos, diria que os personagens foram intrometidos demais, de modo que de férias do jeito que acabaram se adentrando ao recinto deles foi algo exagerado demais, e os atores se entregaram bem com trejeitos de intromissão mesmo, ao ponto que Anna Unterberger fez bem sua Christl e Lukas Spisser seu Romed, mas sem dúvida alguma o foco ficou para as crianças Iva Höpperger com a graciosa e intrometida Denise e Fedor Teyml com o introspectivo e incompreendido adolescente David, que merecia um pouco mais de tempo discutindo sobre os pequenos, mas não vamos entrar em detalhes.

Visualmente as locações foram bem encontradas, trabalhando os apartamentos/casas na belíssima praia de Sardenha na Itália, com separações quase que nenhuma entre as casas para que tudo que ocorresse/falassem de um lado ouvisse no outro, ou seja, sem individualidade nenhuma, ao ponto que serviu um pouco para a influência da trama, mas basicamente a ideia toda ficou em cima do psicológico da protagonista, e claro todos os diálogos em cima disso, de modo que o filme poderia se passar em qualquer outro lugar, mas ao menos tudo foi bonito de ver.

Enfim, é um filme que tem um ritmo meio que lento, mas que funciona para a reflexão que quiseram passar, e pela essência total entregue, ao ponto que até a canção "Stay" numa versão mais lenta cantada por Cat Power fez todo sentido, e entrega bem o que o filme desejava. Ou seja, é um filme artístico, totalmente com cara de festival, que muitos acabarão nem gostando muito, mas que vale muito a conferida para discutir bem os temas colocados em pauta, e assim sendo recomendo ele com certeza. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Gun City (La Sombra De La Ley)

11/11/2020 01:08:00 AM |

Já venho falando há algum tempo sobre a qualidade do cinema espanhol nos últimos anos, e a cada filme que vejo mais tenho certeza disso. Hoje após conferir "Gun City", que não é uma produção nova, mas que hoje a Netflix acabou me indicando, vi que o nível de produção anda tão grande que chega a impressionar, afinal vemos uma obra de época gigantesca, envolvendo todo o tipo de polícia espanhola desde o exército até chegar nos policiais corruptos, máfia, cabarés, anarquistas, grevistas, e tudo mais que se possa pensar, num jogo de puxadas de tapetes imenso que certamente valeria ser desenvolvido melhor como uma série para que todos os personagens pudessem se desenvolver melhor, ou então cair nas mãos de algum diretor mais sucinto que conseguisse trabalhar a história sem precisar abrir tanto. Digo isso não por achar o que foi mostrado ruim, muito pelo contrário, é uma tremenda história bem desenvolvida que tem estilo, classe e uma abertura ampla para tudo, porém poderiam ter escolhido melhor não desenvolver tantos personagens como filme, ou encarar de vez o tema e fazer uma série de uns 4 capítulos, aonde tudo seria bem desenvolvido e o resultado surpreenderia mais ainda, mas como foi feito assim, garanto que quem gosta de uma boa história de época com muitos tiros, mortes, personagens duplos e tudo mais vai curtir bastante toda a ideia, e sendo assim acabo recomendando ele.

A sinopse nos conta que nos tempos difíceis e convulsivos da Espanha de 1921, Aníbal Uriarte é um soldado veterano da Guerra do Marrocos reconvertido como policial que é enviado por seu superior da capital da Espanha, Madrid a Barcelona (Catalunha, nordeste da Espanha) para localizar uma quantidade importante de armamento militar de um trem, roubado aparentemente por anarquistas revolucionários. A sua chegada à cidade Uriarte conhece o Inspetor Rediú, um oficial corrupto que junta outros policiais como o violento Tísico e o jovem Beltrán, e El Barón, dono do famoso cabaré Edén onde explora a suas bailarinas como Lola, filmando ademais filmes adultos implicando menores e mulheres lésbicas apenas para os olhos da alta sociedade. Ao mesmo tempo Salvador Ortiz é o líder de uma revolta pacífica em uma importante empresa da cidade, na luta pelos direitos dos trabalhadores, e a filha e telefonista de Salvador Sara lidera sua própria revolução em defesa dos direitos das mulheres. Aprendendo a se mover rapidamente em um mar de conspiradores, corruptos e traidores, Uriarte faz um acordo com El Barón fora de Rediú para trabalhar para ele como informante e, pouco tempo depois, salva Salvador para morrer durante um ataque policial na propriedade fabril de García Serrano, rico empresário que é contatado por El Barón na esperança de que Serrano use suas influências para ser admitido no El Liceo, o clube mais importante da cidade reservado aos mais ricos e privilegiados. Portanto, a situação se agrava depois que León, um jovem trabalhador determinado a pegar em armas e liderar uma revolução sangrenta contra os costumes pacíficos de Salvador, e os suspeitos de Tísico sobre o próprio Uriarte o acreditarem como um perigo para os negócios ilegais de Rediú. Com o tempo se esgotando e o general Martínez Anido querendo fazer uma invasão militar em Barcelona para matar os anarquistas, a única esperança de Uriarte para evitar um massacre e um possível golpe de Estado na Espanha é localizar as armas roubadas e expor a corrupção de Rediú e também de El Barón, entrando em contato com Salvador e Sara em busca de ajuda. Mas será que Uriarte sobreviverá o suficiente para salvar a cidade e a si mesmo do perigo iminente que ameaça matar cerca de milhares de pessoas?

Diria que foi a sinopse mais longa que já arrumei, e por incrível que pareça ela não conta tudo o que acontece (assim dá para perceber que uma série seria muito melhor como disse no parágrafo inicial), pois toda essa desenvoltura caiu nas mãos do diretor Dani de la Torre, que mais do que apenas desenvolver tudo, soube amplificar cada momento, cada história paralela, incorporar sínteses bem marcadas de personagens, e ao ir criando tudo isso, pode mostrar cenários incríveis e muitas cenas de ação com dramaticidades na medida certa. Ou seja, é daqueles filmes que vamos tentando entender um pouco mais quem é o protagonista, e realmente qual sua ideia de tudo, de modo que vamos fluindo com o que vemos e acabamos tão envolvidos com as situações que já passamos a torcer por situações, ficamos bravos com alguns acontecimentos, e claro vamos até o fim esperando que tudo seja bem explicado e mostrado, o que infelizmente não é, pois como sabemos bem, tramas de máfia e policiais duplos, o resultado sempre acaba com um mistério aberto, e assim sendo, a trama vai bem do jeito tradicional, e agrada ao menos com a proposta.

