Gosto Se Discute

11/11/2017 01:31:00 AM |

Existem filmes que nos fazem chorar, outros fazem rir aos montes, em alguns casos saímos com medo, outros saímos indignados da sessão, mas também há aqueles que saímos da mesma forma que entramos, sem que nada tenha ocorrido, impressionado ou causado ao menos algum esboço expressivo de nós mesmos, ou seja, aqueles filmes que ficamos pensando o real motivo de não terem tentado fazer algo para ir para algum lado, e infelizmente a única estreia da semana, "Gosto Se Discute" se encaixa nessa gama de filmes, pois até tentou passar fome no público com ótimas imagens de comidas excêntricas (e aparentemente bem gostosas) sendo preparadas, tentou criar pitadas românticas, tentou fazer rir em piadas bem fracas, mas não conseguiu chegar a lugar algum, criando algo bem feito apenas, que já que estamos falando de um filme com temática alimentícia, faltou tempero para dar um toque agradável para tudo o que acabaram entregando (ou melhor, não entregando!). Não digo de forma alguma que seja daqueles filmes que vamos xingar e falar que é a pior coisa do muito, muito pelo contrário, é bem feito e até a Kéfera conseguiu mostrar expressividade, mas não empolga ninguém, e dificilmente será daqueles que vamos lembrar de ter visto um dia.

O chef de um restaurante estrelado, mas um tanto ultrapassado, vê toda sua clientela ir para um novo “food truck” em frente ao seu estabelecimento. Para piorar, ele é obrigado a aceitar uma auditora do banco que quer promover uma verdadeira revolução no restaurante. O nervosismo é tanto que leva o chef a perder o seu paladar. Um novo cardápio parece ser a solução para recuperar o restaurante, mas como criá-lo sem sentir gosto algum?

Sinceramente não sei o que anda ocorrendo com o diretor André Pellenz, pois começou no cinema muito bem com "Minha Mãe é Uma Peça", voltou para a TV bem com "220 Volts" (que até hoje não consegue sair do papel a versão de cinema), derrapou um pouco no infantil "D.P.A - Detetives do Prédio Azul", e agora com um roteiro seu realmente mostrou a falta de conexão total, não sabendo para onde desenvolver seu filme, de modo que podemos dizer que realmente o grande problema do longa é o roteiro, que entrega tão fácil tudo o que vai acontecer (tirando claro o insight por sonho de que estilo de comida seguir, completamente inusitado), que parece que tivemos uma indigestão com o prato entregue, e que tudo fica rodando sem sair do lugar, apenas esperando uma melhora considerável para finalizar a trama. Não digo que talvez o longa conseguisse emplacar melhor com alguma desenvoltura caso escolhessem apelar para comicidade, ou jogar de vez com algum drama mais romantizado, mas que sim, ele poderia ter ficado nesse novo nicho alimentício, mas com algumas pitadas mais dramatizadas que conseguisse pontuar ou chamar o público para ele, não deixando que tudo acontecesse apenas, como é o caso aqui. Ou seja, seu filme acabou ficando realmente sem sal nem tempero algum, faltando dizer a que veio fazer nos cinemas.

Sei que muitos irão colocar a culpa na youtuber Kéfera Buchmann pelo fracasso do filme, mas muito pelo contrário, dos três filmes que participou, nesse foi o que ela mais pode demonstrar sua formação de atriz, colocando em sua Cristina personalidade forte, e principalmente um visual bem trabalhado, que quem não a conhecer, e for sem saber, é bem capaz de confundi-la com Fernanda Paes Leme, pois a jovem fez boas caras e bocas, e soube dominar suas cenas principais, não entregando nada fora do usual. Cassio Gabus Mendes é um bom ator, mas aparenta estar enferrujado com seu Augusto, entregando um papel simples demais, e que não decola seja por falta de atitude da direção, ou até mesmo da vontade do ator para com seu personagem. Quando um filme falha no conceito, o grande erro acaba aparecendo nas pontas soltas do elenco de apoio, de modo que vemos Paulo Miklos exagerando em trejeitos como um médico com sotaques e tiques, que tenta soar engraçado, vemos Zéu Britto fazendo gagueiras forçadas para também tentar puxar graça para si, mas só fica desengonçado, vemos Gabriel Godoy enfeitando apenas a cena com seu Patrick, que ao menos mostra o exagero do tradicional modismo dos trucks, e vemos a literal participação especial de Mariana Ximenes, que deve ser produtora na trama para seu nome aparecer em letras graúdas na abertura, pois aparece duas cenas dando apenas tchau para a câmera, ou seja, se recebeu cachê por isso, alguém no longa deveria apanhar!!!

O melhor do filme sem dúvida alguma é a produção e a equipe de arte, que se empenhou bastante em criar um ambiente clássico tradicional de grandes restaurantes, mostrando muita comida bonita e suas preparações, e com digamos pouco gasto, pois certamente foi escolhido algum bom restaurante e tudo rolou por ali, o que é de grande valia, pois realçaram bem a dinâmica, e o resultado visual acabou funcionando bastante, embora pudessem ter colocado flores melhores que as de plástico, ou seja, tivemos ao mesmo tempo um certo capricho, mas também um desleixo para mostrar que o restaurante parou no tempo. Sendo assim, podemos dizer que a equipe de arte trabalhou bem, e uniu-se à equipe de fotografia para manter tons fortes e que dessem ao menos fome no público, o que resultou em poucas sombras e escolhas de ângulos mais fechados, o que chama uma certa atenção visual.

Enfim, é um filme bem feito, mas que falhou na principal parte inicial, que é a ideia funcionar e causar algo no público para que fosse lembrado/recomendado, ficando morno na maior parte do tempo, e não chegando em nenhum ápice que valesse ser destacado. Sendo assim, nem tem como falar para que confiram, pois certamente quem for irá vir reclamar de ter pago, então deixe esse de lado, e aguarde melhores produções que estão para estrear. Bem é isso pessoal, fico por aqui com a única estreia da semana, mas ao menos veio uma pré para passar o fim de semana, então abraços e até breve.

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Historietas Assombradas - O Filme

11/06/2017 12:49:00 AM |

Podemos dizer que 2017 foi um ano especial para as animações brasileiras, pois pela primeira vez tivemos 7 longas lançados nos cinemas (aqui no interior só vieram 3, mas tudo bem), e aqui com "Historietas Assombradas - O Filme" ficamos perguntando que tipo de tóxico o diretor fumou para fazer a loucura completa que é esse longa, não digo que seja algo ruim, muito pelo contrário conseguimos rir muito da completa confusão entregue, mas que é algo surreal, com toda certeza é. O estilo de desenho é bem simples, mas com cores fortes e uma história bem maluca o resultado da trama acaba agradando e divertindo quem gosta de um humor mais elaborado, quase puxado para o negro, mas que feito com minúcias para agradar os pequenos fãs do programa que passa na TV. Aqui o grande problema é que a história foi um pouco alongada e com isso a trama que tem apenas 90 minutos parece ter bem mais. Ou seja, quem for ao cinema vá preparado para se divertir, mas também para cansar com a grande quantidade de informação mostrada.

A sinopse nos conta que aos 12 anos, Pepe mora com sua avó, uma bruxa-empresária, e descobre que é adotado. Ao saber que seus pais estão vivos, ele parte em uma aventura para encontrá-los. O menino atrai a atenção de Edmundo, um vilão biomecânico que precisa da energia de crianças para se tornar imortal, que rapta a avó de Pepe. Desta forma, o garoto e seus amigos precisam resgatá-la o quanto antes, ao mesmo tempo em que Pepe busca solucionar o mistério do desaparecimento de seus pais.

O trabalho feito pelo diretor Victor-Hugo Borges é algo que se mostrou bem aprimorado, mas completamente insano, pois ele não nos obrigou a ter visto o desenho original da TV (o que é ótimo!), mas com isso acabou fazendo personagens tão malucos que acabamos conhecendo eles tão rapidamente que chega a ficar estranho e bizarro também, pois temos gatos ajudantes da vó, temos um robô maligno buscando conseguir ajudar sua família com a juventude alheia, temos personagens excêntricos com personalidade teatral, de forma que como o título da TV diz, "Historietas Assombradas para Crianças Malcriadas", certamente acabam transmitindo um ar de terror para todos, mas de forma divertida e bacana de ver. Ou seja, temos um filme que não se preza por levar muito a sério, mas com isso acaba conquistando e divertindo, o que é um grande acerto.

Quanto dos personagens, praticamente todos possuem ao mesmo tempo carisma para acompanharmos em sua aventura, e desgosto pelo que fazem de errado na tela, o que é algo bem interessante de se acompanhar, e além disso a dublagem foi muito bem acertada para ajudar a incrementar trejeitos e qualidades vocais de cada personagem. Ou seja, o protagonista Pepe é daqueles que ao mesmo tempo que amamos, também odiamos, sendo rebelde, cheio de defeitos, mas que consegue incorporar o estilo aventureiro na busca por seus pais, ao mesmo tempo fazer com que os amigos sigam seus passos malucos, e com isso o resultado acaba empolgante de ver, o que é raro quando colocam personagens ambíguos. A vó é daquelas feiticeiras que torcemos por ver mais e mais feitiços pois seu estilo rancoroso e cheio de rebeldia é sempre bem encaixado, o que acaba divertindo demais. Os irmãos Guto e Gastón são ótimos em contraste e conseguem mostrar dinâmica musical ao mesmo tempo que colocam posturas de diferenças de países, o que foi um grande agrado visual. A jovenzinha Marilu, trabalhou bem a personalidade romântica com o protagonista, mas também mostra o alvo que muitos artistas sofrem com o rigor de suas atitudes pela família/críticos, ou seja, temos de tudo um pouco aqui. E claro que o vilão robô, prefiro esse do que o cérebro, conseguiu fazer bem suas maldades, cantar desafinado para agredir os tímpanos de suas vítimas e ainda se sair bem com suas atitudes, o que é o tradicional de filmes infantis.

O visual da trama trabalhou com cores bem fortes, ousando muito em preto, vermelho e roxo, o que acaba sendo bem ousado para filmes sem muitas texturas (2D tradicional) e com isso sempre tendo destaque para onde o diretor deseja que o público observe o contraste de iluminação acaba sendo funcional. Ou seja, uma arte cheia de objetos estranhos, mas que funcionam bem para a proposta do filme.

