No longa vemos que o garoto Junior, um jovem tentando buscar pelo seu lugar no mundo, encontra um carro antigo que pertencia ao avô, um senhor já bem endurecido pela frieza da guerra em outro país ainda na adolescência, na garagem. Com planos de ficar com o veículo, ele acaba mexendo em feridas do passado e, agora, precisará consertar uma briga antiga que dividiu a família anos atrás e possui grande relação com o velho fusca.
O longa anterior que conferi do diretor Emiliano Ruschel me fez perceber duas coisas, que ele tem estilo e opinião, pois fazer um longa nacional quase inteiro falado em inglês é algo meio estranho, mas que ao menos mostrou que sabia aonde poderia chegar, e agora ele volta a mostrar isso com a simples frase que o protagonista ouve aos montes de seu avô: "sem frescura", e isso diz tudo sobre o seu novo filme, que poderia ser cheio de firulas, poderia recair facilmente para uma novelona cansativa, mas que funciona por brincar de um modo básico o mundo atual, aonde muitos jovens valorizam o antigo e que possuem um carisma para talvez ligar pontos escuros no passado das famílias. Ou seja, o diretor soube ser simples, rápido e bem colocado, fazendo com que a ideia do filme prevalecesse e ainda de forma sintética passasse bem a emoção na tela.
Quanto das atuações, foi bem bacana a entrega de Caio Manhente para seu Junior, de modo que o personagem teve uma pegada um pouco mais dentro do vértice dos filmes americanos, de pensar em sair de casa para estudar, ganhar o carro do avô, trabalhar lavando pratos em restaurantes para juntar uma graninha, mas ainda assim o rapaz teve um ar sentimental bacana, fez bons trejeitos e conseguiu dar a emoção que o longa precisava. Já Tonico Pereira fez aqueles avôs ranzinzas e briguentos, que os vizinhos nem conseguem suportar, e o ator brincou com as possibilidades nos cenários entregando tudo o que ele sabe fazer bem, divertindo com presença e força visual. A boa base do longa ficou entre os dois protagonistas, mas ainda tivemos alguns momentos bem colocados de Danton Mello como o pai do garoto, e Cleo Pires fazendo uma mãe meio riponga divertida nos atos que acabou entregando, tendo entre os secundários um pouco mais de participação de Giovanna Chaves como a garota Laila que o rapaz tem uma queda.
No quesito visual, acredito que a equipe de arte pegou tudo o que tinha de sobras de todos os filmes que já participaram na vida (e nem deles, mas sim do Tonico Pereira) e levaram para deixar jogado dentro da casa e da garagem do avô, pois nem naqueles programas de limpeza que vemos na internet tinha visto uma bagunça tão grande, mas foi bacana para o jovem mostrar seus dotes de limpeza e arrumação, pois tudo ficou bem organizado e o fusca bem arrumadinho. Ainda tivemos alguns atos na cozinha de um restaurante e na casa do rapaz, mas sem grandes momentos ou detalhes.
Enfim, é um longa simples que funciona na tela, não sendo cansativo e principalmente brincando com algo que tem uma certa identidade, que como disse poderia ser ainda mais novelesco, mas que saiu bem pela tangente fazendo ficar com mais cara de cinema o resultado final. Sendo assim deixo a dica para conferirem ele nos cinemas na próxima quinta, e fico por aqui agradecendo o pessoal da A2 Filmes, da Uno Filmes e da Primeiro Plano Assessoria pela cabine de imprensa, então abraços e até breve com mais dicas.







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