Se eu quisesse falar de todos os personagens importantes na trama acabaria fazendo um livro aqui, pois são muitos personagens e bons atores, de modo que acabam agradando bem em tudo o que fazem, e volto a frisar que talvez uma série desenvolveria melhor cada um. Dito isso, é claro que tenho de falar de Luis Tosar, que deu um bom tom para seu Uriarte, envolvendo muito mistério nos olhares, e claro uma boa habilidade com tiros e socos para que seu personagem fosse forte e direto, ao ponto que o acerto acaba sendo perfeito. Tenho de falar também do principal policial corrupto, que Vicente Romero acabou entregando cheio de trejeitos e manias, fazendo seu Rediú com muita precisão e agradando bastante junto de seu principal comparsa Tísico vivido por Ernesto Alterio, completamente maluco. Manolo Solo acabou trabalhando seu El Barón com um estilo bem marcado para um mafioso dono de bordel, mas poderia certamente ter ido bem além em tudo, indo mais para um lado cínico para chamar atenção, mas não errou, e assim sendo foi bem. Pelo lado dos anarquistas/grevistas, diria que Paco Tous, que é muito conhecido pela série de sucesso que fez, entregou alguém calmo demais para o personagem Salvador, tentando ser pacífico num personagem que certamente poderia ir além, mas chamou a responsabilidade para si, e foi bem ao menos, enquanto Jaime Lorente já partiu para o lado revolucionário e até ousou um pouco em algumas cenas com seu León. Quanto das mulheres, diria que as duas protagonistas tinham até mais para falar e mostrar, mas entregaram bem seus momentos, ao ponto que vemos bem a dançarina Lola vivida por Adriana Torrebejano mandar bem nos atos de dança e claro ter sua ideia mantida, e a grevista Sara vivida por Michelle Jenner foi dinâmica em algumas cenas, mas em outras pareceu tão sem expressão que chega a desapontar, mas não atrapalhou ao menos. Quanto aos demais, fizeram boas conexões e não atrapalharam, ao ponto que é melhor apenas conferir o que fizeram.

No conceito visual posso dizer que gastaram e muito para fazer todo o filme, pois a reconstrução de época foi incrível, vemos sim alguns detalhes computacionais exagerados para criar tudo que não foi possível de forma real, mas ainda assim tivemos figurinos, carros, armas, todo o ar do cabaré, várias cenas sindicais e tudo mais, fazendo com que a equipe de arte tenha precisado pesquisar muito e entregar algo tão preciso que acabamos entrando no clima, e praticamente viajando cem anos atrás, pois é lindo de ver, e o acerto foi preciso.

Enfim, é daqueles que certamente vou lembrar quando pensar em um bom filme espanhol de época, que cheio de boas desenvolturas acaba agradando, porém diria que ele é longo de essência, mas curto para mostrar tudo que poderia ser desenvolvido ainda, mas que agrada bem quem gosta do estilo, valendo assim a recomendação. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Bob Esponja: O Incrível Resgate (The SpongeBob Movie: Sponge on the Run)

11/08/2020 07:09:00 PM |

É engraçado que em 2015 quando saiu "Bob Esponja: Um Herói Fora da Água" reclamei muito do filme ser um episódio alongado da animação da TV Nicklodeon, e de terem usado pouco a interação com pessoas reais, e passados 5 anos com o lançamento de "Bob Esponja: O Incrível Resgate", o problema é praticamente o mesmo, de não fazerem realmente um filme do personagem, mas sim algo que facilmente poderia ser visto na TV em um ou mais episódios. Porém o que difere principalmente esse novo filme é que ele teve mais o estilo do personagem, com uma brincadeira própria dentro da água, um vilão mais com a cara da animação, e o resultado ao menos diverte um pouco mais, sendo que os personagens humanos viraram mais algo de sonho e/ou um mantra para dar coragem ao protagonista. Ou seja, vemos uma animação divertida, com bons momentos caricatos, e que serve muito bem de passatempo tanto para as crianças que gostam do personagem, quanto para quem curtir apenas uma boa animação, valendo os minutos na frente da TV com a boa mensagem de amizade desde a infância (aonde vemos todos os personagens pequeninos e graciosos), até estarem junto na defesa do protagonista. Sendo assim, mesmo que não seja uma obra primorosa de se ver nos cinemas e lembrar muito daqui há alguns anos, o resultado soa satisfatório e agrada, até mais que o longa de 2015. 

O longa nos mostra que o sumiço de Gary preocupa seu amigo. Segundo Bob Esponja, Gary foi "caracolstrado" pelo temível Rei Poseidon e levado para a cidade perdida de Atlantic City. Junto a Patrick Estrela, ele sai em uma missão de resgate ao querido amigo, e nesta jornada os dois vão conhecer novos personagens e viver inimagináveis aventuras.

Posso dizer que a vida de Tim Hill foi praticamente toda dedicada a transformar as histórias do Bob Esponja escritas por Stephen Hillenburg para filmes e para a TV, porém agora é sua primeira vez dirigindo algo que tenha escrito da esponja mais famosa da TV, e com isso vemos algo bem mais próximo das histórias da TV, porém faltou para ele mostrar algo que já fez bem tanto em "Alvin e os Esquilos" como em "Hop - Rebelde sem Causa", que foi a interação entre os personagens animados e os atores humanos, pois a trama até cairia bem no estilo, trabalhando tudo com uma desenvoltura mais engraçada e bem colocada, afinal diferente do filme de 2015, aqui os piratas zumbis foram bem legais de ver, e até mereciam mais tempo junto dos desenhos, mas optou por focar mais no desenho, então foi uma escolha própria e isso não temos que questionar, apenas dizer que acertou para chamar a atenção mais do público-alvo que são as crianças que já veem os episódios umas 1000x na TV, enquanto se fosse por outros rumos agradaria talvez mais quem estivesse procurando um filme realmente. Ou seja, não digo que foi algo errado a escolha do diretor/roteirista, mas sim uma acomodação de certa forma, que poderia ter levado o longa muito além do que foi, mas são opções, e assim cada um tem a sua.

Os personagens continuam com o mesmo carisma de sempre, fazendo suas bobagens tradicionais, e divertindo com isso, tendo boas sacadas com estilos de filmes, com personalidades casuais de aventuras do cinema, e muitas referências, ao ponto que acabamos rindo bastante das tentativas que fizeram durante a viagem dos protagonistas até Atlantic City, e tudo o que acham pelo caminho, mas certamente a melhor sacada foi colocar Keanu Reeves como um guru espiritual dentro de uma bola de feno, Danny Trejo como um malvadão do velho-oeste e Snoop Dogg como um organizador de um salloon, ou seja, brincaram com os atores reais para que o filme tivesse uma desenvoltura diferente, e a sacada foi boa. Além disso, toda a movimentação de personagens, e a alta criatividade para fazer a cidade de Atlantic City como uma Las Vegas embaixo d'água foi bem genial, e com Poseidon como um rei egocêntrico e cheio de exageros de beleza também acabou chamando muita atenção, ao ponto que todas as dublagens acabaram agradando bastante e o resultado acaba valendo a pena.

Visualmente o filme é bem colorido, mostrando bem cenas atuais, cenas de quando todos os personagens se conheceram num acampamento de escoteiros quando pequeninos (com personagens bem fofinhos quando crianças!), e que mesmo não caindo para uma modelagem tridimensional mais bonita como acabou acontecendo no longa anterior, tudo aqui pareceu funcionar bem com elementos cênicos coerentes, cidades interessantes, e tudo mais com uma amplitude cênica agradável, colorida ao ponto de prender a atenção da criançada, e funcional, que não chega a soar nem exagerada, nem repetitiva, brincando com cada momento de uma forma certa e precisa.