Enfim, é um desenho bem estranho que não sei se todas as crianças gostariam de assistir, tendo claro seu público mais limitado, tanto que a sala estava praticamente vazia hoje, mas acredito que mesmo tendo alguns conteúdos mais pesados, a desenvoltura divertida acabará agradando alguns pequenos que forem conferir, e claro, divertindo bem mais os adultos que forem levar eles, mesmo a temática sendo infantil. Portanto, podem levar os maiorzinhos que a diversão mesmo bizarra será interessante. Bem é isso pessoal, encerro aqui essa semana cinematográfica bem grandiosa, e torço para que a próxima venha de mesmo nível, então abraços e até a próxima quinta.

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Pokémon - O Filme: Eu Escolho Você! (Gekijōban Pocket Monster: Kimi ni Kimeta!)

11/05/2017 08:47:00 PM |

Voltar a infância, essa é a frase que define assistir "Pokémon - O Filme: Eu Escolho Você!", pois mesmo jogando Pokémon Go, a lembrança engraçada dos personagens batalhando e descobrindo novos Pokémons era algo ingênuo e ao mesmo tempo empolgante de ver, e aqui tivemos essa mesma essência numa sala cheia de crianças que andam conhecendo os personagens agora com muitos adultos que viram o desenho no passado e voltaram à esse mundo agora com o jogo de celular. Claro que para mostrar o começo de Ash com seu Pikachu, suas primeiras batalhas, seus primeiros Pokémons evoluindo, a busca por Ho-Oh a trama precisou ser bem acelerada, tanto que muitas coisas passaram em branco, mas ainda assim foi algo divertido e interessante de assistir, que vale a recomendação tanto para quem joga, quanto para quem gosta de uma boa animação japonesa.

A sinopse nos conta que Ash Ketchum acaba de completar 10 anos de idade. Isso significa que ele está pronto para se tornar um treinador de Pokémon. Agora, ele espera receber seu primeiro Pokémon, o Pikachu, que também será seu melhor amigo. Juntos, eles embarcam em uma jornada repleta de aventuras em busca do lendário Pokémon Ho-Oh.

O filme que foi feito para comemorar os 20 anos do primeiro episódio foi dirigido pelo mesmo diretor da série original de 1997, Kunihiko Yuyama, mas não contou exatamente com as mesmas dublagens, porém isso não foi um problema, pois a trama foi bem desenvolvida e conseguiu transmitir a mesma ideia gostosa que a serie entregava e aqui com uma cadência de eventos ocorrendo para mostrar tudo foi condizente e bem desenhada ao menos, mostrando muitos personagens que conhecemos, vários novos e até mesmo diversos poderes dos personagens que sabíamos da existência, mas não como ficariam na tela, e isso foi o que mais agradou, empolgando a todos na sala.

Quanto dos personagens, como sempre vemos em animações, todos tomam diversas pancadas resultantes de poderes imensos, mas ficam apenas com algumas leves escoriações, e isso é o mais divertido da série. Ash já passou por 20 anos e continua com 10 na série e com o mesmo ar ingênuo consegue agradar com suas bobeiras. Pikachu como sempre é o personagem mais fofo da trama e mesmo bravo lutando continua agradável. Vera e Sérgio foram inseridos na trama mais para termos outros treinadores acompanhando o protagonista, pois são quase enfeites mesmo colocando seus Pokémons pra lutar, ou seja, talvez precisassem de mais tempo para empolgar realmente suas histórias. Cruz foi um bom adversário para o protagonista, e conseguiu ter cenas fortes para um filme infantil, mas nada que deixasse ninguém traumatizado. E claro os demais Pokémons foram bem inseridos e interessantes de ver, todos com desenho tradicional, mas bem feitos.

Contando com um visual clássico, bem colorido e empolgante a trama agrada tanto os pequenos quanto os que já conhecem o desenho, sempre tendo muitas explosões e efeitos que funcionam, mas também soam toscos, porém no geral o resultado visual acaba sendo inteligente e agradável de conferir, não cansando, nem faltando com dinâmica para que o público-alvo fique até o fim.

É claro que a trama contou com as canções clássicas do desenho e isso quase fez o público cantar no cinema, o que já foi um grande início para o filme, mas poderiam ter usado mais canções durante o longa todo para que o ritmo ficasse ainda melhor.

Enfim, é um filme que foi feito para os fãs do jogo, e até da série original assistirem e se empolgarem com o que é mostrado, e também para os pequenos que apenas jogam seja no celular ou no videogame conheçam mais da história, mas certamente se voltassem com mais desenhos seguidos agradaria e divertiria bem mais. Portanto se você não viu hoje, vá amanhã conferir na segunda sessão que terá e quem sabe ganhe até mais uma carta do jogo. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para mais uma sessão, então abraços e até breve.

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Depois Daquela Montanha (The Mountain Between Us)

11/05/2017 02:14:00 AM |

Quando falamos de longas envolvendo sobrevivência, já ficamos imaginando o que faríamos se nos encontrássemos na mesma situação dos protagonistas do filme, e a única coisa que vem na minha mente é: "vou morrer na primeira cena ou na segunda!!!". Se você não é assim, e gosta desse estilo, "Depois Daquela Montanha" trabalha bem a situação e ainda incrementa bem um romance (desnecessário, mas que sei lá o que aconteceria no meio da neve com escoriações por todo o corpo quando alguém me ajudasse a sobreviver!), fazendo com que a trama se desenvolvesse maravilhosamente numa paisagem incrível e que chega até a dar frio de tanta neve por todos os lados, criando vértices interpretativos bem colocados para ambos os protagonistas e até mesmo para o cachorro labrador, que acabou virando um bom personagem na história, ajudando eles na busca por civilização no meio do nada. Não digo que é um filme perfeito, pois possui diversos pontos falhos no meio do caminho, mas consegue prender bem o espectador do começo ao fim da trama, e ainda faz pensar no que faríamos diante de uma situação desse tipo: se ficaríamos esperando ajuda, ou se procuraríamos ajuda, se confiaríamos em outra pessoa (a ponto de até criar um romance) ou se salve-se quem puder, com os recursos que tiver. Ou seja, um bom entretenimento, com uma história até que simples, mas que agrada bastante junto de uma fotografia incrível.

O longa nos mostra que perdidos após um trágico acidente de avião, dois estranhos precisam forjar uma conexão para sobreviver aos elementos extremos de uma remota montanha coberta de neve. Quando percebem que a ajuda não está vindo, eles embarcam em uma terrível viagem através de centenas de quilômetros de neve, empurrando um ao outro para suportar essas condições, e uma atração inesperada surge entre eles.

Baseando-se no livro de Charles Martin, o diretor israelense Hany Abu-Assad conseguiu pegar um roteiro esmiuçado bem simples, mas cheio de pontos a serem determinados, aonde tudo pode acontecer, situações difíceis passam a ser contornadas e acabamos entrando na ideia de que o longa em determinado momento pode até ser baseado em alguma história real, pois temos sim situações absurdas, mas que poderiam ter acontecido num lugar tão remoto como esse, mas o grande feitio do diretor foi conduzir a história num ritmo rápido, pois a trama até parece alongada, mas com situações marcantes para quebrar cada ato, o resultado se permeia fácil e acaba agradando. Claro que ele contou com a ajuda de dois grandes atores para dominar seus textos e incorporar a situação de filmar no meio da neve realmente (sem precisar de CGI absurdo que alguns diretores fariam e atores frescos exigiriam), e com isso cada ato mesmo que de forma absurda acaba soando real e bem colocado, como a cena do puma que certamente foi feita sem os atores, mas que com boas jogadas de câmeras acabou funcionando muito bem. O maior problema da trama, sem dúvida alguma fica por conta de absurdos técnicos, por exemplo todos sabemos que se você joga Candy Crush em qualquer celular a bateria vai embora em segundos, e aqui a bateria do celular do protagonista funcionou mesmo tocando música durante vários dias sem sinal (ou seja, comendo mais ainda!), temos também vários momentos com o cachorro sumindo e aparecendo das cenas, e por aí vai, mas nada que atrapalhe a essência da trama, que funciona e agrada bastante pela boa pegada de ritmo e dinâmica das cenas. E claro antes de mais nada, tenho de falar que por ser uma obra baseada em um livro de sucesso, muitas reclamações irão surgir dos fãs, afinal como sempre ocorre, mudanças são livres nos filmes, portanto se você já leu o livro, não seja chato de reclamar de algo que não apareceu, de alguma mudança de nome e por aí vai, pois volto a frisar filmes são baseados em livros, e não reproduzidos no cinema.

Sem dúvida o grande acerto do filme foi na composição do elenco, pois a química entre Idris Elba e Kate Winslet foi tão grandiosa, que mesmo que o filme não caísse no romance, o resultado seria bem conectado pelo sentimento de ajuda de um para com o outro, que mesmo nos momentos de briga aparentavam se necessitar para sobreviver. Dito isso, é fácil colocar Idris Elba como um grande nome do cinema, pois mesmo fazendo quase sempre personagens secundários, ele consegue chamar atenção e desenvolver uma percepção expressiva tão bem colocada que ficamos esperando suas boas deixas, e aqui seu médico Ben Pass foi interessante, dinâmico e certeiro nas dinâmicas que o personagem pedia. Kate Winslet dificilmente erra nas escolhas que faz, e mesmo que caia em bombas certeiras, a atriz consegue se destacar com seu personagem, sempre chamando a atenção para si, e aqui não foi diferente com sua Alex, que se mostrou autoritária em diversos momentos, mas com serenidade e de uma maneira bem gostosa foi se deixando levar por tudo e agradando bastante com o resultado num ritmo bem coeso. Como não poderia deixar em branco, os labradores Raleigh e Austin merecem muita atenção em suas cenas, afinal deram show de expressividade, correram atrás de animais, brigaram com pumas, pularam na neve e tudo mais que um bom cachorro merece, agradando bastante (e dando um spoiler, felizmente o cão não morre!!), portanto deem um prêmio de ótima interpretação canina para essa dupla!

