Depois do Fogo (Rebuilding)

3/05/2026 12:49:00 AM |

Não sou literalmente um fã de filmes introspectivos, pois você precisa conseguir entrar na mesma sintonia da trama para embarcar por completo, ou acaba acontecendo de você dormir e perder algo "importante" para o desenrolar de tudo, porém hoje ao conferir o longa "Depois do Fogo", que estreia nos cinemas no próximo dia 12/03, traz algo que já tinha parado para refletir quando estava no auge as notícias dos incêndios nos EUA, pois ou o cara tem um seguro monstruoso (o que não é muito comum por lá, já que para ter franquias interessantes com o tanto de possíveis desastres climáticos o preço muitas vezes fica "próximo" do valor de alguns bens!) ou simplesmente perde tudo, e vai ter de começar a vida do zero com empréstimos ou algumas ajudas do governo, e a trama usa bem essa formatação da última ideia, pois além de perder todo seu rancho, o protagonista sempre foi vaqueiro ou o famoso cowboy, e sem rancho com as terras destruídas pelo fogo nos vemos com o protagonista tendo que refletir junto de outras pessoas que também perderam tudo, e o longa brinca muito com essa essência do recomeço, sendo calmo demais, mas muito bem feito.

O longa acompanha Dusty, um pai divorciado e reservado que repentinamente perde seu rancho graças a um incêndio florestal devastador. Buscando um lar temporário, o jovem caubói passa a viver num acampamento de trailers junto com outros cidadãos que também perderam suas casas. Nessa jornada de recomeço, Dusty encontra conforto e consolo nessa comunidade de vizinhos que também perderam tudo. Enquanto reconstrói silenciosamente sua vida, ele se reconecta com a ex-esposa Ruby e a filha pequena Callie-Rose. Sob o vasto cenário do sul do Colorado e do Oeste Americano, Dusty enfrenta a dor da perda nesse retrato humano sobre resiliência e conexão.

Diria que o diretor e roteirista Max Walker-Silverman fez uma boa pesquisa para desenvolver seu longa, mas principalmente quis demonstrar a força que as pessoas ao redor, mesmo que desconhecidas, podem fazer na vida de uma pessoa quando perde tudo, pois as dinâmicas da trama mostra bem essa valorização do coletivo, da ajuda, e claro de saber a hora certa de entrar no meio, pois muitas vezes a pessoa quer realmente refletir, quer pensar, e também nem quer ser visto com seu caso problematizado, e essa formatação poderia levar o longa para algo mais explosivo caso ele quisesse, mas ao escolher a introspecção e a calmaria ele desenvolveu um filme mais denso, porém como disse no começo se arriscando ao máximo a cansar o público. Ou seja, o resultado na tela se deve muito ao apego que a maioria está com os vários casos que rolaram dos incêndios, mas também devemos isso ao formato escolhido pelo diretor, pois mesmo demorando um pouco para a dinâmica em si funcionar, você vê a mão dele dando potência nos atos, e isso é um acerto nesse estilo.

Muitas vezes filmes introspectivos só funcionam bem quando o protagonista entrega muito na tela, e aqui infelizmente não diria que Josh O'Connor ajudou muito com isso, pois seu Dusty entrega algo muito comum mesmo em pessoas que perderam tudo, o ar de desorientação, mas não é a desorientação boa que impacta e faz o público sentir apegado a ele, de modo que talvez se tivesse entregue mais dos atos finais durante toda a trama, seu personagem chamaria o filme para si, e o resultado seria ainda melhor na tela. A garotinha Lily LaTorre teve alguns bons momentos com sua Callie-Rose, porém não se soltou para o papel como poderia, ficando muito escondida e com poucas cenas para se desenvolver melhor, de modo que até fez bons trejeitos, mas poderia ir além. Dentre os demais personagens, tivemos algumas cenas bem rápidas, porém bacanas de Amy Madigan com sua Bess, também tivemos alguns atos explosivos de Meghann Fahy que depois dá uma leve melhorada nos trejeitos com o ex-marido, e quanto a Kali Reis até posso dizer que sua Mila foi interessante por alguns momentos, mas faltou aprofundar mais.

No quesito visual usaram bem o rancho queimado, com poucas cenas, porém efetivas na tela, e foram bem simbólicos com os trailers aonde as pessoas vão morar, só diria que se realmente acontecesse dessa forma de jogarem as pessoas para tão longe da "civilização" é um abuso de humanidade, e certamente a equipe de arte quis representar bem esses momentos, com as pessoas indo na biblioteca apenas para usar o wi-fi do lado de fora também sendo bem marcante.

Enfim, é um longa interessante, que tem o valor da reflexão sobre tudo o que anda acontecendo no mundo com uma visão densa sobre o próximo, mas que poderia ter ido mais além sem precisar ficar tão fechado e introspectivo demais, pois talvez os personagens criassem um carisma maior com o público e o resultado fosse muito melhor, afinal não estou falando que ficou ruim, muito pelo contrário, mas faltou botar um pouco mais de dinâmica para envolver melhor. E é isso meus amigos, fica a recomendação de conferida quando estrear na semana que vem, e eu fico por aqui hoje agradecendo os amigos da Synapse Distribution e da Atômica Lab Assessoria pela cabine, então abraços e até amanhã com mais dicas.


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