Enfim, é um filme bobinho que foi feito realmente mais para os fãs do personagem do que para quem não confere os episódios dele na TV, mas que ainda assim serve de passatempo para todos por ter uma história fechada bem divertida e trabalhada sem exageros ou cenas que cansassem demais, e sendo assim até recomendo o filme para todos. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Missão Presente de Natal (Operation Christmas Drop)

11/07/2020 09:32:00 PM |

Ainda estamos começando Novembro, mas acredito que na sede da Netflix já ligaram as luzinhas natalinas, colocaram enfeites nas árvores de Natal e já estão até preparando a ceia, pois brotou uma tonelada de filmes natalinos originais na plataforma, ou seja, quem ama o estilo terá filmes para conferir por um bom tempo. Mas falando especificamente do lançamento da semana por lá, "Missão Presente de Natal", consegue ser gracioso ao mostrar um projeto real bem trabalhado, com uma desenvoltura interessante, e até atuações bem bacanas, que mesmo sendo algo bem simples resulta em um filme cheio de locações bonitas, e que mostra que o conhecimento de um trabalho pode mudar quem apenas julga como gastos olhando de fora, e assim o resultado agrada quem curte uma trama levinha e rápida, que claro como todo filme do estilo, tem de rolar um romancinho para fechar bem.

A trama nos conta que buscando ser promovida, Erica Miller, uma assistente parlamentar, viaja para uma base aérea no Pacífico a pedido de sua chefe, furando o Natal com sua família. No local, ela precisa decidir se a base será fechada para corte de custos ou não. Só que lá entra em conflito com o Capitão Andrew Jantz, um piloto que ama o Natal e tem como projeto, há anos, entregar presentes e suprimentos, de paraquedas, para os moradores das ilhas vizinhas. Erica passa a ficar em dúvida entre vivenciar o espírito natalino de Andrew ou atrapalhar seus planos por conta de seu desejo de ser promovida profissionalmente.

Quem confere muitas séries certamente já viu o nome do diretor Martin Wood em algum crédito na plataforma, pois vive fazendo trabalhos para o streaming, então por esse estilo mais de segmentação um fato que talvez incomode alguns mais românticos será o fato do clima entre os protagonistas irem se conectando e tudo ser deixado apenas para o final, o que talvez dê o tom para uma continuação, porém ele foi bem direto em usar o texto dos roteiristas para mostrar bem o projeto, ir exibindo tudo como se fosse quase que algo que estivessem vendendo a ideia da equipe para projetos humanitários natalinos, e isso é algo bom de se fazer, mas como cinema/filme de qualidade acabaram exagerando um pouco na ambientação mostrada, e não criaram climas suficientes para que o filme focasse mais em algo ou dramático ou romântico demais, tanto que a cena aonde mostram a possibilidade de uma grandiosa tempestade vindo o filme quase se prende e a sugestão dada é a mais boba possível. Ou seja, não é um filme ruim, a proposta é gostosinha, a forma que o diretor trabalhou foi bacana como exemplificação do projeto, e a química/brigas dos protagonistas foi algo legal de conferir, mas só como passatempo, pois como algo maior nem foram muito além para isso. 

Quanto das atuações, diria que ambos os protagonistas se entregaram bem para o filme, ao ponto que soa agradável as cenas entre eles, não tem muitos exageros e forçadas de barra, e a trama resulta quase na moça como uma turista/avaliadora de um serviço, e o jovem como um carismático guia de serviços pela ilha, que acaba pintando um clima. Dito isso, é até engraçado ver Alexander Ludwig fazendo papel de boa pinta com seu Andrew, pois geralmente ele se joga em papeis mais imponentes, cheios de lutas e tudo mais, e aqui ele é festivo, doce, cheio de boa vontade, e acaba acertando num estilo que não é muito sua praia (será que já falaram que não terá renovação em "Vikings" e o jovem já começou a procurar novos rumos?). Já Kat Graham virou a garota dos filmes natalinos da Netflix, já em seu terceiro ano com produções do estilo, e aqui sua Erica até tentou passar um ar mais forte, que iria chegar chegando na base pronta para mudar tudo, mas foi se adoçando, e o resultado final acaba sendo bem o estilo de suas personagens, ao ponto que a atriz não erra, mas poderia fazer menos caras e bocas. Quanto aos demais personagens, a maioria apenas deu conexões para tudo acontecer, tendo poucos destaques entre eles, mas ao menos acabaram agradando bastante com seus feitios, desde Trezzo Mahoro com o irreverente Coringa, a deputada mal-encarada vivida por Virginia Madsen, e até Jeff Joseph e Janet Kidder como um casal de militares souberam dosar bem as cenas e encaixaram tudo dentro da proposta.

Visualmente o longa encontrou uma locação bem paradisíaca, com praias maravilhosas, e uma base de operações que acredito que não deixaram filmar muito por lá, pois as cenas ocorreram na maioria dentro de galpões e casas, somente indo para dentro dos aviões nas últimas cenas, mas isso não atrapalhou em nada o desenvolvimento do filme, que teve boas cenas, e bons elementos visuais para funcionar em cada ato, mostrando que a equipe de arte desenvolveu boas festas, e claro bons momentos.

Enfim, é um filme bem simples, bonito pela essência humanitária, e com uma pegada romântica que acaba soando meio que desnecessária, mas que acaba agradando pelo clima criado, e por não forçar a barra com nada, ao ponto que não chega a ser um longa ruim, mas poderia ser bem melhor em tudo. Diria que vale a recomendação, mas que certamente poderiam ter ido um pouco além em tudo, para não ser apenas básico demais. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Bill & Ted - Encare a Música (Bill & Ted - Face The Music)

11/07/2020 01:57:00 AM |

Falei ontem que os roteiristas estão com preguiça de criatividade, e assim estamos vendo várias continuações e refilmagens de clássicos dos anos 80/90 surgindo, e claro que o clássico nerd mais icônico não iria ficar de fora, porém confesso que estava com muito medo de "Bill & Ted - Encare a Música" não funcionar pelo estilo ser extremamente temporal e que funcionava na época pelas piadas e estilos dos personagens, além claro de diversos filmes com a mesma pegada de viagem temporal na época, porém a equipe felizmente não quis jogar para o estilo atual, e mantendo a pegada original acabou fazendo um filme extremamente gostoso de conferir, com ótimas jogadas, com os personagens interagindo com suas diversas versões hilárias, e principalmente criando uma bagunça temporal completamente insana que funciona muito dentro do que foi proposto. Ou seja, é daqueles filmes bizarros de proposta, fazendo uma bagunça temporal tão legal que acabamos curtindo tudo e batendo os pés no final com a boa música criada.

O longa nos mostra que três décadas depois, Bill (Alex Winter) e Ted (Keanu Reeves) ainda não conseguiram escrever a melhor música de todos os tempos. Os amigos, então, têm a ideia genial de viajar para o futuro, para quando já tiverem escrito a música, e roubá-la de si mesmos… o que poderia dar errado? Ao lado das suas famílias e da inseparável amiga Morte (William Sadler), eles precisam encontrar a música perdida e salvar o mundo de uma possível catástrofe. Tudo isso, claro, sendo excelentes uns com os outros e deixando a festa rolar!