Como de praxe em um bom filme com muita neve, a locação canadense em British Columbia, Vancouver é quase a única escolha para todos os filmes, e as paisagens são de tirar o fôlego de tanta neve sem nada ao redor, apenas montanhas, árvores, mais neve, gelo, montanhas e com isso o filme acaba sufocante em diversos momentos, criando a ambientação necessária para que a tensão ficasse no ar, claro que talvez mais cenas de impacto ajudariam a mudar um pouco o romance, mas aí o filme seria outro e não agradaria tanto. Como a trama possui pouquíssimos objetos cênicos, podemos dizer que a direção de arte acertou mais nos figurinos (embora seja bem estranho em uma viagem de avião os personagens terem botas e roupas tão pesadas de frio) e claro na montagem do casebre, além de trabalhar bem nos momentos dentro dos restos do avião (que também soou um pouco estranho de se fazer fogo dentro de algo que estava pingando combustível!), mas sendo apenas defeitos interpretativos, o resultado visual agradou bastante. Como muitos bem sabem, o branco neve é a fotografia que mais agrada esse Coelho, e aqui o diretor de fotografia brincou com os tons da montanha, trabalhou muito bem a iluminação natural sem esmaecer a imagem, e deu um show de ângulos, sem precisar fazer estripulias, ou seja, simples e efetivo.

Enfim, um filmaço que tem defeitos (e muitos!), mas que consegue prender o espectador, fazer com que ele fale com o que está sendo mostrado na tela, e principalmente, soou muito convincente, embora seja 100% ficcional. Não digo que é um filme para todos os tipos de público, pois como o romance toma forma em momento jogado até, talvez não empolgue muito quem gosta de algo mais realista nesse sentido, então vai ter aquele time que odeia romances e vai desagradar, bem como terá quem não curte dramas de sobrevivência que irá apenas pela toada romantizada do livro e sairá bem desapontado também, sendo então um filme para quem goste do estilo misto. Portanto, vá ao cinema, entre no clima passado, sinta frio, e se empolgue com o que estará sendo mostrado, pois vale o programa, sendo um dos melhores dessa semana estranha de estreias. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda faltam duas estreias para conferir, então deixo meus abraços e volto muito em breve com mais textos.

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A Noiva (The Bride) (Nevesta)

11/04/2017 02:38:00 AM |

Alguns dizem ser difícil fazer um bom filme de terror, e há também aqueles que é difícil aparecer algo completamente ruim do gênero, mas a tentativa da Rússia de fazer algo aterrorizador passou bem longe com "A Noiva", pois certamente é o pior filme que já vi em anos, com falhas grotescas de cortes inusitados, atores despreparados fazendo cara de paisagem em cenas bizarras, um teor de terror falso que não assusta nem causa estranheza, e por aí vai, com tudo o que você possa imaginar de falhas (e ainda para ajudar a ficar um pouco pior, a versão legendada é dublada em inglês, para daí colocarem a legenda em português, ou seja, vozes completamente bizarras conseguiram deixar algo que já era ruim, numa tragédia). O mais engraçado é que se o filme ficasse lá no contexto de época do começo da trama, aonde mostraram as técnicas de fotos de mortos com olhos pintados, e o terror pairasse ali, certamente seria daqueles filmes de arrepiar a espinha, pois já dá para brincar muito com o terror de imagens fotográficas, ainda mais com mortos ali com suas cabeças caindo para o lado, mas foram colocar algo atual na trama, o resultado ficou vexaminoso e com um final que induz a um segundo filme (por favor não deixem que isso aconteça), mas digo mais, está já em pré-produção a versão americana da trama, ou seja, será que vão conseguir fazer algo melhorado, ou a tragédia irá continuar no nível hard de destruição? Façam suas apostas!!

A sinopse nos conta que Nastya é uma jovem mulher que viaja com seu futuro marido para a casa da família dele. Logo após chegar, ela percebe que a visita pode ter sido um erro terrível. Rodeada por pessoas estranhas, ela passa a ter visões horríveis à medida que a família do seu futuro esposo a prepara para uma tradicional cerimônia de casamento eslava.

Chega a ser difícil falar algo do longa sem ser: "é uma furada, fuja!", e acabar o texto por aqui mesmo, mas vamos tentar pontuar alguns detalhes a mais para não ser tão direto ao ponto. Sei bem que a escola russa de cinema é estranha, mas pouquíssimos longas de lá chegam até aqui comercialmente nos cinemas (afinal é tudo muito estranho para conseguir vender ingressos!), mas nesse ano mesmo já conseguiram com um "leve" sucesso lançar um longa de super-heróis estranhos, então porque não tentar a sorte também com um terror, o problema é que mesmo tendo muitos clichês que até gostamos de ver em longas do estilo, como cenas escuras, sustos previsíveis, uma casa "assombrada", pessoas com mentalidade da época feudal que quer queimar tudo e todos para salvar-se do mal, e por aí vai, a trama não consegue ser conclusiva, de modo que o diretor Svyatoslav Podgaevskiy (que dificuldade escrever esse nome!!) ficou jogando tudo na tela sem muita coerência, cortando conforme lhe vinha na cabeça (apenas como exemplo, temos a cena das crianças quebrando o quadro eliminada e na sequência apenas a mãe pegando e dando bronca neles, sem ao menos termos um barulho de algo quebrando!!), e assim sendo, não tem como elogiar nada do trabalho que ele tentou fazer, soando estranho e sem nexo.

Quanto das atuações, nem vou falar novamente da dublagem americana com ruídos de gravação de nível duvidoso, o que posso falar de cara é que a garota Victoria Agalakova estava mais perdida que tudo no cenário, correndo sem parar as vezes, e em outros momentos sua Nastya parecia sem ação parada esperando falarem ação e nada de fazer nem expressões de medo, ou seja, desorientada total. Vyacheslav Chepurchenko entregou um Vanya (sim é nome masculino isso!!) que conseguiu ser uma mistura ruim de todos os personagens sem expressão de "Crepúsculo" com um charme inexistente que só ele se achava em cena balançando seus cabelos lisos, ou seja, dá vontade de pedir pra Noiva do Mal matar ele logo!! Os demais personagens realmente chegam a dar medo de feios e estranhos, pois aparecem do nada, estão com figurinos antigos destroçados, cabelos desgrenhados e tudo mais bizarro que você possa pensar, mas não fazem nada além de aparecer do nada, sem sustos falsos, de maneira totalmente previsível, o que acaba sendo bem ruim, ou seja, tirando a noiva que aparece somente no finzinho para aterrorizar tudo, que sim, essa possui uma certa expressividade e um grito bem forte, o restante é quase parte cenográfica da trama.

Dentro do conceito cênico, a trama até teve um trabalho bem elaborado com relação a figurino de época (que para grande espanto se manteve na atualidade dentro da casa!), uma casa com bons túneis (mas com uma parede tão fácil de ser destruída, que ficamos pensando, porque raios ninguém nunca destruiu tudo ali), mas uma falha imensa na cena final, afinal se a casa é toda de madeira, com muito papel de parede, porque raios novamente ela não pegou fogo? Ou seja, a equipe de arte até trabalhou de maneira considerável, mas o diretor não ajudou a desenvolver tudo o que fizeram. E quanto da fotografia, chega a ser decepcionante o exagero de cenas totalmente escuras, com fumaça cênica aparecendo para todo lado, chuva que só cai em determinado ponto, ou seja, a equipe tentou criar iluminações pontuais para causar, mas falhou imensamente.

Enfim, é daqueles filmes que mesmo você sendo super-corajoso e amando longas de terror, deve passar bem longe, pois a chance de xingar a cada 5 minutos, é altíssima, mas quem quiser fazer isso, esse é o filme! Portanto não tem como recomendar nada dele, que mesmo tendo alguns leves pontos positivos como citei acima, nenhum conseguiu melhorar a nota que irei dar para a trama, se tornando sem dúvida o pior filme do ano até agora, e como estamos beirando o fim, acho difícil aparecer algum que supere ele. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas ainda faltam algumas estreias para conferir, então abraços e até breve.

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Gabriel e a Montanha

11/03/2017 10:11:00 PM |

Viver um estilo de vida em uma viagem exótica pode ser um grande sonho de muitos, mas sabemos bem que querer não é poder, e muitas vezes precisamos seguir regras para turistas e com isso conseguir aproveitar as dicas e fazer melhor o passeio sugerido. Com isso em mente, logo de cara o diretor já nos entrega o final de "Gabriel é a Montanha", e voltamos vários dias para uma de suas paradas de conhecimento, para que juntos vamos conhecendo seu estilo de vida, suas propostas e como ele chegou até o ponto mostrado no início do filme. Claro que para conhecermos e adotarmos toda a sintaxe do filme, o resultado acaba sendo um pouco alongado, mas vamos nos permitindo acompanhar tudo, conhecer tudo, e principalmente viajando junto com as belas paisagens, os diferenciais hospitaleiros e claro turísticos do povo africano, que ajuda bastante o protagonista por poucos dólares, mas tudo acaba soando cansativo demais, pois esse estilo de vida, dentro de um road-movie capitular é algo que se necessita muita paciência, vontade e até mesmo ter esse mesmo estilo, sendo um longa próprio para um estilo de público, e com isso o resultado peca por se alongar demais.

A sinopse nos conta que Gabriel Buchmann tinha um grande sonho: conhecer a África. Entretanto, mais do que visitar seus pontos turísticos ele desejava conhecer como era o estilo de vida do africano, sem se passar por turista. Desta forma, decide encerrar sua viagem ao mundo justamente no continente, onde se envolve com vários habitantes locais e recebe a visita da namorada, Cristina, que mora no Brasil. Prestes a retornar, seu grande objetivo se torna alcançar o topo do monte Mulanje, localizado no Malawi.

Com essa ideia em mente, e claro também todas as fotos da câmera do verdadeiro Gabriel, juntamente com todos os depoimentos usados no longa quase que funcionando como um documentário ficcional ilustrativo, o diretor Felipe Barbosa trabalhou bem as locações e foi refazendo praticamente todos os passos do personagem principal, em algo quase que de busca para saber o real motivo de tudo ter acontecido, e com esse olhar, ele também nos permeia experimentar sua ideia e querer saber mais de tudo, afinal como disse, logo de cara sabemos o fim do filme. Não posso dizer que é algo ruim o que nos é mostrado, mas filmes baseados em histórias reais, necessitam de algo a mais para prender o público, tanto que uma senhora ao meu lado, já nas cenas finais resolveu mexer no celular por cansar do que estava acontecendo no longa, ou melhor, não acontecendo, e isso mostra a falta de um mote mais pretensioso, ou até mesmo que pudessem inventar algo melhor e criativo para que tudo empolgasse e criasse algo mais eloquente, pois como costumo dizer, ou fazemos uma ficção realmente, ou documentamos algo, pois a mistura geralmente não agrada. Sendo assim, volto a frisar que o diretor não errou no estilo seguido, apenas não vai atingir nada com o que acabou fazendo, tendo apenas uma história contada de maneira alongada.