Chega a ser até engraçado ouvir os protagonistas falando nas entrevistas que o longa não foi nem um pouco planejado, que apenas resolveram fazer e saiu, pois sabemos bem que não funciona assim no mundo do cinema, e dito isso o diretor Dean Parisot pesquisou muito os longas de 1989 e 1991 para conseguir extrair bem a essência dos roteiristas, e criar um filme como se tivesse ocorrido em 1993, pois é uma trama bem atemporal, afinal brinca com idas para o passado, para o futuro, para o inferno, e sendo sagaz em criar toda a bagunça que isso acaba rolando, múltiplos passados e futuros, além de personalidades diferentes, usando claro teorias atuais sobre essas ideias, e também jogando como se fosse uma brincadeira completa. Ou seja, é um filme aonde se preocuparam em brincar com tudo, mas tentar dar um realismo (ao menos visual) com boas propostas e ainda ousar trabalhar com a ideia de uma música atemporal e universal, que é algo que muitos dizem não ser possível. Sendo assim o diretor foi preciso na ideia, deu praticamente carta branca para os atores brincarem em cena, e o resultado foi um filme leve e gostoso para curtir, que quem for fã dos antigos vai entrar no clima e gostar, e mesmo quem nunca tiver visto nenhum dos anteriores vai se divertir também, pois é um filme de viagem no tempo como qualquer outro, e tem uma rápida abertura explicativa do que rolou no passado, ou seja, vá ver, e se divirta com tudo.

Sobre as atuações é fato que ambos os protagonistas envelheceram muito desde os primeiros filmes, e a química entre eles não é algo mais tão conectado, porém ainda assim se entregam bastante nas suas diversas versões, e o resultado acaba agradando bastante com o que fazem, de modo que vemos um Keanu Reeves bem disposto com seu Bill, cheio de personalidade e olhares, porém não diria que ele se encontrou com o personagem de muitos anos atrás, pois atualmente prefere mais ir para a briga do que criar desenvolturas, e assim diria que ele foi correto, mas não perfeito. Já Alex Winter que praticamente não tem feito tantos filmes como ator, acabou se divertindo mais com seu Ted, trabalhando mais sacadas e sorrisos, e fluindo bem com seus momentos, mas não fazendo nada de muito surpreendente também. As garotas Samara Weaving e Brigette Lundy-Paine se jogaram completamente com suas Thea e Billie, ao ponto que chegam a soar até meio que bobas demais, mas as personagens pediam isso, e seus fechamentos foram preciso para com o que o filme pedia, ou seja, foram bem mesmo exagerando com trejeitos demais. Kristen Schaal acabou falante demais para com sua Kelly, mas a personagem pedia isso, e talvez pudessem ter até desenvolvido mais sua personagem, mas sairia do fluxo dos protagonistas, então fez o que pode. E para fechar, tivemos um WIlliam Sadler curtindo demais sua volta para o filme como a Morte, ao ponto que se dessem mais tempo de tela para ele, fluiria ainda mais, já no caso das esposas e do pai e mãe do protagonista, diria que ficaram meio que jogados demais, servindo apenas para algumas piadas, então melhor nem entrar na discussão. Já as diversas participações e sósias de artistas famosos foram algo bem bacana de ver, brincando com Kid Cudi, Dave Grohl, entre outros.

Bem, se nos anos 90 eles já puderam brincar bastante com efeitos visuais para as viagens no tempo, agora com toda tecnologia, tudo ficou muito mais bonito de ver, embora a cabine já bem gasta fique soltando faíscas a todo momento, mas tivemos passagens por diversas épocas bacanas da música com as garotas selecionando membros para a banda, tivemos um final apocalíptico bem trabalhado de elementos cênicos e figurantes, tivemos uma cidade futurista bem marcante e bonita, além de um inferno cheio de dinossauros, lava, e tudo mais, agradando bastante visualmente, e mostrando que a equipe de arte além de pesquisar bem os personagens para ficarem aparecendo no longa, jogaram com estilos e funcionalidades bem trabalhadas para agradar e chamar atenção.

Como todo bom longa musical, a trilha sonora escolhida foi bem primorosa e embora mostrem apenas alguns acordes de músicas conhecidas, todo o conteúdo original em si foi bem interessante de ouvir, e o resultado chama bastante atenção, com claro um fechamento digno da música "Face The Music" que dá nome ao filme, então claro que deixo aqui o link para ouvirem as canções e curtirem pós-filme.

Enfim, é um longa gostoso de conferir, que nem vemos o tempo passar (mesmo sendo bem curtinho com apenas 88 minutos), e que funcionou dentro do que se propôs, não querendo ser uma novidade monstruosa, mas sim uma continuação fiel aos demais, caindo meio que longe da época original, mas que mesmo não sendo perfeita, e até exagerando um pouco (o que era bem comum de ver na época), acaba agradando e divertindo bastante, sendo assim recomendada tanto para os fãs, quanto para aqueles que nunca nem ouviram falar nos personagens. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Jovens Bruxas - Nova Irmandade (The Craft: Legacy)

11/06/2020 01:02:00 AM |

Já faz algum tempo que os roteiristas andam sem muitas ideias originais e andam aproveitando para requentar longas de sucesso dos anos 80/90, colocando como continuações ou refilmagens para tentar chamar a atenção dos fãs da época ou até apresentar algo para quem nunca viu e vai procurar os antigos para se conectar, e embora muitos reclamem disso, temos de relevar e encarar como algo novo e ir conferir sem muitas expectativas para criar nossa visão do que é mostrado ali, ou seja, como se nem dependesse de nada dos antigos. Dito isso, diria que o filme "Jovens Bruxas - Nova Irmandade" é bem bacana, tem uma proposta simples de longa adolescente, com bem menos feitiços que o original, muita discussão sobre os temas da atualidade, mas principalmente consegue passar a essência de irmandade, de rituais com regras, e claro, conectar o filme com o original dos anos 90. Claro que não é nenhuma daquelas obras que você vai ficar impressionado, irá querer ver umas duzentas vezes, nem vai torcer para virar uma saga com vários filmes, mas é algo que dá para curtir e funciona dentro do que se propõe, ao ponto que quem gosta de um filme leve de bruxaria vai gostar do que verá, e nada mais.

O longa acompanha um quarteto eclético de bruxas aprendizes e adolescentes que acabam recebendo muito mais do que conseguem lidar enquanto tentavam entender sobre seus novos poderes e seu vínculo.

A diretora e roteirista Zoe Lister-Jones certamente foi apaixonada pelo longa original dos anos 90, e ao se tornar atriz nos anos 2000 provavelmente ficou com muita vontade de estrelar uma continuação do filme, porém como não conseguiu a tempo, resolveu fazer seu segundo filme como diretora algo que mistura continuação com refilmagem, mas sem precisar se ater aos detalhes do original, dando sua própria versão de jovens bruxas, com seu aprendizado pela magia, pelas regras, pela culpa e tudo mais, unindo a isso propostas como machismo, homossexualismo, bullying e tudo mais, ao ponto que o filme acabou carregando uma carga mais dramática do que de bruxaria/misticismo, mas isso foi algo até que bom de ver, pois como ela escolheu um ar bem mais adolescente do que o original (diria que lá as moças já estavam nos finais do ensino médio, enquanto aqui é algo mais próximo do comecinho), o resultado de muita magia aqui recairia para algo exageradamente bobo, ou seja, iria irritar bem mais. Ou seja, foi algo bem longe de um acerto incrível, mas o resultado final flui pelo menos, e acaba sendo gracioso de conferir, agradando bem quem não for com tantas expectativas, e não sendo exagerado de coisas absurdas (o que nos deixou bem feliz de ver!).

Sobre as atuações, diria que a jovem Cailee Spaeny tem estilo e domínio completo de sua expressividade, ao ponto que sua Lily consegue o feitio de chamar atenção em todas as suas cenas, e isso é algo que poucos protagonistas conseguem fazer, claro que acabou apagando completamente tudo do grupo inteiro, ao ponto que nem conseguimos ver as demais fazendo quase nada, mas acredito que essa era a opção da diretora, e o resultado foi que felizmente a jovem deu bastante conta do recado, e agradou bastante no que fez. David Duchovny ficou anos demais fazendo só séries, ao ponto que aqui seu Adam aparece e faz acontecer tudo tão rápido que chega a parecer que até já conhecíamos ele de algum outro lugar, sem explorar um desenvolvimento maior nem nada, ou seja, ele até faz bons trejeitos em diversas cenas, mas ou você induz um pouco de tudo e assume bem suas atitudes, ou você vai acabar vendo ele como um personagem até jogado demais, o que não é o caso, pois suas cenas finais são bem interessantes de expressões fortes (embora o fechamento total soe um pouco tosco demais!). Nicholas Galitzine foi bem expressivo com seu Timmy, tendo cenas fortes bem colocadas, e conseguindo soar diferente de algo usual, embora seu personagem seja usado para polemizar algo, mas o jovem soube dosar olhares e cadenciou bem seus momentos ao menos. Quanto as demais garotas, Zoey Luna, Gideon Adlon e Lovie Simone, garanto que nem lembraremos delas no filme, pois até fizeram seus papeis de uma forma dinâmica, mas nada que surpreendesse e assim sendo, sumiram atrás da protagonista. E quanto dos demais garotos e da mãe da protagonista, conseguiram ser ainda inferiores às demais garotas, ou seja, é melhor nem citar.

Visualmente o longa também não teve grandes marcas, pois temos cenas em uma escola e na casa que a protagonista vai morar, além de uma mata, a casa de uma das colegas e a festa na casa de um garoto, tendo alguns momentos mais coloridos com a preparação de feitiços, e outros mais densos, mas de certa forma o filme nem chega a recair para algo mais de terror, e assim tudo é bem ambientado, cheio de objetos cênicos para trabalhar, e até objetos de terror como tabuleiros ouija e animais peçonhentos acabam sendo usados sem muitos sustos, ou seja, poderiam ter criado um tom menos adolescente para chamar mais para algo forte.

O longa tem boas canções, misturando músicas atuais com clássicos dos anos do filme original, ao ponto que acaba sendo algo bem bacana de curtir, e claro que deixo o link para todos ouvirem, pois funcionou bem dando a fluidez que o longa necessitava, e um bom ritmo também.

Enfim, é um filme que fui conferir sem esperar nada e acabei gostando do que me foi entregue, mas como disse acima tem muitos altos e baixos, com uma direção de arte que não foi muito além, e personagens demais que acabaram nem servindo para muita coisa, de modo que o resultado agrada, diverte, mas não será lembrado muito daqui algum tempo, e sendo assim recomendo ele com algumas ressalvas. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - O Herdeiro Das Drogas (Inherit The Viper)

11/04/2020 11:23:00 PM |

Já vi vários filmes sobre traficantes, a maioria envolvendo briga de gangues por poderes ou problemas familiares dentro do mundo deles, que geralmente entregam uma essência dramática bem imponente fazendo desenvolturas que mostrem um rumo dentro da liderança, ou claro indo tudo pelo lado da matança, porém um fato que costuma sempre funcionar nesses filmes é a dinâmica dos personagens, de modo que vemos a história sempre fluindo bem encaixando toda a situação, e na maioria das vezes resolvida com muitos tiros. Dito isso fui esperando ver no longa que estreou na Amazon Prime Video, "O Herdeiro das Drogas", ao menos um pouco de ação e desenvoltura dos protagonistas, alguns tiroteios e tudo mais, o que acaba não acontecendo mesmo tendo uma história interessante por trás de tudo, ou seja, é um filme morno demais para a temática, aonde as atuações não foram memoráveis ao ponto de um longa com uma carga dramática forte funcionasse em cima disso, e assim o resultado ficou mediano demais para recomendar.

A sinopse nos conta que para os irmãos Kip e Josie, traficar opióides não é apenas um negócio de família - é seu único meio de sobrevivência. Quando um negócio dá errado, Kip decide que quer sair. Mas a tentativa de Kip de escapar do legado de sua família acende um barril de pólvora de violência e traição, pondo em perigo Kip, Josie e seu irmão mais novo, Boots, neste emocionante thriller policial que chega a uma conclusão devastadora.

Assim como a maioria dos filmes que entram em cartaz na plataforma da Amazon, é bem fácil descobrir o problema de um longa assim que clico na filmografia do diretor e aparece ser o primeiro filme, pois é nítido aqui que faltou experiência para que a trama fosse além, e assim Anthony Jerjen até mostrou que tem uma técnica bem apurada para criar climas, mas não desenvolveu isso ao ponto que fluísse para algo mais intenso (claro tirando as últimas cenas!). Ou seja, em sua estreia o diretor pegou um texto forte, que precisaria de mais tensão do começo ao fim, e apenas executou tudo, quase como uma leitura de livro sem imaginar tudo antes, ao ponto que vemos o filme sendo executado, todas as cenas aparecendo, mas elas não explodem, e isso é um problema gigante que mereceria ser resolvido para o filme ser bem melhor, pois tem potencial no texto, e os atores aparentavam disponibilidade para isso.

Sobre as atuações, Josh Hartnett trabalhou até que bem seu Kip, colocando trejeitos fortes no personagem, ousando cenas mais fortes com olhares mais abertos, e sabendo segurar a dramaticidade cênica para si, pois seus momentos são todos para dois lados, e facilmente valeria uma explosão, mas o resultado final agrada e chama atenção ao menos. Já Margarita Levieva entregou uma Josie intensa porém muito calma, ao ponto que seus atos não se justificam de uma maneira correta e fluida, que vemos acontecer tudo meio que jogado, e o resultado final ainda choca não pelo acontecer, mas sim pelo ato em si, ou seja, acabou parecendo fraca demais para tudo que a personagem pedia. Owen Teague passa o filme todo como um moleque bobo demais com seu Boots, mas vemos o filme ir se desenrolando para que ele tenha um surgimento, e isso ocorre apenas com uma denúncia e um corte de cabelo, ou seja, ou o roteiro estava de piada conosco, ou o ator não fez o que poderia para chamar a atenção ficando jogado demais, e acredito mais nessa segunda opção. Quanto aos demais, a maioria serviu apenas para as conexões da trama, tendo um ou outro ato chamativo, mas sem grandes aparições, valendo um destaque bem mediano para Dash Mihok como o Xerife, mas nada de muito expressivo.