Podemos dizer que o protagonista escolhido para viver Gabriel, João Pedro Zappa, tenha conseguido captar bem a essência frenética do verdadeiro Gabriel, pois ele nos transmite a paixão pelos povos, pela família, pela namorada e seus anseios políticos e humanitários, trabalhando bem expressões e carismas junto com os "verdadeiros" personagens da história real, e com isso ele consegue nos transmitir segurança do que está fazendo, bem como veracidade nos fatos, mas talvez poderia ser menos eufórico para que toda a situação final ficasse menos forçada. Como a maioria dos personagens secundários são pessoas reais, o grande mérito de captar ótimas expressões ficou a cargo do diretor que soube dosar seu estilo juntamente com tranquilidade, deixando que todos florescessem bem e chamassem a atenção da forma mais natural possível, o que foi um grande acerto, e quanto a namorada interpretada por Caroline Abras, talvez pudesse ter sido mais natural, pois acabou soando forçada demais em trejeitos, nem parecendo realmente amar o protagonista.

Quanto do visual da trama, o acerto foi bem colocado, afinal seguir uma trama real, nos locais reais é algo que digamos seja "fácil", porém a grande sacada foi procurar os pontos reais das fotos para que a veracidade ficasse ainda melhor, e com isso, temos quase uma pesquisa de campo pela África, aonde a equipe de arte minuciou a documentação dos fatos, criando algo simples, bonito e bem feito, aonde tudo cabe como um mapa turístico para quem um dia planejar uma viagem visceral do mesmo estilo. A fotografia também procurou ser o mais documental possível, e agrada bastante com esse estilo, mas nada que impressione, nem atinja patamares chamativos de um longa ficcional realmente.

Enfim, é algo que consegue passar sua mensagem, mas que falha em ser extremamente linear e documental demais, numa busca cansativa de ideias que não atinge nenhum ápice, e mais cansa do que agrada. Recomendo ele mais para os fãs de viagens alternativas que gostem de filmes alternativos também, pois para os demais será apenas mais um longa que leva nada a lugar algum. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para mais um filme nessa semana frenética de estreias, então abraços e até breve.

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O Estado Das Coisas (Brad's Status)

11/03/2017 01:20:00 AM |

Todo filme que vamos assistir sempre nos entrega alguma lição para refletirmos, e muitos acabam influenciando nas nossas vidas por muitos anos após conferirmos ele, porém tenho de ser crítico o suficiente para pontuar que alguns filmes colocam tantas filosofias, ideologias e reflexões na telona, que esquecem do ponto principal que é entregar um filme realmente para acompanharmos e ficarmos entretidos, de tal maneira que acaba parecendo que saímos de uma palestra de auto-ajuda espiritual com mantras para trabalharmos e não de uma sessão do cinema. Digo isso com a cabeça ainda pensando no que vi em "O Estado Das Coisas", ou usando melhor a tradução do título original, "Os Status de Brad", pois é usando dessa palavra, status, que incorporamos tanto ao nosso cotidiano que o filme acaba rodando, mostrando o famoso ponto de que sempre queremos bem mais do que temos, ou a famosa frase antiga: "a grama do vizinho é sempre mais verde do que a nossa", demonstrando que por mais "boa" que seja a inveja de algo ou de alguém, muitas vezes esquecemos que temos muitas coisas boas nossas, e queremos ser alguém ou ter algo que nem precisaríamos. O filme em si, é muito bem trabalhado, mostra boas perspectivas, mas acabou faltando algo a mais para termos algo além da mente maluca do protagonista (que sim, vemos muito da nossa ali, com tantas dúvidas sobre futuro), e de sua relação com o filho, talvez uma explosão do protagonista, ou algo surpreendente para quebrar o ar bonitinho de tudo, que aí sim tudo ficaria bem mais interessante e o resultado da reflexão também continuaria.

O longa nos conta que Brad tem uma família e um emprego estável. Quando ele e o filho viajam para visitar faculdades potenciais para o jovem estudar, Brad vive uma crise existencial. Ele é confrontado por sentimentos como frustração e fracasso ao se comparar com os colegas que teve na faculdade, tendo de reavaliar o que realmente lhe deixa feliz.

O trabalho feito pelo diretor, roteirista e ator Mike White é algo que sai bem do seu eixo cômico, pois ao trabalhar algo mais introspectivo, certamente ousou entrar em sua mente e pensar como faria para mostrar algo tão comum na nossa sociedade, de sempre querer mais, de ser melhor em tudo, mas o que mais faltou para ele foi saber organizar suas ideias para que pensamentos virassem filme, e não somente narração em off, pois praticamente o protagonista atuou o longa inteiro fazendo expressões dramáticas, e depois gravou o filme inteiro novamente (ou vice-versa) e vermos isso em uma cena ou duas até é bonito e interessante, mas no longa inteiro acaba soando cansativo e previsível, pois logo que passa da metade, tudo o que ele pensa no que ocorre, já ficamos prontos esperando para ver como vai ser o lado oposto do pensamento, e assim sendo, o resultado acaba ficando pronto demais. Outro grande desvio que acabou ficando ruim é que diferente do que ocorre na maioria dos filmes é que esperamos sempre um clímax e um bom fechamento, e aqui não temos nenhuma das duas coisas, ocorrendo tudo muito linear e homogêneo de assistir. Claro que isso é um estilo de opinião, pois para muitos, esse estilo de direção e filme é algo que faz brilhar mentes, mas faltou muito para empolgar realmente, mesmo sendo algo surpreendente, pois esperava ver algo completamente diferente, ou melhor, esperava ver outro sucesso de cair o queixo como foi "A Vida Secreta de Walter Mitty".

Como já citei Walter Mitty, volto a frisar que o estilo de atuação de Ben Stiller melhorou muito desde aquele filme, e aqui ele dosou o mesmo estilo para que seu Brad ficasse marcante e com pensamentos a mil para que a expressão conectasse tudo e entregasse algo bonito de ver, claro, que se lá desejamos todos os prêmios para ele, aqui ficamos pensando, será que alguém pode ganhar um prêmio por expressar sua voz em off? Sinceramente acho que não, pois esperava mais dele aqui. Por diversos momentos ficamos pensando que o personagem de Austin Abrams tem algum problema, como déficit de atenção, ou algo do tipo, pois seu Troy quase não tem falas, e quando se expressa fica muito flutuante, parecendo nem gostar de estar no filme, o que é muito estranho de ver. Basicamente o filme fica só com os dois, pois os demais aparecem tão rapidamente, em cenas de pensamentos e/ou diálogos espaçados que nem podemos dizer grandes destaques, mas temos de pontuar o bom dinamismo cênico de Shazi Raja como Ananya, a forte expressão de sucesso de Michael Sheen como Craig, e pontuar bem levemente a forma bem dialogada no início de Jenna Fischer como Melanie.

No conceito visual, temos cenas bem bonitas nas grandes faculdades americanas, e embora não tenham feito um tour maior, as cenas nas salas foram bem icônicas e trabalhadas na medida certa de nervosismo que muitos pais passam ao levar os filhos para as audições (como é feito nas universidades por lá!), mas principalmente as cenas mais fortes foram feitas nos quartos com as grandes divagações do protagonista, e suas viagens cênicas por diversos lugares imaginando o sucesso de seus amigos. Ou seja, a equipe de arte precisou trabalhar muito para conseguir enfeitar a trama, fazendo diversas cenas pequenas, dentre muitas que certamente foram cortadas no final, mas que deram trabalho para serem feitas. Outro detalhe um pouco ruim, foi que a fotografia ficou mediana demais, não caindo nem pro lado mais denso que criaria uma certa tensão, nem puxou para tons coloridos nos momentos mais felizes, o que acabou deixando o público pensativo e perdido por diversos momentos.

Enfim, é um filme bonito, mas que como disse no começo funciona mais para termos um momento de reflexão sobre o que fazemos de nossa vida, como seguimos, o que pensamos, do que como um filme realmente com pontos de virada, e ação realmente para ser assistido e vivenciado, funcionando quase como um daqueles livros de auto-ajuda que lemos, e às vezes resolvemos fazer algo do que vimos ali, mas nada muito além. Portanto, recomendar essa trama chega a ser algo até difícil, pois sei que para muitos vai ser uma lição de vida, que vai agradar e ajudar demais, mas para a maioria que for conferir apenas como filme, acabará vendo algo chato demais, e que com um final sem final, vai ser ainda mais decepcionante. E sendo assim, deixo a recomendação em aberto, se você está precisando ver algo para mudar de vida, e parar de pensar na vida dos outros, é uma boa opção, mas se deseja ver um filme realmente, vá conferir outro longa. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto amanhã com mais textos, afinal essa semana veio bem recheada, então abraços e até logo mais.

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Big Pai, Big Filho em 3D (The Son Of Bigfoot)

11/02/2017 07:07:00 PM |

Meu lado preferido das animações anda passeando muito pela Bélgica, pois sempre conseguem criar filmes com simplicidade sem colocar nada exagerado, e ainda criar emoções com a história entregue. Com "Big Pai, Big Filho" temos um contexto bem familiar, aonde acabaram nem explorando tanto a relação do garoto com seus problemas, nem a tentativa da ciência versus natureza, mas ainda assim a trama consegue envolver bastante pela criatividade cênica junto de um 3D de primeira linha que consegue colocar o público quase como personagem da história, andando junto dos protagonistas, correndo dentro da mata e até trombando em muita coisa que sai da tela, ou seja, 92 minutos de muita diversão que até poderia ter ousado um pouco mais para criar mais emoções, mas ainda assim é algo bem bacana de acompanhar.

A sinopse nos conta que Adam é um adolescente que sai em uma missão épica e ousada para tentar descobrir um mistério por trás de seu pai, que está sumido há muito tempo. Até que então ele descobre que seu pai não é ninguém mais, ninguém menos do que o lendário Pé Grande. Ele tem se escondido na floresta há anos para proteger a si mesmo e sua família de HairCo., uma grande corporação que quer fazer experimentos científicos com seu DNA especial. Enquanto pai e o filho começam a passar um tempo juntos, Adam logo descobre que ele também tem super poderes, além de sua imaginação.

O longa que é bem dirigido por Jeremy Degruson e Ben Stassen que fizeram uma das melhores animações 3D que já vi: "As Aventuras de Sammy", sem dúvida me fizeram escolher por ir ver a animação numa sala com a tecnologia, pois certamente com uma história bem simples, esse seria o típico longa que veremos muito nas sessões da tarde de temas infantis, já que a trama bem família acaba não discutindo tantos temas difíceis. E sendo assim, o trabalho dos diretores foram mais de saber como utilizar bem a tecnologia para que tudo fosse bem incorporado, e o resultado final empolgasse de maneira simples e certeira, e felizmente eles conseguiram isso, já que acabamos embarcando na viagem do garotinho para conhecer seu pai, vivenciamos sua aventura junto dos animais e até acabamos torcendo contra o vilão, ou seja, tudo o que se espera ver em uma boa animação com a qualidade esperada de um bom 3D funcional.

Quanto dos personagens, temos de ser bem sinceros que poderia facilmente ter um carisma melhor em todos os protagonistas ao menos, pois o garotinho é singelo demais em suas atitudes, o pai submisso e omisso demais, a mãe acaba jogada para escanteio, e o vilão se acha o rei do mundo dos cabelos, ou seja, acaba sobrando pros animais ter de resolver toda a parada sozinhos divertindo e emocionando o público com suas atitudes bem "humanas". Mas sem dúvida alguma necessitamos pontuar a qualidade das texturas escolhidas, afinal estamos falando de um filme aonde o cabelo é o objeto mais importante da trama, e souberam utilizar completamente esse elemento a favor, criando bons ambientes nesse mundo visual que vivemos, tendo tanto a pelagem dos animais quanto os cabelos de todos os personagens quase vida própria.

Ainda sobre a questão visual do longa, foram bem espertos em não criar tantos cenários, deixando a criatividade se desenvolver bem nos poucos ambientes para que tudo ali fizesse bom uso de materiais e adereços, criando uma ambientação própria, já que como disse o filme não se desenvolve tanto com muitas questões, e sendo assim, o diretor que era antes diretor de arte acabou priorizando o simples para não errar a mão. Com essa simplicidade em mente, a grande sacada ficou por conta das escolhas dos planos cênicos para que tudo tivesse vida e dinâmica, criando sempre ângulos bem colocados e com isso auxiliando ainda mais no 3D da trama. E falando ainda mais sobre a tecnologia, temos muitos momentos de imersão no filme, fazendo, como disse no início, com que entrássemos no longa e nos divertidas junto com tudo o que é jogado para fora da tela, agradando até mais do que a história em si, valendo demais o ingresso mais caro pago.

Outro ponto bem positivo da trama ficou a cargo da boa trilha sonora que acaba até entrando demais no filme, acontecendo por vezes fora do acontecimento em si, mas ao menos ajudou bastante a dar ritmo e criar boas perspectivas na história. Para quem quiser ouvir algumas das canções, fica aqui o link.

Enfim, é um filme bem bacana que ousou pouco em tudo o que poderia extrair dos diversos momentos, afinal como bem sabemos cobaias e experimentos científicos são grandes problemas atuais, e a trama mesmo que de modo simples acaba tocando nessa ferida, mas deixa de lado para que o colorido e as boas piadas divirtam os pequenos e agrade no resultado final. Sendo assim, recomendo a animação para toda a família se divertir com boas sacadas, mas não vá esperando muito, pois a simplicidade domina. Bem é isso pessoal, fico por aqui agora, mas já vou para mais uma sessão, então volto mais tarde para falar o que achei, fiquem por enquanto com meus abraços e até logo mais.

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Missão Cegonha em 3D (Richard The Stork) (A Stork's Journey)

10/28/2017 12:28:00 AM |

Sempre gosto de observar as animações de países longe dos grandes centros conhecidos, e aqui a turma da Bélgica, Alemanha, Noruega e Luxemburgo que criou o "Epa! Cade o Noé?" nos entrega uma nova produção simples, porém efetiva ao contar uma aventura bem trabalhada de um pardal que acha que é uma cegonha, e até podemos dizer que não é de todo ruim, pois "Missão Cegonha" funciona muito bem no quesito história a ser contada, ensinando bons princípios de amizade, traição e até mesmo trabalhando um pouco a ideia de família adotiva (embora o abandono aqui possa aparentar estranho a causa!), mas como estamos falando de algo aonde o público-alvo são crianças, acaba faltando o grande elo que segura os pequenos nas poltronas: diversão e personagens carismáticos, pois aqui o longa parece uma jornada pronta para adultos tirarem as lições ao invés de se divertir com tudo o que possa ser mostrado. Não digo assim que seja algo ruim, mas está muito longe de ser algo que vá impressionar, agradando mais pelos entremeios do que pelo resultado completo como poderia atingir.

A sinopse nos conta que após seus pais serem mortos quando ainda estava no ovo, o pequeno pardal Rick é encontrado por uma cegonha, que o cria como se fosse seu filho. Desta forma Rick cresce seguindo os costumes de postura e alimentação típicos de uma cegonha, por mais que sua aparência deixe bem claro que não se trata da mesma espécie. Quando o bando decide migrar para a África, Rick é deixado para trás justamente por não ter estrutura física para uma viagem tão longa. Entretanto, o pequeno pardal que acredita ser uma cegonha não se dá por vencido e inicia uma viagem por conta própria, onde conhece a coruja-pigmeu Olga e o periquito Kiki.

Chega a ser bem interessante a proposta da trama, pois com os debates rolando de família tradicional, de adoção, de imigração e muitos outros detalhes pelo mundo afora, quando um diretor resolve trabalhar essa ideia em forma de animação temos de ser coerentes e ver até onde ele deseja chegar, porém a dupla Toby Genkel e Reza Memari optaram por algo mais alongado e cheio de vértices na história, o que é estranho de se ver em longas animados, pois geralmente nesse estilo prezam por histórias rápidas para que sobre tempo para a ação/aventura, comicidade e para que o carisma dos personagens domine. Aqui até temos personagens bonitinhos, malucos e interessantes, passando desde os protagonistas da história até mesmo os pombos figurantes (que valem as melhores piadas das maravilhas e inutilidades de se viver conectado a tudo e todos), mas a aventura é tão alongada, com muita história, passando por tantos lugares, que acabamos cansando um pouco do que é mostrado, e isso para nós que gostamos de uma boa história, então imagine uma criança que quer ver os bichinhos fazendo firulas mil!! Ou seja, o diretor poderia ter sido mais enxuto como fez na sua produção anterior, que acertaria a mão e agradaria bem mais, colocando junto a emoção que a trama propõe.

Sobre o design gráfico da trama, temos uma cenografia bem elaborada para os personagens passarem, trabalhando bem tanto a natureza quanto as cidades por onde os personagens pousam, com destaque claro para os personagens de cada uma incorporando trejeitos e gírias, mesmo na dublagem. E quanto aos personagens, o pardalzinho Richard no original ou Rick como preferiram na dublagem, é bem fofo e determinado, com uma dinâmica de superação bem interessante de acompanhar. As cegonhas acabaram soando arrogantes, principalmente o pai. A coruja Olga e seu imaginário Oleg ficaram bem divertidos e desenhados com minúcias, trabalhando personalidade e visual, o que é bem raro de ver. O canário Kiki soou um pouco bobinho demais, mas foi bem trabalhado em alguns momentos para mostrar ego e tudo mais. E claro, os pombos foram o charme da produção, mostrando todo tipo de pessoa que passa e recebe informação online quase que 24hs por dia, algo muito bem feito e colocado na medida certa.

Temos algumas boas cenas de 3D, mas falta um pouco de ousadia da equipe, pois como temos muitos voos dos pássaros, esperava embarcar mais ainda do que o que foi mostrado. Claro que está melhor que muitos filmes que dizem ter a tecnologia, mas ainda é pouco para algo que poderia brincar muito com o que tem.

Outro detalhe ficou a cargo da trilha sonora da trama, que até coloca algumas canções espalhadas pela trama, mas também falta aquele detalhe envolvente que faz uma canção virar o tema, coisa que aqui só aconteceu no trailer e nos créditos, ou seja, faltou colocar ritmo realmente no longa.

Enfim, é um filme bonitinho, mas que certamente os pais vão ter trabalho para segurar a garotada sentada até o final da sessão, pois haja história para ser contada. De certa forma até dá para recomendar, mas que vá sem muitas pretensões, pois pelo trailer aparentava ser algo mais emocionante do que o que foi mostrado. Bem é isso pessoal, fico por aqui nessa semana fraca de estreias, mas volto em breve com mais textos, então abraços e até logo mais.

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Thor: Ragnarok em Imax 3D

10/27/2017 02:02:00 AM |

Em caso de blockbusters gosto de ir ao cinema preparado para o que vou ver, e sempre torço por alguma reviravolta que me surpreenda, e com "Thor: Ragnarok" tinha a certeza de que me divertiria com muitas piadas (algumas certamente desnecessárias), e que veria um filme muito colorido pelos diversos trailers/pôsteres que foram mostrados, com boa trilha e com boas cenas de ação. E com toda certeza, foi exatamente isso o que vi nos 130 minutos de projeção, pois nada sai desse eixo, e acabamos saindo felizes com o que vemos na telona, porém acabou faltando aquele detalhe que faria o filme ficar incrível, alguma reviravolta mais impactante, um 3D mais imersivo e até mesmo mais referências para serem trabalhadas, pois mesmo quem não for um grande conhecedor das HQs vai conhecer praticamente tudo o que é mostrado lá, e sendo assim o resultado é algo bem feito, mas que poderia ser melhor ainda. Se você gosta de uma boa comédia de ação, com muitas piadas nerds em um filme muito colorido, pode ir para o cinema tranquilamente que não sairá desapontado com o que verá.