O visual da trama é bem escuro em quase todas as cenas, tentando trabalhar a densidade dramática num nível mais baixo, e claro mostrando algo meio como um submundo criminoso, e temos boas cenas bem montadas, com ambientes marcados como um bar, uma serralheria bem suja, e até mesmo na cena mais "diurna" em meio a um descampado, o resultado ali acaba ficando tenso e sujo após as circunstâncias, ou seja, a equipe de arte quis colocar o filme como algo tenso, e ao menos nesse quesito conseguiu.

Enfim, é um filme que poderia ser incrível pela história, mas que não engrena, ficando enrolando quase que a maior parte do tempo, e resolvendo tudo de uma maneira rápida e que não convence, ou seja, é daqueles filmes que quase dormimos, mas que o final ao menos compensa um pouco, e que claro não dá para recomendar. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Amazon Prime Video - Sobrevivendo a Noite (Survive The Night)

11/04/2020 01:12:00 AM |

Chega a ser engraçado a forma que vamos conferir um filme que tem Bruce Willis no elenco, pois já vamos esperando ver ele sair dando porrada e tiro em todo mundo, pular de uma janela e rolar sem que o inimigo consiga lhe pegar e tudo mais, e quando tudo isso não ocorre, a decepção vem tão grande que mesmo que o filme seja razoável, acabamos não curtindo nada do que é mostrado. Então imagine quando o filme não tem muita história e só vemos coisas bizarras acontecendo. Pois bem, isso ocorreu com o longa que estreou hoje na Amazon Prime Video, "Sobrevivendo a Noite", que traz uma ideia digamos meio besta de uma dupla de assaltantes que comete uma cagada em uma loja de conveniência, e sai à procura de um médico para salvar o ferido, e com isso entra na fazenda da família de Willis, aonde o filho é um médico e lá faz mais uma tremenda cagada, mas pede que salvem eles, e nada mais, mas tudo vira uma bagunça tremenda, com cenas completamente sem nexo, aonde o final resulta em algo que até esperávamos acontecer, porém não vindo do nosso brucutu preferido dos filmes de ação. Ou seja, é um filme de ação simples demais com um drama exagerado demais, aonde tudo é menor do que deveria, e assim sendo não empolga, nem entrega nada que faça valer a conferida realmente.

A sinopse nos conta que um médico desonrado e sua família são mantidos reféns em sua própria casa quando um grupo de criminosos que fogem de um assalto mal sucedido procuram atenção médica imediata.

Diria que o diretor Matt Eskandari junto com os produtores foram espertos de jogar Bruce Willis na trama para vender ela, pois embora o filme tenha uma essência de ação de sobrevivência que casualmente ocorre nos longas aonde ele é colocado, aqui o foco todo é entre os assaltantes e o médico, de modo que Willis fica bem em segundo plano e falha consideravelmente em sua luta com o assaltante, ao ponto que não vai muito além e fica machucado quase que o filme todo sem fazer muita coisa. Ou seja, o diretor até trabalhou bem a essência do filme de família reclusa, situação de loucuras e riscos de vidas, uma dinâmica intensa meio que sem nexo algum, mas esqueceu de dar a liberdade, e claro a força, para o personagem que sabemos que faz tudo em um filme desse estilo, de forma que acabamos esperando bem mais do que vemos, fora os absurdos comuns de uma pessoa baleada saltar de um celeiro, uma pessoa correr estilo maratona com braços e pernas bem orquestrados, um revólver de 6 balas dar uma tonelada de tiros, e por aí vai, ao ponto que tudo incomoda bastante, mas se tivesse Willis protagonizando as bizarrices, seria menos ruim.

Sobre as atuações, como já disse Bruce Willis acaba sendo quase que um personagem secundário na trama com seu Frank, de modo que vemos ele até fazendo suas tradicionais caras e bocas, mas sem muita expressão nos momentos chaves, ao ponto que até temos alguns atos que aparentaram que o ator iria para cima de tudo, mas não chegam a impressionar, ou seja, foi usado apenas para vender o filme para os fãs do ator. Chad Michael Murray até entregou alguns atos bem colocados com seu Rich, mas sempre entregando olhares meio perdidos pareceu não estar satisfeito com seu personagem, ao ponto que vemos ele meio estranho demais, e mesmo nos atos mais fortes ele não nos surpreende como poderia. Sem dúvida alguma o destaque da trama recai para Shea Buckner com seu Jamie completamente instável, cheio de trejeitos e dinâmicas que deram o tom completo para o longa, ao ponto que vemos ele desesperado pelo irmão, mas maluco também para ver muito sangue, ou seja, surtando fácil demais. Tyler Jon Olson fez um Mathias sereno e bem colocado, quase nem sendo um assaltante tradicional, e passou bem o sentimento de dor, de palidez, de tudo mais, ao ponto que agrada o que faz, mesmo que alguns momentos pós-tiro pareçam meio falso, mas não foi ruim o que fez pelo menos. Lydia Hull acabou fazendo uma Jan meio desesperada demais, e inverossímil frente a uma situação de assalto, ao ponto que numa situação real teria tomado um tiro direto, mas a jovem não desapontou tanto. Quanto aos demais, todos foram enfeites cênicos para a trama, então nem vale a pena gastar palavras.

Visualmente o longa tem uma certa sujeira cênica, com uma cirurgia numa mesa de cozinha, com tudo aberto e feito sem muita delicadeza, uma corrida de carros bizarra no meio das trilhas da fazenda, um tiroteio desnecessário numa loja de conveniência, e um celeiro completamente bagunçado aonde tem de tudo guardado, ou seja, a equipe de arte quis fazer uma zona imponente e conseguiu, ao ponto que nada parece ter necessidade, mas acaba sendo usado, sendo que nem sabemos o que queriam com o filme, e o resultado acaba sendo igual ao visual.

Enfim, é um filme razoavelmente mediano, que poderia ter sido mais ágil, com mais reviravoltas, e principalmente com muito mais participação de Bruce Willis (ou então tirasse ele de vez do filme, tipo morrendo na primeira cena, para que analisássemos somente o restante), pois com ele em cena sempre ficamos esperando um pouco de tudo, e não acontece, ao ponto que o filme soa morno e estranho demais. Diria que mesmo não sendo um filme ruim, não recomendo ele para muita gente não, pois a chance de mais reclamar do que gostar é bem alta. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Amor Com Data Marcada (Holidate)

11/03/2020 01:08:00 AM |

Se tem um gênero de filme que mais movimenta a gigante do streaming sem ser as famosas séries é o tal da comédia romântica, pois basta um longa do gênero ser lançado e minutos depois já está no topo das visualizações, e com isso cada vez mais eles investem no estilo, ficando algo até comum de ver por lá, porém costumo dizer que são raros os que me chamam a atenção para dar o play, afinal julgo que para uma boa comédia romântica funcionar é necessário ter a dose certa de comicidade e também envolver bem um com um bom romance, de forma que quando não acertam a mão nos dois lados acabamos vendo algo frouxo e sem atitude. Dito isso, o longa da Netflix, "Amor Com Data Marcada" até entrega algumas cenas engraçadas, e tem alguns leves momentos bonitinhos, mas falta muito para ser daqueles que vamos lembrar de ter visto daqui a algum tempo, ou seja, serve como um passatempo, tem a vantagem de ser um filme de data pelo lance dos feriados, porém poderiam ter ido além para envolver um pouco mais, criando talvez uma química maior entre os protagonistas, e eliminado um pouco de personagens secundários bobos demais, que aí o resultado certamente agradaria mais.