A sinopse mais básica e que não conta tudo o que acontece, nos fala que Thor precisa impedir o Ragnarok, a destruição de seu lar, Asgard, que agora está sob o poder da temida Hela. Mas o problema é que ele está preso do outro lado do universo, sem o seu martelo, e ainda tem de enfrentar seu ex-aliado e vingador, Hulk, numa batalha de gladiadores.

A grande sacada do diretor neozelandês Taika Waititi foi mudar completamente a concepção de estilo dos filmes do herói de Asgard, pois seus dois filmes anteriores ficavam bem em cima do muro se iriam ser cômicos ou mais dramáticos, trabalhando com situações difíceis, mas que no final acabam colocando uma ou duas cenas cômicas perdidas, que praticamente destoavam completamente de todo o restante, e aqui, ele não só jogou tudo para o ar, como transformou o longa em um estilo próprio de comédia, que faz rir do começo ao fim, unindo boas cenas de ação com lutas bem coreografadas em uma cenografia própria e cheia de dinâmica. Porém temos alguns detalhes que o diretor acabou esquecendo de trabalhar mais, para começar o tal Ragnarok que é o título do longa acontece tão rapidamente, que acabamos achando que o diretor acabou deixando de lado a ideia original, e além disso mesmo sendo convertido em 3D e em Imax 3D, estamos falando de um longa que se passa completamente no espaço, e assim sendo tudo pode voar e sair da tela, mas temos apenas uma grande cena bem feita no começo com uma boa imersão e o restante quase podemos tirar os óculos da cara, ou seja, certamente com toda a ação envolvida, e a alta quantidade de cores da trama, poderíamos até sair com tontura da sala se os efeitos fossem melhor utilizados. Ou seja, o resultado do trabalho do diretor é como seu personagem na trama (sim, o diretor atua também na trama como Korg, um dos gladiadores da trama) duro como pedra, mas extremamente divertido e cheio de piadas e boas sacadas para ficar lembrando.

Sobre as atuações, podemos dizer que todos sem exceção caíram perfeitamente dentro da personalidade de seus personagens, criando ótimas vertentes interpretativas e entregando o máximo que poderiam dar para que suas cenas fossem bem lembradas. Chris Hemsworth já incorporou o perfil de Thor faz tempo, com olhares bem marcados, postura corporal de lutador e tudo mais para entregar algo forte realmente, e aqui felizmente saiu-se bem com uma postura cômica, pois muitos esperavam que ele não fosse ter um tino cômico bem trabalhado, e acabaria desmoronando com todas as cenas divertidas, e muito pelo contrário, aparentou ter se divertido muito com tudo o que acaba acontecendo, apenas acabou exagerado demais toda hora os diversos flashbacks com seu pai para puxar seu poder real, mas isso nem foi culpa dele, e sim da edição/direção. Mark Ruffalo é daqueles atores que não tem como não adorar o trabalho que faz, pois aqui além de sair muito bem como Bruce Banner, mostrou que o Hulk também pode dialogar e ter ótimas interpretações sem ficar apenas esmagando tudo o que vier pela sua frente, e o carisma do ator/personagem aqui foi algo impressionante de acompanhar. Tom Hiddleston é o vilão mais heroico e amado da Marvel com seu Loki, e isso dificilmente vai mudar, de modo que se matarem ele em algum filme é capaz de reviverem ele com pelo menos uns mil flashbacks, pois o ator é muito bom no que faz, e aqui embora seja previsível seus momentos/movimentos (até foi feita uma piada com isso em uma das cenas!) ele acaba sempre surpreendendo e agradando. Cate Blanchett é uma tremenda atriz, e sua Hela chega com força total, mas embora saibamos do seu potencial, talvez uma atriz desconhecida, ou alguém com mais sede de expressão/ação agradaria mais, pois ela é daquelas que dominam demais os diálogos, e aqui, sua precisão acaba quase sendo inútil já que a personagem é mais de explodir do que falar realmente. Tessa Thompson acabou muito bem encaixada com sua Valquíria, trabalhando expressões fortes e até ousando com grandiosos movimentos de ação, e com uma personalidade bem encaixada, poderiam até ter falado mais sobre quem eram as valquírias, já apenas uma ceninha de flashback foi pouco para isso. Outro que acabou um pouco apagado demais, e certamente na história da trama tinha mais participação foi o Heindall de Idris Elba, que participou de dois a três grandes momentos, mas de uma maneira tão rápida, que nem deu tempo de explicar mais de sua situação atual, e o ator como bem sabemos é fenomenal e agradaria muito com toda certeza. Jeff Goldblum entregou um grão-mestre bem interessante, com altas projeções tecnológicas, e criando um personagem interessante para ser trabalhado mais para frente (como mostra a segunda cena pós-crédito) e de certo modo, a personalidade trabalhada mostrou algo até que chamativo, para um personagem que certamente acabaria ficando em segundo plano por outros diretores. Dentre os demais, tivemos ótimas participações também, e com personagens marcantes que poderiam até ter sido mais trabalhados, como Karl Urban com seu Skurge que oscilou bastante entre momentos fortes e outros bem apagados, Anthony Hopkins com seu Odin bem simbólico para a trama, mas que não avançou muito, e claro o grande destaque no começo para Benedict Cumberbatch com seu Doutor Estranho dando um show de cenas dinâmicas e divertidas junto dos protagonistas, de modo que mereceria aparecer até mais.

Quanto do visual da trama, embora quase tudo seja computação gráfica, a equipe se preocupou muito em criar cenários grandiosos para compor as cenas, criando ângulos bem trabalhados para mostrar as cidades aonde o longa se passa, e claro junto de uma gama de muitos objetos cênicos como naves, equipamentos caindo do céu, figurinos elaborados e muita simbologia cênica para que quem desejar caçar easter-eggs tenha muito trabalho. Aliado a esse grande trabalho da cenografia, entra em cena uma equipe de fotografia minuciosa que trabalhou tantos tons, que chega a ser difícil não se empolgar com alguma cena, pois desde cores bem quentes para criar a dinâmica de ação, misturando com outras mais coloridas para segurar o tom cômica, a trama chegou a ser desenvolvida em vários atos, tendo possibilidade até de alguns tons escuros em cenas mais densas com os vilões, mas nada que chegasse a puxar o longa para um ar dramático, afinal a escolha aqui como disse no começo foi entregar algo 100% cômico. Como já falei no começo também, o 3D é praticamente nulo no longa, mas nem por isso os efeitos foram fracos, e com isso, temos boas cenas interessantes, com tiros, saltos, fumaça, poeira e tudo mais que fosse possível para agradar os olhares mais atentos.

Como sempre digo, um bom filme contém uma boa trilha, e além de ótimas músicas instrumentais criadas por Mark Mothersbaugh, o encaixe perfeito de "Immigrant Song" de Led Zeppelin em diversos momentos, e "In The Face of Evil" do grupo Magic Sword foram de uma perfeição única, dando dinâmica para a trama, e envolvendo do começo ao fim.

Enfim, é uma grande esquete cômica, que quem gosta do estilo sairá da sessão extremamente feliz, se divertindo em 100% da trama, mas que quem desejar ver um pouco mais de história, talvez reclame bastante, pois acredito que a HQ realmente do Ragnarok conte muito mais de outros personagens, e não somente as cenas divertidas que foram escolhidas para fechar esse roteiro, tendo até mais dramaticidade e envolvimento para ser trabalhado talvez até em dois filmes, mas como bem sabemos esse não é o plano da Marvel, então como costumo dizer, compre uma boa pipoca e vá se divertir sem pensar muito, afinal longas de super-heróis não podem ser chatos, e aqui o resultado não fica chato de forma alguma. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, e amanhã posto a crítica da outra estreia da semana, então abraços e até breve.

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Além da Morte (Flatliners)

10/22/2017 03:10:00 AM |

Se existe um gênero que adoram requentar filmes é o de suspense/terror, pois sabem que três coisas ocorrerão, a primeira é vender um filme achando que se já teve um bom, pode ser que o novo vai ser igual, a segunda é acharem que é uma continuação e acabará vendendo erroneamente, e a terceira, é que vão conferir o antigo para comparar, assim venderão algo do passado também. Com essa premissa em mente, se em 1990, "Flatliners" ou "Linha Mortal" mesmo lotado de estrelas aparentemente não fez tanto sucesso (era muito novo e não lembro de ter visto nunca o original, mas quem sabe agora entro nessa da turma que vai ver o antigo para comparar!), o que esperar de um agora jovial, com um elenco menos carismático, e que talvez trabalhe de modo bem mais simples? A resposta é clara e já disse até na própria pergunta, pois "Além da Morte" é um filme simples, com sustos jogados, e uma ideia clara de colocar uma droga diferente na mente desses jovens médicos malucos, que acabam fazendo artes demais na faculdade/residência, e agora vão inventar de parar o coração para ver o que acontece! Ou seja, com uma ideologia bem marcada, a trama até trabalhou bem do começo ao fim, mas fechou de uma maneira bem boba com a ideia finalizadora, afinal se estamos em um longa de terror, envolvendo a mente, a consciência seria o menor dos problemas para se trabalhar, e com isso, o resultado ficou apenas satisfatório em algo que poderia explorar muito mais, e empolgar também muito mais.

O longa tenta nos mostrar que na esperança de fazer algumas descobertas, estudantes de medicina começam a explorar o reino das experiências de quase morte. Cada um deles passa pela experiência de ter o coração parado e depois revivido. Eles passam a ter visões em flash, como pesadelos da infância, e a refletir sobre pecados que cometeram. Os experimentos se intensificam, e eles passam a serem afetados fisicamente por suas visões enquanto tentam achar uma cura para a morte.

Quem conferiu a saga "Millenium" sueca, e viu o primeiro filme "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres" sabe muito bem a qualidade técnica do diretor dinamarquês Niels Arden Oplev, e aqui ele mostra que sabe trabalhar bem roteiros menos dramáticos, mas que tenha de certa forma um conteúdo para ser explorado, e é bem isso que vemos no roteiro que Ben Ripley lhe entregou, ousando pouco em cenas tensas de terror realmente, mas criando um ambiente aterrorizante, pois todas as vezes que param o coração de um dos protagonistas, ficamos pensando realmente que esse não irá sobreviver, entramos em apuros no último caso, e até criamos uma certa tensão nos momentos de pensamento ou ocorrência real dos personagens após suas voltas, pois embora o filme tenha um cunho levemente científico, vemos em alguns momentos a famosa fé em entidades tentar predominar rapidamente a mente dos protagonistas. Não digo que o diretor tenha errado em algo na forma de conduzir sua trama, mas talvez mudaria o final do longa para algo menos singelo, com maior impacto, pois ficou parecendo um fim de série, que vamos ter logo em breve uma continuação, e certamente não era essa a ideia original. Sendo assim, com um bom tom de incorporação, o resultado é um filme interessante, e feito com maestria por ideias simples, mas volto a dizer, a perfeição passou bem perto de se encaixar aqui.