A sinopse nos conta que Sloane é uma ácida jovem que gosta de sua vida de solteira, acreditando não precisar de namorado. Jackson é um solteiro divertido que foge de relacionamentos. Quando a pressão de amigos e familiares cresce para que eles encontrem um amor, os dois fazem um acordo: ser o par um do outro em ocasiões especiais. Mas o que fazer quando novos e indesejados sentimentos começam a surgir entre eles?

O diretor John Whitesell tem expertise bem vasta em comédias forçadas, e com isso meu medo era ver uma versão romântica de "Vovó... Zona" aqui, o que felizmente não acontece, porém ele até tenta exagerar um pouco nos encontros da tia, e na comemoração do 4 de Julho, mas isso foi meros momentos de sua trajetória, pois aqui ele acabou brincando bem com a essência de casais que não querem muito um relacionamento, mas a família acaba forçando nas famosas perguntas de feriados, ou seja, ele pegou bem o roteiro de Tiffany Paulsen e foi usando as situações casuais de cada feriado para entregar bons momentos entre os protagonistas. Diria que o principal acerto dele foi escolher bem os momentos mostrados e não exagerar na química do casal logo de cara, indo dando as brechas e fazendo a paixão acontecer, de modo que acabamos vendo algo fofo de ver, sendo um bom ponto positivo, e o maior erro foi colocar tantas bobeiras secundárias desnecessárias, que não causa nada e não ajuda em nada, mas na soma de tudo, o resultado não foi ruim, só não foi algo que poderia ser mais emotivo.

Sobre as atuações, tenho de pontuar com muita certeza o acerto de dinâmica entre os protagonistas, de modo que Emma Roberts foi direta com sua Sloane, sendo bem forte de essência, não levando desaforo para nada, e principalmente tendo muita atitude, ao ponto que tudo o que faz em cena acreditamos ser uma boa verdade tanto da personagem, como da atriz que estava fazendo. E Luke Bracey trabalhou bem seu Jackson da maneira clássica que todas as mulheres gostam de ver no estilo: um galã bonito e que deu encaixe cênico e que entrou no clima de todas as loucuras, ou seja, foi um bom acerto no papel, e mesmo não indo muito além do que teria de fazer, agradou. Quanto aos demais é melhor nem comentar, pois foi exagero em cima de exagero, cenas forçadas, personalidades forçadas, e mesmo um ou outro tendo leves destaques positivos, é melhor nem pontuar, pois a maioria foi negativo demais, então vamos deixar só os protagonistas que funcionaram bem e está tudo certo.

Visualmente o longa trouxe cenas bem bacanas com as festividades de cada feriado de uma maneira melhor que a outra, desde um réveillon cheio de brilho numa festança incrível, passando pelo dia dos namorados cheio de doces, uma Páscoa cheia de ovos, uma festividade mexicana regada a tequila, um quatro de julho com muitos fogos, um halloween com uma festa cheia de fantasias bem interessantes e claro uma ação de graças conturbada, além de dois natais de diferentes maneiras com corais e tudo mais, ou seja, a equipe de arte teve todo o trabalho cênico bem preparado, cheio de desenvolturas para ambientar cada momento, e que funcionaram bem dentro das perspectivas criadas, não sendo nada incrível, mas sendo funcional principalmente.

Enfim, é um filme bonitinho, bobinho e diversos -inhos que podemos classificar, que tem sua proposta bem formatada, e uma atuação bem trabalhada pelo casal protagonista, porém certamente poderiam ter ido muito além em tudo, e não forçado tanto com os secundários para que o filme ficasse mais envolvente, mas ainda assim não é algo que dá para jogar fora, sendo um longa gostoso de curtir que serve como um bom passatempo, então recomendo ele dessa forma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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Netflix - Homens de Coragem (Only The Brave)

11/02/2020 07:28:00 PM |

É interessante como histórias reais costumam empolgar o público, e geralmente diretores procuram colocar um pouco mais de ficção no miolo para dar um carisma a mais, criar alguma tensão mais forte, e tudo mais, mas quando alguns optam por seguir a linha sem incorporar muita coisa, o resultado acaba sendo bonito, chamativo, mas sem muita empolgação. Digo isso após conferir "Homens de Coragem", que está na Netflix, pois é um filme bem bonito, que mostra a destemida profissão de bombeiro florestal, que se aventura no meio de um fogo monstruoso que geralmente encontra combustível para se alastrar em cada canto ao redor dos profissionais, mas que muitos mostram paixão por isso, e acabam deixando de lado familiares para sobreviver na profissão, porém é daqueles longas que acaba faltando uma fagulha realmente para emocionarmos com tudo, pois mesmo o final sendo bem forte e intenso, o clima acaba não indo pontiagudo como costuma acontecer em outros exemplares. Ou seja, é um bom filme, tem uma bela história, envolve com tudo o que é passado, mas certamente poderia ter ido bem além com uma criação ficcional mais intensa, que aí sim choraríamos sem parar com tudo.

O longa conta a história, baseada em fatos reais, de uma das maiores forças de combate a incêndio dos EUA: os Granite Mountain Hotshots. Quando um imenso incêndio na região do Arizona se inicia, uma verdadeira guerra contra o tempo é travada por esse grupo de bombeiros na tentativa de apagar o fogo.

Diria que o diretor Joseph Kosinski foi seguro dentro do roteiro para mostrar bem a desenvoltura dos bombeiros, e que principalmente foi certeiro ao filmar tantas cenas com fogo sem matar ninguém asfixiado ou queimado, ao ponto que o filme passa um realismo tão perfeito que chegamos até a acreditar que os protagonistas foram para o meio dos incêndios gravar as cenas, e isso é algo muito bom de ver, porém as cenas dramáticas de miolo acabaram não funcionando como um estopim certeiro de envolvimento, tanto que não nos conectamos nem a história do superintendente com sua esposa domadora de cavalos, nem do drogado com sua filhinha, e assim sendo o filme acabou ficando somente com foco dos incêndios, que é bom, é real, porém não vai além. Ou seja, o diretor fez um filme muito real de essência, mostrou como são feitos os processos de fogo contra fogo para conter grandes incêndios, trabalhou bem a amizade e a família que se forma entre a equipe, mas não criou um carisma suficiente de emocionar, o que acabou pesando um pouco na desenvoltura completa da trama.