Os atores da trama embora bem jovens, foram escolhidos com perfis bem pautados para termos muitas discussões, tanto preconceituosas, quanto de ideias mesmo, e isso é algo interessante de se observar, pois foram encaixes bem sorrateiros por parte da equipe. Ellen Page já entrou na casa dos 30, mas tem uma face tão nova que realmente parece ser uma estudante de medicina em começo de faculdade, e com uma dinâmica bem convincente, ela acaba até influenciando os demais a participar sempre de suas loucuras, ou seja, sua Courtney inicialmente aparenta ser apática e metida demais, mas com o fluxo andando acaba soando interessante de acompanhar. Como em todo filme necessita de um "pegador", aqui isso foi atribuído à James Norton com seu Jamie, e chega a soar até forçado sua preponderância de jovem rico, que só está ali para arrumar pretendentes e ter um selo médico, mas suas cenas de visões são as mais interessantes de acompanhar, e realmente nos pegam no susto. Com Nina Dobrev, temos um pouco mais de tensão nos sonhos, pois sua Marlo acabou adentrando em algo mais complicado de trabalhar, e ousou da equipe mais efeitos, e com isso, o resultado de suas cenas sempre são mais pesadas e intrigantes. O perfil latino sempre recai bem em escolas médicas de grande renome, pois geralmente quem está lá, estuda muito, e aqui esse papel caiu para Diego Luna, que com seu Ray soou até duro demais, e agradou nas cenas de reanimação, mas dificilmente um namorado diria as palavras dele para Marlo, e isso acabou impactando um pouco no público gostar dele. Kiersey Clemons foi a que mais mostrou o drama dos estudantes com sua Sophia, que é o desespero com os nomes difíceis de decorar, os pais indo fundo nas reclamações com os estudos e claro as diversas vontades, mas também entrou a fundo na sua viagem pela mente e foi a que a história mais ficou estranha de ver, pois até sabemos que bullying é algo forte, mas poderia ser mais impactante sua conversa de "redenção". Dentre os demais temos de pontuar apenas a participação de Kiefer Sutherland como Dr. Barry Wolfson, mas nem tanto pelo que faz aqui, mas sim por ter participado no longa original em 1990, como outro personagem Nelson, então nem podemos cogitar como sendo uma continuação.

No conceito visual, arrumaram bons hospitais/escola para trabalhar, e claro muitas festas para que os protagonistas participassem para encaixar seus momentos "drogados" pós-ressuscitação, e com isso o filme teve uma certa realidade abstrata para trabalhar de forma bem coerente nos momentos de vida, agora nos momentos de pensamento (que são o grande charme da produção), a equipe de arte já necessitou muita criatividade para trabalhar as ideias do roteiro e com isso tivemos alguns efeitos até estranhos, mas que acabaram ficando interessantes de acompanhar, claro que poderiam ter exagerado um pouco menos, e criado algo mais assustador realmente, mas todos acabam valendo bem a pena. A fotografia da trama, felizmente fugiu bem desse tom azulado do pôster, tendo uma certa ousadia de deixar tons fortes misturados com claros na mesma proporção criando ambientes calmos que de repente viravam algo aterrorizante com nuances bem escuras, no melhor estilo de culpa para com os protagonistas, ou seja, algo bem trabalhado.

Enfim, é um filme que até entregou algo bem interessante, mas que também falha bastante ao criar uma atmosfera sombria, e na mesma proporção colocar tudo como algo simples de se fazer, e que ao mesmo tempo pode soar como ciência ao invés de misticismo da mente, ou seja, um filme que dá para trabalhar um certo estudo em cima, mas que pelo estilo de público na sala vai agradar bem mais os jovens. Sendo assim, recomendo ele para quem gosta de um terror mais leve, e que goste de tomar alguns sustos fáceis, pois o filme fica bem nessa toada. Portanto vá ao cinema, confira e comente sua opinião aqui embaixo, pois é bacana discutirmos as peças que nossa mente pode pregar, principalmente após um "trauma". Bem é isso pessoal, infelizmente faltaram muitas estreias vir para a cidade, então já encerro aqui essa semana cinematográfica, voltando apenas na quinta com outro grande blockbuster que deve segurar mais salas ainda, então abraços e até lá.

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Uma Razão Para Recomeçar (New Life)

10/21/2017 01:50:00 AM |

Ultimamente temos assistido a tantos romances que parecem livros pela sua essência contada quase que de forma capitular, alguns com quebras de tela (fundo preto), outros com capítulos realmente, mas sempre mantendo o mote principal, que é fazer o público chorar por algum motivo determinante. Em alguns esse modelo acaba agradando e acertando para o grande bem do cinema, em outros, acabamos ficando esperando tanto o grande ponto de virada que mesmo que a trama acabe emocionando em alguns momentos, apenas sentimos a emoção e iremos esquecer de tudo o que vimos tão logo saímos da sessão. Infelizmente "Uma Razão Para Recomeçar" se enquadra nesse último estilo, pois tem uma proposta bonita, que mistura muitas ideias que já vimos em quase todos os filmes de Nicholas Sparks (esse não é dele, mas a ideia é tão próxima que achamos ser), com algumas leves ideias de "Meu Primeiro Amor", e claro usando as pitadas mais dramáticos do grande mal da era moderna, que acaba até sendo impactante, mas os atores são tão fraquinhos que nem para emocionar com expressões conseguiram, ficando mais a comoção pela ideia em si, do que pelo que o filme mostra. Ou seja, um filme simples, bem bonito visualmente, mas que não atinge nem metade do que poderia.

O longa nos conta que ainda criança, Ben conhece Ava, a pequena e graciosa vizinha, surgindo um forte laço de amizade e confiança que os acompanha durante toda a infância como atração e posteriormente paixão quando adolescentes. Esse conto de fadas na vida adulta torna-se amor e casam-se. Mas aí o destino prega-lhes uma peça quando a Ava tem o diagnóstico de uma doença e o amor e cumplicidade ficam sob ameaça.

Quando um ator resolve assinar um roteiro, e consequentemente a direção de um longa, deve levar em conta todo seu histórico, e principalmente pensar aonde ele quer chegar na carreira, pois muitos obtiveram grandes sucessos, e outros apenas elevaram seus egos entregando algo que não chega a impressionar nem com muito esforço. O que Drew Waters fez aqui foi algo singelo dentro de suas limitações, pois após muitos filmes e séries que fez pequenas pontas e alguns elementos secundários, ele acabou criando algo bonito de se ver, aonde usou um pouco de inspiração em sua família, e acabou ordenando as ideias para que tudo soasse bem feito, porém toda hora o rapaz narrando os seus sentimentos, daí ocorre algo, meio que para com um fade, vai para um novo acontecimento, muda de novo o ângulo, e por aí vai acabando ficando cansativo demais, e com isso, ele não conseguiu mostrar seu poder de ordenar as ideias em sequência e criar algo que fosse realmente empolgante de ver. Porém mesmo que isso fosse feito, o maior defeito da trama ficou com a falta de um clímax realmente chocante, ou emocionante, pois o que acaba ocorrendo vem de uma maneira tão natural, que vemos como uma passagem pré-preparada pelo conteúdo completo, e ao final quando temos um novo clímax que poderia realmente ter o nome do filme em português, já acaba o longa.

Outro grande defeito da produção, que embora tenha ocorrido assim para economizar nos custos, foi usar atores bem desconhecidos, e quase sem nenhum carisma emotivo para nos surpreender, o que acaba causando até um certo estranhamento inicial, mas que depois de certo tempo passamos a achar jovens demais para algumas atitudes, e por consequência o resultado final fica abaixo do esperado. Jonathan Patrick Moore acabou entregando um Ben até que descolado inicialmente, com boas propostas para o personagem, mostrando disposição de encarar as cenas mais tensas, mas sempre estava com a mesma expressão sem sal, o que é estranho de ver, pois em filmes desse estilo, geralmente os diretores de elenco exigem muitas caras e bocas dos artistas para fazer realmente o público sentir sua dor, e na sua cena mais bem colocada, embaixo da chuva, ficamos falando "sério que ele tá assim?", ou seja, fraco demais para um papel que exigia algo mediano pelo menos. Erin Bethea até possui um semblante bem colocado e entregou uma Ava interessante, mas que por mais sorrisos e personalidade bem trabalhada que inicie a trama, ao entrar no drama realmente conseguiu trazer uma expressão tão desanimada que realmente parece que desligou a personagem, e embora isso seja um certo acerto, o resultado acabou soando estranho. Dentre os demais, tivemos algumas participações que mereceriam mais tempo de tela, pois fizeram certos tons agradáveis como Kelsey Formost como a francesinha Monique, Kris Lemche com seu irreverente Michael, e até mesmo o médico sério Terry O'Quinn junto com seus pacientes, "pacientes", mas optaram por ficar colocando mais em cena os pais dos protagonistas, e James Marsters aparentou estar tão desanimado com a produção com seu William que chega a desanimar até o público.

Embora não seja tão identificável a locação do filme, escolheram uma pacata cidade localizada ao lado de um lago ou rio que trouxe bons tons para a trama, além de ter trabalhado bem com muitas cores tanto na casa dos protagonistas quanto no hospital, não criando uma textura dura e triste como vemos em muitos hospitais em filmes, o que é legal de observar, mas faltou um pouco mais de cada cena ter seus próprios elementos marcantes, pois deixaram apenas o barco para conectar tudo, e acabou faltando mais detalhamento da vida pessoal deles e coisas interessantes para se lembrar no fim. A fotografia optou por uma iluminação mais clara e nítida que deu um contexto gostoso de acompanhar ao menos, mas com isso não oscilou as cenas cômicas, românticas e dramáticas presentes na trama, entregando tudo com um ar único e sem muito sal, ou seja, vamos trabalhar o básico bem feitinho e esquecer que o longa tem mais vértices.

Enfim, é um filme que acaba entregando algo bonito, que até pode comover e emocionar de certa forma, mas que infelizmente possui tantos defeitos, e que acaba falhando no conceito maior de criar um ar romântico e emotivo realmente, que como disse no começo, é bem capaz que após terminar de escrever meu texto eu nem lembre mais de ter visto esse filme, ou seja, algo que acabou não marcando como poderia, pois volto a frisar, quem estiver emotivo vai lavar a sala, mas não vai nem saber o real motivo. Bem é isso pessoal, fico por aqui hoje, mas volto em breve com a última estreia dessa semana que as distribuidoras esqueceram do interior novamente, e ficou metade das estreias sem vir para cá, então abraços e até logo mais.

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Tempestade - Planeta em Fúria em Imax 3D (Geostorm)

10/20/2017 01:26:00 AM |

Filmes de destruição do planeta sempre costumam ter seus moldes tão bem encaixados que nem mais chamamos de clichês, mas sim de forma de bolo realmente, pois você já vai pronto para assistir sabendo exatamente o que vai encontrar: o pai de família que promete sobreviver e voltar para casa, o casalzinho que não está bem formado mas que vai arrumar um jeito de se apaixonar definitivamente, alguém tentando explorar algum jeito de sair ganhando com isso, pessoas desesperadas correndo e outras apenas olhando tudo acontecer, carros que não andariam nem a 100 km/h mas que correm na velocidade da luz no meio de um trânsito caótico e desesperado, pessoas técnicas falando palavras difíceis e que você mesmo sabendo sobre aquilo não vai entender nada, e claro, muita coisa sendo destruída em diversos países pelo planeta afora (sempre mostrando os países com maiores públicos de cinema, afinal esses que irão lotar as salas de cinema) e até fora dele se possível. Ou seja, "Tempestade - Planeta em Fúria" não vai ser diferente de forma alguma, muito pelo contrário, contém todos esses elementos, não necessariamente nessa ordem que coloquei, mas que sabendo o que vamos encontrar, acabamos nos divertindo com as situações, torcendo para que tudo seja ao menos aceitável (dizer crível é apelar demais, pois sabemos ser impossível metade do que ocorre sempre!), e com certeza vamos sempre esperar um ou outro elemento novo para se discutir, afinal nenhum diretor é igual ao outro, e também copiar na cara dura é feio demais, e aqui temos o novo engajamento do momento bem conectado: família + política + clima, ou seja, algo para se divertir. Talvez o maior defeito da trama tenha sido não acreditar na possibilidade dos efeitos em cima do roteiro, pois já que é pra destruir tudo em 3D numa tela imensa em Imax como estão tanto fazendo a propaganda, que coloque o mundo no chão, e aqui os efeitos foram até que bem feitos, mas faltou destruir a valer mesmo voando coisas pra todo lado, pois temos no máximo uns três ou quatro momentos que tudo parece valer mesmo ficar com os óculos.

A sinopse nos conta que depois de uma série de desastres naturais sem precedentes ameaçar o planeta, os líderes mundiais se unem para criar uma rede complexa de satélites para controlar o clima mundial e manter todos em segurança. Porém, agora, algo deu errado – o sistema criado para proteger a Terra passou a atacá-la, dando início a uma corrida contra o tempo para descobrir a verdadeira ameaça, antes que uma tempestade de proporções globais devaste tudo... e todos em seu caminho.

Depois de produzir muitos filmes de destruição, começando em 96 com "Independence Day", aonde também escreveu o roteiro, eis que Dean Devlin resolveu pela primeira vez coordenar um longa como diretor, e digamos que é exatamente essa a cara que o filme tem: de um principiante no estilo, que faltou ousadia para colocar tudo abaixo e agradar sem pensar muito, pois seu filme tem uma história bem colocada, um mote muito interessante, pois com todas as catástrofes climáticas que andam ocorrendo, é fato que muito em breve se fale em medidas para tentar controlar o clima através de ciência (se é que isso é possível!), e claro que também haverá muita confusão envolvendo política para que isso ocorra, então o que é mostrado no filme certamente pode ocorrer, mas quando falamos de destruição, o que queremos ver é tudo indo pelos ares realmente, e o diretor acabou focando em tantas coisas na história que acabou deixando toda a parte de ação realmente para valer em poucos minutos, e além disso, como foi noticiado em diversos lugares, o filme demorou muito para estrear por necessidade de refilmar muitas cenas, e isso se vê naturalmente principalmente no começo com o excesso de cortes e coisas que ficaram fora de uma sequência comum, ou seja, até poderiam ter entregue algo mais longo e melhor de história, mas aí acabaria cansando mais do que empolgando, e isso como já disse não é o que desejamos ver. Ou seja, melhor voltar a somente produzir e/ou escrever roteiros do que assumir a bronca e não conseguir, pois o resultado acabou embora bacana de se ver, faltando com a qualidade que poderia ter.

Sobre as atuações, gosto muito do estilo de atuar de Gerard Butler, que sabe dosar o tom família com ação e sempre incorporar uma pegada mais forte quando precisa mostrar experiência, mas aqui embora seja um dos protagonistas, ele é o que ficou mais apagado com a quantidade de cenas cortadas do espaço, e mesmo que todas as de seu Jake sejam bem cheias de ação, ficamos esperando mais vontade de ver ele realmente brigando com todos lá em cima como foi na sua melhor cena. Jim Sturgess é o típico ator que vai estar em cena pronto para tentar chamar a atenção, mas que não vai conseguir, de modo que seu Max possui boas sacadas e até agradaria mais cenas junto das personagens femininas, mas sabemos bem aonde vai levar seu romance, e sua forma de brigar com os homens soa falsa demais, funcionando bem pouco em cena. Falando nas garotas, a hacker divertida Zazie Beetz (que no ano que vem certamente irá detonar em "Deadpool 2") teve poucas cenas para mostrar serviço, mas vem dela a definição mais perfeita em inglês para Abbie Cornish que aqui foi traduzida "ela é gatíssima", e quem entende inglês irá traduzir melhor "she is hot", pois sua personagem Sarah só serviu mesmo para embelezar a tela, e abrilhantar as ótimas cenas de ação com o carro já mostradas no trailer, e que em grandiosidade ficaram melhores ainda, mas faltou mais para mostrar realmente a que veio. No lado politizado da trama, por bem mais que tentassem Andy Garcia não entregou nem 10% do que sabe fazer com seu Presidente Palma, e Ed Harris até entoou alguns momentos bem encaixados com seu Dekkom, mas precisaria de algo a mais para entregar tudo o que acaba influenciando nas últimas cenas, de modo que acabou faltando muito para mostrar realmente o que sabe também. Quanto dos demais, praticamente todos tiveram momentos espaçados, com leves destaques para as expressões da garotinha Talitha Bateman com sua Hannah, e para os momentos exagerados de Robert Sheehan com seu Duncan.

Dentro do conceito visual a trama teve boas locações tanto para os momentos mais colocados dentro dos EUA, como a convenção do partido (que poderia ser mais impactante a cena!), as ruas de Hong Kong sendo destruídas, a praia do Rio de Janeiro, a praia e os superprédios de Dubai, e até mesmo as grandiosas cenas no espaço ficaram interessantes de se ver, mas claro que dentro de algo mais simbólico, tudo ficou muito computadorizado, pois certamente ninguém foi até a EEI e tudo ali ficou muito amplo demais, com maquinários cheios de detalhes e tudo mais, o que acabou ficando estranho de ver. Aliado aos conceitos de locação, os efeitos digitais até funcionaram bem, mas ficaram estranhos, com raios caindo quase que sequencialmente, fogo explodindo como bombas, e até mesmo os gelos e ondas ficaram estranhos, claro que sabemos que tudo é extremamente artificial, mas poderiam ter amenizado para parecer mais real (olhem o filme "O Impossível" do tsunami para ver como se faz ondas gigantes reais de forma falsa, mas convincente!!), e junte a isso que todos esses efeitos deveriam ter sido feitos de maneira melhor que combinasse com o 3D da trama, pois queríamos pedras de gelo em nossa direção, profundidades no espaço imensas com todos as peças da EEI voando para fora da tela, e muito mais, mas não quiseram ousar, entregando algo duro e simples demais, até mesmo para não funcionar infelizmente da melhor forma na sala Imax. E talvez essa falha na tridimensionalização seja por conta de uma fotografia dura, sem muitos tons amenos para contrastar com os tons mais puxados para o cinza escuro, com muitas cenas a noite, ou em iluminações exageradas de sol, que não deram um ar de profundidade mais correto, ou seja, falhou demais na forma técnica.

Outro detalhe que acabou faltando demais, foi uma trilha sonora mais envolvente, que prendesse a respiração do público e permeasse mais desespero na trama, pois tudo soou bem engessado, e com isso ficamos empolgados com o que vemos, mas não desesperados torcendo por tudo.

Enfim, estaria mentindo se falasse que não gostei do que vi, também estaria mentindo se falasse que não me diverti, pois bem ao contrário saí bem empolgado com tudo o que vi na telona, entrando completamente no clima, e me remetendo demais ao que vi há muitos anos atrás com "Armagedon", claro que de uma maneira simbólica, pois aqui temos tantos defeitos técnicos que precisei mensurar, que se fosse criticar realmente com unhas e dentes daria uma nota bem inferior para a trama, mas como acabei tendo mais sentimentos pela história do que reclamando das falhas, o resultado acaba empolgando e agradando de uma forma geral. Como bem disse, nas mãos de um diretor de maior renome e impacto, a trama seria grandiosa e entraria pro seleto hall de bons filmes de destruição, mas vai acabar sendo daqueles que vamos lembrar apenas mais pelo que vimos no trailer do que pelo longa em si. Bem é isso pessoal, se você gosta de se divertir sem se importar com clichês, coisas falsas demais, ligando apenas para uma boa ação, a chance de sair satisfeito com o que verá aqui é alta, mas do contrário fuja, pois a chance de apenas reclamar é mais alta ainda. Fico por aqui hoje, mas ainda tenho mais algumas estreias (das poucas que vieram para o interior) para conferir, então abraços e até breve.

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