Sobre as atuações, Josh Brolin se portou de forma bem imponente com seu Marsh, criando situações fortes e verdadeiras de um personagem bruto, porém com muita vontade de comandar, agradando pela certeza cênica, e claro pela forma que o ator sempre agrada na tela. Miles Teller cada vez mais tem mostrado que já tem personalidade suficiente para papeis que misturam boa dramaticidade com envolvimento, e aqui seu Brendan foi crucial para os momentos mais dramáticos do filme, ao ponto que talvez um apelo em cima dele funcionasse bem, porém a história de seu personagem é meio jogada e não causa o que precisaria para isso, mas o ator ao menos supriu as necessidades cênicas e foi bem em cena, agradando bastante. Chegou a ser até engraçado ver Jeff Bridges com um visual completamente diferente do que estamos acostumados com seu Duane, ao ponto que seu personagem é mais um elo conector de tudo, e nem vai muito além com suas cenas, mas sua emoção nos atos finais é bem bonita de ver, mostrando algo que não vemos comumente o ator fazer. Taylor Kitsch também veio com um visual bem diferente para seu Mack, e embora o personagem comece com muitas brigas com o protagonista do filme, vemos depois muita amizade e bons atos juntos, ao ponto que o ator trabalhou seu personagem de forma agradável e interessante de ver. Quanto aos demais, tivemos bons momentos de quase todos, uns aparecendo mais, outros menos, tendo leves destaques para Jennifer Connelly com sua Amanda imponente, e James Badge Dale com seu Jesse comandando todos os jovens no meio do fogo.

Visualmente o longa se passa quase que inteiro no meio de florestas pegando fogo, ao menos as partes que mais importam, e todas foram tão bem feitas que como disse no começo ficou parecendo que os atores foram realmente para o meio de florestas incendiadas, ou seja, um show da equipe de arte e claro da equipe de efeitos especiais que soube "dominar" o fogo ao redor dos atores, além disso tivemos uma pequena cidade bem representada, bares com shows country, ranchos de cavalos e tudo com muita simplicidade cênica, porém funcional para a trama.

Enfim, é um filme que até esperava me emocionar um pouco mais com tudo o que foi mostrado no trailer, mas que acaba agradando bastante, e funciona como uma homenagem para os reais bombeiros, e suas famílias, pois foi algo simples bem feito, que até poderia ter ido além com um pouco mais de ficção ou dramaticidade para emocionar mais o público, mas ainda assim vale a conferida. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos.


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Netflix - O Que Ficou Para Trás (His House)

11/02/2020 12:31:00 AM |

Já disse isso outras vezes, mas o gênero terror é daqueles que acabam tendo uma amplitude de estilos tão variada que cada um acaba gostando um pouco de uma forma, e muitos preferem aqueles que chocam ou fazem pular na poltrona, ou até mesmo arrepiar com algum tipo de monstro, porém um estilo que tem ganhado cada vez mais exemplares é o de terror psicológico, que acaba trabalhando algum tipo de trauma dos protagonistas, alguma situação inusitada, e a tensão se reflete mais como um drama do que como um terror realmente, mas temos de pontuar que para as pessoas que sofrem essa tensão, o nível de terror é tão alto que não tem como não respeitar. Dito isso, o longa que estreou nessa semana na Netflix, "O Que Ficou Para Trás", mostra bem o sofrimento na mente dos refugiados das guerras africanas que acabam indo para países europeus através de barcos, e que sobrevivem como pode após alguns traumas presos, com mortes na família, e muito mais, e aqui passamos praticamente o longa inteiro sem saber bem toda a história, mas quando é revelado tudo, a essência fica bem intensa, e vemos que a monstruosidade está bem mais embaixo de tudo. Ou seja, é um filme intenso, com crenças e intensidades bem diferentes do usual que estamos acostumados, mas ainda assim é um longa bem interessante, e que vai agradar quem conseguir contextualizar um pouco mais de tudo.

A sinopse nos conta que depois de uma fuga angustiante do Sudão do Sul, arrasado pela guerra, um jovem casal de refugiados luta para se adaptar à nova vida em uma pequena cidade inglesa, onde uma força do mal está à espreita.

O diretor estreante em longas Remi Weekes até soube brincar bem com sua trama, trazendo monstros internos e externos para todos os momentos, com uma ambientação incrível entre escuro, sonho, paredes em movimento vivo, mas sempre deixando no ar que o terror em si estava na cabeça dos protagonistas, de como conseguiram chegar até ali, suas culpas e tudo mais, ao ponto que só vamos entender bem no final, e isso talvez seja um leve defeito do estilo escolhido pelo diretor, pois não indo diretamente no ponto acabamos não percebendo muito o resultado final, mas que de certa forma, acabamos envolvidos com todo o sentimento dos protagonistas, e mesmo a ideia sendo algo superficial para quem não viveu todo o temor passado, o resultado acaba funcionando. Ou seja, é um filme que poderia ter ido mais além, que quem entrar no clima até conseguirá sentir algo a mais, mas conhecendo o público dos streamings, a maioria irá odiar o filme, enquanto os críticos irão se apaixonar por tudo.

Sobre as atuações, temos de ser bem diretos e falar que Sope Dirisu trabalhou seu Bol com muito envolvimento, cheio de trejeitos interessantes, e suas cenas sempre procuraram trabalhar o misto loucura e desespero, ao ponto que o ator segurou bem a onda de protagonista, e conseguiu dar a dinâmica necessária para todos os momentos. Da mesma forma Wunmi Mosaku trouxe para sua Rial já a diretiva de entender a necessidade e não se encontrar no mesmo plano correto, desejando cada vez mais voltar para sua vila, mesmo que lá morra, mas não precisando pagar seus pecados ali numa terra que não é sua, e a atriz foi forte e interessante na medida certa, ao ponto que surpreende sem ir muito além. Quanto aos demais, chega a ser até engraçado as caras que Matt Smith faz com seu Mark, sem entender muito o que está rolando com o protagonista, vendo a destruição da casa, e tudo mais, de modo que flui bem, e Javier Botet apenas fez mais um monstrengo no cinema, ao ponto que já virou clássico seus personagens em todos os terrores possíveis.

Visualmente o longa acaba sendo até mais intenso que a proposta da história, pois com rituais e personagens assustadores aparecendo com máscaras de tribos nos buracos na parede, andando pelo teto e pela casa no escuro, o resultado de filme de terror acaba indo até bem além, e toda a fuga do Sudão é mostrada com uma intensidade ainda mais forte depois no final, ou seja, a equipe de arte brincou tanto com a ideia de um filme de refugiados, quanto como um filme de terror tribal, e assim o resultado geral tem momentos fortes dentro e fora da casa, e isso é um grande detalhe para se reparar em tudo.

Enfim, é um filme simples se formos olhar a fundo, mas que tem uma proposta tensa e intensa de roteiro, que visualmente é bem expressado, e que pelas atuações acabamos envolvidos com tudo o que a história nos mostra, porém aqueles que curtem um terror de monstros e sustos talvez não entrem tanto no clima, e assim sendo, não recomendo para esse grupo, embora seja um bom filme de terror, que dá pra entrar bem no clima e sentir o terror que os protagonistas estavam vivendo em suas mentes. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.


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